Padres e bispos não são anjos, são pessoas: mais humanidade e menos idealização
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Padres e bispos não são anjos, são pessoas: mais humanidade e menos idealização

Pe. Wladimir - Diocese de São João da Boa Vista
A saúde mental do clero depende do próprio ministro, bem como de uma comunidade que acolha fragilidades e reconheça que a santidade não nasce da negação da humanidade, mas da vivência autêntica dela.
O Padre Wladimir Porreca, da Diocese de São João da Boa Vista (SP), chama atenção para um ponto decisivo — e muitas vezes esquecido — na compreensão do sofrimento e do adoecimento mental no clero: a imagem idealizada de padre e bispo que ainda recai sobre os ministros ordenados.
Para Padre Wladimir, psicólogo e pesquisador da Universidade de Brasília, essa construção simbólica — que exige perfeição espiritual, emocional e moral — tornou‑se um dos fatores mais fortes e preocupantes de risco para o adoecimento mental na vida do clero de hoje.
A imagem que pesa: perfeição, disponibilidade total e equilíbrio constante
A idealização da figura do padre e do bispo — frequentemente vistos como líderes espirituais sempre disponíveis, emocionalmente estáveis e moralmente impecáveis — tem se mostrado um dos principais gatilhos de sofrimento e adoecimento mental entre ministros ordenados.
Pesquisas recentes indicam que essa expectativa, reforçada tanto pela comunidade quanto pela própria cultura eclesial, dificulta que padres e bispos expressem fragilidades e busquem ajuda quando precisam.
Estudos nacionais e internacionais publicados entre 2021 e 2026 apontam que a pressão para corresponder a um modelo de perfeição está diretamente associada ao aumento de casos de solidão, ansiedade, depressão e transtornos mentais no clero. Pesquisadores como Pereira (2024), Galletta & Lopes (2024) e Francis & Village (2025) confirmam que a idealização da figura sacerdotal é hoje um dos fatores de risco mais relevantes para o adoecimento emocional de padres e bispos.
Quando o papel sagrado se confunde com a identidade
Entre 2021 e 2023, o psiquiatra espanhol Carlos Chiclana estudou mais de 140 sacerdotes e identificou um fenômeno recorrente: muitos ministros acabam confundindo o papel sagrado que exercem com a própria identidade pessoal. Segundo ele, a internalização de um ideal de santidade inatingível — um verdadeiro pseudoendeusamento — leva alguns padres e bispos a acreditar que precisam ser, eles mesmos, “sagrados”, e não apenas servidores do sagrado.
Essa confusão entre quem o padre é e o papel que exerce favorece o isolamento emocional, a repressão dos afetos e a dificuldade de reconhecer limites. Com o tempo, esse padrão de autoexigência excessiva compromete a saúde mental e dificulta a busca por apoio psicológico ou espiritual.
A cultura do silêncio e o medo de decepcionar (exposição do real)
A pressão por manter uma imagem impecável, somada à falta de espaços seguros para partilhar vulnerabilidades, cria um ambiente propício ao sofrimento silencioso. Pesquisas citadas por Knox et al. (2021) e Francis et al. (2022) mostram que padres e bispos submetidos a expectativas irreais apresentam índices mais altos de ansiedade, culpa e autoexigência patológica. Outros estudam (internacionais) também apontam que a cultura clerical, quando marcada por idealização e silêncio, dificulta a procura por ajuda profissional, reforçando o ciclo de sofrimento (O’Connor, 2021; Hoge & Wenger, 2022).
A realidade brasileira: entre o ideal e o possível
No Brasil, o padre e pesquisador Lício de Araújo Vale analisou casos de autoextermínio entre padres e destacou, em artigo publicado no Vatican News (2023), que a cobrança excessiva e a idealização da figura clerical são fatores recorrentes no adoecimento mental. Ele aponta a tensão entre duas imagens que pesam sobre os ministros ordenados: a teológica, espiritualizada e quase angelical; e a sociológica, moldada pelas expectativas concretas da comunidade.
A essas duas, podemos acrescentar uma terceira: a imagem pessoal, que muitas vezes se perde entre o ideal teológico e as exigências sociais.
Quando o ministro ordenado tenta corresponder simultaneamente a esses três modelos — o que a teologia descreve, o que o povo espera e o que ele próprio acredita que deveria ser — surge um terreno fértil para conflitos internos, sentimentos de inadequação e profundo sofrimento emocional.
Essa dissonância gera sentimentos de inadequação, conflitos internos e um sofrimento emocional profundo, especialmente quando os ministros ordenados não encontram espaços reais de acolhimento e escuta. Aos poucos, o padre ou o bispo vai perdendo o chão: não sabe mais quem é, nem de onde vem, nem para onde está caminhando. A identidade se embaralha, a missão se confunde e a pessoa, por dentro, vai se apagando — mesmo que, por fora, continue funcionando como se tudo estivesse bem.
Quando a idealização vira risco real
O “endeusamento”, a idealização excessiva do padre pode transformar o ambiente eclesial em um fator de risco. A crença de que o ministro ordenado é alguém imune ao sofrimento — alguém que não se cansa, não adoece e não tem necessidades humanas — reforça o estigma que impede muitos de buscar ajuda.
Quando esse ideal é internalizado como verdade, ele gera culpa, repressão emocional e negação das próprias fragilidades, e assim o sofrimento vai crescendo em silêncio. Diante dessa pressão insustentável, muitos acabam buscando saídas compensatórias, “escapes”, para suportar a pressão, e, às vezes, simplesmente ignoram um “eu real” que está gritando por ajuda e socorro.
Caminhos possíveis: mais humanidade, mais cuidado
A literatura especializada é unânime: a idealização do ministério ordenado, quando não equilibrada por formação afetiva adequada, acompanhamento espiritual e apoio institucional, torna‑se um dos fatores mais significativos para o sofrimento mental no clero (Rossetti, 2022; Galletta & Lopes, 2024; Pereira, 2025).
Entre as soluções apontadas pelos pesquisadores estão:
1) Revisão da formação inicial e permanente, com foco em maturidade afetiva, autoconhecimento e gestão emocional. Atenção e cuidado as tendências de idealização sinalizadas.
2) Criação de espaços seguros de escuta, onde padres e bispos possam partilhar vulnerabilidades sem medo de julgamento. Grupos de partilha, com ou sem facilitadores, de idade de vida ou de ordenação
3) Acompanhamento psicológico e espiritual contínuo e “profissionais”, garantidos institucionalmente.
4) Desconstrução ou desincentivo de expectativas irreais, tanto no clero, na comunidade externa, quanto dentro da própria Igreja.
5) Pares fraternos — ou simplesmente amigos, colegas e conhecidos que conseguem vencer a inveja, o ciúme e a competição silenciosa que, não raramente, se infiltram na vida clerical. Quando dois ou mais padres ou bispos se reconhecem como irmãos, e não como rivais ou competidores desleais, nasce um espaço de ajuda mútua, sincera e verdadeiramente evangélica.
Nessa relação, um apoia o outro, escuta sem julgar, acolhe sem comparar, corrige com caridade e celebra as conquistas do irmão sem sentir-se diminuído. É uma fraternidade que não se constrói na aparência, mas na verdade; não nasce da disputa, mas da comunhão; não se alimenta de máscaras, mas de confiança. E quando essa fraternidade existe, ela se torna um dos maiores antídotos contra o isolamento, o desgaste emocional e o adoecimento silencioso que tantos ministros ordenados enfrentam.
É nesse tipo de relacionamento— simples, humano e espiritual — que muitos ministros ordenados encontram o suporte que a instituição nem sempre consegue oferecer. E, quando vivida com autenticidade, essa fraternidade se torna um dos remédios mais eficazes contra o isolamento, o desgaste emocional e o adoecimento silencioso.
A beleza de sermos humanos: quando a fragilidade revela o Divino
Urge a promoção evangélica de uma cultura de vulnerabilidade compartilhada, que reconheça a humanidade dos ministros ordenados. Que ao enfrentar o problema exige não apenas ações individuais, mas mudanças estruturais e espirituais na cultura pessoal e eclesial. A saúde mental do clero depende do próprio ministro, bem como de uma comunidade que acolha fragilidades e reconheça que a santidade não nasce da negação da humanidade, mas da vivência autêntica dela. Fonte: https://www.vaticannews.va
Terça-feira, 28 de abril-2026. 4ª SEMANA DA PÁSCOA. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.
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1) Oração
Concedei, ó Deus todo-poderoso, que, celebrando o mistério da ressurreição do Senhor, possamos acolher com alegria a nossa redenção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (João 10, 22-30)
Naquele tempo, 22Em Jerusalém celebrava-se a festa da Dedicação. Era inverno. 23Jesus andava pelo templo, no pórtico de Salomão. 24Os judeus, então, o rodearam e disseram-lhe: “Até quando nos deixarás em suspenso? Se tu és o Cristo, dize-nos abertamente!” 25Jesus respondeu: “Eu já vos disse, mas vós não acreditais. As obras que eu faço em nome do meu pai dão testemunho de mim. 26Vós, porém, não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas. 27As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. 28Eu lhes dou a vida eterna. Por isso, elas nunca se perderão e ninguém vai arrancá-las da minha mão. 29Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior do que todos, e ninguém pode arrancá-las da mão do Pai. 30Eu e o Pai somos um”.
3) Reflexão
Os capítulos 1 a 12 do evangelho de João são chamados “O Livro dos Sinais”. Neles acontece a revelação progressiva do Mistério de Deus em Jesus. Na mesma medida em que Jesus vai fazendo a revelação, crescem a adesão e a oposição a ele de acordo com a visão com que cada um espera a chegada do Messias. Esta maneira de descrever a atividade de Jesus não é só para informar como a adesão a Jesus acontecia naquele tempo, mas também e sobretudo como ela deve acontecer hoje em nós, seus leitores e suas leitoras. Naquele tempo, todos esperavam a chegada do Messias e tinham os seus critérios para poder reconhecê-lo. Queriam que ele fosse do jeito que eles o imaginavam. Mas Jesus não se submete a esta exigência. Ele revela o Pai do jeito que o Pai é e não do jeito que o auditório o gostaria. Ele pede conversão no modo de pensar e de agir. Hoje também, cada um de nós tem os seus gostos e preferências. Às vezes, lemos o evangelho para ver se encontramos nele a confirmação dos nossos desejos. O evangelho de hoje traz uma luz a este respeito.
João 10,22-24: Os Judeus interpelam Jesus. Era frio. Mês de outubro. Festa da dedicação que celebrava a purificação do templo feita por Judas Macabeu (2Mc 4,36.59). Era uma festa bem popular de muitas luzes. Jesus anda na esplanada do Templo, no Pórtico de Salomão. Os judeus o questionam: "Até quando nos irás deixar em dúvida? Se tu és o Messias, dize-nos abertamente". Eles querem que Jesus se defina e que eles possam verificar, a partir dos critérios deles, se Jesus é ou não é o Messias. Querem provas. É a atitude de quem se sente dono da situação. Os novatos devem apresentar suas credenciais. Do contrário não terão direito de falar e de atuar.
João 10,25-26: Resposta de Jesus: as obras que faço dão testemunho de mim. A resposta de Jesus é sempre a mesma: "Eu já disse, mas vocês não acreditam em mim. As obras que eu faço em nome do meu Pai, dão testemunho de mim; vocês, porém, não querem acreditar, porque vocês não são minhas ovelhas”. Não se trata de dar provas. Nem adiantaria. Quando uma pessoa não quer aceitar o testemunho de alguém, não há prova que o leve a pensar diferente. O problema de fundo é a abertura desinteressada da pessoa para Deus e para a verdade. Onde houver esta abertura, Jesus é reconhecido pelas suas ovelhas. “Quem é pela verdade escuta minha voz” dirá Jesus mais adiante a Pilatos (Jo 18,37). Esta abertura estava faltando nos fariseus.
João 10,27-28: As minhas ovelhas conhecem minha voz. Jesus retoma a parábola do Bom Pastor que conhece suas ovelhas e é conhecido por elas. Este mútuo entendimento - entre Jesus que vem em nome do Pai e as pessoas que se abrem para a verdade - é fonte de vida eterna. Esta união entre o criador e a criatura através de Jesus supera a ameaça da morte: “Elas jamais perecerão e ninguém as arrebatará de minha mão!” Estão seguras e salvas e, por isso mesmo, em paz e com plena liberdade.
João 10,29-30: Eu e o Pai somos um. Estes dois versículos abordam o mistério da unidade entre Jesus e o Pai: “Meu Pai, que tudo entregou a mim, é maior do que todos. Ninguém pode arrancar coisa alguma da mão do Pai. O Pai e eu somos um”. Esta e várias outras frases nos deixam entrever algo deste mistério maior: “Quem vê a mim vê o Pai” (Jo 14,9). “Eu estou no Pai e o Pai está em mim” (Jo 10,38). Esta unidade entre Jesus e o Pai não é automática, mas é fruto da obediência: “Eu sempre faço o que o Pai me mostra que é para fazer” (Jo 8,29; 6,38; 17,4). “Meu alimento é fazer a vontade do Pai (Jo 4,34; 5,30). A carta aos hebreus diz que Jesus teve que aprender, através do sofrimento, o que é ser obediente (Hb 5,8). “Ele foi obediente até à morte, e morte de Cruz” (Fl 2,8). A obediência de Jesus não é disciplinar, mas é profética. Ele obedece para ser total transparência e, assim, ser revelação do Pai. Por isso, ele podia dizer: “Eu e o pai somos um!” Foi um longo processo de obediência e de encarnação que durou 33 anos. Começou com o Sim de Maria (Lc 1,38) e terminou com “Tudo está consumado!” (Jo 19,30).
4) Para um confronto pessoal
1) Minha obediência a Deus é disciplinar ou profética? Revelo algo de Deus ou só me preocupa com a minha própria salvação?
2) Jesus não se submeteu às exigências dos que queriam verificar se ele era mesmo o messias. Existe em mim algo desta atitude dominadora e inquisidora dos adversários de Jesus?
5) Oração final
Deus tenha pena de nós e nos abençoe, faça brilhar sobre nós a sua face. para que se conheça na terra o teu caminho, entre todos os povos a tua salvação. (66, 2-3)
Perfis falsos no WhatsApp e pedidos de Pix: golpistas usam nomes de arcebispos para enganar fiéis
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Criminosos criam contas falsas com fotos de líderes religiosos para pedir doações para campanhas que não existem; dioceses emitiram alerta e até o Vaticano já entrou na história
Da esquerda para a direita, dom Paulo Jackson, dom Gregório Paixão e dom Carlos Alberto Breis. Foto: Divulgação
Por Edison Veiga
Se a eficiência de qualquer golpe depende da boa-fé da vítima, agora parece que criminosos estão mirando justamente na fé popular para tentar tirar vantagem. Em ações parecidas — com repercussão até no Vaticano —, golpistas têm usado perfis falsos de figuras conhecidas do Catolicismo para enganar fiéis.
Entre os mais ilustres religiosos que vêm tendo seus nomes e fotografias usados para o golpe do Pix estão os arcebispos:
O padrão do golpe é idêntico. Os criminosos usam um perfil falso e, fazendo-se passar pelo bispo, entram em contato com moradores da região por meio do WhatsApp. No texto, pedem doação de dinheiro via Pix para ajudar com supostas despesas urgentes. O pretexto varia: às vezes, é a necessidade de custear o aluguel de um espaço utilizado para atividades pastorais, em outras, para bancar frete de ônibus para algum evento, ou mesmo para doação de alimentos para alguma campanha social.
Os casos repercutiram no meio católico. As três arquidioceses emitiram notas públicas alertando sobre as tentativas de golpe — e conscientizando os fiéis sobre a importância de terem um pé atrás nesse tipo de abordagem.
A Arquidiocese de Maceió considerou o tema “urgente” e disse que o estratagema era obra de “indivíduos agindo de má-fé” e que nem Breis Pereira nem a Cúria solicitam transferências ou doações via aplicativos de mensagem. Em comunicação semelhante, a Arquidiocese de Fortaleza qualificou o esquema de “fraude”.
Já a de Olinda e Recife pediu que “abordagens com esse teor sejam desconsideradas”, enfatizando que não autoriza “quaisquer pedidos dessa natureza realizados por contatos informais ou pessoais”.
Até o Vaticano acabou repercutindo a notícia: o Vatican News, portal oficial de informações da Santa Sé, publicou a respeito. As três arquidioceses registraram boletim de ocorrência na polícia.
Crime ‘reciclado’
Esse tipo de script não é novidade entre golpistas. Em 2020, o frade Manoel Delson Pedreira da Cruz, arcebispo da Paraíba, teve seu nome e sua imagem usados por criminosos que pediam dinheiro alegando que era para auxiliar financeiramente jovens candidatos ao seminário religioso. Mais recentemente, os prelados José Carlos de Souza Campos, arcebispo de Montes Claros, e Luiz Fernando Lisboa, da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, foram associados ao envio de boletos falsos a fiéis — em ambos os casos, suas fotos foram utilizadas por criminosos.
A Igreja tem orientado os católicos a tomarem cuidado com esse tipo de abordagem. “Não realize transferências. Caso receba qualquer mensagem deste número ou de perfis semelhantes solicitando dinheiro, ignore e não responda”, pontua a nota da Arquidiocese de Maceió. “Bloqueie e denuncie: utilize a ferramenta de denúncia do próprio WhatsApp para reportar o perfil falso.”
“Verifique as fontes. Toda e qualquer campanha de arrecadação oficial da Arquidiocese é divulgada apenas pelos canais de comunicação institucionais e em documentos timbrados”, alerta ainda. “Pedimos a todos que compartilhem este alerta para evitar que mais pessoas sejam vítimas deste golpe. As medidas legais cabíveis junto às autoridades policiais já estão sendo tomadas.”
Fique atento para não cair nos golpes
Se alguém cai em um golpe desses, nem sempre o dinheiro está perdido. De acordo com a advogada Patricia Peck, especialista em Direito digital e membro do Comitê Nacional de Cibersegurança e da Comissão de Proteção de Dados do Conselho Nacional de Justiça, “depende do caso concreto”.
“Quando a pessoa faz um Pix por engano ou induzida por golpe, o primeiro caminho é acionar o Mecanismo Especial de Devolução, criado pelo Banco Central para situações de fraude”, explica. Esse sistema permite o bloqueio cautelar dos valores na conta recebedora e, havendo confirmação de fraude e saldo disponível, a devolução total ou parcial do dinheiro.
Na prática, a vítima precisa comunicar “imediatamente o banco” pelo aplicativo ou pelo atendimento. Em seguida, a instituição avalia se há indícios de golpe — em caso positivo, aciona o mecanismo. “Confirmada a fraude, o dinheiro é devolvido se ainda houver saldo disponível na conta do fraudador”, diz a especialista.
O problema é que, se o dinheiro já tiver sido transferido, sacado ou pulverizado rapidamente, “o banco não é obrigado a devolver automaticamente valores que não estão mais disponíveis”, enfatiza a advogada. Aí o caminho para reaver os valores tem de ser por meio de investigação policial e eventual ação judicial contra o fraudador. “Em situações específicas, cabe discussão sobre eventual responsabilidade do banco se houver evidência clara de falha na segurança, no monitoramento ou na prevenção de transações suspeitas.”
“Quando a própria vítima realiza voluntariamente a transferência, como ocorre no golpe via WhatsApp em que alguém se passa por conhecido, o Judiciário tem afastado a responsabilidade do banco, por entender que não houve falha na prestação do serviço, mas que o dano decorreu da falta de cautela do próprio usuário”, lembra a advogada Maria Eduarda Nunes, especialista em Direito digital. “O fato de o golpe ser considerado amplamente divulgado reforça alguns entendimentos dos tribunais de que cabia ao consumidor se precaver.”
Ela orienta que a vítima registre boletim de ocorrência imediatamente após perceber que se trata de golpe.
Ex-presidente da Comissão de Direito Bancário da seção de Brasília da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o advogado Benito Conde, especialista em Direito bancário, lembra que o Pix é, “a princípio, irrevogável”. E isto afasta “em tese”, a obrigação de devolução pelo banco.
“Cumpre esclarecer que, não havendo falha comprovada na segurança no âmbito das operações bancárias, não há de se falar em responsabilidade da instituição financeira em ressarcir o usuário, pois a transferência foi feita por ele próprio, com inclusão dos valores e senha para concretizar a operação”, esclarece Conde.
Criminosos costumam seguir um padrão
Ao analisar esses casos das dioceses, Patrícia Peck nota a evidência de um padrão clássico do golpe. Ou seja, a potencial vítima pode ficar esperta quando uma mensagem mescla os seguintes elementos: uso de uma identidade visual muito verossimilhante, um pedido urgente, e a ênfase no Pix como meio de pagamento, em geral com dados de pessoa física.
Para evitar cair em golpe, o ideal é sempre verificar os dados oficiais da paróquia ou da diocese, checando inclusive o CNPJ vinculado à chave Pix. “Deve-se desconfiar de pedidos financeiros por aplicativos de mensagem, em caráter de urgência”, aponta Patrícia Peck.
“Também é necessário verificar o canal, não apenas o nome ou a foto. Fotos, nomes e cargos não garantem autenticidade. Golpistas utilizam imagens reais e números comuns”, comenta ela. O ideal, frisa a advogada, é checar as informações nos sites oficiais, nas redes institucionais verificadas ou diretamente na secretaria da instituição.
“Em geral, os golpistas usam contas de ‘laranjas’, e o nome não corresponde à pessoa conhecida”, lembra a advogada Maria Eduarda Nunes.
“Desconfie de pedidos repentinos de dinheiro, ainda mais acompanhados de alegações de urgência ou troca de número”, recomenda ela. “Solicite uma confirmação por voz ou vídeo, peça para a pessoa ligar ou faça uma videochamada, nesses casos, golpistas dificilmente aceitarão.”
A especialista também lembra que figuras públicas, como autoridades religiosas ou celebridades, dificilmente entram em contato diretamente solicitando transferências pessoais.
“O cuidado mais importante e relevante é não confiar exclusivamente no canal pelo qual o pedido foi feito”, adverte Conde. “Os usuários devem sempre confirmar a solicitação por outro meio de comunicação previamente conhecido como, por exemplo, telefone institucional, site oficial, etc. Outra recomendação é evitar a interação com o número que fez o pedido, pois os golpistas se valem da persuasão para conseguir informações importantes para a concretização da fraude.”
A advogada Patrícia Peck ainda afirma ser preciso redobrar o cuidado com mensagens “de urgência emocional”. “Pedidos com frases como ‘é urgente’, ‘precisamos agora’, ‘última chance’, são um gatilho clássico de engenharia social, feito para reduzir o senso crítico”, contextualiza.
“A mensagem principal é: nunca tenha receio de confirmar. Confirmar não é desconfiança indevida, é proteção. Se o pedido for legítimo, ele resistirá à espera e à verificação”, acrescenta.
Nesse caso, adverte a especialista, o golpe se sustenta porque se ancora não na tecnologia sofisticada, mas na credibilidade social — no caso, o uso da identidade de um bispo. Com a instantaneidade do Pix, o tempo de reação da vítima é reduzido. Fonte: https://www.estadao.com.br
Segunda-feira, 27 de abril-2026. 4ª SEMANA DA PÁSCOA. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.
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1) Oração
Ó Deus, que pela humilhação do vosso Filho reerguestes o mundo decaído, enchei de santa alegria os vossos filhos que libertastes da escravidão do pecado e concedei-lhes a felicidade eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (João 10, 11-18)
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos, 11“Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. 12O mercenário, que não é pastor e a quem as ovelhas não pertencem, vê o lobo chegar e foge; e o lobo as ataca e as dispersa. 13Por ser apenas mercenário, ele não se importa com as ovelhas. 14Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem, 15assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. Eu dou minha vida pelas ovelhas. 16(Tenho ainda outras ovelhas, que não são deste redil; também a essas devo conduzir, e elas escutarão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor.) 17É por isso que o Pai me ama: porque dou a minha vida. E assim, eu a recebo de novo. 18Ninguém me tira a vida, mas eu a dou por própria vontade. Eu tenho poder de dá-la, como tenho poder de recebê-la de novo. Tal é o encargo que recebi do meu Pai”.
3) Reflexão
O evangelho de hoje traz a parábola do Bom Pastor. Em alguns países o texto é de João 10,1-10 e em outros é de João 10,11-18. É difícil escolher entre um e outro. Por isso, preferimos comentar brevemente os dois (Jo 10,1-18). O discurso sobre o Bom Pastor traz três comparações ligadas entre si:
1ª comparação: Jesus fala do pastor e dos assaltantes (Jo 10,1-5)
2ª comparação: Jesus é a porteira das ovelhas (Jo 10,6-10)
3ª comparação: Jesus é o Bom Pastor (Jo 10,11-18)
João 10,1-5: 1ª comparação: entrar pela porteira e não por outro lugar. Jesus inicia o discurso com a comparação da porteira: "Quem não entra pela porteira mas sobe por outro lugar é ladrão e assaltante! Quem entra pela porteira é o pastor das ovelhas!" Naquele tempo, os pastores cuidavam do rebanho durante o dia. Quando chegava a noite, levavam as ovelhas para um grande redil ou curral comunitário, bem protegido contra ladrões e lobos. Todos os pastores de uma mesma região levavam para lá o seu rebanho. Um porteiro tomava conta de tudo durante a noite. No dia seguinte, de manhã cedo, o pastor chegava, batia palmas na porteira e o porteiro abria. O pastor entrava e chamava as ovelhas pelo nome. As ovelhas reconheciam a voz do seu pastor, levantavam e saiam atrás dele para a pastagem. As ovelhas dos outros pastores ouviam a voz, mas elas não se mexiam, pois era uma voz estranha para elas. De vez em quando, aparecia o perigo de assalto. Ladrões entravam por um atalho ou derrubavam a cerca do redil, feita de pedras amontoadas, para roubar as ovelhas. Eles não entravam pela porteira, pois lá havia o guarda que tomava conta.
João 10,6-10: 2ª comparação: Jesus é a porteira. Os ouvintes, os fariseus (Jo 9,40-41), não entenderam o que significava "entrar pela porteira". Jesus então explicou: "Eu sou a porteira das ovelhas. Todos os que vieram antes de mim eram ladrões e assaltantes". De quem Jesus está falando nesta frase tão dura? Provavelmente, se referia a líderes religiosos que arrastavam o povo atrás de si, mas que não respondiam às esperanças do povo. Não estavam interessados no bem do povo, mas sim no próprio bolso e nos próprios interesses. Enganavam o povo e o deixavam na pior. Entrar pela porteira é o mesmo que agir como Jesus agia. O critério básico para discernir quem é pastor e quem é assaltante, é a defesa da vida das ovelhas. Jesus pede para o povo não seguir as pessoas que se apresentam como pastor, mas não buscam a vida do povo. É aqui que ele disse aquela frase que até hoje cantamos: "Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância!" Este é o critério!
João 10,11-15: 3ª comparação: Jesus é o bom pastor. Jesus muda a comparação. Antes, ele era a porteira das ovelhas. Agora, é o pastor das ovelhas. Todo mundo sabia o que era um pastor e como ele vivia e trabalhava. Mas Jesus não é um pastor qualquer, mas sim o bom pastor! A imagem do bom pastor vem do AT. Dizendo que é o Bom Pastor, Jesus se apresenta como aquele que vem realizar as promessas dos profetas e as esperanças do povo. Veja por exemplo a belíssima profecia de Ezequiel (Ez 34,11-16). Há dois pontos em que Jesus insiste: (1) Na defesa da vida das ovelhas: o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. (2) No mútuo reconhecimento entre pastor e ovelhas: o Pastor conhece as suas ovelhas e elas conhecem o pastor. Jesus diz que no povo há uma percepção para saber quem é o bom pastor. Era isto que os fariseus não aceitavam. Eles desprezavam as ovelhas e as chamavam de povo maldito e ignorante (Jo 7,49; 9,34). Eles pensavam ter o olhar certo para discernir as coisas de Deus. Na realidade eram cegos. O discurso sobre o Bom Pastor ensina duas regras como curar este tipo bastante freqüente de cegueira: 1) Prestar muita atenção na reação das ovelhas, pois elas reconhecem a voz do pastor. 2) Prestar muita atenção na atitude daquele que se diz pastor para ver se o interesse dele é a vida das ovelhas, sim ou não, e se ele é capaz de dar a vida pelas ovelhas. Certa vez, na festa da tomada de posse de um novo bispo, as “ovelhas” colocaram uma faixa na porta da igreja que dizia: “As ovelhas não conhecem o pastor!” As “ovelhas” não foram consultadas. Advertência séria para quem nomeia os bispos.
João 10,16-18: A meta onde Jesus quer chegar: um só rebanho e um só pastor. Jesus abre o horizonte e diz que tem outras ovelhas que não são deste redil. Elas ainda não ouviram a voz de Jesus, mas quando a ouvirem, vão perceber que ele é o pastor e vão segui-lo. É a dimensão ecumênica universal.
4) Para um confronto pessoal
1) Pastor-Pastoral. Será que a pastoral na minha paróquia imita a missão de Jesus - Pastor? E eu na minha ação pastoral, qual a minha atitude? Sou pastor como Jesus?
2) Você já teve a experiência de ter sido enganado por um falso pastor? Como conseguiu superar?
5) Oração final
Como a corça deseja as águas correntes, assim a minha alma anseia por ti, ó Deus. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando hei de ir ver a face de Deus? (Sl 41, 2-3)
Bispos do Brasil divulgam mensagem ao povo e alertam para violência, desigualdade e crise social
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Reunidos no Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, o episcopado brasileiro divulgou, nesta sexta-feira, 24, a tradicional “Mensagem ao Povo Brasileiro” durante o último dia da 62ª Assembleia Geral, que acontece no Centro de Eventos Pe. Vítor Coelho de Almeida. O documento traz reflexões sobre o momento atual do país e do mundo, destacando tanto sinais de esperança quanto desafios urgentes.
Inspirados pelo tempo Pascoal, os bispos afirmam que há motivos para esperança, como iniciativas de solidariedade, promoção da cidadania e defesa da vida. No texto, também são valorizadas ações voltadas à economia solidária, à democracia e aos direitos humanos.
Apesar disso, a mensagem faz um alerta contundente sobre o cenário global e nacional. Segundo os bispos, o mundo vive “tempos de incertezas e sofrimentos”, marcados por guerras, fome e destruição. O documento cita ainda preocupações com a concentração de poder e interesses econômicos que impactam negativamente a vida das populações.
No contexto brasileiro, a mensagem chama atenção para o avanço da violência e do crime organizado. De acordo com o texto, práticas como o narcotráfico e a atuação de milícias têm fortalecido um ambiente de insegurança, especialmente nas periferias, onde essas organizações chegam a controlar territórios e enfraquecer instituições legítimas.
A mensagem também reforça a defesa da vida “desde a concepção até a morte natural” e destaca a necessidade de políticas públicas que garantam dignidade à população, sobretudo aos mais pobres.
Ao final, os bispos reafirmam o compromisso da Igreja Católica com a promoção da paz, da justiça social e da esperança, convidando a sociedade brasileira a construir caminhos de fraternidade e solidariedade.
Fonte:https://www.cnbb.org.br
Em mensagem ao povo de Deus, bispos do Brasil reafirmam e renovam o compromisso de evangelizar
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Ao final da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi divulgada a mensagem do episcopado a todo o povo de Deus. Esperança e unidade inspiram o texto que apresenta um chamado à comunhão e ao renovado compromisso de evangelizar numa Igreja onde todos são “corresponsáveis pela missão da Igreja, qualquer que seja o ministério que exerçamos”.
Os bispos unem-se ao Papa Leão XIV em seu profético empenho pela paz; destacam o Batismo como fonte de todas as vocações e a riqueza dos dons e carismas “que, na diversidade dos ministérios, dinamizam o serviço na Igreja e na sociedade”; e manifestam gratidão a todo o Povo de Deus, “que se mantém fiel no seguimento a Jesus Cristo”, com proximidade aos que “sofrem calúnias e agressões por seu compromisso com o Evangelho”.
Há o pedido de esforço pela unidade e pela valorização da diversidade dos dons, além do convite ao renovado compromisso na construção da cultura vocacional.
No espirito de comunhão e unidade, os bispos motivam a assumir “com renovado ardor, as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil”, expressão concreta da acolhida ao caminho sinodal.
“Somos uma Igreja ministerial e, sob o olhar amoroso da Virgem Aparecida, Mãe das Vocações, renovamos nosso compromisso de evangelizar, anunciando Jesus Cristo com alegria e esperança, para que cheguemos à plenitude do Reino de Deus”.
Confira a mensagem na íntegra:
MENSAGEM DOS BISPOS DO BRASIL AO POVO DE DEUS
Jesus disse de novo: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20,21)
Reunidos em Aparecida, junto à Padroeira do Brasil, nós, Bispos Católicos, por ocasião da 62ª Assembleia Geral da CNBB, de 15 a 24 de abril, dirigimos esta mensagem de esperança e unidade a todo o Povo de Deus. Fortalecidos pela oração, reafirmamos o compromisso de evangelizar, sendo uma Igreja Sinodal que escuta, acolhe e serve a Jesus Cristo com amor e fidelidade.
Unimo-nos ao Papa Leão XIV em seu profético empenho pela paz, que não pode ser um ideal distante, mas uma realidade concreta. Exortamos todos a reconhecer que a paz, dom do Ressuscitado, brota da conversão dos corações, do diálogo fraterno e da solidariedade com os mais pobres.
O Batismo é a fonte de todas as vocações e, por meio dele, somos chamados à santidade e à comunhão. Revestidos todos da mesma dignidade, tornamo-nos corresponsáveis pela missão da Igreja, qualquer que seja o ministério que exerçamos. Nesta harmonia, reconhecemos a riqueza dos dons e carismas que, na diversidade dos ministérios, dinamizam o serviço na Igreja e na sociedade.
Manifestamos nossa gratidão a todo o Povo de Deus, que se mantém fiel no seguimento a Jesus Cristo, e expressamos nossa proximidade a todos os cristãos leigos e leigas, consagrados e consagradas, e ministros ordenados que sofrem calúnias e agressões por seu compromisso com o Evangelho, principalmente junto aos pobres e na defesa da Casa Comum.
Pedimos a todos um esforço contínuo pela unidade, fazendo de nossas comunidades ambientes onde o diálogo se manifeste na superação das polarizações. Empenhemo-nos na valorização da diversidade dos dons, onde todos os ministérios sejam vividos como serviço ao próximo, num caminho de comunhão, participação e missão.
Somos gratos aos cristãos leigos e leigas, chamados a ser sal da terra e luz do mundo nas realidades sociais e eclesiais (cf. Mt 5,13-16). Enaltecemos, igualmente, a vocação matrimonial e a família, cuja missão reside em gerar e cuidar da vida, na educação das novas gerações e na transmissão da fé.
Esse mesmo olhar queremos dirigir aos diáconos e presbíteros, chamados — a exemplo do Bom Pastor — a serem conosco os primeiros, dentre o Povo de Deus, servidores na comunidade e dispensadores da graça sacramental, construindo um caminho de unidade e comunhão. Reconhecemos também a importância da vida consagrada e seu compromisso missionário, especialmente junto aos mais fragilizados, como um sinal profético de doação da própria vida e um testemunho da alegria no discipulado.
Iluminados pelo magistério do Papa Francisco, que nos animou a ser uma “Igreja em saída”, reconhecemos o trabalho incansável de todos os fiéis que se dedicam às iniciativas de cuidado dos pobres e da Casa Comum, atuando nas periferias geográficas e existenciais. A doação de suas vidas, nesta missão, impulsiona-nos a uma sensibilidade e abertura missionária permanentes.
Agradecemos, de modo especial, a todos os jovens presentes em nossas comunidades. Vocês são o “agora de Deus”, e nos ajudam a ser uma Igreja viva e renovada. Ao mesmo tempo, convidamos todas as lideranças eclesiais a acolherem e caminharem junto aos jovens, no cuidado, na escuta e no discernimento.
Convidamos todos a um renovado compromisso na construção da cultura vocacional, fazendo de nossas comunidades espaços de encontro, testemunho e missão. Ao redor da mesa da Palavra e da Eucaristia, em cada domingo, unamo-nos na oração pelas vocações e pela perseverança dos que se colocam a serviço da evangelização.
Neste espírito de comunhão, como um só corpo (cf. Rm 12,5), assumamos, com renovado ardor, as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Elas são a expressão concreta de nossa acolhida ao caminho sinodal, que nos leva a redescobrir a beleza da variedade das vocações, carismas e ministérios.
Somos uma Igreja ministerial e, sob o olhar amoroso da Virgem Aparecida, Mãe das Vocações, renovamos nosso compromisso de evangelizar, anunciando Jesus Cristo com alegria e esperança, para que cheguemos à plenitude do Reino de Deus.
Aparecida – SP, 24 de abril de 2026.
62ª Assembleia Geral da CNBB
Dom Jaime Cardeal Spengler
Arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre – RS
Presidente da CNBB
Dom João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo da Arquidiocese de Goiânia – GO
1º Vice-Presidente da CNBB
Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa
Arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife – PE
2º Vice-Presidente da CNBB
Dom Ricardo Hoepers
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Brasília – DF
Secretário-Geral da CNBB
Fonte: https://www.cnbb.org.br
Sexta-feira, 24 de abril-2026. 3ª SEMANA DA PÁSCOA. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.
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1) Oração
Ó Deus todo-poderoso, concedei que, conhecendo a ressurreição do Senhor e a graça que ela nos trouxe, ressuscitemos para uma vida nova pelo amor do vosso espírito. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (João 6, 52-59)
Naquele tempo, 52Os judeus discutiam entre si: “Como é que ele pode dar a sua carne a comer?” 53Jesus disse: “Em verdade, em verdade, vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. 54Quem consome a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. 55Pois minha carne é verdadeira comida e meu sangue é verdadeira bebida. 56Quem consome a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu nele. 57Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por meio do Pai, assim aquele que me consome viverá por meio de mim. 58Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram – e no entanto morreram. Quem consome este pão viverá para sempre”. 59Jesus falou estas coisas ensinando na sinagoga, em Cafarnaum.
3) Reflexão
Estamos chegando quase ao fim do Discurso do Pão da Vida. Aqui começa a parte mais polêmica. Os judeus se fecham e começam a questionar as afirmações de Jesus.
João 6,52-55: Carne e sangue: expressão da vida e da doação total. Os judeus reagem: "Como esse homem pode dar-nos 0a sua carne para comer?" Era perto da festa da Páscoa. Dentro de poucos dias, todos iam comer a carne do cordeiro pascal na celebração da noite de páscoa. Eles não entenderam as palavras de Jesus, porque tomaram tudo ao pé da letra. Mas Jesus não diminui as exigências, não retira nada do que disse, e insiste: "Eu garanto a vocês: se vocês não comem a carne do Filho do Homem e não bebem o seu sangue, não terão a vida em vocês. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue vive em mim e eu vivo nele”. (1) Comer a carne de Jesus significa aceitar Jesus como o novo Cordeiro Pascal, cujo sangue nos liberta da escravidão. A lei do Antigo Testamento, por respeito à vida, proibia comer sangue (Dt 12,16.23; At 15.29). Sangue era o sinal da vida. (2) Beber o sangue de Jesus significa assimilar a mesma maneira de viver que marcou a vida de Jesus. O que traz vida não é celebrar o maná do passado, mas sim comer este novo pão que é Jesus, a sua carne e o seu sangue. Participando da Ceia Eucarística, assimilamos a sua vida, a sua doação e entrega. “Se vocês não comem a carne do Filho do Homem e não bebem o seu sangue não terão vida em vocês”. Devem aceitar Jesus como messias crucificado, cujo sangue vai ser derramado.
João 6,56-58: Quem me receber como alimento viverá por mim. As últimas frases do Discurso do Pão da Vida são de grande profundidade e tentam resumir tudo que foi dito. Elas evocam a dimensão mística que envolve a participação na eucaristia. Expressam o que Paulo diz na carta aos Gálatas: “Vivo, mas já não sou eu que vivo. É Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). E o que diz o Apocalipse de João: “Se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, ele comigo” (Ap 3,20). E o próprio João no Evangelho: “Se alguém me ama guardará minha palavra e o meu Pai o amará e a ele viremos e nele faremos nossa morada” (Jo 14,23). E termina com a promessa da vida que marca a diferença com o antigo êxodo: “Este é o pão que desceu do céu. Não é como o pão que os pais de vocês comeram e depois morreram. Quem come deste pão viverá para sempre."
João 6,59: Termina o discurso na sinagoga. Até aqui foi a conversa entre Jesus e o povo e os judeus na sinagoga de Cafarnaum. Como aludimos anteriormente, o Discurso do Pão da Vida nos oferece uma imagem de como era a catequese naquele fim do primeiro séculos nas comunidades cristãs da Ásia Menor. As perguntas do povo e dos judeus refletem as dificuldades dos membros das comunidades. E as resposta de Jesus representam os esclarecimentos para ajuda-los a superar as dificuldades, aprofundar sua fé e viver mais intensamente a eucaristia que era celebrada sobretudo nas noites de sábado para o domingo, o Dia do Senhor.
4) Para um confronto pessoal
1) A partir do Discurso do Pão da Vida, a celebração da Eucaristia recebe uma luz muito forte e um aprofundamento enorme. Qual a luz eu estou percebendo que me ajuda a dar um passo?
2) Comer a carne e o sangue de Jesus, é o mandamento que ele nos dá. Como vivo a eucaristia na minha vida? Mesmo não podendo ir à missa todos os dias ou todos os domingos, minha vida deve ser eucarística. Como tento realizar este objetivo?
5) Oração final
Povos todos, louvai o SENHOR, nações todas, dai-lhe glória; porque forte é seu amor para conosco e a fidelidade do SENHOR dura para sempre. (Sl 116, 1-2)
Papa: como pastor, não posso ser a favor da guerra; há muitos mortos inocentes
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No voo para Roma, Leão XIV reitera que sua primeira missão é anunciar o Evangelho. Lembra as crianças vítimas da guerra no Irã e no Líbano, condena a pena de morte e insiste no direito internacional. Sobre os migrantes, questiona: “O que o Norte faz pelo Sul do mundo?” e denuncia o fato de serem tratados pior que animais. Sobre os casais homossexuais, confirma que a Santa Sé não concorda com a bênção formalizada adotada na Alemanha, mas reforça o princípio de acolhida a "todos, todos, todos".
Vatican News
“Bom dia a todos, espero que estejam bem e prontos para mais uma viagem. Já com as baterias recarregadas!.” O Papa Leão XIV concluiu a longa viagem apostólica à África e, no voo de Malabo — última etapa na Guiné Equatorial — rumo a Roma, responde às perguntas de cinco dos cerca de 70 jornalistas que o acompanharam nessa viagem internacional. A guerra, as negociações entre os EUA e o Irã, a questão migratória, a pena de morte e a bênção de casais homossexuais estão entre os temas abordados pelo Pontífice durante a entrevista, precedida por uma reflexão do Papa Leão sobre a experiência que acaba de viver na África.
“Quando faço uma viagem, falo por mim mesmo; porém, hoje, como Papa, Bispo de Roma, trata-se sobretudo de uma viagem apostólica pastoral para encontrar, acompanhar e conhecer o povo de Deus. Muitas vezes, o interesse é mais político: ‘O que o Papa diz sobre este ou aquele tema? Por que não julga o governo de um país ou de outro?’. E há certamente muitas coisas a dizer. Falei de justiça e há temas a esse respeito. Mas essa não é a palavra principal: a viagem deve ser interpretada sobretudo como a expressão da vontade de anunciar o Evangelho, de proclamar a mensagem de Jesus Cristo, o que, então, é uma forma de se aproximar do povo em sua alegria, na profundidade de sua fé, mas também em seu sofrimento. Lá, claro, muitas vezes é necessário fazer comentários ou procurar como encorajar o próprio povo a assumir responsabilidades em sua vida. É importante conversar também com os chefes de Estado, para incentivar uma mudança de mentalidade ou uma maior abertura para pensar no bem do povo, uma oportunidade de analisar questões como a distribuição dos recursos de um país. Nas conversas que tivemos, fizemos um pouco de tudo, mas acima de tudo, ver e encontrar o povo com esse entusiasmo. Estou muito contente com toda a viagem, mas viver, acompanhar e caminhar com o povo da Guiné Equatorial foi realmente uma bênção com a água… Eles estavam contentes com as chuvas do outro dia, mas, acima de tudo, esse sinal de compartilhar com a Igreja universal o que celebramos em nossa fé."
Ignazio Ingrao (Tg1): Santidade, obrigado por esta viagem rica de encontros, histórias e rostos. No encontro pela paz em Bamenda, Camarões, o senhor descreveu um mundo de cabeça para baixo, onde um punhado de tiranos ameaça destruir o planeta. A paz, disse, não deve ser inventada, mas acolhida. As negociações sobre o conflito no Irã estão em caos, com graves repercussões na economia mundial. O senhor espera uma mudança de regime no Irã, visto que a sociedade civil e os estudantes saíram às ruas nos últimos meses e há preocupação mundial em relação à corrida atômica? Que apelo o senhor faz aos Estados Unidos, ao Irã e a Israel para sair do impasse e interromper a escalada? A OTAN e a Europa deveriam se envolver mais?
Gostaria de começar dizendo que é preciso promover uma nova atitude e uma cultura de paz. Muitas vezes, quando avaliamos certas situações, a resposta imediata é que é preciso intervir com a violência, com a guerra, atacando. O que vimos foi a morte de muitos inocentes. Acabei de ler a carta de algumas famílias das crianças que morreram no primeiro dia do ataque. Elas falam sobre o fato de terem perdido seus filhos, as filhas, as crianças que morreram naquele ataque. A questão não é se o regime muda — o regime não muda —, a questão é como promover os valores em que acreditamos sem a morte de tantos inocentes. A questão do Irã é evidentemente muito complexa. As tratativas que estão fazendo, um dia o Irã diz sim e os Estados Unidos dizem não, e vice-versa, e não sabemos para onde isso vai. Foi criada essa situação caótica, crítica para a economia mundial, mas também há toda uma população no Irã de pessoas inocentes que estão sofrendo com essa guerra. Então, sobre a mudança de regime, sim ou não: não está claro que regime existe neste momento, após os primeiros dias dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã. Em vez disso, eu gostaria de incentivar a continuação do diálogo pela paz, para que as partes se esforcem para promover a paz, afastar a ameaça de guerra e para que o direito internacional seja respeitado. É muito importante que os inocentes sejam protegidos, o que não aconteceu em vários lugares. Carrego comigo a foto de um menino muçulmano que, durante minha visita ao Líbano, me esperava com um cartaz que dizia "Bem-vindo, Papa Leão". Depois, nesta última fase da guerra ele foi morto. São muitas as situações humanas e creio que devemos ter a capacidade de pensar dessa forma. Como Igreja — repito — como pastor, não posso ser a favor da guerra. Incentivo a todos a se esforçarem para buscar respostas que venham de uma cultura de paz, não de ódio e divisão.
Eva Fernández (Radio Cope): Estamos deixando um continente em que muitas pessoas desejam, sonham, viajar para a Europa. Sua próxima viagem será à Espanha, onde a questão migratória ocupa um lugar importante, sobretudo nas Ilhas Canárias. O senhor sabe que o tema da migração na Espanha suscita grande debate e polarização; inclusive entre os católicos não há uma posição clara. O que poderemos dizer aos espanhóis e, em particular, aos católicos a respeito da imigração? Depois, se me permite: a próxima viagem será à Espanha, mas sabemos que o senhor tem o desejo, a intenção de viajar ao Peru e talvez à Argentina e ao Uruguai, mas também gostaria de saudar a Virgem de Guadalupe?
O tema da imigração é muito complexo e afeta muitos países, não apenas a Espanha, não apenas a Europa, os Estados Unidos — é um fenômeno mundial! Portanto, uma resposta minha começa com uma pergunta: o que faz o Norte do mundo para ajudar o Sul do mundo ou aqueles países onde os jovens hoje não encontram um futuro e, por isso, vivem esse sonho de querer ir para o Norte? Todos querem ir para o Norte, mas muitas vezes o Norte não tem respostas sobre como lhes oferecer possibilidades. Muitos sofrem… O tema do tráfico de seres humanos, o “trafficking”, também faz parte da migração. Pessoalmente, acredito que um Estado tem o direito de estabelecer regras em suas fronteiras. Não estou dizendo que todos devam entrar sem ordem, criando às vezes, nos lugares para onde vão, situações mais injustas do que aquelas que deixaram. Porém, dito isso, eu me pergunto: o que fazemos nos países mais ricos para mudar a situação nos países mais pobres? Por que não podemos tentar, seja com ajuda estatal, seja com investimentos das grandes empresas ricas, das multinacionais, mudar a situação em países como aqueles que visitamos nesta viagem? A África, para muitas pessoas, é considerada um lugar onde se pode ir buscar minerais, extrair suas riquezas para a riqueza de outros, em outros países. Talvez, em nível mundial, devêssemos trabalhar mais para promover maior justiça, igualdade e o desenvolvimento desses países da África, para que não tenham a necessidade de emigrar para outros países, para a Espanha, etc. E o outro ponto que gostaria de abordar é que, em todo caso, são seres humanos e devemos tratar os seres humanos de maneira humana, não tratá-los muitas vezes pior do que os animais. Há um grande desafio: um país pode declarar que atingiu o limite de sua capacidade de acolhimento, porém, quando as pessoas chegam, são seres humanos e merecem o respeito que cabe a todo ser humano por sua dignidade.
E as próximas viagens?
Tenho um grande desejo de visitar vários países da América Latina. Até agora não está confirmado, veremos. Vamos aguardar.
Arthur Herlin (Paris Match): Santo Padre, agradecemos-lhe imensamente por esta viagem extraordinária. Foi maravilhosa. Durante esta viagem, o senhor encontrou alguns dos líderes mais autoritários do mundo. Como o senhor evita que a sua presença confira autoridade moral a esses regimes? Não se trata, por assim dizer, de uma “lavagem de imagem” graças ao Papa?
Certamente, a presença de um Papa ao lado de qualquer chefe de Estado pode ser interpretada de maneiras diferentes. Pode ser interpretada — e por alguns foi interpretada — como se o Papa ou a Igreja estivesse dizendo que é aceitável viver daquela maneira. Outros podem dizer coisas diferentes. Gostaria de voltar ao que disse em minhas observações iniciais sobre a importância de compreender o objetivo principal das viagens que faço, que o Papa realiza: visitar as pessoas. E sobre o grande valor que a Santa Sé continua a atribuir, às vezes com grandes sacrifícios, à manutenção de relações diplomáticas com países do mundo inteiro. E, às vezes, temos relações diplomáticas com países que têm líderes autoritários. Temos a oportunidade de falar com eles em nível diplomático, em nível formal. Nem sempre fazemos grandes declarações de crítica, de julgamento ou de condenação. Mas há muito trabalho sendo feito nos bastidores para promover a justiça, para promover causas humanitárias, para procurar, às vezes, situações em que há presos políticos e encontrar uma maneira de libertá-los. Situações de fome, de doença, etc. Portanto, a Santa Sé, mantendo uma neutralidade e buscando formas de manter relações diplomáticas positivas com tantos países diferentes, está, na verdade, tentando aplicar o Evangelho às situações concretas para que a vida das pessoas possa melhorar. As pessoas interpretarão o resto como quiserem, mas acredito que seja importante para nós buscarmos a melhor maneira possível de ajudar o povo de qualquer país.
Verena Stefanie Schälter (ARD Rundfunk): Santo Padre, parabéns por sua primeira viagem papal ao Sul do mundo. Vimos muito entusiasmo e também, diria, euforia. Imagino que tenha sido muito comovente também para o senhor. Gostaria de saber como o senhor avalia a decisão do cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique e Freising, de conceder permissão para abençoar casais do mesmo sexo em sua diocese. E, à luz das diferentes perspectivas culturais e teológicas, sobretudo na África, como o senhor pretende preservar a unidade da Igreja universal sobre essa questão?
Em primeiro lugar, acredito que seja muito importante compreender que a unidade ou a divisão da Igreja não deve girar em torno de questões sexuais. Temos a tendência de pensar que, quando a Igreja fala de moral, o único tema moral é o sexual. Na verdade, acredito que existam questões muito maiores e mais importantes, como a justiça, a igualdade, a liberdade dos homens e das mulheres, a liberdade religiosa, que deveriam ter prioridade em relação a essa questão específica. A Santa Sé já conversou com os bispos alemães. A Santa Sé deixou claro que não concordamos com a bênção formalizada de casais — neste caso, casais homossexuais, como a senhora perguntou — ou de casais em situações irregulares, além do que foi especificamente permitido pelo Papa Francisco, ao dizer que todas as pessoas recebam a bênção. Quando um sacerdote dá a bênção no final da Missa, quando o Papa dá a bênção no final de uma grande celebração como a que tivemos hoje, há bênçãos para todas as pessoas. A famosa expressão de Francisco “todos, todos, todos” expressa a convicção da Igreja de que todos são acolhidos, todos são convidados, todos são convidados a seguir Jesus e todos são convidados a buscar a conversão em sua própria vida. Ir além disso hoje, creio que pode causar mais desunião do que unidade, e que devemos procurar construir nossa unidade em Jesus Cristo e no que Jesus Cristo ensina. Esta é a minha resposta à pergunta.
Anneliese Taggart (Newsmax TV - USA): Santo Padre, nesta viagem, o senhor falou sobre como as pessoas têm fome e sede de justiça. Ainda esta manhã foi noticiado que o Irã executou mais um membro da oposição, e isso ocorre enquanto o regime já enforcou publicamente muitas outras pessoas e assassinou milhares de seus próprios cidadãos. O senhor condena essas ações? O senhor tem alguma mensagem para o regime iraniano?
Condeno todas as ações injustas. Condeno o assassinato de pessoas. Condeno a pena de morte. Acredito que a vida humana deve ser respeitada e que a vida de todas as pessoas — desde a concepção até a morte natural — deve ser respeitada e protegida. Portanto, quando um regime, quando um país toma decisões que tiram injustamente a vida de outras pessoas, isso é evidentemente algo que deve ser condenado. Fonte: https://www.vaticannews.va
Papa minimiza desavença com Trump e nega que fala sobre tiranos mirou presidente dos EUA
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Pontífice criticou o que chamou de imprecisão de relatos sobre suas declarações
Leão 14 realiza visitas a países africanos em sua primeira viagem internacional de larga escala

O papa Leão 14 acena durante visita a Luanda, capital de Angola - Cesar Muginga - 18.abr.26/Reuters
Reuters
O papa Leão 14 tentou minimizar sua desavença com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, neste sábado (18), afirmando que os relatos sobre os comentários que ele fez sobre tiranos durante sua viagem à África "não foram precisos em todos os aspectos".
A declaração foi dada a jornalistas a bordo de seu voo para Angola, para a terceira etapa de sua ambiciosa viagem de dez dias pela África.
O primeiro papa dos EUA disse que os comentários feitos dois dias antes em Camarões, denunciando que o mundo estava sendo "devastado por um punhado de tiranos", não foram dirigidos a Trump.
Esse discurso, disse Leão, "foi preparado há duas semanas, muito antes de o presidente comentar sobre mim e sobre a mensagem de paz que estou promovendo".
Desde o fim de março, o papa Leão 14 vem fazendo críticas à guerra no Irã, o que tem gerado tensões na relação entre o Vaticano e Washington, com ataques diretos de Trump ao pontífice.
Durante a celebração do Domingo de Ramos, o papa Leão 14 declarou que "Deus rejeita as orações de líderes que fazem guerras", cujas mãos estão "cheias de sangue", um dia após o conflito no Irã completar um mês.
O sumo pontífice também lamentou que cristãos no Oriente Médio sofressem as consequências de um "conflito atroz" e que não possam celebrar a Páscoa. Em 12 de abril, o presidente americano fez sua primeira declaração atacando diretamente o papa pela forma como criticava a política externa de seu governo.
Em sua rede, a Truth Social, Trump disse que Leão 14 era "fraco com a criminalidade e terrível para a política externa", além de sugerir que o papa deveria "se concentrar em ser um grande papa, e não um político".
Um dia após a declaração, o pontífice respondeu que "não tem medo" do governo Trump. Durante sua viagem de dez dias pela África, Leão 14 também falou a jornalistas que "não é um político" e não queria debate com o presidente dos EUA.
Antes, o presidente americano havia se pronunciado em suas redes que Leão 14 somente foi escolhido para o cargo pois é americano. "Eles [a Igreja] acharam que seria o melhor modo de lidar com o presidente Donald J. Trump.", disse o republicano.
Mais tarde no mesmo dia, Donald Trump fez mais uma provocação ao pontífice, publicando em suas redes sociais uma imagem gerada por inteligência artificial, onde aparece vestido como Jesus Cristo, com a mão apoiada sobre a testa de um homem doente e com a bandeira dos EUA ao fundo.
Horas depois, a publicação foi apagada. Em entrevista a repórteres, Trump declarou que foi ele mesmo quem havia publicado a imagem. "Achei que fosse eu como médico e que tivesse a ver com a Cruz Vermelha, como um trabalhador da Cruz Vermelha, que nós apoiamos", disse o presidente, que culpou a imprensa pela comparação com Jesus.
Dois dias após a polêmica da imagem, Trump compartilhou mais uma imagem gerada por inteligência artificial, na qual aparece sendo abraçado por Jesus.
Na postagem feita na rede Truth Social, o presidente republicou o tuíte de um usuário do X que disse que Deus deveria estar jogando sua "carta Trump". Na legenda, Trump disse: "Os lunáticos da esquerda radical podem não gostar disso, mas eu acho bem legal!!!", em mais uma provocação à Igreja Católica. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br
Após período desaparecido, morre em Salvador o padre Elmo Andrade de Souza
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A Arquidiocese de São Salvador da Bahia comunicou o falecimento do padre Elmo Andrade de Souza, ocorrido na noite desta quarta-feira, 16 de abril. O sacerdote foi localizado no Hospital Teresa de Lisieux, em Salvador, após um período em que esteve desaparecido. O religioso havia sido visto pela última vez na região de São Cristóvão, na quinta-feira (15), por volta das 12h30.
Segundo informações médicas, a causa da morte foi uma infecção generalizada, decorrente de um quadro de erisipela bolhosa.
Por meio de nota, a Arquidiocese lamentou com profundo pesar a morte do religioso e agradeceu por sua vida, ministério e dedicação à Igreja. A instituição informou que os detalhes sobre a Celebração das Exéquias e o sepultamento serão divulgados em breve. Fonte: https://takta.com.br
Comunicado oficial sobre o desaparecimento do padre Elmo Andrade de Souza
A Arquidiocese de São Salvador da Bahia informa que tomou conhecimento, nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026, do registro de boletim de ocorrência noticiando o desaparecimento do Reverendíssimo Padre
A Arquidiocese de São Salvador da Bahia informa que tomou conhecimento, nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026, do registro de boletim de ocorrência noticiando o desaparecimento do Reverendíssimo Padre Elmo Andrade de Souza.
Segundo as informações comunicadas à autoridade policial, o sacerdote foi visto pela última vez no dia 15 de abril de 2026, por volta das 12h30, na região de São Cristóvão, em Salvador.
Neste momento, a Arquidiocese manifesta sua solidariedade aos familiares, amigos, irmãos no sacerdócio e fiéis que acompanham com preocupação a situação, ao tempo em que se mantém em oração pelo pronto e seguro retorno do padre Elmo.
A Arquidiocese solicita que qualquer informação idônea sobre seu paradeiro seja comunicada diretamente aos canais oficiais da Polícia Civil da Bahia, a fim de colaborar com o trabalho investigativo das autoridades competentes.
Por responsabilidade e respeito à dignidade da pessoa, pede-se que a comunidade e os veículos de comunicação evitem a divulgação de boatos, especulações ou informações não verificadas, de modo a não prejudicar as buscas nem expor indevidamente a imagem do sacerdote.
A Arquidiocese permanece à disposição para colaborar, no que lhe couber, com as autoridades e acompanhará o caso com a devida prudência institucional.
Salvador, 16 de abril de 2026.
Setor de Comunicação da Arquidiocese
de São Salvador da Bahia
Fonte: https://arquidiocesesalvador.org.br
Nota de falecimento – Padre Elmo Andrade de Souza
”Quem come minha carne e bebe meu sangue, possui a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 54). A Arquidiocese de São Salvador da Bahia comunica,
”Quem come minha carne e bebe meu sangue, possui a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 54).
A Arquidiocese de São Salvador da Bahia comunica, com profundo pesar, o falecimento do padre Elmo Andrade de Souza, ocorrido na noite de hoje, 16 de abril. O sacerdote foi recentemente localizado no Hospital Teresa de Lisieux, em Salvador, após período em que esteve desaparecido.
De acordo com informações médicas, a causa da morte foi uma infecção generalizada, decorrente de um quadro de erisipela bolhosa.
Neste momento de dor e esperança na Ressurreição, a Arquidiocese se une em oração, confiando a alma do padre Elmo à infinita misericórdia de Deus, agradecendo por sua vida, ministério e dedicação à Igreja.
Rogamos também a todos os fiéis que elevem preces por seus familiares, amigos e comunidades por onde exerceu seu sacerdócio, para que encontrem consolo e fortaleza neste tempo de luto. Que Cristo, Bom Pastor, o acolha em Seu Reino.
Em breve serão divulgadas informações sobre a Celebração das Exéquias e sepultamento.
Salvador, 16 de abril de 2026.
Arquidiocese de São Salvador da Bahia
Quinta-feira, 16 de abril-2026. 2ª SEMANA DA PÁSCOA. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.
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1) Oração
Concedei, ó Deus, que vejamos frutificar em toda a nossa vida as graças do mistério pascal, que instituístes na vossa misericórdia. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (João 3, 31-36)
Naquele tempo, João Batista disse aos seus discípulos: 31Aquele que vem do alto está acima de todos. Quem é da terra, pertence à terra e fala coisas da terra. Aquele que vem do céu está acima de todos. 32Ele dá testemunho do que viu e ouviu, mas ninguém aceita o seu testemunho. 33Quem aceita o seu testemunho atesta que Deus é verdadeiro. 34De fato, aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, pois ele dá o espírito sem medida. 35O Pai ama o Filho e entregou tudo em suas mãos. 36Aquele que crê no Filho tem a vida eterna. Aquele, porém, que se recusa a crer no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele.
3) Reflexão
No dia 12 de janeiro deste ano meditamos João 3,22-30, que traz o último testemunho de João Batista a respeito de Jesus. Era a resposta dada por ele aos seus discípulos, e na qual reafirmou que ele, João, não é o Messias mas apenas o precursor (Jo 3,28). Naquela ocasião, João disse aquela frase tão bonita que resume o seu testemunho: "É necessário que ele cresça e eu diminua!" Esta frase é o programa de todos e de todas que querem seguir Jesus.
Os versículos do evangelho de hoje são, novamente, um comentário do evangelista para ajudar as comunidades a entender melhor todo o alcance das coisas que Jesus fez e ensinou. Temos aqui uma outra amostra daqueles três fios de que falamos ontem.
João 3,31-33: Um refrão que sempre volta. Ao longo do evangelho de João, muitas vezes aparece o conflito entre Jesus e os judeus que contestam as palavras de Jesus. Jesus fala a partir do que ele ouve do Pai. Ele é total transparência. Os seus adversários, por não se abrirem para Deus e por se agarrarem nas suas próprias idéias aqui da terra, não são capazes de entender o significado profundo das coisas que Jesus vive, diz e faz. No fim, é este mal-entendido que vai levar os judeus a prender e condenar Jesus.
João 3,34: Jesus nos dá o Espírito sem medida. O evangelho de João usa muitas imagens e símbolos para significar a ação do Espírito. Como na criação (Gn 1,1), assim o Espírito desceu sobre Jesus "como uma pomba, vinda do céu" (Jo 1,32). É o começo da nova criação! Jesus fala as palavras de Deus e nos comunica o Espírito sem medida (Jo 3,34). Suas palavras são Espírito e vida (Jo 6,63). Quando Jesus se despediu, ele disse que ia enviar um outro consolador, um outro defensor, para ficar conosco. É o Espírito Santo (Jo 14,16-17). Através da sua paixão, morte e ressurreição, Jesus conquistou o dom do Espírito para nós. Através do batismo todos nós recebemos este mesmo Espírito de Jesus (Jo 1,33). Quando apareceu aos apóstolos, soprou sobre eles e disse: "Recebei o Espírito Santo!" (Jo 20,22). O Espírito é como água que jorra de dentro das pessoas que crêem em Jesus (Jo 7,37-39; 4,14). O primeiro efeito da ação do Espírito em nós é a reconciliação: "Aqueles a quem vocês perdoarem os pecados serão perdoados; aqueles aos quais retiverem, serão retidos" (Jo 20,23). O Espírito nos é dado para que possamos lembrar e entender o significado pleno das palavras de Jesus (Jo 14,26; 16,12-13). Animados pelo Espírito de Jesus podemos adorar a Deus em qualquer lugar (Jo 4,23-24). Aqui se realiza a liberdade do Espírito de que fala São Paulo: "Onde há o Espírito do Senhor, aí está a liberdade" (2Cor 3,17).
João 3,35-36: O Pai ama o filho. Reafirma a identidade entre o Pai e Jesus. O Pai ama o filho e entregou tudo em sua mão. São Paulo dirá que em Jesus habita a plenitude da divindade (Col 1,19; 2,9). Por isso, quem aceita Jesus e crê em Jesus ele já tem a vida eterna, pois Deus é vida. Quem recusa crer em Jesus se coloca a si mesmo do lado de fora.
4) Para um confronto pessoal
1) Jesus nos comunica o Espírito sem medida. Você teve ou tem alguma experiência desta ação do Espírito em sua vida?
2) Quem crê em Jesus tem a vida eterna. Como isto acontece hoje na vida das famílias e das comunidades?
5) Oração final
O SENHOR está perto de quem tem o coração ferido, salva os ânimos abatidos. Muitas são as desventuras do justo, mas de todas o SENHOR o livra. (Sl 33, 19-20)
Quarta-feira, 15 de abril-2026. 2ª SEMANA DA PÁSCOA. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.
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1) Oração
Imploramos, ó Deus, a vossa clemência, ao recordar cada ano o mistério pascal que renova a dignidade humana, e nos traz a esperança de ressurreição: concedei-nos acolher com amor o que celebramos com fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (João 3, 16-21)
Naquele tempo Jesus disse a Nicodemos: 16De fato, Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. 17Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. 18Quem crê nele não será condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho único de Deus. 19Ora, o julgamento consiste nisto: a luz veio ao mundo, mas as pessoas amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. 20Pois todo o que pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. 21Mas quem pratica a verdade se aproxima da luz, para que suas ações sejam manifestadas, já que são praticadas em Deus.
3) Reflexão
O evangelho de João é como um tecido, feito com três fios diferentes mas parecidos. Os três combinam tão bem entre si que, às vezes, não dá para perceber quando se passa de um fio para outro. 1. O primeiro fio são os fatos e as palavras de Jesus dos anos trinta, conservados pelas testemunhas oculares que guardaram as coisas que Jesus fez e ensinou. 2. O segundo fio são os fatos da vida das comunidades. A partir da sua fé em Jesus e convencidas da presença dele em seu meio, as comunidades iluminavam a sua caminhada com as palavras e os gestos de Jesus. Isto influenciou a descrição dos fatos. Por exemplo, o conflito das comunidades com os fariseus do fim do primeiro século marcou a maneira de descrever os conflitos de Jesus com os fariseus. 3. O terceiro fio são comentários feitos pelo evangelista. Em certas passagens, é difícil perceber quando Jesus deixa de falar e o próprio evangelista começa a tecer seus comentários. O texto do evangelho de hoje, por exemplo, é uma reflexão bonita e profunda do próprio evangelista a respeito da ação de Jesus. A gente quase nem percebe a diferença entre a fala de Jesus e a fala do evangelista. De qualquer maneira, tanto uma como outra, ambas são palavra de Deus.
João 3,16:: Deus amou o mundo. A palavra mundo é uma das palavras mais freqüentes no evangelho de João: 78 vezes! Ela tem vários significados. Em primeiro lugar mundo pode significar a terra, o espaço habitado pelos seres humanos (Jo 11,9; 21,25) ou mesmo o universo criado (Jo 17,5.24). Mundo também pode significar as pessoas que habitam esta terra, a humanidade toda (Jo 1,9; 3,16; 4,42; 6,14; 8,12). Pode significar ainda um grande grupo, um grupo numeroso de pessoas, no sentido quando falamos “todo mundo” (Jo 12,19; 14,27). Aqui no nosso texto a palavra mundo tem o sentido de humanidade, todo ser humano. Deus ama a humanidade de tal modo que chegou a entregar seu filho único. Quem aceita que Deus chega até nós em Jesus, este já passou pela morte e já tem a vida eterna.
João 3,17-19: O verdadeiro sentido do julgamento. A imagem de Deus que transparece nestes três versículos é de um pai cheio de ternura e não de um juiz severo. Deus mandou seu filho não para julgar e condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem crê em Jesus e o aceita como revelação de Deus não é julgado, pois já é aceito por Deus. E quem não crê em Jesus já está julgado. Ele se excluiu a si mesmo. E o evangelista repete o que já disse no prólogo: muitas pessoas não querem aceitar Jesus, porque a sua luz revela a maldade que nelas existe (cf. Jo 1,5.10-11).
João 3,20-21: Praticar a verdade. Existe em todo ser humano uma semente divina, um traço do Criador. Jesus, como revelação do Pai, é uma resposta a este desejo mais profundo do ser humano. Quem quer ser fiel ao mais profundo de si mesmo, aceitará Jesus. Difícil você encontrar uma visão ecumênica mais ampla do que o evangelho de João expressa nestes versículos.
Completando o significado da palavra mundo no Quarto Evangelho. Outras vezes, a palavra mundo significa aquela parte da humanidade que se opõe a Jesus e à sua mensagem. Aí a palavra mundo toma o sentido de “adversários” ou “opositores” (Jo 7,4.7; 8,23.26; 9,39; 12,25). Este mundo contrário à prática libertadora de Jesus é chefiado pelo Adversário ou Satã, também chamado de “príncipe deste mundo” (Jo 14,30; 16,11). Ele representa o império romano e, ao mesmo tempo, os líderes dos judeus que estão expulsando os seguidores e as seguidoras de Jesus das sinagogas. Este mundo persegue e mata as comunidades, trazendo tribulações aos fiéis (Jo 16,33). Jesus as libertará, vencendo o príncipe deste mundo (Jo 12,31). Assim, mundo significa uma situação de injustiça, de opressão, gerando ódio e perseguição contra as comunidades do Discípulo Amado. Os perseguidores são aquelas pessoas que estão no poder, os dirigentes, tanto do império quanto da sinagoga. Enfim, todos aqueles que praticam a injustiça usando para isto o nome do próprio Deus (Jo 16,2). A esperança que o evangelho dá para as comunidades perseguidas é que Jesus é mais forte que o mundo. Por isso ele diz: “No mundo tereis tribulações. Mas tende coragem: eu venci o mundo!” (Jo 16,33).
4) Para um confronto pessoal
1) Deus amou o mundo de tal modo que chegou a entregar seu próprio filho. Será que esta verdade já chegou a penetrar no mais profundo do meu eu, da minha consciência?
2) A realidade mais ecumênica que existe é a vida que Deus nos deu e pela qual Ele entregou seu próprio filho. Como vivo o ecumenismo no dia a dia da minha vida?
5) Oração final
Bendirei o SENHOR em todo tempo, seu louvor estará sempre na minha boca. Eu me glorio no SENHOR, ouçam os humildes e se alegrem. (Sl 33, 2-3)
Papa deixa a Argélia para seguir a Camarões, segunda etapa da viagem à África
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O avião com o Pontífice a bordo partiu do aeroporto de Argel às 10h16 (hora local). Um voo de cerca de 5 horas o levará a Yaoundé, capital de Camarões, onde será recebido com uma cerimônia de boas-vindas. Além dos encontros institucionais com o presidente da República e as autoridades, está prevista uma visita ao orfanato Ngul Zamba.

Vatican News
O avião da ITA Airways, com o Papa Leão XIV a bordo, decolou do Aeroporto Internacional Houari Boumédiène, em Argel, às 10h16 (hora local). O voo desta quarta-feira, 15 de abril, com destino a Camarões — segunda etapa das quatro nações visitadas pelo Pontífice na sua viagem apostólica à África —, terá duração de cerca de 5 horas.
A visita à creche Notre Dame d’Afrique
Antes da partida e após a despedida da Nunciatura Apostólica, o Pontífice visitou brevemente a creche Notre Dame d’Afrique, administrada pelas Irmãs Missionárias da Caridade. A Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou a notícia em seu canal do Telegram, especificando que “as crianças apresentaram um breve espetáculo para o Papa, que depois se despediu delas e das irmãs antes de seguir para o aeroporto”.
Forte apelo à unidade
“Que tous soient un”, “May they all be one”, “In Illo uno unum”. Três idiomas, três apelos à unidade: nos dois primeiros casos, trata-se de uma passagem do Evangelho de João; no último, porém, do lema de Leão XIV, extraído de um sermão de Santo Agostinho, que expressa a ideia de que “embora nós, cristãos, sejamos muitos, no único Cristo somos um”. É esse o eixo temático em que se insere a presença do Pontífice no país, que se estende quase até o Equador. Ele ficará em Yaoundé, a capital, mas também visitará Douala, centro econômico de Camarões, e Bamenda, no noroeste: uma região assolada, desde 2013, por um conflito sangrento e quase esquecido, que causou milhares de mortos e quase 500 mil deslocados internos.
A programação do dia
Na chegada ao Aeroporto Internacional de Yaoundé-Nsimalen, o Papa será recebido pelo primeiro-ministro Joseph Dion Ngute e pelo núncio apostólico José Avelino Bettencourt. Após a execução dos hinos nacionais e a apresentação das delegações, o Pontífice seguirá para o Palácio da Unidade, residência oficial do presidente Paul Biya, que o receberá juntamente com a esposa Chantal. Após a visita de cortesia, com um encontro privado e a troca de presentes, Leão XIV se reunirá com representantes das autoridades, da sociedade civil e do corpo diplomático, sempre no Palácio Presidencial. Lá, ele irá proferir um discurso, precedido por uma intervenção do presidente Biya.
A próxima etapa deste terceiro dia da viagem apostólica será a visita ao Orfanato Ngul Zamba, instituição mantida exclusivamente por doações, que acolhe jovens de 18 meses a 20 anos. Lá, cantos e testemunhos darão as boas-vindas ao Pontífice, que, após saudar a comunidade, seguirá para a sede da Conferência Episcopal do Camarões para um encontro privado com os bispos locais. O dia será encerrado na Nunciatura Apostólica no Camarões, onde o Papa jantará em ambiente privado. Fonte: https://www.vaticannews.va
Terça-feira, 14 de abril-2026. 2ª SEMANA DA PÁSCOA. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.
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1) Oração
Fazei-nos, ó Deus todo-poderoso, proclamar o poder do Cristo ressuscitado, e, tendo recebido as primícias dos seus dons, consigamos possuí-los em plenitude. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (João 3, 7b-15)
Naquele tempo Jesus disse a Nicodemos: 7bÉ necessário para vós nascer do alto. 8O vento sopra onde quer e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim é também todo aquele que nasceu do Espírito”. 9Nicodemos, então, perguntou: “Como pode isso acontecer?” 10Jesus respondeu: “Tu és o mestre de Israel e não conheces estas coisas? 11Em verdade, em verdade, te digo: nós falamos do que conhecemos e damos testemunho do que vimos, mas vós não aceitais o nosso testemunho. 12Se não acreditais quando vos falo das coisas da terra, como ireis crer quando eu vos falar das coisas do céu? 13Ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do céu: o Filho do Homem. 14Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também será levantado o Filho do Homem, 15a fim de que todo o que nele crer tenha vida eterna”.
3) Reflexão
O evangelho de hoje traz uma parte da conversa de Jesus com Nicodemos. Nicodemos tinha ouvido falar das coisas que Jesus realizava, ficou impressionado e queria conversar com Jesus para poder entender melhor. Ele pensava conhecer as coisas de Deus. Vivia com o livrinho do passado na mão para ver se o novo que Jesus anunciava estava de acordo. Na conversa, Jesus disse que a única maneira para ele, Nicodemos, poder entender as coisas de Deus era nascer de novo! Às vezes, nós somos como Nicodemos: só aceitamos como novo aquilo que está de acordo com as nossas antigas idéias. Outras vezes, deixamos nos surpreender pelos fatos e não temos medo de dizer: "Nasci de novo!"
Quando os evangelistas recolhem as palavras de Jesus, eles têm presente os problemas das comunidades para as quais escrevem. As perguntas de Nicodemos a Jesus eram um espelho das perguntas das comunidades da Ásia Menor do fim do primeiro século. Por isso, as respostas de Jesus a Nicodemos eram, ao mesmo tempo, uma resposta para os problemas daquelas comunidades. Era assim que os cristãos faziam a catequese naquele tempo. Muito provavelmente, o relato da conversa entre Jesus e Nicodemos fazia parte da catequese batismal, pois diz que as pessoas devem renascer da água e do espírito (Jo 3,6).
João 3,7b-8: Nascer do alto, nascer de novo, nascer do Espírito. Em grego, a mesma palavra significa de novo e do alto. Jesus tinha dito “Quem não nasce da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus” (Jo 3,5). E acrescentou: "O que nasceu da carne é carne. O que nasceu do Espírito é Espírito" (Jo 3,6). Aqui, carne significa aquilo que nasce só das nossas idéias. O que nasce de nós tem o nosso tamanho. Nascer do Espírito é outra coisa! E Jesus reafirmou novamente o que tinha dito antes: “Vocês devem nascer do alto (de novo)”. Ou seja, devem renascer do Espírito que vem do alto. E ele explica que o Espírito é como o vento. Tanto no hebraico como no grego, usa-se a mesma palavra para dizer espírito e vento. Jesus diz: "O vento sopra onde quer e você ouve o seu ruído, mas você não sabe de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do espírito". O vento tem, dentro de si, um rumo, uma direção. Nós percebemos a direção do vento, por exemplo, o vento Norte ou o vento Sul, mas não conhecemos nem controlamos a causa a partir da qual o vento se movimenta nesta ou naquela direção. Assim é o Espírito. "Ninguém é senhor do Espírito" (Ecl 8,8). O que mais caracteriza o vento, o Espírito, é a liberdade. O vento, o Espírito, é livre, não pode ser controlado. Ele age sobre os outros e ninguém consegue agir sobre ele. Sua origem é mistério, seu destino é mistério. O barqueiro deve, primeiro, descobrir o rumo do vento. Depois, deve colocar as velas de acordo com este rumo. É o que Nicodemos e todos nós temos de fazer.
João 3,9: Pergunta de Nicodemos: Como é que isto pode acontecer? Jesus não disse nada mais do que resumir o que o Antigo Testamento já ensinava sobre a ação do Espírito, do vento santo, na vida do povo de Deus e que Nicodemos, como mestre e doutor, devia saber. Mesmo assim, Nicodemos se espantou com a resposta de Jesus e se faz de ignorante: "Como é que isto pode acontecer?".
João 3,10-15: Resposta de Jesus: a fé nasce do testemunho e não do milagre. Jesus dá o troco: "Você é mestre em Israel e não sabe disso?" Pois para Jesus, se uma pessoa crê só quando as coisas estão de acordo com os seus próprios argumentos e idéias, ainda não é perfeita a sua fé. Perfeita, sim, é a fé da pessoa que acredita por causa do testemunho. Ela deixa de lado seus próprios argumentos e se entrega, porque crê naquele que testemunhou.
4) Para um confronto pessoal
1- Você já passou por alguma experiência que lhe deu a sensação de nascer de novo? Como foi?
2- Jesus compara a ação do Espírito Santo com o vento. O que esta comparação nos revela sobre a ação do Espírito de Deus em nossa vida? Você já colocou as velas do barco da sua vida de acordo com o rumo do vento, do Espírito?
5) Oração final
O SENHOR reina, de esplendor se veste, o SENHOR se reveste e se cinge de poder; está firme o mundo, jamais será abalado. Dignos de fé são teus testemunhos; a santidade convém à tua casa por dias sem fim, ó SENHOR! (Sl 92, 1.5)
Padre de Divinópolis denuncia possíveis irregularidades e caso gera tensão entre fiéis.
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A saída do padre Ulysses da Paróquia Sagrada Família, anunciada neste domingo de Páscoa, foi marcada por clima de surpresa e apreensão entre os fiéis. O sacerdote, que agora seguirá para o Mosteiro de São Bento, teria feito declarações contundentes ao final de sua última missa, neste domingo de Páscoa, na celebração das 19h30min, levantando suspeitas sobre possíveis irregularidades dentro da própria igreja.
De acordo com relatos de paroquianos presentes na celebração, o padre mencionou indícios de atos de corrupção envolvendo membros ligados à administração da paróquia. As falas, consideradas graves, teriam causado comoção e dividido opiniões entre os fiéis, muitos dos quais afirmam não esperar que a despedida ocorresse em meio a denúncias.
Ainda segundo frequentadores da comunidade, há comentários sobre possíveis desvios de conduta administrativa e até de recursos financeiros, que estariam entre as irregularidades citadas. No entanto, até o momento, não há confirmação oficial nem detalhamento das acusações.
A reportagem tentou contato com o padre Ulysses, mas não obteve retorno até o fechamento deste texto. A diocese responsável também foi procurada e deve se manifestar para esclarecer os fatos e responder às inquietações da comunidade católica.
Diante da repercussão, fiéis aguardam posicionamentos oficiais que possam confirmar ou descartar as denúncias, além de possíveis medidas a serem adotadas. O caso levanta questionamentos sobre transparência na gestão paroquial e reforça a necessidade de apuração rigorosa.
Apesar da repercussão, até o momento não foi possível obter um posicionamento oficial do padre Ulysses. Nossa reportagem tentou contato com o sacerdote, mas não obteve sucesso. A assessoria da Diocese também foi procurada e informou que deverá se manifestar por meio de nota oficial assim que tiver acesso ao vídeo com a fala do padre. Fonte: https://www.sistemampa.com.br
Papa: “não sou político, falo de Evangelho. Aos líderes mundiais: basta de guerras”
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Durante o voo de ida para Argel, primeira etapa da viagem apostólica à África, Leão XIV cumprimenta os cerca de 70 jornalistas que o acompanham: “é uma viagem especial, a primeira que eu queria fazer. Uma oportunidade muito importante para promover a reconciliação e o respeito pelos povos”. Ao Pontífice, uma pergunta sobre as críticas dirigidas a ele por Trump: “não quero entrar em um debate. A minha mensagem é o Evangelho e continuo a falar com força contra a guerra”
Salvatore Cernuzio – no voo Roma/Argel
“Bom dia a todos, welcome aboard!”. Leão XIV mostra-se sereno e claramente entusiasmado com esta terceira viagem apostólica internacional com destino à África, que tem início nesta segunda-feira, 13 de abril. Uma longa viagem que levará o Papa em peregrinação até a próxima quinta-feira, dia 23, pela Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial. Lugares onde, como ele diz, levará “a mensagem da Igreja, a mensagem do Evangelho: bem-aventurados os construtores de paz”. Pois esse é o papel do Papa: não o de “um político”, afirma Leão aos cerca de 70 jornalistas que o acompanham na viagem e que, uma hora após a decolagem, cumprimenta um a um durante o voo para Argel. Um costume em todas as viagens apostólicas, ocasião para a troca de presentes e, desta vez, também para comentar – a pedido dos próprios jornalistas – as duras declarações contra ele feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na rede social Truth.
Falar com força contra a guerra
“Eu não vejo o meu papel como o de um político; não sou um político, eu não quero entrar em um debate com ele”, observou o Pontífice, referindo-se ao presidente. “Não penso que a mensagem do Evangelho deva ser deturpada como alguns estão fazendo. Eu continuo a falar com força contra a guerra, buscando promover a paz, promovendo o diálogo e o multilateralismo com os Estados para encontrar soluções aos problemas. Muitas pessoas estão sofrendo hoje, muitos inocentes foram mortos e acredito que alguém deve se levantar e dizer que há um caminho melhor”.
A mensagem que o Bispo de Roma faz questão de reiterar é, portanto, “sempre a mesma: a paz. Digo isso para todos os líderes do mundo, não apenas para ele: tentemos acabar com as guerras e promover a paz e a reconciliação”.
Construtores de paz
A uma jornalista dos Estados Unidos, que fazia a mesma pergunta, o Papa reitera: “eu não tenho medo do governo de Trump. Continuarei falando com voz forte sobre a mensagem do Evangelho, aquela pela qual a Igreja trabalha”. “Nós não somos políticos – repete Leão – não olhamos para a política externa com a mesma perspectiva. Mas acreditamos na mensagem do Evangelho como construtores de paz”.
Viagem especial
E é justamente a construção da paz o objetivo fundamental da viagem à África. Viagem que, como explica o próprio Leão XIV ao microfone, “deveria ter sido a primeira viagem do pontificado”. “Já no ano passado, no mês de maio, eu havia dito 'gostaria de fazer minha primeira viagem na África'. Outros sugeriram imediatamente a Argélia por causa de Santo Agostinho”, acrescenta, dizendo-se “muito feliz por visitar novamente a terra de Santo Agostinho, que oferece uma ponte muito importante para o diálogo inter-religioso”.
A oportunidade de visitar os locais da vida do bispo de Hipona, hoje Annaba, é, portanto, segundo o Papa Leão, “uma bênção também para mim pessoalmente, para a Igreja e para o mundo. Pois devemos sempre buscar pontes para construir a paz e a reconciliação”. Nessa perspectiva, a viagem apostólica “representa realmente uma oportunidade importantíssima para continuar com a mesma voz, com a mesma mensagem, de que queremos promover a paz e a reconciliação, bem como o respeito e a consideração por todos os povos”.
Um presente das Canárias
Foram muitos os presentes entregues ao Papa durante o encontro com os jornalistas, cinegrafistas e repórteres: livros, desenhos, cartas, uma pequena ícone de Nossa Senhora do Bom Conselho, venerada por toda a Ordem de Santo Agostinho, da qual provém. Entre os presentes mais simbólicos, certamente se destaca o da jornalista da emissora espanhola Radio Cope, Eva Fernández: simbólico porque une a viagem à África com a que ocorrerá em junho à Espanha. Trata-se de um fragmento de um dos inúmeros “cayucos”, nome dado às embarcações rudimentares com as quais os migrantes africanos deixam o seu país para desembarcar perto de La Restinga, na ilha de El Hierro. Neste que é o ponto mais ao sul da Espanha, somente em 2025 chegaram mais de 10 mil pessoas, quase tantas quanto os habitantes da ilha, que são pouco menos de 12 mil. A rota das Canárias é considerada uma das mais perigosas do mundo, com pessoas no mar por pelo menos uma semana.
Leão XIV visitará, como se sabe, as Canárias, ao final da sua viagem à Espanha de 6 a 12 de junho. Nesta segunda-feira (13/04), ele recebeu com gratidão, repetindo várias vezes “gracias” em espanhol, este presente abençoado pelo bispo de Tenerife e proveniente do Senegal e da Gâmbia. Ainda a respeito da Espanha, outro presente para Leão: uma reprodução do pináculo da torre de São Bernabé da Sagrada Família, a única construída em vida por Gaudí, que queria garantir que fosse concluída antes da sua morte para servir de modelo para as outras torres. Fonte: https://www.vatican
Vigília de oração pela paz presidida pelo Papa, em 11 de abril, às 18h locais
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O comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé especifica que a oração será realizada na Basílica de São Pedro e estará aberta a todos os fiéis.
Vatican News
"Durante a Audiência Geral desta manhã", em 8 de abril, o Papa Leão XIV "renovou o seu convite a todos os fiéis para se unirem a ele num momento de oração pela paz, que se realizará na Basílica de São Pedro no sábado, 11 de abril de 2026, às 18h locais (13h de Brasília)". Esta informação foi divulgada num comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, na sequência do anúncio feito pelo Pontífice na manhã de Páscoa, durante a sua tradicional mensagem Urbi et Orbi.
Um momento aberto a todos os fiéis
O momento de oração, continua o texto, será presidido pelo Papa e estará aberto à "participação de todos os fiéis". O apelo renovado da manhã desta quarta-feira para participar da vigília de oração seguiu-se à "satisfação" e à "viva esperança" do Pontífice com o anúncio da trégua de duas semanas no Oriente Médio. Fonte: https://www.vaticannews.va
A justiça de Pilatos
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A celebração da Paixão de Cristo recorda à humanidade inteira a dignidade inalienável e os direitos fundamentais de toda pessoa
A Páscoa cristã e também a Páscoa judaica deste ano transcorreram entre rumores de guerra noticiados em todo o mundo, mas sentidos, sobretudo, por cristãos e judeus em Jerusalém, coração do memorial da Páscoa judaica e cenário da Paixão de Jesus Cristo, ocorrida há cerca de 2 mil anos. Os ritos sagrados foram celebrados lá de forma contida, na insegurança, sob a ameaça de bombas. Nesse contexto, alguns momentos e palavras do drama da Paixão de Jesus Cristo soaram de maneira nova e forte, mostrando seu significado perene.
Pôncio Pilatos era governador romano da província da Judeia, quando Jesus foi crucificado. Foi a ele que os acusadores levaram o Nazareno, pleiteando aos gritos a sua condenação à morte de cruz (ver João, 19, 1-16). Pilatos interrogou Jesus, que se manteve em silêncio na maior parte do tempo. O governador não encontrou nele crime algum que justificasse a condenação à morte. Mas a turba, incitada a pedir sua condenação, pressionava Pilatos, ameaçando denunciá-lo diante do imperador Tibério Júlio César Augusto por leniência e por não castigar um prisioneiro supostamente incômodo e perigoso para os interesses do império. Pilatos ficou temeroso pela própria posição e passou a administrar o caso politicamente, cuidando de ficar bem com César e com o povo que o desafiava. Administrar a justiça de modo político pode ser bem complicado!
Cheio de medo, Pilatos voltou a interrogar Jesus, que não lhe respondeu. Adianta responder, fazer audiências e arrolar testemunhas para quem a verdade não interessa e já tem sua decisão tomada? O governador, então, usou do poder para se impor e ameaçar: “Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar?” Pilatos tinha esse poder, mas para governar conforme o Direito, a justiça e a verdade. Não para condenar inocentes. Sobre a verdade, ele tinha suas dúvidas e já havia perguntado antes a Jesus em tom cínico: “O que é a verdade?” Haveria uma verdade diversa da dos poderosos? Para um prisioneiro bem amarrado, à sua frente, não podia haver uma verdade que não fosse interessante para Pilatos, o poderoso julgador. Difícil conciliação essa, da justiça com a verdade! No entanto, se a justiça não corresponder à verdade, ela nunca será verdadeira, podendo tornar-se instrumento de opressão nas mãos de quem tem o poder.
Pilatos administrou a justiça em função de seus próprios interesses diante do imperador romano e diante do povo que governava. Mesmo reconhecendo a inocência de Jesus, entregou-o para ser crucificado. Foi pragmático e se livrou do problema, sem se comprometer, lavando as mãos diante do povo, como a dizer: “A responsabilidade não é minha. Nada tenho a ver com o que vocês fizerem com Jesus”. No entanto, seu gesto teatral não anulou nem diminuiu sua responsabilidade pela condenação de Jesus. As decisões da Justiça tomadas sob pressão e no cálculo de interesses, que não sejam a verdade do caso em julgamento, podem ser muito injustas.
Impressionam também as cenas de desprezo e humilhação infligidas a Jesus pelos guardas e os soldados do governador. Mesmo sem estar condenado ainda, Jesus foi duramente flagelado e coroado de espinhos; todo ensanguentado, foi revestido de um manto vermelho, zombado e humilhado. Antes da crucificação, despiram-no de suas vestes, como se fazia com os condenados à morte de cruz. Esse ato significava um vilipêndio extremo, despojando completamente o condenado de sua dignidade. Ele já não era mais ninguém, senão apenas um objeto de derrisão, chacota e insultos. Na expressão do Salmo, Jesus foi reduzido a “um verme e não um homem, objeto de zombaria e desprezo” (ver Salmo 22,7-9).
A presunção de inocência, a dignidade e os direitos da pessoa humana ainda não haviam sido proclamados pela Organização das Nações Unidas (ONU). Esse marco civilizatório da humanidade precisou esperar mais 20 séculos para ser anunciado; mesmo assim, ainda hoje, não tem o reconhecimento universal e segue sendo ignorado amplamente. Entre os direitos humanos mais desrespeitados está o da liberdade religiosa, uma privação mais ou menos grave para dois terços da humanidade. Outro problema, bem atual, são os direitos da população civil nas situações de guerra; seus sofrimentos acabam sendo considerados apenas um efeito colateral negligenciável na lógica da guerra.
A celebração da Paixão de Cristo, sempre e de novo, recorda à humanidade inteira a dignidade inalienável e os direitos fundamentais de toda pessoa. Vêm à mente as palavras de uma autoridade do Tribunal de Justiça de São Paulo, em resposta a um movimento que demandava a retirada do crucifixo da sala magna do Tribunal, sob a alegação de que não cabem símbolos religiosos em espaços representativos do Estado laico. A resposta foi que o crucifixo não é apenas um símbolo religioso, mas também a lembrança histórica de uma grave injustiça contra uma pessoa e uma herança cultural, um sinal para todos os servidores da Justiça: que não se devem condenar inocentes, nem absolver culpados. Fonte: https://www.estadao.com.br
Sexta-feira, 10 de abril-2026. Oitava da Páscoa. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.
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1) Oração
Deus eterno e todo-poderoso, que no Sacramento pascal restaurastes vossa aliança, reconciliando convosco a humanidade, concedei-nos realizar em nossa vida o mistério que celebramos na fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (João 21, 1-14)
Naquele tempo, 1Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades. A aparição foi assim: 2Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Gêmeo, Natanael, de Caná da Galiléia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos dele. 3Simão Pedro disse a eles: “Eu vou pescar”. Eles disseram: “Nós vamos contigo”. Saíram, entraram no barco, mas não pescaram nada naquela noite. 4Já de manhã, Jesus estava aí na praia, mas os discípulos não sabiam que era Jesus. 5Ele perguntou: “Filhinhos, tendes alguma coisa para comer?” Responderam: “Não”. 6Ele lhes disse: “Lançai a rede à direita do barco e achareis”. Eles lançaram a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes. 7Então, o discípulo que Jesus mais amava disse a Pedro: “É o Senhor!” Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu e arregaçou a túnica (pois estava nu) e lançou-se ao mar. 8Os outros discípulos vieram com o barco, arrastando as redes com os peixes. Na realidade, não estavam longe da terra, mas somente uns cem metros. 9Quando chegaram à terra, viram umas brasas preparadas, com peixe em cima e pão. 10Jesus disse-lhes: “Trazei alguns dos peixes que apanhastes”. 11Então, Simão Pedro subiu e arrastou a rede para terra. Estava cheia de cento e cinqüenta e três grandes peixes; e apesar de tantos peixes, a rede não se rasgou. 12Jesus disse-lhes: “Vinde comer”. Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. 13Jesus aproximou-se, tomou o pão e deu a eles. E fez a mesma coisa com o peixe. 14Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos.
3) Reflexão
O Capítulo 21 do evangelho de São João parece um apêndice que foi acrescentado mais tarde depois que o evangelho já estava terminado. A conclusão do capítulo anterior (Jo 20,30-31) ainda deixa perceber que se trata de um acréscimo. De qualquer maneira, acréscimo ou não, é Palavra de Deus que traz uma bonita mensagem de ressurreição para esta sexta-feira da semana de Páscoa.
João 21,1-3: O pescador de homens volta a ser pescador de peixes. Jesus morreu e ressuscitou. No fim daqueles três anos de convivência com Jesus, os discípulos voltaram para a Galiléia. Um grupo deles está de novo diante do lago. Pedro retoma o passado e diz: “Eu vou pescar!” Os outros disseram: “Nós vamos com você!” Assim, Tomé, Natanael, João e Tiago junto com Pedro saíram de barco e foram pescar. Retomaram a vida do passado como se nada tivesse acontecido. Mas algo aconteceu. Algo estava acontecendo! O passado não voltou! “Não pagaram nada!” Voltaram à praia cansados. Foi uma noite frustrante.
João 21,4-5: O contexto da nova aparição de Jesus. Jesus estava na praia, mas eles não o reconheceram. Jesus pergunta: “Moços, por acaso vocês alguma coisa para comer?” Responderam: “Não!” Na resposta negativa reconheceram que a noite tinha sido frustrante e que não pescaram nada. Eles tinham sido chamados para serem pescadores de homens (Mc 1,17; Lc 5,10), e voltaram a ser pescadores de peixes. Mas algo mudou em suas vidas! A experiência de três anos com Jesus provocou neles uma mudança irreversível. Já não era possível voltar para atrás como se nada tivesse acontecido, como se nada tivesse mudado.
João 21,6-8: Lancem a rede do lado direito do barco e vocês vão encontrar. Eles fizeram algo que, provavelmente, nunca tinham feito na vida. Cinco pescadores experimentados obedecem a um estranho que mandou fazer algo que contrastava com a experiência deles. Jesus, aquela pessoa desconhecida que estava na praia, mandou que jogassem a rede do lado direito do barco. Eles obedeceram, jogaram a rede, e foi um resultado inesperado. A rede ficou cheia de peixes! Como era possível! Como explicar esta surpresa fora de qualquer previsão? O amor faz descobrir. O discípulo amado diz: “É o Senhor!” Esta intuição clareou tudo. Pedro se jogou na água para chegar mais depressa perto de Jesus. Os outros discípulos vieram mais devagar com o barco arrastando a rede cheia de peixes.
João 21,9-14: A delicadeza de Jesus. Chegando em terra, viram que Jesus tinha aceso umas brasas e que estava assando peixe e pão. Ele pediu que trouxessem mais uns peixes. Imediatamente, Pedro subiu no barco, arrastou a rede com cento e cinquenta e três peixes. Muito peixe, e a rede não se rompeu. Jesus chamou a turma: “Venham comer!” Ele teve a delicadeza de preparar algo para comer depois de uma noite frustrada sem pescar nada. Gesto bem simples que revela algo do amor com que o Pai nos ama. “Quem vê a mim vê o Pai” (Jo 14,9). Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. E evocando a eucaristia, o evangelista João completou: “Jesus se aproximou, tomou o pão e distribuiu para eles”. Sugere assim que a eucaristia é o lugar privilegiado para o encontro com Jesus ressuscitado.
4) Para um confronto pessoal
1) Já aconteceu com você ter que te pediram jogar a rede do lado direito do barco da sua vida, contrariando toda a sua experiência? Você obedeceu? Jogou a rede?
2) A delicadeza de Jesus. Como é a sua delicadeza nas coisas pequenas da vida?
5) Oração final
Celebrai o SENHOR, porque ele é bom; pois eterno é seu amor. Que Israel diga: eterno é seu amor. Que a casa de Aarão diga: eterno é seu amor. Digam os que temem o SENHOR: eterno é seu amor. (Sl 117, 1-4)
Arquidioceses denunciam onda de golpes usando nome de arcebispos
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Criminosos utilizam perfis falsos no WhatsApp e pedidos de Pix para custear 'aluguel de ônibus' para enganar fiéis em Pernambuco, Ceará e Alagoas; tática repete fraudes registradas contra lideranças religiosas desde 2020.
Pe. Rodrigo Rios - Vatican News
Uma série de tentativas de fraude tem colocado a comunidade católica e as autoridades em alerta máximo nesta semana. Criminosos estão utilizando perfis falsos em aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, para se passar por arcebispos do Brasil e extorquir fiéis. Entre as vítimas recentes da apropriação indevida de imagem estão dom Paulo Jackson (Olinda e Recife), dom Gregório Paixão (Fortaleza) e dom Carlos Alberto Breis (Maceió).
O mesmo modus operandi
Embora ocorram em estados diferentes, as abordagens seguem um padrão idêntico: os criminosos utilizam fotos dos bispos e entram em contato com amigos, fiéis e colaboradores. O pretexto utilizado é quase sempre o mesmo: a necessidade urgente de recursos financeiros para custear o aluguel ou frete de ônibus para eventos pastorais ou transporte de voluntários.
Em Maceió, a arquidiocese identificou o número (82) 98833-5975 como um dos canais utilizados para a fraude. Já no Recife, o golpe parte do número (81) 98873-1398. Em Fortaleza, com o número (85) 98441-4801, os relatos indicam que os golpistas também mencionam outras "necessidades ligadas a atividades pastorais" para convencer as vítimas a realizarem transferências imediatas.
As três instituições emitiram notas oficiais esclarecendo que:
- Os bispos não realizam pedidos de dinheiro ou doações via PIX por mensagens.
- Toda arrecadação institucional é feita exclusivamente por canais oficiais e documentos devidamente identificados.
- As autoridades policiais já foram informadas para que as medidas legais sejam tomadas.
Evidências do crime: capturas de tela mostram os perfis falsos e as mensagens utilizadas por golpistas no WhatsApp para extorquir fiéis em nome de dom Gregório Paixão e dom Beto Breis
Histórico: um crime que se repete
O uso da fé para aplicar golpes não é uma prática nova. As investigações mostram que este tipo de crime cíclico já afetou diversas outras lideranças nos últimos anos:
- 2025: O arcebispo de Montes Claros, dom José Carlos Souza Campos, teve o nome e a foto usados ilegalmente para o envio de boletos falsos a fiéis. No mesmo ano, dom Luiz Fernando Lisboa também foi alvo de tentativas semelhantes.
- 2020: Na Paraíba, o arcebispo dom Manoel Delson foi usado por falsários que solicitavam auxílio financeiro sob a falsa promessa de ajudar jovens a entrar no Seminário.
A orientação para a população é clara: ao receber qualquer pedido de dinheiro via redes sociais, mesmo que a conta utilize a foto de uma autoridade religiosa, o usuário deve bloquear o número, denunciar o perfil na plataforma e buscar confirmação diretamente nos telefones institucionais da Cúria Metropolitana. Fonte: https://www.vaticannews.va
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