Olhar Jornalístico

CAPÍTULO GERAL - 2013. SASSONE- ITÁLIA. (3º dia. 06/09/07)

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Publicado em 10 setembro 2013

Frei Evaldo Xavier, 0.Carm.

O dia iniciou-se com uma Missa presidida por Fr. Michael O´Neal, em inglês.

A ESCOLHA DO TEMA DO CAPÍTULO

Missão e missões

 

O tema será abordado em 4 passos:

1 – o que está acontecendo no mundo em nossos dias?

2 – entender a realidade à luz da sabedoria cristã e da tradição carmelitana...

3 – o que estamos fazendo em termos concretos?

4 – o que somos chamados a fazer? Se conseguirmos menos do que esperávamos... O que é necessário fazer? Se conseguimos mais do que o necessário... o que fazer?

Nossa presença deve ser sinal de esperança. Onde não tem religião, ou onde há falsa religião, o clamor da humanidade deve ser ouvido pela Ordem. Vivendo o carisma e a missão do Carmelo: uma palavra de esperança e salvação.

Carmo em Missão: janelas de esperança!

As diversas realidades em que estamos presentes são uma riqueza e um desafio. Se formos transformados, seremos capazes também nós de nos contribuir para a transformação dos que estão ao nosso redor. Seremos presença transformadora da realidade e do mundo.

No atual contexto da Ordem temos pontos positivos e pontos negativos. O crescimento da Ordem é um pondo positivo e um sinal de vitalidade. Novos ventos de esperança impulsionam a Igreja com a eleição de Papa Francisco. Por outro lado, a crise econômica mundial preocupa em muitas partes do mundo e da Ordem. A juventude se vê sem esperança. Na crise nasce sempre à tentação de fechamento e de buscar refúgio em falsas seguranças (clericalismo, pompa excessiva, fanatismo...). O que o Carmo pode oferecer para o mundo de hoje? Antes de tudo é preciso renovar o entusiasmo e o amor pelo nosso carisma.

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*Carta do Papa Francisco aos Carmelitas por ocasião do Capítulo Geral 2013

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Publicado em 10 setembro 2013

Para Rev.do Padre Fernando Millán Romeral, Prior Geral da Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo.

Dirijo-me a vós, queridos Irmãos da Ordem da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, como você comemora seu Capítulo Geral. Neste momento de graça e de renovação que convida você a discernir a missão da gloriosa Ordem dos Carmelitas, eu gostaria de oferecer-lhe uma palavra de encorajamento e esperança.

O antigo carisma do Carmelo ao longo destes últimos oito séculos tem sido um presente para toda a Igreja. Sua origem primavera contemplativa da terra de epifania do amor permanente de Deus manifestado no Verbo feito carne. Ao ponderar a sua missão no Carmelo hoje , gostaria de pedir que você considere três coisas que podem orientá-lo em seu caminho peregrino : amor como fidelidade , como a oração e como missão.

*Leia na íntegra. Clique aqui:

http://www.mensagensdofreipetroniodemiranda.blogspot.com.br/2013/09/carta-do-papa-francisco-aos-carmelitas.html

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ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO: 19º Grito dos Excluídos-02.

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Publicado em 10 setembro 2013

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23º DOMINGO DO TEMPO COMUM. ANO-C: Homilia do Frei Petrônio-01

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Publicado em 10 setembro 2013

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23º DOMINGO DO TEMPO COMUM. ANO-C: Homilia do Frei Petrônio-02

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Publicado em 10 setembro 2013

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ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO: Padre Wladimir é encontrado morto

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Publicado em 09 setembro 2013

Desaparecido desde sábado, 24 de agosto, padre Wladimir Anselmo da Silva, 50 anos (Foto), foi encontrado morto em São Bento do Sapucaí (SP). O sacerdote, que morava na Paróquia Santos Apóstolos, na Região Episcopal Brasilândia, estava com depressão e fazia um tratamento psiquiátrico com uso de medicamentos fortes.

A Arquidiocese de São Paulo já havia avisado a Polícia Militar, que agora deverá investigar e apurar o que aconteceu. A missa de corpo presente deverá acontecer amanhã, na Paróquia Santos Apóstolos (avenida Itaberaba, 3907, Jardim Maracanã).

Leia a íntegra do comunicado:

Nesta manhã chegou-nos o comunicado que foi encontrado o corpo do Pe. Wladimir Anselmo da Silva, nas proximidades de S. Bento de Sapucaí, nas mediações da "Pedra do Baú". Ele deverá ser transladado ainda hoje para São Paulo, afim de ser velado na Paróquia Santos Apóstolos. Está prevista Missa de "corpo presente" para amanhã, as 8h, e logo a seguir o sepultamento. (Estes horários poderão sofrer alterações).

A Arquidiocese de São Paulo, particularmente a Região Episcopal Brasilândia chora a morte deste sacerdote zeloso, dedicado e fiel no serviço de Deus e da Igreja. Deus na sua bondade lhe conceda a coroa da glória e a recompensa por todo bem realizado! Aos seus familiares, seus amigos e aos membros das comunidades onde realizou o seu ministério, nosso pesar e sentimentos de profunda comunhão na fé e na oração.

 

Dom Milton Kenan Junior

Vigário Episcopal para a Região Brasilândia

Dom Tarcísio Scaramussa

Vigário Geral da Arquidiocese de São Paulo

Fonte: http://www.arquidiocesedesaopaulo.org.br

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Santa Teresinha e o aidético: A história de uma alma aflita.

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Publicado em 09 setembro 2013

Por Frei Alonso Gustavo Malaquias, O.Carm. Convento do Carmo, São Paulo.

Há cerca de dois meses venho acompanhando uma pessoa que descobriu que adquiriu HIV e veio desabafar comigo. Para contar isso pedi permissão da pessoa envolvida. E não vou dizer o nome, nem onde mora por motivos óbvios.

Realmente, não deve ser nada fácil ter que encarar do dia pra noite toda a sua pequenez e mortalidade. Dar-se conta de toda a sua fragilidade de uma só vez é duro. Neste tempo todo estamos conversando e fui falando pra ela de Santa Teresinha, contando a história da sua vida, do quê ela passou com a sua doença incurável na época, inclusive a terrível tentação que Santa Teresinha pensou de que Deus não existisse e que sua fé em Deus fosse, ao final de tudo, apenas uma cruz de madeira pendurada na parede... E o pedido que ela fez às Irmãs de tirarem de perto dela todos os remédios, pois ela tinha medo de fazer alguma bobagem, dada a sua situação de extremo sofrimento. E o mais bonito de tudo: como Santa Teresinha, apesar de tudo isso, confiou totalmente e se abandonou ao Amor Misericordioso do Senhor em meio às mais terríveis tentações contra a fé, dores físicas e morais. E que ela morreu, olhando para Jesus no seu crucifixo dizendo: "meu Deus, eu te amo"... 

*Leia na íntegra. Clique aqui:

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COISAS DE FRANCISCO: Papa exorta os cristãos a se livrarem de devoções e revelações que não levam a Cristo.

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Publicado em 09 setembro 2013

O cristão jamais deve esquecer que o centro da sua vida é Jesus Cristo: foi o que ressaltou o Papa na missa celebrada neste sábado na Casa Santa Marta, no Vaticano. Francisco afirmou que devemos vencer a tentação de ser "cristãos sem Jesus" ou cristãos que "buscam somente devoções", mas falta Jesus.

Existem, acrescentou, "outros cristãos sem Cristo: os que somente buscam devoções", "mas falta Jesus". "Se suas devoções levam-no a Jesus – disse o Papa –, então tudo bem. Mas se não vai além da devoção, algo não funciona." Além disso, prosseguiu, há "outro grupo de cristãos sem Cristo: os que buscam coisas raras, um pouco especiais, que vão atrás de revelações privadas", enquanto a Revelação se concluiu com o Novo testamento.

O Papa frisou nestes cristãos a vontade do "espetáculo da revelação, de ouvir coisas novas". Francisco exortou esses cristãos a tomarem o Evangelho. E concluiu pedindo a Jesus que "nos faça entender que somente Ele é o Senhor, o único Senhor. E nos dê também a graça de amá-Lo, de segui-Lo, de caminhar na estrada que Ele nos ensinou".

*Leia na íntegra. Clique aqui:

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OLHAR CARMELITANO SOBRE CAMOCIM DE SÃO FÉLIX-PE.

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Publicado em 09 setembro 2013

Fotos e fatos do encerramento da Festa de São João Batista, bairro do Campo, Camocim de São Félix. Fonte: Face...

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ORDEM DO CARMO: Olhar Carmelitano.

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Publicado em 08 setembro 2013

Com o tema; “Uma palavra de esperança e de salvação” (Const. 24): viver o carisma e a missão do Carmelo, hoje. A Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem do Monte Carmelo- Carmelitas, do dia 02 a 21 de setembro-2013, realiza o Capítulo Geral em Roma, Itália. Veja outras fotos. Clique aqui:

https://www.facebook.com/olharjornalistico/media_set?set=a.635713223128214.1073741834.100000686270175&type=1 (É necessário ter uma conta no facebook)

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*23º Domingo do Tempo Comum: A prioridade e as renúncias para seguir Jesus (Lucas 14,25-33)

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Publicado em 08 setembro 2013

Ildo Bohn Gass, biblista do CEBI.

O evangelho da liturgia deste final de semana apresenta Jesus colocando as condições fundamentais para quem quer segui-lo no caminho da cruz. Diante da prioridade do seguimento, todo o resto se torna relativo.

E nós hoje

Certamente, as exigências de Jesus nos questionam quando nossa ação evangelizadora está voltada mais para as "massas" e não tanto para o "fermento", isto é, o engajamento radical em favor da justiça e da partilha, da gratuidade e da superação de preconceitos.

É evidente que Jesus não recusa ninguém. Ele mesmo acolheu com ternura um homem muito rico. Porém, não deixou de lhe mostrar que o caminho da felicidade passa pela partilha (Lucas 18,18-23). Também foi comer na casa de um ladrão confesso. Mas deixou claro que ele se tornaria discípulo do reino na medida em que devolvesse o que roubara e partilhasse outro tanto com os pobres (Lucas 19,1-10)...

*Leia na íntegra. Clique aqui:

http://www.mensagensdofreipetroniodemiranda.blogspot.com.br/2013/09/23-domingo-do-tempo-comum-ano-c.html

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*ORDEM DO CARMO: CAPÍTULO GERAL- 2013. SASSONE - ITÁLIA

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Publicado em 07 setembro 2013

Frei Evaldo Xavier Gomes, O. Carm.

Primeiro dia

ABERTURA DIA 03/09/2013

O Capítulo Geral foi aberto com uma missa presidida pelo P. Geral, Fernando Millán, concelebrada pelos membros do Conselho Geral e padres capitulares. Após a missa todos, vestindo o hábito e capa branca, se dirigiram em procissão para a sala capitular. Ao longo do percurso se cantou a ladainha dos santos carmelitas e o veni creator. A procissão foi aberta pelo ícone de Nossa Senhora e dos padroeiros do Capítulo Geral. Fr. Joseph Chalmers foi eleito Presidente do Capítulo.

 TARDE

1-Leitura da Carta do Papa Francisco para o Prior Geral da Ordem por ocasião da celebração do Capítulo Geral (texto em anexo). Em sua mensagem o Papa sugere três “fios condutores” para a realização do Capítulo Geral...

*Leia na íntegra. Clique aqui:

http://www.mensagensdofreipetroniodemiranda.blogspot.com.br/2013/09/ordem-do-carmo-capitulo-geral-2013.html

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Tal pai, tal filho

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Publicado em 31 março 2026
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Em conferência da extrema direita nos EUA, Flávio Bolsonaro sugere que eleição presidencial só será ‘livre e justa’ se ele vencer, mostrando que é um orgulhoso herdeiro do golpismo do pai

 Eleição 2026

A natureza é algo implacável. O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República, vem tentando se apresentar como uma versão “moderada” do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas não tem jeito: o golpismo bolsonarista parece ser mesmo genético.

Ao discursar na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC, na sigla em inglês), convescote de extremistas de direita realizado nos Estados Unidos, Flávio defendeu o “monitoramento” das eleições brasileiras e sugeriu “pressão diplomática” externa para garantir um pleito “livre e justo”. Arrematou dizendo que, “se o nosso povo puder se expressar livremente nas redes sociais e se os votos forem contados corretamente, nós vamos vencer”, numa sugestão nada sutil de que ele só não será eleito se houver fraude ou manipulação.

É isto o que Jair Bolsonaro passou anos fazendo e que foi um dos motivos de sua condenação por tentativa de golpe de Estado: colocou sistematicamente em dúvida a lisura das eleições brasileiras e chegou a mobilizar embaixadores estrangeiros às vésperas da votação de 2022 para disseminar essa farsa golpista. Flávio homenageia o pai ao incitar os americanos a pressionar as instituições brasileiras caso ele perca a eleição.

Nesse sentido, também fiel ao manual bolsonarista, Flávio deu ares de verdade à fábula segundo a qual o governo americano, então presidido pelo democrata Joe Biden, financiou, por intermédio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição de 2022 contra Bolsonaro. “As mesmas pessoas que prenderam meu pai tiraram esse homem – o ex-presidente socialista Lula da Silva, condenado múltiplas vezes por corrupção – da prisão e o colocaram de volta na Presidência. Tudo isso sob uma enxurrada de dinheiro da USAID e com massiva interferência da administração Biden”. Como de hábito, nenhuma prova disso foi apresentada – mas, afinal, um bolsonarista de verdade não precisa de provas para acreditar em teorias da conspiração como essa.

De todo modo, só engoliu a moderação de Flávio Bolsonaro quem quis. No ano passado, em reveladora entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o senador traçou o perfil adequado do candidato a presidente que quisesse representar bem o bolsonarismo: segundo Flávio, teria de ser alguém que articulasse a anistia ao pai no Congresso Nacional e que tivesse “disposição” de impedir que o Supremo Tribunal Federal interferisse nessa decisão, isto é, “fazer com que o Supremo Tribunal Federal respeite os demais Poderes”. E acrescentou, sem circunlóquios: “É uma hipótese muito ruim, porque a gente está falando de possibilidade e de uso da força”.

Está aí, com todas as letras, o discurso politicamente liberticida do bolsonarismo. É digna de nota a facilidade com que o senador Flávio Bolsonaro usou a expressão “uso da força”, com a clara intenção de intimidar os adversários do pai e as instituições democráticas que lidaram com o seu golpismo. E agora, não menos indecorosa, é a tentativa de mobilizar o governo dos Estados Unidos e de outros países governados pela direita simpatizante do presidente americano, Donald Trump, para lançar dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro e, por fim, não reconhecer uma eventual derrota do bolsonarismo na eleição presidencial.

Na tal convenção de extremistas de direita nos Estados Unidos, Flávio disse que a eleição brasileira deve respeitar “os valores de origem americana”. A esta altura, não se sabe bem o que isso significa. Não faz muito tempo, esses “valores de origem americana” incluíam respeitar o resultado das urnas. Considerando que Donald Trump – ídolo de Flávio Bolsonaro e do pai dele – jamais aceitou sua derrota para Joe Biden em 2020 nem provavelmente aceitará qualquer outro revés eleitoral, atribuindo-o sempre a fraudes inexistentes, os “valores de origem americana” aos quais o senador se refere certamente não são os mesmos que o mundo livre aprendeu a admirar. Fonte: https://www.estadao.com.br

Em nome do Pai, do Filho e da santa hipocrisia, Deus é alistado na guerra do Irã

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Publicado em 26 março 2026
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Secretário de Defesa pede que americanos orem em nome de Jesus, e comandantes falam em plano divino

Papa Leão 14, por sua vez, condena uso do nome de Deus para guerras e quer fim de bombardeios aéreos para sempre

 

 

O presidente dos EUA Donald Trump, ora com membros do gabinete durante reunião em fevereiro de 2025 - Jim Watson - 26.fev.25/AFP

 

Lúcia Guimarães

É jornalista e vive em Nova York desde 1985. Foi correspondente da TV Globo, da TV Cultura e do canal GNT, além de colunista dos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo

 

Não é preciso cavar fundo para encontrar o túmulo da ironia quando ouvimos líderes políticos e militares invocando Cristo para justificar a guerra contra uma teocracia islâmica.

Dias após o início dos bombardeios contra o Irã, uma ONG especializada em proteger a liberdade religiosa dos militares americanos recebeu mais de 200 queixas de soldados e oficiais de todos os ramos das Forças Armadas sobre o uso de linguagem da Bíblia para justificar a decisão de iniciar a guerra.

De acordo com uma das queixas examinadas pelo jornal britânico The Guardian, um comandante havia "nos instado a dizer às tropas que aquilo era ‘tudo parte do plano de Deus’." Os soldados teriam ouvido também que deveriam arriscar a vida para facilitar o retorno iminente de Jesus Cristo.

Ao pedir preces pela vitória, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, conclamou os americanos a rezar "todos os dias, de joelhos, com a família, nas escolas, nas igrejas, em nome de Jesus Cristo". Ele disse isso do púlpito do Pentágono, o comando central da mais poderosa força militar do planeta, nesta República fundada sob o princípio da separação entre Igreja e Estado.

Ajoelhados na sepultura da ironia, descobrimos também que o mais próximo conselheiro espiritual de Hegseth, o pastor evangélico Brooks Potteiger, declarou que tem rezado para Deus matar o seminarista presbiteriano James Talarico, um democrata do Texas que concorre ao Senado denunciando o nacionalismo cristão como contrário ao Evangelho.

Durante a homilia do último dia 15, o Papa Leão 14 condenou o uso do nome de Deus para justificar uma guerra. "Deus não pode ser alistado para a escuridão," disse o primeiro papa americano, talvez o mais enérgico pontífice crítico de uma campanha militar dos Estados Unidos. Na segunda-feira (23), Leão pediu que os bombardeios aéreos sejam banidos para sempre. Depois das tragédias do século 20, disse ele, "não temos progresso, temos retrocesso."

O partido no controle do Executivo e do Judiciário dos EUA parece esquecer uma lição recente. O republicano George W. Bush invocou as Cruzadas logo após os ataques do 11 de setembro, enquadrando a necessária reação americana ao terrorismo da Al Qaeda como uma guerra religiosa e fornecendo, assim, munição ao recrutamento de terroristas.

Curiosamente, o gabinete de Donald Trump é recheado de católicos praticantes, incluindo o vice-presidente, J. D. Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio. Pela primeira vez, seis dos nove juízes da Suprema Corte americana são católicos. Nota-se que esses devotos no poder se esquivam de confrontar em público Leão 14 com a destreza de trombadinhas evitando a polícia no centro de São Paulo.

O alistamento militar do Todo Poderoso coincide com o falecimento do movimento conservador nos EUA. O mais importante fundador do conservadorismo anglo-saxão, o filósofo irlandês Edmund Burke, argumentava que os costumes são mais importantes do que as leis. "A lei nos toca apenas aqui e ali. Os costumes são aquilo que nos aflige ou nos apazigua, nos corrompe ou nos purifica, nos exalta ou nos avilta, nos barbariza ou nos refina," escreveu.

Peter Wehner, veterano dos governos Reagan, Bush pai e Bush filho, que jogou a toalha em 2016, acredita que o legado deste momento no país será uma deformação coletiva de temperamento resultante da reprogramação do circuito moral dos cristãos. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

Membro da ‘bancada católica’, deputado Eros Biondini (PL/MG) vota contra orientações da CNBB

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Publicado em 25 março 2026
  • Conferência Nacional dos Bispos do Brasil ,
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  • Eros Biondini
  • deputado Eros Biondini

Membro da ‘bancada católica’, deputado Eros Biondini (PL/MG) vota contra orientações da CNBB

 

Eros Biondini é deputado federal pelo Partido Liberal (PL) de Minas Gerais | Crédito: Foto: Paulo Sergio / Câmara dos Deputados

 

A atuação do deputado federal Eros Biondini (PL/MG) tem sido marcada por divergências em relação às posições da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), principal instância da Igreja Católica no país. Embora se apresente como integrante da chamada “bancada católica”, o parlamentar acumula votos e posicionamentos que, em temas centrais, contrastam com as diretrizes da instituição religiosa.

Os episódios mais recentes ocorreram em 2025, quando Biondini votou a favor de propostas duramente criticadas pela CNBB. Em setembro, o deputado apoiou a chamada PEC da Blindagem (PEC 165/2023), que dificulta a responsabilização criminal de parlamentares. A conferência reagiu com críticas contundentes, questionando “quem protegerá a sociedade do próprio congresso” e alertando para riscos à transparência e ao controle social sobre agentes públicos.

Meses antes, em julho de 2025, Biondini também votou a favor do Projeto de Lei 2159/2021, conhecido como PL da Devastação Ambiental, que flexibiliza regras de licenciamento no país. Em nota pública, a CNBB classificou a proposta como um “grave retrocesso” e denunciou o desmonte de mecanismos de proteção ambiental. A posição do deputado contrasta com princípios como a defesa da “Casa Comum” e da ecologia integral, fortalecidos pela Doutrina Social da Igreja após a encíclica ‘Laudato Si’.

O caso anterior havia ocorrido em maio de 2024, quando Biondini foi um dos apenas dois deputados a votar contra a suspensão, por três anos, do pagamento da dívida do Rio Grande do Sul com a União, em meio à tragédia climática que atingiu o estado. A medida buscava aliviar os cofres estaduais para ampliar ações emergenciais. A CNBB, historicamente, defende a solidariedade federativa e o fortalecimento do papel do Estado em situações de calamidade. O deputado justificou seu voto alegando que a proposta “não ajudaria” efetivamente o estado, adotando uma linha de rigor fiscal.

Outro ponto de distanciamento aparece na atuação em torno do Estatuto do Desarmamento. Biondini integrou a comissão especial que analisou o Projeto de Lei 3722/2012, que flexibiliza o acesso a armas no país, sinalizando alinhamento com a pauta armamentista. A CNBB, por sua vez, mantém posição firme contra a ampliação do acesso a armas, defendendo o desarmamento como caminho para a redução da violência.

A divergência também se expressa em votações anteriores. Em 2019, o deputado votou a favor da Reforma da Previdência (PEC 06/2019), apesar das críticas recorrentes da CNBB, que alertou para os impactos sociais da proposta e para a necessidade de proteger os mais vulneráveis. O posicionamento chama atenção por contrastar com falas anteriores do próprio parlamentar, que, em 2017, havia ecoado críticas da Igreja a mudanças previdenciárias.

Na pauta da segurança pública, Biondini também contrariou a CNBB, ao apoiar a redução da maioridade penal. Em 2015, após votar contra o texto principal da proposta, o deputado mudou de posição nas votações seguintes e apoiou uma versão modificada da medida. A CNBB sempre se posicionou contrária à redução, defendendo políticas de prevenção e ressocialização.

Já em 2016, o parlamentar votou a favor da Proposta de Emenda à Constituição 241, que instituiu o teto de gastos públicos. A CNBB classificou a medida como “injusta e seletiva”, por congelar investimentos sociais por duas décadas e impactar principalmente a população mais pobre. Também nesse caso, o voto de Biondini seguiu na direção oposta às orientações da Igreja.

A única convergência significativa ocorreu na votação da Reforma Trabalhista, em 2017, quando o deputado votou contra o projeto, assim como defendia a CNBB. Ainda assim, o contexto mais amplo da bancada conservadora, da qual faz parte, foi de apoio à medida, apontada pela Igreja como um “grave retrocesso social”.

 

Comunidades terapêuticas sob debate

Além da atuação parlamentar, Biondini também está à frente da comunidade terapêutica Mundo Novo Sem Drogas (MNSD), iniciativa ligada à Renovação Carismática Católica. O modelo dessas instituições tem sido alvo de críticas e investigações em Minas Gerais e no país.

Embora não haja denúncias diretas contra a MNSD, reportagens e apurações do Ministério Público apontam irregularidades em diversas comunidades terapêuticas, como maus-tratos, trabalho análogo à escravidão e cárcere privado. Especialistas destacam que o problema é estrutural, envolvendo falta de fiscalização e a adoção de práticas baseadas exclusivamente na abstinência e na religiosidade, em detrimento de políticas públicas integradas, como as da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

O setor também recebe recursos públicos, inclusive por meio de emendas parlamentares do deputado Biondini, prática que amplia o debate sobre a destinação de verbas e a eficácia desse modelo de tratamento. Conselhos profissionais e movimentos da luta antimanicomial defendem abordagens baseadas em evidências científicas e no respeito aos direitos humanos.

Editado por: Ana Carolina Vasconcelos. Fonte: https://www.brasildefato.com.br

Evangélicos pró-Tarcísio podem trocar Flávio Bolsonaro pelo MBL?

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Publicado em 17 março 2026
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  • escândalo do Banco Master à igreja Lagoinha
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Há espaço para o Missão disputar os que rejeitam a esquerda e o bolsonarismo

Candidatura do MBL pode surpreender e disputar votos da direita evangélica

 

Renan Santos, fundador do MBL, durante live em Mossoró (RN) - Renan Santos MBL no Instagram

 

Ao defender a candidatura de Tarcísio no lugar de Flávio, evangélicos em destaque, como Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro, ecoaram o desejo de uma fatia do eleitorado cristão. Será que o MBL tem condições de disputar esses votos?

Na semana passada, o nome de Renan Santos circulou na imprensa. Ele é o pré-candidato à Presidência pelo partido Missão, do Movimento Brasil Livre, e aparece com 10% das intenções de voto entre eleitores de 16 a 24 anos. O número sugere potencial de crescimento.

À primeira vista, o MBL não parece interessado em fazer sua mensagem circular nas redes cristãs.

Diferente de Tarcísio e de Flávio, Renan menciona evangélicos apenas para associar o escândalo do Banco Master à igreja Lagoinha e seu líder, o pastor André Valadão. Outro limitador é sua postura truculenta: pavio curto, ar de superioridade e linguagem grosseira.

Ainda assim, a candidatura presidencial do MBL pode —se calibrar sua estratégia— surpreender ao disputar votos da direita evangélica com Flávio Bolsonaro.

Renan tem a oportunidade de se destacar por não querer parecer o que não é. Flávio vem recorrendo a referências bíblicas em declarações públicas. Porque não domina esse idioma, ele incomoda fiéis frustrados com a instrumentalização da fé e com a disputa ideológica que o bolsonarismo levou para dentro das igrejas.

Enquanto Flávio peregrina por igrejas, Renan pode aproveitar a conexão que o MBL tem com a juventude universitária e visitar seminários teológicos respeitados e podcasts cristãos. Demonstraria interesse pelo segmento e se aproximaria de estudantes que influenciam o debate público ao traduzir questões políticas a partir da Bíblia.

Há outros recursos simbólicos que o MBL pode acionar. A veemência com que o movimento condena a corrupção na política tem paralelo com o constrangimento causado quando se descobre que pastores desviaram dinheiro da igreja.

Missão é um nome com apelo bíblico. Renan aciona essa simbologia ao repetir que não usa dinheiro público em campanha e que disputa contra fundos eleitorais milionários. O convite cristão para que a pessoa dê bons exemplos —ser "o sal da terra e a luz do mundo"— também dialoga com o etos moral que o MBL procura comunicar.

Renan também agrada esse segmento ao apresentar-se como conservador de direita. Ele defende a família, adota um discurso de linha-dura contra o crime, fala sobre empreendedorismo e entra na corrida já com um plano de governo, o Livro Amarelo.

A presença de Renan Santos na corrida presidencial neste ano pode produzir efeito semelhante ao que Pablo Marçal teve na campanha paulistana de 2024: disputar votos com o candidato oficial da direita por meio da astúcia e do uso competente da internet.

Renan pede à sua base que o leve a 10% nas pesquisas até julho para participar dos debates na TV e expor o clã Bolsonaro como traidor da direita. A aproximação com a juventude evangélica órfã de Tarcísio pode ajudá-lo a atingir essa meta. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

‘Operação abafa’ em ação

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Publicado em 17 março 2026
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  • ministro Dias Toffoli,
  • Hugo Motta,
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  • Omissão de Zanin
  • CPI do Master
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  • Paulo Gonet

Omissão de Zanin sobre a CPI do Master ecoa padrão de atrasos e desestímulos às investigações

 

O escândalo do Banco Master reúne ingredientes exorbitantes para justificar escrutínio rigoroso: fraudes bilionárias e uma teia de influências que atravessa Brasília. O povo exige repostas e, em situações assim, a Constituição oferece à Casa do Povo um instrumento clássico de esclarecimento: a comissão parlamentar de inquérito (CPI). Ainda assim, a CPI do Master continua parada, e uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin contribuiu para mantê-la nesse limbo.

Zanin rejeitou um pedido para obrigar o presidente da Câmara, Hugo Motta, a instalar a comissão, argumentando que a abertura constitui assunto interno do Poder Legislativo. À primeira vista, soa prudente. Ninguém – muito menos este jornal – deseja um Supremo transformado em diretor de pauta do Congresso.

Mas o raciocínio desmorona ao primeiro contato com a Constituição. O artigo 58 estabelece critérios objetivos para a criação de CPIs: apoio de um terço dos parlamentares, fato determinado e prazo certo – condições presentes no requerimento da CPI do Master. A regra existe justamente para impedir que a maioria – ou, pior, a presidência da Casa – asfixie investigações incômodas.

O próprio Supremo já reconheceu isso em diferentes ocasiões – notadamente na CPI da Covid, em uma decisão no plenário de 10 contra 1, em 2021. A decisão de Zanin, portanto, exprime não prudência institucional, mas uma jurisprudência gelatinosa.

Os casuísmos de Zanin incomodam ainda mais à luz da atmosfera política em torno do escândalo Master. No Congresso, a abertura da CPI enfrenta obstáculos conhecidos do manual brasiliense de abafamento: controle rígido da pauta, critérios procedimentais improvisados e sessões convenientemente esvaziadas. A condução do tema por Motta e pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tem produzido exatamente o efeito desejado por quem prefere ver o assunto esfriar: tempo.

No próprio Supremo, a liminar do ministro Gilmar Mendes que anulou medidas investigativas da CPI do Crime Organizado sobre a empresa do colega Dias Toffoli, que manteve negócios com fundos ligados ao Master, desarticulou uma linha de apuração relevante. A trajetória do caso no STF, inicialmente sob a relatoria do próprio Toffoli – agora confessadamente suspeito –, criou uma zona cinzenta onde se acumulam indícios de obstrução. Explicações do escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes sobre um contrato multimilionário com o Master suscitaram mais perguntas do que respostas.

O procurador-geral Paulo Gonet retardou a análise de medidas urgentes e arquivou representações relacionadas ao caso, como se estivesse disposto a disputar com seu antecessor o título de “engavetador-geral da República”.

A CPI foi concebida para dar às minorias parlamentares um instrumento para escrutinar escândalos que as maiorias prefeririam esquecer. Quando esse instrumento é retardado por manobras políticas, neutralizado por decisões judiciais ou cercado por explicações opacas, a mensagem transmitida ao País é de que, em Brasília, a investigação avança apenas até o ponto em que se torna inconveniente. Fonte: https://www.estadao.com.br

Para onde vai o caso Master

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Publicado em 13 março 2026
  • Alexandre de Moraes,
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  • Daniel Vorcaro
  • Fundo Garantidor de Créditos
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  • o caso Master
  • Bernie Madoff
  • Estreito de Ormuz
  • escândalo do Banco Master
  • A operação que prendeu Vorcaro

Em caso de investigação, que seja séria e fundamentada; em caso de delação premiada, que seja examinada com lupa

 

Por Fernando Gabeira

Temos muitos temas estratégicos para discutir. E outros urgentes, como o impacto da guerra e do fechamento do Estreito de Ormuz em nossa economia. No entanto, será difícil avançar em algo enquanto a atenção nacional estiver concentrada no escândalo do Banco Master.

Escândalos financeiros de maior volume, como foi o caso de Bernie Madoff nos EUA, foram muito discutidos, mas não conseguiram monopolizar o debate político. O caso brasileiro é crucial, porque envolve autoridades políticas, financeiras e judiciárias. Mais especificamente, algo inédito na História: dois ministros do Supremo Tribunal Federal.

Existe uma intensa batalha de bastidores entre avançar nas investigações ou enterrá-las. Ela se manifesta em inúmeros movimentos táticos. Houve um erro, por exemplo, na divulgação de diálogos íntimos de Daniel Vorcaro. A dramatização desse erro indiscutível pelo ministro Gilmar Mendes mostra que a investigação corre risco.

O erro se deu pela incapacidade de separar as frases íntimas das de interesse político. Ou, melhor, os diálogos que são ao mesmo tempo íntimos e de interesse público. Entre esses, destaco os momentos em que ele conta seus encontros com autoridades brasileiras, a reunião com Hugo Motta e Alexandre de Moraes, o momento em que o ministro o visita em Campos do Jordão.

Mais interessante, nesses diálogos íntimos de interesse público, é a confissão da compra de propriedade em Miami, que ficaria no nome de um russo para despistar. As propriedades de Vorcaro são de interesse público porque podem ressarcir os prejuízos que ele deu. Nem todos esses prejuízos foram cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Diz-se que apenas 30% dos celulares de Vorcaro foram periciados. Até o momento, portanto, a luta mais decisiva a respeito das investigações é sobre avançar ou não sobre os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

O ministro Toffoli deixou muitos flancos. Tentou controlar as investigações, decretando sigilo e escolhendo peritos, mas acabou sendo derrubado da relatoria do caso por um relatório da Polícia Federal (PF). Toffoli vendeu uma parte de seu resort para o cunhado de Daniel Vorcaro. Outra parte, a vendeu para um advogado da J&F, a mesma empresa que teve multa de R$ 10,3 bilhões anulada por ele.

No dia de sua primeira prisão, Vorcaro trocou mensagens com Alexandre de Moraes, que aparece como seu amigo nos diálogos. A mulher de Moraes, Viviane Barci, tem um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master. Segundo ela, sua tarefa foi formular o compliance do Master. A operação que prendeu Vorcaro tem o nome de Compliance Zero.

Quais os caminhos possíveis da investigação?

Independência da Polícia Federal para seguir, apesar das consequências. Isso vai depender de algumas variáveis. O ministro André Mendonça quer uma PF sem influência de seus chefes máximos. Conseguirá? Por outro lado, o próprio Mendonça resistirá à pressão do STF? Na célebre reunião em que os ministros definiram a solidariedade a Toffoli, Mendonça também embarcou no todos por um, um por todos.

O procurador-geral nem é bom lembrar. Como se diz na gíria, ele é assim com os homens, isto é, dificilmente quebrará os laços de amizade que o levaram ao posto.

Resta um grupo de senadores que se articula para fazer uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O problema das CPIs é que dependem de Davi Alcolumbre. E ele jamais as permitirá, porque é um investigado em potencial. O instituto de aposentadoria do Amapá (Amprev) investiu R$ 400 milhões em ativos do Master. O responsável foi indicado por Alcolumbre. Como ele poderia ter descoberto o negócio estando tão longe? Vorcaro frequentou a casa de Alcolumbre. Não teriam falado sobre isso? Só a investigação poderá precisar.

Resta a jogada final: delação de Daniel Vorcaro. É algo visto com muito entusiasmo. Mas o depoimento tem de ser colhido com independência. Num sistema tão complexo, é possível produzir uma delação premiada que alivie Vorcaro, defina alguns bodes expiatórios e salve todos os graúdos.

Tudo é possível no Brasil, daí a singularidade de nossa vida. Ela é um sobressalto. Isso não é razão para tentar um bom resultado em todas as etapas.

Em caso de investigação, que seja séria e fundamentada; em caso de delação premiada, que seja examinada com lupa.

É preciso esperar, também, que a justiça funcione na condenação dos culpados. Ela costuma ser longa e, às vezes, branda. No caso dos políticos, isso é atenuado pelas eleições. Os próprios eleitores assumem seu papel, como foi no caso da CPI dos Sanguessugas: mais de 90% dos envolvidos foram derrotados nas urnas.

Com domínio de uma grande parte do orçamento federal, os políticos criaram uma inesgotável fonte de propaganda. Pode ser que isso os salve. Mas a bancada do Master foi ativa, tentando elevar o teto coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (Ciro Nogueira) e demitir funcionários do Banco Central (todos os líderes do Centrão).

Deveriam ser investigados, pois foram o braço parlamentar de um grande prejuízo para os brasileiros, não só os que investiram no Master, mas milhares de aposentados. Fonte: https://www.estadao.com.br

Uma máfia no coração do poder

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Publicado em 05 março 2026
  • ministro Dias Toffoli,
  • A prisão do banqueiro Vorcaro
  • Legislativo e Judiciário
  • A prisão de Vorcaro
  • criminosa espalhada por Brasília

A prisão do banqueiro Vorcaro escancara uma rede criminosa espalhada por Brasília. Atônito, o País espera que a banda podre das instituições não prevaleça sobre a banda republicana

 

A política brasileira costuma ser descrita como um duelo entre esquerda e direita ou uma disputa entre Executivo, Legislativo e Judiciário. O escândalo do Banco Master expõe uma clivagem menos confortável: uma rede perniciosa que atravessa partidos, governos e tribunais.

O esquema de ocultação de recursos, manipulação societária e deslocamento de patrimônio para escapar de credores e reguladores que desencadeou o colapso do Master deixou prejuízos multibilionários que acabaram socializados entre investidores e mecanismos de proteção do sistema financeiro.

Se a magnitude desses crimes do colarinho branco já não fosse por si só estarrecedora, a investigação da Polícia Federal que ensejou a prisão do controlador do banco, Daniel Vorcaro, deu ao País um vislumbre – e só um vislumbre – de uma mecânica mafiosa de proporções imensas. Mensagens extraídas de celulares apreendidos mostram a discussão de planos para vigiar adversários, intimidar críticos e até espancar jornalistas. Há indícios de invasão de sistemas da própria Polícia Federal e outros órgãos da Justiça para obter informações sobre investigações em curso. Dirigentes do Banco Central do Brasil teriam recebido propina para facilitar operações e neutralizar a fiscalização.

Mas muito mais perturbadoras do que a delinquência do banqueiro corrupto e seus comparsas são as relações que Vorcaro construiu em Brasília. Vorcaro não era um aventureiro isolado. Transitava com desenvoltura entre ministros de Estado, dirigentes partidários, parlamentares e juízes das altas cortes. Isso ajuda a explicar por que se sentia tão à vontade para maquinar crimes em grupos de WhatsApp.

Suas relações promíscuas chegam ao coração do sistema de Justiça. O ministro Dias Toffoli, que chegou a fazer negócios com as redes de Vorcaro, assumiu, em circunstâncias estranhíssimas, a relatoria do caso e emperrou o trabalho da polícia por meses. A mulher do ministro Alexandre de Moraes celebrou um contrato multimilionário e mal explicado com o Master. Nenhuma dessas circunstâncias, por si, prova crime. Mas compõem um quadro suficientemente delicado para exigir o mínimo de transparência institucional.

O que se viu foi o contrário. Uma Corte na defensiva, e até agressiva, quando investigações se aproximaram de seus membros. Decisões monocráticas intimidaram críticos, bloquearam diligências e interromperam iniciativas de apuração parlamentar. O Tribunal se mostra muito mais ocupado em proteger os segredos de seus ministros do que em dissipar dúvidas legítimas.

A atuação da Procuradoria-Geral da República só intensifica a perplexidade. A relutância do procurador-geral, Paulo Gonet, em pedir a prisão de Vorcaro mereceu críticas abertas do novo relator, o ministro André Mendonça. A demora reforçou a impressão de uma instituição que, diante de suspeitas envolvendo figuras poderosas, prefere a inércia ao confronto.

Esta combinação tóxica – relações plurais e inclusivas entre autoridades políticas e administrativas, blindagem corporativista no Judiciário e complacência do Ministério Público – ajuda a explicar o silêncio constrangido que paira sobre o caso em Brasília. O esquema não envolve apenas um partido ou um governo. Ele atravessa os Três Poderes e diferentes campos ideológicos.

Quando um escândalo compromete apenas um grupo político, adversários tratam de expô-lo. Quando compromete muitos, o impulso dominante é abafá-lo. A intimidação a jornalistas é sintomática. É a imprensa que vem insistindo em colocar na sala o bode que os poderosos gostariam de esconder.

A prisão de Vorcaro pode representar o início de uma investigação que finalmente ilumine essas conexões e puna os cúmplices de fraudes multibilionárias. Ou pode ser apenas mais um episódio a se diluir no ciclo habitual de crises nacionais. O que se desenha é uma nova disputa: não entre este ou aquele grupo partidário, nem entre tal ou qual Poder ou instituição, mas entre a banda podre de Brasília (distribuída por todos os Poderes, partidos e instituições) e a banda republicana. O desfecho do caso Master revelará ao Brasil qual delas realmente predomina no coração do poder. Fonte: https://www.estadao.com.br

Vorcaro hackeou sistemas da Polícia Federal, do Ministério Público e até do FBI

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Publicado em 04 março 2026
  • ministro do Supremo Tribunal Federal,
  • André Mendonça,
  • Vorcaro hackeou sistemas da Polícia Federal
  • funcionário de Vorcaro
  • executivo Daniel Vorcaro,

Vorcaro hackeou sistemas da Polícia Federal, do Ministério Público e até do FBI

 

Vorcaro: planejamento de ações violentas contra adversários — Foto: Reprodução

 

Por Malu Gaspar

Além de planejar a executar ações de intimidação contra adversários, entre eles concorrentes, ex-empregados e jornalistas, o executivo Daniel Vorcaro, do Banco Master, conseguiu acesso indevido aos sistemas internos da Polícia Federal (PF), do Ministério Público e do FBI.

De acordo com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, tornada pública na manhã desta quarta-feira, um funcionário de Vorcaro chamado Luis Phillipi de Moraes Mourão e conhecido como Sicário obtinha acesso aos sistemas por meio de senhas de terceiros e "realizava consultas e extrações de dados em sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo bases de dados utilizadas por instituições de segurança pública e investigação policial".

As investigações constataram que Vorcaro pagava R$ 1 milhão por mês ao Sicário. Além dele, também trabalhava para o banqueiro o ex-policial Marilson Roseno da Silva. Junto com o cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, os três integravam um grupo de WhatsApp batizado de “A Turma”, em que planejavam de ações violentas a pagamentos de influenciadores e de diretores do Banco Central.

Todos tiveram as prisões preventivas decretadas pelo ministro André Mendonça nesta quarta-feira.

Um dos alvos de Vorcaro foi o colunista do GLOBO Lauro Jardim, a quem o banqueiro planejou sequestrar e quebrar os dentes por conta da publicação de notas a respeito do Master.

“Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”. Mourão pergunta: “Pode? Vou olhar isso”. E Vorcaro responde: sim. Fonte: https://oglobo.globo.com

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