Olhar Jornalístico

'Terremoto no Vaticano': o escândalo de corrupção que levou à 'renúncia' de um dos cardeais mais poderosos da Igreja Católica.

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Publicado em 27 setembro 2020
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Cardeal Giovanni Angelo Becciu, uma das figuras de maior escalão dentro do Vaticano, renunciou inesperadamente ao seu cargo e título, anunciou a Santa Sé. Mas por quê?

Um novo escândalo abala o coração da Igreja Católica.

 

 

O cardeal Giovanni Angelo Becciu, uma das figuras de maior importância dentro do Vaticano, renunciou inesperadamente ao seu cargo e título, anunciou a Santa Sé na quinta-feira (24/09).

"O Santo Padre aceitou a renúncia do cargo de Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos e dos Direitos do Cardeal, apresentada por Sua Eminência o Cardeal Giovanni Angelo Becciu", afirmou o lacônico comunicado.

Mas em um movimento inesperado, o cardeal revelou à imprensa italiana que sua renúncia não havia sido voluntária, mas ocorreu a pedido do Papa Francisco, pelas denúncias de corrupção que pesam contra ele.

Becciu disse que foi pressionado pela Santa Sé sob a suspeita de que "ele havia dado dinheiro da Igreja a seus irmãos", algo que negou categoricamente. "Não roubei um euro. Não estou sob investigação, mas se me mandarem a julgamento, vou me defender", disse ele.

Em uma coletiva de imprensa na sexta-feira (25/09), Becciu disse que seu impeachment veio "como um raio vindo do nada" e que o papa "estava sofrendo" quando deu a notícia. "Tudo é surreal. Até ontem me sentia um amigo do Papa, o fiel executor do Papa", disse ele.

"Então o Papa me disse que não tinha mais fé em mim porque recebeu um relatório dos magistrados de que cometi um ato de apropriação indébita", acrescentou. Renúncias deste nível do Vaticano são extremamente raras e a Santa Sé fez poucos esclarecimentos em sua declaração divulgada na noite de quinta-feira.

 

Quem é o cardeal Becciu?

O cardeal Becciu era um colaborador próximo de Francisco e anteriormente havia ocupado um cargo importante na Secretaria de Estado do Vaticano.

No entanto, seu processo de "fritura" começou depois que foi revelado que ele esteve envolvido na compra de um prédio de luxo em Londres com fundos da Igreja.

Desde então, essa transação tem sido objeto de uma investigação financeira.

Becciu foi durante anos um "diplomata de carreira" do Vaticano: de 2011 a 2018 exerceu o poderoso papel de substituto para Assuntos Gerais da Secretaria de Estado, aproximando-se do Papa, com quem tinha encontros quase que diários.

Foi Francisco quem o nomeou cardeal em 2018, quando Becciu assumiu um novo cargo à frente do departamento que se encarrega de nomear os novos santos e beatos da Igreja.

 

Outro escândalo no Vaticano

Análise por Mark Lowen, correspondente da BBC em Roma

"Eu disse ao Papa: por que você está fazendo isso comigo na frente de todo o mundo?"

As palavras angustiadas são de um dos cardeais mais importantes da Igreja Católica, agora demitido e destituído de seu direito de eleger o próximo papa.

Giovanni Angelo Becciu serviu como subsecretário de Estado, uma função com acesso ilimitado ao Papa Francisco, e mais tarde foi chefe do departamento que escolhe futuros santos.

Mas na noite de quinta-feira, ele foi chamado para uma reunião supostamente tensa com seu chefe.

O cardeal Becciu havia dado o sinal verde para uma controversa compra de um imóvel em Londres por $ 232 milhões com fundos da Igreja, incluindo dinheiro de esmolas.

Outros relatos alegam que ele sustentava um hospital romano em ruínas que empregava sua sobrinha. "O Santo Padre explicou que dei favores a meus irmãos e seus negócios com dinheiro da Igreja ... mas tenho certeza de que não pratiquei nenhum crime", disse ele ao jornal italiano Domani.

Mas suas palavras não foram suficientes. O que aconteceu foi chamado de "um terremoto no Vaticano".

Sua demissão pode parecer dissimulada, mas é um lembrete de que o escândalo e a corrupção que assolam governos em todo o mundo também atingem os mais altos escalões da Santa Sé.

 

E o negócio imobiliário em Londres?

Foi durante seu tempo como substituto para assuntos gerais que o religioso esteve envolvido em um negócio de uma propriedade de luxo em uma área rica de Londres. A compra de um edifício residencial na Sloane Avenue foi feita com dinheiro da Igreja, por meio de fundos offshore e de empresas, segundo documentos oficiais.

Cinco funcionários do Vaticano foram suspensos no ano passado após uma operação e policiais apreenderam documentos e computadores. Então, em junho, o empresário italiano Gianluigi Torzi foi preso pela polícia do Vaticano sob suspeita de extorsão e peculato.

No início deste ano, o cardeal Becciu defendeu a compra. "Foi feito um investimento em um prédio. Foi uma ocasião boa e oportuna, que hoje muita gente nos inveja", disse em fevereiro.

Ele também negou que o dinheiro arrecadado para os pobres tenha sido usado no negócio.

 

Por que só agora?

A imprensa italiana considera que a saída repentina do cardeal pode estar relacionada não apenas à propriedade de Londres.

Em sua entrevista na sexta-feira, o cardeal disse que o papa também o confrontou sobre o dinheiro da Igreja que ele deu para negócios administrados por seus irmãos.

Uma cooperativa na Sardenha, comandada pelo irmão de Becciu, Tonino, prestou ajuda a migrantes e o cardeal disse que todo o dinheiro foi contabilizado. Outros fundos foram usados para renovar o edifício da Santa Sé em Cuba.

Reportagens da imprensa italiana também sugerem que o Papa estava descontente com o uso dos fundos dos pobres para outros investimentos. No ano passado, o semanário italiano L'Espresso publicou uma reportagem da autoridade anticorrupção do Vaticano sobre investimentos especulativos no valor de US$ 725 milhões.

O cardeal Becciu manterá seu título, apesar de sua renúncia da congregação. No entanto, ele perde seu direito de escolher o próximo papa. Atualmente, dos 219 cardeais da Igreja Católica, 121 são votantes.

O último cardeal a renunciar seu direito de voto foi o escocês Keith O'Brien, que renunciou em 2013 em meio a um escândalo sexual. Ele morreu cinco anos depois. Fonte: https://www.bbc.com/portuguese

Dia da Bíblia: O Papa e a Bíblia

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Publicado em 27 setembro 2020
  • 26º DOMINGO DO TEMPO COMUM,
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26º Domingo do Tempo Comum- Dia da Bíblia. Domingo, 27 de setembro-2020. 

26º Domingo do Tempo Comum - Ano A: Um Olhar

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Publicado em 26 setembro 2020
  • Evangelho Dominical,
  • Reflexão do Evangelho do Dia,
  • 26º DOMINGO DO TEMPO COMUM,
  • Homilia do 26º Domingo do Tempo Comum,

A liturgia do 26º Domingo do Tempo Comum deixa claro que Deus chama todos os homens e mulheres a empenhar-se na construção desse mundo novo de justiça e de paz que Deus sonhou e que quer propor a todos os homens. Diante da proposta de Deus, nós podemos assumir duas atitudes: ou dizer "sim" a Deus e colaborar com Ele, ou escolher caminhos de egoísmo, de comodismo, de isolamento e demitirmo-nos do compromisso que Deus nos pede. A Palavra de Deus exorta-nos a um compromisso sério e coerente com Deus - um compromisso que signifique um empenho real e exigente na construção de um mundo novo, de justiça, de fraternidade, de paz.

 

EVANGELHO - Mt 21,28-32: Atualização

Antes de mais, a parábola dos dois filhos chamados para trabalhar "na vinha" do pai sugere que, na perspectiva de Deus, todos os seus filhos são iguais e têm a mesma responsabilidade na construção do Reino. Deus tem um projeto para o mundo e quer ver todos os seus filhos - sem distinção de raça, de cor, de estatuto social, de formação intelectual - implicados na concretização desse projeto. Ninguém está dispensado de colaborar com Deus na construção de um mundo mais humano, mais justo, mais verdadeiro, mais fraterno. Tenho consciência de que também eu sou chamado a trabalhar na vinha de Deus?

Diante do chamamento de Deus, há dois tipos de resposta... Há aqueles que escutam o chamamento de Deus, mas não são capazes de vencer o imobilismo, a preguiça, o comodismo, o egoísmo, a autossuficiência e não vão trabalhar para a vinha (mesmo que tenham dito "sim" a Deus e tenham sido batizados); e há aqueles que acolhem o chamamento de Deus e que lhe respondem de forma generosa. De que lado estou eu? Estou disposto a comprometer-me com Deus, a aceitar os seus desafios, a empenhar-me na construção de um mundo mais bonito e mais feliz, ou prefiro demitir-me das minhas responsabilidades e renunciar a ter um papel ativo no projeto criador e salvador que Deus tem para os homens e para o mundo?

O que é que significa, exatamente, dizer "sim" a Deus? É ser batizado ou crismado? É casar na igreja? É fazer parte de uma pastoral qualquer da paróquia? É fazer parte da equipa que gere dinheiro para a Igreja? É ter feito votos num qualquer instituto religioso? É ir todos os dias à missa e rezar diariamente a Liturgia das Horas? Atenção: na parábola apresentada por Jesus, não chega dizer um "sim" inicial a Deus; mas é preciso que esse "sim" inicial se confirme, depois, num verdadeiro empenho na "vinha" do Senhor. Ou seja: não bastam palavras e declarações de boas intenções; é preciso viver, dia a dia, os valores do Evangelho, seguir Jesus nesse caminho de amor e de entrega que Ele percorreu, construir, com gestos concretos, um mundo de justiça, de bondade, de solidariedade, de perdão, de paz. Como me situo face a isto: sou um cristão "de registo", que tem o nome nos livros da paróquia, ou sou um cristão "de facto", que dia a dia procura acolher a novidade de Deus, perceber os seus desafios, responder aos seus apelos e colaborar com Ele na construção de uma nova terra, de justiça, de paz, de fraternidade, de felicidade para todos os homens?

Nas nossas comunidades cristãs aparecem, com alguma frequência, pessoas que sabem tudo sobre Deus, que se consideram família privilegiada de Deus, mas que desprezam esses irmãos que não têm um comportamento "religiosamente correto" ou que não cumprem estritamente as regras do "bom comportamento" cristão... Atenção: não temos qualquer autoridade para catalogar as pessoas, para as excluir e marginalizar... Na perspectiva de Deus, o importante não é que alguém se tenha afastado ou que tenha assumido comportamentos marginais e escandalosos; o essencial é que tenha acolhido o chamamento de Deus e que tenha aceitado trabalhar "na vinha". A este propósito, Jesus diz algo de inaudito aos "santos" príncipes dos sacerdotes e anciãos do povo: "os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o Reino de Deus". Hoje, que é que isto significa? Hoje, quem são os "vós"? Hoje, quem são os "publicanos e mulheres de má vida"?

*Leia o Evangelho na íntegra. Clique no link ao lado- EVANGELHO DO DIA.

Pecadores públicos e prostitutas são melhores do que as pessoas devotas

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Publicado em 26 setembro 2020
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Publicamos aqui o comentário de Enzo Bianchi, monge italiano fundador da Comunidade de Bose, sobre o Evangelho deste 26º Domingo do Tempo Comum, 27 de setembro de 2020 (Mateus 21,28-32). A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

Eis o texto.

No templo de Jerusalém, Jesus está rodeado pelos sumos sacerdotes e pelos anciãos do povo, que detestam esse rabi e profeta proveniente da Galileia, que narra um rosto de Deus tão estranho às suas categorias. Por isso, põem-no à prova, perguntando-lhe com que autoridade ele ensina e opera curas.

Jesus, em resposta, pergunta-lhes se o batismo de João vinha do céu ou dos homens. E, diante do silêncio constrangedor deles, conclui: “Pois eu também não vos digo com que autoridade faço essas coisas” (Mt 21,27).

Nesse ponto, ele profere a primeira de três parábolas centradas na rejeição oposta pelos líderes religiosos de Israel àqueles que Deus enviou para anunciar a sua salvação.

Um homem tem dois filhos: pede ao primeiro que vá trabalhar na vinha, e ele, após ter consentido em palavras, não faz o que disse. O outro responde negativamente, mas depois, arrependendo-se, vai ao trabalho. Foi o segundo que fez a vontade do pai, admitem os interlocutores de Jesus. E ele comenta: “Os publicanos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus. Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os publicanos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele”.

Com essas palavras, Jesus coloca a própria missão em estreita relação com a de João, seu mestre e precursor: rejeitar um é também rejeitar o outro (cf. Mt 11,16-19). Ele também revela que a salvação só pode ser acolhida por quem está disponível a retornar para Deus, arrependendo-se do mal feito e abandonando os próprios caminhos de pecado.

Nesse sentido, vale a pena analisar mais profundamente o sentido do ditado paradoxal: “Os publicanos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus” dirigido por Jesus aos homens religiosos do seu tempo e, com eles, a cada um de nós.

Jesus sabia muito bem que todas as pessoas são pecadoras, se é verdade que o justo peca sete vezes por dia (cf. Pv 24,16): mas qual é o motivo da sua preferência pela companhia dos pecadores públicos, reconhecidos como tais pelos homens e mulheres? Quem peca às escondidas nunca é incitado à conversão por uma repreensão que lhe venha de outros, porque continua sendo estimado por aquilo que aparece exteriormente da sua pessoa: essa é a doença da maioria das pessoas, entre as quais se destacam as devotas, que desprezam os outros por considerá-los imersos no pecado, enquanto agradecem a Deus pela sua pretensa justiça (cf. Lc 18,9-14).

Em vez disso, quem é um pecador público se encontra constantemente exposto à crítica alheia e, desse modo, é induzido a um desejo de mudança: no arrependimento que nasce de um “coração despedaçado” (Sl 34,19), ele pode se tornar sensível à presença de Deus, aquele Deus que não quer a morte do pecador, mas antes que se converta e viva (cf. Ez 18,23).

É precisamente por força dessa consciência que Jesus amava se sentar à mesa com os pecadores manifestos, compartilhar com eles esse gesto de extrema comunhão. Seu comportamento revela o coração de Deus, mostra a atitude de Deus para com o pecador, e, por isso, ele é contestado pelos homens religiosos, que primeiro tentam escandalizar os seus discípulos: “Por que vosso mestre come com os publicanos e pecadores?” (Mt 9,11), depois o acusam diretamente: “É um comilão e beberrão, amigo de publicanos e de pecadores” (Mt 11,19).

Mas a amizade de Jesus com as pessoas menos estimadas dentro da sociedade, a sua cordial simpatia pelas prostitutas e pecadores ignora o desprezo daqueles que se sentem melhores do que os pecadores manifestos, simplesmente porque não querem ou não sabem se reconhecer pecadores como eles...

Sim, o verdadeiro milagre – maior do que ressuscitar os mortos, dizia Isaac, o Sírio – consiste em se reconhecer pecador: somos nós os publicanos, somos nós as prostitutas! É realmente um esforço vão esconder dos outros o próprio pecado: bastaria reconhecê-lo conscientemente, para descobrir que Deus já está lá e nos pede apenas que aceitemos que ele o cubra com a sua inesgotável misericórdia. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

Crise no Vaticano: crescem as dúvidas sobre o governo da Igreja e o sofrimento dos católicos

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Publicado em 25 setembro 2020
  • Papa Francisco,
  • cardeal Angelo Becciu,
  • prefeito da Congregação para as Causas dos Santos,
  • presidente da Fábrica de São Pedro
  • George Gaenswein,

Nessa quinta-feira, 24, Angelo Becciu, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, segundo um comunicado da Santa Sé, ouviu do Papa Francisco o seguinte: aceito “a renúncia ao cargo de Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos e aos direitos ligados ao Cardinalato”. Ou seja, o ex-substituto da Secretaria de Estado, durante anos muito próximo do pontífice, não apenas não é mais prefeito, mas também não tem mais os direitos de um cardeal. O comentário é de Luis Badilla, publicado por Il Sismografo, 24-09-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A notícia é incrível, surpreendente e dolorosa. Esses fatos recentes, comunicados com a conhecida, habitual, pouca ou pobre transparência vaticana, causam um grande sofrimento no mundo dos católicos, do chamado “Santo Povo de Deus”.

É preciso dizer a verdade e não usar a discrição como pretexto para não esclarecer logo o que está acontecendo há algum tempo no Vaticano. É preciso lembrar, por exemplo, que há meses já houve dois “prefeitos” que mantêm o título, mas são pessoas sob sindicância, que não podem assinar nada e, em alguns momentos, sequer entrar no próprio escritório.

Trata-se do prefeito da Prefeitura da Casa Papal, George Gaenswein, e o cardeal Angelo Comastri, arcipreste da Basílica Papal de São Pedro, presidente da Fábrica de São Pedro e vigário geral de Sua Santidade para a Cidade do Vaticano e para as Vilas Pontifícias de Castelgandolfo.

Rumores asseguram que o papa teria bloqueado a questão da “corrupção” nos contratos da Fábrica, que ele mesmo denunciou publicamente, e teria, depois, pedido desculpas ao cardeal Comastri.

Agora, a essas situações delicadas, soma-se o caso de Angelo Becciu. O cardeal prefeito vai embora do dicastério e perde os direitos do cardinalato. Não é mais cardeal eleitor, mas permanece como purpurado. Nunca antes se havia visto tal situação. O cardeal britânico da Escócia, Keith Michael Patrick O’Brien, perdeu os direitos cardinalícios devido aos escândalos sexuais aos quais foi associado com acusações graves, mas continuou cardeal (20 de março de 2015).

A pergunta que os católicos fazem nestas horas é uma só: o que está acontecendo na cúpula vaticana e no pontificado do Papa Francisco? Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

Sexta-feira, 25 de setembro-2019. 25ª Domingo do Tempo Comum. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 25 setembro 2020
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1) Oração

Ó Pai, que resumistes toda lei no amor a Deus e ao próximo, fazei que, observando o vosso mandamento, consigamos chegar um dia à vida eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho  (Lucas 9,18-22)  

18Num dia em que ele estava a orar a sós com os discípulos, perguntou-lhes: Quem dizem que eu sou? 19Responderam-lhe: Uns dizem que és João Batista; outros, Elias; outros pensam que ressuscitou algum dos antigos profetas.20Perguntou-lhes, então: E vós, quem dizeis que eu sou? Pedro respondeu: O Cristo de Deus.21Ordenou-lhes energicamente que não o dissessem a ninguém.22Ele acrescentou: É necessário que o Filho do Homem padeça muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas. É necessário que seja levado à morte e que ressuscite ao terceiro dia.

 

3) Reflexão   Lucas 9,18-22 

O evangelho de hoje retoma o mesmo assunto do evangelho de ontem: a opinião do povo sobre Jesus. Ontem, era a partir de Herodes. Hoje, é o próprio Jesus que faz um levantamento da opinião púbica e os apóstolos respondem dando a mesma opinião de ontem. Em seguida, vem o primeiro anúncio da paixão, morte e ressurreição de Jesus.

Lucas 9,18: A pergunta de Jesus depois da oração.

“Certo dia, Jesus estava rezando num lugar retirado, e os discípulos estavam com ele. Então Jesus perguntou: Quem dizem as multidões que eu sou?". No evangelho de Lucas, em várias oportunidades importantes e decisivas Jesus aparece rezando: no batismo quando assume sua missão (Lc 3,21); nos 40 dias no deserto, quando vence as tentações do diabo com a luz da Palavra de Deus (Lc 4,1-13); na noite antes de escolher os doze apóstolos (Lc 6,12); na transfiguração, quando com Moisés e Elias conversa sobre a paixão em Jerusalém (Lc 9,29); no horto, quando enfrenta a agonia (Lc 22,39-46); na cruz, quando pede perdão pelo soldado (Lc 23,34) e entrega o espírito a Deus (Lc 23,46).

Lucas 9,19: A opinião do povo sobre Jesus

“Eles responderam: "Alguns dizem que tu és João Batista; outros, que és Elias; mas outros acham que tu és algum dos antigos profetas que ressuscitou."   Como Herodes, muitos achavam que João Batista tivesse ressuscitado em Jesus. Era crença comum que o profeta Elias devia voltar (Mt 17,10-13; Mc 9,11-12; Ml 3,23-24; Eclo 48,10). E todos alimentavam a esperança da vinda do profeta prometido por Moisés (Dt 18,15). Resposta insuficientes.

Lucas 9,20: A pergunta de Jesus aos discípulos.

Depois de ouvir as opiniões dos outros, Jesus perguntou: “E vocês, quem dizem que eu sou?”. Pedro respondeu: “O Messias de Deus!”  Pedro reconhece que Jesus é aquele que o povo está esperando e que vem realizar as promessas. Lucas omite a reação de Pedro tentando dissuadir Jesus de seguir pelo caminho da cruz e omite também a dura crítica de Jesus a Pedro (Mc 8,32-33; Mt 16,22-23).

Lucas 9,21: A proibição de revelar que Jesus é o Messias de Deus

“Então Jesus proibiu severamente que eles contassem isso a alguém”. Eles estão proibidos de revelar ao povo que Jesus é o Messias de Deus. Por que Jesus proibiu? É que naquele tempo, como já vimos, todos esperavam a vinda do Messias, mas cada um do seu jeito: uns como rei, outros como sacerdote, outros como doutor, guerreiro, juiz, ou profeta! Ninguém parecia estar esperando o messias servidor, anunciado por Isaías (Is 42,1-9). Quem insiste em manter a idéia de Pedro, isto é, do Messias glorioso sem a cruz, nada vai entender e nunca chegará a tomar a atitude do verdadeiro discípulo. Continuará cego, como Pedro, trocando gente por árvore (cf. Mc 8,24). Pois sem a cruz é impossível entender quem é Jesus e o que significa seguir Jesus. Por isso, Jesus insiste novamente na Cruz e faz o segundo anúncio da sua paixão, morte e ressurreição.

Lucas 9,22: O segundo anúncio da paixão

E Jesus acrescentou: "O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto, e ressuscitar no terceiro dia". A compreensão plena do seguimento de Jesus não se obtém pela instrução teórica, mas sim pelo compromisso prático, caminhando com ele no caminho do serviço, desde a Galileia até Jerusalém. O Caminho do seguimento é o caminho da entrega, do abandono, do serviço, da disponibilidade, da aceitação do conflito, sabendo que haverá ressurreição. A cruz não é um acidente de percurso, mas faz parte deste caminho. Pois num mundo, organizado a partir do egoísmo, o amor e o serviço só podem existir crucificados! Quem faz da sua vida um serviço aos outros, incomoda os que vivem agarrados aos privilégios, e sofre. 

 

4) Para um confronto pessoal

1- Acreditamos todos em Jesus. Mas um entende Jesus de um jeito, outro o entende de outro jeito. Qual é, hoje, o Jesus mais comum no modo de pensar do povo?

2-Como a propaganda interfere no meu modo de ver Jesus? O que faço para não cair na arapuca da propaganda? O que, hoje, nos impede de reconhecer e de assumir o projeto de Jesus?

 

5) Oração final

Bendito seja o Senhor, meu rochedo, meu benfeitor e meu refúgio, minha cidadela e meu libertador, meu escudo e meu asilo (Sl 144, 1-2)

Quinta-feira, 24 de setembro-2019. 25ª Semana do Tempo Comum. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 24 setembro 2020
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1) Oração

Ó Pai, que resumistes toda lei no amor a Deus e ao próximo, fazei que, observando o vosso mandamento, consigamos chegar um dia à vida eterna.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Lucas 9,7-9) (Mc 6,14-16)

7O tetrarca Herodes ouviu falar de tudo o que Jesus fazia e ficou perplexo. Uns diziam: É João que ressurgiu dos mortos; outros: É Elias que apareceu; 8e ainda outros: É um dos antigos profetas que ressuscitou. 9Mas Herodes dizia: Eu degolei João. Quem é, pois, este, de quem ouço tais coisas? E procurava ocasião de vê-lo.

 

3) Reflexão

O evangelho de hoje traz a reação de Herodes diante da pregação de Jesus. Herodes não sabe situar Jesus. Ele já tinha matado João Batista e agora quer ver Jesus de perto. Ameaças aparecem no Horizonte.

Lucas 9,7-8: Quem é Jesus?

O texto começa com um balanço das opiniões do povo e de Herodes sobre Jesus. Alguns associavam Jesus com João Batista e Elias. Outro o identificavam como um Profeta, isto é, como alguém que fala em nome de Deus, que tem a coragem de denunciar as injustiças dos poderosos e que sabe animar a esperança dos pequenos. É o profeta anunciado no Antigo Testamento como um novo Moisés (Dt 18,15). São as mesmas opiniões que o próprio Jesus vai colher dos discípulos quando perguntou: "Quem dizem as multidões que eu sou?" (Lc 9,18). As pessoas procuravam compreender Jesus a partir das coisas que elas mesmas conheciam, acreditavam e esperavam. Tentavam enquadrá-lo dentro dos critérios familiares do Antigo Testamento com suas profecias e esperanças, e da Tradição dos Antigos com suas leis. Mas eram critérios insuficientes. Jesus não cabia lá dentro. Ele era maior!

Lucas 9,9: Herodes quer ver Jesus

“Então Herodes disse: "Eu mandei degolar João. Quem é esse homem, sobre quem ouço falar essas coisas?" E queria ver Jesus”. Herodes, homem supersticioso e sem escrúpulo, reconhece ser ele o assassino de João Batista. Agora ele quer ver Jesus. Lucas sugere assim que ameaças começam a aparecer no horizonte da pregação de Jesus. Herodes não teve medo de matar João. Também não terá medo de matar Jesus. Por outro lado, Jesus, também não tem medo de Herodes. Quando lhe disseram que Herodes procurava prendê-lo, mandou dizer: “Vão dizer a essa raposa: eu expulso demônios, e faço curas hoje e amanhã; e no terceiro dia terminarei o meu trabalho” (Lc 13,32). Herodes não tem poder sobre Jesus. Quando na hora da paixão, Pilatos manda Jesus para ser investigado por Herodes, Jesus lhe dá nenhuma resposta (Lc 23,9). Herodes não merecia resposta.

De pai para filho

Às vezes se confundem os três Herodes que viveram naquela época, pois os três aparecem no Novo Testamento com o mesmo nome: 1) Herodes, chamado o Grande, governou sobre toda a Palestina de 37 a 4 antes de Cristo. Ele aparece no nascimento de Jesus(Mt 2,1). Matou as crianças de Belém(Mt 2,16). 2) Herodes, chamado Antipas, governou sobre a Galiléia de 4 antes a 39 depois de Cristo. Ele aparece na morte de Jesus(Lc 23,7). Matou João Batista(Mc 6,14-29). 3) Herodes, chamado Agripa, governou sobre toda a Palestina de 41 a 44 depois de Cristo. Aparece nos Atos dos Apóstolos(At 12,1.20). Matou o apóstolo Tiago(At 12,2).

Quando Jesus tinha mais ou menos quatro anos, morreu o rei Herodes. Aquele que matou as crianças de Belém (Mt 2,16). O território dele foi dividido entre os filhos. Arquelau, um dos seus filhos, recebeu o governo sobre a Judéia. Ele era menos inteligente que o pai, mas mais violento . Só na tomada de posse dele, foram massacradas em torno de 3000 pessoas na praça do Templo! O evangelho de Mateus informa que Maria e José, quando souberam que este Arquelau tinha assumido o governo da Judéia, tiveram medo de voltar para lá e foram morar em Nazaré, na Galiléia (Mt 2,22), governada por um outro filho de Herodes, chamado Herodes Antipas (Lc 3,1). Este Antipas ficou mais de 40 anos. Durante todos os trinta e três anos que Jesus viveu nunca houve mudança de governo na Galiléia.

Herodes o Grande, o pai de Herodes Antipas, tinha construído a cidade de Cesaréia Marítima, inaugurada em no ano 15 antes de Cristo. Era o novo porto de escoamento dos produtos da região. Devia competir com o grande porto de Tiro no Norte e, assim, ajudar a desenvolver o comércio na Samaria e na Galiléia. Por isso, já desde os tempos de Herodes o Grande, a produção agrícola na Galiléia começava a orientar-se não mais a partir das necessidades das famílias como era antes, mas sim a partir das exigências do mercado. Este processo de mudança na economia continuou durante todo o governo de Herodes Antipas, mais de quarenta anos, e encontrou nele um organizador eficiente. Todos estes governantes eram subservientes. Quem mandava mesmo na Palestina, desde 63 antes de Cristo, era Roma, o Império.

 

4) Para um confronto pessoal

1) É perguntar sempre: quem é Jesus para mim?  

2) Herodes quer ver Jesus. Era curiosidade mórbida e supersticiosa. Outros querem ver Jesus porque querem encontrar um sentido para a vida. E eu qual a motivação que me empurra para ver e encontrar Jesus?

5) Oração final

Cumulai-vos desde a manhã com as vossas misericórdias, para exultarmos alegres em toda a nossa vida. Que o beneplácito do Senhor, nosso Deus, repouse sobre nós. Favorecei as obras de nossas mãos. Sim, fazei prosperar o trabalho de nossas mãos (Sl 89, 14.17)

Terça-feira, 22 de setembro-2019. 25ª Domingo do Tempo Comum. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 22 setembro 2020
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  • Lectio Divina do Evangelho do dia com Frei Carlo Mesters,

1) Oração

Ó Pai, que resumistes toda lei no amor a Deus e ao próximo, fazei que, observando o vosso mandamento, consigamos chegar um dia à vida eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Lucas 8,19-21)

Naquele tempo, 19A mãe e os irmãos de Jesus foram procurá-lo, mas não podiam chegar-se a ele por causa da multidão. 20Foi-lhe avisado: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e desejam ver-te. 21Ele lhes disse: Minha mãe e meus irmãos são estes, que ouvem a palavra de Deus e a observam.

 

3) Reflexão  Lucas 8,19-21 (Mc 3,31-35)

O evangelho de hoje traz o episódio em que os parentes de Jesus, inclusive sua mãe, quiseram conversar com ele, mas Jesus não lhes deu atenção. Jesus teve problemas com a família. Às vezes, a família ajuda a viver o evangelho e a participar da comunidade. Outras vezes, ela atrapalha. Assim foi com Jesus e assim é conosco.

Lucas 8,19-20: A família procura Jesus

Os parentes chegam na casa onde Jesus estava. Provavelmente tinham vindo de Nazaré. De lá até Cafarnaum são uns 40 quilômetros. Sua mãe veio junto. Eles não entram, pois havia muita gente, mas mandam recado: "Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem te ver".  Conforme o evangelho de Marcos, os parentes não querem ver Jesus. Eles querem é levá-lo de volta para casa (Mc 3,32). Achavam que Jesus tinha enlouquecido (Mc 3,21). Provavelmente, estavam com medo, pois conforme a história informa, havia uma vigilância muito grande da parte dos romanos com relação a todos que, de uma ou de outra maneira, tinha liderança popular (cf. At 5,36-39). Em Nazaré na serra seria mais seguro do que na cidade de Cafarnaum.

Lucas 8,21: A resposta de Jesus

A reação de Jesus é firme: "Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus, e a põem em prática." Em Marcos a reação de Jesus é mais concreta. Marcos diz: “Então Jesus olhou para as pessoas que estavam sentadas ao seu redor e disse: Aqui estão minha mãe e meus irmãos. Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe" (Mc 3,34-35). Jesus alargou a família! Ele não permite que a família o afaste da missão: nem a família (Jo 7,3-6), nem Pedro (Mc 8,33), nem os discípulos (Mc 1,36-38), nem Herodes (Lc 13,32), nem ninguém (Jo 10,18).

É a palavra de Deus que cria a nova família ao redor de Jesus: "Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus, e a põem em prática.". Um bom comentário deste episódio é o que diz o evangelho de João no prólogo: “A Palavra estava no mundo, o mundo foi feito por meio dela, mas o mundo não a conheceu. Ela veio para a sua casa, mas os seus não a receberam. Ela, porém, deu o poder de se tornarem filhos de Deus a todos aqueles que a receberam, isto é, àqueles que acreditam no seu nome. Estes não nasceram do sangue, nem do impulso da carne, nem do desejo do homem, mas nasceram de Deus. E a Palavra se fez homem e habitou entre nós. E nós contemplamos a sua glória: glória do Filho único do Pai, cheio de amor e fidelidade” (João 1,10-14). A família, os parentes, não entenderam Jesus (Jo 7,3-5; Mc 3,21), não fazem parte da nova família. Só fazem parte da nova comunidade aqueles e aquelas que recebem a Palavra, isto é, que acreditam em Jesus. Estes nascem de Deus e formam a Família de Deus.

A situação da família no tempo de Jesus.

No tempo de Jesus, tanto a conjuntura política, social e econômica como a ideologia religiosa, tudo conspirava para o enfraquecimento dos valores centrais do clã, da comunidade. A preocupação com os problemas da própria família impedia as pessoas de se unirem em comunidade. Ora, para que o Reino de Deus pudesse manifestar-se, novamente, na convivência comunitária do povo, as pessoas tinham de ultrapassar os limites estreitos da pequena família e abrir-se para a grande família, para a Comunidade. Jesus deu o exemplo. Quando sua própria família tentou apoderar-se dele, reagiu e alargou a família (Mc 3,33-35). Criou comunidade.

Os irmãos e as irmãs de Jesus

A expressão “irmãos e irmãs de Jesus” é causa de muita polêmica entre católicos e protestantes. Baseando-se neste e em outros textos, os protestantes dizem que Jesus teve mais irmãos e irmãs e que Maria teve mais filhos! Os católicos dizem que Maria não teve outros filhos. O que pensar disso?  Em primeiro lugar, as duas posições, tanto dos católicos como dos protestantes, ambas têm argumentos tirados da Bíblia e da Tradição das suas respectivas Igrejas. Por isso, não convém brigar nem discutir esta questão com argumentos só de cabeça. Pois trata-se de convicções profundas, que têm a ver com a fé e com o sentimento de ambos. Argumento só de cabeça não consegue desfazer uma convicção do coração! Apenas irrita e afasta! Mesmo quando não concordo com a opinião do outro, devo sempre respeitá-la. Em segundo lugar, em vez de brigar em torno de textos, nós todos, católicos e protestantes, deveríamos unir-nos bem mais para lutar em defesa da vida, criada por Deus, vida tão desfigurada pela pobreza, pela injustiça, pela falta de fé. Deveríamos lembrar algumas outras frases de Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância”(Jo 10,10). “Que todos sejam um, para que o mundo creia que Tu, Pai, me enviaste”(Jo 17,21). “Não o impeçam! Quem não é contra nós é a favor”(Mc 10,39.40). 

 

4) Para um confronto pessoal

  1. A família ajuda ou dificulta a sua participação na comunidade cristã?
  2. Como você assume o seu compromisso na comunidade cristã sem prejudicar nem a família e nem a comunidade?

 

5) Oração final

Escolhi o caminho da verdade, impus-me os vossos decretos. Ensinai-me a observar a vossa lei e a guardá-la de todo o coração. (Sl 118, 30.34)

Bandidos invadem basílica e furtam dinheiro da missa no Rio de Janeiro

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Publicado em 21 setembro 2020
  • Bandidos invadem basílica e furtam dinheiro da missa no Rio de Janeiro
  • Roubo de Igrejas
  • Igrejas roubadas
  • Basílica de Nossa Senhora de Lourdes do Rio de Janeiro

Caso aconteceu no bairro de Vila Isabel, na Zona Norte da cidade. Eles quebraram o vitral da basílica e arrombaram o cofre dos donativos

 

Bandidos invadiram a Basílica de Nossa Senhora de Lourdes e roubaram uma grande quantia em dinheiro na madrugada deste domingo (20) no Rio de Janeiro. De acordo com as informações da própria igreja, o dinheiro iria servir para a realização da Missa das Almas.

Trata-se portanto de dinheiro dos donativos que a igreja recebe. Esse dinheiro estava em um cofre. De acordo com as informações, os bandidos quebraram o vitral de Santa Terezinha, entraram, arrombaram o cofre e levaram todo o dinheiro.

Essa basílica fica no Boulevard 28 de setembro, no bairro de Vila Isabel, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O próprio pároco da igreja, Walter Mário, confirmou a ocorrência do caso neste domingo (20) em seu facebook oficial.

“Vamos rezar pela convenção desses bandidos”, disse o pároco. Nos comentários do post, no entanto, muita gente não parecia demonstrar muita vontade de ter compaixão. Não faltaram palavrões para descrever o ato dos bandidos.

Mas o fato é que não se sabe se foram bandidos ou se foi uma pessoa só. Na verdade, a própria igreja ainda não divulgou a quantia exata que esses bandidos levaram. Em nota, a Polícia Militar do Rio de Janeiro disse que está investigando o caso.

 

Basílica do Rio de Janeiro

Essa basílica em questão é uma das mais antigas da região. Ela foi construída em 1949. Desde 1990 ela é tombada pelo Instituto Estadual de Patrimônio Cultural (INEPAC). Como tratou-se de um ato de roubo com vandalismo, a pena para os bandidos pode aumentar.

Nos últimos dois anos ao menos 10 templos religiosos do Rio de Janeiro presenciaram assaltos, roubos e furtos. A maioria desses crimes não chega a passar por uma resolução. Não se sabe, no entanto, se todos os casos possam ter alguma relação entre si. Fonte: https://brasil123.com.br

Bispos pedem proteção do Pantanal: há um grito que não quer e não pode se calar

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Publicado em 21 setembro 2020
  • Diocese de Corumbá,
  • Queimados,
  • Queimadas no Brasil
  • focos de queimadas na Amazônia
  • Bispos pedem proteção do Pantanal
  • Queimadas na na Amazônia
  • Corumbá
  • Rondonópolis/Guiratinga
  • São Luiz de Cáceres

"É preciso conter e apagar o fogo que vai avançando com poder destruidor, e assim salvar o Pantanal", escrevem os bispos dos Regionais Oeste 1 e Oeste 2 da CNBB.

 

Vatican News

Através de uma carta aberta, os Regionais Oeste 1 e Oeste 2 da CNBB registram profunda preocupação com as queimadas no Pantanal.

“Manifestamos nossa solidariedade e compromisso com todos que estão sensibilizados e envolvidos com a causa ambiental: militares, bombeiros, brigadistas, servidores e voluntários, bem como os irmãos e irmãs ribeirinhos, pantaneiros e indígenas, que dependem diretamente deste bioma para sua sobrevivência”.

Na região, há cinco dioceses pantaneiras: Corumbá/MS, Jardim/MS, Coxim/MS, São Luiz de Cáceres/MT e Rondonópolis/Guiratinga/MT.

 

Pedido de socorro

Os bispos lamentam o “desmonte das instâncias de fiscalização e punição” e denunciam “as providências insuficientes e tardias que favorecem este incêndio sem controle e que está queimando tudo e matando a Vida”.

“Há um pedido de socorro, um grito que não quer e não pode se calar, dos humanos sensíveis e conscientes, das comunidades tradicionais, das populações indígenas, da terra, dos animais, das aves, das águas, das plantas, da vegetação nativa, de árvores centenárias. E um clamor para que os povos tradicionais sejam valorizados e apoiados, a fim de continuarem sendo agentes de proteção e cuidado da natureza.”

Os prelados se dirigem às autoridades para reivindicar empenho e mobilização “com a máxima urgência” e que seja feita uma investigação séria, responsabilizando e punindo os possíveis culpados com a reparação justa e necessária pelos danos causados.

“As ações emergenciais são necessárias, mas não bastam; é preciso desenvolver e aplicar políticas públicas sérias de prevenção e de proteção a curto, médio e longo prazo.”

 

É preciso salvar o Pantanal

Os bispos concluem reiterando o comprometimento da Igreja, que “se une num forte grito pela defesa, promoção e cuidado com a Vida, em todas as suas formas e expressões”.

“É preciso conter e apagar o fogo que vai avançando com poder destruidor, e assim salvar o Pantanal.”

A carta se encerra com uma citação do Papa Francisco: ”Hoje, a voz da criação incita-nos, alarmada, a regressar ao lugar certo na ordem natural, lembrando-nos que somos parte, não patrões da rede interligada da vida”. Fonte: https://www.vaticannews.va

ANGRA DOS REIS/AO VIVO: Santa Missa do 25º Domingo do Tempo Comum

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Publicado em 20 setembro 2020
  • Ordem do Carmo,
  • Angra dos Reis,
  • 25º DOMINGO DO TEMPO COMUM,
  • Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Angra dos Reis,
  • Homilia do 25º Domingo do Tempo Comum

O Frei Petrônio de Miranda, O. Carm- Direto da Igreja Conventual dos Carmelitas-de Angra dos Reis/RJ, celebra a Santa Missa do 25º Domingo do Tempo Comum. Angra, 20 de setembro-2020.

O Silêncio Bíblico: No mês da Bíblia...

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Publicado em 19 setembro 2020
  • A Palavra do Frei Petrônio,
  • Província Carmelitana de Santo Elias,
  • Alto do Rio das Pedras,
  • Eremitério Fonte de Elias,
  • Lídice distrito do Rio Claro
  • SILÊNCIO BÍBLICO

O SILÊNCIO BÍBLICO... "No muito falar, muito a pecar". Pense nisso e feche esta matraca! Eremitério Fonte de Elias, Alto do Rio das Pedras em Lídice, distrito do Rio Claro/RJ. Sábado, 9 de setembro-2020. 

Sem saber que estava ao vivo, pastor agride mulher em live

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Publicado em 19 setembro 2020
  • Live,
  • Pastor xinga mulher sem saber que estava ao vivo em live

No vídeo é possível ouvir o barulho de um tapa em algo e xingamentos do pastor a uma mulher - que seria sua esposa - que o auxiliava na transmissão

 

Pastor xinga mulher sem saber que estava ao vivo em live (Foto: Reprodução)

Um vídeo com o trecho de uma transmissão ao vivo de um pastor vem causando revolta nas redes sociais. Sem saber que já estava ao vivo, ele se levanta, dá um tapa em algo e xinga a mulher que o está auxiliando.

Segundo publicações especializadas em notícias gospéis, o homem que aparece no vídeo é o pastor Edson Araújo, da igreja Deus é Amor, de São Paulo. Já a mulher seria a esposa dele, identificada como Debora.

Ela já havia iniciado a transmissão quando ele, incomodado com o ângulo da câmera, se levanta. É possível ouvir o barulho de um tapa e ver que a câmera balança. Não fica claro se o tapa foi nela ou em um objeto. No entanto, a agressão verbal é nítida.

"Que saco, merda. Arruma as coisas direito, imbecil. Arruma o negócio direito", esbraveja ele. Em seguida o pastor volta a sentar e inicia a live. “Aceitem a paz do senhor", diz.

O vídeo no site O Fuxico Gospel conta com cerca de 15 mil visualizações. Nas redes sociais, no entanto, vem sendo publicado em vários perfis no Instagram e no Facebook. No perfil Calvinista, são quase 40 mil visualizações.

Marie Claire não localizou o pastor para que comentasse o ocorrido. Fonte: https://revistamarieclaire.globo.com

Argentina. Francisco pede perdão à mãe da vice-prefeita de Villa Mercedes pela ofensa de um sacerdote

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Publicado em 19 setembro 2020
  • Papa Francisco,
  • Francisco pede perdão à mãe da vice-prefeita de Villa Mercedes
  • Verónica Bailone,
  • San Luis
  • Villa Mercedes
  • Papa Francisco telefonou,

O Papa Francisco telefonou, neste final semana, para a mãe da vice-intendente de Villa Mercedes, San Luis [Argentina], Verónica Bailone, que faleceu recentemente vítima de um câncer, para se desculpar após um sacerdote da província proferir uma ofensa contra a falecida porque era a favor do descriminalização do aborto. A reportagem é publicada por Clarín, 13-09-2020. A tradução é do Cepat.

“Era a favor do aborto e Deus lhe concebeu essa graça, abortou a sua vida”, foi o que o pároco desse local, Juan María Casamayor, postou no Facebook, após a morte da jovem, o que gerou uma imediata onda de repúdios, entre eles o do próprio bispo de San Luis, Gabriel Barba, que determinou que o padre retirasse a mensagem.

Finalmente, a mãe de Verónica recebeu no sábado o telefonema do Papa no qual, segundo ela mesma revelou através das redes sociais, Francisco disse que rezavam “por sua filha Vero Bailone e por vocês” e pediu “desculpas pela ofensa à sua memória”.

“Hoje (no sábado), recebi o telefonema do Papa Francisco, ainda estou emocionada”, contou a mulher e acrescentou que “foi como um bálsamo para a alma, diante de tanta dor”. Após a morte de Bailone, ocorrida na quarta-feira, 2 de setembro, decretou-se 10 dias de luto em Villa Mercedes e três em nível provincial, em todo San Luis.

“Tenho muita dor, o mesmo que toda a comunidade de Villa Mercedes e da província de San Luis, já que a companheira, mesmo com sua grave doença avançando, nunca deixou de militar e de trabalhar”, disse à agência Télam o intendente de Villa Mercedes, Maximiliano Frontera, após ficar sabendo da morte da vice-intendente, que tinha 37 anos.

Bailone, que era casada e tinha um filho, foi eleita para o cargo nas eleições comunais do ano passado.

Advogada e escrivã, formada pela Universidade Católica de Cuyo, especializou em Direito empresarial, Penal e Criminologia e em Intervenções Sociais com Meninos, Meninas, Adolescentes e Jovens.

Ocupou diversos cargos de assessoria em sua área no Executivo Provincial, assim como também no Senado da Nação.

Era filha de quem foi campeão argentino e sul-americano de boxe na categoria meio-pesado, nos anos 1970, Abel Celestino Bailone. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

'Eu fico com a escolta, e o morador de rua com a tortura? Não posso aceitar', diz padre Julio Lancellotti

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Publicado em 18 setembro 2020
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  • Cardeal Odilo Pedro Scherer,
  • Cracolândia em São Paulo,
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  • igreja Coração Eucarístico de Jesus e Santa Marina,
  • espaço de convivência São Martinho de Lima
  • população em São Paulo
  • Comissão de Direitos Humanos da OEA
  • Odilo Pedro Scherer

À frente de trabalhos com sem-teto e frequentadores da cracolândia há décadas em São Paulo, padre sofre ameaças após fala de deputado

 

Padre Julio Lancellotti, da pastoral do Povo de Rua, vem recebendo ameaças - Marlene Bargamo/Folhapress

 

Emilio Sant'Anna

SÃO PAULO

Padre Julio Lancellotti para em frente à igreja Coração Eucarístico de Jesus e Santa Marina, na Vila Carrão, zona leste de São Paulo. Antes de descer do carro, diz e tenta segurar o choro: “É a protetora dos perseguidos”.

Tem sido uma semana difícil. Na terça-feira (15), ele registrou um boletim de ocorrência por ameaça após ser xingado por um motoqueiro.

Não só isso. O candidato prefeito de São Paulo pelo Patriotas, deputado Arthur do Val, vem gravando uma série de vídeos em que culpa o padre pela situação da cracolândia. Em um deles, um ex-comandante da GCM e candidato a vereador também faz coro.
A Secretaria de Segurança Pública diz que o caso foi registrado como injúria e ameaça. E o Ministério Público afirma que uma notícia de fato foi instaurada e os dois candidatos terão que prestar informações.

Por que o sr. vem sendo alvo de ameaças e de quem é a responsabilidade?  É uma boa pergunta para fazer para quem me ataca. Por que me atacam? Tenho suposições. É difícil saber exatamente, não sei por quê. Acredito que é porque eu falo aquilo que eu faço e falo o que vivo. Se eu falasse uma coisa e vivesse outra, se defendesse os moradores de rua e estivesse em um apartamento em Guarujá, as pessoas poderiam dizer “esse padre é folgado”. Mas eu não tenho apartamento na praia, estou aqui na paróquia, durante toda a pandemia nós atendemos e convivemos com a população de rua, mantivemos contato com eles, socorrendo quem estava doente, medindo temperatura, arrumando roupas, alimentos, água potável.

 

O que ocorreu nesta semana?  

Eu havia celebrado a missa de manhã, levamos as coisas para o espaço de convivência São Martinho de Lima [no Belenzinho] e vieram me chamar porque havia um carro da polícia rondando. Quando estava na praça [Barão de Tietê] conversando com eles, esse motociclista passou não em grande velocidade e falou: “Ô seu padre filho da puta defensor de ‘nóia’”. Ele então continuou fazendo ameaças. Falei pra ele “venha aqui, vamos conversar”. Quando ele virou à direita na rua Sapucaia encontrou com os catadores, eu convivo com todos eles, e falou “vou meter fogo em vocês”.
Aí vem a pergunta: isso tem relação com o deputado [Artur do Val (Patriotas), conhecido como Mamãe Falei]? Eu não posso afirmar isso. A única coisa que posso afirmar é que exatamente o que o motociclista disse para mim “defensor de nóia” é a mesma coisa que esse deputado está falando toda hora. A minha preocupação não é que o deputado vá fazer algo contra mim, mas há uma incitação à violência.

Ontem à tarde, esteve aqui na igreja um grupo da torcida do Corinthians, da Gaviões, e outros grupos independentes. E olha que eles são todos fortes e com um físico avantajado, todos com a camiseta do Corinthians, não é uma turma que qualquer um vá se meter. Aí passou um carro na esquina da igreja e o motorista gritou “Mamãe Falei”, querendo provocar. Isso é uma preocupação.

 

Por que o sr. acha que está incomodando?  

Não sei exatamente o que eles sentem, por isso os convidei a virem nos visitar e nos acompanhar durante o dia. Mas eu acredito que eles sentem que eu justifico a presença deles [moradores de rua]. Não conheço o deputado, o comandante Braga já participou de reunião comigo, e ele sabe a complexidade que é a cracolândia. Dizer que a cracolândia existe por causa do padre Julio é uma coisa muito simplista. A cracolândia não é o único problema da cidade. Pode ser que esteticamente seja um problema, mas o sistema viário é maior, o SUS, as UBS são problemas maiores. A prevenção do uso de drogas é um problema maior.
Aqui, na comunidade São Martinho, que é mantida em parceria com a prefeitura, antes da pandemia passavam pela primeira vez 4.000 pessoas por mês. Durante a pandemia, esse número passou para 8.000.

O eminentíssimo d. Claudio Hummes me ajudou muito quando fui agredido na Febem de Franco da Rocha. Dom Paulo Evaristo Arns me fez vigário episcopal do povo da rua. Dom Cláudio me manteve, assim como o eminentíssimo cardeal d. Odilo Pedro Scherer me mantém. Devo obediência ao cardeal, ao arcebispo de São Paulo, e se eu faço alguma coisa que não é correta ele vai me corrigir. Eu sou vigário episcopal do povo da rua, o que quer dizer que eu ajo em nome da Arquidiocese de São Paulo. A minha vivência com o povo da rua não é uma questão pessoal minha, faço em nome da arquidiocese, dentro do que acredito ser servir a essa população.

 

Depois desse episódio de agressão verbal em que o sr. se sentiu ameaçado, o governo do estado o procurou para discutir sua segurança? 

Ainda não. Com as ameaças que recebi algum tempo atrás na internet e que eram bem explícitas “morte ao padre Julio”, “matem padre Julio”, “acabem com esse homem”, ensejou uma ação que chegou à Comissão de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) que emitiu uma cautelar ao governo brasileiro para me proteger. Participei pelo Zoom de duas reuniões recentemente, na Jamaica e em Washington (EUA). Os dois casos do Brasil que foram levados foram o caso da viúva da Marielle [Mônica Benício] e o meu.



O que o Estado me ofereceu?

Uma escolta. Eu não aceitei. Por quê? Seria muito cômodo eu ficar com a escolta e o povo da rua continuar apanhando na rua. Recebi agora um vídeo de um policial agredindo moradores de rua. Então eu fico com a escolta e ele [morador de rua] com o cassetete? Eu fico com a escolta, e ele com a violência? Eu fico com a escolta, e ele com a tortura? Então não tem cabimento. Eu vou ficar com a escolta que representa a mesma força que os tortura, que os desrespeita. Eu não posso aceitar, não quero escolta.

Sabe qual é a minha segurança? Que o povo da rua não seja maltratado, que tenham onde dormir, que o rapa não tire as cobertas, as roupas, os remédios e os alimentos deles. Se isso não acontece, eu não vou ter o que reclamar, não vou ter em que intervir. A minha segurança é a segurança dos pobres, dos moradores de rua.

 

O sr. teme que essas ameaças se transformem em violência física que coloque sua vida em risco?  

Eu já sofri violência física. Para pouca gente eu contei isso o que vou te contar agora. Quatro pessoas que deveriam me matar já vieram falar comigo anos depois. Eles deveriam me matar e não conseguiram. Um deles falou que não conseguiu me acertar com um tiro porque tinha muita gente ao meu lado e algumas crianças.

Teve um caso de uma advogada que um dia ligou para mim e perguntou: “Onde você está?” Respondi que estava na Casa Vida. Ela me disse: “Não saia daí.” Então, ela foi até lá com um rapaz e falou: “Esse é o padre Julio”. Ele ficou me olhando assustado e disse: “Padre, eu fui escalado para te matar, mas fiquei com peso na consciência de ter que matar um padre”. Ele me contou o motivo e que iria me matar atropelado. Eu estava lutando com essa advogada para libertar uma pessoa que havia sido presa injustamente por um homicídio. Essa pessoa foi libertada e o assassino foi preso. Ele era ligado ao tráfico. Aí veio a ordem.

Falei que não tinha interferido. “Meu filho, a minha única prova é olhar nos meus olhos e acreditar em mim”, disse. “E vou fazer uma coisa, vou entrar no seu carro e você vai me levar para casa para acreditar em mim.” Ele me levou. Depois disso fiquei um bom tempo olhando para os dois lados para atravessar a rua.

 

Padre, o sr. perdoaria o deputado Artur do Val e o comandante Braga?  

Não tenho ódio deles e não vou semear o ódio. O que é o perdão? Eu não esqueço o que eles fizeram e não vou fazer igual. Não vou nunca dizer para eles que eles são cafetões da miséria. Isso seria uma ofensa e minha falta de perdão. O meu perdão é dizer ao deputado e ao comandante: vocês são meus irmãos. Venham me visitar, venham caminhar comigo junto dos irmãos de rua, ouçam o que tenho para falar. Vocês não precisam concordar, mas ouçam, me deem o direito de dizer o que penso, Combater o tráfico é uma coisa, combater as pessoas é outra.

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*Padre Julio Lancellotti, 71, Vigário episcopal do povo de rua e o responsável pela pastoral da Igreja Católica que trabalha com essa população em São Paulo. Pedagogo, ele é pároco da Igreja São Miguel Arcanjo, no bairro da Mooca, na zona leste. Sua atuação em defesa dos direitos humanos já lhe rendeu prêmios e ameaças de morte. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

 

 

 

 

 

 

Sexta-feira, 18 de setembro-2019. 24ª Domingo do Tempo Comum. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 18 setembro 2020
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  • Sexta-feira 18

1) Oração

Ó Deus, criador de todas as coisas, volvei para nós o vosso olhar e, para sentirmos em nós a ação do vosso amor, fazei que vos sirvamos de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Lucas 8,1-3)

1Depois disso, Jesus andava pelas cidades e aldeias anunciando a boa nova do Reino de Deus. 2Os Doze estavam com ele, como também algumas mulheres que tinham sido livradas de espíritos malignos e curadas de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; 3Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes; Susana e muitas outras, que o assistiram com as suas posses.

 

3) Reflexão

O evangelho de hoje dá continuidade ao episódio de ontem que falava da atitude surpreendente de Jesus para com as mulheres, quando defendeu uma moça, conhecida na cidade como pecadora, contra as críticas de um fariseu. Agora, no começo do capítulo 8, Lucas descreve como Jesus andava pelos povoados e cidades da Galileia e a novidade é que ele era acompanhado não só por discípulos mas também por discípulas.

Lucas 8,1: Os doze que seguem Jesus

Numa única frase Lucas descreve a situação: Jesus anda por toda a parte, pelos povoados e cidades da Galileia, anunciando a Boa Nova do Reino de Deus e os doze estão com ele. A expressão “seguir Jesus” (cf. Mc 1,18; 15,41) indica a condição do discípulo que segue o Mestre, vinte e quatro horas por dia, procurando imitar o seu exemplo e participar do seu destino.

Lucas 8,2-3: As mulheres seguem Jesus

O surpreendente é que, ao lado dos homens, há também mulheres “junto com Jesus”. Lucas coloca os discípulos e as discípulas em pé de igualdade, pois ambos seguem Jesus. Lucas também conservou os nomes de algumas destas discípulas:  Maria Madalena, nascida na cidade de Magdala. Ela tinha sido curada de sete demônios. Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes Antipas, que era governador da Galileia. Suzana e várias outras. Delas se afirma que “servem a Jesus com seus bens”. Jesus permitia que um grupo de mulheres o “seguisse” (Lc 8,2-3; 23,49; Mc 15,41). O evangelho de Marcos, falando das mulheres no momento da morte de Jesus, informa: “Aí estavam também algumas mulheres, olhando de longe. Entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o menor, e de Joset, e Salomé. Elas haviam seguido e servido a Jesus, desde quando ele estava na Galileia. Muitas outras mulheres estavam aí, pois tinham subido com Jesus a Jerusalém” (Mc 15,40-41). Marcos define a atitude delas com três palavras: seguir, servir, subir até Jerusalém. Os primeiros cristãos não chegaram a elaborar uma lista destas discípulas que seguiam Jesus como fizeram com os doze discípulos. Mas pelas páginas do evangelho de Lucas aparecem os nomes de sete discípulas: Maria Madalena, Joana, mulher de Cuza, Suzana (Lc 8,3), Marta e Maria (Lc 10,38), Maria, mãe de Tiago (Lc 24,10) e Ana, a profetisa (Lc 2,36), de oitenta e quatro anos de idade. O número oitenta e quatro é doze vezes sete. A idade perfeita! A tradição eclesiástica posterior não valorizou este dado do discipulado das mulheres com o mesmo peso com que valorizou o seguimento de Jesus por parte dos homens. É pena.

O Evangelho de Lucas sempre foi considerado o Evangelho das mulheres. De fato, Lucas é o que traz o maior número de episódios em que se destaca o relacionamento de Jesus com as mulheres. E a novidade não está só na presença delas ao redor de Jesus, mas também e sobretudo na atitude de Jesus em relação a elas. Jesus as toca ou se deixa tocar por elas sem medo de se contaminar (Lc 7,39; 8,44-45.54). Diferente dos mestres da época, Jesus aceita mulheres como seguidoras e discípulas (Lc 8,2-3; 10,39). A força libertadora de Deus, atuante em Jesus, faz a mulher se levantar e assumir sua dignidade (Lc 13,13). Jesus é sensível ao sofrimento da viúva e se solidariza com a sua dor (Lc 7,13). O trabalho da mulher preparando alimento é visto por Jesus como sinal do Reino (Lc 13,20-21). A viúva persistente que luta por seus direitos é colocada como modelo de oração (Lc 18,1-8), e a viúva pobre que partilha seus poucos bens com os outros como modelo de entrega e doação (Lc 21,1-4). Numa época em que o testemunho das mulheres não era aceito como válido, Jesus escolhe as mulheres como testemunhas da sua morte (Lc 23,49), sepultura (Lc 23,55-56) e ressurreição (Lc 24,1-11.22-24)

 

4) Para um confronto pessoal

1) Na sua comunidade, no seu país, na sua Igreja, como é a valorização da mulher?

2) Compare a atitude da nossa Igreja com a atitude de Jesus.

 

5) Oração final

Eu vos invoco, pois me atendereis, Senhor; inclinai vossos ouvidos para mim, escutai minha voz. Mostrai a vossa admirável misericórdia, vós que salvais dos adversários os que se acolhem à vossa direita. (Sl 16)

Quinta-feira, 17 de setembro-2019. 24º Domingo do Tempo Comum. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 17 setembro 2020
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1) Oração

Ó Deus, criador de todas as coisas, volvei para nós o vosso olhar e, para sentirmos em nós a ação do vosso amor, fazei que vos sirvamos de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Lucas 7,36-50)

36Um fariseu convidou Jesus a ir comer com ele. Jesus entrou na casa dele e pôs-se à mesa. 37Uma mulher pecadora da cidade, quando soube que estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro cheio de perfume; 38e, estando a seus pés, por detrás dele, começou a chorar. Pouco depois suas lágrimas banhavam os pés do Senhor e ela os enxugava com os cabelos, beijava-os e os ungia com o perfume. 39Ao presenciar isto, o fariseu, que o tinha convidado, dizia consigo mesmo: Se este homem fosse profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que o toca, pois é pecadora. 40Então Jesus lhe disse: Simão, tenho uma coisa a dizer-te. Fala, Mestre, disse ele. 41Um credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinqüenta. 42Não tendo eles com que pagar, perdoou a ambos a sua dívida. Qual deles o amará mais? 43Simão respondeu: A meu ver, aquele a quem ele mais perdoou. Jesus replicou-lhe: Julgaste bem. 44E voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para lavar os pés; mas esta, com as suas lágrimas, regou-me os pés e enxugou-os com os seus cabelos. 45Não me deste o ósculo; mas esta, desde que entrou, não cessou de beijar-me os pés. 46Não me ungiste a cabeça com óleo; mas esta, com perfume, ungiu-me os pés. 47Por isso te digo: seus numerosos pecados lhe foram perdoados, porque ela tem demonstrado muito amor. Mas ao que pouco se perdoa, pouco ama. 48E disse a ela: Perdoados te são os pecados. 49Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer, então: Quem é este homem que até perdoa pecados? 50Mas Jesus, dirigindo-se à mulher, disse-lhe: Tua fé te salvou; vai em paz.

 

3) Reflexão

O evangelho de hoje traz o episódio da moça de perfume que foi acolhida por Jesus durante uma refeição na casa de Simão, o fariseu. Um dos aspecto da novidade que a Boa Nova de Deus traz é a atitude surpreendente de Jesus para com as mulheres. Na época do Novo Testamento, a mulher vivia marginalizada. Na sinagoga ela não participava, na vida pública não podia ser testemunha. Muitas mulheres, porém, resistiam contra sua exclusão. Desde os tempos de Esdras, crescia a marginalização das mulheres pelas autoridades religiosas (Esd 9,1 a 10,44) e crescia também a resistência das mulheres contra a sua exclusão, como transparece nas histórias de Judite, Ester, Rute, Noemi, Suzana, da Sulamita e de tantas outras. Esta resistência encontrou eco e acolhida em Jesus. No episódio da moça do perfume transparecem o inconformismo e a resistência das mulheres no dia-a-dia da vida e o acolhimento que Jesus lhes dava.

Lucas 7,36-38: A situação que provocou o debate

Três pessoas totalmente diferentes se encontram: Jesus, Simão, o fariseu, um judeu praticante, e a moça, da qual diziam que era pecadora. Jesus está na casa de Simão que o convidou para um jantar. A moça entra, coloca-se aos pés de Jesus, começa a chorar, molha os pés de Jesus com as lágrimas, solta os cabelos para enxugá-los, beija e unge os pés com perfume. Soltar os cabelos em público era um gesto de independência. Jesus não se retrai nem afasta a moça, mas acolhe o gesto dela.

Lucas 7,39-40: A reação do fariseu e a resposta de Jesus

Jesus estava acolhendo uma pessoa que, conforme os costumes da época, não podia ser acolhida, pois era pecadora. O fariseu, observando tudo, critica Jesus e condena a mulher: "Se este homem fosse um profeta, saberia que tipo de mulher é esta que o toca, pois é uma pecadora!" Jesus usa uma parábola para responder à provocação do fariseu.

Lucas 7,41-43: A parábola dos dois devedores

Um devia 500 denários, o outro, 50. Nenhum dos dois tinha como pagar. Ambos foram perdoados. Qual dos dois terá mais amor? Resposta do fariseu: "Amará mais aquele a quem mais se perdoa!". A parábola supõe que os dois, tanto o fariseu como a moça, tinham recebido algum favor de Jesus. Na atitude que os dois tomam diante de Jesus, mostram como apreciam o favor recebido. O fariseu mostra o seu amor, a sua gratidão, convidando Jesus para o jantar. A moça mostra o seu amor, a sua gratidão, através das lágrimas, dos beijos e do perfume.

Lucas 7,44-47: O recado de Jesus para o fariseu.

Depois de receber a resposta do fariseu, Jesus aplica a parábola. Mesmo estando na casa do próprio fariseu, a convite do mesmo, Jesus não perde a liberdade de falar e de agir. Defende a moça contra a crítica do judeu praticante. O recado de Jesus para os fariseus de todos os tempos é este: "Aquele, a quem pouco foi perdoado, mostra pouco amor!" Um fariseu acha que ele não tem pecado, porque observa em tudo a lei. A segurança pessoal que eu, fariseu, crio para mim pela observância das leis de Deus e da Igreja, muitas vezes, me impede de experimentar a gratuidade do amor de Deus. O que importa  não é a observância da lei em si, mas sim o amor com que observo a lei. E usando os símbolos do amor da moça, Jesus dá a resposta ao fariseu que se considerava em paz com Deus: "Você não me deu água para lavar os pés, não me deu o beijo de acolhida, não me deu água de cheiro! Simão, apesar de todo o banquete que me ofereceu, você tem pouco amor!"

Lucas 7,48-50: Palavra de Jesus para a moça

Jesus declara a moça perdoada e acrescenta: "Tua fé te salvou! Vai em paz!" Aqui transparece a novidade da atitude de Jesus. Ele não condena, mas acolhe. E foi a fé que ajudou a moça a se recompor e a se reencontrar consigo mesma e com Deus. No relacionamento com Jesus, uma força nova despertou dentro dela e a fez renascer. 

 

4) Para um confronto pessoal

1) Onde, quando e como as moças são desprezadas pelos fariseus de hoje ?

2) A moça certamente não teria feito o que fez, se não tivesse antes a certeza absoluta de ser acolhida por Jesus. Será que os marginalizados e os pecadores de hoje têm a mesma certeza a nosso respeito?

 

5) Oração final

O Senhor é bom, sua misericórdia é eterna e sua fidelidade se estende de geração em geração. (Sl 99)

NOSSA SENHORA DAS DORES - 15 de setembro: Evangelho do dia- Lectio Divina, com Frei Carlos Mesters, O. Carm

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Publicado em 14 setembro 2020
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1) Oração

Ó Deus, quando o vosso Filho foi exaltado, quisestes que sua Mãe estivesse ao pé, junto à cruz, sofrendo com ele. Dai à vossa Igreja, unida a Maria na paixão de Cristo, participar da ressurreição do Senhor. Que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Jo 19,25-27)

Naquele tempo, 25Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. 26Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. 27Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa.

 

3) Reflexão   João 19,25-27

Hoje, festa de Nossa Senhora das Dores, o evangelho do dia traz a passagem em que Maria, a mãe de Jesus, e o discípulo amado se encontram no calvário diante da Cruz. A Mãe de Jesus aparece duas vezes no evangelho de João: no começo, nas bodas de Caná (Jo 2,1-5), e no fim, ao pé da Cruz (Jo 19,25-27). Estes pois episódios, exclusivos do evangelho de João, têm um valor simbólico muito profundo. O evangelho de João, comparado com os outros três evangelhos é como quem tira raio-X onde os outros três só tiram fotografia. O raio-X da fé ajuda a descobrir dimensões nos acontecimentos que os olhos comuns não chegam a perceber. O evangelho de João, além de descrever os fatos, revela a dimensão simbólica que neles existe. Assim, nos dois casos, em Caná e na Cruz, a Mãe de Jesus representa simbolicamente o Antigo Testamento que aguarda a chegada do Novo Testamento e, nos dois casos, ela contribui para que o Novo chegue. Maria aparece como o elo entre o que havia antes e o que virá depois. Em Caná, ela simboliza o AT, percebe os limites do Antigo e toma a iniciativa para que o Novo possa chegar. Ela vai falar ao Filho: “Eles não tem mais vinho!” (Jo 2,3). E no Calvário? Vejamos:

João 19, 25: As mulheres e o Discípulo Amado junto à Cruz

Assim diz o Evangelho: “A mãe de Jesus, a irmã da mãe dele, Maria de Cléofas, e Maria Madalena estavam junto à cruz”. A “fotografia” mostra a mãe junto do filho, em pé. Mulher forte, que não se deixa abater. “Stabat Mater Dolorosa!” Ela é uma presença silenciosa que apóia o filho na sua entrega até à morte, e morte de cruz (Flp 2,8). Além disso, o “raio-X” da fé mostra como se realiza a passagem do AT para o NT. Como em Caná, a Mãe de Jesus representa o AT. O Discípulo Amado representa o NT, a comunidade que cresceu ao redor de Jesus. É o filho que nasceu do AT, a nova humanidade que se forma a partir da vivência do Evangelho do Reino. No fim do primeiro século, alguns cristãos achavam que o AT já não era necessário. De fato, no começo do segundo século, Márcion recusou todo o AT e ficou só com uma parte do NT. Por isso, muitos queriam saber qual a vontade de Jesus a este respeito.

João 19,26-28 : O Testamento ou a Vontade de Jesus

As palavras de Jesus são significativas. Vendo sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: "Mulher, eis aí o seu filho." Depois disse ao discípulo: "Eis aí a sua mãe." Os Antigo e o Novo Testamento devem caminhar juntos. A pedido de Jesus, o discípulo amado, o filho, o NT, recebe a Mãe, o AT, em sua casa. É na casa do Discípulo Amado, na comunidade cristã, que se descobre o sentido pleno do AT. O Novo não se entende sem o Antigo, nem o Antigo é completa sem o Novo. Santo Agostinho dizia: “Novum in vetere latet, Vetus in Novo patet”. (O Novo está escondido no Antigo. O Antigo desabrocha no Novo). O Novo sem o Antigo seria um prédio sem fundamento. E o Antigo sem o Novo seria uma árvore frutífera que não chegou a dar fruto.

 

Maria no Novo Testamento 

De Maria se fala pouco no NT, e ela mesma fala menos ainda. Maria é a Mãe do silêncio. A Bíblia conservou apenas sete palavras de Maria. Cada uma destas sete palavras é como uma janela que permite olhar para dentro da casa de Maria e descobrir como ela se relacionava com Deus. A chave para entender tudo isso é dada por Lucas nesta frase: “Felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática." (Lc 11,27-28)

1ª Palavra: "Como pode ser isso se eu não conheço homem algum!" (Lc 1,34)

2ª Palavra: "Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra!" (Lc 1,38)

3ª Palavra: "Minha alma louva o Senhor, exulta meu espírito em Deus meu Salvador!" (Lc 1,46-55)

4ª Palavra: "Meu filho porque nos fez isso? Teu pai e eu, aflitos, te procurávamos" (Lc 2,48)

5º Palavra: "Eles não tem mais vinho!" (Jo 2,3)

6ª Palavra: "Fazei tudo o que ele vos disser!" (Jo 2,5)

7ª Palavra:  O silêncio ao pé da Cruz, mais eloqüente que mil palavras! (Jo 19,25-27)

 

4) Para um confronto pessoal

1) Maria ao pé da Cruz. Mulher forte, silenciosa. Como é minha devoção a Maria, a mãe de Jesus?

2) Na Pietà de Miguelangelo, Maria aparece bem jovem, mais jovem que o próprio filho crucificado, quando já devia ter no mínimo em torno de 50 anos. Perguntado porque tinha esculpido o rosto da Maria tão jovem, Miguelangelo respondeu: “As pessoas apaixonadas por Deus não envelhecem nunca”. Apaixonada por Deus! Existe paixão por Deus em mim?

 

5) Oração final

Quão grande é, Senhor, vossa bondade, que reservastes para os que vos temem e com que tratais aos que se refugiam em vós, aos olhos de todos. (Sl 30,20)

ANGRA DOS REIS/RJ: 24º Domingo do Tempo Comum- Ao vivo

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Publicado em 13 setembro 2020
  • Angra dos Reis,
  • 24º Domingo do Tempo Comum,
  • Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Angra dos Reis,
  • Homilia do Frei Petrônio em Angra dos Reis,

Após polêmicas, a era dos padres pop pode ter chegado ao fim

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Publicado em 12 setembro 2020
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  • Ministério Público pede prisão de Padre Robson de Oliveira,
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Superexposição midiática de religiosos gerou depressão, suspeita de enriquecimento ilícito e contestação do papel sacerdotal

 

Na série The Young Pope e em sua continuação The New Pope, da HBO, o papa Pio 13 (Jude Law) é um superstar da fé. Mais famoso e idolatrado do que qualquer cantor de rock ou estrela de cinema. Indisfarçavelmente narcisista, ele gosta do culto à sua imagem. 

 

Sacerdotes com trajetória artística padeceram em consequência da fama estrondosa e de conflitos emocionais. Foto: Sala de TV

 

Já seu sucessor, o deprimido João Paulo III (John Malkovich), prefere manter distância dos holofotes. A pressão midiática sobre ele é tão sufocante que resulta em sua abdicação ao trono de São Pedro. Qualquer semelhança entre o popular papa Francisco e o introspectivo papa emérito Bento 16 não é mera coincidência.

A um católico tradicional, as duas produções causam choque, talvez até indignação. A ficção a respeito dos bastidores do Vaticano mostra um mundo odioso: disputas por dinheiro e poder, sexualidade e luxúria entre os homens que juraram castidade e celibato, domínio da vaidade sobre a pretendida humildade, acobertamento de pecados e crimes, menosprezo às mulheres que servem à cúpula da Igreja.

Na vida real, que às vezes supera a ficção em sordidez, um pouco daquele universo chocante no entorno dos papas pode ser vislumbrado nas acusações contra o padre Robson de Oliveira, do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, de Trindade (GO). Nacionalmente famoso graças a seu programa diário na Rede Vida, ele está no centro de uma investigação de vários crimes — apropriação indébita, falsificação de documentos, sonegação fiscal, associação criminosa e lavagem de dinheiro — que teriam sido cometidos a partir do desvio milionário de doações de fiéis ao longo de anos.

O escândalo não está restrito ao pecado da ganância. Um hacker pago com dinheiro arrecadado na igreja sob a liderança do padre Robson para não divulgar conteúdo impróprio a respeito da intimidade do líder religioso disse ter sido amante dele e apontou outros supostos casos amorosos. A repercussão de tantas denúncias graves teve repercussão bombástica na imprensa, nas redes sociais e entre devotos. O ápice da exposição negativa aconteceu em matéria de 19 minutos na edição de 23 de agosto do Fantástico, na Globo. O religioso e seus advogados negam qualquer ato ilegal. Culpado ou não, o estrago à imagem de Padre Robson é irreversível.

Esse vexame à Igreja Católica tem potencial para encerrar a era dos padres pop. Sempre existiram líderes com atuação artística e forte presença na mídia, a exemplo do precursor padre Zezinho, hoje com 79 anos, ainda circulando por TVs e rádios. Mas o status de superstar da fé foi lançado por Marcelo Rossi na década de 1990. O 'boca a boca' a respeito de suas missas dinâmicas o levou aos programas de Gugu Liberato e Faustão. Sucesso imediato. A televisão transformou o padre do hit ‘Erguei as Mãos’ em ídolo de milhões de pessoas, inclusive de outras religiões. Ele se tornou uma máquina de dinheiro com a venda de CDs, DVDs e livros.

A veneração à sua personalidade gerou extensa investigação do Vaticano. Havia na cúpula do catolicismo certo incômodo com a espetacularização em torno de Marcelo Rossi e a sombra que seu exibicionismo involuntário fazia sobre a liturgia. Vítima do próprio êxito, o padre de sorriso contagiante desenvolveu depressão profunda. Precisou renunciar ao espaço cativo diante das câmeras. Despiu-se da imagem de ‘showman’ de Cristo para buscar a reconexão consigo mesmo e com sua missão evangelizadora. Hoje, faz raras aparições na TV. Dedica-se aos livros. Em alguns deles relatou o inferno vivido nos anos de falsa felicidade.

Igualmente elevado à condição de popstar, padre Fabio de Melo se fez influenciador digital e prolífico produtor de memes. Belo e carismático, virou galã aos olhos das telespectadoras. Da TV Canção Nova passou a aparecer nos principais programas do País. Era um ímã de audiência. Contudo, em algum momento, uma desordem emocional o levou ao fundo do poço. O quadro depressivo foi tão forte que fez o sacerdote pesquisar métodos de suicídio. Afastou-se dos palcos e estúdios de TV. Buscou ajuda médica para tratar a mente e recuperar o amor pela vida. Continua ativo nas redes sociais, porém com grau de exposição menor.

Importante destacar que Marcelo Rossi e Fabio de Melo nunca foram acusados de nenhuma atitude ilícita, como acontece com Robson de Oliveira. A única falha foi, talvez, contra a própria saúde mental. Ambos conheceram as delícias e as dores do status de celebridade: foram amados e respeitados por muitos, criticados e desprezados por tantos outros. A mesma experiência ambígua (baseada em elogios e fofocas, respeitabilidade e invasão de privacidade) marcou os também padres midiáticos Reginaldo Manzotti (TV Evangelizar) e Alessandro Campos (ex-TV Aparecida e RedeTV!, atualmente na Rede Vida).

A visibilidade exagerada sempre cobra um preço alto, às vezes impagável. Nem os ungidos de Deus escapam dessa pressão. Por isso, após episódios angustiantes, a maioria dos padres pop decidiu se recolher ou diminuir a exposição pública. O surgimento de novo fenômeno do gênero na base da Igreja Católica brasileira fica cada vez mais improvável. Fonte: https://www.terra.com.br

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