*''Vou batizar o seu filho'', diz o papa por telefone a uma mãe solteira
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Os telefonemas de Francisco nunca são por acaso. Ele liga para uma pessoa para falar com todas. Neste caso, as mães solteiras. Um envelope endereçado simplesmente a "Sua Santidade, Francisco, Cidade do Vaticano". Na terça-feira à tarde, o celular de Anna Romano tocou. "Eu atendi e fiquei sem palavras: no início, pensei que era trote, mas depois ouvi a referência à carta sobre a qual só os meus pais sabiam". Do outro lado da linha, o pontífice. A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no sítio Vatican Insider, 06-09-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
"Vou batizar o seu filho. Nós, cristãos, não devemos levar a esperança embora", disse o papa por telefone à vendedora romana de 35 anos que tinha se dirigido a ele em um momento de desespero. Tendo ficado grávida de um homem que a abandonou, no fim de junho, ela escreveu a Francisco para contar a sua triste história.
"O meu companheiro me deixou, dizendo-me que não tem nenhuma intenção de cuidar do bebê a caminho, ou, melhor, me aconselhou a abortar", explica ela. "Por um instante, eu pensei em fazer isso realmente. Agora, só a ideia me dá calafrios. Naquele período, porém, eu estava muito sozinha e infeliz"...
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.Fotos e fatos do Capítulo Geral da Ordem do Carmo.
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O1- Carmelitas com o Cardeal João Braz Aviz.

02-Com Frei Sérgio Estefane, 0.Carm. Fonte: Via face...
.TENDÊNCIAS E DEBATES: Suicídio.
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Na voz de Frei Petrônio de Miranda, estudante de Jornalismo da Fapcom- Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação, ouça um artigo de Humberto Corrêa, no Jornal “Folha de São Paulo”, do dia 10 de setembro de 2013, com o tema: Combater o tabu para evitar o suicídio, sobre o Dia Mundial de Combate ao Suicídio. (10 de setembro). Convento do Carmo, São Paulo, 10 de setembro-2013. (Onde procurar ajuda? www.cvv.org.br ou 141. O Centro de Valorização da Vida).
DIVULGAÇÃO: www.mensagensdofreipetroniodemiranda.blogspot.com; www.facebook.com/freipetronio2; www.olharjornalistico.com.br; www.mais.uol.com.br/olharjornalistico; www.facebook.com/olharjornalistico; www.flickr.com/photos/avozdoscarmelitas; www.myspace.com/olharjornalistico; www.youtube.com/olharjornalistico; www.freipetrniomiranda.muzy.com; www.youtube.com/carmo160; www.videolog.tv/freipetronio; www.twitter.com/freipetronio; www.youtube.com/petros637; www.youtube.com/PetrosAntonio; http://www.tivio.tv/tv/?/olharjornalistico/ www.dailymotion.com/olharjornalistico
.*COISAS DE FRANCISCO: "Anunciar Cristo sem temor e vergonha" (Evangelho deste dia 10 de setembro).
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Cidade do Vaticano (RV) - Os cristãos são chamados a anunciar Jesus sem medo, sem vergonha e sem triunfalismo. Foi o que disse o Papa Francisco na Missa esta manhã na Casa Santa Marta. O Papa sublinhou o risco de se tornar cristãos sem Ressurreição e reiterou que Cristo é sempre o centro e a esperança da nossa vida.
Jesus é o Vencedor, Aquele que venceu a morte e o pecado. O Papa Francisco desenvolveu a sua homilia, inspirando-se nas palavras de Jesus na Carta de São Paulo aos Colossenses. Para todos nós, disse o Papa, São Paulo aconselha de caminhar com Jesus “porque Ele venceu, caminhar n’Ele arraigados e edificados n’Ele, sobre esta vitória, firmes na fé”. Este é o ponto chave, ressaltou: “Jesus ressuscitou”. Mas, - continuou -, nem sempre é fácil entender. O Papa recordou, por exemplo, que quando São Paulo falou aos gregos em Atenas foi ouvido com interesse até quando ele falou da Ressurreição. “Isso nos faz ter medo, melhor deixá-la lá”. Um episódio que nos questiona também hoje...
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.*Crime e preconceito: mães e filhos de santo são expulsos de favelas por traficantes evangélicos
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A roupa branca no varal era o único indício da religião da filha de santo, que, até 2010, morava no Morro do Amor, no Complexo do Lins. Iniciada no candomblé em 2005, ela logo soube que deveria esconder sua fé: os traficantes da favela, frequentadores de igrejas evangélicas, não toleravam a “macumba”.
Terreiros, roupas brancas e adereços que denunciassem a crença já haviam sido proibidos, há pelo menos cinco anos, em todo o morro. Por isso, ela saía da favela rumo a seu terreiro, na Zona Oeste, sempre com roupas comuns. O vestido branco ia na bolsa. Um dia, por descuido, deixou a “roupa de santo” no varal. Na semana seguinte, saía da favela, expulsa pelos bandidos, para não mais voltar...
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.CAPÍTULO GERAL - 2013. SASSONE- ITÁLIA. (3º dia. 06/09/07)
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Frei Evaldo Xavier, 0.Carm.
O dia iniciou-se com uma Missa presidida por Fr. Michael O´Neal, em inglês.
A ESCOLHA DO TEMA DO CAPÍTULO
Missão e missões
O tema será abordado em 4 passos:
1 – o que está acontecendo no mundo em nossos dias?
2 – entender a realidade à luz da sabedoria cristã e da tradição carmelitana...
3 – o que estamos fazendo em termos concretos?
4 – o que somos chamados a fazer? Se conseguirmos menos do que esperávamos... O que é necessário fazer? Se conseguimos mais do que o necessário... o que fazer?
Nossa presença deve ser sinal de esperança. Onde não tem religião, ou onde há falsa religião, o clamor da humanidade deve ser ouvido pela Ordem. Vivendo o carisma e a missão do Carmelo: uma palavra de esperança e salvação.
Carmo em Missão: janelas de esperança!
As diversas realidades em que estamos presentes são uma riqueza e um desafio. Se formos transformados, seremos capazes também nós de nos contribuir para a transformação dos que estão ao nosso redor. Seremos presença transformadora da realidade e do mundo.
No atual contexto da Ordem temos pontos positivos e pontos negativos. O crescimento da Ordem é um pondo positivo e um sinal de vitalidade. Novos ventos de esperança impulsionam a Igreja com a eleição de Papa Francisco. Por outro lado, a crise econômica mundial preocupa em muitas partes do mundo e da Ordem. A juventude se vê sem esperança. Na crise nasce sempre à tentação de fechamento e de buscar refúgio em falsas seguranças (clericalismo, pompa excessiva, fanatismo...). O que o Carmo pode oferecer para o mundo de hoje? Antes de tudo é preciso renovar o entusiasmo e o amor pelo nosso carisma.
.*Carta do Papa Francisco aos Carmelitas por ocasião do Capítulo Geral 2013
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Para Rev.do Padre Fernando Millán Romeral, Prior Geral da Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo.
Dirijo-me a vós, queridos Irmãos da Ordem da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, como você comemora seu Capítulo Geral. Neste momento de graça e de renovação que convida você a discernir a missão da gloriosa Ordem dos Carmelitas, eu gostaria de oferecer-lhe uma palavra de encorajamento e esperança.
O antigo carisma do Carmelo ao longo destes últimos oito séculos tem sido um presente para toda a Igreja. Sua origem primavera contemplativa da terra de epifania do amor permanente de Deus manifestado no Verbo feito carne. Ao ponderar a sua missão no Carmelo hoje , gostaria de pedir que você considere três coisas que podem orientá-lo em seu caminho peregrino : amor como fidelidade , como a oração e como missão.
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.ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO: Padre Wladimir é encontrado morto
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Desaparecido desde sábado, 24 de agosto, padre Wladimir Anselmo da Silva, 50 anos (Foto), foi encontrado morto em São Bento do Sapucaí (SP). O sacerdote, que morava na Paróquia Santos Apóstolos, na Região Episcopal Brasilândia, estava com depressão e fazia um tratamento psiquiátrico com uso de medicamentos fortes.
A Arquidiocese de São Paulo já havia avisado a Polícia Militar, que agora deverá investigar e apurar o que aconteceu. A missa de corpo presente deverá acontecer amanhã, na Paróquia Santos Apóstolos (avenida Itaberaba, 3907, Jardim Maracanã).
Leia a íntegra do comunicado:
Nesta manhã chegou-nos o comunicado que foi encontrado o corpo do Pe. Wladimir Anselmo da Silva, nas proximidades de S. Bento de Sapucaí, nas mediações da "Pedra do Baú". Ele deverá ser transladado ainda hoje para São Paulo, afim de ser velado na Paróquia Santos Apóstolos. Está prevista Missa de "corpo presente" para amanhã, as 8h, e logo a seguir o sepultamento. (Estes horários poderão sofrer alterações).
A Arquidiocese de São Paulo, particularmente a Região Episcopal Brasilândia chora a morte deste sacerdote zeloso, dedicado e fiel no serviço de Deus e da Igreja. Deus na sua bondade lhe conceda a coroa da glória e a recompensa por todo bem realizado! Aos seus familiares, seus amigos e aos membros das comunidades onde realizou o seu ministério, nosso pesar e sentimentos de profunda comunhão na fé e na oração.
Dom Milton Kenan Junior
Vigário Episcopal para a Região Brasilândia
Dom Tarcísio Scaramussa
Vigário Geral da Arquidiocese de São Paulo
Fonte: http://www.arquidiocesedesaopaulo.org.br
.Santa Teresinha e o aidético: A história de uma alma aflita.
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Por Frei Alonso Gustavo Malaquias, O.Carm. Convento do Carmo, São Paulo.
Há cerca de dois meses venho acompanhando uma pessoa que descobriu que adquiriu HIV e veio desabafar comigo. Para contar isso pedi permissão da pessoa envolvida. E não vou dizer o nome, nem onde mora por motivos óbvios.
Realmente, não deve ser nada fácil ter que encarar do dia pra noite toda a sua pequenez e mortalidade. Dar-se conta de toda a sua fragilidade de uma só vez é duro. Neste tempo todo estamos conversando e fui falando pra ela de Santa Teresinha, contando a história da sua vida, do quê ela passou com a sua doença incurável na época, inclusive a terrível tentação que Santa Teresinha pensou de que Deus não existisse e que sua fé em Deus fosse, ao final de tudo, apenas uma cruz de madeira pendurada na parede... E o pedido que ela fez às Irmãs de tirarem de perto dela todos os remédios, pois ela tinha medo de fazer alguma bobagem, dada a sua situação de extremo sofrimento. E o mais bonito de tudo: como Santa Teresinha, apesar de tudo isso, confiou totalmente e se abandonou ao Amor Misericordioso do Senhor em meio às mais terríveis tentações contra a fé, dores físicas e morais. E que ela morreu, olhando para Jesus no seu crucifixo dizendo: "meu Deus, eu te amo"...
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COISAS DE FRANCISCO: Papa exorta os cristãos a se livrarem de devoções e revelações que não levam a Cristo.
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O cristão jamais deve esquecer que o centro da sua vida é Jesus Cristo: foi o que ressaltou o Papa na missa celebrada neste sábado na Casa Santa Marta, no Vaticano. Francisco afirmou que devemos vencer a tentação de ser "cristãos sem Jesus" ou cristãos que "buscam somente devoções", mas falta Jesus.
Existem, acrescentou, "outros cristãos sem Cristo: os que somente buscam devoções", "mas falta Jesus". "Se suas devoções levam-no a Jesus – disse o Papa –, então tudo bem. Mas se não vai além da devoção, algo não funciona." Além disso, prosseguiu, há "outro grupo de cristãos sem Cristo: os que buscam coisas raras, um pouco especiais, que vão atrás de revelações privadas", enquanto a Revelação se concluiu com o Novo testamento.
O Papa frisou nestes cristãos a vontade do "espetáculo da revelação, de ouvir coisas novas". Francisco exortou esses cristãos a tomarem o Evangelho. E concluiu pedindo a Jesus que "nos faça entender que somente Ele é o Senhor, o único Senhor. E nos dê também a graça de amá-Lo, de segui-Lo, de caminhar na estrada que Ele nos ensinou".
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.OLHAR CARMELITANO SOBRE CAMOCIM DE SÃO FÉLIX-PE.
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Fotos e fatos do encerramento da Festa de São João Batista, bairro do Campo, Camocim de São Félix. Fonte: Face...
.ORDEM DO CARMO: Olhar Carmelitano.
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Com o tema; “Uma palavra de esperança e de salvação” (Const. 24): viver o carisma e a missão do Carmelo, hoje. A Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem do Monte Carmelo- Carmelitas, do dia 02 a 21 de setembro-2013, realiza o Capítulo Geral em Roma, Itália. Veja outras fotos. Clique aqui:
https://www.facebook.com/olharjornalistico/media_set?set=a.635713223128214.1073741834.100000686270175&type=1 (É necessário ter uma conta no facebook)
.*23º Domingo do Tempo Comum: A prioridade e as renúncias para seguir Jesus (Lucas 14,25-33)
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Ildo Bohn Gass, biblista do CEBI.
O evangelho da liturgia deste final de semana apresenta Jesus colocando as condições fundamentais para quem quer segui-lo no caminho da cruz. Diante da prioridade do seguimento, todo o resto se torna relativo.
E nós hoje
Certamente, as exigências de Jesus nos questionam quando nossa ação evangelizadora está voltada mais para as "massas" e não tanto para o "fermento", isto é, o engajamento radical em favor da justiça e da partilha, da gratuidade e da superação de preconceitos.
É evidente que Jesus não recusa ninguém. Ele mesmo acolheu com ternura um homem muito rico. Porém, não deixou de lhe mostrar que o caminho da felicidade passa pela partilha (Lucas 18,18-23). Também foi comer na casa de um ladrão confesso. Mas deixou claro que ele se tornaria discípulo do reino na medida em que devolvesse o que roubara e partilhasse outro tanto com os pobres (Lucas 19,1-10)...
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.*ORDEM DO CARMO: CAPÍTULO GERAL- 2013. SASSONE - ITÁLIA
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Frei Evaldo Xavier Gomes, O. Carm.
Primeiro dia
ABERTURA DIA 03/09/2013
O Capítulo Geral foi aberto com uma missa presidida pelo P. Geral, Fernando Millán, concelebrada pelos membros do Conselho Geral e padres capitulares. Após a missa todos, vestindo o hábito e capa branca, se dirigiram em procissão para a sala capitular. Ao longo do percurso se cantou a ladainha dos santos carmelitas e o veni creator. A procissão foi aberta pelo ícone de Nossa Senhora e dos padroeiros do Capítulo Geral. Fr. Joseph Chalmers foi eleito Presidente do Capítulo.
TARDE
1-Leitura da Carta do Papa Francisco para o Prior Geral da Ordem por ocasião da celebração do Capítulo Geral (texto em anexo). Em sua mensagem o Papa sugere três “fios condutores” para a realização do Capítulo Geral...
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.Uma pausa, muitas incertezas
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EUA e Irã declaram vitória, mas ninguém venceu. A catástrofe foi adiada, não evitada, e uma negociação ambígua oferece riscos de um EUA desmoralizado e um Irã ainda mais perigoso
O prazo expirava às 21h de terça-feira. Horas antes, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou destruir a infraestrutura iraniana e aniquilar a própria sociedade do país – uma retórica genocida, tão inaceitável quanto reveladora dos riscos da escalada. Não foi o primeiro ultimato nem o primeiro recuo. Ainda assim, o mundo preparava-se para o pior. Em vez disso, veio um cessar-fogo de duas semanas, a minutos do limite. As armas se calaram, mas a guerra apenas mudou de forma.
Na trincheira das narrativas, ambos declararam vitória. Os fatos são menos conclusivos. Teerã celebra a sobrevivência do regime e a preservação de sua principal alavanca estratégica. Mas sua demonstração de força se assenta sobre bases frágeis: a economia está seriamente abalada, a inflação avança, a infraestrutura está depauperada e o risco de pressão social interna foi renovado. Washington aponta para os danos às capacidades militares iranianas e para a reabertura do Estreito de Ormuz. Mas o estreito opera sob as mesmas forças que o haviam sequestrado, e a abertura não durou nem 24 horas sem que o Irã a condicionasse ao fim das hostilidades de Israel contra o Hezbollah. O programa nuclear segue praticamente intacto. E a negociação parte agora de propostas iranianas que, semanas atrás, seriam descartadas como inaceitáveis.
O recuo, mais do que escolha, foi uma necessidade. Os preços de energia, a instabilidade dos mercados e o risco de uma escalada regional incontrolável pesaram mais do que qualquer ganho previsível. Há um limite para o quanto democracias toleram custos crescentes e para o quanto ameaças extremas podem ser levadas adiante sem efeitos colaterais mais graves que os problemas que pretendem resolver. Ameaças dessa envergadura, quando alardeadas em público, criam uma pressão difícil de administrar: recuar cobra um preço; cumprir, um preço ainda maior.
A estratégia de Trump partiu de um pressuposto que lhe é familiar desde os tempos de incorporador em Manhattan: toda pressão, levada ao extremo, acaba por encontrar um preço – e, logo, uma concessão. O problema é que nem todo adversário opera segundo essa lógica. O Irã não precisava vencer nem ceder. Bastava resistir. A escalada, que deveria funcionar como instrumento de barganha, passou a operar como teste de permanência. Em conflitos desse tipo, não vence quem impõe mais danos imediatos, mas quem suporta por mais tempo suas consequências. Nesse jogo, regimes como o iraniano operam com vantagens que democracias dificilmente replicam, justamente porque toleram custos que, do outro lado, se provam politicamente insuportáveis.
O cessar-fogo reflete essa assimetria. É curto, condicional e carregado de ambiguidades. O ponto central das negociações – Ormuz – ilustra bem a mudança de equilíbrio. Não foi um bloqueio clássico. Ataques pontuais, ameaça de minas e prêmios de seguro proibitivos bastaram para que operadores privados suspendessem rotas por conta própria. O estreito não precisa ser fechado – apenas tornar-se economicamente inviável. Em Ormuz, o risco já se converteu em poder. Isso só confirma o fato essencial na raiz desta guerra: o regime terrorista dos aiatolás continua a representar uma ameaça estrutural à região e ao mundo, que se tornará muito mais grave caso venha a empunhar uma arma nuclear.
A pausa era difícil de evitar. Mas seu saldo está longe de ser confortável. O Irã sofreu perdas militares relevantes, mas preservou o regime e demonstrou a eficácia de sua principal ferramenta de pressão. A depender dos desdobramentos da interrupção, corre-se o risco de validar essa estratégia: usar a vulnerabilidade energética global como forma de extorsão. O dilema é evidente: prolongar as negociações dá tempo ao Irã; intensificar a guerra amplia riscos que já se mostraram difíceis de conter.
O Armagedon foi evitado – por ora. No lugar da catástrofe imediata, instalou-se uma incerteza mais duradoura. Cada lado encontra no desfecho sinais do que buscava. O essencial, porém, permanece em disputa. Nessas circunstâncias, o intervalo aberto pelo cessar-fogo tende a não ser um caminho para a paz, mas apenas o prelúdio de uma nova fase do conflito. O que se ganhou foi tempo. O que fazer com ele continua sendo a questão decisiva. Fonte: https://www.estadao.com.br
Tal pai, tal filho
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Em conferência da extrema direita nos EUA, Flávio Bolsonaro sugere que eleição presidencial só será ‘livre e justa’ se ele vencer, mostrando que é um orgulhoso herdeiro do golpismo do pai
Eleição 2026
A natureza é algo implacável. O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República, vem tentando se apresentar como uma versão “moderada” do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas não tem jeito: o golpismo bolsonarista parece ser mesmo genético.
Ao discursar na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC, na sigla em inglês), convescote de extremistas de direita realizado nos Estados Unidos, Flávio defendeu o “monitoramento” das eleições brasileiras e sugeriu “pressão diplomática” externa para garantir um pleito “livre e justo”. Arrematou dizendo que, “se o nosso povo puder se expressar livremente nas redes sociais e se os votos forem contados corretamente, nós vamos vencer”, numa sugestão nada sutil de que ele só não será eleito se houver fraude ou manipulação.
É isto o que Jair Bolsonaro passou anos fazendo e que foi um dos motivos de sua condenação por tentativa de golpe de Estado: colocou sistematicamente em dúvida a lisura das eleições brasileiras e chegou a mobilizar embaixadores estrangeiros às vésperas da votação de 2022 para disseminar essa farsa golpista. Flávio homenageia o pai ao incitar os americanos a pressionar as instituições brasileiras caso ele perca a eleição.
Nesse sentido, também fiel ao manual bolsonarista, Flávio deu ares de verdade à fábula segundo a qual o governo americano, então presidido pelo democrata Joe Biden, financiou, por intermédio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição de 2022 contra Bolsonaro. “As mesmas pessoas que prenderam meu pai tiraram esse homem – o ex-presidente socialista Lula da Silva, condenado múltiplas vezes por corrupção – da prisão e o colocaram de volta na Presidência. Tudo isso sob uma enxurrada de dinheiro da USAID e com massiva interferência da administração Biden”. Como de hábito, nenhuma prova disso foi apresentada – mas, afinal, um bolsonarista de verdade não precisa de provas para acreditar em teorias da conspiração como essa.
De todo modo, só engoliu a moderação de Flávio Bolsonaro quem quis. No ano passado, em reveladora entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o senador traçou o perfil adequado do candidato a presidente que quisesse representar bem o bolsonarismo: segundo Flávio, teria de ser alguém que articulasse a anistia ao pai no Congresso Nacional e que tivesse “disposição” de impedir que o Supremo Tribunal Federal interferisse nessa decisão, isto é, “fazer com que o Supremo Tribunal Federal respeite os demais Poderes”. E acrescentou, sem circunlóquios: “É uma hipótese muito ruim, porque a gente está falando de possibilidade e de uso da força”.
Está aí, com todas as letras, o discurso politicamente liberticida do bolsonarismo. É digna de nota a facilidade com que o senador Flávio Bolsonaro usou a expressão “uso da força”, com a clara intenção de intimidar os adversários do pai e as instituições democráticas que lidaram com o seu golpismo. E agora, não menos indecorosa, é a tentativa de mobilizar o governo dos Estados Unidos e de outros países governados pela direita simpatizante do presidente americano, Donald Trump, para lançar dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro e, por fim, não reconhecer uma eventual derrota do bolsonarismo na eleição presidencial.
Na tal convenção de extremistas de direita nos Estados Unidos, Flávio disse que a eleição brasileira deve respeitar “os valores de origem americana”. A esta altura, não se sabe bem o que isso significa. Não faz muito tempo, esses “valores de origem americana” incluíam respeitar o resultado das urnas. Considerando que Donald Trump – ídolo de Flávio Bolsonaro e do pai dele – jamais aceitou sua derrota para Joe Biden em 2020 nem provavelmente aceitará qualquer outro revés eleitoral, atribuindo-o sempre a fraudes inexistentes, os “valores de origem americana” aos quais o senador se refere certamente não são os mesmos que o mundo livre aprendeu a admirar. Fonte: https://www.estadao.com.br
Em nome do Pai, do Filho e da santa hipocrisia, Deus é alistado na guerra do Irã
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Secretário de Defesa pede que americanos orem em nome de Jesus, e comandantes falam em plano divino
Papa Leão 14, por sua vez, condena uso do nome de Deus para guerras e quer fim de bombardeios aéreos para sempre

O presidente dos EUA Donald Trump, ora com membros do gabinete durante reunião em fevereiro de 2025 - Jim Watson - 26.fev.25/AFP
Lúcia Guimarães
É jornalista e vive em Nova York desde 1985. Foi correspondente da TV Globo, da TV Cultura e do canal GNT, além de colunista dos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo
Não é preciso cavar fundo para encontrar o túmulo da ironia quando ouvimos líderes políticos e militares invocando Cristo para justificar a guerra contra uma teocracia islâmica.
Dias após o início dos bombardeios contra o Irã, uma ONG especializada em proteger a liberdade religiosa dos militares americanos recebeu mais de 200 queixas de soldados e oficiais de todos os ramos das Forças Armadas sobre o uso de linguagem da Bíblia para justificar a decisão de iniciar a guerra.
De acordo com uma das queixas examinadas pelo jornal britânico The Guardian, um comandante havia "nos instado a dizer às tropas que aquilo era ‘tudo parte do plano de Deus’." Os soldados teriam ouvido também que deveriam arriscar a vida para facilitar o retorno iminente de Jesus Cristo.
Ao pedir preces pela vitória, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, conclamou os americanos a rezar "todos os dias, de joelhos, com a família, nas escolas, nas igrejas, em nome de Jesus Cristo". Ele disse isso do púlpito do Pentágono, o comando central da mais poderosa força militar do planeta, nesta República fundada sob o princípio da separação entre Igreja e Estado.
Ajoelhados na sepultura da ironia, descobrimos também que o mais próximo conselheiro espiritual de Hegseth, o pastor evangélico Brooks Potteiger, declarou que tem rezado para Deus matar o seminarista presbiteriano James Talarico, um democrata do Texas que concorre ao Senado denunciando o nacionalismo cristão como contrário ao Evangelho.
Durante a homilia do último dia 15, o Papa Leão 14 condenou o uso do nome de Deus para justificar uma guerra. "Deus não pode ser alistado para a escuridão," disse o primeiro papa americano, talvez o mais enérgico pontífice crítico de uma campanha militar dos Estados Unidos. Na segunda-feira (23), Leão pediu que os bombardeios aéreos sejam banidos para sempre. Depois das tragédias do século 20, disse ele, "não temos progresso, temos retrocesso."
O partido no controle do Executivo e do Judiciário dos EUA parece esquecer uma lição recente. O republicano George W. Bush invocou as Cruzadas logo após os ataques do 11 de setembro, enquadrando a necessária reação americana ao terrorismo da Al Qaeda como uma guerra religiosa e fornecendo, assim, munição ao recrutamento de terroristas.
Curiosamente, o gabinete de Donald Trump é recheado de católicos praticantes, incluindo o vice-presidente, J. D. Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio. Pela primeira vez, seis dos nove juízes da Suprema Corte americana são católicos. Nota-se que esses devotos no poder se esquivam de confrontar em público Leão 14 com a destreza de trombadinhas evitando a polícia no centro de São Paulo.
O alistamento militar do Todo Poderoso coincide com o falecimento do movimento conservador nos EUA. O mais importante fundador do conservadorismo anglo-saxão, o filósofo irlandês Edmund Burke, argumentava que os costumes são mais importantes do que as leis. "A lei nos toca apenas aqui e ali. Os costumes são aquilo que nos aflige ou nos apazigua, nos corrompe ou nos purifica, nos exalta ou nos avilta, nos barbariza ou nos refina," escreveu.
Peter Wehner, veterano dos governos Reagan, Bush pai e Bush filho, que jogou a toalha em 2016, acredita que o legado deste momento no país será uma deformação coletiva de temperamento resultante da reprogramação do circuito moral dos cristãos. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br
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