DOMINGO 23, DIA DA BÍBLIA. 25º Domingo do Tempo Comum – Ano B
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A liturgia do 25º Domingo do Comum convida os crentes a prescindir da “sabedoria do mundo” e a escolher a “sabedoria de Deus”. Só a “sabedoria de Deus” – dizem os textos bíblicos deste domingo – possibilitará ao homem o acesso à vida plena, à felicidade sem fim.
O Evangelho apresenta-nos uma história de confronto entre a “sabedoria de Deus” e a “sabedoria do mundo”. Jesus, imbuído da lógica de Deus, está disposto a aceitar o projeto do Pai e a fazer da sua vida um dom de amor aos homens; os discípulos, imbuídos da lógica do mundo, têm dificuldade em entender essa opção e em comprometer-se com esse projeto. Jesus avisa-os, contudo, de que só há lugar na comunidade cristã para quem escuta os desafios de Deus e aceita fazer da vida um serviço aos irmãos, particularmente aos humildes, aos pequenos, aos pobres.
ATUALIZAÇÃO- EVANGELHO (Mc 9,30-37)
Os anúncios da paixão testemunham que Jesus, desde cedo, teve consciência de que a missão que o Pai Lhe confiara ia passar pela cruz. Por outro lado, a serenidade e a tranquilidade com que Ele falava do seu destino de cruz mostram uma perfeita conformação com a vontade do Pai e a vontade de cumprir à risca os projetos de Deus.
A postura de Jesus é a postura de alguém que vive segundo a “sabedoria de Deus”… Ele nunca conduziu a vida ao sabor dos interesses pessoais, nunca pôs em primeiro lugar esquemas de egoísmo ou de auto-suficiência, nunca se deixou tentar por sonhos humanos de poder ou de riqueza… Para Ele, o fator decisivo, o valor supremo, sempre foi a vontade do Pai, o projeto de salvação que o Pai tinha para os homens.
Nós, cristãos, um dia aderimos a Jesus e aceitamos percorrer o mesmo caminho que Ele percorreu. Que valor e que significado tem, para nós, essa vontade de Deus que dia a dia descobrimos nos pequenos acidentes da nossa vida? Temos a mesma disponibilidade de Jesus para viver na fidelidade aos projetos do Pai? O que é que dirige e condiciona o nosso percurso: os nossos interesses pessoais, ou os projetos de Deus?
Neste episódio, os discípulos são o exemplo clássico de quem raciocina segundo a “sabedoria do mundo”. Quando Jesus fala em servir e dar a vida, eles não concordam e fecham-se num silêncio amuado; e logo a seguir, discutem uns com os outros por causa da satisfação dos seus apetites de poder e de domínio. Aquilo que os preocupa não é o cumprimento da vontade de Deus, mas a satisfação dos seus interesses próprios, dos seus sonhos pessoais. A atitude dos discípulos mostra a dificuldade que os homens têm em entender e acolher a lógica de Deus. Contudo, a reação de Jesus diante de tudo isto é clara: quem quer seguir Jesus tem de mudar a mentalidade, os esquemas de pensamento, os valores egoístas e abrir o coração à vontade de Deus, às propostas de Deus, aos desafios de Deus. Não é possível fazer parte da comunidade de Jesus, se não estivermos dispostos a realizar este processo.
O Evangelho de hoje convida-nos a repensar a nossa forma de nos situarmos, quer na sociedade, quer dentro da própria comunidade cristã. A instrução de Jesus aos discípulos que o Evangelho deste domingo nos apresenta é uma denúncia dos jogos de poder, das tentativas de domínio sobre os irmãos, dos sonhos de grandeza, das manobras para conquistar honras e privilégios, da busca desenfreada de títulos, da caça às posições de prestígio… Esses comportamentos são ainda mais graves quando acontecem dentro da comunidade cristã: trata-se de comportamentos incompatíveis com o seguimento de Jesus. Nós, os seguidores de Jesus, não podemos, de forma alguma, pactuar com a “sabedoria do mundo”; e uma Igreja que se organiza e estrutura tendo em conta os esquemas do mundo não é a Igreja de Jesus.
Na nossa sociedade, os primeiros são os que têm dinheiro, os que têm poder, os que frequentam as festas badaladas nas revistas da sociedade, os que vestem segundo as exigências da moda, os que têm sucesso profissional, os que sabem colar-se aos valores politicamente corretos… E na comunidade cristã? Quem são os primeiros? As palavras de Jesus não deixam qualquer dúvida: “quem quiser ser o primeiro, será o último de todos e o servo de todos”. Na comunidade cristã, a única grandeza é a grandeza de quem, com humildade e simplicidade, faz da própria vida um serviço aos irmãos.
Na comunidade cristã não há donos, nem grupos privilegiados, nem pessoas mais importantes do que as outras, nem distinções baseadas no dinheiro, na beleza, na cultura, na posição social… Na comunidade cristã há irmãos iguais, a quem a comunidade confia serviços diversos em vista do bem de todos. Aquilo que nos deve mover é a vontade de servir, de partilhar com os irmãos os dons que Deus nos concedeu.
A atitude de serviço que Jesus pede aos seus discípulos deve manifestar-se, de forma especial, no acolhimento dos pobres, dos débeis, dos humildes, dos marginalizados, dos sem direitos, daqueles que não nos trazem o reconhecimento público, daqueles que não podem retribuir-nos… Seremos capazes de acolher e de amar os que levam uma vida pouco exemplar, os marginalizados, os estrangeiros, os doentes incuráveis, os idosos, os difíceis, os que ninguém quer e ninguém ama?
*Leia a reflexão completa clicando ao lado no link- EVANGELHO DO DIA.
Fonte: http://www.dehonianos.org
Papa Francisco expulsa padre chileno acusado de abuso sexual de crianças
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SANTIAGO (Reuters) - O papa Francisco expulsou no sábado um padre chileno que está sendo investigado em um caso envolvendo abuso sexual de crianças, segundo reportagem da mídia local, em meio a um crescente escândalo de abusos que abalou a Igreja Católica.
A Arquidiocese de Santiago disse que o papa decidiu exonerar o reverendo Cristian Precht, informou o jornal local El Mercurio.
Precht era um ex-chefe do grupo de direitos humanos do Vicariato de Solidariedade da Igreja que na década de 1980 desafiou o ex-ditador Augusto Pinochet a acabar com a prática de tortura no Chile.
Desde então, o conhecido líder religioso chileno foi acusado de abuso sexual como parte da investigação de denúncias contra membros da comunidade religiosa dos Irmãos Maristas.
Precht negou anteriormente as acusações.
O anúncio do papa Francisco ocorre no momento em que a polícia chilena faz operações em escritórios da Igreja em todo o país andino em busca de novos casos de abuso sexual ou provas de que funcionários da Igreja ocultaram o abuso das autoridades.
Reportagem de Dave Sherwood. Fonte: https://br.reuters.com
CARMELITAS: Ver com os olhos de Deus
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Frei Joseph Chalmers, O. Carm. Ex- Prior Geral da Ordem do Carmo.
No documento pós-sinodal Vita Consacrata, o papa João Paulo II afirma: “No início de seu ministério, na sinagoga de Nazaré, Jesus anuncia que o Espírito o consagrou para evangelizar os pobres, proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor (cf. Lc 4,16-19). Assumindo a missão do Senhor como sua, a Igreja proclama o Evangelho a todo homem e mulher comprometendo-se com sua salvação integral. Mas com especial atenção, numa opção realmente preferencial, ela se volta para aqueles que suportam grande fraqueza e, portanto, são carentes. ‘Os pobres’, em diversos estados de aflição, são os oprimidos, aqueles às margens da sociedade, os anciãos, os enfermos, os jovens, qualquer um e todos que sejam considerados e tratados como ‘os últimos’. A opção pelos pobres é inerente à própria estrutura do amor vivido em Cristo. Portanto, todos os discípulos de Cristo são fiéis a esta opção. Mas aqueles que desejam seguir o Senhor mais de perto, imitando suas atitudes, sentir-se-ão envolvidos de modo muito especial. A sinceridade de sua resposta ao amor de Cristo os levará a viver uma vida de pobreza e a abraçar a causa do pobre. De acordo com o carisma, para cada instituto, isto significa adotar um modo de vida simples e austero, tanto como indivíduo quanto como comunidade. Fortalecidas por esse testemunho vivo e, de certa forma, consistente com sua opção de vida e mantendo sua independência diante das ideologias políticas, as pessoas consagradas serão capazes de denunciar as injustiças cometidas contra tantos filhos e filhas de Deus e a comprometerem-se com a promoção da justiça na sociedade onde trabalham” (VC 82).
Fiéis às Escrituras, a Igreja e a Ordem fizeram a opção preferencial pelos pobres porque Cristo foi enviado para levar a Boa Nova aos pobres (Lc 4,18). Não podemos permanecer insensíveis diante do apelo dos pobres (cf. Ex 22, 22.26; Eclo 21,5). Um compromisso com a Justiça e a Paz significa, necessariamente, fazer algo concreto pelos pobres mas também exige fazer perguntas. Por que existe essa situação? O que podemos fazer? Obviamente as razões para a situação de pobreza de tantos no mundo e as razões para a falta da verdadeira paz são extremamente complexas. Esta opção preferencial vem de uma vocação contemplativa. “A autêntica jornada contemplativa nos permite descobrir nossa própria fragilidade, nossa fraqueza, nossa pobreza, - em suma, o nada da natureza humana: tudo é graça. Através dessa experiência, crescemos em solidariedade com aqueles que vivem em situação de privação e de injustiça. Quando nos permitimos ser desafiados pelos pobres e oprimidos, somos gradualmente transformados e começamos a ver o mundo com os olhos de Deus e a amar o mundo com seu coração. Com Deus, ouvimos o clamor dos pobres e nos empenhamos em partilhar o cuidado, o interesse e a compaixão Divina pelos mais pobres e menores.
Isso nos leva a profetizar diante dos excessos do individualismo e do subjetivismo que vemos na mentalidade de hoje – diante das muitas formas de injustiça e de opressão dos indivíduos e dos povos” (Ratio, 43).
A razão fundamental para a existência de tanta pobreza no mundo está nas profundezas do coração humano. É um grande erro culpar apenas os outros por esta situação, porque cada um de nós tem alguma responsabilidade. O compromisso com a Justiça e a Paz deve estar de mãos dadas com o processo contemplativo de assumir a vontade de Cristo, de forma que nosso serviço aos pobres não se torne um modo sutil de fazer com que os pobres nos sirvam. O coração humano é muito ambíguo e, para servir de acordo com a vontade e o coração de Deus, devemos nos submeter à purificação profunda, que é uma parte íntima do processo contemplativo (Tg 4,8; Hb 4,12-13).
Cúpula da Basílica de São Pedro
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Subir até a Cúpula da Basílica de São Pedro ou San Pietro em Roma é algo imperdível. Certo que precisa de um pouco de preparo físico, mas vale muito a pena. Dica: Vá logo cedo e não pegue fila, assim você pode subir no seu ritmo sem ter uma fila de pessoas atrás de você. Muito melhor!
A Cúpula é tão grande e alta que pode ser vista praticamente de toda parte da cidade. Onde você estiver, basta olhar ao redor e procurar que a avistará.
Il Cupolone, como é chamada carinhosamente pelos romanos.
São 133 metros de altura, e apenas 551 degraus até o topo, mas você tem a escolha de pagar um pouquinho a mais e pegar o elevador, dali serão apenas mais 320 degraus…
A escolha é sua: pode pagar 8 euros e fazer todos os 551 degraus ou então pagar 10 euros e fazer somente 320. Eu já fiz mais de dez vezes e escolho sempre fazer com o elevador, pagando um pouquinho a mais. Melhor opção!
Os ingressos são vendidos somente na hora. Não existe venda on line.
A entrada é do lado direito da Basílica (se estiver olhando para ela).
Se você acha que não vai conseguir subir tantos degraus ou não gosta de lugares estreitos por algum motivo, vá pelo menos até onde o elevador te leva. Descendo do elevador você pode entrar na Cúpula e ter a oportunidade de ficar pertinho dos mosaicos da Cúpula da Basílica de São Pedro e ainda olhando para baixo você vê os visitantes lá embaixo dentro da Basílica, incrível.
Muito interessante: Quando você estiver fazendo a visita dentro da Basílica olhe para a Cúpula e veja aquelas lindíssimas pinturas, depois quando subir e chegar ali, pasme… Você vai descobrir que não são pinturas e sim enormes painéis de mosaico, de uma perfeição incrível. É maravilhoso!
em muita gente que sobe somente até onde vai o elevador e pode apreciar também uma bela vista, mas não de 360°.
Aqueles com mais idade, fobia de locais muito fechados ou problemas de saúde, melhor ficar por ali mesmo, afinal 320 degraus não é pra qualquer um… Tem um café e uma lojinha de souvenir ali para esperar enquanto os mais ousados da família encaram os degraus.
Vai encarar?
Então vamos subir a Cúpula da Basílica de São Pedro ou San Pietro em Roma. Tome fôlego, agora começa a grande aventura…
Entrou não tem como voltar atrás, pois a escada é super estreita e quando está chegando ao fim as paredes vão ficando curvadas, acompanhando a forma da cúpula. Existem alguns poucos espaços onde você pode parar e pegar fôlego, por isso indico sempre ir bem cedo, pois assim não terá fila atrás de você e vai poder parar quando quiser. Dica de quem vive em Roma e já subiu muitas vezes!
Ufa! Depois dos 320 degraus, você chegou…
Pode me dizer se valeu a pena ?
Agora e só aproveitar o prazer desta vista espetacular!
Dá para caminhar ao redor de toda a cúpula. Você pode ver o interessante formato da Piazza San Pietro, que simboliza dois braços abraçando o povo que está na praça, o Colunato de Bernini. Estas duas fotos acima fiz para vocês verem como é lindo, seja pela manhã seja no fim da tarde já com a luz do pôr do sol.
Você poderá ver também todo o Vaticano e seus jardins além do Castelo Sant’Angelo, e toda a bela Roma. Fonte: www.voupraroma.com
Católicos rejeitam a afirmação dos bispos de que padres gays são uma causa de abuso sexual
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Católicos rejeitam a afirmação dos bispos de que padres gays são uma causa de abuso sexual
Comentários recentes de vários bispos norte-americanos que tentaram ligar a homossexualidade ao abuso sexual cometido pelo clero. Apresentamos comentários de católicos que ou contrariam as afirmações desses bispos ou que ofereceram uma outra avaliação. A reportagem é de Robert Shine, publicada por New Ways Ministry, 04-09-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.
Duas vozes deram respostas imediatas à carta do bispo de Madison, Robert Morlino, na qual disse que os padres gays estão "causando grande devastação na vinha do Senhor", segundo o National Catholic Reporter.
Todd Salzman, teólogo da Creighton University em Omaha, rejeitou as tentativas de associar a identidade sexual e o abuso, dizendo que tais alegações "se desviaram fundamentalmente da questão do poder e das estruturas de poder na igreja, e o abuso de poder que requer uma reforma fundamental". A questão principal, disse ele, é o "pecado estrutural do abuso de poder", não a ética sexual.
Marianne Duddy-Burke, diretora executiva da DignityUSA, chamou essa associação de "uma tentativa repugnante de reforçar a atitude da igreja institucional de lavar as mãos sobre o abuso sexual de crianças".
Para Duddy-Buker, essa tentativa vem de funcionários da Igreja indispostos a "assumir qualquer responsabilidade por um problema que está sobre suas cabeças."
O padre James Martin, S.J., autor do livro sobre questões LGBT na Igreja Building a Bridge (Construindo uma Ponte, em tradução livre), escreveu a respeito do tema dos padres gays para a America Magazine. Martin reconheceu que, seguindo-se as novas revelações sobre abuso sexual, os católicos "têm o direito de estar zangados", mas escreveu: "a intensidade do ódio e o nível de raiva direcionados aos padres gays não tem precedentes em minha memória". Martincontinuou:
"Este ódio atualmente está sendo instigado por alguns líderes influentes e comentaristas da igreja, se não for controlado, nos levará a um lugar de grande escuridão, caracterizado por um ódio crescente contra indivíduos inocentes, a condenação de um grupo inteiro de pessoas e uma distração dos verdadeiros problemas latentes a esta crise de abuso sexual."
"Há muitas coisas que precisam ser abordadas quando se trata de abuso sexual por parte do clero... O que não é necessário é a demonização dos padres gays. O que não é necessário é mais ódio."
Francis DeBernardo, diretor executivo do New Ways Ministry, desafiou as políticas do Vaticano que impediriam os homossexuais de entrar no seminário. Disse ele ao Crux:
"Curiosamente, o que estamos descobrindo é que essa política encoraja as pessoas a mentirem... Se um homem se sente chamado ao sacerdócio, ele racionalizará que não deveria admitir sua sexualidade... Os líderes institucionais querem promover uma mensagem de que homens gays não deveriam existir no sacerdócio... Então, eles não oferecem exemplos saudáveis e santos de padres gays que vivem seu celibato de maneira efetiva."
Durante uma coletiva de imprensa no recente Encontro Mundial das Famílias na Irlanda, DeBernardo perguntou num painel composto por um sobrevivente de abuso e três especialistas na área o que eles pensaram da hipótese de que os padres gays eram a causa do abuso. Todos os quatro painelistas condenaram essa teoria.
Em um editorial sobre como os líderes da Igreja podem responder à crise dos abusos sexuais, os editores do National Catholic Reporter se dirigiram ao tratamento dos líderes da Igreja em relação à homossexualidade:
"[...] insistimos que os bispos, os líderes da igreja, recusem e refutem o argumento que surge daqueles que afirmam que a homossexualidade no sacerdócio está na raiz do problema do abuso sexual. O fato - e estudos estabeleceram o fato - é que o ataque a crianças dentro da estrutura da igreja não é mais produto da cultura gay do que o ataque a crianças dentro das famílias, onde a maioria ocorre, é produto da cultura heterossexual. O problema é uma doença, e a mais notável das ofensas à comunidade católica foi a estratégia deliberada dos bispos para encobrir esses crimes impensáveis."
Nathan Schneider, escrevendo na America Magazine, não apenas rejeitou falsas caracterizações de padres gays, mas também afirma positivamente o papel que as pessoas LGBT desempenharam em sua vida de fé: "[...] inúmeras vezes, as pessoas que salvaram minha fé quando ela estava à beira do abismo eram pessoas LGBT. Suspeito que isso não seja um acidente. Não posso ter certeza, mas creio que tenha sido a experiência de marginalização e sua humanidade contra isso que me ajudou a ver onde Deus está... As pessoas que salvaram minha fé quando ela estava à beira do abismo eram pessoas LGBT."
Schneider acrescentou: "Em certo sentido, há alguma verdade que o problema do abuso tem a ver com um problema de homossexualidade. É o problema de uma homossexualidade reprimida, negativista, imatura que se descobriu um pouco depois do Concílio Vaticano II, mas não foi capaz de ir além disso."
A questão dos homens gays no sacerdócio precisa ser resolvida em breve para que os líderes da igreja possam se concentrar nas causas reais da crise dos abusos e para que nenhum dano adicional chegue às pessoas LGBT. É por isso que é vital que os católicos falem publicamente sobre sua apreciação e gratidão pelos padres gays, contrapondo onde e como for possível as narrativas homofóbicas promovidas por Morlino e seus pares. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
DOM ORANI: Carta de solidariedade ao Papa Francisco
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Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
São Sebastião do Rio de Janeiro, 30 de agosto de 2018
Santo Padre Papa Francisco,
Com filial reverência, dirijo-me, muito cordialmente, a V. Santidade a fim de lhe expressar, mais especialmente, minha proximidade, comunhão e oração ante notícias midiáticas sensacionalistas recentes que parecem visar a desestabilização da unidade da Igreja, atingindo, inclusive, o maior sinal visível dessa unidade, que é o ministério petrino no qual, hoje, serve V. Santidade, querido Papa Francisco.
Tenho a certeza da fé que Cristo, Nosso Senhor escolheu Pedro – e seus sucessores – para estar à frente da Sua Igreja e confirmar seus irmãos na fé (cf. Mt 16,17-19; Lc 22,31-32 e Jo 21,15-18). Não há dúvida de que Pedro foi o escolhido pelo Senhor para conduzir a Igreja, enquanto bispo de Roma. Dessa verdade até mesmo o historiador reformado Justo L. Gonzáles, muito usado nos estudos da História da Igreja em comunidades evangélicas, após referir-se ao fim historicamente incerto dos demais apóstolos, afirma a respeito de Pedro: “De todas as tradições, provavelmente a que é mais difícil de pôr em dúvida é a que afirma que Pedro esteve em Roma e que sofreu o martírio nessa cidade durante a perseguição de Nero. Este fato encontra testemunhos fidedignos em vários escritores cristãos dos fins dos primeiros séculos e de todo o século segundo e, portanto, deve ser aceito como historicamente certo.” (A Era dos Mártires. 13ª reimpressão. São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 40-41. v. 1. Coleção: Uma História Ilustrada do Cristianismo).
Ora, isso que o historiador confirma em seu trabalho, faz parte da Tradição da Igreja, de modo que, no fim do século I, tendo surgido um litígio entre os fiéis de Corinto, o bispo de Roma, São Clemente, lhes escreveu uma carta autoritária: “Se alguns não obedecem ao que Deus mandou por nosso intermédio, saibam que incorrem em falta e em perigo muito grave” (c. 69).
Em meados do século III, S. Cipriano, bispo de Cartago, chamava a cátedra de Roma de “‘cátedra de Pedro’, a Igreja principal, donde se origina a unidade sacerdotal (isto é, a unidade dos bispos)” (epist. 55, 14).
É certo haver alguns que, tentando fundamentar-se em Gl 2,11-14, tenham a pretensão de resistir, hoje, ao Papa ou mesmo de enfrentá-lo como se o referido trecho bíblico lhes desse aval. Na verdade, não compactuamos com tal postura, por duas grandes razões: 1) pela Escritura e pela Tradição, como vimos, não é possível servir a Cristo, em Sua Igreja, sem estar em plena comunhão com o Sucessor de Pedro. 2) podemos observar que, em suas cartas, São Paulo, longe de se opor, conserva sempre especial respeito pela pessoa de São Pedro: 1Cor 9,5: “(...) como os outros apóstolos e os irmãos do Senhor e Cefas”; Gl 1,18: “Depois de passados três anos, subi a Jerusalém para conhecer Cefas, e permaneci com ele durante 15 dias”; 1Cor 15,3-5: “Desde o princípio vos ensinei o que aprendi: que Cristo morreu..., ressurgiu e foi visto por Cefas e depois pelos 11”.
De modo que tendo considerado o episódio de Antioquia e os demais textos paulinos, conclui o racionalista Alfred Loisy: a atitude de São Paulo “atesta ter sido Pedro o chefe do serviço evangélico, o homem com o qual era preciso entrar em acordo, sob pena de trabalhar em vão” (Les Evangiles Synoptiques 14). Segundo escreve o estudioso luterano G. Bornkamm, “para ser justo diremos que não há motivo para formular uma tal acusação”. A passagem de Gl trata “da unidade dos cristãos de origem judaica e provenientes do paganismo numa comunidade mista. Cefas (Pedro) e Tiago não devem, portanto, ser acusados de deslealdade, e os judeu-cristãos de Antioquia, com os caracteres de um Barnabé, certamente não arremessaram no mar toda a sua compreensão do Evangelho libertador da Lei” (E. Cothenet. A Epístola aos Gálatas. São Paulo: Paulinas, 1984, p. 34). Quem viu ou vê aí um álibi para acusar ou questionar o Papa, engana-se.
De resto, Santo Padre, todos os Papas, de um ou de outro modo, sofreram críticas e perseguições, nem João Paulo I, em apenas 33 dias de Pontificado, escapou da sanha acusatória. Se perseguiram o Mestre com toda sorte de sofrimentos físicos e morais, com seus ministros não será diferente, em graus diversos, de modo que tais sofrimentos toquem também os que mais estão perto. Só Deus e os verdadeiros irmãos podem estar próximos de nós nas horas em que somos traídos por um dos 12, um dos membros do Colégio Apostólico. Foi a triste realidade a que o Senhor esteve submisso. Conosco não é, nem poderia ser, diferente. Carregamos um pouco da Cruz de Cristo!
Santo Padre, termino com as palavras de carinho filial com as quais comecei esta mensagem: sinta o meu incondicional apoio, minha proximidade espiritual e humana. Tenha-me como um filho devotado, na graça divina, que o bispo de Roma pode ter sempre ao seu lado, especialmente em tempos de mar revolto que parecem ameaçar a Igreja de Cristo.
Nesta oportunidade, Santo Padre, transmita, também, minha afetuosa e fraterna proximidade ao meu irmão no Episcopado e no Colégio Cardinalício, Sua Eminência, o Senhor Cardeal Pietro Parolin, DD., secretário de Estado de Vossa Santidade. Esteja ele certo de minha oração e amizade.
Colocando-me ao vosso inteiro dispor, suplico-lhe, Santo Padre, vossa bênção apostólica extensiva a todo o povo de Deus desta Igreja Particular de São Sebastião do Rio de Janeiro,
Vosso devotado filho, no Senhor,
Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
Fonte: http://arqrio.org
A BÍBLIA NA VIDA: As Santas Mulheres
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A BÍBLIA NA VIDA: O louvor de Davi
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Santuário de Lourdes denuncia artista que apareceu nua no meio de uma procissão
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Os próprios peregrinos se apressaram em tampar Déborah de Robertis, que se exibiu na Gruta das Aparições sem roupa, com as mãos em posição de reza e a cabeça coberta por um véu azul
O santuário francês de Nossa Senhora de Lourdes anunciou no último domingo que apresentou uma denúncia formal contra a artista franco-luxemburguesa Déborah de Robertis. A mulher, de 34 anos, se despiu na Gruta das Aparições durante um ato religioso dois dias antes, especificamente no transcurso de uma procissão na tarde da sexta-feira. De Robertis apareceu nua diante da imagem da Virgem, com as mãos em posição de reza e a cabeça coberta com um véu azul, conforme noticiou o semanário Le Journal du Dimanche. Imediatamente, vários peregrinos se aproximaram para tentar tampá-la. “No sábado, 1º de setembro, descobrimos que se tratou de um ato premeditado, vinculado a uma intenção supostamente artística”, denunciou o Santuário em nota.
Depois de receber vários telefonemas de testemunhas, a polícia acabou detendo a artista, que será julgada em maio de 2019 pelo delito de exibição sexual, segundo relatou o promotor da localidade de Tarbes à emissora Europe 1. Além disso, o Santuário condenou este tipo de ato exibicionista e deplorou a ação realizada pela artista, qualificando-a “como um vilipêndio à consciência religiosa e à liberdade de culto”. A instituição também pediu desculpas aos peregrinos presentes naquele momento e principalmente às “famílias com crianças”.
De Robertis, que já protagonizou outros “atos de exibicionismo” semelhantes no passado, escreveu uma mensagem no Twitter citando uma passagem da Bíblia junto com uma imagem do seu ato na sexta-feira. Também divulgou no YouTube um vídeo que foi censurado, conforme anunciou ela mesma no Twitter. A Justiça a intimou a depor em outubro passado por fatos ocorridos no Museu do Louvre de Paris. Naquele caso, De Robertis foi posta em liberdade, já que ficou decidido que se tratava de um “ato militante e artístico” com o objetivo de questionar o lugar das mulheres na história da arte.
A artista francesa também se despiu em janeiro de 2016 no Museu d’Orsay, em Paris, diante da tela Olympia, de Édouard Manet, com a intenção de recriar a obra ao vivo. De Robertis foi detida por exibicionismo sexual, embora tenha salientado que apenas fez uma “performance artística”. Fonte: https://brasil.elpais.com
A ORDEM DO CARMO NO SUL-12
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Igreja ferida
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"Os pastores com pele de cordeiro se revelaram verdadeiros lobos, atacando numerosos membros do 'rebanho', submetendo de forma particular as pessoas mais vulneráveis, como meninas e meninos, adolescentes, jovens e dependentes. A retórica do “chamado ou vocação, em lugar de um serviço ao povo de Deus, foi o mecanismo utilizado para exercer um poder efetivo e simbólico perverso e corrosivo", escreve Alfredo J. Gonçalves, padre carlista, assessor das Pastorais Sociais.
Eis o artigo.
A Igreja Católica está universalmente ferida. Um vírus a corrói a partir das próprias entranhas e desde longas décadas. De um lado, emergem e clamam por justiça as centenas e milhares de vítimas de abusos por parte de tantos pastores que, em lugar de cuidar e garantir a proteção do “rebanho”, usaram as pessoas para satisfazer seus próprios instintos. De outro lado, alguns de entre os próprios pastores tratam de instrumentalizar tais fatos, misturando-os com boatos, contra o Pastor Supremo, o Papa Francisco. O pecado e o crime associa-se à difamação com fins nada evangélicos. Aliados aos expoentes da extrema direita, os pombos se transformam em corvos, para bloquear toda e qualquer mudança de rumo na Igreja. Trazem à tona o saudosismo do luxo ostensivo, do liturgismo formal, da solenidade principesca, da idumentária imponente, do dogma fossilizado e doutrinário... O saudosismo de uma Igreja medieval com poder e influência na sociedade.
O que está em jogo? Antes de mais nada um fato real e incontestável: milhares de pessoas, no interior das próprias estruturas eclesiais, sofreram abusos inaceitáveis. Os pastores com pele de cordeiro se revelaram verdadeiros lobos, atacando numerosos membros do “rebanho”, submetendo de forma particular as pessoas mais vulneráveis, como meninas e meninos, adolescentes, jovens e dependentes. A retórica do “chamado ou vocação, em lugar de um serviço ao povo de Deus, foi o mecanismo utilizado para exercer um poder efetivo e simbólico perverso e corrosivo. Feridas e cicatrizes dessa tirania em nome de Deus são denunciadas em várias partes do mundo. Tudo isso dentro de um corporativismo clerical (ou clericalismo), em que os membros tentam proteger-se reciprocamente. Daí a fusão nefasta e altamente danosa entre silêncio, cumplicidade, imunidade, influência e carreirismo. Mutatis mutandis, trata-se dos mesmos ingredientes que hoje fazem avançar os representantes, os grupos e os partidos de extrema direita em diferentes partes do globo. O poder em nome de Deus se une ao poder em nome do povo – para fechar as portas, as fronteiras e as leis aos “sem vez e sem voz”. Como o Papa Francisco vem fazendo com insistência, as vítimas de tantos abusosmerecem um profundo e sincero pedido de perdão por que de toda a Igreja que, como repete o Pontífice, “não foi capaz de agir com pronta decisão para defender o “rebanho” dos lobos que o devoravam.
Mas está em jogo, além disso, um ataque frontal ao modo como o atual Pontífice tem procurado conduzir a “barca de Pedro”. Os conservadores saudosistas e retrógrados não suportam a presença de um Papa que, em lugar de pompas, privilégios e um toque de majestade, retorna à simplicidade límpida e transparente da fonte evangélica, onde a água é mais cristalina. Melhor dizendo, não suportam as páginas contundentes dos relatos bíblicos, notadamente os livros proféticos, onde o Deus de Israel , no Antigo Testamento, privilegia com clareza “o pobre, a viúva e o estrangeiro”. E o Pai de Jesus Cristo, no Novo Testamento, mostra predileção particular pelos “pobres, oprimidos, prisioneiros, indefesos, prostitutas, excluídos, pecadores” – como o Bom Pastor que deixa as noventa e nove ovelhas para ir ao encontro daquela que se perdeu.
Os que os incomoda é justamente a retomada da prática de Jesus: beber do Evangelho. Vem à memória o episódio do Grande Inquisidor na obra do escritor russo Dostoiévski. Os Irmãos Karamazov. O retorno de Jesus perturba o status quo, interpela os estabelecidos, comporta mudança de atitude, exige conversão. O retorno à denúncia corajosa e profética diante das injustiças e das assimetrias socioeconômicas, de uma “economia que mata”, bem como do modo como são rechaçados os migrantes e refugiados que, em fuga da própria terra natal, buscam desesperadamente uma nova pátria. Da mesma forma que a corte e o palácio, a cúria e a hierarquia eclesial sempre temeram a voz dos profetas. Pior ainda quando se juntam e se fundem os dois poderes, temporal e espiritual. Não raro, juntos ou separadamente, perseguiram, fizeram calar e mataram os opositores.
Um grupo expressivo, no interior da própria hierarquia da Igreja, não quer saber de um verdadeiro pastor. Prefere um príncipe, com tudo o que isso significa de requinte, sofisticação e custos. Enquanto o pastor, pelo simples fato de sê-lo, questiona e interpela atitudes e privilégios duvidosos, a presença do príncipe no pico da pirâmide justifica e legitima o comportamento e os benesses dos demais príncipes que, na cúria romana e nas cúrias de toda a Igreja, se agarram com unhas e dentes a um modo de vida, ao mesmo tempo, longe do povo que chamam de “rebanho”, e longe das pegadas de Jesus de Nazaré. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
A BÍBLIA NA VIDA: O Povo de Deus
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O Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita e Jornalista/RJ- direto do Rio de Janeiro- fala sobre o povo de Deus, da série; A Bíblia na vida, neste mês da Bíblia-2018. E-mail do Frei Petrônio para contato- críticas ou sugestões de temas. Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. FACE: www.facebook.com/freipetros SITE: www.olharjornalistico.com.br TWITTER: www.twitter.com/freipetronio Convento do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro. 3 de setembro-2018.
Quem está por trás da manobra contra Francisco. Artigo de Alberto Melloni
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Quem está por trás da manobra contra Francisco. Artigo de Alberto Melloni
“Atacar o Papa Francisco no fim da sua viagem irlandesa, seis dias após a carta ao povo de Deus, a um mês da retirada do barrete cardinalício de McCarrick, antes da chegada do novo substituto e do retorno do secretário de Estado, esconde um desígnio: que não tem nada a ver com a pedofilia, mas sim com a tentativa de soldar o integrismo antibergogliano com o fundamentalismo político católico.” A opinião é do historiador italiano Alberto Melloni, professor da Universidade de Modena-Reggio Emilia e diretor da Fundação de Ciências Religiosas João XXIII, de Bolonha. O artigo foi publicado por La Repubblica, 27-08-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis o texto.
O fato de que um velho prelado, furioso por não ter feito carreira, alimente ressentimento em relação ao papa é o “ABC” do catolicismo romano. O fato de ele usar os jornais para se vingar é um déjà vu, desde os tempos em que o cardeal Ottavianiconfidenciou documentos a Indro Montanelli para difamar o Papa João XXIII. Portanto, o fato de que um núncio – Dom Carlo Maria Viganò – decida informar de modo pouco diplomático que o Papa Francisco teria ignorado as suas denúncias e lhe peça que renuncie não deveria surpreender.
De fato, é a confirmação de um dado preocupante. Na seleção dos candidatos ao episcopado, foram escolhidos homens desprovidos dos dotes espirituais e da estabilidade psicológica requeridos. Assim, entre aqueles que governaram as dioceses com os padres pedófilos, muitos se tornaram cúmplices de luvas brancas dos crimes. Entre aqueles que serviram à Santa Sé, alguns se revelaram homúnculos disponíveis a “joguinhos” como esse de Viganò, que, pela sua pontualidade sórdida e mafiosa, é impossível crer que não tenha sido planejado, orquestrado e temporizado. Não por ele, mas por alguém que escolheu fazer dele um Corvo de batina.
Escolha não casual. Em 1º de outubro de 2011, quando Bento XVI nomeou o cardeal Giuseppe Bertello como governador da Cidade do Vaticano, não lhe fez um favor: diplomata de imensa experiência, dotado de um tato político único na infinita crise italiana, Bertello tinha a estatura para fazer bem diferente.
Mas o papa – que preferia um amigo “confidente” a um secretário de Estado – conservou a lealdade do cardeal Bertone e “usou” Bertello para curar aquele último e comentado resíduo de poder temporal. Escolha inteligente: mas que cortava o caminho de Viganò, que, após um período na Nigéria e 10 anos na Secretaria de Estado em Roma, tinha passado justamente pela secretaria-geral do Governatorato, convencido de poder escalar a sua cúpula e se tornar cardeal.
Ainda na primavera de 2011, Viganò tinha farejado um ar de rebelião ao seu redor e escreveu aos superiores explicando que eles eram os culpados de uma má gestão, que queriam bloquear a carreira a que ele se sentia chamado e enviá-lo novamente a ser núncio, em uma sede de prestígio, mas longe da sua cobertura.
E, com efeito, em 19 de outubro de 2011, Bento XVI nomeou Viganò como núncio nos Estados Unidos. Cem dias depois, com a publicação daquelas suas cartas de acusação, começava a compra e venda de documentos do apartamento papal que recebeu o nome de Vatileaks.
Em Washington, no entanto, Viganò deve ter se consolado, pensando que Franciscoo premiaria por aqueles seus passos. E dobrou a aposta, trazendo novas denúncias. Mas não: Francisco esperou que ele tivesse a idade para a aposentadoria, despediu-o do serviço e, em vez de lhe deixar o apartamento que o monsenhor tinha resguardado no Vaticano, informou-o que ele podia voltar para a diocese.
Haveria o suficiente para explicar um gesto vingativo, mas autodestrutivo (se Viganòsabia mais do que todos, mais do que todos se calou).
Mas o que está claro é que alguém fez de um frango um Corvo. Atacar o Papa Francisco no fim da sua viagem irlandesa, a seis dias após da carta ao povo de Deus, a um mês da retirada do barrete cardinalício de McCarrick, antes da chegada do novo substituto e do retorno do secretário de Estado, esconde um desígnio: que não tem nada a ver com a pedofilia, mas sim com a tentativa de soldar o integrismo antibergogliano com o fundamentalismo político católico. Isto é, o mundo dos tradicionalistas ligados ao cardeal Burke, que decidiu passar das dubia às calumniae, apostando na possibilidade de agir como bloqueio em um futuro conclave. E o mundo da “direita religiosa” estadunidense e europeia, que, a partir daquela grande mancha negra entre Munique e Budapeste, entre Gdańsk e Roma, sonha em desmantelar a Europa da paz para fazer com que ela retorne para a terra dos Deuses da Guerra.
Quem conferiu ao frango o papel de Corvo queria medir o efeito de uma tempestade midiática não contra Francisco, mas contra o Colégio Cardinalício, o episcopado, os teólogos. Depois, veremos... Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
O Vaticano sob um golpe hollywoodiano
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"Também é uma questão de poder. As velhas posições de poder não existem mais. Quando um padre modesto do Laos é escolhido para ser cardeal, inclusive com os privilégios para escolher o próximo Papa, ao invés de um bispo de uma cidade grande e rica, a velha balança de poder é jogada fora. A Igreja já está num outro lugar. A maioria dos cardeais do futuro conclave já foram escolhidos por Francisco, para que, depois dele, seu sucessor seja Francisco II", escreve Francesco Sisci, sinólogo italiano, professor da Renmin University of China, em artigo publicado por Settimana News, 29-08-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.
Eis o artigo.
Era uma vez, quando tramas eram tramas, e lutas aconteciam com capas e facas, se colocava veneno na sopa ou no chá de ervas antes de dormir. Ou havia o barulho dos punhais nos corredores. Ou ainda, uma insurreição da população e ele, em seu traje branco, era expulso para Avignon ou para um mosteiro eremita nas montanhas, como Celestino V no século 13, o século de Dante, o Papa do gran rifiuto, a grande abdicação, o único na história milenar do papado até o episódio de Bento XVI, cinco anos atrás.
Essas eram as histórias do Vaticano, e depois do quase todo-poderoso Estado Papal. Agora, as histórias são coreografadas, planejadas, e coordenadas como em um filme de Hollywood, com divulgação da mídia em todos os idiomas. O tempora, o mores; é o costume do tempo, no fim das contas.
Atualmente, o desenrolar da trama é o que segue, começando alguns anos atrás, quando Bento XVI ainda não tinha renunciado.
Muitos dos segredos de suas câmaras sagradas vazaram. O mordomo foi declarado culpado, mas talvez ele não tenha sido o único. O Papa Bento XVI renunciou, e outro Papa, Francisco, foi eleito, mesmo que seu nome tenha surpreendido a Cúria e muitas pessoas poderosas.
E então, muitas coisas aconteceram. Um cardeal rompeu o voto de silêncio em uma conversa com o Papa. Outro cardeal foi forçado a renunciar após um escândalo de abuso sexual. Um núncio, a voz e a mente do Papa no exterior, divulgou segredos de meias-verdades e pediu ao Papa que renunciasse; escritores liberais acusaram a Igreja Católica de ser um sindicato criminoso.
Você pode preencher as lacunas como quiser, como em um conto de espionagem fantasioso e angustiante. Ou você pode se valer de elementos da realidade. Bem-vindo à nova teoria da conspiração do século 21, que se parece muito com aquelas da Idade Média.
Para focar nos acontecimentos mais recentes, olhando os noticiários, se parece com um filme hollywoodiano sobre escândalo corporativo onde o vilão, se sentindo contrariado, pede ao seu chefe que se demita, pois ele "também sabia". Pode soar como desrespeito ou loucura tratar da Santa Igreja de 2000 anos de idade desse modo, mas é assim que soam as palavras do arcebispo conservador Carlo Maria Viganò, que alega que o Papa Francisco sabia e encobriu o escândalo de abuso sexual que está ruindo em pedaços a Igreja Católica mundialmente.
Ex-núncio do Vaticano nos Estados Unidos, Viganò, numa longa carta a Francisco, publicada domingo em alguns dos maiores canais conservadores e antagônicos americanos, trouxe o árduo problema do abuso de crianças na Igreja Católica para um estágio completamente novo. Viganò, pela primeira vez desde que o problema foi levantado há cerca de quinze anos atrás, envolveu o Papa no escândalo, aberta e diretamente, alegando que o pontífice sabia dos trespasses e dos crimes do Cardeal Theodore McCarrick com crianças e seminaristas. Fazendo isso, ele forneceu a prova que faltava de que esses não eram incidentes isolados, mas que a Igreja inteira, inclusive seu líder, o Papa, estava envolvido.
As alegações vieram justamente durante a visita de Francisco à Irlanda, onde ele, em um santuário, clamava pelo "perdão do Senhor" pelos escândalos.
Enquanto o Papa rezava por perdão, Viganò pedia sua renúncia: "Nesse momento extremamente dramático para a Igreja, ele deve reconhecer seus erros e, mantendo o proclamado princípio de tolerância zero, Papa Francisco deve ser o primeiro a dar um bom exemplo aos Cardeais e aos Bispos que acobertaram os abusos de McCarrick e renunciar juntamente de todos eles".
Viganò declara que ele, pessoalmente, denunciou McCarrick ao Papa Francisco e que, durante todo esse tempo, Francisco não fez nada em relação ao caso. Viganòtambém esteve envolvido num escândalo passado do Vaticano que, supostamente, teria sido decisivo para a renúncia do Papa Bento XVI.
Todo esse drama - a pontualidade, a cobertura de imprensa, a publicidade - faz com que pareça que a Igreja Católica se tornou americana, como nunca na história. Os Estados Unidos, de fato, dominam os compromissos da Igreja Católica de maneira indiscutível.
Isso não acontece por que os EUA são a maior força atual, nem por causa da quantia nas doações dos católicos americanos para os fiéis ao redor do mundo, mas porque os problemas provindos da Igreja Católica Americana se tornaram o assunto principal da Igreja universal.
O exemplo óbvio é o escândalo de abuso sexual de crianças, mas também podemos citar as controvérsias sobre a Amoris Laetitia, trabalho pelo qual o Papa tentou mudar a atitude da Igreja em relação ao casamento e sacramentos.
Esses assuntos têm ditado os compromissos da Igreja nos últimos anos, e por causa da natureza dessa ferida no seu corpo e da descrença profunda que isso gerou, levará muito mais tempo, possivelmente décadas, para sará-la e superá-la.
Desse modo, enquanto os EUA têm uma influência gigantesca no ‘mundo Igreja Católica’, parece estar surgindo um distanciamento entre Roma e o país norte-americano. Massimo Faggioli argumentou recentemente que Roma parece incapaz de se comunicar efetivamente com os Estados Unidos, e há uma diferença cultural considerável entre os dois.
Isso deve ser porque, como a Igreja Católica Americana nos disse, "Nós, americanos, costumávamos obedecer a tudo o que Roma dizia e nunca contrariávamos. Agora, também queremos uma voz". Esse parece ser o plano de fundo da análise de David Gibson.
Mas estaria o Papa Francisco interessado em intervir, como sugere Gibson? Papa Francisco procura converter pessoas, não as dispensar. Ele quer leigos envolvidos com a Igreja, não um novo clericalismo que substitua o antigo.
Podemos considerar sua reforma da Cúria como um exemplo disso. Papa Francisconão se movimentou com planos ou projetos. Ele mudou as coisas e alterou os cargos, motivado pela reza e pela meditação, sempre pensando que tinha o dever de alinhar a Igreja com Jesus e assim ele a transformaria, como disse Antonio Spadaro numa coletiva recente em Roma.
Mas tudo isso traz alguns problemas pela frente. Se os Estados Unidos com sua voz e interesses dominam Roma, mas Roma não consegue se comunicar com os Estados Unidos, isso cria uma situação muito desequilibrada que pode virar toda a Igreja de cabeça para baixo.
O outro problema é ainda maior. O Papa está fazendo incursões na Ásia pela primeira vez em toda a história, e a Igreja Católica está expandindo sua causa na África. Mas esses lugares têm pouco, ou não têm, interesse nas controvérsias do abuso de crianças ou de ética sexual. Como poderiam estes interesses viver lado a lado? Eles não irão se chocar?
Em seguida, implícito nisso, há uma série de outros problemas. O abuso de crianças e a ética sexual são problemas difíceis para católicos e protestantes nos Estados Unidos e na Europa. Eles movimentam políticas, e revivem velhas tensões entre católicos e protestantes. Se o Papa administrar mal a situação, muitos católicos abandonarão sua fé. Se ele administrar bem, pelo contrário, poderá abrir caminhos para uma boa reconciliação cristã.
Mas em outros lugares, a competição é com os muçulmanos, ou com os budistas, ou com os hindus, ou mesmo com regimes opressivos. Isso é, se os Estados Unidos querem uma voz em Roma e isso trazer compromissos legítimos e importantes para Roma, esses compromissos estarão indo ao contrário do que Igreja está enfrentando em outras partes do mundo. E isso terá um impacto importante nesses lugares. As sensibilidades sobre a Ásia e a África são muito diferentes para Roma e para os Estados Unidos.
Para manter a Igreja unida, a ideia não é apenas a necessidade de resolver os escândalos de abuso sexual, mas se afastar de uma Igreja que talvez esteja demasiadamente absorvida pelas partes inferiores do corpo e ir em direção a uma Igreja que alcance os não-católicos e os pobres. Sobre os compromissos, alguns na Igreja não gostam de um Papa preocupado com imigrantes ou com a paz, eles preferem mantê-lo concentrado em sexo.
Também é uma questão de poder. As velhas posições de poder não existem mais. Quando um padre modesto do Laos é escolhido para ser cardeal, inclusive com os privilégios para escolher o próximo Papa, ao invés de um bispo de uma cidade grande e rica, a velha balança de poder é jogada fora. A Igreja já está num outro lugar. A maioria dos cardeais do futuro conclave já foram escolhidos por Francisco, para que, depois dele, seu sucessor seja Francisco II.
E o golpe é ilógico. Você não gosta do Papa? Faça como o arcebispo Lefebvre nos anos 70, ou como muitos antes dele, estabeleça sua própria ordem sagrada e seus próprios padres e parta com eles de Roma.
Mas pedir a renúncia do Papa num artigo de jornal?! Isso nunca aconteceu em 2000 anos de história - você não pode ser conservador e querer inovar tanto a tradição ao mesmo tempo. Não podem acontecer ambas as coisas; não funciona. Se você insiste em agir contra o Papa, pegue seu veneno, ou seu punhal… e entre na fila. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
Caso Viganò: defensores de Francisco também querem clareza. O papa sabia ou não?
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Máxima confusão dentro e fora da Igreja. A agência Ansa divulgou a notícia, atribuída a estreitos colaboradores papais, de que Francisco está “amargurado, mas não pensa na renúncia”. Para o Vaticano, um gol contra clamoroso em termos de comunicação. Por outro lado, o Avvenire, jornal da Conferência Episcopal Italiana (CEI), desmentiu furiosamente: “Ele não está amargurado, trabalha como sempre, é uma não notícia, uma maquinação”. Assim teriam assegurado algumas “fontes vaticanas credenciadas”. A reportagem é de Marco Politi, publicada em Il Fatto Quotidiano, 29-08-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
A impressão é de que a Santa Sé não sabe como se mover depois do prato envenenado da carta do ex-núncio Carlo Viganò. Enquanto isso, na mídia, especialmente na televisão, foi transmitida a mensagem de que Viganò, em 2013, advertiu Francisco sobre os abusos sexuais de menores cometidos pelo cardeal McCarrick. Não é verdade.
Em nenhum ponto do seu longo texto o ex-núncio afirma isso. Fala-se apenas da conduta escandalosa de McCarrick com seminaristas e padres adultos. É uma diferença específica, mas, em uma guerra – como aquela que há anos contrapõe a facção ultraconservadora à linha de Bergoglio –, a ambiguidade da mensagem é desejada e estudada. E Viganò alcançou o seu efeito venenoso.
A opinião pública está desorientada, e o carisma de Francisco corre o risco de ser rompido. Voltando de Dublin na noite de domingo, o pontífice disse no avião aos jornalistas sobre o texto Viganò: “Leiam vocês cuidadosamente... vocês têm a capacidade jornalística suficiente para tirar conclusões... Eu gostaria que a maturidade profissional de vocês faça esse trabalho”.
Um jesuíta estadunidense, jornalista de longa data, brilhante analista de questões vaticanas e religiosas, fez isso. Ele se chama Tom Reese, dirigiu durante sete anos a prestigiosa revista dos jesuítas estadunidenses America (afastado por imposição da Congregação para a Doutrina da Fé em 2005), comentarista do igualmente conhecido National Catholic Reporter, por dois anos presidente da estadunidense“Comissão para a Liberdade Religiosa Internacional” por nomeação de Obama. Sua abordagem é pragmática, muito estadunidense e, por isso, eminentemente realista.
Ok, diz Reese em síntese, é possível contra-atacar Viganò polemicamente. Pode-se dizer que ele é um adversário do papa e da sua exortação apostólica Amoris laetitia, como o cardeal Raymond Burke. Pode-se desenterrar o seu passado (na Itália, vieram à tona péssimas histórias de milhões enviados ao exterior e de miseráveis disputas pela herança paterna com a irmã). Pode-se dizer, observa Reese, que, como núncio vaticano nos Estados Unidos, ele não se distinguiu em uma luta intrépida pela transparência sobre os abusos sexuais, ou, melhor, documentos processuais relativos à Diocese de Minneapolis revelam uma carta de Viganò em que ele “comunica a um bispo auxiliar que detenha uma investigação contra o arcebispo local e destrua as provas”.
Ok, podem-se encontrar os furos de muitas afirmações da sua carta. E até se pode dizer que ele é um funcionário frustrado nas suas expectativas de carreira. Mas, na história, muitas “gargantas profundas” são funcionários frustrados. Esse não é o ponto.
Moral da história: não se pode contornar algumas afirmações cruciais de Viganò. São verdadeiras ou não? Elas dizem respeito a João Paulo II, Bento XVI, dois secretários de Estado vaticanos.
Em todo o caso, enfatiza o jesuíta Reese, o fato é que Viganò defende ter falado com o Papa Francisco sobre McCarrick em junho de 2013. O Pe. Reese, notoriamente defensor da linha reformista de Bergoglio, tira as conclusões: “Como o papa é o única outra testemunha desse encontro, somente ele pode confirmar ou negar aquilo que Viganò disse. Recusar-se a responder a essa questão não reforça a sua credibilidade”.
Os seus colaboradores deveriam aconselhá-lo a esclarecer imediatamente o caso. A resposta, continua Reese, poderia ter sido: “Não, Viganò não disse isso ao papa”. Ou: “Ele disse isso ao papa, mas não há registros sobre as supostas proibições impostas (a McCarrick) por parte de Bento XVI. O papa desconsiderou as acusações de Viganò, porque o ex-núncio tinha contra ele uma história de acusações infundadas. E, lembrem-se, foi Francisco quem ordenou que McCarrick passasse o resto de sua vida em oração e em penitência, e retirou o seu barrete vermelho”. E, deve-se especificar, ele abriu um processo eclesiástico contra ele.
No entanto, não se pode calar. Reese conclui: “Assim como cada diocese dos Estados Unidos precisa prestar contas de modo total e transparente dos abusos sexuais clericais e da resposta de cada diocese, assim também o Vaticano deve revelar o que sabia, quando soube e o que fez ou deixou de fazer. Nada menos do que isso dará início à restauração da credibilidade da Igreja Católica”.
Limitar-se a gritar o complô contra Francisco ou a dar doutas interpretações eclesiológicas às suas declarações não compreende o perigo em que se encontra toda a estratégia do Papa Bergoglio. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
“FRANCISCO: CULPADO!”
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Pe. António Teixeira

Querido Papa Francisco:
na verdade, és culpado!
És culpado por seres um homem e não seres um anjo!
És culpado porque tens a humildade de aceitar que erras e de pedir perdão. Pedir perdão por ti e por nós. E isso para muitos é inadmissível.
És culpado porque desejavam fosses um juiz é um canonista e és exemplo e testemunho de misericórdia.
És culpado pois que abandonaste a tradição de morares em palácios e escolheres viver no meios das pessoas.
Culpado porque deixaste a sumptuosidade de S. João de Latrão e elegestes a pobreza das prisões, dos orfanatos, dos asilos e das casas de recuperação de adições.
Sim és culpado!
Deixaste de beijar os pés “perfumados” das eminências e beijas os pés “sujos” de condenados, mulheres, doentes, de outras confissões religiosas, de “diferentes”!
És condenado porque abriste as portas aos “recasados” e porque diante de temas dolorosos e pendentes respondes simplesmente: “quem sou eu para julgar?”.
És condenado porque assumes a tua fragilidade, pedindo que rezem por ti, quando muitos exigem que sejas dogmático , intolerante e rubricista.
Papa Francisco és culpado por tantos e tantos corações ditos “infiéis”, “excomungados” e “impuros” tenham redescoberto o rosto belo de Cristo ternura e misericórdia.
És culpado porque “chamas as coisas pelos nomes” e não te retrais de lembrar aos bispos que não sejam pastores de aeroporto mas sim gente com “cheiro a ovelha”.
Culpado porque rasgaste as páginas da intolerância, dos moralismos estéreis e impiedosos e nos ofereceste a beleza da compaixão, da ternura e da frontalidade.
És culpado porque nos abristes não tanto os olhos, a inteligência e a razão mas, sobretudo, o coração.
És culpado por quereres carregar a Cruz da Igreja em vez de desviares o olhar, seres indiferente às dores e às lágrimas dos homens do nosso tempo.
És culpado porque não suportas os crimes hediondos feitos em nome de Deus e por aqueles que falam de Deus mas vivem contra Ele.
Culpado porque buscas a verdade e a justiça, abraçadas pela misericórdia, em vez de silenciar, esconder, minimizar ou ignorar.
És culpado porque deixaste de querer uma Igreja de privilégios e mordomias, de glórias e poderá mundanos e nos ensinas a força do serviço, a riqueza do lava-pés e a a grandiosidade da simplicidade.
Papa Francisco deixa que te culpem destes “crimes”. Sabes que ao teu lado estão incontáveis és homens e mulheres que, como tu, não são anjos, são frágeis, pecadores, esperando que Cristo olhe por nós e para nós.
Sabe que contigo está uma enorme “procissão” de corações que por ti rezam a cada instante, por ti dariam a própria vida, te seguem como ovelhas que confiam no pastor.
Foi Cristo quem te colocou ao leme desta “barca” naufraga que é a Igreja.
É Cristo quem te dará as forças para prosseguir esse caminho de “culpabilidade” que tanto bem fez ao mundo e à Igreja.
Querido Papa Francisco obrigado por seres culpado pela beleza da Igreja sonhada por Jesus.
VOCAÇÃO E TRADIÇÃO: Frei Petrônio
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