*Crime e preconceito: mães e filhos de santo são expulsos de favelas por traficantes evangélicos
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A roupa branca no varal era o único indício da religião da filha de santo, que, até 2010, morava no Morro do Amor, no Complexo do Lins. Iniciada no candomblé em 2005, ela logo soube que deveria esconder sua fé: os traficantes da favela, frequentadores de igrejas evangélicas, não toleravam a “macumba”.
Terreiros, roupas brancas e adereços que denunciassem a crença já haviam sido proibidos, há pelo menos cinco anos, em todo o morro. Por isso, ela saía da favela rumo a seu terreiro, na Zona Oeste, sempre com roupas comuns. O vestido branco ia na bolsa. Um dia, por descuido, deixou a “roupa de santo” no varal. Na semana seguinte, saía da favela, expulsa pelos bandidos, para não mais voltar...
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.CAPÍTULO GERAL - 2013. SASSONE- ITÁLIA. (3º dia. 06/09/07)
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Frei Evaldo Xavier, 0.Carm.
O dia iniciou-se com uma Missa presidida por Fr. Michael O´Neal, em inglês.
A ESCOLHA DO TEMA DO CAPÍTULO
Missão e missões
O tema será abordado em 4 passos:
1 – o que está acontecendo no mundo em nossos dias?
2 – entender a realidade à luz da sabedoria cristã e da tradição carmelitana...
3 – o que estamos fazendo em termos concretos?
4 – o que somos chamados a fazer? Se conseguirmos menos do que esperávamos... O que é necessário fazer? Se conseguimos mais do que o necessário... o que fazer?
Nossa presença deve ser sinal de esperança. Onde não tem religião, ou onde há falsa religião, o clamor da humanidade deve ser ouvido pela Ordem. Vivendo o carisma e a missão do Carmelo: uma palavra de esperança e salvação.
Carmo em Missão: janelas de esperança!
As diversas realidades em que estamos presentes são uma riqueza e um desafio. Se formos transformados, seremos capazes também nós de nos contribuir para a transformação dos que estão ao nosso redor. Seremos presença transformadora da realidade e do mundo.
No atual contexto da Ordem temos pontos positivos e pontos negativos. O crescimento da Ordem é um pondo positivo e um sinal de vitalidade. Novos ventos de esperança impulsionam a Igreja com a eleição de Papa Francisco. Por outro lado, a crise econômica mundial preocupa em muitas partes do mundo e da Ordem. A juventude se vê sem esperança. Na crise nasce sempre à tentação de fechamento e de buscar refúgio em falsas seguranças (clericalismo, pompa excessiva, fanatismo...). O que o Carmo pode oferecer para o mundo de hoje? Antes de tudo é preciso renovar o entusiasmo e o amor pelo nosso carisma.
.*Carta do Papa Francisco aos Carmelitas por ocasião do Capítulo Geral 2013
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Para Rev.do Padre Fernando Millán Romeral, Prior Geral da Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo.
Dirijo-me a vós, queridos Irmãos da Ordem da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, como você comemora seu Capítulo Geral. Neste momento de graça e de renovação que convida você a discernir a missão da gloriosa Ordem dos Carmelitas, eu gostaria de oferecer-lhe uma palavra de encorajamento e esperança.
O antigo carisma do Carmelo ao longo destes últimos oito séculos tem sido um presente para toda a Igreja. Sua origem primavera contemplativa da terra de epifania do amor permanente de Deus manifestado no Verbo feito carne. Ao ponderar a sua missão no Carmelo hoje , gostaria de pedir que você considere três coisas que podem orientá-lo em seu caminho peregrino : amor como fidelidade , como a oração e como missão.
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.ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO: Padre Wladimir é encontrado morto
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Desaparecido desde sábado, 24 de agosto, padre Wladimir Anselmo da Silva, 50 anos (Foto), foi encontrado morto em São Bento do Sapucaí (SP). O sacerdote, que morava na Paróquia Santos Apóstolos, na Região Episcopal Brasilândia, estava com depressão e fazia um tratamento psiquiátrico com uso de medicamentos fortes.
A Arquidiocese de São Paulo já havia avisado a Polícia Militar, que agora deverá investigar e apurar o que aconteceu. A missa de corpo presente deverá acontecer amanhã, na Paróquia Santos Apóstolos (avenida Itaberaba, 3907, Jardim Maracanã).
Leia a íntegra do comunicado:
Nesta manhã chegou-nos o comunicado que foi encontrado o corpo do Pe. Wladimir Anselmo da Silva, nas proximidades de S. Bento de Sapucaí, nas mediações da "Pedra do Baú". Ele deverá ser transladado ainda hoje para São Paulo, afim de ser velado na Paróquia Santos Apóstolos. Está prevista Missa de "corpo presente" para amanhã, as 8h, e logo a seguir o sepultamento. (Estes horários poderão sofrer alterações).
A Arquidiocese de São Paulo, particularmente a Região Episcopal Brasilândia chora a morte deste sacerdote zeloso, dedicado e fiel no serviço de Deus e da Igreja. Deus na sua bondade lhe conceda a coroa da glória e a recompensa por todo bem realizado! Aos seus familiares, seus amigos e aos membros das comunidades onde realizou o seu ministério, nosso pesar e sentimentos de profunda comunhão na fé e na oração.
Dom Milton Kenan Junior
Vigário Episcopal para a Região Brasilândia
Dom Tarcísio Scaramussa
Vigário Geral da Arquidiocese de São Paulo
Fonte: http://www.arquidiocesedesaopaulo.org.br
.Santa Teresinha e o aidético: A história de uma alma aflita.
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Por Frei Alonso Gustavo Malaquias, O.Carm. Convento do Carmo, São Paulo.
Há cerca de dois meses venho acompanhando uma pessoa que descobriu que adquiriu HIV e veio desabafar comigo. Para contar isso pedi permissão da pessoa envolvida. E não vou dizer o nome, nem onde mora por motivos óbvios.
Realmente, não deve ser nada fácil ter que encarar do dia pra noite toda a sua pequenez e mortalidade. Dar-se conta de toda a sua fragilidade de uma só vez é duro. Neste tempo todo estamos conversando e fui falando pra ela de Santa Teresinha, contando a história da sua vida, do quê ela passou com a sua doença incurável na época, inclusive a terrível tentação que Santa Teresinha pensou de que Deus não existisse e que sua fé em Deus fosse, ao final de tudo, apenas uma cruz de madeira pendurada na parede... E o pedido que ela fez às Irmãs de tirarem de perto dela todos os remédios, pois ela tinha medo de fazer alguma bobagem, dada a sua situação de extremo sofrimento. E o mais bonito de tudo: como Santa Teresinha, apesar de tudo isso, confiou totalmente e se abandonou ao Amor Misericordioso do Senhor em meio às mais terríveis tentações contra a fé, dores físicas e morais. E que ela morreu, olhando para Jesus no seu crucifixo dizendo: "meu Deus, eu te amo"...
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COISAS DE FRANCISCO: Papa exorta os cristãos a se livrarem de devoções e revelações que não levam a Cristo.
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O cristão jamais deve esquecer que o centro da sua vida é Jesus Cristo: foi o que ressaltou o Papa na missa celebrada neste sábado na Casa Santa Marta, no Vaticano. Francisco afirmou que devemos vencer a tentação de ser "cristãos sem Jesus" ou cristãos que "buscam somente devoções", mas falta Jesus.
Existem, acrescentou, "outros cristãos sem Cristo: os que somente buscam devoções", "mas falta Jesus". "Se suas devoções levam-no a Jesus – disse o Papa –, então tudo bem. Mas se não vai além da devoção, algo não funciona." Além disso, prosseguiu, há "outro grupo de cristãos sem Cristo: os que buscam coisas raras, um pouco especiais, que vão atrás de revelações privadas", enquanto a Revelação se concluiu com o Novo testamento.
O Papa frisou nestes cristãos a vontade do "espetáculo da revelação, de ouvir coisas novas". Francisco exortou esses cristãos a tomarem o Evangelho. E concluiu pedindo a Jesus que "nos faça entender que somente Ele é o Senhor, o único Senhor. E nos dê também a graça de amá-Lo, de segui-Lo, de caminhar na estrada que Ele nos ensinou".
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.OLHAR CARMELITANO SOBRE CAMOCIM DE SÃO FÉLIX-PE.
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Fotos e fatos do encerramento da Festa de São João Batista, bairro do Campo, Camocim de São Félix. Fonte: Face...
.ORDEM DO CARMO: Olhar Carmelitano.
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Com o tema; “Uma palavra de esperança e de salvação” (Const. 24): viver o carisma e a missão do Carmelo, hoje. A Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem do Monte Carmelo- Carmelitas, do dia 02 a 21 de setembro-2013, realiza o Capítulo Geral em Roma, Itália. Veja outras fotos. Clique aqui:
https://www.facebook.com/olharjornalistico/media_set?set=a.635713223128214.1073741834.100000686270175&type=1 (É necessário ter uma conta no facebook)
.*23º Domingo do Tempo Comum: A prioridade e as renúncias para seguir Jesus (Lucas 14,25-33)
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Ildo Bohn Gass, biblista do CEBI.
O evangelho da liturgia deste final de semana apresenta Jesus colocando as condições fundamentais para quem quer segui-lo no caminho da cruz. Diante da prioridade do seguimento, todo o resto se torna relativo.
E nós hoje
Certamente, as exigências de Jesus nos questionam quando nossa ação evangelizadora está voltada mais para as "massas" e não tanto para o "fermento", isto é, o engajamento radical em favor da justiça e da partilha, da gratuidade e da superação de preconceitos.
É evidente que Jesus não recusa ninguém. Ele mesmo acolheu com ternura um homem muito rico. Porém, não deixou de lhe mostrar que o caminho da felicidade passa pela partilha (Lucas 18,18-23). Também foi comer na casa de um ladrão confesso. Mas deixou claro que ele se tornaria discípulo do reino na medida em que devolvesse o que roubara e partilhasse outro tanto com os pobres (Lucas 19,1-10)...
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.*ORDEM DO CARMO: CAPÍTULO GERAL- 2013. SASSONE - ITÁLIA
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Frei Evaldo Xavier Gomes, O. Carm.
Primeiro dia
ABERTURA DIA 03/09/2013
O Capítulo Geral foi aberto com uma missa presidida pelo P. Geral, Fernando Millán, concelebrada pelos membros do Conselho Geral e padres capitulares. Após a missa todos, vestindo o hábito e capa branca, se dirigiram em procissão para a sala capitular. Ao longo do percurso se cantou a ladainha dos santos carmelitas e o veni creator. A procissão foi aberta pelo ícone de Nossa Senhora e dos padroeiros do Capítulo Geral. Fr. Joseph Chalmers foi eleito Presidente do Capítulo.
TARDE
1-Leitura da Carta do Papa Francisco para o Prior Geral da Ordem por ocasião da celebração do Capítulo Geral (texto em anexo). Em sua mensagem o Papa sugere três “fios condutores” para a realização do Capítulo Geral...
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.O racismo de Trump e a liberdade de expressão
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A comunicação nas redes não é um entretenimento ‘café com leite’. Tem impacto político, social e econômico – e jurídico
Por Nicolau da Rocha Cavalcanti
Diante das críticas à publicação por Donald Trump de um vídeo racista, que representava Barack e Michelle Obama como macacos, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou: “Trata-se de um vídeo de meme da internet que mostra o presidente como o rei da selva e os democratas como personagens de O Rei Leão. Por favor, parem com a falsa indignação e noticiem algo que realmente importe para os americanos”.
Por mais que soe revoltante – afinal, foi uma tentativa de minimizar a gravidade de um ato racista do presidente dos Estados Unidos –, o argumento de Leavitt, deve-se admitir, costuma ser aceito por muita gente. Há quem pense que uma “piada” na internet não tem especial importância. Levá-la a sério seria não apenas um sintoma de que não a entendeu, mas expressão de uma mentalidade rígida e controladora, que leva a reduzir a liberdade de expressão alheia.
Há aqui dois sérios erros.
Primeiro. A internet não é irrelevante no mundo real. Vejam-se, para citar apenas um dado, os números da publicidade digital. Estima-se que, no ano passado, foram investidos globalmente mais de US$ 600 bilhões em publicidade digital. A comunicação nas redes sociais não é uma espécie de entretenimento “café com leite”. O que se vê e o que se ouve na internet tem enorme impacto político, social e econômico – e, por consequência, também jurídico. O que afeta as relações sociais afeta o Direito.
Esquecemo-nos, às vezes, de um elemento básico. A internet potencializou a comunicação humana. Potencializou, assim, os benefícios da expressão humana, bem como seus riscos, perigos e danos. Ou seja, é natural – uma consequência da própria potência da internet – que existam agora, por exemplo, muito mais questões penais envolvendo o que cada um fala. A comunicação nas redes sociais atinge, de forma muito mais rápida, muito mais pessoas. A expressão na internet tem, sim, grande relevância.
O segundo erro é considerar que o vídeo publicado teria sido apenas uma “piada” e, portanto, desimportante, irrelevante juridicamente. A própria fala de Leavitt revela que o vídeo não foi mero humor: era o presidente dos Estados Unidos apresentando-se “como o rei da selva e os democratas como personagens de O Rei Leão”. Ou seja, era uma comunicação política, estabelecendo papéis para personagens políticos reais. Ainda que pudesse ter aparência de “humor”, de desenho animado, a mensagem era política. Seu objetivo não era entreter simpliciter.
Uma das potencialidades comunicativas das redes sociais é precisamente o despojamento da forma da mensagem, permitindo alcançar um público muito maior e de modo desarmado. Não nego que haja humor genuíno na internet – e que deva ser tratado como humor. Isso, por óbvio, não é autorização para a prática de crimes. Por exemplo, alguém que utilize uma piada para difundir desinformação sobre uma instituição financeira estará cometendo um crime. Mesmo que seu público ria ao final.
No caso do vídeo postado por Donald Trump, dizer que é uma piada por ter aparência de piada é não entender o que estava sendo dito. É ignorar a dinâmica da comunicação da internet. Um meme pode ter um potencial comunicativo muito maior do que um texto – e o Direito não é, nem pode ser, indiferente a esse fato.
Talvez alguém questione: mas, nos Estados Unidos, eles têm a Primeira Emenda, que permite a fala racista; então, nada disso teria muita relevância. Ora, a Primeira Emenda da Constituição americana não fala sobre racismo. Diz o texto: “O Congresso não aprovará nenhuma lei (...) que restrinja a liberdade de expressão ou de imprensa”. Afirmar, portanto, que a Constituição dos Estados Unidos autoriza o racismo constitui uma interpretação, entre várias possíveis, do que significa liberdade de expressão.
Ao longo do tempo, houve diversas interpretações sobre o tema. Por exemplo, em 1925, a Suprema Corte dos Estados Unidos – inclusive, com o voto favorável do juiz Oliver Wendell Holmes Jr., considerado um dos grandes formuladores do que viria a ser o conceito americano de liberdade de expressão – confirmou a condenação do político Benjamin Gitlow por seus escritos revolucionários, entendendo que esse tipo de publicação não estava protegido pela liberdade de expressão. Ou seja, dizer que o vídeo racista de Trump está autorizado pela Primeira Emenda é uma escolha interpretativa, não um dado normativo.
O debate sobre a liberdade de expressão anda raso. Há quem queira usar o poder estatal para impor suas verdades. Há quem queira retirar do Direito a capacidade de discernir o que é insulto, agressão, discriminação – ações que nunca estiveram no âmbito de proteção da liberdade de expressão. Tem-se aqui um tema importante. A internet expandiu as capacidades de comunicação, mas o direito de se exprimir continua o mesmo. Os limites da proteção da liberdade de expressão não foram alterados. Existe liberdade, mas continua sendo necessário respeitar os outros e seus direitos. Existe liberdade, mas continua havendo a correspondente responsabilidade.
Opinião por Nicolau da Rocha Cavalcanti
Advogado, mestre e doutorando em Direito Penal pela USP
Fonte: https://www.estadao.com.br
Nikolas Ferreira reage a padre que expulsou fiéis da igreja por concordarem com fala do deputado
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Deputado disse que eucaristia foi usada como instrumento político e afirmou enfrentar perseguição religiosa
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL/MG) se pronunciou nas redes sociais na noite deste último domingo (8/2) após a repercussão de um episódio ocorrido durante uma missa em Minas Gerais, em que um padre condicionou a comunhão aos fiéis a posições políticas. O parlamentar classificou a situação como uma das mais graves que já presenciou e afirmou que o caso ultrapassa o debate político, entrando no campo religioso e espiritual.
Na gravação, Nikolas diz ter ficado chocado com o uso do altar para, segundo ele, “condicionar a Eucaristia”, sacramento central da Igreja Católica, ao apoio ou rejeição ao seu nome. “Eu sou um simples deputado federal”, afirmou, ao questionar por que sua atuação política teria se tornado motivo de exclusão religiosa dentro de um culto. Para ele, a atitude representa uma distorção extrema do papel da Igreja e chega ao que chamou de “heresia a nível máximo”.
O deputado também criticou o que considera uma indignação seletiva por parte de autoridades religiosas. No vídeo, ele lista uma série de escândalos políticos, econômicos e sociais que, segundo sua avaliação, não recebem o mesmo tipo de reprovação pública em celebrações religiosas. Entre eles, mencionou corrupção, escândalos financeiros, recepção de líderes autoritários no país e pautas ligadas ao aborto, afirmando que nenhuma dessas questões gera reações semelhantes no altar.
No vídeo, o padre diz que, se a comunidade apoia o deputado sobre o voto contrário que deu a um projeto do governo federal relacionado à distribuição de gás de cozinha, que saísse da Igreja. “Você não merece receber a Eucaristia”, falou o sacerdote. Nikolas voltou a defender sua posição, argumentando que a proposta substitui a autonomia das famílias por um modelo que, em sua visão, cria dependência do Estado e serve a interesses eleitorais.
Ao final, o deputado elevou o tom e afirmou que o episódio não deve ser tratado apenas como um embate político. “Isso aqui não é uma guerra material, isso aqui não é uma guerra política. Isso aqui é uma guerra espiritual. E eu não tenho dúvidas de que tanto de coisas que eu tenho enfrentado, que nós temos enfrentado, é simplesmente as trevas se levantando. Mas se Deus é por nós, quem será contra nós?”, declarou.
O caso ocorreu em uma paróquia vinculada à Diocese de Caratinga, que divulgou nota oficial afirmando que a fala do sacerdote não reflete as orientações da Igreja e que o padre pediu perdão à comunidade. Ainda assim, a reação de Nikolas ampliou o alcance do episódio e reacendeu o debate sobre limites entre religião e política no Brasil. Fonte: https://portalleodias.com
Trump violenta cidadãos, os fatos e a democracia
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A execução de Alex Pretti expõe um governo que avilta a verdade e instrumentaliza a máquina pública para intimidar adversários, cruzando a linha entre o Estado de Direito e o terror de Estado
A morte de Alex Pretti, enfermeiro de 37 anos sem antecedentes criminais, baleado por agentes federais em Minneapolis, marca um ponto de inflexão na escalada repressiva do governo de Donald Trump. Não se trata de mais um acidente trágico num ambiente político inflamado. Trata-se de um caso em que a violência estatal colide frontalmente com princípios elementares do Estado de Direito.
Durante um protesto, ao tentar intervir depois que uma mulher foi derrubada por forças federais, Pretti foi atingido por spray de pimenta, imobilizado e cercado no chão. No momento crucial, Pretti segurava apenas o celular com que filmava a ação dos agentes. Ele portava legalmente uma arma de fogo, mas não a empunhava. A arma foi identificada e retirada. Ainda assim, os agentes dispararam dez tiros. Mesmo diante dessas imagens, autoridades federais apressaram-se em descrevê-lo como ameaça letal, agressor e “terrorista” em potencial – pedindo ao público que desconfiasse não apenas de seus instintos morais, mas de seus próprios olhos.
Essa reação é ainda mais ultrajante que o próprio episódio. Ao substituir investigação por estigmatização, o governo não apenas se esquivou de responsabilidade como reforçou uma lógica perigosa: a de que agentes armados podem agir com ampla margem de impunidade, desde que o Poder Executivo forneça a cobertura narrativa necessária.
A escalada não surgiu do nada. A crise migratória foi, durante anos, tratada com complacência por administrações democratas, em descompasso com a percepção da maioria da população. Esse vazio de autoridade ajudou a alimentar o apelo eleitoral de soluções maximalistas e retóricas de combate. Some-se a isso a imprudência de vozes que, em nome da resistência, flertaram com discursos de obstrução e confronto às forças federais. Ainda assim, convém ser claro: esses fatores ajudam a explicar o contexto, mas nem de longe absolvem o governo que hoje detém o poder e o exerce de forma letal.
Operações ostensivas, agentes mascarados, uso rotineiramente desproporcional da força, retórica de guerra interna e normalização da exceção compõem um padrão. Não é preciso recorrer a analogias extremas para reconhecer traços de regimes totalitários que suprimem liberdades não abolindo leis, mas reinterpretando-as de modo a esvaziar seu conteúdo. O governo Trump passou a empregar terror de Estado como método de governo, não apenas para impor políticas, mas para produzir medo difuso, permanente e imprevisível.
Quando o Executivo transforma adversários políticos, manifestantes ou simples observadores em “inimigos internos”, o efeito é literalmente letal. A confiança pública se dissolve. O direito de protesto torna-se risco pessoal. Até o porte legal de uma arma – ferrenhamente defendido pelo movimento Maga – deixa de ser garantia constitucional e passa a ser pretexto para execução sumária. A fronteira entre aplicação da lei e truculência política se torna indistinta.
Uma política migratória eficaz exige autoridade, sim, mas autoridade legítima, limitada, sujeita a controle. A força sem responsabilidade não protege. Apenas amedronta. E o medo é combustível instável para qualquer democracia.
Há saídas. A primeira é óbvia: investigações independentes, transparência plena, cooperação com autoridades estaduais e responsabilização individual. A segunda é institucional: limites claros às operações federais, identificação obrigatória de agentes, uso efetivo de câmeras corporais, supervisão externa real. A terceira é política: abandonar a lógica da provocação permanente e reconhecer que governar não é testar até onde o poder pode ir sem ser contido. O Congresso – em especial os republicanos sensatos – precisa constranger o governo.
A história americana oferece inúmeros exemplos de correção de rota após abusos estatais. Mas todos exigiram coragem institucional. Se o assassinato de Alex Pretti – como o de Renee Good antes dele – não provocar essa reação, o precedente estará estabelecido.
O poder legítimo não se mede pela força das armas, mas pela disposição de responder por cada tiro. Fonte: https://www.estadao.com.br
Sintonia fina entre Lula e Leão XIV
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O Brasil e a Santa Sé celebram 200 anos de relações diplomáticas em um momento de convergência de preocupações entre Lula e o Papa Leão XIV
Lula e o Papa Leão XIV — Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert
— Buenos Aires
O Brasil e o Vaticano comemoram hoje 200 anos de relações diplomáticas, em momentos de enormes desafios globais e, segundo confirmam fontes diplomáticas e posicionamentos do Papa Leão XIV e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, forte sintonia entre ambos. Para dar apenas um exemplo, o governo brasileiro e o Sumo Pontífice foram convidados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para participar do chamado “Conselho da Paz”, uma iniciativa que parecia inicialmente destinada a supervisionar a reconstrução pós-guerra de Gaza, mas que poderia ir além do enclave. Em Brasília e no Vaticano, fontes afirmam que em ambos os casos a tendência é dizer “não” ao republicano.
No caso do governo brasileiro, as fontes foram mais taxativas: “Existe zero possibilidade de que sejamos parte disso.” No Vaticano, a coluna apurou que Leão XIV, nascido nos EUA, dificilmente se arriscaria a sofrer uma avalanche de questionamentos, sobretudo internos. Oficialmente, o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado e número 2 do Vaticano, disse a jornalistas que “estamos considerando isso a fundo, e acho que é um assunto que requer tempo para reflexão e resposta”.
Hoje, Parolin celebrará uma missa em português pelos 200 de relações diplomáticas entre o Brasil e o Vaticano, na Basílica de Santa Maria Maior (onde está sepultado do Papa Francisco), com a presença de cardeais brasileiros, entre eles Dom Jaime Spengler, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e arcebispo de Porto Alegre, e do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Durante sua visita ao Vaticano, o ministro se encontrará com a Comunidade Santo Egídio (atuante na mediação de conflitos, sobretudo na África); com a Ordem de Malta, que tem uma extensa rede de atenção, sobretudo de caráter humanitário; e com o cardeal Parolin.
O Brasil e o Vaticano mantêm relações diplomáticas desde 23 de janeiro de 1826, quando o papa Leão XII recebeu as cartas credenciais de monsenhor Francisco Corrêa Vidigal, que havia sido enviado a Roma pelo imperador Pedro I para efetuar gestões em favor do reconhecimento da independência, proclamada em 1822.
Na visão do embaixador Everton Vieira Vargas, essa relação vive um de seus melhores momentos. O embaixador destacou em conversa com a coluna a convergência sobre temas comuns e de preocupação de ambos os Estados, entre eles o futuro do multilateralismo, a busca da paz e de um mundo mais justo.
Talvez uma das poucas divergências entre Leão XIV e Lula seja sobre o papel da líder opositora venezuelana María Corina Machado, recebida recentemente pelo Pontífice. O presidente brasileiro nunca quis ter contato com María Corina, vista por seu governo como um obstáculo para uma transição democrática no país.
No discurso do Papa aos membros do corpo diplomático acreditado junto ao Vaticano, nos primeiros dias de janeiro, Leão XIV afirmou que “preocupa particularmente a fragilidade do multilateralismo no plano internacional. Uma diplomacia que promove o diálogo e procura o consenso de todos está sendo substituída por uma diplomacia da força, de indivíduos ou de grupos de aliados.
A guerra voltou a estar na moda e um fervor bélico está se alastrando. Foi quebrado o princípio, estabelecido após a Segunda Guerra Mundial, que proibia os países de recorrerem à força para violar fronteiras alheias”. Sintonia fina com o Planalto. Fonte: https://oglobo.globo.com
Arthur Lira e filho entregam motos sorteadas no interior de Alagoas: 'Dividimos, eu e painho'
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Apesar de as motocicletas terem sido entregues com seus nomes, o deputado alegou não ter custeado a compra. Álvaro Lira é pré-candidato a deputado federal no estado
Moto com nome de Arthur Lira entregue em Teotônio Vilela (E) e moto entregue com nome de Álvaro Lira em São Miguel dos Campos (D) — Foto: Reprodução/Instagram
Por Yago Godoy
— Rio de Janeiro
O deputado federal Arthur Lira (PP-AL) e seu filho, Álvaro Lira, entregaram motocicletas a cidadãos alagoanos em sorteios de Natal realizados por prefeituras do interior do estado. Na cidade de São Miguel dos Campos, na última quinta-feira, eles compareceram presencialmente ao evento para conceder os prêmios. No dia seguinte, em Teotônio Vilela, apesar de não terem ido ao município, as motos sorteadas continham seus nomes colados em um papel.
Na cidade de Teotônio Vilela, a cerca de 90 km de Maceió, as cinco motos sorteadas também tinham os nomes do prefeito, Peu Pereira (PP), do deputado estadual Fernando Pereira (PP) e do ex-prefeito Joãozinho Pereira. Fernando e Joãozinho são irmãos, e também primos do ex-presidente da Câmara.
Já em São Miguel, o maior prêmio foi um carro que continha o brasão da prefeitura. As motos estavam em nome de Fernando e Álvaro, que ocupa o cargo de gestor administrativo da cidade e é pré-candidato a deputado federal por Alagoas. Na segunda-feira passada, contudo, quando o sorteio foi realizado, a mesma moto estava com o nome de Lira.
— A gente deu uma dividida na moto, eu e painho, e ano que vem eu fui convocado para ser duas. Uma minha e uma dele — brincou Álvaro, em conteúdo publicado pelo município nas redes sociais.
Em seu perfil oficial, o filho de Lira afirmou que "mais do que prêmios, entregamos esperança, alegria e gratidão a quem faz a cidade crescer". Durante seu discurso no palco do evento, ele também ressaltou estar alegre por entregar os prêmios e "fortalecer a época natalina":
— Muita alegria de estarmos aqui entregando esses prêmios, que já foram sorteados, que vocês já foram ganhadores, mas hoje se concretiza. Está sendo premiado um carro pela prefeitura, uma moto pelo deputado estadual Fernando Pereira, e uma moto dividida, minha com meu pai — frisou.
Ao GLOBO, a assessoria de Lira alegou que, apesar das manifestações, eles não custearam a compra das motos sorteadas, e o uso do nome de Álvaro "teve caráter meramente informal":
"Tratou-se de evento promocional realizado pela Associação Comercial junto com a prefeitura local. O uso do nome de Álvaro Lira no material exposto teve caráter meramente informal, apenas para identificar quem realizaria o sorteio do produto", diz o deputado em nota.
Em São Miguel, que possui 51.990 habitantes e fica a 50 km da capital, foram disponibilizados R$ 200 mil em prêmios em parceria com mais de 100 lojistas. A 15° edição do "Natal Premiado" movimentou cerca de 400 mil cupons na cidade, conforme informações divulgadas pela prefeitura, e ofertou itens como televisões, camas, eletrodomésticos e prêmio em dinheiro. Procurada pelo GLOBO, a gestão municipal ainda não se manifestou.
Nas redes sociais, Lira escreveu que a ação "movimenta o comércio local, incentiva os comerciantes e leva benefícios diretos para a população", com todo o valor investido sendo revertido "para a economia de São Miguel". Ainda nas redes, o prefeito George Clemente (MDB) também afirmou que "o comércio sai fortalecido".
"Uma ação que movimenta o comércio local, incentiva os comerciantes e leva benefícios diretos para a população. Quando iniciativas assim acontecem, todo mundo ganha: quem vende, quem compra e a cidade como um todo", publicou Lira.
'Lugar especial no coração'
Com 38.053 habitantes, Teotônio Vilela sorteou 97 prêmios no evento "Natal dos Sonhos", que também contou com ampla divulgação nas redes sociais. Os cupons eram garantidos a cada R$ 30 reais em compras em lojas locais.
O sorteio e a entrega dos prêmios foram no mesmo dia, somente com a presença de Peu. Em um painel de LED, além dos estabelecimentos descritos como "parceiros", as fotos de Álvaro, Joãozinho, Fernando e Lira apareciam como "apoio". Os políticos também receberam agradecimentos do prefeito, em sua rede social, por "tornarem o sonho possível".
Lira e Álvaro compareceram a Teotônio no final de dezembro para participarem da inauguração da pavimentação, de um auditório e de um espaço esportivo. Eles aproveitaram para entregar cestas básicas aos moradores e compartilharam fotos da visita nas redes, além de o deputado publicar que a cidade "tem um lugar especial no coração".
"Cada retorno aqui é marcado por carinho, respeito e pela certeza de que vale a pena trabalhar por essa gente tão acolhedora", escreveu Lira.
Em nota enviada ao GLOBO, a Prefeitura de Teotônio Vilela informou que o sorteio é realizado há duas décadas e "conta historicamente com o apoio e a participação de autoridades públicas e lideranças políticas". Em relação aos deputados, a gestão afirmou que eles participaram "sem qualquer vínculo institucional com a organização do evento ou com a prefeitura", comparecendo "de forma informal e voluntária".
"A prefeitura reafirma seu compromisso com a transparência, com o fortalecimento da economia local e com a valorização de iniciativas que promovem desenvolvimento, geração de renda e participação popular", diz o comunicado.
Grupo Pereira e Codevasf
Além dos sorteios realizados, os políticos costumam aparecer juntos em eventos e inaugurações locais. Enquanto era presidente da Câmara, conforme reportagem do GLOBO, Lira destinou R$ 1,1 milhão em emendas parlamentares para uma obra de pavimentação da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), à época comandada justamente por Joãozinho.
O motivo foi a colocação de paralelepípedos em ruas da localidade conhecida como Atoleiro, no município de Junqueiro, pela empresa Grupo Pereira. A organização tem como sócias Zirlene Pereira, mãe de Joãozinho e Fernando, e sua irmã, a ex-deputada Jó Pereira.
Àquela altura, Joãozinho afirmou que não houve pagamento ao Grupo Pereira, enquanto Lira argumentou que "avaliar o uso de um maquinário, se faz parte da obra ou se foi utilizado apenas para ilustrar uma ação" não fazia parte de suas "funções institucionais". Fonte: https://oglobo.globo.com
Digo, logo existo
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A questão é que, ultimamente, no Brasil, estamos com medo de falar e de escrever. Tememos a patrulha
Por Basilio Jafet
Diretor do Grupo Jafet, é vice-presidente de relações institucionais do Secovi-SP
Tempos em que dizer o que se pensa se tornou arriscado autorizam a variação da famosa máxima filosófica “penso, logo existo”, de René Descartes, para “digo, logo existo”.
Enquanto o “penso” estabelece a certeza da existência do sujeito a partir da consciência da sua própria atividade mental (o pensamento e a dúvida), a afirmação “digo” pode ser interpretada sob perspectivas que enfatizam a importância da linguagem e da interação social na constituição da existência humana.
O indivíduo só se torna plenamente existente no momento em que se expressa e é reconhecido pelos outros. O ato de dizer é o que o insere no mundo social e cultural.
A linguagem não é apenas um reflexo passivo do pensamento. O ato de dizer é performativo; ele estrutura e nomeia a nossa realidade, dando forma ao que pensamos. Se não dizemos, a nossa ideia permanece inarticulada e “não existe” no domínio público. E, enquanto o pensamento é abstrato e interno, o dizer é o passo para a ação. A fala concretiza a intenção, exigindo que o sujeito organize o seu pensamento e o lance para o mundo exterior.
Os grandes saltos civilizatórios da humanidade resultaram de pensamentos e palavras que lhes deram materialidade. Personalidades que moldaram a história do mundo só o fizeram porque puderam manifestar-se. Esse processo, por óbvio, não afastou o contraditório, os questionamentos e mesmo as perseguições. Mas elas falaram. E transformaram. E impulsionaram a evolução dos homens, das máquinas, do trabalho, da vida.
O que seria de nós se Confúcio, Sócrates, Platão, Aristóteles, Newton, Darwin, Marx, Nietzsche ou Einstein não tivessem se expressado livremente? E o que dizer de vozes como Gandhi, Mandela, Luther King e tantos outros cujas palavras revolucionaram valores e a História?
É certo que a liberdade de expressão não foi facilmente conquistada. Em boa parte do tempo, falar contra reis, chefes ou dogmas religiosos podia levar a punições severas – muitas vezes até à morte – e infelizmente ainda é assim em alguns pontos do planeta.
A prática da liberdade de expressão tem raízes na Grécia antiga, mas só se consolidou como direito universal a partir do século 18.
Atenas tinha o conceito da “franqueza”, que permitia aos cidadãos falar abertamente nas assembleias. Mas era restrita: mulheres, estrangeiros e escravizados não tinham esse direito. No Império Romano havia algum espaço para críticas, especialmente no Senado, mas imperadores autoritários limitavam duramente o que se podia dizer. Já na Idade Média, a liberdade de expressão praticamente inexistiu. Igrejas e monarquias controlavam fortemente ideias e discursos.
Com o renascimento e o iluminismo (séculos 15-18), ao lado do crescimento da imprensa e da filosofia, veio a valorização da livre circulação de ideias. Autores como John Milton (1608-1674) e John Locke (1632-1704) defenderam tolerância e liberdade de expressão.
A Revolução Gloriosa na Inglaterra (1688) e a Revolução Francesa (1789), acompanhada da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, trouxeram enunciados formais sobre esse direito. A Constituição dos EUA (1791), com a Primeira Emenda, foi um marco jurídico de proteção à liberdade de expressão.
A partir do século 19, esse direito foi sendo incorporado em muitas constituições e, no mundo contemporâneo, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), após a 2.ª Guerra Mundial, o sacramentou.
No Brasil, a Constituição de 1988 prevê a liberdade de expressão como direito fundamental consagrado em diversos dispositivos, principalmente no Título II – Dos Direitos e Garantias Fundamentais. O inciso IX do artigo 5.º – que é um dos pilares do Estado Democrático de Direito –, estabelece: “É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.”
Como o exercício da liberdade de expressão deve ser harmonizado com a proteção da dignidade da pessoa humana, a Carta Magna também impõe limites e responsabilização em casos de violação da intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas. Ainda, vedação a manifestações que constituam calúnia, difamação, injúria, incitação ao ódio ou a atividades ilícitas.
Vencemos séculos para conquistar o direito de pensar e dizer. Nessa trajetória, construímo-nos mutuamente e aprendemos a responder pelas ideias que tornamos públicas.
A questão é que, ultimamente, no Brasil, estamos com medo de falar e de escrever. Tememos a patrulha. Passamos a policiar rotineiras conversas por WhatsApp com familiares e amigos, pois a simples troca de mensagens, e mesmo contar piadas em locais públicos, pode levar a condenações ou prisões. Ficou perigoso se expressar. Submetemo-nos à autocensura, muito pior que a censura.
Aceitar tal condição é retroceder. É ressuscitar as sombrias épocas em que, mergulhados em escuridão, sussurrávamos sentimentos, opiniões e sonhos de liberdade. O silêncio é a manifestação mais comum da omissão, cujo preço a história irá nos cobrar. Fonte: https://www.estadao.com.br
A conta da ideologia petista
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Deposição de Maduro expõe as contradições da política externa de Lula, marcada por anos de complacência com a ditadura chavista e agora premida pela necessidade de preservar a relação com os EUA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva colhe os frutos de uma política externa mais orientada por afinidades ideológicas do que por princípios democráticos e valores universais, como a defesa dos direitos humanos. A queda de Nicolás Maduro, deposto por uma ação militar dos EUA, colocou o chefe de Estado e de governo brasileiro diante de um dilema que ele próprio ajudou a construir: como condenar uma flagrante violação do Direito Internacional sem despertar a ira de Washington e, ao mesmo tempo, sem ter de prestar contas pelo apoio político a uma das mais brutais ditaduras do continente?
A reação inicial de Lula à captura de Maduro foi reveladora. Em postagem nas redes sociais, o petista criticou o método empregado pelo presidente Donald Trump, evitando cuidadosamente mencionar o nome do antigo “companheiro”. A cautela é compreensível. Em ano eleitoral no Brasil e nos EUA, Trump não hesitará em transformar eventuais divergências externas em instrumentos de pressão, inclusive por meio de novas rodadas de sanções econômicas ou políticas. O problema é que o cálculo estratégico de Lula não tem o condão de apagar um passado marcado por complacência, quando não por endosso, ao regime chavista.
A despeito de o Brasil não ter sido determinante, sob as perspectivas militar e econômica, para sustentação de Maduro – papel desempenhado pela China e pela Rússia –, os governos lulopetistas foram esteios do regime na esfera política ao oferecer respaldo simbólico à ditadura que arruinou a Venezuela. Como líder da potência regional, Lula sempre relativizou a repressão violenta aos dissidentes, a destruição institucional do país, a debacle econômica e o êxodo de milhões de venezuelanos, compondo um constrangedor coro regional de solidariedade a um regime que há muito já não escondia seu vezo autoritário.
Após a fraude na eleição de 2024, atestada por instituições insuspeitas, como o Centro Carter, o Brasil limitou-se a um distanciamento protocolar. O petista chegou a ser humilhado pelo ditador que apoiou por anos. Maduro, convém lembrar, não só atacou a lisura do sistema eleitoral brasileiro, como ainda recomendou que Lula tomasse um “chá de camomila” depois de o presidente brasileiro ter dito que ficou “assustado” ao ouvir Maduro dizer que, caso ele perdesse a eleição, haveria um “banho de sangue” na Venezuela. Ainda assim, a ambiguidade prevaleceu. Em janeiro de 2025, quando Maduro assumiu um mandato ilegítimo, Lula não compareceu ao simulacro de posse, mas enviou uma representante diplomática, gesto que acabou por legitimar, na prática, um governo nascido da fraude e da força.
Recorde-se ainda que, nos primeiros meses de seu terceiro mandato, Lula estendeu o tapete vermelho para Maduro em Brasília. Em declarações públicas, o petista relativizou o conceito de democracia, chegando a afirmar que a Venezuela, ora vejam, teria “mais eleições do que o Brasil”. Em outra vergonhosa passagem, Lula disse haver “excesso de democracia” no país vizinho. São declarações que não resistem ao contraste com a realidade factual e revelam a visão instrumental que Lula e o PT têm da democracia – tolerável apenas quando serve aos propósitos de aliados ideológicos.
Lula agora tenta se equilibrar entre a crítica ao atropelo das normas internacionais, o que de fato ocorreu, e a necessidade de preservar a aproximação com Trump, que culminou na suspensão do tarifaço imposto ao Brasil e no fim de sanções aplicadas a autoridades brasileiras. A dificuldade, para o presidente brasileiro, é disfarçar altivez depois de anos de alinhamento político com a ditadura chavista.
Lula terá de fazer muito mais do que publicar notas genéricas sobre soberania e autodeterminação dos povos. Precisará reconhecer, explicitamente, os erros de uma política externa que deliberadamente fechou os olhos para a barbárie ao lado em nome da afinidade ideológica com o chavismo. A democracia não é um conceito “relativo” nem jamais foi “excessiva” na Venezuela – muito ao contrário. Enquanto não o fizer, Lula seguirá refém de suas contradições, pagando o preço político e moral da cumplicidade histórica com uma das maiores tragédias humanitárias da América Latina. Fonte: https://www.estadao.com.br
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