Papa na Missa do Galo: não há espaço para Deus se não houver espaço para o homem
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Ao celebrar a Santa Missa na Noite Santa do Natal, o Papa recordou que Deus não se revela na grandeza dos céus, mas na humildade de um Menino colocado na manjedoura.

"Para encontrar o Salvador, não é preciso olhar para cima, mas contemplar o que está embaixo, a luz divina que irradia deste Menino ajuda-nos a ver o homem em cada vida nascente", afirmou.
Thulio Fonseca - Vatican News
O Papa Leão XIV presidiu a sua primeira Missa do Galo como Sucessor de Pedro, na Basílica de São Pedro, nesta quarta-feira, 24 de dezembro. “Queremos celebrar juntos a festa do Natal. Jesus Cristo, que nasceu por nós, nos traz a paz e o amor de Deus. Boas festas a todos vocês”, foram as palavras do Papa antes da celebração, ao saudar os fiéis que acompanharam a cerimônia pelos telões instalados na Praça de São Pedro, inclusive debaixo de chuva.
A Santa Missa, que contou com a presença de 6 mil fiéis, foi precedida pela tradicional Kalenda, o antigo anúncio solene do nascimento do Senhor. Em seguida, o Pontífice desvelou a imagem do Menino Jesus, momento em que os sinos da Basílica tocaram e as luzes se acenderam, marcando liturgicamente o início do Natal.
A estrela que ilumina a noite da humanidade
Em sua homilia, Leão XIV recordou a longa busca da humanidade por sentido e verdade, muitas vezes projetada no céu e nas estrelas, mas incapaz de oferecer respostas duradouras. Durante séculos, afirmou, os povos tentaram decifrar o próprio destino olhando para o alto, permanecendo, porém, na escuridão, até que, nesta noite santa, uma luz verdadeiramente nova se acende na história. O Papa então explicou que o Natal não celebra uma ideia, mas uma presença viva que entra na história:
“É o Natal de Jesus, o Emanuel. No Filho feito homem, Deus não nos dá algo, mas a si mesmo. [...] Para encontrar o Salvador, não é preciso olhar para cima, mas contemplar o que está embaixo: a onipotência de Deus resplandece na impotência de um recém-nascido. [...] É divina a necessidade de cuidado e calor, que o Filho do Pai partilha na história com todos os seus irmãos. A luz divina que irradia deste Menino ajuda-nos a ver o homem em cada vida nascente.”
Onde não há espaço para o homem, não há espaço para Deus
Retomando palavras de Bento XVI, o Papa Leão advertiu sobre uma das grandes feridas do nosso tempo: a exclusão do homem, sobretudo dos mais frágeis. Quando a dignidade humana é obscurecida, afirmou, desaparece também a capacidade de acolher, “então não há espaço sequer para os outros, para as crianças, para os pobres, para os estrangeiros”. E, com clareza pastoral, o Pontífice recordou que a acolhida de Deus passa necessariamente pela acolhida do próximo:
"Na terra não há espaço para Deus se não houver espaço para o homem: não acolher um significa não acolher o outro. Em vez disso, onde há lugar para o homem, há lugar para Deus: então um estábulo pode tornar-se mais sagrado do que um templo, e o ventre da Virgem Maria é a arca da nova aliança."
A humildade de Deus cura a soberba do homem
O Santo Padre convidou os fiéis a admirar a sabedoria do Natal, recordando que Deus responde às expectativas humanas não com poder, mas com humildade e proximidade: “Perante as expectativas dos povos, Ele envia um bebê, para que seja palavra de esperança; perante a dor dos miseráveis, Ele envia um indefeso, para que seja força para se levantarem.” Num mundo marcado por injustiças, Leão XIV foi direto ao afirmar:
“Enquanto uma economia distorcida leva a tratar os homens como mercadoria, Deus torna-se semelhante a nós, revelando a infinita dignidade de cada pessoa. Enquanto o homem quer tornar-se Deus para dominar o próximo, Deus quer tornar-se homem para nos libertar de toda a escravidão. Será este amor suficiente para mudar a nossa história?”
Segundo o Papa, a resposta se revela no instante em que, como os pastores, despertamos da noite da morte para a luz da vida nascente, contemplando o Menino Jesus ao lado de Maria, José e de uma multidão do exército celeste. Estes, de forma desarmada e desarmante, proclamam a glória de Deus, cuja manifestação na terra é a paz, pois “no coração de Cristo palpita o vínculo que une no amor céu e terra, Criador e criaturas”.
Natal: festa da fé, da caridade e da esperança
Ao recordar que se aproxima o término do Jubileu e evocando as palavras do Papa Francisco no último Natal, Leão XIV sublinhou que este é um tempo de gratidão pelo dom recebido e, ao mesmo tempo, de missão. Por fim, o Santo Padre sintetizou o significado profundo do Natal para a vida da Igreja:
“Proclamemos, então, a alegria do Natal, que é festa da fé, da caridade e da esperança. É festa da fé, porque Deus se faz homem, nascendo de uma Virgem. É festa da caridade, porque o dom do Filho redentor se realiza na dedicação fraterna. É festa da esperança, porque o Menino Jesus a acende em nós, tornando-nos mensageiros da paz. Com estas virtudes no coração, sem temer a noite, podemos ir ao encontro do amanhecer do novo dia.”
Ao final da celebração, Leão XIV levou em procissão a imagem do Menino Jesus até o presépio da Basílica de São Pedro, acompanhado por crianças que ofereceram flores ao Salvador. Fonte: https://www.vaticannews.va
Papa: o ministério sacerdotal exige fidelidade e comunhão, não autorreferencialidade
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Na Carta Apostólica “Uma fidelidade que gera futuro”, publicada nesta segunda-feira, 22/12, por ocasião dos 60 anos dos Decretos conciliares Optatam totius e Presbyterorum Ordinis, o Papa Leão XIV reflete sobre a identidade, a missão e o futuro do ministério presbiteral. Formação permanente, fraternidade, sinodalidade e discernimento no uso das mídias estão no centro do texto, que convida os sacerdotes a uma fidelidade vivida como dom, conversão e serviço à evangelização.
Thulio Fonseca - Vatican News
A fidelidade sacerdotal como caminho que gera futuro para a Igreja está no centro da Carta Apostólica “Uma fidelidade que gera futuro”, publicada pelo Papa Leão XIV nesta segunda-feira, 22 de dezembro, no contexto do 60º aniversário dos Decretos conciliares Optatam totius e Presbyterorum Ordinis. No Documento, assinado na Solenidade da Imaculada Conceição (08/12), o Pontífice propõe uma releitura atualizada da identidade e da missão dos presbíteros, à luz das transformações culturais, sociais e tecnológicas do nosso tempo.
O Papa recorda que não se trata de uma simples comemoração histórica, mas de uma oportunidade para “revigorar sempre e todos os dias o ministério presbiteral”, conscientes de que “a desejada renovação de toda a Igreja depende, em grande parte, do ministério sacerdotal, animado do espírito de Cristo”.
Fidelidade que nasce do encontro com Cristo
No início da Carta, Leão XIV sublinha que toda vocação nasce do encontro pessoal com Jesus, “que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo”. Antes de qualquer atividade pastoral ou compromisso ministerial, está o chamado do Senhor: “Vem e segue-me” (Mc 1,17) A fidelidade à vocação, observa o Papa, fortalece-se quando o sacerdote não perde a memória daquele primeiro chamado e permanece unido a Cristo:
“Ao longo de toda a vida somos sempre ‘discípulos’, com o constante anseio de nos configurarmos a Cristo. Apenas esta relação de obediente seguimento e fiel discipulado pode manter a mente e o coração na direção certa, apesar das perturbações que a vida reserva.”
Formação permanente: memória viva da vocação
A Carta dedica amplo espaço à formação permanente, definida como condição indispensável para manter vivo o dom recebido na Ordenação. “A fidelidade ao chamamento não é imobilismo ou fechamento, mas um caminho de conversão quotidiana”, afirma o Papa, destacando que a formação não pode limitar-se ao tempo do seminário.
Diante das feridas causadas pelos abusos e da dolorosa realidade do abandono do ministério por parte de alguns sacerdotes, Leão XIV insiste na necessidade de uma formação integral que assegure “o crescimento e a maturidade humana”, juntamente com uma vida espiritual sólida. O seminário, recorda, deve ser “uma escola de afetos”, onde se aprende a amar como Cristo, para que o sacerdote seja sempre “ponte, não obstáculo ao encontro com Cristo”.
Fraternidade presbiteral: dom a ser vivido
Outro eixo fundamental do texto do Pontífice é a fraternidade presbiteral. O Papa recorda que ela não é apenas um ideal ou um esforço organizativo, mas “um dom inerente à graça da Ordenação”. Citando o Concílio, afirma que os presbíteros “são irmãos entre os irmãos, membros de um só e mesmo corpo de Cristo”. A fidelidade à comunhão exige superar o individualismo e cuidar concretamente uns dos outros, sobretudo dos sacerdotes mais sós, doentes ou idosos, e questiona:
“Como poderíamos nós, ministros, ser construtores de comunidades vivas, se entre nós não houvesse antes de tudo uma fraternidade efetiva e sincera?”
Sinodalidade e corresponsabilidade
Inserida no caminho sinodal da Igreja, a Carta exorta os presbíteros a cultivarem relações marcadas pela escuta, pela colaboração e pelo reconhecimento dos carismas dos leigos. “Devem descobrir com sentido de fé os carismas, humildes ou excelentes, que sob múltiplas formas são concedidos aos leigos”, recorda Leão XIV, citando o Presbyterorum Ordinis.
O ministério sacerdotal, afirma o Papa, não perde força numa Igreja mais sinodal; ao contrário, encontra novas possibilidades de fecundidade quando supera modelos de liderança isolada e se abre a uma condução mais colegial e missionária.
Missão, sobriedade e discernimento no uso das mídias
Ao tratar da missão, o Pontífice alerta para duas tentações opostas: a lógica da eficiência e do ativismo, que mede o valor do sacerdote pela quantidade de atividades realizadas, e o fechamento defensivo que paralisa o impulso evangelizador. A resposta está na caridade pastoral, definida como “o princípio que unifica a vida do presbítero”. É neste contexto que se insere uma importante reflexão dedicada ao discernimento sobre a visibilidade pública do sacerdote e o uso dos meios de comunicação:
“Educado pelo mistério que celebra na santa liturgia, cada sacerdote deve ‘desaparecer para que Cristo permaneça, fazer-se pequeno para que Ele seja conhecido e glorificado (cf. Jo 3, 30), gastar-se até ao limite para que a ninguém falte a oportunidade de O conhecer e amar’. Por isso, a exposição mediática, o uso das redes sociais e de todos os instrumentos hoje à disposição devem ser sempre avaliados com sabedoria, tendo como paradigma de discernimento o serviço à evangelização. ‘Tudo me é lícito! Sim, mas nem tudo convém’ (1 Cor 6, 12).”
Fidelidade que gera futuro
Na conclusão, Leão XIV expressa o desejo de que este aniversário conciliar suscite um renovado impulso vocacional na Igreja. “Não há futuro sem cuidar de todas as vocações”, afirma, convidando a uma pastoral juvenil e familiar mais corajosa e explicitamente vocacional:
“A escassez de vocações sacerdotais exige que todos reflitam sobre a fecundidade das práticas pastorais da Igreja. É verdade que os motivos desta crise podem, frequentemente, ser variados e múltiplos, dependendo, em particular, do contexto sociocultural; porém, ao mesmo tempo, é necessário que tenhamos a coragem de fazer propostas fortes e libertadoras aos jovens, disponibilizando cada vez mais nas Igrejas particulares os ambientes e as formas de pastoral juvenil impregnadas de Evangelho, onde as vocações ao dom total de si possam manifestar-se e amadurecer.”
Por fim, ao confiar os seminaristas, diáconos e presbíteros à intercessão da Virgem Maria e de São João Maria Vianney, o Papa recorda que “o sacerdócio é o amor do coração de Jesus. Um amor tão forte que dissipa as nuvens da rotina, do desânimo e da solidão; um amor total que nos é dado em plenitude na Eucaristia. Amor eucarístico, amor sacerdotal”. Fonte: https://www.vaticannews.va
Papa: a morte é parte integrante da vida, passagem para a eternidade
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Na Audiência Geral desta quarta-feira (10/12), o Papa recordou que a morte não é a última palavra, mas um limiar de esperança iluminado pela Ressurreição de Cristo.
Papa Leão XIV durante a Audiência Geral (@Vatican Media)
Thulio Fonseca - Vatican News
As baixas temperaturas que já anunciam a chegada do inverno no hemisfério norte, em torno dos 5 °C na Praça São Pedro, não impediram a presença de milhares de fiéis e peregrinos que, desde as primeiras horas da manhã, se reuniram para participar da Audiência Geral com o Papa nesta quarta-feira, 10 de dezembro. Dando continuidade ao ciclo de catequeses do Jubileu 2025, Leão XIV refletiu sobre o tema “A Páscoa de Jesus Cristo: resposta última à pergunta sobre a nossa morte”, propondo um olhar cristão sobre a morte como parte do mistério da vida.
Logo no início, o Santo Padre reconheceu o impacto existencial desta realidade: “O mistério da morte sempre suscitou questões profundas nos seres humanos”. Segundo o Papa, a morte se apresenta como um paradoxo:
“É natural porque todo o ser vivo na Terra morre. É antinatural porque o desejo de vida e de eternidade […] faz-nos ver a morte como uma condenação, como um ‘contrassenso’.”
Conscientes e impotentes
Ao analisar a sociedade contemporânea, o Pontífice alertou para a tendência de silenciar o tema: “Hoje […] a morte surge como uma espécie de tabu, um acontecimento a manter à distância”, o que leva muitos a evitarem até mesmo os cemitérios, onde repousam aqueles que aguardam a ressurreição.
A reflexão de Leão XIV avançou para a condição singular do ser humano, único que tem consciência da própria finitude. “Só os humanos fazem esta pergunta, porque só eles sabem que vão morrer”, observou, acrescentando que esta lucidez não liberta, mas expõe a fragilidade: “Encontramo-nos conscientes e, ao mesmo tempo, impotentes”.
Uma vida autêntica
Citando Santo Afonso Maria de Ligório, o Papa destacou o valor espiritual da meditação sobre a morte: “Saber que ela existe, e sobretudo meditar sobre ela, ensina-nos a escolher o que realmente queremos fazer com a nossa vida”. Segundo ele, essa consciência ajuda a libertar o coração do supérfluo e a orientar a vida para o essencial: “Orar para compreender o que é benéfico para o Reino dos Céus […] é o segredo para viver autenticamente”.
O Pontífice também alertou para as promessas modernas de uma falsa imortalidade: “Muitas visões antropológicas atuais prometem imortalidades imanentes”, lembrando o desafio colocado pelo transumanismo e questionando: “Poderia a própria ciência assegurar-nos que uma vida sem morte é também uma vida feliz?”
A força da Ressurreição
Ao retomar o centro deste ciclo de catequeses, o Papa reforçou o aspecto do anúncio pascal: “O acontecimento da Ressurreição de Cristo revela-nos que a morte não se opõe à vida, mas é parte integrante dela como passagem para a vida eterna”. Em seguida, comentando o Evangelho segundo São Lucas, recordou o sinal silencioso de esperança que antecede a manhã de Páscoa: “‘Era o dia da preparação, e estava a despontar o sábado’ (Lc 23,54)”, e sublinhou que “só este acontecimento é capaz de iluminar plenamente o mistério da morte”.
Ao final, recordou que Cristo já atravessou a morte por nós: “O Ressuscitado precedeu-nos na grande provação da morte, emergindo vitorioso graças ao poder do Amor divino”, preparando para a humanidade “o lugar do repouso eterno, o lar onde somos esperados” e a vida plena onde já não há sombras nem contradições. Fonte: https://www.vaticannews.va
Leão XIV: Deus nos faz grandes dons, mas deixa-nos livres para os aceitar ou não.
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"Esta festa, que nos alegra pela beleza imaculada da Mãe de Deus, convida-nos também a acreditar como ela acreditou, dando o nosso consentimento generoso à missão para a qual o Senhor nos chama".
Vatican News
Na Solenidade da Imaculada Conceição, esta segunda-feira (08/12), o Papa Leão XIV rezou a oração mariana do Angelus com os fiéis reunidos na Praça São Pedro.
Hoje, celebramos a Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria. Expressamos a nossa alegria porque o Pai do Céu a quis «inteiramente imune da mancha do pecado original», cheia de inocência e santidade para poder confiar-lhe, para a nossa salvação, «o seu Filho unigénito [...] amado como a si mesmo».
De acordo com o Papa, "o Senhor concedeu a Maria a graça extraordinária de um coração totalmente puro, em vista de um milagre ainda maior: a vinda ao mundo, como homem, do Cristo Salvador. A Virgem recebeu esta notícia, com o espanto típico dos humildes, pela saudação do Anjo: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo» e com fé respondeu o seu “sim”: «Eis a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a tua palavra»".
Comentando estas palavras, Santo Agostinho diz que «Maria acreditou e, aquilo em que acreditou, nela se realizou». O dom da plenitude da graça, na jovem de Nazaré, pôde dar fruto porque ela, na sua liberdade, o acolheu abraçando o projeto de Deus.
"O Senhor age sempre assim: faz-nos grandes dons, mas deixa-nos livres para os aceitar ou não", sublinhou o Papa Leão, recordando ainda as palavras de Santo Agostinho: «Acreditemos também nós, para que o que se realizou [nela] possa beneficiar-nos também».
Assim, esta festa, que nos alegra pela beleza imaculada da Mãe de Deus, convida-nos também a acreditar como ela acreditou, dando o nosso consentimento generoso à missão para a qual o Senhor nos chama.
Segundo o Pontífice, "o milagre que aconteceu a Maria na sua concepção renovou-se para nós no Batismo: lavados do pecado original, tornamo-nos filhos de Deus, sua morada e templo do Espírito". "E como Maria, por graça especial, pôde acolher em si Jesus e doá-lo aos homens, assim «o Batismo permite que Cristo viva em nós e a nós que vivamos unidos a Ele, para colaborar na Igreja, cada um segundo a própria condição, para a transformação do mundo»", sublinhou ainda o Papa.
"Caríssimos, grande é o dom da Imaculada Conceição, mas também o é o dom do Batismo que recebemos", disse Leão XIV, acrescentando:
O “sim" da Mãe do Senhor é maravilhoso, mas o nosso também pode sê-lo, se renovado todos os dias com fidelidade, gratidão, humildade e perseverança, na oração e nas obras concretas de amor, desde os gestos mais extraordinários até aos compromissos e serviços mais quotidianos, para que Jesus seja conhecido, acolhido e amado em toda a parte e a sua salvação chegue a todos.
O Papa concluiu, convidando a pedir "isso hoje ao Pai, por intercessão da Imaculada". Fonte: https://www.vaticannews.va
A força da pequenez
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Nas palavras de Leão XIV aos cristãos turcos, uma indicação para toda a Igreja.
Andrea Tornielli
Ao encontrar-se com o “pequeno rebanho” dos católicos turcos na catedral de Santo Espírito, em Istambul, Leão XIV proferiu palavras que não só retratam a realidade da presença cristã nesta terra, mas também contêm uma indicação preciosa para todos.
O Papa convidou a adotar um olhar evangélico sobre esta Igreja de passado glorioso, hoje numericamente pequena. Convidou a olhar “com os olhos de Deus” para descobrir e redescobrir “que Ele escolheu o caminho da pequenez para descer entre nós”. A humildade da pequena casa de Nazaré, onde uma jovem disse o seu sim, permitindo que Deus se fizesse Homem, a manjedoura de Belém com o Todo-Poderoso que se tornou um recém-nascido completamente dependente dos cuidados de um pai e de uma mãe, a vida pública do Nazareno passada a pregar de aldeia em aldeia numa província nos confins do império, fora do radar da grande história. O Reino de Deus, lembrou Leão, “não se impõe atraindo a atenção”. E nessa lógica, na lógica da pequenez, está a verdadeira força da Igreja. O Sucessor de Pedro lembrou aos cristãos da Turquia que a Igreja se afasta do Evangelho e da lógica de Deus quando pensa que sua força está em seus recursos e estruturas ou quando faz com que os frutos de sua missão consistam no consenso numérico, no poder econômico, na capacidade de ser influente na sociedade. “Em uma comunidade cristã onde os fiéis, os sacerdotes, os bispos não seguem este caminho da pequenez, falta futuro... porque Deus brota no pequeno, sempre no pequeno”, disse o Papa Francisco em uma homilia em Santa Marta citada hoje por seu sucessor.
É a inversão total de toda a lógica humana, que também pode penetrar na Igreja, quando se impõem lógicas empresariais, quando a missão é reduzida a estratégias de marketing, quando quem anuncia o Evangelho se coloca em primeiro plano como protagonista, em vez de desaparecer para fazer brilhar a luz de Cristo. Em uma época em que parecem valer apenas os cliques e o número de seguidores, também a Igreja pode ser tentada a lamentar uma cristandade do passado, com seus anexos e conexões de poder, estruturas, influência e relevância social, colateralismo político.
Em vez disso, como nos ensina o Evangelho e nos repete hoje o Bispo de Roma, é preciso olhar o mundo com os olhos de Deus, com o olhar dos pequenos, dos humildes, dos que não têm poder. É essa revolução copernicana de Deus, que derrubou os poderosos de seus tronos e elevou os humildes, o caminho da missão, mas também o caminho para construir a verdadeira paz: na Igreja, na sociedade, nas relações internacionais. Fonte: https://www.vaticannews.va
Leão XIV às Igrejas do Sul Global na COP30: Amazônia sinal vivo da criação
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Um dos legados da COP30 para a cidade de Belém é o Museu das Amazônias. Nesta segunda-feira, 17 de novembro, as Igrejas do Sul Global contribuíram com mais uma peça para seu acervo. Trata-se de uma rede que acompanhou os trabalhos do Sínodo para a Amazônia, realizado em outubro de 2019 no Vaticano. A entrega da peça foi acompanhada por uma mensagem em vídeo do Papa Leão XIV.

Silvonei José e padre Luis Miguel Modino – Belém
O Santo Padre enviou uma saudação às Igrejas particulares do Sul Global reunidas no Museu das Amazônias, em Belem, com a qual ele quis acompanhar a voz profética dos cardeais que representam essas Igrejas: Jaime Spengler, Fridolin Ambongo e Felipe Neri Ferrão, presentes na COP30, a cúpula do Clima organizado pela ONU, “dizendo ao mundo com palavras e gestos que a Amazônia continua sendo um sinal vivo da criação com uma urgente necessidade de cuidado”, como afirma o Papa em sua mensagem.
Leão XIV reconhece que “escolheram a esperança e a ação frente à desesperação, construindo uma comunidade global que trabalha em conjunto”. Além disso, ressalta que “tem se alcançado avanços, mas não suficientes”. Diante dessa situação, reconhece que “a esperança e a determinação devem se renovar, não só com palavras e aspirações, mas também com ações concretas”.
A mudança climática não é algo distante
O Papa cita alguns dos clamores da criação: “enchentes, secas, tormentas e um calor implacável”. Uma situação que faz com que “uma em cada três pessoas viva em grande vulnerabilidade em consequência dessas mudanças”. Diante dessa realidade, denuncia que “para eles, a mudança climática não é uma ameaça distante”. Por isso, “ignorar essas pessoas é negar nossa humanidade compartilhada”.
Em suas palavras, o Santo Padre reconhece que “ainda há tempo para manter o aumento da temperatura global abaixo de 1,5 °C, mas a janela está se fechando. Como custódios da criação de Deus, somos chamados a agir com rapidez, fé e profecia para proteger o dom que Ele nos confiou”.
Momento da mensagem em vídeo do Papa
Não falha o Acordo de Paris, mas nossa resposta
Nas palavras do pontífice, “o Acordo de Paris tem impulsionado um progresso real e continua sendo nossa ferramenta mais poderosa para proteger as pessoas e o planeta. Mas devemos ser honestos”, disse, “não é o Acordo que está falhando, senão nossa resposta. O que está falhando é a vontade política de alguns. A verdadeira liderança implica serviço e apoio em uma escala que possa fazer a diferença. Ações climáticas mais contundentes criarão sistemas económicos mais sólidos e justos. Medidas políticas e climáticas firmes constroem uma inversão em um mundo mais justo e estável”.
A rede doada.
Ao mesmo tempo, reconhece Leão XIV que “junto com cientistas, lideranças e pastores de todas as nações e credos, somos guardiões da criação, não rivais por seus bens. Enviemos juntos uma mensagem global clara: nações que permanecem unidas na firme solidariedade com o Acordo de Paris e a cooperação climática.”
Finalmente, antes de pedir que “Deus abençoe a todos em seus esforços por seguir cuidando a criação de Deus”, o Papa pede: “que este Museu Amazônico seja recordado como o espaço onde a humanidade escolheu a cooperação frente à divisão e a negação”. Fonte: https://www.vaticannews.va
MENSAGEM DO SANTO PADRE LEÃO XIV PARA O IX DIA MUNDIAL DOS POBRES
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XXXIII Domingo do Tempo Comum
16 de novembro de 2025

Tu és a minha esperança (cf. Sl 71,5)
- «Tu és a minha esperança, ó Senhor Deus» (Sl 71,5). Essas palavras emanam de um coração oprimido por graves dificuldades: «Fizeste-me sofrer grandes males e aflições mortais» (v. 20), diz o Salmista. Apesar disso, o seu espírito está aberto e confiante, porque firme na fé reconhece o amparo de Deus e o professa: «És o meu rochedo e a minha fortaleza» (v. 3). Daí deriva a confiança inabalável de que a esperança n’Ele não decepciona: «Em ti, Senhor, me refugio, jamais serei confundido» (v. 1).
No meio das provações da vida, a esperança é animada pela firme e encorajadora certeza do amor de Deus, derramado nos corações pelo Espírito Santo. Por isso, ela não decepciona (cf. Rm 5, 5) e São Paulo pode escrever a Timóteo: «Pois se nós trabalhamos e lutamos, é porque pomos a nossa esperança no Deus vivo» (1 Tm 4, 10). O Deus vivo é, verdadeiramente, o «Deus da esperança» (Rm 15, 13), que em Cristo, pela sua morte e ressurreição, se tornou a «nossa esperança» (1 Tm 1, 1). Não podemos esquecer que fomos salvos nesta esperança, na qual precisamos permanecer enraizados.
- O pobre pode tornar-se testemunha de uma esperança forte e confiável, precisamente porque professada numa condição de vida precária, feita de privações, fragilidade e marginalização. Ele não conta com as seguranças do poder e do ter; pelo contrário, sofre-as e, muitas vezes, é vítima delas. A sua esperança só pode repousar noutro lugar. Reconhecendo que Deus é a nossa primeira e única esperança, também nós fazemos a passagem entre as esperanças que passam e a esperança que permanece. As riquezas são relativizadas perante o desejo de ter Deus como companheiro de caminho porque se descobre o verdadeiro tesouro de que realmente precisamos. Ressoam claras e fortes as palavras com que o Senhor Jesus exortou os seus discípulos: «Não acumuleis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os corroem e os ladrões arrombam os muros, a fim de os roubar. Acumulai tesouros no Céu, onde a traça e a ferrugem não corroem e onde os ladrões não arrombam nem furtam» (Mt 6, 19-20).
- A pobreza mais grave é não conhecer a Deus. Recordou-nos isso o Papa Francisco quando escreveu na Evangelii gaudium: «A pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de cuidado espiritual. A imensa maioria dos pobres possui uma especial abertura à fé; tem necessidade de Deus e não podemos deixar de lhe oferecer a sua amizade, a sua bênção, a sua Palavra, a celebração dos Sacramentos e a proposta dum caminho de crescimento e amadurecimento na fé» (n. 200). Há aqui uma consciência fundamental e totalmente original sobre como encontrar em Deus o próprio tesouro. Realmente, insiste o apóstolo João: «Se alguém disser: “Eu amo a Deus”, mas tiver ódio ao seu irmão, esse é um mentiroso; pois aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê» (1 Jo 4, 20).
É uma regra da fé e um segredo da esperança: embora importantes, todos os bens desta terra, as realidades materiais, os prazeres do mundo ou o bem-estar económico não são suficientes para fazer o coração feliz. Frequentemente, as riquezas iludem e conduzem a situações dramáticas de pobreza, sendo a primeira dessas ilusões pensar que não precisamos de Deus e conduzir a nossa vida independentemente d’Ele. Vêm-me à mente as palavras de Santo Agostinho: «Seja Deus todo motivo de presumires. Sente necessidade d’Ele para que Ele te cumule. Tudo o que possuíres fora d’Ele é imensamente vazio» (Enarr. in Ps. 85,3).
- A esperança cristã, à qual a Palavra de Deus remete, é certeza no caminho da vida, porque não depende da força humana, mas da promessa de Deus, que é sempre fiel. Por isso, desde os primórdios, os cristãos quiseram identificar a esperança com o símbolo da âncora, que oferece estabilidade e segurança. A esperança cristã é como uma âncora, que fixa o nosso coração na promessa do Senhor Jesus, que nos salvou com a sua morte e ressurreição e que retornará novamente no meio de nós. Esta esperança continua a indicar como verdadeiro horizonte da vida os «novos céus» e a «nova terra» (2 Pe 3, 13), onde a existência de todas as criaturas encontrará o seu sentido autêntico, visto que a nossa verdadeira pátria está nos céus (cf. Fl 3, 20).
Consequentemente, a cidade de Deus compromete-nos com as cidades dos homens, que, desde agora, devem começar a assemelhar-se àquela. A esperança, sustentada pelo amor de Deus derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo (cf. Rm 5, 5), transforma o coração humano em terra fértil, onde pode germinar a caridade para a vida do mundo. A Tradição da Igreja reafirma constantemente esta circularidade entre as três virtudes teologais: fé, esperança e caridade. A esperança nasce da fé, que a alimenta e sustenta, sobre o fundamento da caridade, que é a mãe de todas as virtudes. E precisamos de caridade hoje, agora. Não é uma promessa, mas uma realidade para a qual olhamos com alegria e responsabilidade: envolve-nos, orientando as nossas decisões para o bem comum. Em vez disso, quem carece de caridade não só carece de fé e esperança, mas tira a esperança ao seu próximo.
- O convite bíblico à esperança traz consigo o dever de assumir, sem demora, responsabilidades coerentes na história. Com efeito, a caridade é «o maior mandamento social» (Catecismo da Igreja Católica, 1889). A pobreza tem causas estruturais que devem ser enfrentadas e eliminadas. À medida que isso acontece, todos somos chamados a criar novos sinais de esperança que testemunhem a caridade cristã, como fizeram, em todas as épocas, muitos santos e santas. Os hospitais e as escolas, por exemplo, são instituições criadas para expressar o acolhimento aos mais fracos e marginalizados. Eles deveriam fazer parte das políticas públicas de todos os países, mas as guerras e as desigualdades frequentemente ainda o impedem. Hoje, cada vez mais, as casas-família, as comunidades para menores, os centros de acolhimento e escuta, as refeições para os pobres, os dormitórios e as escolas populares tornam-se sinais de esperança: são tantos sinais, muitas vezes ocultos, aos quais talvez não prestemos atenção, mas que são muito importantes para se desvencilhar da indiferença e provocar o empenho nas diversas formas de voluntariado!
Os pobres não são um passatempo para a Igreja, mas sim os irmãos e irmãs mais amados, porque cada um deles, com a sua existência e também com as palavras e a sabedoria que trazem consigo, levam-nos a tocar com as mãos a verdade do Evangelho. Por isso, o Dia Mundial dos Pobres pretende recordar às nossas comunidades que os pobres estão no centro de toda a ação pastoral. Não só na sua dimensão caritativa, mas igualmente naquilo que a Igreja celebra e anuncia. Através das suas vozes, das suas histórias, dos seus rostos, Deus assumiu a sua pobreza para nos tornar ricos. Todas as formas de pobreza, sem excluir nenhuma, são um apelo a viver concretamente o Evangelho e a oferecer sinais eficazes de esperança.
- Este é o convite que emerge da celebração do Jubileu. Não é por acaso que o Dia Mundial dos Pobres seja celebrado no final deste ano de graça. Quando a Porta Santa for fechada, deveremos conservar e transmitir os dons divinos que foram derramados nas nossas mãos ao longo de um ano inteiro de oração, conversão e testemunho. Os pobres não são objetos da nossa pastoral, mas sujeitos criativos que nos estimulam a encontrar sempre novas formas de viver o Evangelho hoje. Diante da sucessão de novas ondas de empobrecimento, corre-se o risco de se habituar e resignar-se. Todos os dias, encontramos pessoas pobres ou empobrecidas e, às vezes, pode acontecer que sejamos nós mesmos a possuir menos, a perder o que antes nos parecia seguro: uma casa, comida suficiente para o dia, acesso a cuidados de saúde, um bom nível de educação e informação, liberdade religiosa e de expressão.
Promovendo o bem comum, a nossa responsabilidade social tem o seu fundamento no gesto criador de Deus, que dá a todos os bens da terra: assim como estes, também os frutos do trabalho do homem devem ser igualmente acessíveis. Com efeito, ajudar os pobres é uma questão de justiça, muito antes de ser uma questão de caridade. Como observa Santo Agostinho: «Damos pão a quem tem fome, mas seria muito melhor que ninguém passasse fome e não precisássemos ser generosos para com ninguém. Damos roupas a quem está nu, mas Deus queira que todos estejam vestidos e que ninguém passe necessidades sobre isto» (Comentário à 1 Jo, VIII, 5).
Desejo, portanto, que este Ano Jubilar possa incentivar o desenvolvimento de políticas de combate às antigas e novas formas de pobreza, além de novas iniciativas de apoio e ajuda aos mais pobres entre os pobres. Trabalho, educação, habitação e saúde são condições para uma segurança que jamais se alcançará com armas. Congratulo-me com as iniciativas já existentes e com o empenho que é manifestado diariamente a nível internacional por um grande número de homens e mulheres de boa vontade.
Confiemos em Maria Santíssima, Consoladora dos aflitos, e com Ela entoemos um canto de esperança, fazendo nossas as palavras do Te Deum: «In Te, Domine, speravi, non confundar in aeternum – Em Vós espero, Meu Deus, não serei confundido eternamente».
Vaticano, 13 de junho de 2025, memória de Santo António de Lisboa, Patrono dos pobres
LEÃO PP. XIV
Fonte: https://www.vatican.va
Papa na Audiência Geral: o mistério da Ressureição é remédio para as fragilidades humanas
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Ao retomar o tema do mistério pascal na catequese desta quarta-feira (05/11), Leão XIV encorajou a "saborear e meditar sobre a alegria que vem depois da dor, de revisitar sob uma nova luz todas as etapas que precederam a Ressurreição". O Papa também enalteceu que "crer na Páscoa através da nossa caminhada diária significa revolucionar as nossas vidas", porque a esperança cristã é um remédio para a nossa fragilidade humana que nos ajuda a sair vitoriosos dos grandes desafios da vida.
Andressa Collet - Vatican News
Mais um dia de Praça São Pedro repleta de peregrinos para ouvir a catequese do Papa Leão XIV na Audiência Geral desta quarta-feira (05/11). Retomando o tema sobre a Ressureição de Cristo para cerca de 40 mil pessoas, o Pontífice afirmou que a Páscoa de Jesus não é um evento passado. "A Igreja nos ensina a comemorar a Ressurreição todos os anos no Domingo de Páscoa e todos os dias na celebração eucarística", reforçou ele.
“O Mistério Pascal é a pedra angular da vida do cristão, em torno da qual giram todos os outros acontecimentos. Podemos dizer, então, sem qualquer pacifismo ou sentimentalismo, que todos os dias são Páscoa.”
E de que forma se vive a Ressurreição de Cristo diariamente, questionou o próprio Pontífice, ao responder com a ajuda de uma "grande filósofa do século XX, Santa Teresa Benedita da Cruz, nascida Edith Stein, que se aprofundou no mistério da pessoa humana": diante da "busca dinâmica e constante da realização", vivida através das mais variadas experiências de dores e alegrias, "a mensagem da Páscoa é a notícia mais bela" capaz de responder à busca de sentido que inquieta o nosso coração e a nossa mente, de saciar a nossa sede de eternidade, explicou o Papa, ao acrescentar:
"Os seres humanos são movidos por um movimento interior, procurando um além que os atrai constantemente. Nenhuma realidade contingente os satisfaz. Almejamos o infinito e o eterno. Isto contrasta com a experiência da morte, antecipada pelo sofrimento, pela perda e pelo fracasso."
A mensagem da Páscoa é de cuidado e cura
O anúncio pascal, ao atestar a vitória do amor sobre o pecado e da vida sobre a morte, é remédio para a nossa fragilidade humana, disse o Papa, alimentando a esperança de sair vitoriosos dos grandes desafios que a vida nos apresenta. O nosso tempo, continuou Leão XIV, "marcado por tantas cruzes, clama pelo alvorecer da esperança pascal" que "não desilude. Crer verdadeiramente na Páscoa através da nossa caminhada diária significa revolucionar as nossas vidas, sermos transformados para transformar o mundo com a força mansa e corajosa da esperança cristã":
"E n’Ele, temos a certeza de poder encontrar sempre a estrela polar para a qual dirigir as nossas vidas aparentemente caóticas, marcadas por acontecimentos que muitas vezes parecem confusos, inaceitáveis e incompreensíveis: o mal, nas suas muitas facetas, o sofrimento, a morte, acontecimentos que afetam todos e cada um de nós. Meditando sobre o mistério da Ressurreição, encontramos a resposta para a nossa sede de sentido. Perante a nossa fragilidade humana, a mensagem da Pscoa torna-se cuidado e cura, alimenta a esperança no meio dos desafios assustadores que a vida nos apresenta diariamente, tanto em nível pessoal como global. " Fonte: https://www.vaticannews.va
Papa: Jesus Ressuscitado cura a tristeza que paralisa o coração.
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Na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira (22/10), o Pontífice refletiu sobre os discípulos de Emaús e recordou que Cristo caminha conosco, iluminando os caminhos sombrios do coração. “Reconhecer a Ressurreição significa mudar a nossa perspetiva sobre o mundo: regressar à luz para reconhecer a Verdade que nos salvou e salva”, afirmou Leão XIV.
Thulio Fonseca - Vatican News
Ouça com a voz do Papa e compartilhe
“A ressurreição de Jesus Cristo é um acontecimento que nunca deixamos de contemplar e meditar, e quanto mais nos aprofundamos nele, mais nos enchemos de admiração, atraídos como que por uma luz insuportável e ao mesmo fascinante. Foi uma explosão de vida e alegria que mudou o significado de toda a realidade, de negativo para positivo; contudo, não aconteceu de forma dramática, muito menos violenta, mas de forma suave, oculta, quase humilde."
Com estas palavras, o Papa Leão XIV introduziu a catequese da Audiência Geral desta quarta-feira, 22 de outubro, realizada na Praça São Pedro, repleta de fiéis e peregrinos de diversas partes do mundo. Ao refletir sobre o mistério pascal, o Pontífice convidou os presentes a contemplar a força transformadora da Ressurreição, capaz de iluminar até mesmo as realidades mais sombrias da vida humana.
A tristeza, doença do nosso tempo
“Hoje refletiremos sobre como a ressurreição de Cristo pode curar uma das doenças do nosso tempo: a tristeza”, afirmou o Papa. Segundo ele, trata-se de um mal “invasivo e generalizado”, que acompanha o cotidiano de muitas pessoas: “É um sentimento de precariedade, por vezes de profundo desespero, que invade o espaço interior e parece prevalecer sobre qualquer onda de alegria”.
O Santo Padre observou que essa tristeza mina o sentido e o vigor da vida, “transformando-a numa viagem sem direção nem propósito”. Para ilustrar essa experiência humana, o Papa recordou o episódio evangélico dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-29), apresentado como um verdadeiro paradigma da tristeza e da desilusão.
O caminho de Emaús e o reencontro com a esperança
Desencantados e desanimados, os dois discípulos deixam Jerusalém, abandonando as esperanças depositadas em Jesus. “A esperança desapareceu, a desolação tomou conta do coração”, descreveu Leão XIV, destacando o paradoxo de uma caminhada triste realizada justamente no dia da vitória da luz, o Domingo da Ressurreição.
No entanto, é nesse caminho de desalento que o próprio Cristo Ressuscitado se aproxima deles. “A tristeza tolda-lhes os olhares”, comentou o Pontífice, “apagando a promessa que o Mestre tantas vezes fizera: que seria morto e, ao terceiro dia, ressuscitaria”. Jesus, com paciência e ternura, escuta os discípulos e, em seguida, os convida a redescobrir nas Escrituras o sentido de sua paixão e glória. Aos poucos, o coração dos dois começa a arder de novo.
Ao partir o pão, os discípulos finalmente o reconhecem. “O gesto de partir o pão reabre os olhos do coração”, disse o Papa, “iluminando de novo a visão turva pelo desespero”. A alegria, então, renasce: “A energia volta a fluir, e as suas memórias regressam à gratidão”. Repletos de esperança, os dois retornam apressadamente a Jerusalém para anunciar aos outros: “Realmente o Senhor ressuscitou!”
A vitória da vida é real
“Jesus não ressuscitou em palavras, mas em atos, com o seu corpo que traz as marcas da paixão, o selo eterno do seu amor por nós”, enfatizou o Santo Padre. A vitória da vida, disse ele, “não é uma palavra vazia, mas um fato real e concreto”:
“Que a alegria inesperada dos discípulos de Emaús seja para nós um doce aviso quando a viagem se tornar difícil. É o Ressuscitado que muda radicalmente a nossa perspectiva, infundindo a esperança que preenche o vazio da tristeza.”
Por fim, o Papa Leão XIV exortou: “Reconhecer a Ressurreição significa mudar a nossa perspectiva sobre o mundo: regressar à luz para reconhecer a Verdade que nos salvou e salva. Irmãos e irmãs, permaneçamos vigilantes todos os dias no encanto da Páscoa de Jesus ressuscitado. Só Ele torna possível o impossível!”. Fonte: https://www.vaticannews.va
Papa a ciganos: trabalho e oração, força para derrubar muros da desconfiança e do medo
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Leão XIV recebeu na manhã deste sábado, 18 de outubro, os participantes do Jubileu dos Ciganos e Povos Itinerantes, reunidos na Aula Paulo VI, no Vaticano. Música, cantos, danças, leitura de escritos, testemunhos, antes da chegada do Pontífice, que exortou a serem “protagonistas da mudança de época em curso”, fazendo “conhecer a beleza da sua cultura” e “compartilhando a fé, a oração e o pão fruto do trabalho honesto”
Raimundo de Lima/Mariangela Jaguraba - Vatican News
Após dar-lhes as boas-vindas, recebendo-os na Sala Paulo VI, no Vaticano, por ocasião do Jubileu dos Ciganos e Itinerantes, Leão XIV disse que eles vieram a Roma de toda a Europa — alguns até de fora da Europa — como peregrinos de esperança neste Jubileu. Com a sua presença, lembramo-nos de que "a esperança é itinerante" — o título do nosso encontro — e hoje todos nos sentimos impelidos a caminhar pelo dom que trazem com vocês ao Papa: a sua fé forte, a sua esperança inabalável somente em Deus, a confiança sólida que não cede às fadigas de uma vida muitas vezes à margem da sociedade.
“Que a paz de Cristo esteja em seus corações”, disse-lhes! “E que a paz esteja também nos corações dos numerosos agentes pastorais que aqui estão presentes e que caminham incansavelmente com vocês”.
Primeiro histórico encontro com São Paulo VI
A celebração jubilar de hoje ocorre sessenta anos após o histórico primeiro encontro mundial que o Papa São Paulo VI teve com as suas comunidades, em Pomezia, em 26 de setembro de 1965. Quase como testemunha desse acontecimento, está aqui hoje, a imagem de Nossa Senhora, que o próprio Pontífice coroou como "Rainha dos Ciganos, dos Sinti e dos Itinerantes". Ao longo destes sessenta anos, os encontros com os meus predecessores têm-se verificado cada vez com mais frequência, em diversos contextos, sinal de um diálogo vivo e de um cuidado pastoral especial para com vocês, "porção predileta do povo peregrino de Deus". Sim, Deus Pai os ama e os abençoa, e a Igreja também os ama e os abençoa.
Vocês podem ser testemunhas vivas da centralidade destas três coisas: confiar somente em Deus, não se apegar a nenhum bem mundano e mostrar uma fé exemplar em ações e palavras. Viver assim não é fácil. Aprende-se acolhendo a bênção de Deus e permitindo que ela trabalhe para transformar o nosso coração. "O coração da Igreja, por sua própria natureza, é solidário com os pobres, os excluídos e os marginalizados, com aqueles considerados 'descarte' da sociedade. [...] No coração de cada fiel, há a necessidade de ouvir aquele grito que vem da obra libertadora da graça em cada um de nós; portanto, esta não é uma missão reservada apenas a alguns".
Peregrinos e nômades, por quase mil anos
Por quase mil anos, vocês foram peregrinos e nômades num contexto que construiu progressivamente modelos de desenvolvimento que se mostraram injustos e insustentáveis em muitos aspectos. Por essa razão, as chamadas sociedades "progressistas" os descartaram consistentemente, marginalizando-os sempre: as margens das cidades, as margens dos direitos, as margens da educação e da cultura. No entanto, o próprio modelo de sociedade que os marginalizou e os tornou itinerantes, sem paz nem acolhimento — primeiro em caravanas sazonais, depois em acampamentos nas periferias das cidades, onde às vezes ainda vivem sem eletricidade ou água — foi o que criou as maiores injustiças sociais em todo o mundo ao longo do último século: enormes desigualdades econômicas entre indivíduos e povos, crises financeiras sem precedentes, desastres ambientais e guerras.
Mas nós, na fé em Jesus Cristo, sabemos que "a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular", e assim somos cada vez mais fortalecidos na convicção de que os mesmos valores que os pobres defendem com grande dignidade e orgulho são aqueles para os quais todos devemos olhar para mudar de rumo. A sua presença nas periferias do Ocidente é, de fato, ao qual fazer referência no campo da eliminação de muitas estruturas de pecado, para o bem e o progresso da humanidade rumo a uma convivência mais pacífica e justa, em harmonia com Deus, com a criação e com os outros.
O apelo de Francisco em 2019 aos ciganos e itinerantes
O Santo Padre exortou-os a não desanimarem! Ao estarem mais próximos da condição de Cristo, pobre e humilhado, vocês lembram à humanidade o "paradigma da vida cristã", disse, encorajo-os a acreditar na beleza salvadora que a sua cultura e a sua situação itinerante trazem consigo. Leão XIV retomou o apelo sincero que o Papa Francisco, em 2019, fez aos ciganos e itinerantes:
"Peço-lhes, por favor, que tenham um coração maior, ainda mais amplo: sem ressentimentos. E que sigam em frente com dignidade: a dignidade da família, a dignidade do trabalho, a dignidade de ganhar o pão de cada dia - é isso que os faz seguir adiante - e a dignidade da oração."
“Que a dignidade do trabalho e a dignidade da oração sejam a sua força para derrubar os muros da desconfiança e do medo”, exortou-os, por sua vez, o Papa Leão XIV.
Diálogo espontâneo
Entre aplausos e coros, quatro participantes – entre eles duas crianças – fizeram perguntas a Leão XIV, que respondeu espontaneamente, isto é, sem um texto previamente preparado. A primeira é sobre a amizade com Jesus, vínculo que, explicou ele, nasce da oração, da Palavra de Deus, dos sacramentos e da vida da Igreja, que levam ao conhecimento: “Não podemos ser amigos de alguém que não conhecemos; ser amigos significa procurar conhecer o outro”. Em seguida, o tema da guerra, importante para todos – adultos e crianças –, porque “todos queremos viver em um mundo sem guerra”, afirmou o Santo Padre. “Devemos sempre procurar ser promotores da paz, construtores de pontes, firmemente convencidos de que a paz é possível, não é apenas um sonho, que podemos viver em paz”. Para fazer isso, para “mudar o mundo”, é preciso começar por nós mesmos: com os amigos, com os colegas de estudo, na família, entre as famílias. “É muito importante que sempre busquemos essa capacidade de diálogo, de respeito mútuo e de promover os valores que nos ajudam a construir um mundo de paz”.
Acredito que isso é possível e espero que um dia todos encontremos, vejamos um mundo onde reine a paz e todos possamos viver em paz.
Não aos preconceitos e distinções
Em seguida, Leão XIV exortou a superar preconceitos, críticas e distinções em relação àqueles que são “diferentes”. E a imitar os mais pequeninos: “Quando as crianças veem outra criança, querem brincar, querem ver como fazer amizade, não se preocupam com a diversidade, mas dizem: podemos brincar juntos, podemos viver juntos em paz... Somos nós, adultos, que começamos a dizer: ‘Mas ele é assim ou ela é assim, esta cultura, esta nação, esta religião são coisas diferentes’ e começamos a fazer uma certa separação, certos julgamentos”. Devemos “deixar um pouco de lado essas distinções de quem é diferente e começar com o respeito por todos os seres humanos”.
Todo ser humano nasce à imagem de Deus. Se alguém é pobre, alguém vem de uma família rica, alguém tem propriedades, alguém não tem, somos todos irmãos e irmãs. Então, respeitemos essa fraternidade de todos e veremos que também aí o mundo poderá mudar. Fonte: https://www.vaticannews.va
“Dilexi te”, Leão XIV: não se pode separar a fé do amor pelos pobres
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Publicada a primeira exortação apostólica de Robert Prevost, um trabalho iniciado por Francisco sobre o tema do serviço aos pobres, em cujo rosto encontramos “o sofrimento dos inocentes”. O Papa denuncia a economia que mata, a falta de equidade, a violência contra as mulheres, a desnutrição, a emergência educacional. Ele faz seu o apelo de Bergoglio pelos migrantes e pede aos fiéis que façam ouvir “uma voz que denuncie”, porque “as estruturas da injustiça devem ser destruídas com a força do bem"
Salvatore Cernuzio – Vatican News
Dilexi te, “Eu te amei”. O amor de Cristo que se encarna no amor aos pobres, entendido como cuidado dos doentes; luta contra a escravidão; defesa das mulheres que sofrem exclusão e violência; direito à educação; acompanhamento aos migrantes; esmola que “é justiça restabelecida, não um gesto de paternalismo”; equidade, cuja falta é “a raiz de todos os males sociais”. Leão XIV assina sua primeira exortação apostólica, Dilexi te, texto em 121 pontos que brota do Evangelho do Filho de Deus que se tornou pobre desde sua entrada no mundo e que relança o Magistério da Igreja sobre os pobres nos últimos cento e cinquenta anos. “Uma verdadeira mina de ensinamentos”.
Seguindo os passos dos seus antecessores
Com este documento assinado a 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis, o Pontífice agostiniano segue assim os passos dos seus antecessores: João XXIII com o apelo aos países ricos na Mater et Magistra para que não permaneçam indiferentes perante os países oprimidos pela fome e pela miséria (83); Paulo VI, com a Populorum progressio e o discurso na ONU “como advogado dos povos pobres”; João Paulo II, que consolidou doutrinariamente “a relação preferencial da Igreja com os pobres”; Bento XIV e a Caritas in Veritate, com sua leitura “mais marcadamente política” das crises do terceiro milênio. Por fim, Francisco, que fez do cuidado “pelos pobres” e “com os pobres” um dos pilares do seu pontificado.
Um trabalho iniciado por Francisco e relançado por Leão
Foi o próprio Francisco que, nos meses que antecederam sua morte, iniciou o trabalho sobre a exortação apostólica. Assim como aconteceu com a Lumen Fidei, de Bento XVI, recolhida em 2013 por Jorge Mario Bergoglio, também desta vez é o sucessor que completa a obra, que representa uma continuação da Dilexit Nos, a última encíclica do Papa argentino sobre o Coração de Jesus. Porque é forte a “ligação” entre o amor de Deus e o amor pelos pobres: através deles, Deus “ainda tem algo a nos dizer”, afirma o Papa Leão. E ele retoma o tema da “opção preferencial” pelos pobres, expressão nascida na América Latina (16) não para indicar “um exclusivismo ou uma discriminação em relação a outros grupos”, mas “a ação de Deus” que se move por compaixão pela fraqueza da humanidade.
No rosto ferido dos pobres encontramos impresso o sofrimento dos inocentes e, portanto, o próprio sofrimento de Cristo (9)
A exortação de Leão XIV: um texto que propõe os fundamentos da Revelação cristã e da tradição da Igreja
Os “rostos” da pobreza
São numerosos os pontos para reflexão, numerosas as motivações para a ação na exortação de Robert Francis Prevost, na qual são analisados os “rostos” da pobreza. A pobreza daqueles que “não têm meios de subsistência material”, de “quem é marginalizado socialmente e não possui instrumentos para dar voz à sua dignidade e suas capacidades”; a pobreza “moral”, “espiritual”, “cultural”; a pobreza “de quem não tem direitos, nem lugar, nem liberdade” (9).
Novas formas de pobreza e falta de equidade
Diante desse cenário, o Papa considera “insuficiente” o compromisso de eliminar as causas estruturais da pobreza em sociedades marcadas por “numerosas desigualdades”, pelo surgimento de novas formas de pobreza “mais sutis e perigosas” (10) e por regras econômicas que aumentaram a riqueza, “mas sem equidade”.
A falta de equidade é a raiz dos males sociais (94)
A ditadura de uma economia que mata
“Quando dizem que o mundo moderno reduziu a pobreza, fazem-no medindo-a com critérios doutros tempos não comparáveis à realidade atual”, afirma Leão XIV (13). Deste ponto de vista, ele saúda “com satisfação” o fato de que “as Nações Unidas tenham colocado a erradicação da pobreza como um dos objetivos do Milênio”. No entanto, o caminho é longo, especialmente numa época em que continua a vigorar a “ditadura de uma economia que mata”, em que os ganhos de poucos “crescem exponencialmente”, enquanto os da maioria estão “cada vez mais longe do bem-estar daquela minoria feliz” e em que se difundem “ideologias que defendem a autonomia absoluta dos mercados e a especulação financeira” (92).
Cultura do descarte, liberdade de mercado, pastoral das elites
Tudo isso é sinal de que ainda persiste – “por vezes bem disfarçada” – uma cultura do descarte que “tolera com indiferença que milhões de pessoas morram de fome ou sobrevivam em condições indignas do ser humano” (11). O Papa condena então os “critérios pseudocientíficos” segundo os quais será “a liberdade do mercado” a levar à “solução” do problema da pobreza, bem como a “pastoral das chamadas elites”, segundo a qual “em vez de perder tempo com os pobres, é melhor cuidar dos ricos, dos poderosos e dos profissionais” (114).
Realmente, os direitos humanos não são iguais para todos (94)
Mudar a mentalidade
O que o Papa invoca é, portanto, uma “mudança de mentalidade”, libertando-se antes de tudo da “ilusão de uma felicidade que deriva de uma vida confortável”. Isso leva muitas pessoas a uma visão da existência centrada na riqueza e no sucesso “a todo custo”, mesmo em detrimento dos outros e por meio de “sistemas político-econômicos injustos” (11).
A dignidade de cada pessoa humana deve ser respeitada já agora, não só amanhã (92)
Em cada migrante rejeitado está Cristo batendo à porta
Leão XIV dedica um amplo espaço ao tema das migrações. Para ilustrar suas palavras, ele usa a imagem do pequeno Alan Kurdi, o menino sírio de 3 anos que se tornou, em 2015, símbolo da crise europeia dos migrantes com a foto de seu corpinho sem vida em uma praia. “Infelizmente, à parte de alguma momentânea comoção, acontecimentos semelhantes estão a tornar-se cada vez mais irrelevantes, como notícias secundárias” (11), constata o Pontífice.
Ao mesmo tempo, ele lembra a obra secular da Igreja em favor daqueles que são forçados a abandonar suas terras, expressa em centros de acolhimento, missões de fronteira, esforços da Caritas Internacional e outras instituições (75).
A Igreja, como mãe, caminha com os que caminham. Onde o mundo vê ameaça, ela vê filhos; onde se erguem muros, ela constrói pontes. Pois sabe que o Evangelho só é crível quando se traduz em gestos de proximidade e de acolhimento; e que em cada migrante rejeitado, é o próprio Cristo que bate às portas da comunidade (75)
Ainda sobre o tema das migrações, Robert Prevost faz seus os famosos “quatro verbos” do Papa Francisco: “Acolher, proteger, promover e integrar”. E do Papa Francisco ele também toma emprestada a definição dos pobres não apenas como objeto de nossa compaixão, mas como “mestres do Evangelho”.
Servir aos pobres não é um gesto a ser feito “de cima para baixo”, mas um encontro entre iguais... A Igreja, portanto, quando se curva para cuidar dos pobres, assume sua postura mais elevada (79)
Mulheres vítimas de violência e exclusão
O Sucessor de Pedro olha então para a atualidade marcada por milhares de pessoas que morrem todos os dias “por causas relacionadas com a desnutrição” (12). “Duplamente pobres”, acrescenta, são “as mulheres que padecem situações de exclusão, maus-tratos e violência, porque frequentemente têm menos possibilidades de defender os seus direitos” (12).
“Os pobres não existem por acaso...”
O Papa Leão XIV traça uma reflexão profunda sobre as causas da pobreza: “Os pobres não existem por acaso ou por um cego e amargo destino. Muito menos a pobreza é uma escolha, para a maioria deles. No entanto, ainda há quem ouse afirmá-lo, demonstrando cegueira e crueldade”, sublinha (14). “Obviamente, entre os pobres há também aqueles que não querem trabalhar”, mas há também muitos homens e mulheres que, por exemplo, recolhem papelão de manhã à noite apenas para “sobreviver” e nunca para “melhorar” a vida. Em suma, lê-se em um dos pontos centrais da Dilexi te, não se pode dizer “que a maioria dos pobres estão nessa situação porque não obtiveram méritos, de acordo com a falsa visão da meritocracia, segundo a qual parece que só têm méritos aqueles que tiveram sucesso na vida” (14).
Ideologias e orientações políticas
Em muitas ocasiões, observa o Papa Leão, são os próprios cristãos que se deixam “contagiar por atitudes marcadas por ideologias mundanas ou por orientações políticas e econômicas que levam a injustas generalizações e conclusões enganosas” (15).
Há quem continue a dizer: “O nosso dever é rezar e ensinar a verdadeira doutrina”. Mas, desvinculando este aspecto religioso da promoção integral, acrescentam que só o Governo deveria cuidar deles, ou que seria melhor deixá-los na miséria, ensinando-lhes antes a trabalhar (114)
A esmola frequentemente desprezada
Sintoma dessa mentalidade é o fato de que o exercício da caridade às vezes é “desprezado ou ridicularizado, como se fosse uma fixação somente de alguns e não o núcleo incandescente da missão eclesial” (15). O Papa detém-se longamente na esmola, raramente praticada e frequentemente desprezada (115).
Como cristãos, não renunciemos à esmola. Um gesto que pode ser feito de várias maneiras, e podemos tentar fazer da forma mais eficaz, mas que deve ser feito. E será sempre melhor fazer alguma coisa do que não fazer nada. Em todo o caso, tocar-nos-á o coração. Não será a solução para a pobreza no mundo, que deve ser procurada com inteligência, tenacidade e compromisso social. Mas precisamos praticar a esmola para tocar a carne sofredora dos pobres (119)
Indiferença por parte dos cristãos
Na mesma linha, o Papa destaca “a falta ou mesmo a ausência de compromisso” com a defesa e a promoção dos mais desfavorecidos em alguns grupos cristãos (112). Se uma comunidade da Igreja não coopera para a inclusão de todos, adverte ele, “correrá também o risco da sua dissolução, mesmo que fale de temas sociais ou critique os Governos. Facilmente acabará submersa pelo mundanismo espiritual, dissimulado em práticas religiosas, reuniões infecundas ou discursos vazios” (113).
Há que afirmar sem rodeios que existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres (36)
O testemunho dos santos, beatos e ordens religiosas
Para contrabalançar essa atitude de indiferença, há um mundo de santos, beatos e missionários que, ao longo dos séculos, encarnaram a imagem de “uma Igreja pobre e para os pobres” (35). De Francisco de Assis e seu gesto de abraçar um leproso (7) a Madre Teresa, ícone universal da caridade dedicada aos moribundos da Índia “com uma ternura que era oração” (77). E ainda São Lourenço, São Justino, Santo Ambrósio, São João Crisóstomo, seu Santo Agostinho, que afirmava:
“Aquele que diz amar a Deus e não se compadece dos necessitados, mente” (45).
Leão ainda lembra o trabalho dos Camilianos pelos doentes (49), das congregações femininas em hospitais e casas de repouso (51). Ele lembra o acolhimento nos mosteiros beneditinos a viúvas, crianças abandonadas, peregrinos e mendigos (55). E lembra também os franciscanos, dominicanos, carmelitas e agostinianos que iniciaram “uma revolução evangélica” através de um “estilo de vida simples e pobre” (63), juntamente com os trinitários e mercedários que, lutando pela libertação dos prisioneiros, expressaram o amor de “um Deus que liberta não só da escravidão espiritual, mas também da opressão concreta” (60).
A tradição destas Ordens não cessou. Pelo contrário, inspirou novas formas de ação diante das escravidões modernas: o tráfico de pessoas, o trabalho forçado, a exploração sexual, as diversas formas de dependência. A caridade cristã, quando encarnada, torna-se libertadora (61)
O direito à educação
O Pontífice recorda também o exemplo de São José de Calasanz, que fundou a primeira escola popular gratuita da Europa (69), para salientar a importância da educação dos pobres: “Não é um favor, mas um dever”.
Os pequenos têm direito à sabedoria, como exigência básica do reconhecimento da dignidade humana (72)
A luta dos movimentos populares
Na exortação, o Papa também menciona a luta contra os “efeitos destrutivos do império do dinheiro” por parte dos movimentos populares, conduzidos por líderes “colocados muitas vezes sob suspeita e até perseguidos” (80). Eles, escreve, “convidam a superar aquela ideia das políticas sociais concebidas como uma política para os pobres, mas nunca com os pobres, nunca dos pobres” (81).
Uma voz que desperte e denuncie
Nas últimas páginas do documento, Leão XIV apela a todo o Povo de Deus para “fazer ouvir, ainda que de maneiras diferentes, uma voz que desperte, denuncie e se exponha mesmo correndo o risco de parecer estúpidos”.
As estruturas de injustiça devem ser reconhecidas e destruídas com a força do bem, através da mudança de mentalidades e também, com a ajuda da ciência e da técnica, através do desenvolvimento de políticas eficazes na transformação da sociedade (97)
Os pobres, não um problema social, mas o centro da Igreja
É necessário que “todos nos deixemos evangelizar pelos pobres”, exorta o Papa (102). “O cristão não pode considerar os pobres apenas como um problema social: eles são uma questão familiar. Pertencem aos nossos”. Portanto, “a relação com eles não pode ser reduzida a uma atividade ou departamento da Igreja” (104).
Os pobres ocupam um lugar central na Igreja (111)
Fonte: https://www.vaticannews.va
Leão XIV: os barcos dos migrantes não podem encontrar indiferença, sejamos missionários
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Por ocasião do Jubileu dos Migrantes e dos Missionários, o Papa presidiu a Missa na Praça São Pedro. “Aqueles barcos que esperam avistar um porto seguro não podem e não devem encontrar a frieza da indiferença ou o estigma da discriminação”, disse o Pontífice em sua a homilia.
Migrantes prestam homenagem à escultura a eles dedicada na Praça São Pedro (@Vatican Media)
Thulio Fonseca - Vatican News
O domingo chuvoso em Roma não impediu a presença de milhares de peregrinos, que se reuniram para participar da Santa Missa presidida pelo Papa. A liturgia, marcada pelo espírito do Jubileu dos Migrantes e dos Missionários, celebrado neste XXVII Domingo do Tempo Comum, 5 de outubro, recordou o vínculo inseparável entre missão e acolhida. “Estamos aqui porque, junto ao túmulo do Apóstolo Pedro, cada um de nós deve poder dizer com alegria: toda a Igreja é missionária”, afirmou Leão XIV, citando, em seguida, o Papa Francisco:
“É urgente que a Igreja saia para anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demora, sem repulsa e sem medo.”
O silêncio de Deus e a força da fé
Comentando as palavras do profeta Habacuque: “Até quando, Senhor, implorarei ajuda e não me ouvirás?”, o Papa recordou a experiência da dor que atravessa a humanidade diante da injustiça. “Este grito de dor é uma forma de oração que permeia toda a Escritura”, disse, evocando também as palavras de Bento XVI em Auschwitz: “Deus permanece em silêncio, e esse silêncio dilacera a alma do orante”. Contudo, Leão XIV destacou que a resposta do Senhor é promessa de esperança: “O justo viverá pela sua fé”:
“A fé não se impõe com meios de poder e de maneiras extraordinárias; basta um grão de mostarda para fazer coisas impensáveis, porque traz em si a força do amor de Deus que abre caminhos de salvação [...] que cresce lentamente quando nos tornamos ‘servos inúteis’, ou seja, quando nos colocamos a serviço do Evangelho e dos irmãos sem buscar nossos interesses, mas apenas para levar ao mundo o amor do Senhor.”
Jamais discriminar
Se no passado a missão era muitas vezes associada ao partir para terras distantes, hoje, segundo o Papa, ela consiste em “permanecer sem nos refugiarmos no conforto do nosso individualismo, permanecer para olhar nos olhos daqueles que chegam de terras martirizadas, permanecer para abrir-lhes os braços e o coração”. Leão XIV lembrou os dramas dos migrantes, que atravessam desertos e mares em busca de vida e dignidade.
“Os seus olhos cheios de angústia e esperança que procuram terra firme onde desembarcar, não podem e não devem encontrar a frieza da indiferença ou o estigma da discriminação![...] Tudo isso exige pelo menos dois grandes compromissos missionários: a cooperação missionária e a vocação missionária.”
Nova era missionária
O Pontífice insistiu na importância de uma renovada cooperação missionária entre as Igrejas e no incentivo às vocações missionárias. Dirigindo-se de modo particular à Europa, disse que é necessário um novo impulso missionário, com leigos, religiosos e presbíteros dispostos a oferecer seu serviço em terras de missão:
“Irmãos e irmãs, hoje se abre na história da Igreja uma nova era missionária. […] Todo missionário que parte para outras terras é chamado a habitar as culturas que encontra com sagrado respeito, direcionando para o bem tudo o que encontra de bom e nobre, e levando-lhes a profecia do Evangelho.”
Deus salva o seu povo
No final da homilia, Leão XIV dirigiu-se diretamente aos migrantes:
“Sejam sempre bem-vindos! Os mares e desertos que atravessaram são lugares de salvação, onde Deus se fez presente para salvar o seu povo. Desejo que encontrem esse rosto de Deus nas missionárias e missionários que encontrarão”.
Confiando todos à intercessão de Maria, “primeira missionária do seu Filho”, o Papa pediu que ela sustente a Igreja na construção de um Reino de amor, justiça e paz. Fonte: https://www.vaticannews.va
Papa recorda mártires e cita a "esperança desarmada" de Ir. Dorothy Stang na Amazônia
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Em memória dos novos mártires, Leão XIV recorda aqueles que testemunharam “a fé sem nunca usar as armas da força e da violência, mas abraçando a força fraca e mansa do Evangelho”. Assim como a Irmã Dorothy Stang, "empenhada na causa dos sem-terra na Amazônia: quando aqueles que se preparavam para matá-la lhe perguntaram se estava armada, ela mostrou-lhes a Bíblia, respondendo: «Esta é a minha única arma».
Andressa Collet - Vatican News
Neste domingo, 14 de setembro, Festa da Exaltação da Santa Cruz para muitos cristãos do Oriente e do Ocidente, o Papa Leão presidiu na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma, uma celebração em memória dos novos mártires e testemunhas da fé do século XXI com a participação de representantes das Igrejas Ortodoxas, das Antigas Igrejas Orientais, das Comunhões cristãs e das Organizações ecumênicas que aceitaram o convite feito pelo Pontífice. "Aos pés da cruz de Cristo, nossa salvação, descrita como a 'esperança dos cristãos' e a 'glória dos mártires', o Papa recordou dos "audaciosos servos do Evangelho" justamente com "o olhar voltado para o Crucificado", que 'tomou sobre si as nossas doenças, carregou as nossas dores':
"Muitos irmãos e irmãs, ainda hoje, por causa do seu testemunho de fé em situações difíceis e contextos hostis, carregam a mesma cruz do Senhor: como Ele, são perseguidos, condenados, mortos. [...]. São mulheres e homens, religiosos e religiosas, leigos e sacerdotes, que pagam com a vida a fidelidade ao Evangelho, o compromisso com a justiça, a luta pela liberdade religiosa onde ela ainda é violada, a solidariedade com os mais pobres. Segundo os critérios do mundo, eles foram 'derrotados'. Na realidade, como nos diz o Livro da Sabedoria: «Se aos olhos dos homens foram castigados, a sua esperança estava cheia de imortalidade»."
A esperança desarmada dos mártires da fé
Durante o Ano Jubilar, continuou o Papa às cerca de 4 mil pessoas presentes na basílica, celebramos "a esperança destes corajosos testemunhos de fé":
"É uma esperança cheia de imortalidade, porque o seu martírio continua a difundir o Evangelho num mundo marcado pelo ódio, pela violência e pela guerra; é uma esperança cheia de imortalidade, porque, apesar de terem sido mortos no corpo, ninguém poderá silenciar a sua voz ou apagar o amor que deram; é uma esperança cheia de imortalidade, porque o seu testemunho permanece como profecia da vitória do bem sobre o mal. Sim, a deles é uma 'esperança desarmada'. Eles testemunharam a fé sem nunca usar as armas da força e da violência, mas abraçando a força frágil e mansa do Evangelho."
Leão XIV recorda Irmã Dorothy Stang morta no Pará
O Papa Leão, então, procurou dar alguns exemplos dos mártires, porque seriam muitos, já que, "infelizmente, apesar do fim das grandes ditaduras do século XX, ainda hoje não acabou a perseguição aos cristãos; pelo contrário, em algumas partes do mundo, aumentou". Ele citou o Padre Ragheed Ganni, sacerdote caldeu de Mossul, no Iraque, que renunciou à luta para testemunhar como se comporta um verdadeiro cristão; o Irmão Francis Tofi, anglicano e membro da Melanesian Brotherhood, que deu a vida pela paz nas Ilhas Salomão; e também foi ao Brasil para recordar a religiosa americana que lutou durante décadas na região amazônica contra o desmatamento e pelos direitos dos pequenos agricultores e trabalhadores:
“Penso na força evangélica da Irmã Dorothy Stang, empenhada na causa dos sem-terra na Amazônia: quando aqueles que se preparavam para matá-la lhe perguntaram se estava armada, ela mostrou-lhes a Bíblia, respondendo: «Esta é a minha única arma».”
Dorothy Stang tinha 73 anos quando foi assassinada em 12 de fevereiro de 2005. A religiosa em missão no Brasil por quase 40 anos, morreu com a Bíblia na mão. E essas mortes, disse o Papa, "não podemos, não queremos esquecer. Queremos recordar". E Leão XIV acrescentou: e "queremos preservar a memória juntamente com os nossos irmãos e irmãs das outras Igrejas e Comunidades cristãs. Desejo, portanto, reiterar o compromisso da Igreja Católica em guardar a memória dos testemunhos da fé de todas as tradições cristãs".
A Comissão para os Novos Mártires no Vaticano
O Pontífice enalteceu, assim, o trabalho desenvolvido pela Comissão para os Novos Mártires instituído pelo Papa Francisco em 2023, junto ao Dicastério para as Causas dos Santos, que colabora com o Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Desde então, mais de 1600 mártires do século XXI foram reconhecidos pelo Vaticano, num testemunho que "é mais eloquente do que quaisquer palavras: a unidade vem da Cruz do Senhor".
Queridos irmãos, um pequeno paquistanês, Abish Masih, morto num atentado contra a Igreja Católica, tinha escrito no seu caderno: «Making the world a better place», «tornar o mundo um lugar melhor». Que o sonho desta criança nos incentive a testemunhar com coragem a nossa fé, para sermos juntos fermento de uma humanidade pacífica e fraterna. Fonte: https://www.vaticannews.va
Papa: Deus nos salvou ao abraçar a cruz, oferecendo-se como mestre e amigo
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No Angelus, Leão XIV reflete sobre o significado da festa da Exaltação da Santa Cruz, que se celebra neste domingo, 14 de setembro, e sublinha que Jesus se tornou “nosso companheiro” e “médico” para nos redimir e se fez “para nós Pão partido na Eucaristia”, transformando um “instrumento de morte” em “instrumento de vida”. “A sua caridade é maior do que o nosso próprio pecado”.
Tiziana Campisi – Vatican News
“Deus, para redimir os homens, se fez homem e morreu na cruz.”
É por isso que a Igreja celebra a Exaltação da Santa Cruz, neste domingo, 14 de setembro, dia em que, segundo a tradição, Santa Helena “encontra o madeiro da Cruz, em Jerusalém, no século IV”, explica Leão XIV no Angelus, na Praça de São Pedro.
A conversa de Jesus com Nicodemos
A festa litúrgica também lembra a devolução da relíquia da Cruz “à Cidade Santa, por obra do Imperador Heráclio”, acrescenta o Papa, que se detém, em seguida, no Evangelho dominical para aprofundar o significado do sacrifício extremo de Cristo. O protagonista é Nicodemos, “um dos chefes dos judeus, pessoa reta e de mente aberta”, que encontra Jesus à noite e “precisa de luz, de orientação: procura Deus e pede ajuda ao Mestre de Nazaré, porque reconhece n'Ele um profeta”, esclarece o Pontífice, e “o Senhor o acolhe, o escuta e, no final, revela-lhe que o Filho do homem deve ser elevado, ‘afim de que todo o que nele crê tenha a vida eterna’”.
Cristo nos salvou através da cruz
Falando a Nicodemos, Jesus lembra o episódio do Antigo Testamento que narra os israelitas no deserto atacados por serpentes venenosas, que se salvaram “olhando para a serpente de bronze que Moisés, obedecendo à ordem de Deus, tinha feito e colocado sobre uma haste”, e especifica, então, que Deus “amou tanto o mundo que entregou o seu Filho único, para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna”.
Deus salvou-nos revelando-se a nós, oferecendo-se como nosso companheiro, mestre, médico, amigo, até se tornar para nós Pão partido na Eucaristia. E para realizar esta obra, serviu-se de um dos instrumentos de morte mais cruéis que o homem já inventou: a cruz.
O amor de Deus é maior do que o pecado do homem
Celebrar a exaltação da cruz, então, significa fazer memória do “amor imenso com que Deus” abraçou a cruz “para nossa salvação – conclui o Pontífice –, transformando-a de instrumento de morte em instrumento de vida, ensinando-nos que nada pode nos separar d'Ele e que a sua caridade é maior do que o nosso próprio pecado”. Daí o convite a pedir, “por intercessão de Maria”, que “em nós se enraíze e cresça” o “amor” de Cristo “que salva, e que também nós saibamos nos doar uns aos outros, como Ele se doou totalmente a todos”. Fonte: https://www.vaticannews.va
O Papa: aprendamos com Jesus o grito da esperança que não desiste
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A catequese de Leão XIV foi centrada na experiência de Jesus crucificado. "Na cruz, Jesus não morre em silêncio", disse o Papa. Ele "deixa a sua vida com um grito" e "este grito abrange tudo: dor, abandono, fé e oferenda. Não é apenas a voz de um corpo que cede, mas o sinal máximo de uma vida que se entrega", sublinhou o Pontífice.
Mariangela Jaguraba - Vatican News
A morte de Jesus na cruz foi o centro da catequese do Papa Leão XIV na Audiência Geral, desta quarta-feira (10/09), realizada na Praça São Pedro.
Não obstante o dia nublado e chuvoso, milhares de fiéis e peregrinos participaram deste encontro semanal com o Pontífice.
"Os Evangelhos atestam um pormenor preciosíssimo, que merece ser contemplado com a inteligência da fé: na cruz, Jesus não morre em silêncio. Ele não se apaga lentamente, como uma luz que se consuma, mas deixa a sua vida com um grito: «Então Jesus, soltando um forte grito, expirou». Este grito abrange tudo: dor, abandono, fé e oferenda. Não é apenas a voz de um corpo que cede, mas o sinal máximo de uma vida que se entrega", disse o Papa Leão.
Sofrimento de Jesus,
Grito de confiança
"O grito de Jesus é precedido de uma pergunta, uma das mais pungentes que se pode proferir: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?». É o primeiro versículo do Salmo 22, mas nos lábios de Jesus assume um peso singular", frisou o Pontífice, acrescentando:
“O Filho, que sempre viveu em íntima comunhão com o Pai, experimenta agora o silêncio, a ausência, o abismo. Não é uma crise de fé, mas a etapa final de um amor que se entrega completamente. O grito de Jesus não é de desespero, mas de sinceridade, de verdade levada ao limite, de confiança que perdura mesmo quando tudo é silêncio.”
"Deus já não habita atrás de um véu; o seu rosto é agora totalmente visível no Crucifixo. É ali, naquele homem atormentado, que se revela o maior amor", sublinhou o Papa, ressaltando que o centurião, que era um pagão, compreendeu, mas não "porque ouviu um discurso, mas porque viu Jesus morrer daquela maneira". Ele disse: «Verdadeiramente este homem era Filho de Deus!».
“É a primeira profissão de fé após a morte de Jesus. É o fruto de um grito que não se perdeu no vento, mas tocou um coração. Por vezes, o que não conseguimos expressar com palavras, expressamos com a voz. Quando o coração está cheio, clama. E isso nem sempre é sinal de fraqueza; pode ser um profundo ato de humanidade.”
Gritar, um gesto espiritual
De acordo com o Papa, "o Evangelho dá ao nosso clamor um imenso valor, lembrando-nos que pode ser uma invocação, um protesto, um desejo, uma entrega. De fato, pode ser a forma suprema da oração, quando já não nos restam mais palavras. Naquele grito, Jesus colocou tudo o que lhe restava: todo o seu amor, toda a sua esperança".
"Uma esperança que não desiste. Gritamos quando acreditamos que alguém ainda pode ouvir. Clamamos não por desespero, mas por desejo. Jesus não gritou contra o Pai, mas para Ele. Mesmo em silêncio, estava convencido de que o Pai estava ali. E assim nos mostrou que a nossa esperança pode gritar, mesmo quando tudo parece perdido", disse ainda o Pontífice.
“Gritar torna-se então um gesto espiritual. Não é apenas o primeiro ato do nosso nascimento — quando viemos ao mundo chorando — é também uma forma de nos mantermos vivos. Gritamos quando sofremos, mas também quando amamos, chamamos, invocamos. Gritar é dizer que estamos aqui, que não queremos nos esvair em silêncio, que ainda temos algo para oferecer.”
Grito da esperança
O Papa recordou que existem momentos na vida "em que guardar tudo dentro de nós pode consumir-nos lentamente. Jesus nos ensina a não ter medo do clamor, desde que seja sincero, humilde e dirigido ao Pai. Um clamor nunca é em vão, se vier do amor. Nunca é ignorado, se for entregue a Deus. É uma forma de evitar ceder ao cinismo, de continuar acreditando que outro mundo é possível".
Leão XIV concluiu, convidando a aprender com Jesus "o grito da esperança quando chega a hora da provação extrema. Não para magoar, mas para confiar. Não para gritar contra ninguém, mas para abrir o coração. Se o nosso grito for verdadeiro, pode ser o limiar de uma nova luz, de um novo nascimento. Como foi para Jesus: quando tudo parecia terminado, a salvação estava, na verdade, prestes a começar. Se expressada com a confiança e a liberdade dos filhos de Deus, a voz angustiada da nossa humanidade, unida à voz de Cristo, pode tornar-se fonte de esperança para nós e para os que nos rodeiam". Fonte: https://www.vaticannews.va
O Papa: a sede de Jesus na cruz é a nossa também. Clamor de uma humanidade ferida
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A catequese de Leão XIV na Audiência Geral foi marcada pelas palavras finais de Jesus na cruz: "Tenho sede" e "Tudo está consumado". "Se até o Filho de Deus escolheu não ser autossuficiente, então a nossa sede, de amor, de sentido, de justiça, não é um sinal de fracasso, mas de verdade", disse o Papa, ressaltando que "esta verdade, aparentemente tão simples, é difícil de aceitar", pois "vivemos numa época que preza a autossuficiência, a eficiência e o desempenho".

Mariangela Jaguraba - Vatican News
A Praça São Pedro acolheu milhares de fiéis para a Audiência Geral desta quarta-feira, 03 de setembro, em que o Papa Leão XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses dedicado ao tema “Jesus Cristo nossa Esperança”.
As palavras de Jesus "Tenho sede" e logo depois "Tudo está consumado", proferidas na cruz, foram o centro da catequese deste encontro semanal com os fiéis.
"São palavras finais, mas carregadas de uma vida inteira, que revelam o sentido de toda a existência do Filho de Deus. Na cruz, Jesus não aparece como um herói vitorioso, mas como um mendigo de amor. Não proclama, não condena, não se defende. Pede humildemente o que não pode dar a si mesmo", frisou o Pontífice, acrescentando:
“A sede do Crucificado não é apenas a necessidade fisiológica de um corpo torturado. É também, e sobretudo, a expressão de um desejo profundo: o de amor, de relação, de comunhão. É o grito silencioso de um Deus que, tendo querido partilhar tudo sobre a nossa condição humana, deixa-se passar também por essa sede.”
Abertura confiante aos outros
Um Deus que não se envergonha de pedir e com este gesto nos diz "que o amor, para ser verdadeiro, deve também aprender a pedir e não apenas a dar". Assim, Jesus
"manifesta a sua humanidade e a nossa também". "Nenhum de nós é autossuficiente. Ninguém se pode salvar sozinho",
disse ainda o Papa. "A vida 'consuma-se' não quando somos fortes, mas quando aprendemos a receber. Nesse momento, depois de ter recebido de estranhos uma esponja embebida em vinagre, Jesus proclama: Está consumado. O amor tornou-se carente e, precisamente por isso, consumou a sua obra", sublinhou.
“Este é o paradoxo cristão: Deus salva não fazendo, mas deixando-se fazer. Não vencendo o mal pela força, mas aceitando plenamente a fragilidade do amor. Na cruz, Jesus nos ensina que a realização humana não se alcança pelo poder, mas pela abertura confiante aos outros, mesmo quando hostis e inimigos.”
Capacidade de nos deixarmos amar
Segundo Leão XIV, "a salvação não reside na autonomia, mas em reconhecer humildemente as próprias necessidades e saber exprimi-las livremente".
“A consumação da nossa humanidade no plano de Deus não é um ato de força, mas um gesto de confiança. Jesus não salva com uma reviravolta dramática, mas pedindo algo que Ele não pode dar a si mesmo. E aqui abre-se uma porta para a verdadeira esperança: se até o Filho de Deus escolheu não ser autossuficiente, então a nossa sede — de amor, de sentido, de justiça — não é um sinal de fracasso, mas de verdade.”
De acordo com o Papa,
"esta verdade, aparentemente tão simples, é difícil de aceitar", pois "vivemos numa época que preza a autossuficiência, a eficiência e o desempenho. No entanto, o Evangelho nos mostra que a medida da nossa humanidade não é o que podemos conquistar, mas a nossa capacidade de nos deixarmos amar e, quando necessário, até mesmo ajudar".
A nossa fragilidade é uma ponte para o céu
"Jesus nos salva mostrando que pedir não é indigno, mas libertador. É a saída do esconderijo do pecado, para reentrar no espaço da comunhão. Desde o princípio, o pecado gerou vergonha. Mas o verdadeiro perdão surge quando conseguimos encarar a nossa necessidade e deixar de temer a rejeição", ressaltou.
“A sede de Jesus na cruz é a nossa também. É o clamor de uma humanidade ferida que ainda procura água viva. Essa sede não nos afasta de Deus, na verdade une-nos a Ele. Se tivermos a coragem de a reconhecer, podemos descobrir que até a nossa fragilidade é uma ponte para o céu. Precisamente no pedir — não no possuir — abre-se um caminho para a liberdade, porque deixamos de fingir que somos suficientes para nós mesmos.” Papa Leão XIV.
"Na fraternidade, na vida simples, na arte de pedir sem vergonha e de oferecer sem cálculos, reside uma alegria desconhecida para o mundo. Uma alegria que nos restitui à verdade original do nosso ser: somos criaturas feitas para dar e receber amor", sublinhou ainda Leão XIV que, concluindo sua catequese, disse que "na sede de Cristo podemos reconhecer toda a nossa sede e aprender que não há nada mais humano, nada mais divino, do que poder dizer: tenho necessidade. Não tenhamos medo de pedir, sobretudo quando sentimos que não merecemos. Não tenhamos vergonha de estender a mão. É aí, nesse gesto humilde, que se esconde a salvação". Fonte: https://www.vaticannews.va
28 de agosto- O Santo do dia
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Oração de Santo Agostinho

- Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova… Tarde Te amei! Trinta anos estive longe de Deus. Mas, durante esse tempo, algo se movia dentro do meu coração… Eu era inquieto, alguém que buscava a felicidade, buscava algo que não achava… Mas Tu Te compadeceste de mim e tudo mudou, porque Tu me deixaste conhecer-Te. Entrei no meu íntimo sob a Tua Guia e consegui, porque Tu Te fizeste meu auxílio.
- Tu estavas dentro de mim e eu fora… “Os homens saem para fazer passeios, a fim de admirar o alto dos montes, o ruído incessante dos mares, o belo e ininterrupto curso dos rios, os majestosos movimentos dos astros. E, no entanto, passam ao largo de si mesmos. Não se arriscam na aventura de um passeio interior”. Durante os anos de minha juventude, pus meu coração em coisas exteriores que só faziam me afastar cada vez mais d’Aquele a Quem meu coração, sem saber, desejava… Eis que estavas dentro e eu fora! Seguravam-me longe de Ti as coisas que não existiriam senão em Ti. Estavas comigo e não eu Contigo…
- Mas Tu me chamaste, clamaste por mim e Teu grito rompeu a minha surdez… “Fizeste-me entrar em mim mesmo… Para não olhar para dentro de mim, eu tinha me escondido. Mas Tu me arrancaste do meu esconderijo e me puseste diante de mim mesmo, a fim de que eu enxergasse o indigno que era, o quão deformado, manchado e sujo eu estava”. Em meio à luta, recorri a meu grande amigo Alípio e lhe disse: “Os ignorantes nos arrebatam o céu e nós, com toda a nossa ciência, nos debatemos em nossa carne”. Assim me encontrava, chorando desconsolado, enquanto perguntava a mim mesmo quando deixaria de dizer “Amanhã, amanhã”… Foi então que escutei uma voz que vinha da casa vizinha… Uma voz que dizia: “Pega e lê. Pega e lê!”.
- Brilhaste, resplandeceste sobre mim e afugentaste a minha cegueira. Então corri à Bíblia, abri-a e li o primeiro capítulo sobre o qual caiu o meu olhar. Pertencia à carta de São Paulo aos Romanos e dizia assim: “Não em orgias e bebedeiras, nem na devassidão e libertinagem, nem nas rixas e ciúmes. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo” (Rm 13,13s). Aquelas Palavras ressoaram dentro de mim. Pareciam escritas por uma pessoa que me conhecia, que sabia da minha vida.
- Exalaste Teu Perfume e respirei. Agora suspiro por Ti, anseio por Ti! Deus… de Quem separar-se é morrer, de Quem aproximar-se é ressuscitar, com Quem habitar é viver. Deus… de Quem fugir é cair, a Quem voltar é levantar-se, em Quem apoiar-se é estar seguro. Deus… a Quem esquecer é perecer, a Quem buscar é renascer, a Quem conhecer é possuir. Foi assim que descobri a Deus e me dei conta de que, no fundo, era a Ele, mesmo sem saber, a Quem buscava ardentemente o meu coração.
- Provei-Te, e, agora, tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me, e agora ardo por Tua Paz. “Deus começa a habitar em ti quando tu começas a amá-Lo”. Vi dentro de mim a Luz Imutável, Forte e Brilhante! Quem conhece a Verdade conhece esta Luz. Ó Eterna Verdade! Verdadeira Caridade! Tu és o meu Deus! Por Ti suspiro dia e noite desde que Te conheci. E mostraste-me então Quem eras. E irradiaste sobre mim a Tua Força dando-me o Teu Amor!
- E agora, Senhor, só amo a Ti! Só sigo a Ti! Só busco a Ti! Só ardo por Ti!…
- Tarde te amei! Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu Te amei! Eis que estavas dentro, e eu, fora – e fora Te buscava, e me lançava, disforme e nada belo, perante a beleza de tudo e de todos que criaste. Estavas comigo, e eu não estava Contigo… Seguravam-me longe de Ti as coisas que não existiriam senão em Ti. Chamaste, clamaste por mim e rompeste a minha surdez. Brilhaste, resplandeceste, e a Tua Luz afugentou minha cegueira. Exalaste o Teu Perfume e, respirando-o, suspirei por Ti, Te desejei. Eu Te provei, Te saboreei e, agora, tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me e agora ardo em desejos por Tua Paz!
Santo Agostinho, Confissões 10, 27-29
Por uma paz "desarmada e desarmante": Leão XIV para o Dia Mundial da Paz de 2026
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O tema da mensagem do Papa para 59º Dia Mundial da Paz do próximo ano foi divulgado nesta terça-feira (26/08) pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral: «A paz esteja com todos vós: rumo a uma paz “desarmada e desarmante”». A escolha recai sobre uma expressão utilizada logo no início de pontificado, quando Robert Prevost apareceu pela primeira vez no balcão central da Basílica de São Pedro, na eleição de 8 de maio, em apelo à reconciliação e ao diálogo.
Ouça a reportagem com a voz do Papa e compartilhe
Andressa Collet - Vatican News
O Papa Leão XIV escolheu o tema da mensagem para 59º Dia Mundial da Paz de 2026: «A paz esteja com todos vós: rumo a uma paz “desarmada e desarmante”». A escolha recai sobre uma expressão utilizada logo no início do pontificado, quando apareceu pela primeira vez no balcão central da Basílica de São Pedro, no dia da sua eleição como Sucessor de Pedro. Eram 19h23 de 8 de maio quando fez um apelo à reconciliação e ao diálogo durante a primeira bênção Urbi et Orbi:
"A paz esteja com todos vós! Caríssimos irmãos e irmãs, esta é a primeira saudação de Cristo Ressuscitado, o Bom Pastor, que deu a vida pelo rebanho de Deus. Também eu gostaria que esta saudação de paz entrasse no vosso coração, chegasse às vossas famílias, a todas as pessoas, onde quer que se encontrem, a todos os povos, a toda a terra. A paz esteja convosco!"
“Esta é a paz de Cristo Ressuscitado, uma paz desarmada e uma paz desarmante, que é humilde e perseverante. Que vem de Deus, do Deus que nos ama a todos incondicionalmente.”
A invocação por uma "paz desarmada e desarmante" foi repetida já por várias vezes pelo Papa Leão XIV neste início de pontificado, reiterando a importância de uma reconciliação feita com diálogo, que constrói pontes dando voz a todos. Uma paz, segundo o Pontífice, que alcance o cessar-fogo não só das armas, mas também das palavras: "desarmemos as palavras para desarmar a Terra".
Em comunicado desta terça-feira (26/08) pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral através da Sala de Imprensa da Santa Sé para divulgar o tema da mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2026, o Papa Leão XIV convida novamente a humanidade a rejeitar a lógica da violência e da guerra, para abraçar uma paz autêntica, fundada no amor e na justiça. Essa paz deve ser desarmada, ou seja, não baseada no medo, na ameaça ou nas armas; e desarmante, porque capaz de dissolver conflitos, abrir corações e gerar confiança, empatia e esperança. Não basta invocar a paz, é preciso encarná-la em um estilo de vida que rejeite toda forma de violência, visível ou estrutural. A saudação do Cristo Ressuscitado, “A paz esteja convosco” (cf. Jo 20,19), é um convite dirigido a todos – crentes, não crentes, responsáveis políticos e cidadãos – para edificar o Reino de Deus e construir juntos um futuro humano e pacífico.
Assim, após o tema do Dia Mundial da Paz de 2025 em consonância com o Ano Jubilar, inspirado nas encíclicas Laudato si’ e Fratelli tutti, com o Papa Francisco escolhendo conceitos em torno da esperança e do perdão, "Perdoa-nos as nossas ofensas, concede-nos a tua paz"; Leão XIV faz um chamado a construir uma paz "desarmada e desarmante" a partir das famílias e entre os povos para promover a fraternidade com reconciliação. Fonte: https://www.vaticannews.va
O Papa: “a porta estreita”, a salvação passa pelas escolhas difíceis e impopulares
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O Papa Leão XIV no Angelus deste domingo (24/08): as palavras de Jesus “servem, antes de mais nada, para abalar a presunção daqueles que pensam que já estão salvos, daqueles que praticam a religião e, por isso, se sentem tranquilos”.
Silvonei José – Vatican News
“Ao mesmo tempo que nós, às vezes, julgamos quem está longe da fé, Jesus põe em crise “a segurança dos crentes”. Foi o que destacou o Papa Leão XIV ao introduzir o Angelus deste domingo (24/08) e comentar a imagem do Evangelho da “porta estreita”, usada por Jesus para responder a alguém que lhe perguntou se são poucos os que se salvam.
"Com efeito, diz-nos que não basta professar a fé com palavras, comer e beber com Ele celebrando a Eucaristia ou conhecer bem os ensinamentos cristãos. A nossa fé é autêntica quando envolve toda a nossa vida, quando se torna um critério para as nossas escolhas, quando nos torna mulheres e homens que se comprometem com o bem e apostam no amor, tal como fez Jesus".
O Senhor não quer, certamente, desanimar-nos, disse o Papa. “As suas palavras servem, antes de mais nada, para abalar a presunção daqueles que pensam que já estão salvos, daqueles que praticam a religião e, por isso, se sentem tranquilos. Na realidade, eles não compreenderam que não basta realizar atos religiosos se estes não transformam o coração: o Senhor não quer um culto separado da vida e não lhe são agradáveis sacrifícios e orações que não nos levam a viver o amor aos irmãos e a praticar a justiça”.
“É bonita a provocação que nos chega do Evangelho de hoje”, acrescentou o Papa leão.
Recordando que Jesus “não escolheu o caminho fácil do sucesso ou do poder”, mas, para nos salvar, atravessou a “porta estreita” da Cruz, o Papa salientou que Jesus é “a medida da nossa fé”, “a porta que devemos atravessar para sermos salvos, vivendo o seu mesmo amor e tornando-nos, com a nossa vida, agentes de justiça e paz”.
“Às vezes, isso significa fazer escolhas difíceis e impopulares, lutar contra o próprio egoísmo e gastar-se pelos outros, perseverar no bem onde parece prevalecer a lógica do mal, e assim por diante”. Mas – continuou –, ao ultrapassar esse limiar, descobriremos que a vida se abre diante de nós de uma maneira nova e, desde já, entraremos no espaçoso coração de Deus e na alegria da festa eterna que Ele preparou para nós”.
E o Santo Padre concluiu: “Invoquemos a Virgem Maria, para que nos ajude a atravessar com coragem a “porta estreita” do Evangelho, de modo que possamos abrir-nos com alegria à largura do amor de Deus Pai”. Fonte: https://www.vaticannews.va
Leão XIV na Audiência Geral: perdoar não é negar o mal, mas vencer com o amor.
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Na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira (20/08), o Papa aprofundou "a arte do perdão" com o mestre, através do "momento em que Jesus, durante a Última Ceia, oferece um pedaço de pão àquele que está prestes a traí-lo". Através de um gesto simples, Cristo ensina que "amar significa deixar o outro livre - até para trair", não é negar o mal, mas vencê-lo com o amor: "mesmo que a outra pessoa não o aceite, mesmo que pareça em vão, o perdão liberta quem o dá".

Andressa Collet - Vatican News
Já de volta ao Vaticano, depois do segundo e último período de descanso em Castel Gandolfo de onde retornou na noite desta terça-feira (19/08), o Papa Leão XIV foi acolhido pelos fiéis na mesma configuração da semana passada: através de telões na Praça Petriano, na Basílica e na Praça São Pedro; e diretamente na Sala Paulo VI com mais de 6 mil peregrinos. A catequese, focada nesta quarta-feira (20/08) "num dos gestos mais impactantes e luminosos do Evangelho", foi a premissa para o Pontífice aprofundar "a arte do perdão" com o mestre, através do "momento em que Jesus, durante a Última Ceia, oferece um pedaço de pão àquele que está prestes a traí-lo". "Não é apenas um gesto de partilha", enalteceu o Papa, mas demonstra o modo de agir de Deus, com o Senhor amando até ao último momento:
"Amar até o fim: esta é a chave para compreender o coração de Cristo. Um amor que não se detém perante a rejeição, a desilusão ou mesmo a ingratidão."
O poder do perdão
Jesus, assim, continuou Leão XIV, "estende o seu amor ao máximo", mesmo diante da rejeição, da ingratidão e de ter de suportar a traição de Judas. E, em vez de se retrair e acusar, "continua a amar: lava os pés, molha o pão e lhe oferece". Com o seu perdão, o Senhor não fere a nossa liberdade, mas revela todo o seu poder, salvando das trevas do mal e entregando novamente à luz do bem:
“Compreendeu que a liberdade dos outros, mesmo quando perdidos no mal, pode ainda ser alcançada pela luz de um gesto bondoso. Porque sabe que o verdadeiro perdão não espera pelo arrependimento, mas oferece-se primeiro, como um dom gratuito, antes mesmo de ser aceito.”
"É aqui que o perdão se revela em todo o seu poder", afirmou o Pontífice, através do mistério que "Jesus realiza por nós": "não é fraqueza. É a capacidade de deixar o outro livre, amando-o até ao fim". Perdoar não significa negar o mal, mas vencê-lo com o amor:
"O Evangelho nos mostra que há sempre uma forma de continuar a amar, mesmo quando tudo parece irreparavelmente comprometido. Perdoar não significa negar o mal, mas impedir que este gere mais mal. Não se trata de dizer que nada aconteceu, mas de fazer tudo o que é possível para garantir que o ressentimento não dite o futuro."
A graça de saber perdoar
Quando Judas sai do quarto, “era noite”, recordou o Papa, "mas uma luz já começou a brilhar. E ela resplandece porque Cristo permanece fiel até o fim, e assim o seu amor é mais forte do que o ódio":
"Queridos irmãos e irmãs, também nós vivemos noites dolorosas e cansativas. Noites da alma, noites de desilusão, noites em que alguém nos magoou ou nos traiu. Nestes momentos, a tentação é fechar-nos, proteger-nos, ripostar. Mas o Senhor nos mostra a esperança de que há sempre outro caminho. Ele nos ensina que podemos oferecer um bocado mesmo a quem nos vira as costas. Que podemos responder com o silêncio da confiança. E que podemos seguir em frente com dignidade, sem renunciar ao amor. Peçamos hoje a graça de saber perdoar, mesmo quando nos sentimos incompreendidos, mesmo quando nos sentimos abandonados. Pois é precisamente nestas alturas que o amor pode atingir o seu auge."
A paz de quem perdoa
O mestre Jesus, finalizou então Leão XIV, ensina com o simples e luminoso gesto de oferecer o pão durante a Última Ceia, que "amar significa deixar o outro livre até para trair". A "luz do perdão", mesmo diante de uma traição, torna-se "uma oportunidade de salvação", renovando a capacidade de amar inclusive a quem perdoa:
“Mesmo que a outra pessoa não o aceite, mesmo que pareça em vão, o perdão liberta quem o dá: dissolve o ressentimento, restabelece a paz e devolve-nos a nós próprios.” Fonte: https://www.vaticannews.va
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