Olhar Jornalístico

Sexta-feira, 20 de março-2026. 4ª SEMANA DA QUARESMA. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 20 março 2026
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1) Oração

Ó Deus, que preparastes para nossa fraqueza os auxílios necessários à nossa renovação, dai-nos recebê-los com alegria e vê-los frutificar em nossa vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 7, 1-2.10.25-30)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João - Naquele tempo, 1Jesus percorria a Galiléia. Ele não queria deter-se na Judéia, porque os judeus procuravam tirar-lhe a vida. 2Aproximava-se a festa dos judeus chamada dos Tabernáculos. 10Mas quando os seus irmãos tinham subido, então subiu também ele à festa, não em público, mas despercebidamente. 25Algumas das pessoas de Jerusalém diziam: Não é este aquele a quem procuram tirar a vida? 26Todavia, ei-lo que fala em público e não lhe dizem coisa alguma. Porventura reconheceram de fato as autoridades que ele é o Cristo? 27Mas este nós sabemos de onde vem. Do Cristo, porém, quando vier, ninguém saberá de onde seja. 28Enquanto ensinava no templo, Jesus exclamou: Ah! Vós me conheceis e sabeis de onde eu sou!... Entretanto, não vim de mim mesmo, mas é verdadeiro aquele que me enviou, e vós não o conheceis. 29Eu o conheço, porque venho dele e ele me enviou. 30Procuraram prendê-lo, mas ninguém lhe deitou as mãos, porque ainda não era chegada a sua hora. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

Ao longo dos capítulos 1 a 12 do Evangelho de João, vai acontecendo a progressiva revelação que Jesus faz de si mesmo aos discípulos e ao povo. Ao mesmo tempo e na mesma proporção, vai crescendo o fechamento e a oposição das autoridades contra Jesus a ponto de elas decidirem a condenação e a morte de Jesus (Jo 11,45-54). O capítulo 7, que meditamos no evangelho de hoje, é uma espécie de balanço no meio do caminho. Já faz prever como será o desfecho final.

João 7,1-2.10: Jesus decide ira à festa dos Tabernáculos em Jerusalém. A geografia da vida de Jesus no evangelho de João é diferente da geografia nos outros três evangelhos. É mais completa. Conforme os outros evangelhos, Jesus foi apenas uma única vez a Jerusalém, aquela em que ele foi preso e morto. Conforme o evangelho de João, Jesus foi no mínimo duas ou três vezes a Jerusalém para a festa de Páscoa. Por isso sabemos que a vida pública de Jesus durou em torno de três anos. O evangelho de hoje informa que Jesus se dirigiu mais uma vez para Jerusalém, mas não publicamente. Foi às ocultas, pois na Judéia os judeus queriam matá-lo.

Tanto aqui no capítulo 7 como nos outros capítulos, João fala de “judeus”, e de “vocês judeus”, como se ele e Jesus não fossem judeus. Esta maneira de falar reflete a situação da trágica ruptura que ocorreu no fim do primeiro século entre os judeus (Sinagoga) e os cristãos (Ecclesia). Ao longo dos séculos, esta maneira de falar do evangelho de João contribuiu para fazer crescer o anti-semitismo. Hoje, é muito importante tomar distância desta polêmica para não alimentar um antissemitismo. Nunca podemos esquecer Jesus é judeu. Nasceu judeu, viveu como judeu e morreu como judeu. Toda a sua formação é da religião e da cultura dos judeus.

João 7,25-27: Dúvidas dos habitantes de Jerusalém a respeito de Jesus.  Jesus está em Jerusalém e fala publicamente às pessoas que querem ouvi-lo. O povo fica confuso. Sabe que querem matar Jesus e ele anda solto aos olhos de todos. Será que as autoridades reconheceram que ele é o Messias? Mas como é que Jesus pode ser o messias? Todos sabem que ele vem lá de Nazaré, mas do messias, assim se ensinava, ninguém sabe a origem.

João 7,28-29: Esclarecimento da parte de Jesus.  Jesus fala da sua origem. “Vocês sabem de onde eu sou”. Mas o que o povo não sabe é a vocação e a missão que Jesus recebeu de Deus. Ele não veio por própria vontade, mas como todo profeta veio obedecendo a uma vocação, que é o segredo da vida dele. “Eu não vim por mim mesmo. Quem me enviou é verdadeiro, e vocês não o conhecem. Mas eu o conheço, porque venho de junto dele, e foi ele quem me enviou."

João 7,30: Ainda não chegara a hora.  Quiseram prender Jesus, mas ninguém pôs a mão nele, “porque ainda não chegara a sua hora”. No evangelho de João quem determina a hora e o rumo dos acontecimento não são os que detêm o poder, mas é o próprio Jesus. Ele é que determina a hora (cf. Jo 2,4; 4,23; 8,20; 12.23.27; 13,1; 17,1). Mesmo pendurado na cruz, é Jesus quem determina até a hora de morrer (Jo 19,29-30).

 

4) Para um confronto pessoa

 

1) Como eu vivo o meu relacionamento com os judeus? Descobri alguma vez um pouco de antissemitismo dentro de mim? Consegui elimina-lo?

2) Como no tempo de Jesus, hoje em dia, há muitas idéias e opiniões novas sobre as coisas da fé. Como faço? Eu me agarro às idéias antigas e me fecho nelas, ou procuro entender o porque das novidades?

 

5) Oração final

O SENHOR está perto de quem tem o coração ferido, salva os ânimos abatidos. Muitas são as desventuras do justo, mas de todas o SENHOR o livra. (Sl 33)

Megatemplo católico de frei Gilson será construído em terreno de R$ 22 milhões na zona sul de SP

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Publicado em 20 março 2026
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Organização do frade comprou área de 86 mil metros quadrados próximo à estação Bruno Covas

Inspiração é Nossa Senhora de Guadalupe, representação mariana abraçada por movimentos pró-vida

 

Anna Virginia Balloussier

São Paulo

 

Frei Gilson, hoje um dos nomes de maior voltagem do catolicismo brasileiro, com lives de madrugada que arrebatam multidões, está construindo na zona sul de São Paulo um centro dedicado a "contemplação e oração".

O projeto, ainda cercado de discrição, prevê um complexo religioso de grandes proporções, com capela para 500 pessoas, hospedagem para retiros espirituais e espaços inspirados nas aparições de Nossa Senhora de Guadalupe.

Apuração da Folha descobriu documentos imobiliários e registros públicos indicando a localização do empreendimento, que até então era mantida em segredo. Será em um terreno entre os bairros Capela do Socorro e São Rafael.

Frei Gilson confirmou ao jornal o endereço, numa área próxima à estação Bruno Covas-Mendes/Vila Natal da ViaMobilidade. A aquisição, segundo nota enviada por sua assessora, "foi possível graças à generosidade de fiéis de diversas partes do mundo, por meio de doações espontâneas".

Registros do CNPJ mostram que a iniciativa está vinculada à Obra de Nossa Senhora de Guadalupe, organização presidida por Gilson da Silva Pupo Azevedo, nome de batismo do frade. A entidade aparece como responsável por compras recentes de terrenos na zona sul da capital.

Matrículas do 11º Cartório de Registro de Imóveis indicam que a instituição comprou áreas pertencentes à empresa Sítio Montesol Sociedade Civil Agrícola Ltda. Uma das transações envolve um terreno de mais de 86 mil metros quadrados na avenida Cavaleiros de São Lázaro, na região de Capela do Socorro, adquirido por R$ 21,9 milhões no final de 2025.

É um tamanho próximo ao terreno do Allianz Parque, estádio do Palmeiras.

Os documentos também registram uma alienação fiduciária associada ao negócio, estipulando o parcelamento do valor em 18 prestações mensais de cerca de R$ 1 milhão cada. É um mecanismo comum em compras financiadas: o imóvel fica como garantia da dívida até que todas as parcelas sejam quitadas.

Em material de divulgação apresentado a fiéis, o futuro complexo é descrito como um "oásis de espiritualidade" voltado à "adoração perpétua 24 horas por dia". A inspiração do projeto nasceu "no coração de dom José Negri", bispo da Diocese de Santo Amaro, que confiou a missão a frei Gilson.

O frade responde a dom Negri na hierarquia católica. O bispo lhe pediu que criasse um projeto "no qual ele pudesse exercer seu carisma de forma mais estruturada dentro da própria diocese, mas com alcance para o Brasil e para o mundo", frei Gilson afirma à reportagem. Acolheu essa proposta "como um chamado de Deus, reconhecendo na voz do bispo a vontade divina para sua vida".

O plano inclui uma capela aberta 24 horas por dia, com capacidade para 500 pessoas. A estrutura também contará com estúdio para gravação do rosário, uma casa para convidados e prédios administrativos.

Outro eixo são os retiros espirituais. O plano é que tenham cerca de 200 quartos individuais para hospedagem de fiéis interessados em períodos de silêncio e oração.

O conjunto também deve abrigar cinco pequenas capelas temáticas dedicadas às aparições de Nossa Senhora de Guadalupe ao indígena Juan Diego, episódio fundador da devoção à Virgem Maria no México.

Juan Diego, de origem asteca, tornou-se peça fundamental na história da Virgem de Guadalupe.

Rezam as lendas mexicanas que, em 1531, ele teve a visão de uma Virgem Maria com pele negra e caiu de joelhos no monte Tepeyac, mesmo pico onde indígenas adoravam sua deusa Tonantzin. Essa imagem desencadeou uma conversão em massa para a fé dos conquistadores espanhóis, e Juan Diego foi feito santo quase meio milênio depois, em 2002, canonizado pelo papa João Paulo 2º.

A escolha da devoção à Virgem de Guadalupe, segundo o frade, está diretamente ligada à sua espiritualidade. "Trata-se do título mariano ao qual ele possui maior devoção", diz sua assessoria. Mariano é tudo o que se relaciona a Maria, mãe de Jesus.

O religioso já tem por hábito invocar "a intercessão de Nossa Senhora de Guadalupe, com inúmeros testemunhos de graças e milagres", de acordo com sua equipe. "Há também um fundamento missionário: a Virgem de Guadalupe é reconhecida como a grande evangelizadora das Américas, tendo conduzido à conversão de milhões de indígenas no México, chegando a cerca de 9 milhões de batizados."

O antropólogo Rodrigo Toniol, estudioso do catolicismo, chama atenção para o simbolismo dessa escolha. "Nossa Senhora de Guadalupe, nas últimas três décadas, passou a ser muito mobilizado por grupos de um campo conservador", sobretudo "em relação a direitos sexuais e reprodutivos".

Alçá-la a Virgem Protetora da América Latina é também fortalecer sua imagem como "a santa que protege as vidas diante do perigo do aborto, do perigo do avanço do feminismo etc.", afirma Toniol.

Outro ponto digno de nota, segundo o antropólogo, é como essa fé cristã passou por um momento "veja só, o catolicismo não está morto, ele ressurge com força na internet". Porém, esse movimento não ficou só na vida digital e mantém sua essência como uma "religião de corpo", exigindo o encontro em espaços reais.

Essa transição do ambiente virtual para o mundo offline é comparada à trajetória de figuras como o padre Marcelo Rossi, reforçando uma tradição de evangelização de massa.

O terreno que abrigará o projeto sob batuta de frei Gilson já está "100% pago graças à generosidade de tantos fiéis", diz texto despachado para fiéis no WhatsApp. O frade, aliás, "estará lá com frequência, conduzindo retiros e gravando conteúdos".

Para começar, as obras dependem de aprovações e licenças dos órgãos competentes da prefeitura. Atualmente, o projeto encontra-se em fase de elaboração técnica e regularização. Não há data prevista para conclusão, mas a diocese trabalha com algo em torno de sete anos.

O centro tem um perfil no Instagram com 255 mil seguidores, e os 12,4 milhões que seguem frei Gilson só nessa rede social também ficam a par das obras. "Juntos alcançamos 38,61% da arrecadação para as três primeiras construções", diz um post publicado nesta segunda (16).

O dinheiro vem de doações de fiéis. A assessoria do frade diz que, até aqui, não há participação de recursos públicos. "Trata-se de uma iniciativa mantida pela fé e pela generosidade de pessoas que acreditam na proposta e reconhecem sua importância para a evangelização."

Outra fonte de renda, uma lojinha virtual, tem quatro produtos anunciados, três deles fora de estoque. O único disponível era um "caderno de meditação" vendido por R$ 39,90. Inspirado, segundo a descrição, "pela ternura maternal de Nossa Senhora de Guadalupe", ele convida o comprador a registrar "orações, reflexões e os movimentos sutis do Espírito em sua vida". Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

Quarta-feira, 18 de março-2026. 4ª SEMANA DA QUARESMA. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 18 março 2026
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1) Oração

Ó Deus, que recompensais os méritos dos justos e perdoais aos pecadores que fazem penitência, sede misericordioso para conosco: fazei que a confissão de nossas culpas alcance o vosso perdão. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 5, 17-30)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas - Naquele tempo, 26No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, 27a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria. 28Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo. 29Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação. 30O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. 31Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. 32Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, 33e o seu reino não terá fim. 34Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem? 35Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus. 36Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril, 37porque a Deus nenhuma coisa é impossível. 38Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

O Evangelho de João è diferente dos outros três. Ele revela uma dimensão mais profunda que só a fé consegue perceber nas palavras e gestos de Jesus. Os Padres da Igreja diziam que o Evangelho de João é “espiritual”, revela aquilo que o Espírito faz descobrir nas palavras de Jesus (cf. Jo 16,12-13). Um exemplo bonito desta dimensão espiritual do evangelho de João é o trecho que meditamos hoje.

João 5,17-18:  Jesus explicita o significado profundo da cura do paralítico. Criticado pelos judeus por ter feito uma cura em dia de sábado, Jesus responde: “Meu Pai trabalha até agora e por isso eu também trabalha!”. Os judeus ensinavam que em dia de sábado não se podia trabalhar, pois até o próprio Deus descansou e não trabalhou no sétimo dia da criação (Ex 20,8-11). Jesus afirma o contrário. Ele diz que o Pai não parou de trabalhar até agora. Por isso, ele, Jesus, também trabalha, mesmo em dia de sábado. Ele imita o Pai! Para Jesus, a obra criadora não terminou. Deus continua trabalhando, sem cessar, dia e noite, sustentando o universo e a todos nós. Jesus colabora com o Pai dando continuidade à obra da criação, para que um dia todos possam entrar no repouso prometido. A reação dos judeus foi violenta. Querem matá-lo por dois motivos: por negar o sentido do sábado e por se dizer igual a Deus.

João 5,19-21: É o amor que deixa transparecer a ação criadora de Deus. Estes versículos revelam algo do mistério do relacionamento entre Jesus e o Pai. Jesus, o filho, vive em atenção permanente diante do Pai. Aquilo que vê o Pai fazer, ele também faz. Jesus é o reflexo do Pai. É a cara do Pai! Esta atenção total do Filho ao Pai, faz com que o amor do Pai possa entrar totalmente no Filho e, através do Filho, realizar a sua ação no mundo. A grande preocupação do Pai é vencer a morte e fazer viver. A cura do paralítico foi uma forma de tirar as pessoas da morte e faze-las viver. É uma forma de dar continuidade à obra criadora do Pai.

João 5,22-23: O Pai não julga, mas confiou o julgamento ao filho. O decisivo na vida é a maneira como nós nos situamos frente ao Criador, pois dele dependemos radicalmente. Ora, o Criador se faz presente para nós em Jesus. Em Jesus habita a plenitude da divindade (cf. Col 1,19). Por isso, é na maneira como nos definimos diante de Jesus, que expressamos nossa posição frente ao Deus Criador. O que o Pai quer é que o conheçamos e honremos na revelação que Ele fez de si mesmo em Jesus.

João 5,24: A vida de Deus em nós através de Jesus. Deus é vida, é força criadora. Onde ele se faz presente, a vida renasce. Ele se faz presente através da Palavra de Jesus. Quem escuta a palavra de Jesus como sendo de Deus já está ressuscitado. Já recebeu o toque vivificante que o leva para além da morte. Já passou da morte para a vida. A cura do paralítico é a prova disso.

João 5,25-29: A ressurreição já está acontecendo. Os mortos somos todos nós que ainda não nos abrimos para a voz de Jesus que vem do Pai. Mas “vem a hora, e é agora, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e os que o ouvirem viverão”. Com a palavra de Jesus, vinda do. Pai, iniciou-se a nova criação. Ela já está em andamento. A palavra criadora de Jesus vai atingir a todos, mesmo os que já morreram. Eles ouvirão e viverão.

João 5,30: Jesus é o reflexo do Pai. “Por mim mesmo nada posso fazer, eu julgo segundo o que ouço, e meu julgamento é justo, porque não procuro fazer a minha vontade, mas sim a vontade daquele que me enviou”. Esta frase final é o resumo de tudo que foi refletido anteriormente. Esta era a compreensão que as comunidades da época de João tinham e irradiavam a respeito de Jesus.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Como você imagina o relacionamento entre Jesus e o Pai?

2) Como você vive a fé na ressurreição?

 

5) Oração final

O SENHOR é clemente e misericordioso, lento para a ira e rico de graça. O SENHOR é bom para com todos, compassivo com todas as suas criaturas. (Sl 144, 8-9)

Reze com a CNBB pelo desarmamento e pela paz, em 19 de março

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Publicado em 17 março 2026
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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se une ao Papa Leão XIV, no próximo dia 19 de março, Solenidade de São José, para rezar pelo desarmamento e pela paz. Os fiéis de todo o Brasil são convidados para este momento de oração, rezando a prece sugerida pela Rede Mundial de Oração do Papa nas celebrações eucarísticas ou em outros momentos de oração nas comunidades.

A CNBB pede que os fiéis e suas comunidades coloquem em suas intenções as populações atingidas pela violência, para que o Senhor inspire os responsáveis pelas nações a escolherem os caminhos do entendimento, da reconciliação e do respeito à dignidade de todos os povos.

“Que em nossas comunidades se eleve um só clamor a Deus: que os corações sejam desarmados, que as armas se calem e que a paz floresça entre os povos”, sugere a CNBB.

Na sede da Conferência Episcopal, haverá uma programação especial para elevar preces a Deus junto com toda a Igreja. Às 7h30, haverá a oração das Laudes; às 11h30, Missa Solene; e às 16h30, oração do Ofício Divino.

Você pode compartilhar o momento de oração, marcando a CNBB (@cnbbnacional) nos stories do Instagram.

  

Confira a oração:

“Reza com o Papa – Março: Pelo desarmamento e pela paz”

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Senhor da Vida, que moldastes cada ser humano à vossa imagem e semelhança,
acreditamos que nos criastes para a comunhão, não para a guerra,
para a fraternidade, não para a destruição.

Tu, que saudastes os teus discípulos dizendo: “A paz esteja convosco”,
concede-nos o dom da vossa paz
e a força para torná-la realidade na história.
Hoje elevamos a nossa súplica pela paz no mundo,
pedindo que as nações renunciem às armas
e escolham o caminho do diálogo e da diplomacia.

Desarmai os nossos corações do ódio, do rancor e da indiferença,
para que possamos ser instrumentos de reconciliação.
Ajudai-nos a compreender que a verdadeira segurança
não nasce do controle que alimenta o medo,
mas da confiança, da justiça e da solidariedade entre os povos.

Senhor, iluminai os líderes das nações,
para que tenham a coragem de abandonar projetos de morte,
parar a corrida ao armamento
e colocar no centro a vida dos mais vulneráveis.
Que nunca mais a ameaça nuclear condicione o futuro da humanidade.

Espírito Santo,
fazei de nós construtores fiéis e criativos de paz cotidiana:
em nosso coração, em nossas famílias,
em nossas comunidades e em nossas cidades.

Que cada palavra amável, cada gesto de reconciliação
e cada decisão de diálogo sejam sementes de um mundo novo.

Amém.

Fonte: https://www.cnbb.org.br

Terça-feira, 17 de março-2026. 4ª SEMANA DA QUARESMA. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 17 março 2026
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1) Oração

Ó Deus, que a fiel observância dos exercícios quaresmais prepare os corações dos vossos filhos para acolher com amor o mistério pascal e anunciar ao mundo a salvação. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 5, 1-16)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João - Naquele tempo, 1Houve uma festa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. 2Há em Jerusalém, junto à porta das Ovelhas, um tanque, chamado em hebraico Betesda, que tem cinco pórticos. 3Nestes pórticos jazia um grande número de enfermos, de cegos, de coxos e de paralíticos, que esperavam o movimento da água. 4[Pois de tempos em tempos um anjo do Senhor descia ao tanque e a água se punha em movimento. E o primeiro que entrasse no tanque, depois da agitação da água, ficava curado de qualquer doença que tivesse.] 5Estava ali um homem enfermo havia trinta e oito anos. 6Vendo-o deitado e sabendo que já havia muito tempo que estava enfermo, perguntou-lhe Jesus: Queres ficar curado? 7O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque, quando a água é agitada; enquanto vou, já outro desceu antes de mim. 8Ordenou-lhe Jesus: Levanta-te, toma o teu leito e anda. 9No mesmo instante, aquele homem ficou curado, tomou o seu leito e foi andando. Ora, aquele dia era sábado. 10E os judeus diziam ao homem curado: E sábado, não te é permitido carregar o teu leito. 11Respondeu-lhes ele: Aquele que me curou disse: Toma o teu leito e anda. 12Perguntaram-lhe eles: Quem é o homem que te disse: Toma o teu leito e anda? 13O que havia sido curado, porém, não sabia quem era, porque Jesus se havia retirado da multidão que estava naquele lugar. 14Mais tarde, Jesus o achou no templo e lhe disse: Eis que ficaste são; já não peques, para não te acontecer coisa pior. 15Aquele homem foi então contar aos judeus que fora Jesus quem o havia curado. 16Por esse motivo, os judeus perseguiam Jesus, porque fazia esses milagres no dia de sábado. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão Jo 5,1-16

O Evangelho de hoje descreve como Jesus curou um paralítico que ficou esperando 38 anos por alguém que o ajudasse chegar à água da piscina para poder ser curado! Trinta e oito anos! Diante desta ausência total de solidariedade, Jesus, o que faz? Ele transgride a lei do sábado curando o paralítico. Hoje, com a falência do atendimento às pessoas doentes nos países pobres, muita gente experimenta a mesma falta de solidariedade. Vivem num total abandono, sem ajuda nem solidariedade da parte de ninguém.

João 5,1-2: Jesus vai a Jerusalém . Por ocasião de uma festa dos judeus, Jesus vai a Jerusalém. Havia ali, perto do Templo, uma piscina com cinco pórticos ou corredores. Naquele tempo, o culto no Templo exigia muita água por causa dos inúmeros animais que eram sacrificados, sobretudo nas grandes festas. Por isso, perto do templo havia várias cisternas, que recolhiam a água da chuva. Algumas delas tinham a capacidade de mais de um milhão de litros de água. Lá por perto, por causa da abundância de água, havia um balneário público, onde os doentes se aglomeravam à espera de ajuda ou de cura. A arqueologia informa que, naquela mesma redondeza do Templo, havia o lugar onde os escribas ensinavam a lei aos estudantes. De um lado, o ensino da Lei de Deus. Do outro lado, o abandono dos pobres. A água purificava o Templo, mas não purificava o povo.

João 5,3-4: A situação dos doentes. Esses doentes eram atraídos pelas águas do balneário. Diziam que um anjo mexia nas águas e o primeiro que nelas descesse depois do mexido do anjo ficava curado. Com outras palavras, os doentes eram atraídos por falsas esperanças. Pois a cura era só para uma única pessoa. Como as loterias de hoje. Só uma única pessoa ganha um prêmio! A maioria só paga e não ganha nada. É nessa situação de total abandono, lá no balneário popular, que Jesus vai encontrar os doentes.

João 5,5-9: Jesus cura em dia de sábado. Bem perto do lugar, onde se ensinava a observância da Lei de Deus, um paralítico ficou 38 anos à espera de alguém que o ajudasse a descer na água para obter a cura. Este fato revela a falta absoluta de solidariedade e de acolhida aos excluídos! O número 38 indicava a duração de uma geração (Dt 2,14). É toda uma geração que não chegou a experimentar solidariedade nem misericórdia. A religião da época já não era capaz de revelar a face acolhedora e misericordiosa de Deus. Diante desta situação dramática, Jesus transgride a lei do sábado e atende o paralítico dizendo: "Toma teu leito e anda!" O homem pegou a sua cama nas costas e foi andando, e Jesus desapareceu no meio da multidão.

João 5,10-13: Discussão do homem curado com os judeus. Logo em seguida, alguns judeus chegam ao local e criticam o homem por ele estar carregando a cama em dia de sábado. O homem nem soube responder quem foi a pessoa que o tinha curado. Não conhecia Jesus. Isto significa que Jesus, passando por aquele lugar dos pobres e doentes, viu aquele fulano, percebeu a situação dramática em que se encontrava e, sem mais, o curou. Não fez a cura para que o homem se convertesse, nem para que acreditasse em Deus. Fez, porque queria ajudá-lo. Queria que ele pudesse experimentar um pouco do amor e de solidariedade através da sua ajuda e bem-querer.

João 5,14-16: O reencontro com Jesus. Andando no Templo no meio da multidão, Jesus encontra o mesmo fulano e lhe diz: "Você está curado! Não deve pecar mais, para que não te aconteça algo pior!" Naquele tempo, o povo dizia: "Doença é castigo de Deus! Se você é paralítico, é sinal de que Deus está de mal com você!" Jesus não concordava com este modo de pensar. Curando o homem, ele estava dizendo o contrário: "Tua doença não é castigo de Deus. Deus está de bem com você!" Uma vez curado, o homem deve manter-se de bem com Deus e não pecar mais, para que não lhe aconteça algo pior! Meio ingênuo, o homem foi dizer aos judeus que tinha sido Jesus quem o curou. Os judeus começam a perseguir Jesus por ele fazer tais coisas em dia de sábado. No Evangelho de amanhã vem a seqüência.

 

4) Para um confronto pessoal

 

  1. Você já passou alguma vez por uma experiência como a do paralítico: ficar tanto tempo sem ajuda? Como é a situação de atendimento aos doentes no lugar onde você mora? Você percebe sinais de solidariedade?
  2. O que tudo isto ensina para nós hoje?

 

5) Oração final

Deus é para nós refúgio e força, defensor poderoso no perigo. Por isso não temos medo se a terra treme, se os montes desmoronam no fundo do mar. (Sl 45, 2-3)

Segunda-feira, 16 de março-2026. 4ª SEMANA DA QUARESMA. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita

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Publicado em 16 março 2026
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  • 4ª SEMANA DA QUARESMA

 

1) Oração

Ó Deus, que renovais o mundo com admiráveis sacramentos, fazei a vossa Igreja caminhar segundo a vossa vontade, sem que jamais lhe faltem neste mundo os auxílios de que necessita. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 4,43-54)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João - Naquele tempo, 43Passados os dois dias, Jesus partiu para a Galiléia. 44(Ele mesmo havia declarado que um profeta não é honrado na sua pátria.) 45Chegando à Galiléia, acolheram-no os galileus, porque tinham visto tudo o que fizera durante a festa em Jerusalém; pois também eles tinham ido à festa. 46Ele voltou, pois, a Caná da Galiléia, onde transformara água em vinho. Havia então em Cafarnaum um oficial do rei, cujo filho estava doente. 47Ao ouvir que Jesus vinha da Judéia para a Galiléia, foi a ele e rogou-lhe que descesse e curasse seu filho, que estava prestes a morrer. 48Disse-lhe Jesus: Se não virdes milagres e prodígios, não credes... 49Pediu-lhe o oficial: Senhor, desce antes que meu filho morra! 50Vai, disse-lhe Jesus, o teu filho está passando bem! O homem acreditou na palavra de Jesus e partiu. 51Enquanto ia descendo, os criados vieram-lhe ao encontro e lhe disseram: Teu filho está passando bem. 52Indagou então deles a hora em que se sentira melhor. Responderam-lhe: Ontem à sétima hora a febre o deixou. 53Reconheceu o pai ser a mesma hora em que Jesus dissera: Teu filho está passando bem. E creu tanto ele como toda a sua casa. 54Esse foi o segundo milagre que Jesus fez, depois de voltar da Judéia para a Galiléia. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão Jo 4, 43-54

Jesus tinha saído da Galiléia, andou pela Judéia, foi até Jerusalém por ocasião da festa (Jo 4,45) e, passando pela Samaria, ia voltar para a Galiléia (Jo 4,3-4). Para os judeus observantes era proibido passar pela Samaria, nem era costume conversar com os samaritanos (Jo 4,9). Jesus não se importa com estas normas que impedem a amizade e o diálogo. Ele ficou vários dias na Samaria e muita gente se converteu (Jo 4,40). Depois disso ele resolveu voltar para a Galiléia.

João 4,43-46ª: O retorno para a Galiléia. Mesmo sabendo que o povo da Galiléia olhava para ele com uma certa reserva, Jesus quis voltar para a sua terra. Provavelmente, João se refere à má acolhida que Jesus recebera em Nazaré da Galiléia. Jesus mesmo tinha dito: “Um profeta não é honrado em sua pátria” (Lc 4,24). Mas agora, diante da evidência dos sinais de Jesus em Jerusalém, os galileus mudaram de opinião e lhe fizeram uma boa acolhida. Jesus voltou para Caná, onde tinha feito o primeiro “sinal” (Jo 2,11). 

João 4,46b-47: O pedido de um funcionário do rei. Trata-se de um pagão. Pouco antes, na Samaria, Jesus tinha conversado com uma samaritana, pessoa herética para os judeus, à qual Jesus revelara sua condição de messias (Jo 4,26). E agora, na Galiléia, ele recebe um pagão, funcionário do Rei, que buscava ajuda para o filho doente. Jesus não se fecha na sua raça nem na sua religião. Ele é ecumênico e acolhe a todos.

João 4,48: A resposta de Jesus ao funcionário. O funcionário queria que Jesus fosse com ele até à casa dele para curar o filho. Jesus responde: “Se vocês não vêem sinais e prodígios vocês não acreditam!”. Resposta dura e estranha. Por que será que Jesus respondeu assim? Qual era o defeito do pedido do funcionário? O que Jesus queria alcançar com esta resposta? Jesus quer ensinar como deve ser a fé. O funcionário do rei só acreditaria se Jesus fosse com ele até à casa dele. Ele queria ver Jesus fazendo a cura. No fundo, esta é e continua sendo a atitude normal de todos nós. Não nos damos conta da deficiência da nossa fé.

João 4,49-50: O funcionário repete o pedido e Jesus repete a resposta. Apesar da resposta dura de Jesus, o homem não se abalou e repetiu o mesmo pedido: “Desça comigo antes que meu filho morra!” Jesus continuou firme. Ele não atendeu ao pedido e não foi com o homem até à casa dele e repetiu a mesma resposta, mas formulada de outra maneira: “Vai! Teu filho vive!” Tanta na primeira resposta como agora na segunda resposta, Jesus pede fé, muita fé. Pede que o funcionário acredite que o filho já esteja curado. E o verdadeiro milagre aconteceu! Sem ver nenhum sinal nem prodígio, o homem acreditou na palavra de Jesus e voltou para casa. Não deve ter sido fácil. Este é o verdadeiro milagre da fé: acreditar sem nenhuma outra garantia a não ser a Palavra de Jesus. O ideal é crer na palavra de Jesus, mesmo sem ver (cf. Jo 20,29). 

João 4,51-53: O resultado da fé na palavra de Jesus. Enquanto o homem vai indo para casa, os empregados lhe vem ao encontro para dizer que o filho estava curado. Ele investigou a hora e descobriu que era exatamente a hora em que Jesus tinha dito: “Teu filho vive!” Ele teve a confirmação da sua fé.

*  João 4,54: Um resumo da parte de João, o evangelista. João termina dizendo: “Este foi o segundo sinal que Jesus fez”. João prefere falar sinal e não milagre. A palavra sinal evoca algo que eu vejo com os olhos, mas cujo sentido profundo só a fé me faz descobrir. A fé é como Raio-X: faz descobrir o que a olho nu não se vê.

 

4) Para um confronto pessoal

 1) Como você vive a sua fé? Confia na palavra de Jesus ou só crê na base de milagres e experiências sensíveis?

2) Jesus acolhe pessoas heréticas e estrangeiras. E eu, como me relaciono com as pessoas?

 

5) Oração final

Cantai hinos ao SENHOR, ó seus fiéis, rendei graças a sua santa memória; porque sua ira dura um instante, a sua bondade, por toda a vida. Se de tarde sobrevém o pranto de manhã vem a alegria. (Sl 29, 5-6)

O Papa no Angelus: a fé pede-nos que abramos os olhos para as feridas do mundo- 4º Domingo da Quaresma.

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Publicado em 15 março 2026
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A fé ajuda-nos a olhar “a partir da perspectiva de Jesus e com os seus olhos: é uma participação no seu modo de ver” e, por isso, pede-nos que “abramos os olhos”, como Ele fazia, sobretudo para os sofrimentos dos outros e para as feridas do mundo: disse Leão XIV no Angelus ao meio-dia deste IV Domingo da Quaresma, na alocução que precedeu a oração mariana

 

Raimundo de Lima – Vatican News

Hoje, em particular, face às inúmeras questões que o coração humano se coloca e às dramáticas situações de injustiça, violência e sofrimento que marcam o nosso tempo, é necessária uma fé vigilante, atenta e profética, que nos abra os olhos para as trevas do mundo e lhe traga a luz do Evangelho através de um comprometimento com a paz, a justiça e a solidariedade. 

 

Foi o que disse o Santo Padre no Angelus, este domingo, 15 de março, na alocução que precedeu a oração mariana rezada com 20 mil fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro.

Leão XVI ateve-se ao Evangelho deste IV Domingo da Quaresma (Jo 9, 1-41), que narra a cura de um homem cego de nascença. Por meio da simbologia deste episódio, explicou, o evangelista João fala-nos do mistério da salvação: enquanto estávamos na escuridão e a humanidade caminhava nas trevas, Deus enviou o seu Filho como luz do mundo, para abrir os olhos dos cegos e iluminar a nossa vida.

 

"Eu sou a luz do mundo"

Os profetas tinham anunciado que o Messias abriria os olhos dos cegos. O próprio Jesus confirma a sua missão mostrando que «os cegos veem»; e apresenta-se dizendo: «Eu sou a luz do mundo». Realmente, prosseguiu o Papa, todos podemos dizer que somos “cegos de nascença”, pois não conseguimos, por nós mesmos, ver em profundidade o mistério da vida. Por isso, Deus encarnou-se em Jesus, para que o barro da nossa humanidade, misturado com o sopro da sua graça, pudesse receber uma nova luz, capaz de nos fazer ver finalmente a nós próprios, aos outros e a Deus na verdade.

Chama a atenção, observou o Pontífice, que se tenha difundido, ao longo dos séculos, a opinião, ainda hoje presente, de que a fé seria uma espécie de “salto no escuro”, uma renúncia ao pensamento, de modo que ter fé significaria acreditar “cegamente”. Pelo contrário, ressaltou, o Evangelho nos diz que, ao entrar em contato com Cristo, os olhos se abrem, a tal ponto que as autoridades religiosas perguntam com insistência ao cego curado: «Como foi que os teus olhos se abriram?»; e ainda: «Como é que te pôs a ver?».

Brasil e Santa Sé, uma relação estável

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Publicado em 14 março 2026
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  • As relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé

Os 200 anos de relações diplomáticas indicam uma posição de serena maturidade e projetam para o futuro uma colaboração respeitosa e fecunda

 

Por Dom Odilo P. Scherer

Transcorre, neste ano, o bicentenário das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, ente público de direito internacional que representa a Igreja Católica Apostólica Romana, tendo sede no Estado Cidade do Vaticano.

Durante o período colonial, as relações da Santa Sé com o Brasil aconteciam através de Portugal. Mas já em agosto de 1825, após o reconhecimento internacional da independência do Brasil por Portugal, a Santa Sé estabeleceu relações diplomáticas diretamente com o Brasil. Em 23 de janeiro de 1826, o papa Leão XII recebeu as cartas credencias de Mons. Francisco Corrêa Vidigal, primeiro representante diplomático do Brasil na Santa Sé. Desde então, também a Santa Sé mantém seu representante diplomático, conhecido como Núncio Apostólico.

É interessante observar que essas relações diplomáticas permaneceram estáveis e não se romperam mesmo nas mudanças de regime, como em 1870, após a unificação da Itália, quando a Santa Sé ficou sem os Estados Pontifícios; ou após 1889, quando o Brasil passou do regime imperial para o republicano; e, também, quando o governo republicano rompeu unilateralmente o Tratado do Padroado que havia entre o governo imperial e a Santa Sé, estabelecendo a separação nítida entre o Estado e a Igreja.

As relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé mantiveram-se estáveis no princípio da recíproca autonomia. Durante esses dois séculos, ocorreram visitas de Estado de presidentes da República na Santa Sé e três papas visitaram o Brasil: João Paulo II, Bento XVI e Francisco. Além da missão propriamente religiosa, a presença e a atuação institucional da Igreja Católica no Brasil têm contribuído para a vida social e cultural do povo brasileiro em diversos âmbitos, como a educação, a saúde, a assistência social e a promoção da cultura.

Um marco importante nas relações diplomáticas bicentenárias entre a Santa Sé e o Estado brasileiro foi a celebração do acordo internacional sobre o estatuto jurídico da Igreja Católica no Brasil. Após ser longamente estudado e elaborado, o acordo foi assinado em 13 de novembro de 2008 e, em seguida, ratificado pelo Congresso Nacional e promulgado com o Decreto n.º 7.107 do presidente da República, de 11 de fevereiro de 2010. O acordo estabelece diversas formas de colaboração da Igreja com o Estado brasileiro, como nos campos da educação e da cultura, e garante a necessária segurança jurídica para que a Igreja possa desenvolver suas atividades no seio da sociedade.

A constitucionalidade do acordo chegou a ser questionada, mas foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O acordo não anula a separação entre Estado e Igreja nem contradiz o princípio da laicidade do Estado. Ao contrário, consagra esse princípio, na medida em que estabelece um claro reconhecimento formal da existência de ambas as instâncias institucionais, sem desconhecer nem ferir suas legítimas competências e sem estabelecer relações de sujeição ou dependência entre ambas. Restam firmes o reconhecimento das leis comuns do País pela Igreja e a não ingerência do Estado em questões internas da vida da Igreja. Os 200 anos de relações diplomáticas, coroadas pelo acordo de 2008, indicam uma posição de serena maturidade e projetam para o futuro uma colaboração respeitosa e fecunda na construção de uma sociedade mais justa.

A comemoração do bicentenário das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé já teve diversos momentos. No dia 26 de janeiro deste ano, em Roma, a embaixada do Brasil junto da Santa Sé e a Secretaria de Estado promoveram um ato cultural na Pontifícia Universidade Gregoriana sobre as relações entre Igreja e Estado e também fizeram celebrar uma missa em ação de graças, presidida pelo cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé, na Basílica Lateranense de Roma.

Em Brasília, o bicentenário foi comemorado em Brasília no dia 3 de março passado, numa sessão solene no Congresso Nacional, de casa cheia. No mesmo dia, a Nunciatura Apostólica ofereceu uma recepção para membros do corpo diplomático e outras personalidades. Dois dias depois, a arquidiocese do Rio de Janeiro promoveu o lançamento de um livro de pesquisa histórica sobre o bicentenário, com o título De Leão a Leão, mostrando a evolução nas relações entre o Brasil e a Santa Sé desde Leão XII, em 1826, até Leão XIV, em 2026.

As relações diplomáticas entre a Santa Sé e o Brasil asseguram o livre exercício da fé e da organização religiosa no Brasil, no pleno respeito à Constituição e aos princípios da liberdade religiosa e da laicidade do Estado; e asseguram à Igreja Católica e suas organizações a possibilidade de oferecer numerosos serviços em benefício da população. Durante esses 200 anos, como observou o cardeal Parolin na sua homilia de 26 de janeiro, “o Brasil não encontrou na Igreja uma potência estrangeira, mas uma companheira de viagem que se mostrou atenta às feridas sociais, aos desafios educativos e à promoção da justiça e da paz”. E não há de ser diferente daqui para o futuro. Fonte: https://www.estadao.com.br

Papa Leão XIV destitui bispo acusado de frequentar bordéis e roubar dinheiro de sua igreja

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Publicado em 12 março 2026
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  • Leão XIV aceita renuncia de Dom Emanuel Shaleta

A renúncia do bispo Emanuel Shaleta foi aceita pelo pontífice no mesmo dia em que ele foi libertado da prisão após pagar uma fiança de US$ 125 mil, anunciou o Vaticano.

  

Bispo Emanuel Shaleta. — Foto: Reprodução/Redes Sociais

 

Por Redação

O bispo de San Diego, nos Estados Unidos, Emanuel Shaleta, foi oficialmente destituído do cargo pelo papa Leão XIV após ser acusado de frequentar bordéis e de roubar centenas de milhares de dólares de sua igreja.

A renúncia do bispo Emanuel Shaleta foi aceita pelo pontífice nessa terça-feira (10), mesmo dia em que ele foi libertado da prisão após pagar uma fiança de US$ 125 mil, anunciou o Vaticano.

'O Santo Padre aceitou o pedido de demissão do cuidado pastoral da eparquia de São Pedro Apóstolo de San Diego dos Caldeus, Estados Unidos da América, apresentado pelo Bispo Emanuel Hana Shaleta', disseram autoridades do Vaticano em um comunicado.

Shaleta, que apresentou sua renúncia ao Papa Leão XIII em janeiro, foi preso em 6 de março no Aeroporto Internacional de San Diego quando tentava embarcar em um voo internacional para a Alemanha com mais de US$ 9 mil em sua bagagem, segundoas autoridades.

Com 69 anos, ele foi acusado de oito crimes de peculato, oito crimes de lavagem de dinheiro e um crime agravado de colarinho branco.

Durante sua audiência de instrução na segunda-feira (9), Shaleta se declarou inocente de 15 acusações de crimes financeiros, mas permaneceu detido na Cadeia do Condado de San Diego após não conseguir pagar a fiança.

O Gabinete do Xerife do Condado de San Diego recebeu a primeira denúncia sobre os supostos crimes de Shaleta em agosto de 2025, quando um funcionário da Igreja Caldeia de São Pedro em El Cajon compartilhou declarações e documentos que mostravam as práticas do bispo.

No mês passado, o portal de notícias católico The Pillar noticiou que o bispo teria desviado pagamentos de aluguel de propriedades da igreja para uso pessoal e, posteriormente, acobertado seus rastros com fundos de caridade.

Investigadores alegam ter descoberto que pelo menos US$ 427 mil estavam faltando nas finanças da igreja, e que o valor pode chegar a US$ 1 milhão.

Junto com o dinheiro desaparecido, foi revelado que Shaleta frequentava regularmente um bordel no México.

Shaleta, natural do Iraque, foi ordenada sacerdotisa pelo Papa João Paulo II em 1984 e ocupou cargos em Detroit e no Canadá. Em 2017, o Papa Francisco nomeou Shaleta para servir como bispo eparquial de São Pedro Apóstolo de San Diego dos Caldeus. Fonte: https://cbn.globo.com

Quinta-feira, 12 de março-2026. 3ª- SEMANA DA QUARESMA- Ano Litúrgico - A. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 12 março 2026
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1) Oração

À medida que se aproxima a festa da salvação, nós vos pedimos, ó Deus, que nos preparemos com maior empenho para celebrar o mistério da Páscoa. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Lucas 11, 14-23)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, 14Jesus estava expulsando um demônio que era mudo. Quando o demônio saiu, o mudo começou a falar, e as multidões ficaram admiradas. 15Alguns, porém, disseram: “É pelo poder de Beelzebu, o chefe dos demônios, que ele expulsa os demônios”. 16Outros, para tentar Jesus, pediam-lhe um sinal do céu. 17Mas, conhecendo seus pensamentos, ele disse-lhes: “Todo reino dividido internamente será destruído; cairá uma casa sobre a outra. 18Ora, se até Satanás está dividido internamente, como poderá manter-se o seu reino? Pois dizeis que é pelo poder de Beelzebu que eu expulso os demônios. 19Se é pelo poder de Beelzebu que eu expulso os demônios, pelo poder de quem então vossos discípulos os expulsam? Por isso, eles mesmos serão vossos juízes. 20Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, é porque o Reino de Deus já chegou até vós. 21Quando um homem forte e bem armado guarda o próprio terreno, seus bens estão seguros. 22Mas, quando chega um mais forte do que ele e o vence, arranca-lhe a armadura em que confiava e distribui os despojos. 23Quem não está comigo é contra mim; e quem não recolhe comigo, espalha. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

O evangelho de hoje é de Lucas (Lc 11,14-23). O texto paralelo de Marcos (Mc 3,22-27) já foi meditado no dia 28 de janeiro deste ano.

Lucas 11,14-16: As diferentes reações diante da expulsão de um demônio. Jesus tinha expulsado um demônio que era mudo. A expulsão provocou duas reações diferentes. De um lado, a multidão do povo que ficou admirado e maravilhado. O povo aceita Jesus e acredita nele. Do outro lado, os que não aceitam Jesus e não acreditam nele. Destes últimos, alguns diziam que Jesus expulsava os demônios em nome de Beelzebu, o príncipe dos demônios, e outros queriam dele um sinal do céu. Marcos informa que se tratava de escribas vindos de Jerusalém (Mc 3,22), que não concordavam com a liberdade de Jesus. Queriam defender a Tradição contra as novidades de Jesus.

Lucas 11,17-22: A resposta de Jesus tem três partes:

1ª parte: comparação do reino dividido (vv. 17-18ª)  Jesus denuncia o absurdo da calúnia escribas. Dizer que ele expulsa os demônios com a ajuda do príncipe dos demônios é negar a evidência. É o mesmo que dizer que a água é seca, e que o sol é escuridão. Os doutores de Jerusalém o caluniavam, porque não sabiam explicar os benefícios que Jesus realizava para o povo. Estavam com medo de perder a liderança. Sentiam-se ameaçados na sua autoridade junto ao povo.

2ª parte: por quem expulsam vossos filhos? (vv.18b-20)  Jesus provoca os acusadores e pergunta: “Se eu expulso em nome de Belzebu, em nome de quem os discípulos de vocês expulsam os demônios? Que eles respondam e se expliquem! Se eu expulso o demônio pelo dedo de Deus, é porque chegou o Reino de Deus!”.

3ª parte: chegando o mais forte ele vence o forte (vv.21-22) Jesus compara o demônio com um homem forte. Ninguém, a não ser uma pessoa mais forte, poderá roubar a casa de um homem forte. Jesus é este mais forte que chegou. Por isso, ele consegue entrar na casa e amarrar o homem forte. Consegue expulsar os demônios. Jesus amarrou o homem forte e agora rouba a casa dele, isto é, liberta as pessoas que estavam no poder do mal. O profeta Isaías já tinha usado a mesma comparação para descrever a vinda do messias (Is 49,24-25). Por isso Lucas diz que a expulsão do demônio é um sinal evidente de que chegou o Reino de Deus.

Lucas 11,23: Quem não está comigo é contra mim.  Jesus termina sua resposta com esta frase: “Quem não está comigo, está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa”. Em outra ocasião, também a propósito de uma expulsão de demônio, os discípulos impediram um homem de usar o nome de Jesus para expulsar um demônio, pois ele não era do grupo dele. Jesus respondeu: “Não impeçam! Quem não é contra vocês é a vosso favor!” (Lc 9,50). Parecem duas frases contraditórias, mas não são. A frase do evangelho de hoje é dita contra os inimigos que tem preconceito contra Jesus: “Quem não está comigo, está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa”. Preconceito e não aceitação tornam o diálogo impossível e rompe a união. A outra frase é dita para os discípulos que pensavam ter o monopólio de Jesus: “Quem não é contra vocês é a vosso favor!” Muita gente que não é cristão pratica o amor, a bondade, a justiça, muitas vezes até melhor do que os cristãos. Não podemos excluí-los. São irmãos e parceiros na construção do Reino. Nós cristãos não ´somos donos de Jesus. É o contrário: Jesus é o nosso dono!

 

4) Para um confronto pessoal

1) “Quem não está comigo, está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa” Como isto acontece na minha vida?

2) “Não impeçam! Quem não é contra vocês é a vosso favor!” Como isto acontece na minha vida?

 

5) Oração final

Vinde, exultemos no SENHOR, aclamemos o Rochedo que nos salva, vamos a ele com ações de graças, vamos aclamá-lo com hinos de alegria. (Sl 94, 1-2)

Quarta-feira, 11 de março-2026. 3ª- SEMANA DA QUARESMA- Ano Litúrgico - A. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 11 março 2026
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  • 3ª- SEMANA DA QUARESMA-ANO LITÚRGICO A

 

1) Oração

Ó Deus de bondade, concedei que, formados pela observância da Quaresma e nutridos por vossa palavra, saibamos mortificar-nos para vos servir com fervor, sempre unânimes na oração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 5, 17-19)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, 17Disse Jesus aos seus discípulos não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. Não vim para os abolir, mas sim para levá-los à perfeição. 18Pois em verdade vos digo: passará o céu e a terra, antes que desapareça um jota, um traço da lei. 19Aquele que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar assim aos homens, será declarado o menor no Reino dos céus. Mas aquele que os guardar e os ensinar será declarado grande no Reino dos céus. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

O Evangelho de hoje (Mt 5,17-19) ensina como observar a lei de Deus de tal maneira que a sua prática mostre em que consiste o pleno cumprimento da lei (Mt 5,17-19). Mateus escreve para ajudar as comunidades de judeus convertidos a superar as críticas dos irmãos de raça que as acusavam dizendo: “Vocês são infiéis à Lei de Moisés”. O próprio Jesus tinha sido acusado de infidelidade à lei de Deus. Mateus traz a resposta esclarecedora de Jesus aos que o acusavam. Assim ele traz uma luz para ajudar as comunidades a resolver seu problema.

Usando imagens do quotidiano, com palavras simples e diretas, Jesus tinha dito que a missão da comunidade, a sua razão de ser, é ser sal e ser luz! A respeito de cada uma das duas imagens ele tinha dado alguns conselhos. Em seguida, vem os três breves versículos do Evangelho de hoje:

Mateus 5,17-18: Nenhuma vírgula da lei vai cair. Havia várias tendências nas comunidades dos primeiros cristãos. Uns achavam que já não era necessário observar as leis do Antigo Testamento, pois é pela fé em Jesus que somos salvos e não pela observância da Lei (Rm 3,21-26). Outros aceitavam Jesus como Messias, mas não aceitavam a liberdade de Espírito com que algumas comunidades viviam a presença de Jesus ressuscitado. Achavam que eles, sendo judeus, deviam continuar observando as leis do AT (At 15,1.5). Havia ainda cristãos que viviam tão plenamente na liberdade do Espírito, que já não olhavam mais nem para a vida de Jesus de Nazaré nem para o AT e chegavam a dizer: “Anátema Jesus!” (1Cor 12,3). Diante destas tensões, Mateus procura um equilíbrio para além dos extremos. A comunidade deve ser o espaço, onde este equilíbrio possa ser alcançado e vivido. A resposta dada por Jesus aos que o criticavam continuava bem atual para as comunidades: “Não vim abolir a lei, mas dar-lhe pleno cumprimento!”. As comunidades não podiam ser contra a Lei, nem podiam fechar-se dentro da observância da lei. Como Jesus, deviam dar um passo e mostrar, na prática, qual o objetivo que a lei quer alcançar na vida das pessoas, a saber, a prática perfeita do amor.

Mateus 5,17-18: Nenhuma vírgula da lei vai cair. E aos que queriam desfazer-se de toda a lei, Mateus lembra a outra palavra de Jesus: “Portanto, quem desobedecer a um só desses mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazer o mesmo, será considerado o menor no Reino do Céu. Por outro lado, quem os praticar e ensinar, será considerado grande no Reino do Céu”. A grande preocupação do Evangelho de Mateus é mostrar que o AT, Jesus de Nazaré e a vida no Espírito não podem ser separados. Os três fazem parte do mesmo e único projeto de Deus e nos comunicam a certeza central da fé: o Deus de Abraão e Sara está presente no meio das comunidades pela fé em Jesus de Nazaré que nos manda o seu Espírito.

 

4) Para um confronto pessoal

  

  1. Como vejo e vivo a lei de Deus: como horizonte de liberdade crescente ou como imposição que delimita minha liberdade?
  2. E o que podemos fazer hoje para os irmãos e irmãs que consideram toda esta discussão como ultrapassada e sem atualidade? O que podemos aprender deles?

 

5) Oração final

Glorifica o SENHOR, Jerusalém, louva teu Deus, ó Sião! Porque reforçou as trancas das tuas portas, no teu meio abençoou teus filhos. (Sl 147, 12-14)

“24 horas para o Senhor”: igrejas abertas para oração e confissão

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Publicado em 10 março 2026
  • 24 horas para o Senhor
  • oração e reconciliação
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Décima terceira edição da proposta de reflexão e reconciliação, que todos os anos é celebrada em todas as dioceses na véspera do quarto domingo da Quaresma. Uma ocasião para permanecer em adoração com a oportunidade de se confessar. Está disponível um subsídio pastoral no site do Dicastério para a Evangelização.

 

Vatican News

Chega à sua décima terceira edição a iniciativa “24 Horas para o Senhor”, proposta quaresmal de oração e reconciliação que todos os anos é celebrada nas dioceses de todo o mundo na véspera do quarto domingo da Quaresma. O lema escolhido por Leão XIV é tirado de um versículo do Evangelho de João: “Vim para salvar o mundo” (Jo 12,47).

Igrejas abertas

Em preparação para a Páscoa, na noite de sexta-feira, 13 de março, e durante todo o dia de sábado, 14, propõe-se às comunidades eclesiais prever uma abertura extraordinária das igrejas, de modo a oferecer aos fiéis a possibilidade de permanecer em qualquer momento em adoração e a oportunidade de se confessar. As portas abertas das igrejas são o símbolo do amor misericordioso de Deus.

A 36ª edição do Curso sobre o Foro Interno, organizado pela Penitenciaria Apostólica, tem início nesta segunda-feira, em Roma. Os participantes terão uma audiência com o Papa no ...

O subsídio

Em preparação para a iniciativa, o Dicastério para a Evangelização publicou um subsídio pastoral que contém roteiros para a oração pessoal e sugestões para a celebração em comunidade. Às dioceses e paróquias, na Itália e no mundo, renova-se o convite para celebrar também em sua própria comunidade este momento de oração. O subsídio pode ser baixado gratuitamente, nas versões em língua italiana, inglesa e espanhola, no site oficial do Dicastério. Fonte: https://www.vaticannews.va

Terça-feira, 10 de março-2026. 3ª- SEMANA DA QUARESMA- Ano Litúrgico - A. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 10 março 2026
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  • 3ª- SEMANA DA QUARESMA-ANO LITÚRGICO A

 

1) Oração

Ó Deus, que a vossa graça não nos abandone, mas nos faça dedicados ao vosso serviço e aumente sempre em nos os vossos dons. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 18, 21-35)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, 21Pedro se aproximou dele e disse: Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim? Até sete vezes? 22Respondeu Jesus: Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23Por isso, o Reino dos céus é comparado a um rei que quis ajustar contas com seus servos. 24Quando começou a ajustá-las, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. 25Como ele não tinha com que pagar, seu senhor ordenou que fosse vendido, ele, sua mulher, seus filhos e todos os seus bens para pagar a dívida. 26Este servo, então, prostrou-se por terra diante dele e suplicava-lhe: Dá-me um prazo, e eu te pagarei tudo! 27Cheio de compaixão, o senhor o deixou ir embora e perdoou-lhe a dívida. 28Mas este servo, tendo saído, encontrou um dos seus companheiros, que lhe devia cem dinheiros, e, lançando-lhe a mão, o sufocava, dizendo: Paga o que me deves. 29O outro caiu-lhe aos pés e pediu-lhe: Dá-me um prazo e eu te pagarei! 30Mas, sem nada querer ouvir, este homem o fez lançar na prisão, até que tivesse pago sua dívida. 31Vendo isto, os outros servos, profundamente tristes, vieram contar a seu senhor o que se tinha passado. 32Então o senhor o chamou e lhe disse: Servo mau, eu te perdoei toda sua dívida, porque me suplicaste; 33Não devias também tu compadecer-te de teu companheiro de serviço, como eu tive piedade de ti? 34E o senhor, encolerizado, entregou-o aos algozes, até que pagasse toda a sua dívida. 35Assim vos tratará meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão, de todo seu coração. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

O Evangelho de hoje fala da necessidade do perdão. Não é fácil perdoar. Pois certas mágoas continuam machucando o coração. Há pessoas que dizem: "Eu perdôo, mas não esqueço!" Rancor, tensões, brigas, opiniões diferentes, ofensas, provocações dificultam o perdão e a reconciliação. Vamos meditar as palavras de Jesus que falam da reconciliação (Mt 18,21-22) e que trazem a parábola do perdão sem limites (Mt 18,23-35).

Mateus 18,21-22: Perdoar setenta vezes sete!. Jesus tinha falado sobre a importância do perdão e sobre a necessidade de saber acolher os irmãos e as irmãs para ajudá-los a se reconciliar com a comunidade (Mt 18,15-20). Diante destas palavras de Jesus, Pedro pergunta: “Quantas vezes devo perdoar ao irmão que pecar contra mim? Até sete vezes?” O número sete indica uma perfeição. No caso, era sinônimo de sempre. Jesus vai mais longe do que a proposta de Pedro. Ele elimina todo e qualquer possível limite para o perdão: "Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete!” Ou seja, setenta vezes sempre!  Pois não há proporção entre o perdão que recebemos de Deus e o perdão que nós devemos oferecer ao irmão, como ensinará a parábola do perdão sem limites.

A expressão setenta vezes sete era uma alusão clara às palavras de Lamec que dizia: “Por uma ferida, eu matei um homem, e por uma cicatriz matei um jovem. Se a vingança de Caim valia por sete, a de Lamec valerá por setenta vezes sete" (Gn 4,23-24). Jesus quer reverter a espiral da violência que entrou no mundo pela desobediência de Adão e Eva, pelo assassinato de Abel por Caim e pela vingança de Lamec. Quando a violência desenfreada toma conta da vida, tudo desanda e a vida se desintegra. Surge o Dilúvio e aparece a Torre de Babel da dominação universal (Gn 2,1 a 11,32).

Mateus 18,23-35: A parábola do perdão sem limite.  A dívida de dez mil talentos valia em torno de 164 toneladas de ouro. A dívida de cem denários valia 30 gramas de ouro. Não existe meio de comparação entre os dois! Mesmo que o devedor junto com mulher e filhos fossem trabalhar a vida inteira, jamais seriam capazes de juntar 164 toneladas de ouro. Diante do amor de Deus que perdoa gratuitamente nossa dívida de 164 toneladas de ouro, é nada mais do que justo que também nós perdoemos ao irmão a insignificante dívida de 30 gramas de ouro, setenta vezes sempre! O único limite para a gratuidade do perdão de Deus é a nossa incapacidade de perdoar o irmão! (Mt 18,34; 6,15).

A comunidade como espaço alternativo de solidariedade e de fraternidade. A sociedade do Império Romano era dura e sem coração, sem espaço para os pequenos. Estes buscavam um abrigo para o coração e não o encontravam. As sinagogas também eram exigentes e não ofereciam um lugar para eles. E nas comunidades cristãs, o rigor de alguns na observância da Lei levava para dentro da convivência os mesmos critérios da sinagoga. Além disso, lá para o fim do primeiro século, nas comunidades cristãs começavam a aparecer as mesmas divisões que existiam na sociedade entre rico e pobre (Tg 2,1-9). Em vez da comunidade ser um espaço de acolhimento, ela corria o risco de tornar-se um lugar de condenação e de conflitos. Mateus quer iluminar as comunidades, para que sejam um espaço alternativo de solidariedade e de fraternidade. Devem ser uma Boa Notícia para os pobres.

 

4) Para um confronto pessoal

  

  1. Por que será que é tão difícil perdoar?
  2. Na nossa comunidade existe espaço para a reconciliação? De que maneira?

5) Oração final

Mostra-me, SENHOR, os teus caminhos, ensina-me tuas veredas. Faz-me caminhar na tua verdade e instrui-me, porque és o Deus que me salva, e em ti sempre esperei. (Sl 24, 4-5)

Pastor morre após passar mal em motel

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Publicado em 07 março 2026
  • Ipatinga,
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  • pastor Moisés Galdino,

Religioso de 53 anos apresentou sinais de infarto após relação sexual; tentativa de reanimação durou cerca de uma hora

 

Por Extra — Rio de Janeiro

O pastor evangélico Moisés Galdino, de 53 anos, morreu após passar mal dentro de um motel no bairro Canaãzinho, em Ipatinga, em Minas Gerais. Ele estava acompanhado de uma mulher quando começou a apresentar sinais de infarto logo após manter relação sexual.

Segundo o portal Metrópoles, a acompanhante acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que iniciou procedimentos de reanimação. As manobras duraram cerca de uma hora, mas o pastor não resistiu e teve a morte confirmada ainda no local. A Polícia Militar de Minas Gerais também foi chamada, mas, quando os policiais chegaram ao motel, a mulher já havia ido embora. Antes de sair, ela informou aos socorristas que a vítima era casada e que, por isso, não aguardaria a chegada da polícia.

Segundo o Samu, o corpo não apresentava sinais de violência. A esposa do pastor foi chamada ao local e fez o reconhecimento do cadáver.

De acordo com o relato da mulher aos socorristas, o pastor teria desmaiado e caído após a relação sexual, momento em que passou a apresentar os sintomas que levaram ao atendimento de emergência. O Extra procurou a Polícia Militar, mas ainda não recebeu retorno. Fonte: https://extra.globo.com

NOTA DE PEZAR: MORRE PADRE DA ARQUIDIOCESE DO RIO DE JANEIRO.

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Publicado em 06 março 2026
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  • MORRE PADRE NA ARQUIDIOCESE DO RIO DE JANEIRO
  • Padre Celso Lima Ferreira Júnior,
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Com profundo pesar, a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro comunica o falecimento do Padre Celso Lima Ferreira Júnior, ocorrido no dia 5 de março de 2026.

Nascido em 19 de junho de 1987, o Padre Celso foi ordenado presbítero em 8 de dezembro de 2018, na Arquidiocese do Rio de Janeiro, colocando sua vida e seu ministério a serviço do Evangelho e do povo de Deus. Desde sua ordenação, exerceu o sacerdócio com dedicação generosa, espírito missionário e profunda entrega à missão que lhe foi confiada pela Igreja.

Jovem sacerdote, destacou-se pelo ardor pastoral, pela proximidade com os fiéis e pela disponibilidade no serviço às comunidades. Sua atuação sacerdotal foi marcada também por sua participação e incentivo à Renovação Carismática Católica, realidade eclesial na qual encontrou importante expressão de sua espiritualidade e de seu compromisso evangelizador.

Como pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição Aparecida, em Paciência, dedicava-se com zelo e cuidado pastoral ao acompanhamento do povo de Deus, procurando conduzir a comunidade no caminho da fé, da comunhão e da esperança cristã.

Neste momento de dor, a Arquidiocese do Rio de Janeiro une-se em oração, confiando à infinita misericórdia de Jesus Cristo, o Bom Pastor, a vida e o ministério do Padre Celso. Ao mesmo tempo, manifesta sua solidariedade e proximidade espiritual aos seus familiares, amigos, irmãos no sacerdócio e a todos os fiéis que partilharam de sua caminhada e de seu ministério pastoral. As informações sobre as exéquias serão divulgadas oportunamente.

Na esperança da Ressurreição, pedimos a Deus que conceda ao seu servo fiel o descanso eterno e o acolha em sua paz.

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Fonte: https://radiocatedral.org.br

 

Eles não são um número, eles são pessoas e sangram.

 

Hoje recebemos mais uma notícia que pesa sobre o coração da Igreja Católica. O presbítero Celso Lima, da Arquidiocese do Rio de Janeiro, foi encontrado sem vida. A notícia já me causou estranheza: a informação oficial, rasa, sem a causa da morte. Isso geralmente já entrega, indiretamente, a morte de uma pessoa que se entregou a um abismo que, em algum momento, sorriu para ela — e ela acreditou que ele a salvaria da dor, por vezes inominável. A morte do Pe. Celso ocorreu ontem, dia 5 de março.

Quando um padre morre por suicídio, não é apenas mais uma vida que se perde. É mais uma pessoa em silêncio sepulcral que se junta ao coro dos dilacerados e silenciados, que entoam no seio da Igreja o "Hino da Dor" que pedia amparo.

Há muitas camadas por trás de situações como essa. Elas começam ainda no acompanhamento vocacional, passam pela formação, pelo amadurecimento humano, afetivo e espiritual, e continuam ao longo do exercício do ministério. Nesse caminho surgem exigências pastorais intensas, solidão institucional, solidão afetiva, expectativas muitas vezes desproporcionais e poucas estruturas consistentes de cuidado emocional.

Alguns dados ajudam a compreender melhor esse cenário. Estudos realizados nos Estados Unidos indicam que cerca de 24% dos padres relatam ter vivido episódios de depressão ao longo do ministério. Pesquisas internacionais também apontam níveis significativos de esgotamento emocional, com aproximadamente um em cada cinco sacerdotes apresentando sinais elevados de burnout. Em alguns levantamentos, entre 4% e 5% dos padres afirmam ter experimentado pensamentos suicidas em algum momento da vida ministerial.

No Brasil os estudos ainda estão avançando. Não existem levantamentos epidemiológicos amplos sobre suicídio entre presbíteros, mas registros públicos indicam que, entre 2016 e 2023, ao menos quarenta padres morreram dessa forma. Isso sem contabilizar os inúmeros casos que são subnotificados.

São números fragmentados, mas já suficientes para nos estarrecer.

As redes sociais também mudaram a forma como essas tragédias chegam até nós. As notícias circulam com velocidade, alcançam comunidades inteiras e chegam também aos próprios padres, religiosos e religiosas — inclusive àqueles que já estão atravessando momentos de fragilidade psíquica e emocional.

A literatura científica descreve o efeito Werther, um fenômeno em que a exposição repetida a notícias de suicídio pode aumentar o risco entre pessoas vulneráveis.

Mas o que mais me incomoda e ecoa nas últimas semanas é uma pergunta ainda mais profunda.

Há poucos dias, a religiosa Irmã Nádia Gavanski foi brutalmente abusada sexualmente e assassinada no Paraná. Um crime de uma gravidade imensa, que deveria ter nos mobilizado profundamente. No entanto, a repercussão foi pequena.

Enquanto isso, não é raro observar mobilizações muito mais intensas nas redes quando determinados temas ganham visibilidade pública, inclusive causas legítimas como a proteção dos animais.

Não se trata de diminuir nenhuma dessas causas. A violência, em qualquer forma, é moralmente inaceitável. Mas talvez seja necessário nos perguntarmos se, em algum ponto, nossa sensibilidade coletiva não esteja com a visão turva. Quando a dor humana, seja ela qual for e de quem for, já não nos mobiliza com a mesma intensidade de outras causas, algo em nossa hierarquia de compaixão precisa ser revisto.

Antes de serem padres, religiosos ou religiosas, eles são pessoas.

Carregam histórias, fragilidades, medos, cansaços, noites difíceis, dúvidas que nem sempre podem ser ditas em voz alta. Tudo porque sangrar dói, mas sangrar sozinho e sem apoio dói ainda mais.

Não. Eles não são um número.

E quando um deles chega ao ponto de não conseguir mais permanecer entre nós, talvez a pergunta mais honesta que possamos fazer não seja apenas porque isso aconteceu.

Talvez devamos nos perguntar se, em algum momento do caminho, nós falhamos ou viramos o rosto para esses nossos irmãos de carne e espírito enquanto sangravam. E, enquanto Igreja, cristãos, mas antes de tudo enquanto seres humanos, não fizemos nada para estancar e acolher tanta dor e tanto sangue.

Hoje, esse texto é em memória do Pe. Celso Lima, que tenho certeza que construiu inúmeras memórias e tocou inúmeros corações com seu ministério — enquanto homem e presbítero. Mas não aguentou, sangrou demais. Amanhã ou depois de amanhã o outro texto será para quem?

 

Vinícius Schumaher

Psicólogo Clínico

CRP 06/135859

vschumaher.com.br

Diocese de Votuporanga - SP

 

Doutrina católica sobre suicídio

O padre Lício de Araújo Vale, especialista em suicídio e referência nacional no tema, disse à ACI Digital, que antes do Concílio Vaticano II a Igreja não permitia fazer exéquias para um suicida. O Código de Direito Canônico de 1917 “proibia ritos fúnebres para as pessoas que tinham se matado, porque naquela época se tinha a concepção de que por elas terem se exterminado, havia um pecado contra o quinto mandamento e, portanto, estavam condenadas eternamente. Não matar, era não matar a si mesmo e não matar o outro”, explicou.

“A doutrina católica continua a mesma. O suicídio continua sendo um ato moral grave, sério. Ninguém pode realmente tirar a própria vida, porque atenta contra a própria vontade de Deus. Somos criados por Deus, recebemos o dom da vida desde a concepção até a morte natural”, continuou o padre da diocese de São Miguel Paulista (SP).

“Porém, a nossa igreja, doutrina, dialoga com as ciências e hoje as ciências, tanto a psicologia, como a psiquiatria e a suicidiologia, afirmam que a grande maioria das pessoas que atenta contra a própria vida, não quer matar a sua vida, mas quer matar a sua dor, a sua dor mental, a sua dor emocional, que para aquela pessoa, beira as raias do insuportável”.

“Portanto, se a pessoa quer matar a sua dor e não a sua vida, em tese, ela não tem a intenção de pecar contra o quinto mandamento”, alega o padre. “Para que haja pecado, há que haver intenção, sem intenção, não existe pecado”.

Ele diz que “a grande maioria dos casos, e sobretudo do suicídio de padres e na população em geral, não está ligada ao aspecto moral. Não existe, na grande maioria dos casos, a intenção livre, moral, de pecar contra o quinto mandamento, de desobedecer por vontade própria o quinto mandamento”.

“Por isso, hoje a doutrina católica, no número 2283 do CIC diz textualmente: “Não se deve desesperar da salvação eterna das pessoas que se suicidaram. Deus pode, por caminhos que só Ele conhece, oferecer-lhes a ocasião de um arrependimento salutar. A Igreja ora pelas pessoas que atentaram contra a própria vida”.

 

Quem cuida também precisa ser cuidado

Segundo o padre Lício, o sofrimento psíquico entre padres costuma ser silencioso e difícil de perceber. “O suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial. Nem sempre o sofrimento psicológico aparece de forma visível, mas ele é muito presente em profissões marcada pelo cuidado constante, que é, por exemplo a nossa missão sacerdotal, missão de cuidado constante com o nosso povo. Por isso, quem cuida, também precisa ser cuidado”.

Segundo ele, os fiéis podem ajudar observando mudanças de comportamento.
“A desmotivação, o isolamento do padre, um certo comportamento depressivo. O povo pode ajudar acolhendo e motivando o padre a se cuidar.”

 

43 padres morreram por suicídio em dez anos no Brasil

Está cada vez mais difícil ver notícias católicas nas redes sociais. Inscreva-se hoje mesmo em nossos canais gratuitos:

Padre Lício acompanha as estatísticas sobre o tema e diz que “de agosto de 2016 a fevereiro de 2026, 43 padres católicos morreram por suicídio no Brasil”.
“A depressão não tratada é um dos grandes fatores de risco para o suicídio”, disse. “Não estou dizendo que toda pessoa deprimida chegará ao suicídio, mas é preciso cuidar”.

Embora o número de suicídio entre padres tenha crescido nos últimos anos, ele lembra que a média nacional também aumentou. “A média nacional é de 14,2 suicídios por 100 mil habitantes, enquanto entre padres a média é de 4,3 mortes por ano. A maioria dos casos envolve padres diocesanos”.

Para o especialista em suicídio, é preciso quebrar o tabu e vencer o preconceito com o cuidado da saúde mental. “Esse preconceito existe tanto no nível da sociedade, quanto ao nível do clero. Cuidar da saúde mental, buscar ajuda com profissionais de saúde mental, psicólogos, psiquiatras e mesmo direção espiritual, podem ser fatores importantes para diminuição destas ocorrências”.

 

Fatores de risco específicos para sacerdotes

“Os três grandes fatores de risco para o suicídio em padres são: o estresse ocupacional, a solidão e a cobrança excessiva de si mesmo”, disse o padre. Ele citou um estudo de 2008 que afirma que “o sacerdócio é uma das profissões mais estressantes do mundo”, marcada por longas jornadas e pouco tempo para descanso ou autocuidado.

“Vivem muito o papel sacerdotal, de entrega da vida aos outros, mas esquecem do descanso, esquecem do autocuidado, que o próprio Jesus vai recomendar a seus discípulos”, disse,

Soma-se a isso a solidão, já que “a grande parte dos padres mora sozinha e tem poucos vínculos afetivos verdadeiros; as pessoas gostam do padre, mas poucos se relacionam com a pessoa do padre. E muitas vezes, também por questões pessoais, pastorais, dificuldade de relacionamento, os próprios padres vão se isolando”.

A pressão constante e cobrança excessiva de si mesmo completa o quadro: “nós nos cobramos muito. O povo cobra. A Igreja cobra. É muita pressão”.

“Para vencer isso, para vencer esses fatores de risco, é importante que a gente tenha relações fraternas, que a gente não se cobre tanto, que a gente se perceba também humano, podendo fragilizar e buscando ter relações humanas, afetivas, verdadeiras. E volto a insistir, é importante que nós padres possamos, além da dimensão psicológica, buscarmos ter uma vida crescente de oração, de espiritualidade e, se possível, um bom orientador, um bom diretor espiritual”, concluiu.

 

O que diz o Catecismo da Igreja Católica sobre o suicídio

  1. Cada qual é responsável perante Deus pela vida que Ele lhe deu, Deus é o senhor soberano da vida; devemos recebê-la com reconhecimento e preservá-la para sua honra e salvação das nossas almas. Nós somos administradores e não proprietários da vida que Deus nos confiou; não podemos dispor dela.
  2. O suicídio contraria a inclinação natural do ser humano para conservar e perpetuar a sua vida. É gravemente contrário ao justo amor de si mesmo. Ofende igualmente o amor do próximo, porque quebra injustamente os laços de solidariedade com as sociedades familiar, nacional e humana, em relação às quais temos obrigações a cumprir. O suicídio é contrário ao amor do Deus vivo.
  3. Se for cometido com a intenção de servir de exemplo, sobretudo para os jovens, o suicídio assume ainda a gravidade do escândalo. A cooperação voluntária no suicídio é contrária à lei moral.

Perturbações psíquicas graves, a angústia ou o temor grave duma provação, dum sofrimento, da tortura, são circunstâncias que podem diminuir a responsabilidade do suicida.

  1. Não se deve desesperar da salvação eterna das pessoas que se suicidaram. Deus pode, por caminhos que só Ele conhece, oferecer-lhes a ocasião de um arrependimento salutar. A Igreja ora pelas pessoas que atentaram contra a própria vida. Fonte: https://www.acidigital.com

Sexta-feira, 6 de março-2026. 2ª- Semana da Quaresma. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 06 março 2026
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1) Oração

Concedei-nos, ó Deus todo-poderoso, que, purificados pelo esforço da penitência, cheguemos de coração sinceroàs festas da Páscoa que se aproximam. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 21, 33-43.45-46)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, 33Ouvi outra parábola: havia um pai de família que plantou uma vinha. Cercou-a com uma sebe, cavou um lagar e edificou uma torre. E, tendo-a arrendado a lavradores, deixou o país. 34Vindo o tempo da colheita, enviou seus servos aos lavradores para recolher o produto de sua vinha. 35Mas os lavradores agarraram os servos, feriram um, mataram outro e apedrejaram o terceiro. 36Enviou outros servos em maior número que os primeiros, e fizeram-lhes o mesmo. 37Enfim, enviou seu próprio filho, dizendo: Hão de respeitar meu filho. 38Os lavradores, porém, vendo o filho, disseram uns aos outros: Eis o herdeiro! Matemo-lo e teremos a sua herança! 39Lançaram-lhe as mãos, conduziram-no para fora da vinha e o assassinaram. 40Pois bem: quando voltar o senhor da vinha, que fará ele àqueles lavradores? 41Responderam-lhe: Mandará matar sem piedade aqueles miseráveis e arrendará sua vinha a outros lavradores que lhe pagarão o produto em seu tempo. 42Jesus acrescentou: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra, que fôra rejeitada pelos que edificavam, tornou-se cabeça do ângulo? Pelo Senhor foi feito isto, e é coisa maravilhosa aos nossos olhos. 43Por isso vos digo: ser-vos-á tirado o Reino de Deus, e será dado a um povo que produzirá os frutos dele. 45Ouvindo isto, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus compreenderam que era deles que Jesus falava. 46E procuravam prendê-lo; mas temeram o povo, que o tinha por um profeta. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

O texto do evangelho de hoje faz parte de um conjunto mais amplo que engloba Mateus 21,23-46. Os chefes dos sacerdotes e os anciãos tinham perguntado a Jesus com que autoridade ele fazia as coisas (Mt 21,23). Eles se consideravam os donos de tudo e achavam que ninguém podia fazer nada sem a licença deles. A resposta de Jesus consta de três partes: 1) Ele faz uma contra-pergunta e quer saber deles se João Batista era do céu  ou da terra (Mt 21,24-27). 2) Conta a parábola dos dois filhos (Mt 21,28-32). 3) Conta a parábola da vinha (Mt 21,33-46) que é o evangelho de hoje.

 

Mateus 21,33-40: A parábola da vinha.

Jesus começa assim: "Escutem essa outra parábola: Certo proprietário plantou uma vinha, cercou-a, fez um tanque para pisar a uva, e construiu uma torre de guarda”. A parábola é um resumo bonito da história de Israel, tirado do profeta Isaías (Is 5,1-7). Jesus se dirige aos chefes dos sacerdotes, aos anciãos (Mt 21,23) e aos fariseus (Mt 21,45) e dá uma resposta à pergunta que eles tinham feito sobre a origem da sua autoridade (Mt 21,23). Por meio desta parábola, Jesus esclarece várias coisas:  (1) Revela qual a origem da sua autoridade: ele é o filho, o herdeiro.  (2) Denuncia o abuso da autoridade dos vinhateiros, isto é, dos sacerdotes e anciãos que não cuidavam do povo de Deus. (3) Defende a autoridade dos profetas, enviados por Deus, mas massacrados pelos sacerdotes e anciãos. (4) Desmascara as autoridades que manipulam a religião e matam o filho, porque não querem perder a fonte de renda que conseguiram acumular para si, ao longo dos séculos.

 

Mateus 21,41: A sentença dada por eles mesmos

No fim da parábola, Jesus pergunta: “Pois bem: quando o dono da vinha voltar, o que irá fazer com esses agricultores?” Eles não se deram conta de que a parábola estava falando deles mesmos. Por isso, pela resposta dada eles decretaram sua própria condenação: “Os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: É claro que mandará matar de modo violento esses perversos, e arrendará a vinha a outros agricultores, que lhe entregarão os frutos no tempo certo". Várias vezes Jesus usa esse mesmo método. Ele leva a pessoa a dizer a verdade sem ela se dar conta de que está se condenando-se a si mesma. Por exemplo, no caso do fariseu que condenou a moça como pecadora (Lucas 7,42-43) e no caso da parábola dos dois filhos Mt 21,28-32).

 

Mateus 21,42-46: A sentença dada por eles mesmos é confirmada pelo comportamento deles.

Pelo esclarecimento de Jesus, os sacerdotes, os anciãos e os fariseus entenderam que a parábola falava deles mesmos, mas eles não se converteram. Pelo contrário! Mantiveram o seu projeto de matar Jesus. Rejeitaram “a pedra fundamental”. Mas não tiveram a coragem de fazê-lo abertamente porque tinham medo do povo.

*  Os vários grupos no poder no tempo de Jesus. No evangelho de hoje apareceram alguns dos grupos que, naquele tempo, exerciam o poder junto ao povo: sacerdotes, anciãos e fariseus. Segue aqui uma breve informação sobre o poder de cada um destes e de alguns outros grupos:

  1. Sacerdotes: Eram os encarregados do culto no Templo. Era para o Templo que o povo levava o dízimo e as outras taxas e ofertas para pagar suas promessas. O sumo sacerdote ocupava um lugar muito importante na vida da nação, sobretudo depois do exílio. Era escolhido ou nomeado entre as três ou quatro famílias aristocratas, que detinham mais poder e maior riqueza.
  2. Anciãos ou Chefes do povo: Eram os líderes locais nas várias aldeias e cidades. Sua origem vinha das chefias das tribos de antigamente.
  3. Saduceus: Eram a elite leiga aristocrata da sociedade. Muitos deles eram ricos comerciantes ou latifundiários. Do ponto de vista religioso eram conservadores. Não aceitavam as mudanças defendidas pelos fariseus, como por exemplo, a fé na ressurreição e a existência de anjos.
  4. Fariseus: Fariseu significa: separado. Eles lutavam para que, através da observância perfeita da lei da pureza, o povo chegasse a ser puro, separado e santo como o exigiam a Lei e a Tradição! Por causa do testemunho exemplar da sua vida dentro das normas da época, eles tinham uma liderança moral muito grande nas aldeias da Galiléia.
  5. Escribas ou doutores da lei: Eram os encarregados do ensino. Dedicavam sua vida ao estudo da Lei de Deus e ensinavam ao povo como fazer para observar em tudo a Lei de Deus. Nem todos os escribas eram da mesma linha. Uns estavam ligados aos fariseus, outros, aos saduceus.

 

4) Para um confronto pessoal

 

  1. Alguma vez, você já se sentiu controlada, indevidamente, em casa, no trabalho, na igreja? Qual foi a sua reação? Como Jesus?
  2. Se Jesus voltasse hoje e contasse a mesma parábola, como eu iria reagir?

 

5) Oração final

 

Quanto é alto o céu sobre a terra tanto prevalece sua bondade para com os que o temem. Quando é distante o oriente do ocidente, tanto ele afasta de nós nossas culpas. (Sl 102, 11-12)

Quinta-feira, 5 de março-2026. 2ª- Semana da Quaresma. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 05 março 2026
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1) Oração

Ó Deus, que amais e restaurais a inocência, orientai para vós os corações dos vossos filhos, para que, renovados pelo vosso Espírito, sejamos firmes na fé e eficientes nas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Lucas 16, 19-31)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas - Naquele tempo, 19Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho finíssimo, e que todos os dias se banqueteava e se regalava. 20Havia também um mendigo, por nome Lázaro, todo coberto de chagas, que estava deitado à porta do rico. 21Ele avidamente desejava matar a fome com as migalhas que caíam da mesa do rico... Até os cães iam lamber-lhe as chagas. 22Ora, aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. 23E estando ele nos tormentos do inferno, levantou os olhos e viu, ao longe, Abraão e Lázaro no seu seio. 24Gritou, então: - Pai Abraão, compadece-te de mim e manda Lázaro que molhe em água a ponta de seu dedo, a fim de me refrescar a língua, pois sou cruelmente atormentado nestas chamas. 25Abraão, porém, replicou: - Filho, lembra-te de que recebeste teus bens em vida, mas Lázaro, males; por isso ele agora aqui é consolado, mas tu estás em tormento. 26Além de tudo, há entre nós e vós um grande abismo, de maneira que, os que querem passar daqui para vós, não o podem, nem os de lá passar para cá. 27O rico disse: - Rogo-te então, pai, que mandes Lázaro à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, 28para lhes testemunhar, que não aconteça virem também eles parar neste lugar de tormentos. 29Abraão respondeu: - Eles lá têm Moisés e os profetas; ouçam-nos! 30O rico replicou: - Não, pai Abraão; mas se for a eles algum dos mortos, arrepender-se-ão. 31Abraão respondeu-lhe: - Se não ouvirem a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite algum dos mortos. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

Toda vez que Jesus tem uma coisa importante para comunicar, ele cria uma história e conta uma parábola. Assim, através da reflexão sobre a realidade visível, ele leva os ouvintes a descobrirem os apelos invisíveis de Deus, presentes na vida. Uma parábola é feita para fazer pensar e refletir. Por isso, é importante prestar atenção até nos seus mínimos detalhes. Na parábola do evangelho de hoje aparecem três pessoas: o pobre Lázaro, o rico sem nome e o pai Abraão. Dentro da parábola, Abraão representa o pensamento de Deus. O rico sem nome representa a ideologia dominante da época. Lázaro representa o grito calado dos pobres do tempo de Jesus e de todos os tempos.

Lucas 16,19-21: A situação do rico e do pobre.  Os dois extremos da sociedade. De um lado, a riqueza agressiva. Do outro, o pobre sem recurso, sem direitos, coberto de úlceras, impuro, sem ninguém que o acolhe, a não ser os cachorros que lambem suas feridas. O que separa os dois é a porta fechada da casa do rico. Da parte do rico não há acolhimento nem piedade pelo problema do pobre à sua porta. Mas o pobre tem nome e o rico não tem. Ou seja, o pobre tem o seu nome inscrito no livro da vida, o rico não. O pobre se chama Lázaro. Significa Deus ajuda. É através do pobre que Deus ajuda o rico e que o rico poderá ter o seu nome no livro da vida. Mas o rico não aceita ser ajudado pelo pobre, pois mantém a porta fechada. Este início da parábola que descreve a situação, é um espelho fiel do que estava acontecendo no tempo de Jesus e no tempo de Lucas. É espelho do que acontece até hoje no mundo!

Lucas 16,22: A mudança que revela a verdade escondida.  O pobre morreu e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. Na parábola, o pobre morre antes do rico. Isto é um aviso aos ricos. Enquanto o pobre está vivo à porta, ainda tem salvação para o rico. Mas depois que o pobre morre, morre também o único instrumento de salvação para o rico. Agora, o pobre está no seio de Abraão. O seio de Abraão é a fonte de vida, de onde nasceu o povo de Deus. Lázaro, o pobre, faz parte do povo de Abraão, do qual era excluído enquanto estava à porta do rico. O rico que pensa ser filho de Abraão não vai para o seio de Abraão! Aqui termina a introdução da parábola. Agora começa a revelação do seu sentido, através de três conversas entre o rico e o pai Abraão.

Lucas 16,23-26: A primeira conversa.  Na parábola, Jesus abre uma janela sobre o outro lado da vida, o lado de Deus. Não se trata do céu. Trata-se do lado verdadeiro da vida que só a fé enxerga e que o rico sem fé não percebia. É só à luz da morte que a ideologia do império se desintegra na cabeça do rico e que aparece para ele o que é valor real na vida. No lado de Deus, sem a propaganda enganadora a ideologia, os papéis são trocados. O rico vê Lázaro no seio de Abraão e pede para ele vir aliviá-lo no sofrimento. O rico descobre que Lázaro é o seu único benfeitor possível. Mas agora é tarde demais! O rico sem nome é piedoso, pois reconhece Abraão e o chama de Pai.  Abraão responde e o chama de filho. Esta palavra de Abraão, na realidade, está sendo dirigida a todos os ricos vivos. Enquanto vivos, eles ainda têm chance de se tornarem filhos e filhas de Abraão, se souberem abrir a porta para Lázaro, o pobre, o único que em nome de Deus pode ajudá-los. A salvação para o rico não é Lázaro trazer uma gota de água para refrescar-lhe a língua, mas é ele, o próprio rico, abrir a porta fechada para o pobre e, assim, transpor o grande abismo.

Lucas 16,27-29: A segunda conversa.  O rico insiste: "Pai, eu te suplico: manda Lázaro para a casa do meu pai. Tenho cinco irmãos!" O rico não quer que seus irmãos venham no mesmo lugar de tormento. Lázaro, o pobre, é o único verdadeiro intermediário entre Deus e os ricos. É o único, porque é só aos pobres que os ricos podem e devem devolver o que roubaram e, assim, restabelecer a justiça prejudicada! O rico está preocupado com os irmãos. Nunca esteve preocupado com os pobres! A resposta de Abraão é clara: "Eles têm Moisés e os Profetas: que os ouçam!" Têm a Bíblia! O rico tinha a Bíblia. Conhecia-a até de memória. Mas nunca se deu conta de que a Bíblia tivesse algo a ver com os pobres. A chave para o rico poder entender a Bíblia é o pobre sentado à sua porta!

Lucas 16,30-31: A terceira conversa.  "Não, pai, se alguém entre os mortos der um aviso, eles vão se arrepender!" O próprio rico reconhece que ele está errado, pois fala em arrependimento, coisa que durante a vida nunca sentiu. Ele quer um milagre, uma ressurreição! Mas este tipo de ressurreição não existe. A única ressurreição é a de Jesus. Jesus ressuscitado vem até nós na pessoa do pobre, dos sem-direito, dos sem-terra, dos sem-comida, do sem-casa, dos sem-saúde. Na sua resposta final, Abraão é curto e grosso: "Se não escutarem Moisés e os profetas, mesmo que alguém ressuscitar dos mortos, eles não se convencerão!" Está encerrada a conversa! Fim da parábola!

A chave para entender o sentido da Bíblia é o pobre Lázaro, sentado à porta! Deus vem até nós na pessoa do pobre, sentado à nossa porta, para nos ajudar a transpor o abismo intransponível que os ricos criaram. Lázaro é também Jesus, o Messias pobre e servidor, que não foi aceito, mas cuja morte mudou radicalmente todas as coisas. É à luz da morte do pobre que tudo se modifica. O lugar de tormento é a situação da pessoa sem Deus. Por mais que o rico pense ter religião e fé, não há jeito de ele estar com Deus, enquanto não abrir a porta para o pobre, como fez Zaqueu (Lc 19,1-10).

 

4) Para um confronto pessoal

  

  1. Qual o tratamento que nós damos aos pobres? Eles têm nome para nós? Nas atitudes que tomo na vida, sou parecido com Lázaro ou com o rico?
  2. Entrando em contato conosco, os pobres percebem algo diferente? Percebem uma Boa Notícia? E eu, para que lado tende o meu coração: para o milagre ou para a Palavra de Deus?

 

5) Oração final

Feliz quem não segue o conselho dos maus, não anda pelo caminho dos pecadores nem toma parte nas reuniões dos zombadores, mas na lei do SENHOR encontra sua alegria e nela medita dia e noite. (Sl 1, 1-2)

Quarta-feira, 4 de março-2026. 2 Semana da Quaresma. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 04 março 2026
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1) Oração

Ó Deus, conservai constantemente vossa família na prática das boas obras, e, assim como nos confortais agora com vossos auxílios, conduzi-nos aos bens eternos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 20, 17-28)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, 17Subindo para Jerusalém, durante o caminho, Jesus tomou à parte os Doze e disse-lhes: 18Eis que subimos a Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte. 19E o entregarão aos pagãos para ser exposto às suas zombarias, açoitado e crucificado; mas ao terceiro dia ressuscitará. 20Nisso aproximou-se a mãe dos filhos de Zebedeu com seus filhos e prostrou-se diante de Jesus para lhe fazer uma súplica. 21Perguntou-lhe ele: Que queres? Ela respondeu: Ordena que estes meus dois filhos se sentem no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda. 22Jesus disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu devo beber? Sim, disseram-lhe. 23De fato, bebereis meu cálice. Quanto, porém, ao sentar-vos à minha direita ou à minha esquerda, isto não depende de mim vo-lo conceder. Esses lugares cabem àqueles aos quais meu Pai os reservou. 24Os dez outros, que haviam ouvido tudo, indignaram-se contra os dois irmãos. 25Jesus, porém, os chamou e lhes disse: Sabeis que os chefes das nações as subjugam, e que os grandes as governam com autoridade. 26Não seja assim entre vós. Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, se faça vosso servo. 27E o que quiser tornar-se entre vós o primeiro, se faça vosso escravo. 28Assim como o Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por uma multidão. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

O evangelho de hoje traz três assuntos: o terceiro anúncio da paixão (Mt 20,17-19), o pedido da mãe dos filhos de Zebedeu (Mt 20,20-23) e a discussão dos discípulos pelo primeiro lugar (Mt 20,24-28).

Mateus 20,17-19: O terceiro anúncio da paixão.  Eles estão a caminho de Jerusalém. Jesus vai na frente. Sabe que vão matá-lo. O profeta Isaías já o tinha anunciado (Is 50,4-6; 53,1-10). Porém, a sua morte não é fruto de um plano já preestabelecido, mas é conseqüência do compromisso assumido com a missão recebida do Pai junto aos excluídos do seu tempo. Por isso, Jesus alerta os discípulos sobre a tortura e a morte que ele vai enfrentar em Jerusalém. Pois o discípulo deve seguir o mestre, mesmo que for para sofrer com ele. Os discípulos estão assustados e o acompanham com medo. Não entendem o que está acontecendo (cf. Lc 18,34). O sofrimento não combinava com a idéia que eles tinham do messias (cf. Mt 16,21-23).

Mateus 20,20-21: O pedido da mãe pelo primeiro lugar para os filhos.  Os discípulos não só não entendem o alcance da mensagem de Jesus, mas continuam com suas ambições pessoais. Enquanto Jesus insistia no serviço e na doação, eles teimavam em pedir os primeiros lugares no Reino. A mãe de Tiago e João, levando consigo os dois filhos, chega perto de Jesus e pede um lugar na glória do Reino para os dois filhos, um à direita e outro à esquerda de Jesus. Os dois não entenderam a proposta de Jesus. Estavam preocupados só com os próprios interesses. Sinal de que a ideologia dominante da época tinha penetrado profundamente na mentalidade dos discípulos. Apesar da convivência de vários anos com Jesus, eles não tinham renovado sua maneira de ver as coisas. Olhavam para Jesus com o olhar antigo. Queriam uma recompensa pelo fato de seguir a Jesus. As mesmas tensões existiam nas comunidades no tempo de Mateus e existem até hoje nas nossas comunidades.

Mateus 20,22-23: A resposta de Jesus.  Jesus reage com firmeza: “Vocês não sabem o que estão pedindo!” E pergunta se eles são capazes de beber o cálice que ele, Jesus, vai beber, e se estão dispostos a receber o batismo que ele vai receber. É o cálice do sofrimento, o batismo de sangue! Jesus quer saber se eles, em vez do lugar de honra, aceitam entregar a vida até à morte. Os dois respondem: “Podemos!” Parece uma resposta da boca para fora, pois, poucos dias depois, abandonaram Jesus e o deixaram sozinho na hora do sofrimento (Mc 14,50). Eles não têm muita consciência crítica, nem percebem sua realidade pessoal. Quanto ao lugar de honra no Reino ao lado de Jesus, quem o dá é o Pai. O que ele, Jesus, tem para oferecer é o cálice e o batismo, o sofrimento e a cruz.

Mateus 20,24-27: Entre vocês não seja assim.  Jesus fala, novamente, sobre o exercício do poder (cf. Mc 9,33-35). Naquele tempo, os que detinham o poder não prestavam conta ao povo. Agiam conforme bem entendiam (cf. Mc 6,27-28). O império romano controlava o mundo e o mantinha submisso pela força das armas e, assim, através de tributos, taxas e impostos, conseguia concentrar a riqueza dos povos na mão de poucos lá em Roma. A sociedade era caracterizada pelo exercício repressivo e abusivo do poder. Jesus tem outra proposta. Ele diz: “Entre vocês não deve ser assim! Quem quiser ser o maior, seja o servidor de todos!” Ele traz ensinamentos contra os privilégios e contra a rivalidade. Quer mudar o sistema e insiste no serviço como remédio contra a ambição pessoal.

Mateus 20,28: O resumo da vida de Jesus. Jesus define a sua missão e a sua vida: “Não vim para ser servido, mas para servir!” Veio dar sua vida em resgate para muitos. Ele é o messias Servidor, anunciado pelo profeta Isaías (cf. Is 42,1-9; 49,1-6; 50,4-9; 52,13-53,12). Aprendeu da mãe que disse: “Eis aqui a serva do Senhor!”(Lc 1,38). Proposta totalmente nova para a sociedade daquele tempo.

 

4) Para um confronto pessoal

1-Tiago e João pedem favores, Jesus promete sofrimento. E eu, o que peço a Jesus na oração? Como acolho o sofrimento e as dores que acontecem na minha vida?

2- Jesus diz: “Entre vocês não deve ser assim!” Meu jeito de viver em comunidade está de acordo com este conselho de Jesus?

 

5) Oração final

Livra-me do laço que me armaram, porque és minha força. Nas tuas mãos entrego meu espírito; tu me resgatas, SENHOR, Deus fiel. (Sl 30, 5-6)

Itinerários Quaresmais

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Publicado em 04 março 2026
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  • arcebispo dom Walmor Oliveira de Azevedo,
  • Itinerários Quaresmais

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)

 

Toda meta, antes de ser alcançada, pede que seja trilhado um itinerário, passo a passo, até que se alcance o objetivo almejado. Nesta mesma perspectiva, para bem celebrar os mistérios da Páscoa e alcançar uma vida nova, é preciso seguir o caminho de um tempo especial na vida cristã: a Quaresma, com o seu propósito de inspirar a conversão de corações. A reabilitação espiritual é um propósito urgente e sempre necessário, pois alicerça a qualificação da condição humana, ancorando-a em valores e princípios ético-morais. Essa urgência torna-se ainda mais evidente com as derrocadas institucionais e a perda de credibilidade dos órgãos e pessoas públicas, empurrando ainda mais a sociedade aos fracassos e às demoras, com prejuízos aos contextos social, político, ambiental e em todo tipo de relacionamento – familiar, público e institucional.  

Um exemplo muito completo e instigante de itinerário para este tempo da Quaresma é apresentado pelo profeta Isaías, que ecoa a voz de Deus ao indicar a necessidade de destruir os instrumentos de opressão, deixar os hábitos autoritários e a linguagem maldosa, tão comumente empregada, de modo covarde, para se buscar autopromoção ou alimentar o desejo patológico de destruir o semelhante. O itinerário profético lembra a importância de oferecer acolhimento, com o coração aberto, ao indigente, aos necessitados. Os gestos de generosidade levam a um resultado alvissareiro: o brilho da própria luz nas trevas, dissipando o que obscurece a vida por uma luminosidade como o meio-dia. Desdobra-se, pois, a promessa do Senhor que conduzirá a vida de quem solidariamente age. Os generosos têm a sua sede saciada, superando a aridez da própria vida. Experimentam o revigorar do próprio corpo, de modo comparável a um jardim bem regado a partir da fonte de águas que jamais secarão. A Quaresma é um itinerário a ser percorrido reafirmando sempre mais o compromisso de agir com limpidez e honestidade. A partir desse compromisso inegociável, pode-se reconstruir o que hoje é apenas ruínas antigas, respeitando fundamentos edificados em gerações passadas. 

O silêncio quaresmal é também itinerário de grande relevância para oferecer quietude ao próprio coração. Uma quietude qualificante muitas vezes perdida no barulho e na dispersão deste tempo. Assim como o corpo se restaura pelo sono e pelo repouso indispensáveis, a alma e o espírito se restauram pelo silêncio, devolvendo ao ser humano virtudes preciosas, enfraquecidas pelos barulhos de muitas conversas, de dispositivos eletrônicos, de redes sociais. A falta de silêncio causa muitos adoecimentos na atualidade. A Quaresma leva a um deserto que não deve ser temido e não significa fuga das pessoas. Ao contrário: é lugar aonde se vai para aprender como encontrá-las, alcançando mais qualidade nos relacionamentos, revestindo-os de fraternidade solidária.  

Sem o silêncio próprio do tempo quaresmal, se permanece na superficialidade e no comprometimento da qualidade pessoal, são perdidas escolhas adequadas, não se consegue oferecer a palavra certa, no momento certo. Ilusoriamente, pensa-se que o sucesso é alcançado simplesmente com o vigor físico ou intelectual. Desconsidera-se o valor essencial e maior do vigor espiritual, alicerce e alavanca para desempenhos que fazem a diferença. É uma verdadeira tragédia abandonar o caminho que leva ao desenvolvimento espiritual. Um desvio que pode levar o ser humano a se perder no domínio da perversidade, distanciando-se de um modo de viver autêntico, generoso. Sem vigor espiritual, toma conta um exagerado medo de sofrer, um pânico que desespera vidas e banaliza fundamentos essenciais ao viver qualificadamente. Trata-se de verdadeira corrosão que precipita vidas e projetos na superficialidade, nas disputas e na maldade. O preço pago é muito alto e amargo. Para se conquistar envergadura moral e espiritual importa dedicar-se ao silêncio contemplativo. Um exercício que possibilita a escuta interior, aquela que conta e tem mais força que tagarelices e opiniões sem qualidade.  

Entre os itinerários quaresmais inclui-se aquele vivido ao lado dos pais e dos familiares. O contexto familiar é escola que ajuda os filhos na busca pela experiência da fé. Educar para a fé é legado e herança da mais alta importância, pois inspira atitudes orientadas pelo sentido nobre da solidariedade. Itinerários quaresmais, pelo acompanhamento do Mestre e Senhor Jesus, na sua paixão e morte, ensinam a amar a própria pobreza, realidade que, de alguma maneira, une todos os seres humanos, nas perspectivas espiritual ou material. Ele, Cristo, amou a sua pobreza, ao morrer na cruz, como oferta ao seu Pai para enriquecer a humanidade com os tesouros de sua infinita misericórdia. O itinerário quaresmal, assim, fortalece o ser humano na inevitável luta travada em sua própria interioridade, permitindo-o alcançar a vitória pela graça de Deus. Nessa busca interior, o ser humano encontra o que amar de verdade em si mesmo, ponte para o amor aos outros.  

Todos passam pela necessidade de passar por um real processo de transformação para renovar-se espiritual e interiormente. Um caminho essencial por vezes percorrido de modo equivocado, sem os cuidados necessários. O itinerário quaresmal, na sua dinâmica própria, tem uma pedagogia essencial para que ninguém se perca. A sabedoria partilhada pelo Beato Columba Marmion ajuda a viver bem esse itinerário: Assim como a terra tem de passar pela morte do inverno e o grão de trigo tem de morrer antes de produzir frutos, assim a alma humana tem de passar na prensa da tentação e da fraqueza para ser revestida por Cristo de sua virtude e de sua vida divina. Não se pode correr o risco de deixar passar o tempo da quaresma, ignorando a sua especialidade. Isto significa perder a chance de conquistar um novo tempo para a própria vida. Todos são convocados a se inscrever nos itinerários da quaresma e, assim, conquistar mais qualidade humana e espiritual. O renascimento ansiado pelo coração humano pede a vivência deste tempo de itinerários quaresmais. Fonte: https://www.cnbb.org.br

Terça-feira, 3 de março-2026. 2ª Semana da Quaresma. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 03 março 2026
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1) Oração

Guardai, Senhor Deus, a vossa Igreja com a vossa constante proteção e, como a fraqueza humana desfalece sem vosso auxílio, livrai-nos constantemente do mal e conduzi-nos pelos caminhos da salvação. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 23, 1-12)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, 1Dirigindo-se, então, Jesus à multidão e aos seus discípulos,disse: 2Os escribas e os fariseus sentaram-se na cadeira de Moisés. 3Observai e fazei tudo o que eles dizem, mas não façais como eles, pois dizem e não fazem. 4Atam fardos pesados e esmagadores e com eles sobrecarregam os ombros dos homens, mas não querem movê-los sequer com o dedo. 5Fazem todas as suas ações para serem vistos pelos homens, por isso trazem largas faixas e longas franjas nos seus mantos. 6Gostam dos primeiros lugares nos banquetes e das primeiras cadeiras nas sinagogas. 7Gostam de ser saudados nas praças públicas e de ser chamados rabi pelos homens. 8Mas vós não vos façais chamar rabi, porque um só é o vosso preceptor, e vós sois todos irmãos. 9E a ninguém chameis de pai sobre a terra, porque um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. 10Nem vos façais chamar de mestres, porque só tendes um Mestre, o Cristo. 11O maior dentre vós será vosso servo. 12Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

O evangelho de hoje traz uma crítica de Jesus contra os escribas e fariseus do seu tempo. No começo da atividade missionária de Jesus, os doutores de Jerusalém já tinham ido até a Galiléia para observá-lo (Mc 3,22; 7,1). Incomodados pela pregação de Jesus, tinham espalhado a calúnia de que ele era um possesso (Mc 3,22). Ao longo dos três anos a popularidade de Jesus cresceu. Cresceu também o conflito dele com as autoridades religiosas. A raiz deste conflito estava na maneira de eles se colocarem frente a Deus. Os fariseus buscavam sua segurança não tanto no amor de Deus para com eles, mas mais na observância rigorosa da Lei. Confrontado com esta mentalidade, Jesus acentua a prática do amor que relativiza a observância da lei e lhe dá o seu verdadeiro sentido.

Mateus 23,1-3: A raiz da crítica: “Eles dizem, mas não fazem”. Jesus reconhece a autoridade dos escribas e fariseus. Eles ocupam a cátedra de Moisés e ensinam a lei de Deus, mas eles mesmos não observam o que ensinam. Daí a advertência de Jesus ao povo: “Fazei e observai tudo quanto vos disserem. Mas não imiteis suas ações, pois dizem mas não Fazem!” É uma crítica arrasadora! Em seguida, como num espelho, Jesus faz ver alguns aspectos da incoerência das autoridades religiosas

Mateus 23,4-7: Olhar no espelho para fazer uma revisão de vida. Jesus chama a atenção dos discípulos para o comportamento incoerente de alguns doutores da lei. Ao meditar estas incoerências, convém pensar não nos fariseus e escribas daquele longínquo passado, mas sim em nós mesmos e nas nossas incoerências: amarrar pesos pesados nos outros e nós mesmos não os carregamos; fazer as coisas para sermos vistos e elogiados; gostar dos lugares de honra e de sermos chamados de doutor. Os escribas gostavam de entrar nas casas das viúvas e fazer longas preces em troca de dinheiro! (Mc 12,40)

Mateus 23,8-10: Vocês todos são irmãos.  Jesus manda ter atitude contrária. Em vez de usar a religião e a comunidade como meio de auto-promoção para aparecer mais importante diante dos outros, ele pede para não usar o título de Mestre, Pai ou Guia, pois um só é o guia, o Cristo; só Deus no céu é Pai; e o próprio Jesus é o mestre. Todos vocês são irmãos. Esta é a base da fraternidade que nasce da certeza de que Deus é nosso Pai.

Mateus 23,11-12: O resumo final: o maior é o menor . Esta frase final é o que caracteriza tanto o ensino como o comportamento de Jesus: “O maior de vocês deve ser aquele que serve a vocês. Quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado” (cf. Mc 10,43; Lc 14,11; 18,14).

 

4) Para um confronto pessoal

1) O que Jesus criticou nos doutores da Lei, e em que os elogiou? O que ele critica em mim e o que elogiaria em mim?

2) Você já olhou no espelho?

 

5) Oração final

Quem me oferece o sacrifício de louvor, me honra, e a quem caminha retamente farei experimentar a salvação de Deus. (Sl 49, 23)

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