*O zelo missionário de Cristóvão Colombo
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Landing of Columbus (12 de outubro de 1492), pintura de John Vanderlyn
O seguinte post convidado foi escrito por Mike FitzGerald, co-presidente da Charlotte Latin Mass Community e também co-líder da Catholic Pró-Life Action Network de Charlotte. Mike também atua como correspondente free-lance e fotógrafo do Catholic News Herald, o jornal oficial da Diocese de Charlotte, Carolina do Norte.
Há mais de 125 anos, o Papa Leão XIII decretou que uma missa votiva da Santíssima Trindade fosse oferecida em 12 de outubro em ação de graças pela descoberta da América por Colombo e por trazer a fé católica a este hemisfério. Elogiando Colombo, o Papa Leão XIII escreveu em sua encíclica:
Pois Colombo é nosso; visto que se um pouco de consideração for dada à razão particular de seu projeto em explorar o mare tenebrosum, e também a maneira pela qual ele se esforçou para executar o projeto, é indubitável que a fé católica foi o motivo mais forte para o início e o prosseguimento do o design; de modo que também por isso todo o gênero humano não deve pouco à Igreja.
Decretamos, portanto, que no dia 12 de outubro, ou no domingo seguinte, se o ordinário preferir, em todas as igrejas catedrais e capelas conventuais de toda a Espanha, Itália e as duas Américas, após o ofício do dia haverá celebrou a Missa Solene da Santíssima Trindade … Quarto Abeunte Saeculo, 1892
Nos últimos tempos, Colombo e seu legado foram desnecessariamente criticados por meio de mentiras e falsidades . Mas como Servo de Deus, pe. John Hardon, SJ observou em seu livro “ Cristóvão Colombo: A Descoberta Católica da América ”, Colombo tinha uma fé profunda em Cristo e expressou-a em muitos de seus escritos. Fr. Hardon fornece vários exemplos do registro de Columbus:
Como é nosso costume, as Vésperas foram rezadas no final da tarde, e um agradecimento especial foi oferecido a Deus por nos dar uma esperança renovada através dos muitos sinais de terra que Ele proveu. Agora acredito que a luz que vi antes foi um sinal de Deus e que foi realmente a primeira indicação positiva de terra. - 11 de outubro de 1492.
Quero que os nativos desenvolvam uma atitude amigável para conosco, porque sei que são um povo que pode ser libertado e convertido à nossa Santa Fé Católica, mais pelo amor do que pela força. - 12 de outubro de 1492.
Para Fr. Hardon, ficou claro que o zelo missionário de Colombo (um franciscano da Ordem Terceira) e da Serva de Deus Rainha Isabel a Católica (conforme declarado em 1974), os levava a seguir esta missão. Esta fome de almas por Cristo pode ter sido também uma das razões, outro Servo de Deus, pe. Michael J. McGivney escolheu o nome de Colombo para sua nova ordem fraterna, os Cavaleiros de Colombo.
Aqueles de nós em Charlotte, Carolina do Norte, devemos ser particularmente gratos a Colombo porque menos de 50 anos após sua descoberta, uma subsequente expedição espanhola liderada por Hernando De Soto apresentou a fé católica às Carolinas em 1540 quando ele passou perto de Charlotte com seus padres. Como tal, fechamos com o Papa Leão XIII:
E, acima de tudo, convém confessar e celebrar de maneira especial a vontade e os desígnios da Sabedoria Eterna, sob cuja orientação o descobridor do Novo Mundo se colocou com uma devoção tão tocante. - Quarto Abeunte Saeculo
É um lembrete para recuperarmos a Santa Fé que foi introduzida nessas terras há cinco séculos e com zelo compartilhá-la com aqueles que estão separados dela ou que dela carecem em sua totalidade.
*Nota do Olhar Jornalístico. Mesmo sem concordar com tais afirmações do autor, sempre é bom pensar com outro olhar.
DIA MUNDIAL DAS MISSÕES: Padre sequestrado libertado na África
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Ao recordar o Dia Mundial das Missões com o seu tema “Eis-me aqui, envia-me! Tecelões de fraternidade” o Papa Francisco saudou com alegria a libertação do missionário padre Macalli sequestrado dois anos atrás no Níger
Jane Nogara – Vatican News
Depois da oração do Angelus, neste domingo (18) o Santo Padre saudou os presentes e recordou que hoje a Igreja celebra o Dia Mundial das Missões destacando o trabalho dos missionários. Iniciou citanto o tema 2020.
“Eis-me aqui, envia-me! Tecelões de fraternidade. Essa é uma palavra bonita “tecelões”. Cada cristão é chamado a ser um tecelão de fraternidade. De maneira especial, assim são os missionários e missionárias - sacerdotes, leigos, homens e mulheres consagrados - que semeiam o Evangelho no grande campo do mundo. Rezemos por eles e ofereçamos-lhe o nosso apoio concreto”
Em seguida o Papa manifestou publicamente a sua gratidão pela recente libertação do padre Pierluigi Maccalli da Sociedade de Missões Africanas, sequestrado dois anos atrás no Níger.
“Também nos alegramos porque com ele foram libertados outros três reféns. Continuemos a rezar pelos missionários e catequistas e também por aqueles que são perseguidos ou sequestrados em várias partes do mundo”. Fonte: https://www.vaticannews.va
29º Domingo do Tempo Comum - Ciclo A: A imagem de Deus que temos
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A reflexão bíblica é elaborada por Adroaldo Palaoro, padre jesuíta, comentando o evangelho do 29º Domingo do Tempo Comum - Ciclo A, que corresponde ao texto de Mateus 22,15-21.
“De quem é a imagem e a inscrição desta moeda?” (Mt 22,20).
Eis o comentário.
Sempre é importante estar atento ao contexto em que se situa o evangelho de cada domingo. Hoje, os chefes religiosos compreenderam que as parábolas polêmicas (os dois irmãos convidados pelo pai a trabalhar na vinha, os vinhateiros homicidas, o banquete de casamento) se referiam a eles; por isso, contra-atacam a Jesus com três perguntas capciosas que são como que armadilhas para ter de quê acusá-lo (pagar ou não o imposto a César, a ressurreição dos mortos e qual é o primeiro mandamento).
Hoje, perguntam a Jesus sobre o imposto a ser pago aos romanos. Era um assunto polêmico que dividia a opinião pública. Os adversários de Jesus querem a todo custo acusá-lo e, assim, diminuir a sua influência junto do povo. Muitas vezes, pessoas ou grupos, inimigos entre si, se unem para defender seus privilégios contra aqueles que os incomodam com o anúncio da verdade e da justiça.
As perguntas dirigidas a Jesus, mesmo aquelas que revelavam uma intenção de incriminá-lo, são para Ele ocasião privilegiada para ir além das mesmas perguntas e acabam gerando respostas surpreendentes, que ninguém esperava.
No evangelho deste domingo, Jesus responde ao que não lhe haviam perguntado, indicando uma atitude vital que vai além da alternativa que lhe foi proposta: a licitude de pagar ou não o imposto a César.
Em primeiro lugar, Jesus denuncia a submissão dos fariseus e herodianos que carregavam consigo moedas com a imagem do imperador romano: viviam como escravos submissos a um poder que desumanizava e humilhava a todos com pesados impostos e com violência extrema.
Na prática, eles já reconheciam a autoridade de César. Já estavam dando a César o que era de César, pois usavam as moedas dele para comprar e vender e até para pagar o imposto ao Templo!
Em segundo lugar, Jesus, ao perguntar – “de quem é essa imagem e essa inscrição” – está fazendo clara referência ao Gênesis, onde se diz que o ser humano foi criado à imagem de Deus. Se o ser humano é imagem de Deus, é preciso dar a Deus o que lhe fora tirado, ou seja, o próprio ser humano.
O ser humano é “imagem” de Deus e só a Ele pertence. O único absoluto é Deus. Trata-se de uma “submissão amorosa” que não se impõe (imposto), pois o convida a entrar em sintonia com Ele, numa comunhão de vida e compromisso com os outros.
Alguns biblistas traduzem a expressão “dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” por “retirai de César o que é de Deus”, ou “não dai a César o que é de Deus”, ou ainda, “dai a César o que é de César, mas não lhe deis o que é de Deus”.
O que interessa a Jesus é que “deem a Deus o que é de Deus!”, isto é, pratiquem a justiça e a misericórdia, para entrar em sintonia com o coração do Pai, pois a hipocrisia dos fariseus e herodianos negava a Deus o que lhe era devido.
Em outras palavras: não entregueis a nenhum “césar” o que é de Deus: os pobres e os pequenos que são os prediletos do Pai; o Reino de Deus pertence aos últimos. Não se pode sacrificar a vida e a dignidade dos indefesos a nenhum poder político, financeiro, econômico ou religioso. Os humilhados pelos poderosos são de Deus e de ninguém mais. Que nenhum poder abuse deles; que nenhum “césar” se imponha sobre eles.
Com sua resposta, Jesus propõe um princípio de validade permanente: rejeitar, de maneira absoluta, qualquer tipo de poder. César se impõe (imposto) pelo poder, que oprime e exclui; Deus não se impõe (não é imposto); faz-se dom, esvazia-se de todo poder e se aproxima de cada um de nós, se faz comunhão.
O relacionamento entre o ser humano e Deus dá-se na esfera da mais pura liberdade, lá onde as decisões são ditadas pelo amor. O Deus que Jesus nos revelou é o Deus que se faz presente no pequeno, no simples, naqueles que não tem voz e nem vez neste mundo. Não é o Deus do poder absoluto, nem o Deus que exige obediência e submissão àqueles que se apresentam como representantes do divino.
Esta identificação de Deus com cada ser humano não vai na linha do poder que se impõe, mas na direção do amor que se faz oferta. Deus revela sua transcendência não no poder que tanto buscamos, mas na humanidade da qual queremos constantemente escapar.
A afirmação lapidar de Jesus vai da imagem impressa na moeda à imagem que trazemos impressa em nossas vidas, ou seja, a imagem de Deus. O dinheiro traz impressa a imagem dos poderosos; o ser humano traz impressa a imagem de Deus; o dinheiro vale o que vale o poderoso que o imprimiu; o ser humano vale o que vale Aquele que o criou à sua própria imagem. O denário traz impressa a imagem de César; por isso, vale o que vale o César.
O ser humano traz impressa a imagem de Deus; por isso, tem valor absoluto. Com o denário, pode-se pagar os impostos, mas o ser humano não é moeda de circulação, que se compra ou se vende. O ser humano é a única “moeda” que vale a vida mesma de Deus. Por isso, o ser humano não pode ser “produto” que é vendido aos interesses humanos.
Jesus desencadeou um movimento de vida, centrada na comunhão de bens, sem um dinheiro divinizado em forma de capital autônomo, valioso em si mesmo. Estritamente falando, seu projeto se opunha (em um nível diferente) à ordem imperial de Roma, que mantinha seu poder, assentado sobre fundamentos de dinheiro.
Nesse contexto se situa e deve ser entendida esta passagem sobre o tributo a César, que os adversários apresentam a Jesus para pegá-lo em algum tipo de contradição e assim poder acusá-lo diante do povo (se defendesse o tributo) ou diante da administração romana (se rejeitasse o tributo).
A partir deste cenário de fundo as comunidades cristãs apresentam o tema da relação entre a “economia do Reino”, ou seja, a comunhão gratuita de bens, e a “economia de César”, que se fundamenta e se expressa nos tributos a serviço da administração militar do império e do sustento de um tipo de política, que se expressava em domínio dos poderosos.
Vivemos em um contexto social e econômico onde o “deus dinheiro” determina todas as relações humanas, inclusive no campo religioso. O neo-liberalismo (“césar” pós moderno) endeusou o “poder monetário”, destruindo aquela “imagem” divina impressa no coração de cada um. E o ser humano passou a ter “valor de mercado”, e toda pessoa que não produz ou não é rentável (doentes, idosos, pobres...) é descartado.
São os “césares” que se infiltram nas profundezas de nosso ser, conduzindo-nos a um profundo processo de desumanização.
Para meditar na oração:
Alimentamos diferentes “césares” em nosso coração, aos quais nos fazemos submissos: instinto de posse, busca de poder e prestígio, consumismo, obsessão por um bem-estar material sempre maior, o espírito de competição... Quando é “césar’ que determina nossa vida, sua influência envenena nossa relação com Deus, deforma nossa verdadeira identidade e rompe nossa comunhão com os outros e nos desumanizamos...
Como seguidores de Jesus, devemos buscar nele a inspiração e o alento para viver de maneira livre e solidária.
- Dar nomes aos “césares” que comandam seu coração e que exigem pesados impostos.
O evangelho de hoje faz emergir a seguinte pregunta: sinto-me “denário de césar”? sinto-me imagem de Deus? Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
Os pobres são de Deus: 29º Domingo do Tempo Comum
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A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 22,15-21 que corresponde ao 29° Domingo do Tempo Comum, ciclo A do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.
Eis o texto
Nas costas de Jesus, os fariseus chegam a um acordo para preparar-lhe uma armadilha decisiva. Eles não vão pessoalmente encontrar-se com Ele. Enviam discípulos acompanhados por uns partidários de Herodes Antipas. Talvez não faltem entre eles alguns poderosos cobradores dos tributos para Roma.
A armadilha está bem pensada: “Estamos obrigados a pagar tributo a César ou não?”. Se responde negativamente poderão acusá-lo de rebelião contra Roma. Se legitima o pagamento de tributos ficará desprestigiado ante aqueles pobres camponeses que vivem oprimidos pelos impostos, e aos que Ele ama e defende com todas as suas forças.
A resposta de Jesus foi resumida de forma lapidária ao longo dos séculos nestes termos: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Poucas palavras de Jesus foram citadas como estas. E nenhuma, talvez, mais distorcida e manipulada a partir de interesses muito afastados ao Profeta defensor dos pobres.
Jesus não está pensando em Deus e no César de Roma como os poderes que podem exigir cada um deles, no seu próprio campo, os seus direitos aos seus súbditos. Como todo o judeu fiel, Jesus sabe que a Deus “lhe pertence a terra e tudo o que contêm, a orbe e todos os seus habitantes” (Salmo 24). Que pode ser do César que não seja de Deus? Acaso não são filhos de Deus os súbditos do imperador?
Jesus não se detém nas diferentes posições que enfrentam naquela sociedade os herodianos, saduceus ou fariseus sobre os tributos a Roma e o seu significado: se levam a “moeda do tributo” nas suas bolsas que cumpram suas obrigações. Mas Ele não vive ao serviço do Império de Roma, mas abrindo caminhos ao reino de Deus e da sua justiça.
Por isso lhes recorda algo que ninguém lhe perguntou: “Dai a Deus o que é de Deus”. Quer dizer, não deis a nenhum César o que só é de Deus: a vida dos seus filhos e filhas. Como já tinha dito aos seus seguidores, os pobres são de Deus, os pequenos são seus prediletos, o reino de Deus lhes pertence. Ninguém pode abusar deles.
Não se deve de sacrificar a vida, a dignidade ou a felicidade das pessoas a nenhum poder. E, sem dúvida, nenhum poder sacrifica hoje mais vidas e ocasiona mais sofrimento, fome e destruição que essa “ditadura de uma economia sem rosto e sem um objetivo verdadeiramente humano” que, segundo o Papa Francisco, conseguiu impor-se aos poderosos da terra. Não podemos permanecer passivos e indiferentes silenciando a voz da nossa consciência com as práticas religiosas. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
Sexta-feira, 16 de outubro-2020. 28ª Domingo do Tempo Comum. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.
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1) Oração
Ó Deus, sempre nos preceda e acompanhe a vossa graça para que estejamos sempre atentos ao bem que devemos fazer. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Lucas 12, 1-7)
1Enquanto isso, os homens se tinham reunido aos milhares em torno de Jesus, de modo que se atropelavam uns aos outros. Jesus começou a dizer a seus discípulos: Guardai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. 2Porque não há nada oculto que não venha a descobrir-se, e nada há escondido que não venha a ser conhecido. 3Pois o que dissestes às escuras será dito à luz; e o que falastes ao ouvido, nos quartos, será publicado de cima dos telhados. 4Digo-vos a vós, meus amigos: não tenhais medo daqueles que matam o corpo e depois disto nada mais podem fazer. 5Mostrar-vos-ei a quem deveis temer: temei àquele que, depois de matar, tem poder de lançar no inferno; sim, eu vo-lo digo: temei a este. 6Não se vendem cinco pardais por dois asses? E, entretanto, nem um só deles passa despercebido diante de Deus. 7Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois. Mais valor tendes vós do que numerosos pardais.
3) Reflexão Lucas 12,1-7 (Mt 10,28-31)
O evangelho de hoje traz uma última crítica de Jesus contra as autoridades religiosas do seu tempo.
Lucas 12,1ª: Milhares buscam Jesus
“Enquanto isso, milhares de pessoas se reuniram, de modo que uns pisavam nos outros”. Esta frase deixa transparecer a enorme popularidade de Jesus e o desejo do povo de encontrar-se com ele (cf. Mc 6,31; Mt 13,2). Deixa transparecer também o abandono em que se encontrava o povo. “São como ovelhas sem pastor”, dizia Jesus em outra ocasião quando via a multidão aproximar-se dele para ouvir a sua palavra (Mc 6,34).
Lucas 12,1b: Cuidado com a hipocrisia
“Jesus começou a falar, primeiro a seus discípulos: "Tomem cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia”. Marcos já falava do fermento dos fariseus e dos herodianos e sugeria que se tratava da mentalidade ou da ideologia dominante da época que esperava um messias glorioso e poderoso (Mc 8,15; 8,31-33). Aqui no nosso texto, Lucas identifica o fermento dos fariseus com a hipocrisia. Hipocrisia é uma atitude que inverte os valores. Esconde a verdade. Mostra uma casca bonita que encobre e disfarça a podridão dentro da casca. No caso, a hipocrisia era a casca aparente da fidelidade máxima à palavra de Deus que escondia a contradição da vida deles. Jesus quer o contrário. Quer a coerência que não deixa no escondido.
Lucas 12,2-3: O escondido será revelado
“Não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido. Pelo contrário, tudo o que vocês tiverem feito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que vocês tiverem pronunciado em segredo, nos quartos, será proclamado sobre os telhados". É a segunda vez que Lucas fala deste assunto (cf. Lc 8,17). Em vez da hipocrisia dos fariseus que esconde a verdade, os discípulos devem ter a sinceridade. Não devem ter medo da verdade. Jesus os convida a partilhar com os outros os ensinamentos que dele aprenderam. Os discípulos não podem conservá-los só para si, mas devem divulgá-los. Um dia, as máscaras vão cair e tudo será revelado às claras, proclamado sobre os telhados (cf. Mt 10,26-27).
Lucas 12,4-5: Não ter medo
“Pois bem, eu digo a vocês, meus amigos: não tenham medo daqueles que matam o corpo, e depois disso nada mais têm a fazer. Vou mostrar a quem vocês devem temer: tenham medo daquele que, depois de ter matado, tem poder de jogá-los no inferno. Eu lhes digo: é a este que vocês devem temer”. Aqui Jesus se dirige aos seus amigos, os discípulos e discípulas. Eles não devem ter medo daqueles que matam o corpo, que torturam, machucam e fazem sofrer. Os torturadores podem até matar o corpo, mas não conseguem matar neles a liberdade e o espírito. Devem ter medo, isto sim, de que o medo do sofrimento os leve a esconder ou a negar a verdade e, assim, os faça ofender a Deus. Pois quem se afasta de Deus se perde para sempre.
Lucas 12,6-7: Vocês valem mais que muitos pardais
“Não se vendem cinco pardais por alguns trocados? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. Até mesmo os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados. Não tenham medo! Vocês valem mais do que muitos pardais”. Os discípulos não devem ter medo de nada, pois eles estão na mão de Deus. Jesus manda olhar os passarinhos. Dois pardais se vendem por poucos centavos e no entanto nenhum pardal cai no chão sem o consentimento do Pai. Até os cabelos na cabeça estão contados. Lucas diz que nenhum cabelo cai sem a licença do Pai (Lc 21,18). E caem tantos cabelos! Por isso, “não tenham medo. Você valem muito mais que muitos pardais”. É a lição que Jesus tirou da contemplação da natureza. (cf Mt 10,29-31)
A contemplação da natureza
No Sermão da Montanha, a mensagem mais importante, Jesus a tirou da contemplação da natureza. Eles diz: "Vocês ouviram o que foi dito: 'Ame o seu próximo, e odeie o seu inimigo!' Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que perseguem vocês! Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu, porque ele faz o sol nascer sobre maus e bons, e a chuva cair sobre justos e injustos. Portanto, sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu." (Mt 5,43-45.48). A observação do ritmo do sol e da chuva levaram Jesus e esta afirmação revolucionária: “Eu lhes digo amem os seus inimigos!” O mesmo vale para o convite de olhar os lírios do campo e as aves do céu (Mt 6,25-30). Esta surpreendente atitude contemplativa diante da natureza levou Jesus a criticar verdades aparentemente eternas. Seis vezes em seguida ele teve a coragem de corrigir publicamente a Lei de Deus: “Antigamente foi dito, mas eu digo...”. A descoberta feita na contemplação renovada da natureza tornou-se para ele uma luz muito importante para reler a história com outros olhos e descobrir nela luzes que antes não eram percebidas. Hoje está em andamento uma nova visão do universo. As descobertas da ciência a respeito da imensidão do macro-cosmo e do micro-cosmo estão sendo fonte de uma nova contemplação do universo, Já está começando a crítica de muitas verdades aparentemente eternas.
4) Para um confronto pessoal
1) O escondido será revelado. Tem em mim algo do qual tenho medo de que seja revelado?
2) A contemplação dos pardais e das coisas da natureza levaram Jesus a atitudes novas e surpreendentes que revelavam a bondade gratuita de Deus. Tenho costume de contemplar a natureza?
5) Oração final
A palavra do Senhor é reta, em todas as suas obras resplandece a fidelidade: ele ama a justiça e o direito, da bondade do Senhor está cheia a terra. (Sl 32, 4-5)
O segundo padre desaparecido é encontrado carbonizado em Minas. O outro- da Paraíba- continua desaparecido.
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Corpo de padre desaparecido é encontrado carbonizado em Manhumirim, em MG
O padre, de 36 anos, foi visto por último nessa terça-feira (13). No corpo havia marcas de facadas.
Por Matheus Mesmer e Hérisder Matias, G1 Vales de Minas Gerais e Inter TV
O corpo do padre que estava desaparecido desde essa terça-feira (13), foi encontrado carbonizado e com marcadas de facadas, em Manhumirim (MG).
Segundo a Polícia Militar, Adriano da Silva Barros teria ido visitar a mãe, que está doente, em Martins Soares (MG), e retornaria para Simonésia (MG), onde é vigário, para celebrar uma missa na paróquia.
O religioso foi visto por último deixando a irmã em Reduto (MG), por volta das 13h. Ela foi a última pessoa que teve contato com ele.
No início da noite desta quarta-feira (14), a polícia foi acionada por um morador do Córrego Pirapetinga, em Manhumirim, ao perceber que havia um fogo no seu terreno e, ao chegar para apagar, encontrou o corpo carbonizado.
No local, a perícia constatou que havia ferimentos no corpo do padre provocados, provavelmente, por facas. A Polícia Civil suspeita que ele tenha sido vítima de latrocínio, já que o veículo em que ele estava foi visto no estado do Rio de Janeiro.
A autoria do crime ainda é investigada pela polícia. Dois suspeitos, que foram vistos por testemunhas próximo ao local onde o corpo foi encontrado, foram detidos pela Polícia Militar. Ainda não há confirmação de que eles tenham participação no crime.
O veículo utilizado pelo padre ainda não foi localizado. A Polícia Rodoviária Federal informou que ele foi visto passando por Teresópolis (RJ), por volta de 5h da manhã.
'Amigo do povo'
O padre Júlio César que também é pároco em Simonésia, divulgou um vídeo com o objetivo de encontrar Adriano, que estava desaparecido.
Segundo ele, o religioso não tinha problemas com ninguém e era amigo de todos. “É um padre jovem, 36 anos de idade, dinâmico, amigo do povo. Um padre que tem uma boa reflexão, uma boa comunicação”, afirmou. Fonte: https://g1.globo.com
NOTA OFICIAL
Polícia Civil. Manhuaçu 14/10/2020-21h15
Foi encontrado o início da noite desta quarta-feira, 14/10/20, o corpo do Padre Adriano, Vigário da Paróquia de Simonésia.
O corpo sem vida estava em uma estrada rural próxima a Manhumirim. Exames periciais iniciais indicam ao menos cinco perfurações causadas por arma branca - possivelmente uma faca -, sendo esta a possível causa da morte. A vítima estava carbonizado e vestígios de gasolina foram encontrados no local.
Familiares fizeram reconhecimento da vítima. Pertences pessoais encontrados junto ao corpo, em especial uma aliança usada por religiosos, corroboram para identificação. Exames de DNA poderão ser realizados a critério do Delegado de Polícia que presidirá o Inquérito Policial.
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de latrocínio, pois já se tem informações de que o veículo da vítima foi visto no Estado do Rio de Janeiro na madrugada, por volta das 2h30, do dia 14/10/20. Fonte: Uol
Após pedido de socorro pelo Whatsapp, padre desaparece em João Pessoa
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Ele tinha saído para rezar por um morto, a pedido de familiares, segundo o secretário da paróquia
Por Carlos Rocha
Um sumiço misterioso está angustiando a família de padre de João Pessoa, que desapareceu misteriosamente após ser chamado para rezar por um corpo, nesta terça-feira (13). José Gilmar é pároco da Igreja Santa Teresinha, no bairro do Roger, e saiu ainda pela manhã.
De acordo com Thiago Melo, secretário da paróquia, o padre José Gilmar foi chamado pela família de um morto para "encomendar o corpo". Alguns instantes após ter saído, uma pessoa da paróquia recebeu uma mensagem do religioso, via Whatsapp, na qual pedia socorro.
Não houve resposta às tentativas de entrar em contato com o padre após o recebimento da mensagem. Segundo o secretário, o aparelho aparece sem sinal de internet, fora de área ou desligado.
A polícia foi acionada e faz buscas pelo religioso. Quem tiver informação sobre o paradeiro de José Gilmar pode entrar em contato através do número (83) 9 8829 9909. Fonte: https://www.portalt5.com.br
28º Domingo do Tempo Comum: Quarta-feira 14.
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A RELIGIÃO HIPÓCRITA... Evangelho do Dia (Lc 11, 42-46). Com Frei Petrônio de Miranda, O. Carm. Convento do Carmo de Angra dos Reis/RJ. 14 de outubro-2020.
Quarta-feira, 14 de outubro-2020. 28ª Domingo do Tempo Comum. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.
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1) Oração
Ó Deus, sempre nos preceda e acompanhe a vossa graça para que estejamos sempre atentos ao bem que devemos fazer. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Lucas 11, 42-46)
Naquele tempo disse Jesus: 42Ai de vós, fariseus, que pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de diversas ervas e desprezais a justiça e o amor de Deus. No entanto, era necessário praticar estas coisas, sem contudo deixar de fazer aquelas outras coisas. 43Ai de vós, fariseus, que gostais das primeiras cadeiras nas sinagogas e das saudações nas praças públicas! 44Ai de vós, que sois como os sepulcros que não aparecem, e sobre os quais os homens caminham sem o saber. 45Um dos doutores da lei lhe disse: Mestre, falando assim também a nós outros nos afrontas. 46Ele respondeu: Ai também de vós, doutores da lei, que carregais os homens com pesos que não podem levar, mas vós mesmos nem sequer com um dedo vosso tocais os fardos.
3) Reflexão
No Evangelho de hoje continua o relacionamento conflituoso entre Jesus e as autoridades religiosas da época. Hoje, na igreja acontece o mesmo conflito. Numa determinada diocese, o bispo convocou os pobres a participar ativamente. Eles atenderam ao pedido e em grande número começaram a participar. Surgiu um grave conflito. Os ricos diziam que foram excluídos e alguns sacerdotes começaram a dizer: “O bispo só faz política e esquece o evangelho!”
Lucas 11,42: Ai de vocês, que deixam de lado a justiça e o amor
“Ai de vocês, fariseus, porque vocês pagam o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as outras ervas, mas deixam de lado a justiça e o amor de Deus. Vocês deveriam praticar isso, sem deixar de lado aquilo”. Esta crítica de Jesus contra os líderes religiosos daquela época pode ser repetido contra muitos líderes religiosos dos séculos seguintes, até hoje. Muitas vezes, em nome de Deus, insistimos em detalhes e esquecemos a justiça e o amor. Por exemplo, o jansenismo tornou árida a vivência da fé, insistindo em observâncias e penitências que desviaram o povo do caminho do amor. A irmã carmelita Santa Teresa de Lisieux foi criada nesse ambiente jansenista que marcava a França no fim do século XIX. Foi a partir de uma dolorosa experiência pessoal, que ela soube recuperar a gratuidade do amor de Deus como a força que deve animar por dentro a observância das normas. Pois, sem a experiência do amor, as observâncias fazem de Deus um ídolo.
A observação final de Jesus dizia: “Vocês deveriam praticar isso, sem deixar de lado aquilo”. Esta advertência faz lembrar uma outra observação de Jesus que serve de comentário: "Não pensem que eu vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim abolir, mas dar-lhes pleno cumprimento. Eu garanto a vocês: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem sequer uma letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo aconteça. Portanto, quem desobedecer a um só desses mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazer o mesmo, será considerado o menor no Reino do Céu. Por outro lado, quem os praticar e ensinar, será considerado grande no Reino do Céu. Com efeito, eu lhes garanto: se a justiça de vocês não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino do Céu" (Mt 5,17-20)
Lucas 11,43: Ai de vocês, que gostam dos lugares de honra
“Ai de vocês, fariseus, porque gostam do lugar de honra nas sinagogas, e de serem cumprimentados em praças públicas”. Jesus chama a atenção dos discípulos para o comportamento hipócrita de alguns fariseus. Estes tinham gosto em circular pelas praças com longas túnicas, receber as saudações do povo, ocupar os primeiros lugares nas sinagogas e os lugares de honra nos banquetes (cf. Mt 6,5; 23,5-7). Marcos acrescenta que eles gostavam de entrar nas casas das viúvas e fazer longas preces em troca de dinheiro! Pessoas assim vão receber um julgamento mais severo (Mc 12,38-40). Hoje acontece o mesmo na nossa igreja.
Lucas 11,44: Ai de vocês, túmulos escondidos
“Ai de vocês, porque são como túmulos que não se vêem, e os homens pisam sobre eles sem saber". Lucas modificou a comparação. Em Mateus se diz: “Vocês são como sepulcros caiados: por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e podridão! Assim também vocês: por fora, parecem justos diante dos outros, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e injustiça” (Mt 23,27-28). A imagem de “sepulcros caiados” fala por si e não precisa de comentário. Por meio dela, Jesus condena os que mantêm uma aparência fictícia de pessoa correta, mas cujo interior é a negação total daquilo que querem fazer aparecer para fora. Lucas fala em sepulcros escondidos: “Ai de vocês, porque são como túmulos que não se veem, e os homens pisam sobre eles sem saber". Quem pisa ou toca num sepulcro torna-se impuro, mesmo quando o sepulcro existe escondido debaixo do chão. A imagem é muito forte: por fora, o fariseu de sempre parece justo e bom, mas esse aspecto é um engano, pois dentro dele existe um sepulcro escondido que, sem o povo se dar conta, espalha um veneno que mata, comunica uma mentalidade que afasta de Deus, sugere uma compreensão errada da Boa Nova do Reino. Uma ideologia que faz do Deus vivo um ídolo morto!
Lucas 11,45-46: Crítica do doutor da lei e a resposta de Jesus
“Um especialista em leis tomou a palavra, e disse: "Mestre, falando assim insultas também a nós!" Na resposta Jesus não voltou atrás mas deixou bem claro que a mesma crítica valia também para os escribas: "Ai de vocês também, especialistas em leis! Porque vocês impõem sobre os homens cargas insuportáveis, e vocês mesmos não tocam essas cargas nem com um só dedo”. No Sermão da Montanha, Jesus expressou a mesma crítica que serve de comentário: “Os doutores da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de Moisés. Por isso, vocês devem fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imitem suas ações, pois eles falam e não praticam. Amarram pesados fardos e os colocam no ombro dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo” (Mt 23,2-4).
4) Para um confronto pessoal
1) A hipocrisia mantém uma aparência enganadora. Até onde atua em mim a hipocrisia? Até onde a hipocrisia atua na nossa igreja?
2) Jesus criticava os escribas que insistiam na observância disciplinar das coisas miúdas da lei como dízimo da hortelã, da arruda e de todas as ervas, e esqueciam de insistir no objetivo da lei que é a prática da justiça e do amor. Vale para mim esta crítica?
5) Oração final
Feliz o homem que não procede conforme o conselho dos ímpios, não trilha o caminho dos pecadores, nem se assenta entre os escarnecedores. Feliz aquele que se compraz no serviço do Senhor e medita sua lei dia e noite. (Sl 1, 1-2)
El Salvador. Evangélicos superam católicos numericamente
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Pesquisa do CID Gallup constatou que pela primeira vez a grei evangélica é maior que o rebanho católico na República de El Salvador. Os evangélicos somam 44% da população estimada em 6,5 milhões de habitantes, enquanto católicos são 38%, outros 15% não se identificam com qualquer religião e 3% professam outros credos. A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.
Das pessoas com mais de 40 anos, 66% nasceram católicas; já @s que têm menos de 24 anos, apenas 38% são católicos. “É interessantes ver a perda dos fiéis do catolicismo ao longo dos anos”, avaliou o jornalista Jonathan Laguan, que conduziu a pesquisa. Segundo o levantamento, a Igreja Católica salvadorenha perdeu 17% de fiéis nos últimos anos.
Evangélicos estão há quase 125 anos em El Salvador, um país historicamente católico. Comentando esse crescimento ao portal Mundo Cristão, o pastor Jorge Aguirre, da Igreja Gamaliel, acha que ele aconteceu “por causa do que as igrejas fazem com indivíduos num país carente, com famílias destruídas”.
A população salvadorenha reconhece as ações sociais das igrejas evangélicas, num país marcado pela violência. “Logicamente há muito mais a ser feito, é preciso mudar as leis para que as pessoas tenham realmente medo de fazer o mal, mas ao mesmo tempo dar às pessoas uma oportunidade de desenvolvimento, de crescimento”, definiu o pastor Numa Rodezno.
Tramita na Assembleia Legislativa do país a proposta do Estado reconhecer a Igreja Evangélica em sua Constituição. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
É possível?... Um Olhar sobre Nossa Senhora Aparecida
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É POSSÍVEL?... Um Olhar sobre a devoção a Nossa Senhora Aparecida, por Frei Petrônio de Miranda, O. Carm. Convento do Carmo de Angra dos Reis/RJ. 12 de outubro-2020.
Orai por nós, Nossa Senhora Aparecida
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Por Joaquim Ferreira dos Santos
Valei-me, Nossa Senhora Aparecida, porque hoje é o teu dia, sublime padroeira do Brasil, e já aqui bem cedo me faço presente para pedir socorro, arroz, esperança, o que tiver sobrado na tua sempre farta dispensa de generosidade e auxílio emergencial.
Eu sei que santo de casa não faz milagre, eu sei que o estado é laico e o jornalismo deveria sê-lo também. Não resisto, porém, à premência do desespero e à coincidência de te ter hoje no calendário. Mendigo das palavras, servo dos teus obséquios, faço em teu louvor os clamores desta oração.
Eis-me aqui, ó mulher preta dos orgulhos nacionais, na segunda-feira das crônicas ligeiras, te pedindo com a gravidade de um homem genuflexo, a excelsa delicadeza de jogar luz sobre essa mina escura e funda, o trem das nossas vidas.
Se fosse em outubros passados eu subiria os degraus da Penha e lá do alto, os olhos fitos no meu berço suburbano, eu pediria contrito pela conversão dos pecados, a vida eterna e o amém salvador – mas a festa da Penha acabou.
Peço desculpas, Virgem Altíssima, se atropelo a hierarquia celeste e, diante da falta de quadros nacionais, recorro com meu pedido de socorro à tua superior instância. No outro dia, apareceu por aqui um “Anjo” – mas suas asas guardavam apenas um bandido. Tem sido assim. Falta-nos santo.
Nunca tivemos tantos candidatos ao cargo, todos homens e mulheres que se anunciam ungidos pela hóstia do bem, dispostos a cerrar os olhos, dar as mãos e rezar um rosário de aleluias até na abertura das sessões do STF. Zombam da fé, esses insensatos. São padroeiros de si mesmos, santos que ainda estão com a comprovação de inocência percorrendo o devido trâmite legal.
Me perdoe, ó incomparável, o português ruim do pronome abrindo a frase, mas é que o acúmulo de aflições não permite uma prece com melhor homilia e revisão. Tenho pressa em comungar das tuas benesses. Quem me dera a poesia da encíclica papal, a beleza de citar Vinicius de Moraes, o branco mais preto-velho do Brasil, e repetir que a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida. Perdão, mas hoje não tem a hóstia consagrada dos verbos mais bonitos. O bicho tá pegando.
Diz o dito popular, minha Aparecida do Norte, que pra baixo todo santo ajuda e, neste momento de ladeira abaixo nacional, 150 mil mortos pelo vírus, eu deveria seguir o conselho e pedir proteção a gente menos gabaritada do baixo clero - mas é aí que mora o perigo. Os novos santos têm pés-de-barro, são de pau oco. Foi falsificado em alguma universidade distante o currículo em que apresentam seus milagres.
A mentira virou sacramento, a esperteza ganhou o evangelho e atrás do púlpito federal o homem com ar desmiolado aponta o céu como se acusasse Jesus por todo esse horror. É a teologia do deboche. Valei-me, padroeira, porque faz apenas um ano e o Brasil ganhava sua primeira santa, Irmã Dulce, consagrada justamente depois de se examinar a veracidade de seus milagres.
Pioramos, e por tudo isso eis-me aqui, neste dia sagrado, súdito fiel aos teus pés, na carência pública por atenção. Orai por nós, Aparecida, e não nos deixei cair na tentação de piorar mais ainda. Fonte: https://blogs.oglobo.globo.com
28º Domingo do Tempo Comum: Um Olhar.
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28º Domingo do Tempo Comum: Um Olhar. Frei Petrônio de Miranda, O. Carm. Angra dos Reis/RJ. 11 de outubro-2020.
Papa telefona para Padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo da Rua, e pede que não desanime e continue ao lado dos pobres
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Padre Júlio foi ameaçado ao menos duas vezes este ano. Papa Francisco viu fotos dos moradores de rua em São Paulo e disse conhecer as dificuldades por quais passam.
Por G1 SP
O Papa Francisco telefonou neste sábado (10) para o padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo da Rua de São Paulo, para perguntar sobre os moradores de rua no Brasil.
Segundo comunicado divulgado pela Arquidiocese de São Paulo, o papa telefonou para o padre Júlio às 14h15 e queria saber por quais dificuldades a pastoral passa.
O papa pediu ao padre, que mesmo diante de todas as dificuldades, não "desanime" e continue junto aos pobres (leia íntegra da nota abaixo).
Neste ano, padre Júlio foi ameaçado ao menos duas vezes. Em janeiro, policiais teriam dito a três jovens moradores de rua que "a hora do Padre Julio Lancelotti vai chegar", no Belenzinho, Zona Leste da cidade. A Corregedoria da Polícia Militar apura a denúncia e a a Defensoria Pública da União "afirmou preocupada com a integridade pessoal e a liberdade de manifestação do padre".
Em setembro, padre Júlio registrou um boletim de ocorrência por ameaça após ter sido xingado por um motoqueiro enquanto fazia trabalho de atendimento a moradores de rua no Centro da cidade.
Lancellotti afirma ser alvo de uma campanha de difamação vinda do deputado estadual e pré-candidato à Prefeitura de São Paulo Arthur do Val (Patriota), conhecido pelo apelido de Mamãe Falei. O político nega as ameaças.
No último dia 1º, a Justiça Eleitoral determinou a remoção das publicações nas redes sociais de Arthur do Val nas quais ele critica o padre Júlio. Conhecido pelo apelido Mamãe Falei, o candidato publicou vídeos em suas redes sociais chamando o padre de "cafetão da miséria".
Comunicado
"Neste sábado, 10 de outubro, às 14h15, recebi o telefonema de sua santidade o Papa Francisco que falou comigo com toda simplicidade e proximidade, perguntando sobre a população de rua, como é nossa convivência com os irmãos de rua, quais as dificuldades que sentimos.
O Papa disse que viu as fotos que enviamos para ele e que sabe das dificuldades que passamos, mas que não desanimemos e façamos sempre como Jesus, estando junto dos mais pobres.
Pediu para transmitir a todos os moradores de rua o seu amor e proximidade e que todos rezem por ele. Ele reza por todos nós também.
Padre Julio Lancellotti
Vigário Episcopal para o Povo da Rua
Arquidiocese de São Paulo".
Fonte: https://g1.globo.com
*28º Domingo do Tempo Comum - Ano A: Um Olhar
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A liturgia do 28º Domingo do Tempo Comum utiliza a imagem do "banquete" para descrever esse mundo de felicidade, de amor e de alegria sem fim que Deus quer oferecer a todos os seus filhos.
Na primeira leitura, Isaías anuncia o "banquete" que um dia Deus, na sua própria casa, vai oferecer a todos os Povos. Acolher o convite de Deus e participar nesse "banquete" é aceitar viver em comunhão com Deus. Dessa comunhão resultará, para o homem, a felicidade total, a vida em abundância.
O Evangelho sugere que é preciso "agarrar" o convite de Deus. Os interesses e as conquistas deste mundo não podem distrair-nos dos desafios de Deus. A opção que fizemos no dia do nosso batismo não é "conversa fiada"; mas é um compromisso sério, que deve ser vivido de forma coerente.
Na segunda leitura, Paulo apresenta-nos um exemplo concreto de uma comunidade que aceitou o convite do Senhor e vive na dinâmica do Reino: a comunidade cristã de Filipos. É uma comunidade generosa e solidária, verdadeiramente empenhada na vivência do amor e em testemunhar o Evangelho diante de todos os homens. A comunidade de Filipos constitui, verdadeiramente, um exemplo que as comunidades do Reino devem ter presente.
Não basta...
Frei Petrônio de Miranda, O. Carm
Convento do Carmo de Angra dos Reis/RJ. 9 de outubro-2020.
Não basta ser de uma pastoral, associação religiosa ou exercer uma função “evangelizadora” na comunidade. É necessário ter as vestes da amorosidade, porque as vezes somos verdadeiros pit bulls!
Quando as pessoas se aproximam atacamos, ferimos e, muitas vezes, até matamos e condenamos o nosso “irmão” de comunidade com o nosso olhar e atitudes de indiferença, discriminação e rejeição.
Não basta estar no convento, seminário, mosteiro ou comunidade de vida. É necessário termos as vestes do perdão, do diálogo, da humildade e da mansidão.
Quantos religiosos, religiosas, seminaristas, consagrados e consagradas que vivem em um verdadeiro inferno comunitário. São obrigados a rezarem juntos, viverem juntos e celebrarem juntos, mas na verdade são incapazes de falar um Bom dia, uma Boa tarde e uma Boa noite. São incapazes de perdoar o seu irmão (a) de comunidade- mesmo falando no perdão- e se fecha no individualismo, moralismo e conservadorismo, criando assim uma máscara para se protegerem.
Não basta se apresentar no altar ou testemunhar o amor conjugal em retiros, conferências, palestras e formação. É necessário usar as vestes do diálogo na família, é necessário usar as vestes da compreensão, da tolerância e da amizade com os filhos e a família.
Quantos casais “igrejeiros” não conseguem aceitar os filhos por questões sexuais? Quantos casais líderes de movimentos que são incapazes de ser família nas questões de ecumenismo ou no trato com as diferenças econômicas e raciais no seio da família?
Não basta usar um Escapulário de Nossa Senhora do Carmo ou o hábito carmelita- Seja na ordem primeira, segunda ou terceira- é necessário usarmos as vestes evangélicas para termos assim uma vida com “sabor do Evangelho”, como afirma o Sumo pontífice, o Papa Francisco na Encíclica Fratelli Tutti.
Não basta dizer que é candidato do Movimento A ou do Movimento B da Igreja Católica. É necessário usar as vestes da ética nas relações políticas, econômicas, religiosas e sociais com o próximo.
Quantos políticos ditos “cristãos” foram presos ou condenados na operação lava-jato? Quantos candidatos “igrejeiros” que agem e vivem completamente contra a Boa Nova do Evangelho no que se refere aos menos favorecidos e vulneráveis?
Sim, em nossas relações diárias precisamos usar as vestes evangélicas anunciadas, “vendidas” e defendidas por Jesus Cristo. Caso o contrário, não passamos de intrusos na Festa do Banquete e verdadeiros estrupícios que, em nome de uma fé, de uma religião ou de uma “verdade” que professamos, não passamos de fariseus e hipócritas aproveitadores do sagrado. E tenho dito!
EVANGELHO - Mt 22,1-14: Atualização
No nosso texto, a questão decisiva não é se Deus convida ou se não convida; mas é se se aceita ou se não se aceita o convite de Deus para o "banquete" do Reino. Os convidados que não aceitaram o convite representam aqueles que estão demasiado preocupados a dirigir uma empresa de sucesso, ou a escalar a vida a pulso, ou a conquistar os seus cinco minutos de fama, ou a impor aos outros os seus próprios esquemas e projetos, ou a explorar o bem estar que o dinheiro lhes conquistou e não têm tempo para os desafios de Deus.
Vivemos obcecados com o imediato, o politicamente correto, o palpável, o material, e prescindimos dos valores eternos, duradouros, exigentes, que exigem o dom da própria vida. A questão é: onde é que está a verdadeira felicidade? Nos valores do Reino, ou nesses valores efémeros que nos absorvem e nos dominam?
Os convidados que não aceitaram o convite representam também aqueles que estão instalados na sua autossuficiência, nas suas certezas, seguranças e preconceitos e não têm o coração aberto e disponível para as propostas de Deus. Trata-se, muitas vezes, de pessoas sérias e boas, que se empenham seriamente na comunidade cristã e que desempenham papéis fundamentais na estruturação dos organismos paroquiais... Mas "nunca se enganam e raramente têm dúvidas"; sabem tudo sobre Deus, já construíram um deus à medida dos seus interesses, desejos e projetos e não se deixam questionar nem interpelar. Os seus corações estão, também, fechados à novidade de Deus.
Os convidados que aceitaram o convite representam todos aqueles que, apesar dos seus limites e do seu pecado, têm o coração disponível para Deus e para os desafios que Ele faz. Percebem os limites da sua miséria e finitude e estão permanentemente à espera que Deus lhes ofereça a salvação. São humildes, pobres, simples, confiam em Deus e na salvação que Ele quer oferecer a cada homem e a cada mulher e estão dispostos a acolher os desafios de Deus.
A parábola do homem que não vestiu o traje apropriado convida-nos a considerar que a salvação não é uma conquista, feita de uma vez por todas, mas um sim a Deus sempre renovado, e que implica um compromisso real, sério e exigente com os valores de Deus. Implica uma opção coerente, contínua, diária com a opção que eu fiz no Batismo... Não é um compromisso de "meias tintas", de tentativas falhadas, de "tanto se me dá como se me deu"; mas é um compromisso sério e coerente com essa vida nova que Jesus me apresentou.
*Leia o Evangelho na íntegra. Clique ao lado no link- EVANGELHO DO DIA.
Prelazia do Marajó: NOTA SOBRE A VISITA DO PRESIDENTE AO MARAJÓ
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Prelazia do Marajó
NOTA SOBRE A VISITA DO PRESIDENTE AO MARAJÓ

“Somar para chegar aonde sozinho não se pode”. (Documento Final do Sínodo para a Amazônia - DF 39) “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância (Jo 10,10).
O presidente Jair Bolsonaro, acompanhado de uma comitiva governamental, chega à cidade de Breves, no Arquipélago do Marajó, para o anúncio de medidas do Programa Abrace o Marajó. A solenidade, em pleno período eleitoral, integra um espetáculo midiático com questionáveis efeitos
concretos. Soa estranho, também, em plena pandemia, em uma região com um sistema de saúde precário, a realização de atividades que favoreçam a aglomeração social, sem respeito às normas sanitárias, onde as taxas de contágio e óbitos em decorrência da Covid-19 são preocupantes.
A Prelazia do Marajó se associa às iniciativas democraticamente construídas, com vistas à promoção do desenvolvimento socioeconômico e do bem estar da população marajoara. Sobretudo, aquelas medidas destinadas a superar dívidas históricas com o povo da região, com a proteção do meio ambiente e com a valorização da cultura regional. “A Amazônia (inclua-se o Marajó) hoje é uma beleza ferida e deformada, um lugar de dor e violência. Os ataques à natureza têm consequências negativas na vida dos povos” (DF10).
O Programa Abrace o Marajó poderia ser uma iniciativa governamental com vistas a oferecer respostas públicas às demandas da região. Para isso, seria indispensável um diálogo com o governo do Estado, com os poderes municipais e, principalmente, com as lideranças da sociedade civil. Um diálogo sincero, franco, responsável, envolvendo a pluralidade do tecido social da região: as lideranças religiosas das diferentes denominações, as lideranças dos variados
setores da atividade econômica, formal e informal, as lideranças dos trabalhadores, das populações tradicionais, dos artistas, das juventudes, das
mulheres, bem como lideranças de movimentos sociais e ambientais. Para se constituir em um programa de governo, com efetivos resultados econômicos e sociais, com responsabilidade ambiental, demandaria o envolvimento daqueles
que trabalham em defesa da cidadania, da convivência democrática, do respeito à pluralidade e da justiça social e do cuidado com a “Casa Comum”. Como ensina o Sínodo para a Amazônia: “Para os cristãos, o interesse e a preocupação com a promoção e o respeito dos direitos humanos, tanto individuais quanto coletivos, não são opcionais. O ser humano é criado à imagem e semelhança de Deus Criador, e sua dignidade é inviolável. É por isso que a defesa e a promoção dos direitos humanos não são meramente um dever político ou uma tarefa social, mas
também, acima de tudo, um requisito de fé” (DF 70).
A história brasileira tem demonstrado fartamente o fracasso de iniciativas governamentais que veem o povo como destinatário e não como interlocutor, que dispensaram o seu conhecimento e as suas contribuições. Somar é a melhor estratégia para chegar aonde não se pode chegar sozinho (cf. DF 39) e o diálogo é o meio mais adequado para se conferir audiências aos interlocutores legítimos
e às suas demandas. Portanto, é importante indagar sobre esta visita repentina do presidente e sua comitiva ao Marajó: Com quem o governo do presidente Jair Bolsonaro estará somando em pleno processo eleitoral? A que interlocutores
estará conferindo audiência? Que mensagens estará veiculando?
Esta solenidade do anúncio de medidas do programa Abrace o Marajó não contará com a acolhida da Prelazia do Marajó porque não está inscrita em uma estratégia de somar forças, de estabelecer diálogos com a sociedade e de
impulsionar iniciativas. Como estratégia midiática e eleitoral, parece claro que o presidente Jair Bolsonaro não veio ao Marajó para construir parcerias. Sua postura unilateral, com absoluto desprezo às autoridades constituídas, à
população residente e às lideranças marajoaras, sinaliza que o objetivo de sua viagem está mais inclinado à busca de aplausos e não do estabelecimento de diálogos; reflete mais o desejo por plateias e menos a busca de interlocutores e
de parcerias para um empreendimento público, orientado para a resolução de demandas regionais importantes.
A Prelazia do Marajó está disponível, como sempre esteve, ao diálogo construtivo e democraticamente cultivado. Contudo, recusa-se, por convicção ética e evangélica, a participar de eventos que favoreçam apropriações político-partidárias, especialmente no curso de processos eleitorais. Não compactuaremos com ações que confisquem a voz do povo marajoara e exonerem as suas agendas. Acolheremos, com especial atenção, dedicação e envolvimento, todas as ações destinadas ao Marajó que se abram à participação
das populações locais, dando-lhes voz e vez nas decisões, considerando suas necessidades, respeitando suas tradições e culturas e garantindo a preservação do meio ambiente saudável.
Aproveitamos a oportunidade para desejar a todos os marajoaras e paraenses, um Círio de paz, de alegria, e de fraternidade. Que a Virgem de
Nazaré nos inspire a sermos fiéis discípulos de Jesus, caminhando guiados pelo seu Evangelho.
Evaristo Pascoal Spengler
Bispo da Prelazia do Marajó
Breves-PA, 09 de outubro de 2020.
Fonte: Facebook (Pascom Soure)
Sexta-feira, 9 de outubro-2020. 27ª Domingo do Tempo Comum. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.
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1) Oração
Ó Deus eterno e todo-poderoso, que nos concedeis no vosso imenso amor de Pai mais do que merecemos e pedimos, derramai sobre nós a vossa misericórdia, perdoando o que nos pesa na consciência e dando-nos mais do que ousamos pedir. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Lucas 11, 15-26)
15Mas alguns deles disseram: Ele expele os demônios por Beelzebul, príncipe dos demônios. 16E para pô-lo à prova, outros lhe pediam um sinal do céu. 17Penetrando nos seus pensamentos, disse-lhes Jesus: Todo o reino dividido contra si mesmo será destruído e seus edifícios cairão uns sobre os outros. 18Se, pois, Satanás está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Pois dizeis que expulso os demônios por Beelzebul. 19Ora, se é por Beelzebul que expulso os demônios, por quem o expulsam vossos filhos? Por isso, eles mesmos serão os vossos juízes! 20Mas se expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente é chegado a vós o Reino de Deus. 21Quando um homem forte guarda armado a sua casa, estão em segurança os bens que possui. 22Mas se sobrevier outro mais forte do que ele e o vencer, este lhe tirará todas as armas em que confiava, e repartirá os seus despojos. 23Quem não está comigo, está contra mim; quem não recolhe comigo, espalha. 24Quando um espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso; não o achando, diz: Voltarei à minha casa, donde saí. 25Chegando, acha-a varrida e adornada. 26Vai então e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele e entram e estabelecem-se ali. E a última condição desse homem vem a ser pior do que a primeira.
3) Reflexão
O evangelho de hoje traz uma longa discussão em torno da expulsão de um demônio mudo que Jesus acabava de realizar diante do povo.
Lucas 11,14-16: Três reações diferentes diante da mesma expulsão
Jesus estava expulsando demônios. Diante deste fato bem visível, realizado diante de todos, houve três reações diferentes. O povo ficou admirado, aplaudiu. Outros diziam: "É por Belzebu, o príncipe dos demônios, que ele expulsa os demônios". O evangelho de Marcos informa que se tratava dos escribas que tinham vindo de Jerusalém para controlar a atividade de Jesus (Mc 3,22). Outros ainda pediam um sinal do céu, pois não se convenceram diante do sinal tão evidente da expulsão realizada diante de todo o povo.
Lucas 11,17-19: Jesus mostra a incoerência dos adversários
Jesus usa dois argumentos para rebater a acusação de estar expulsando demônio em nome de Beelzebu. Em primeiro lugar, se o demônio expulsa o próprio demônio, ele se divide a si mesmo e não vai sobreviver. Em segundo lugar, Jesus lhes devolve o argumento: Se eu expulso em nome de demônio, os filhos de vocês o fazem em nome de quem? Com outras palavras, eles também estariam fazendo as expulsões em nome de Beelzebu.
Lucas 11,20-23: Jesus é o homem mais forte que chegou, sinal da chegada do Reino
Aqui Jesus chega no ponto central da sua argumentação: “Quando um homem forte e bem armado guarda a sua casa, os bens dele estão em segurança. Mas, quando chega um homem mais forte do que ele e o vence, arranca-lhe a armadura na qual ele confiava, e reparte o que roubou.”. Na opinião do povo daquele tempo, Satanás dominava o mundo através de demônios (daimônia). Ele era o homem forte e bem armado que guardava a sua casa. A grande novidade era o fato de que Jesus conseguia expulsar os demônios. Sinal de que ele era e é o homem mais forte que chegou. Com a chegada de Jesus o reino de Beelzebu entrou em declínio: “Se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então o Reino de Deus chegou para vocês”. Quando os magos do Faraó viram que Moisés fazia coisas que eles não eram capazes de realizar, foram mais honestos que os escribas diante de Jesus e disseram: “Aqui tem o dedo de Deus!” (Ex 8,14-15).
Lucas 11,24-26: A segunda queda é pior que a primeira
Na época de Lucas nos anos 80, diante das perseguições, muitos cristãos voltaram atrás e abandonaram as comunidades. Voltaram à maneira de viver de antes. Para advertência a eles e a todos nós, Lucas guardou estas palavras de Jesus sobre a segunda queda que é pior do que a primeira.
A expulsão dos demônios
O primeiro impacto que a ação de Jesus causava no povo era a expulsão dos demônios: “Até mesmo aos espíritos impuros ele dá ordens e eles lhe obedecem!” (Mc 1,27). Uma das principais causas da briga de Jesus com os escribas era a expulsão dos demônios. Eles o caluniavam dizendo: “Ele está possuído por Beelzebu! É pelo príncipe dos demônios que ele expulsa os demônios!” O primeiro poder que os apóstolos receberam quando foram enviados em missão foi o poder de expulsar os demônios: “Deu-lhes poder sobre os espíritos maus” (Mc 6,7). O primeiro sinal que acompanha o anúncio da ressurreição é a expulsão dos demônios: “Os sinais que acompanharão aqueles que acreditarem são estes: expulsarão demônios em meu nome!” (Mc 16,17). A expulsão dos demônios era o que mais chamava a atenção do povo (Mc 1,27). Ela atingia o centro da Boa Nova do Reino. Por meio dela Jesus devolvia as pessoas a si mesmas. Devolvia-lhes o juízo, a consciência (Mc 5,15). É sobretudo o evangelho de Marcos, do começo ao fim, com palavras quase iguais, repete sem parar a mesma mensagem: “E Jesus expulsava os demônios!” (Mc 1,26.34.39; 3,11-12.22.30; 5,1-20; 6,7.13; 7,25-29; 9,25-27.38; 16,17). Parece um refrão que sempre volta. Hoje, em vez de usar sempre as mesmas palavras usaríamos palavras diferentes para transmitir a mesma mensagem e diríamos: “O poder do mal, o Satanás, que mete tanto medo no povo, Jesus o venceu, dominou, amarrou, destronou, derrotou, expulsou, eliminou, exterminou, aniquilou, abateu, destruiu e matou!” O que o Evangelho nos quer dizer é isto: “Ao cristão é proibido ter medo de Satanás!” Pela sua ressurreição e pela sua ação libertadora, Jesus afasta de nós o medo de Satanás, cria liberdade no coração, firmeza na ação e esperança no horizonte! Devemos caminhar na Estrada de Jesus com sabor de vitória sobre o poder do mal!
4) Para um confronto pessoal
1) Expulsar o poder do mal. Qual é hoje o poder do mal que massifica o povo e roube dele a consciência crítica?
2) Você pode dizer de você mesma que é totalmente livre e liberta? Caso a resposta for negativa, alguma parte em você está em poder de outras forças. O que você faz para expulsar este poder que toma conta de você?
5) Oração final
Sua obra é toda ela majestade e magnificência. E eterna a sua justiça. Memoráveis são suas obras maravilhosas; o Senhor é clemente e misericordioso. (Sl 110, 3-4)
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