Olhar Jornalístico

Terça-feira, 2 de junho-2026. 9ª Semana do Tempo Comum. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 02 junho 2026
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1) Oração

Ó Deus, cuja providência jamais falha, nós vos suplicamos humildemente: afastai de nós o que é nocivo, e concedei-nos tudo o que for útil. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Marcos 12,13-17)

 

13Enviaram-lhe alguns fariseus e herodianos, para que o apanhassem em alguma palavra. 14Aproximaram-se dele e disseram-lhe: Mestre, sabemos que és sincero e que não lisonjeias a ninguém; porque não olhas para as aparências dos homens, mas ensinas o caminho de Deus segundo a verdade. É permitido que se pague o imposto a César ou não? Devemos ou não pagá-lo? 15Conhecendo-lhes a hipocrisia, respondeu-lhes Jesus: Por que me quereis armar um laço? Mostrai-me um denário. 16Apresentaram-lho. E ele perguntou-lhes: De quem é esta imagem e a inscrição? De César, responderam-lhe. 17Jesus então lhes replicou. Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. E admiravam-se dele.

 

3) Reflexão  - Mc 12,13-17

No evangelho de hoje continua o confronto entre Jesus e as autoridades. Os sacerdotes, anciãos e escribas tinham sido criticados e denunciados por Jesus na parábola da vinha (Mc 12,1-12). Agora, os mesmos pedem aos fariseus e herodianos para armar uma cilada contra Jesus, a fim de poder apanhá-lo e condená-lo. Estes perguntam a Jesus sobre o imposto a ser pago aos romanos. Era um assunto polêmico que dividia a opinião pública. Os adversários de Jesus querem a todo custo acusá-lo e, assim, diminuir a sua influência junto do povo. Grupos, que antes eram inimigos entre si, agora se unem para combater Jesus que pisava no calo de todos eles. Isto acontece também hoje. Muitas vezes, pessoas ou grupos, inimigos entre si, se unem para defender seus privilégios contra aqueles que os incomodam com o anúncio da verdade e da justiça.

 

Marcos 12,13-14. A pergunta dos fariseus e herodianos.

Fariseus e herodianos eram as lideranças locais nos povoados da Galiléia. Bem antes, eles já tinham decidido matar Jesus (Mc 3,6). Agora, a mando dos Sacerdotes e Anciãos, eles querem saber de Jesus se ele é a favor ou contra o pagamento do imposto aos romanos, a César. Pergunta esperta, cheia de malícia! Sob a aparência de fidelidade à lei de Deus, buscam motivos para poder acusá-lo. Se Jesus dissesse: “Deve pagar!”, poderiam acusá-lo junto ao povo como amigo dos romanos. Se ele dissesse: “Não deve pagar!”, poderiam acusá-lo junto às autoridades romanas como subversivo. Parecia uma sinuca sem saída!

 

Marcos 12, 15-17: A resposta de Jesus.

Jesus percebe a hipocrisia. Na sua resposta, ele não perde tempo em discussões inúteis, e vai direto ao centro da questão. Em vez de responder e de discutir o assunto do tributo a César, ele pede que lhe mostrem a moeda, e pergunta: "De quem é esta imagem e inscrição?" Eles respondem: "De César!" Resposta de Jesus: "Então, dêem a César o que é de César, mas a Deus o que é de Deus!”. Na prática, eles já reconheciam a autoridade de César. Já estavam dando a César o que era de César, pois usavam as moedas dele para comprar e vender e até para pagar o imposto ao Templo! O que interessa a Jesus é que “dêem a Deus o que é de Deus!”, isto é, que devolvam a Deus o povo, por eles desviado, pois com os seus ensinamentos bloqueavam a entrada do Reino para o povo (Mt 23,13). Outros explicam esta frase de Jesus de outra maneira: “Dêem a Deus o que é de Deus!”, isto é, pratiquem a justiça e a honestidade conforme o exige a Lei de Deus, pois pela hipocrisia vocês estão negando a Deus o que lhe é devido. Os discípulos e as discípulas devem tomar consciência! Pois era o fermento destes fariseus e herodianos que estava cegando os olhos deles! (Mc 8,15).

 

Impostos, tributos, taxas e dízimos

No tempo de Jesus, o povo da Palestina pagava muitos impostos, taxas, tributos e dízimos, tanto aos romanos como ao Templo. O império romano invadiu a Palestina no ano 63 aC e passou a exigir muitos impostos e tributos. Pelos cálculos feitos, metade ou mais do orçamento familiar era para os impostos, tributos, taxas e dízimos. Os impostos exigidos pelos romanos eram de dois tipos: direto e indireto:

  1. O imposto Direto era sobre as propriedades e sobre as pessoas. Imposto sobre as propriedades (tributum soli): os fiscais do governo verificavam o tamanho da propriedade, da produção e do número de escravos e fixavam a quantia a ser paga. Periodicamente, havia nova fiscalização através dos censos. Imposto sobre as pessoas (tributum capitis): era para as classes pobres sem terra. Incluía tanto homens como mulheres entre 12 e 65 anos. Era sobre a força do trabalho: 20% da renda de cada pessoa era para o imposto.
  2. O imposto Indireto era sobre transações variadas. Coroa de ouro: Originalmente, era um presente ao imperador, mas tornou-se um imposto obrigatório. Era cobrado em ocasiões especiais como festas e visitas do imperador. Imposto sobre o sal: o sal era o monopólio do imperador. Só era tributado o sal para uso comercial. Por exemplo, o sal usado pelos pescadores para comercializar o peixe. Daqui vem a nossa palavra “salário”. Imposto na compra e venda: Em cada transação comercial pagava-se 1%. A cobrança era feita pelos fiscais na feira. Na compra de um escravo exigiam-se 4%. Em cada contrato comercial registrado, exigiam-se 2%. Imposto para exercer a profissão: Para tudo se precisava de licença. Por exemplo, um sapateiro na cidade de Palmira pagava um denário por mês. Um denário era o equivalente ao salário de um dia. Até as prostitutas tinham que pagar. Imposto sobre o uso de coisas de utilidade pública: O imperador Vespasiano introduziu o imposto para se poder usar as privadas públicas em Roma. Ele dizia “Dinheiro não fede!”
  3. Outras Taxas e obrigações: Pedágio ou alfândega; Trabalho forçado; Despesa especial para o exército (dar hospedagem aos soldados; fornecer pagar comida para o sustento das tropas); Imposto para o Templo e o Culto.

 

4) Para um confronto pessoal

 

  1. Você conhece algum caso de grupos ou de pessoas que eram inimigos entre si, mas que se juntaram para perseguir a pessoa honesta que os incomodava e denunciava? Isto já aconteceu alguma vez com você?
  2. Qual é hoje o sentido da frase: “Dai a César o que é do César, e a Deus o que é de Deus”?

 

5) Oração final

Cumulai-vos desde a manhã com as vossas misericórdias, para exultarmos alegres em toda a nossa vida. Manifestai vossa obra aos vossos servidores, e a vossa glória aos seus filhos (Sl 89, 14.16)

Clã comanda 2 prefeituras em AL e desvia verba da educação para trator e arena de vaquejada

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Publicado em 01 junho 2026
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OUTRO LADO: Prefeitos e secretários de Campo Grande e Olho D'Água Grande não atenderam a reportagem e não responderam aos questionamentos

Uso irregular aparece em extratos do Fundeb e notas fiscais obtidas pela Folha que chegam a R$ 6 milhões

 

Quadra da escola municipal Evanio Higino, em Campo Grande (AL), interditada por causa da infraestrutura danificada; telhado está caindo - Paulo Saldaña/Folhapress

 

Paulo Saldaña

Alagoas

A família do político Arnaldo Higino, que controla dois municípios do interior de Alagoas, usa dinheiro da educação para pagar agrotóxicos, manutenção de carros particulares, obras fantasmas e até reforma de uma arena de vaquejada privada.

Escolas municipais das cidades de Campo Grande e Olho D’Água Grande enfrentam infraestrutura precária. Os salários dos professores, congelados desde 2024, estão 50% abaixo do piso nacional.

Mesmo sem obras em escolas, empresa de construção consome milhões do Fundeb, principal mecanismo de financiamento da educação básica. Ônibus escolares circulam em condições precárias, enquanto, no papel, recursos são gastos em manutenção.

Os desvios aparecem em extratos do Fundeb, em mais de 30 notas fiscais e relatos obtidos pela Folha, que esteve nas cidades. Valores identificados pela reportagem somam ao menos R$ 6 milhões em cinco anos.

A família Higino é uma dinastia no agreste alagoano: controla Campo Grande por mais de duas décadas e, em 2021, passou a dominar Olho D'Água Grande. As cidades vizinhas estão a cerca de 160 km de Maceió.

Arnaldo foi eleito prefeito de Campo Grande pela primeira vez em 1992 e, desde 2005, deixa o cargo apenas para parentes. Em 2017, foi preso sob suspeita de receber propina. O sobrinho Teo Higino (PSB) é o atual prefeito de Campo Grande, e a mulher de Arnaldo, Suzy Higino (PP), governa Olho D'Água Grande pelo segundo mandato.

A Folha procura todos desde 12 de maio por email e telefone. A reportagem também esteve presencialmente nas prefeituras e secretarias de Educação das duas cidades, mas não houve resposta.

O pai de Arnaldo, Evânio Higino, dá nome ao Parque de Vaquejada em Campo Grande. O espaço fica na entrada de uma das fazendas da família, com 700 das quase 20 mil cabeças de gado do grupo. Evânio Higino também é o nome de uma escola municipal que adiou o início do ano letivo por falta de carteiras.

Enquanto a quadra da escola Evânio Higino está interditada há pelo menos dois anos, com telhado destruído, o Parque de Vaquejada Evânio Higino, de propriedade da família, recebeu cobertura nova na arquibancada neste ano.

As melhorias para a vaquejada foram custeadas com dinheiro do Fundeb das duas cidades. A obra terminou em março, a tempo de receber uma competição, que deu R$ 380 mil em prêmios.

Em 23 de janeiro, as prefeituras pagaram a uma loja de materiais de construção de Arapiraca por 108 vigas metálicas perfil U e outros itens de serralheria. Cada aquisição, de R$ 8.000, saiu do fundo de Educação dos municípios com pouco mais de uma hora de diferença: às 16h33, de Olho D’Água Grande, e às 17h50, de Campo Grande.

Dias depois, as despesas apareceram nos extratos do Fundeb. Nenhuma das cidades registra reformas ou obras de escolas.

A Folha visitou o parque de vaquejada em 11 de maio e constatou a nova cobertura com vigas perfil U. Outro prédio no local aguarda cobertura e várias vigas estavam no chão, à espera de instalação.

Um dos responsáveis pela obra, sob anonimato, confirmou a compra dos materiais nas lojas Luminex e Aço Líder —as mesmas descritas nos extratos do Fundeb e notas fiscais.

Duas compras idênticas, de R$ 7.840 cada uma, foram registradas em 10 de fevereiro com dinheiro da educação das duas cidades. O material incluía telhas galvalume, tinta e vigas perfil U —material usado na arena de vaquejada que faz falta na quadra da escola de mesmo nome.

O Fundeb pagou ao menos R$ 53,8 mil nessas duas lojas desde 2021. Não há indícios de irregularidade das lojas, que não responderam à reportagem.

A Folha teve acesso a cinco notas fiscais de agrotóxicos pagos com dinheiro da educação. Em 2 de julho de 2025, Olho D’Água Grande pagou R$ 2.280 por 20 litros do herbicida Preciso XK. O Roundup Glifosato, da Monsanto, foi comprado em abril e julho de 2024. Em fevereiro do ano passado, uma compra de R$ 5.010,70 incluiu lonas para silo.

Três lojas de produtos agropecuários receberam R$ 222 mil do Fundeb de ambas prefeituras.

Há ainda compras com dinheiro da educação de brita, equipamentos e pneus para Hilux (carros usados pela família) e peças de tratores. Em 9 de setembro de 2025, por exemplo, peças para tratores no valor de R$ 9.142,80 foram adquiridas em Arapiraca também com divisão entre as duas cidades. Uma nota saiu às 11h04, e outra, às 11h35.

A unidade da loja Nascimento Tratores vende apenas peças para tratores, conforme confirmado no local. Os extratos do Fundeb mostram R$ 105 mil pagos, em geral classificados como manutenção de transporte escolar. A legislação proíbe gastos do Fundeb em obras de infraestrutura, e relatos feitos à Folha indicam que os tratores são usados nas fazendas da família.

A escola rural Apolinario G. dos Santos fica a menos de 15 minutos do centro de Campo Grande. Sem pátio ou portão, possui duas salas, uma pequena cozinha e dois banheiros. Alunos de séries diferentes estudam na mesma turma por falta de professor e espaço.

"Precisamos de reforma para garantir um ambiente mais atrativo, melhorar salas, a cozinha. E as crianças não têm espaço de recreação", diz a professora Edivânia de França, 50, diante de uma lousa deteriorada. Uma parede da unidade ameaça cair. "Não sinto segurança para as crianças aqui."

Com 28 anos de docência, Edivania recebe R$ 3.640 por mês. O piso nacional é R$ 5.130,63.

"Provavelmente nós temos os menores salários do estado, e um dos piores do Brasil", afirma Ivan Ponciano, presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Campo Grande. Segundo ele, a negociação não é feita com os prefeitos, mas com Arnaldo Higino.

Em Olho D’Água Grande, a reportagem encontrou, em dia letivo, duas escolas fechadas por volta das 10h30, na comunidade de Ponta da Serra. "Aqui não tem horário para entrar ou sair. Às vezes falta professor, às vezes merenda", diz Erica Santos, 30, mãe de dois alunos da escola André Lima.

Na escola Cleonice Claudino, no mesmo povoado, parte do teto de uma saleta que funciona como secretaria e depósito de livros caiu.

Uma construtora recebeu R$ 452 mil do Fundeb de 2025 a março deste ano. Desde 2021, as contas do fundo das duas cidades enviaram para a Construtora Ambiental R$ 4,97 milhões. Desse total, R$ 3,1 milhões foram de Olho D’Água Grande. Não há registro de contrato da educação com a empresa.

O endereço da empresa é uma casa de Arapiraca onde funcionam outras três firmas. Quando a Folha esteve no local, não havia ninguém. O dono, Jean Carlos de Oliveira e Silva, não quis responder aos pedidos de esclarecimentos.

O FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) afirmou que a fiscalização cabe aos órgãos de controle. O Tribunal de Contas de Alagoas foi procurado, mas não respondeu. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

O papa e a técnica

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Publicado em 29 maio 2026
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  • Magnifica Humanitas
  • A encíclica de Leão XIV
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Os executivos e seus patrões são os mais alienados de todos. Sob seu poder, a exploração ganhou notas inéditas de sadismo

 

*Por Eugênio Bucci

A encíclica de Leão XIV sobre a inteligência artificial (IA), intitulada Magnifica humanitas (Magnífica humanidade), a primeira de seu pontificado, atraiu as câmeras de TV e as primeiras páginas dos diários do mundo. Editoriais esmerados a elogiaram. Comentaristas anotaram com precisão que o sumo sacerdote não sataniza nem glorifica os algoritmos sagazes. De fato, esse é um dos pontos fortes do documento, que, em lugar de polemizar, pede um pouco de juízo aos seres humanos, sobretudo aos que se ocupam da programação das novíssimas ferramentas e aos que são donos das empresas detentoras das patentes. Entre os méritos da escrita papal, os editoriais destacaram a serenidade. O argumento evolui sem angústia, mas também sem deslumbramento, sem aflição, sem se refugiar na autoajuda, sem raiva, mas sem condescendência. A leitura nos traz conhecimento e, de sobra, reaviva o espírito.

Mas os registros jornalísticos não realçaram o que há de mais magnífico no texto: o diagnóstico atordoante que ele nos traz. Com inteligência bem-informada e crítica, ao lado de uma sabedoria incomum, Leão XIV nos apresenta um cenário, eu diria, terrível. Prudente – prudente no sentido grego da palavra –, detecta o risco de que as transformações da era digital produzam mais desigualdade. “O poder técnico, se não for equilibrado, não nos torna mais capazes: torna-nos mais sós e mais expostos a lógicas de domínio e de exclusão”. Indo mais longe, acusa “a idolatria do lucro, que sacrifica os mais fracos” e alerta para perigos de enorme proporção, algo que nunca se viu: “O poder tecnológico assume, destarte, uma identidade inédita, predominantemente ‘privada’ e, portanto, ainda mais difícil de discernir, gerir e orientar para o bem comum”.

O papa exige regulação e, com igual ênfase, anota que apenas a regulação não bastará. Se as big techs dessem ouvidos, ainda que moucos, a essa mensagem, fechariam imediatamente suas atividades para balanço – não balanço econômico, mas balanço ético.

A cada parágrafo, Leão XIV procura referenciar-se na Rerum novarum (Das coisas novas), a encíclica de Leão XIII publicada em 1891, que deu base para o que se entende, hoje, como a “doutrina social” da Igreja. No final do século 19, o Vaticano procurava olhar para as injustiças produzidas pelas iniquidades da exploração industrial do trabalho humano. Hoje, passados 135 anos, o que temos é o agravamento da mesma “questão nova”, mas numa escala incomparavelmente mais assombrosa e mais desumana. O papa sabe disso muito bem. Peço licença para citar mais um trecho:

“Em muitos casos, no contexto digital, o controle das plataformas, das infraestruturas, dos dados e da capacidade de computação não é prerrogativa dos Estados, mas sim de grandes sujeitos econômicos e tecnológicos. (...) Quando um poder desta magnitude se concentra nas mãos de poucos, ele tende a tornar-se opaco e a fugir ao controle público, aumentando o risco dum desenvolvimento distorcido que gera novas dependências, exclusões, manipulações e desigualdades.”

O problema, no entanto, não acaba aí. As tais transformações digitais não se resumem à oferta desmesurada de artefatos de comunicação para usufruto das multidões. Sobre isso, há coisas que o papa não disse e que, modestamente, vou lembrar aqui.

Os computadores e a internet, definitivamente, não são uma “mídia”, ou uma “nova forma de mídia”. Muito além disso, essas tecnologias constituem novos meios de produção que abrem as porteiras para outro tipo de fabricação de valor. Uma criança de quatro anos de idade “brincando” com um “joguinho” na tela do celular não está se “divertindo”, como os pais acreditam: ela está trabalhando para as plataformas, está gerando valor para um negócio que opera na escala dos trilhões de dólares. Essa criança de quatro anos está sendo explorada do mesmo modo que, há 150 anos, outras crianças eram exploradas nas fábricas em Londres, em jornadas que se estendiam por mais de 14 horas.

O trabalho alienado no bojo das revoluções digitais (as novas revoluções industriais) não se resume à chamada “uberização” da mão de obra, que engoliu motoboys, motoristas de táxi e os exilados no home office. Há um trabalho que ainda não foi bem descrito e bem quantificado: o trabalho do olhar e da atenção. Olhando para a tela, a Magnifica humanitas trabalha para sedimentar signos que carregam valor. Olhar é trabalhar e trabalhar de modo desumanizado. O dinheiro que brota dessa nova engrenagem não deixa os executivos das plataformas descansarem: eles precisam gerar mais “janelas de oportunidade” – você conhece a conversa. Não é mais a técnica que trabalha para eles – eles é que trabalham para a técnica (que é o capital encarnado).

Por isso a técnica não para, e não vai parar, mesmo que seus agentes se convertam ao catolicismo. Os executivos e seus patrões são os mais alienados de todos. Sob seu poder, a exploração ganhou notas inéditas de sadismo.

Isso o papa não disse e, talvez, nem precise dizer. E o que nós agora vamos fazer com a encíclica? Fazer de conta que foi só mais um sermão?

 

*Opinião por Eugênio Bucci

Jornalista e professor da ECA-USP, Eugênio Bucci escreve quinzenalmente na seção Espaço Aberto 

Quinta-feira, 28 de maio-2026. 8ª Semana do Tempo Comum. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 28 maio 2026
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  • Evangelho do Dia com Frei Carlos Mesters,
  • Lectio Divina com Frei Carlos Mesters,
  • Frei Carlos Mesters, O. Carm

 

1) Oração

Fazei, ó Deus, que os acontecimentos deste mundo decorram na paz que desejais, e a vossa Igreja vos possa servir, alegre e tranquila. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Marcos 10, 46-52)

46Chegaram a Jericó. Ao sair dali Jesus, seus discípulos e numerosa multidão, estava sentado à beira do caminho, mendigando, Bartimeu, que era cego, filho de Timeu. 47Sabendo que era Jesus de Nazaré, começou a gritar: "Jesus, filho de Davi, em compaixão de mim!" 48Muitos o repreendiam, para que se calasse, mas ele gritava ainda mais alto: "Filho de Davi, tem compaixão de mim!" 49Jesus parou e disse: "Chamai-o" Chamaram o cego, dizendo-lhe: "Coragem! Levanta-te, ele te chama." 50Lançando fora a capa, o cego ergueu-se dum salto e foi ter com ele. 51Jesus, tomando a palavra, perguntou-lhe: "Que queres que te faça? Rabôni, respondeu-lhe o cego, que eu veja! 52Jesus disse-lhe: Vai, a tua fé te salvou." No mesmo instante, ele recuperou a vista e foi seguindo Jesus pelo caminho.

 

3) Reflexão

O evangelho de hoje descreve a cura do cego Bartimeu (Mc 10,46-52) que encerra a longa instrução de Jesus sobre a Cruz. No início da instrução, havia a cura de um cego anônimo (Mc 8,22-26). As duas curas de cegos são símbolo do que se passava entre Jesus e os discípulos.

 

Marcos 10,46-47: O grito do cego Bartimeu.

Finalmente, após uma longa travessia, Jesus e os discípulos chegam em Jericó, última parada antes da subida para Jerusalém. O cego Bartimeu está sentado à beira da estrada. Não pode participar da procissão que acompanha Jesus. Mas ele grita, invocando a ajuda de Jesus: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!”  Ao longo dos séculos, através da prática dos monges do deserto, esta invocação do pobre Bartimeu tornou-se aquilo que costuma ser chamada “A Oração de Jesus”.  Os monges a repetem com a boca, sem parar, e ela desce da boca para o coração. A pessoa, aos poucos, já não reza mais, mas ela mesma se torna oração.

 

Marcos 10,48-51: Jesus escuta o grito do cego

O grito do pobre incomoda. Os que vão na procissão tentam abafá-lo. Mas “ele gritava mais ainda!” E Jesus, o que faz? Ele escuta o grito do pobre, pára e manda chamá-lo! Os que queriam abafar o grito incômodo do pobre, agora, a pedido de Jesus, são obrigados a levar o pobre até Jesus: “Coragem, levante-se, porque Jesus está chamando você". Bartimeu larga tudo e vai até Jesus. Não tem muito. Apenas um manto. Mas era o que tinha para cobrir o seu corpo (cf. Ex 22,25-26). Era a sua segurança, o seu chão! Jesus pergunta: “O que você quer que eu faça?” Não basta gritar. Tem que saber por que grita!  -“Rabbuni” Meu Mestre! Que eu possa ver novamente!” Bartimeu tinha invocado Jesus com idéias não inteiramente corretas, pois o título “Filho de Davi” não era muito bom. O próprio Jesus o tinha criticado (Mc 12,35-37). Mas Bartimeu teve mais fé em Jesus, do que nas suas idéias sobre Jesus. Assinou em branco. Não fez exigências como Pedro. Soube entregar sua vida aceitando Jesus sem impor condições, e o milagre aconteceu.

 

Marcos 10,52: Tua fé te curou

Jesus lhe disse: "Pode ir, a sua fé curou você." No mesmo instante Bartimeu começou a ver de novo e seguia Jesus pelo caminho. Sua cura é fruto da sua fé em Jesus. Curado, ele larga tudo, segue Jesus no caminho e sobe com ele para o Calvário em Jerusalém. Bartimeu tornou-se discípulo modelo para todos nós que queremos “seguir Jesus no caminho” em direção a Jerusalém. Nesta decisão de caminhar com Jesus está a fonte da coragem e a semente da vitória sobre a cruz. Pois a cruz não é uma fatalidade, nem uma exigência de Deus. Ela é a conseqüência do compromisso assumido com Deus de servir aos irmãos e de recusar o privilégio.

 

A fé é uma força que transforma as pessoas

A cura do cego Bartimeu esclarece um aspecto muito importante de como deve ser a fé em Jesus. Pedro tinha dito a Jesus: “Tu és o Cristo!” (Mc 8,29). Ele tinha a doutrina correta, pois Jesus é o Cristo, o Messias. Mas quando Jesus disse que o Messias devia sofrer, Pedro reagiu e não aceitou. Pedro tinha a doutrina correta, mas sua fé em Jesus não era lá muito correta. Bartimeu, ao contrário, tinha invocado Jesus com o título “Filho de Davi!” (Mc 10,47). Jesus não gostava muito deste título (Mc 12,35-37). Porém, mesmo invocando Jesus com uma doutrina não inteiramente correta, Bartimeu teve fé correta e foi curado! Diferentemente de Pedro (Mc 8,32-33), acreditou mais em Jesus, do que nas idéias que ele tinha sobre Jesus. Converteu-se, largou tudo e seguiu Jesus no caminho para o Calvário! (Mc 10,52). A compreensão plena do seguimento de Jesus não se obtém pela instrução teórica, mas sim pelo compromisso prático, caminhando com ele no caminho do serviço e da gratuidade, desde a Galiléia até Jerusalém. Quem insiste em manter a idéia de Pedro, isto é, do Messias glorioso sem a cruz, nada vai entender de Jesus e nunca chegará a tomar a atitude do verdadeiro discípulo. Quem souber crer em Jesus e fazer a “entrega de si” (Mc 8,35), aceitar “ser o último” (Mc 9,35), “beber o cálice e carregar sua cruz” (Mc 10,38), este, como Bartimeu, mesmo tendo idéias não inteiramente corretas, conseguirá enxergar e “seguirá Jesus no caminho” (Mc 10,52). Nesta certeza de caminhar com Jesus está a fonte da coragem e a semente da vitória sobre a cruz.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Uma pergunta indiscreta: “Eu, na minha maneira de viver a fé, sou como Pedro ou como Bartimeu?

2) Hoje, na igreja, a maioria do povo é como Pedro ou como Bartimeu?

 

5) Oração final

O Senhor é bom, sua misericórdia é eterna e sua fidelidade se estende de geração em geração. (Sl 99, 5)

O que falta na encíclica do papa Leão 14 sobre a IA

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Publicado em 27 maio 2026
  • Festa de Pentecostes,
  • papa Leão 14
  • Magnifica Humanitas
  • encíclica Magnifica Humanitas

Pontífice citou Agostinho, Tolkien, Beethoven, Guernica, Martin Luther King Jr. e até Frankl e seu 'otimismo trágico'

Difícil acreditar que tenha escapado ao papa que Pentecostes guarde tantas semelhanças com a inteligência artificial

 

Rui Tavares

Historiador, deputado na Assembleia da República de Portugal e ex-deputado no Parlamento Europeu; autor de 'Agora, Agora e Mais Agora'

 

Tem Santo Agostinho. Mas tem Tolkien também. Tem Beethoven, tem Guernica, tem Martin Luther King Jr., tem Viktor Frankl e o seu "otimismo trágico". Tem muita doutrina social da igreja, valorização dos trabalhadores e críticas ao nacionalismo, Realpolitik e pós-humanismo.

Para um ateu de esquerda como eu —com duas exceções, sobre aborto e família de "um homem e uma mulher"— não há quase nada para discordar na encíclica "Magnifica Humanitas" do papa Leão 14.

Mas quero é escrever do que não está lá. A encíclica foi datada de 15 de maio e apresentada em 25 de maio. E o que aconteceu entre uma coisa e outra? As celebrações de Pentecostes, no domingo (24). Que uma encíclica escrita e lançada em Pentecostes não fale de Pentecostes é uma coisa que me intriga e confunde. E acho que essa ausência é decisiva.

Vou explicar o porquê. A encíclica começa logo na primeira frase por uma referência à Torre de Babel, metáfora evidente para a inteligência artificial, que é contraposta a uma história muito menos conhecida, a do profeta Neemias que reconstrói as muralhas de Jerusalém.

O papa está nos convidando ao trabalho paciente de construção institucional das nossas "muralhas", se não queremos que a IA nos destrua e disperse. E eu acho que ele tem razão: ao contrário do que aconteceu com outras questões existenciais da história contemporânea da humanidade, não se vê sequer o mínimo esforço de criar para a IA algo como os tratados que deram origem à Declaração Universal de Direitos Humanos e às convenções sobre refugiados ou de controle nuclear.

Do ponto de vista internacional, tudo certo. Mas em chave bíblica o contraponto à Torre de Babel não é Neemias (também do Antigo Testamento), mas Pentecostes, no Novo Testamento. E o que acontece em Pentecostes? Os apóstolos falam na sua língua, mas todos os estrangeiros os entendem, cada um na sua língua.

Ora, esse é um dos sinais mais manifestos da IA: quando cada um escreve na sua língua e é lido em todas as línguas de todos os leitores, podendo concretizar um potencial de diálogo através do espírito. Difícil acreditar que tenha escapado ao papa na própria semana de Pentecostes.

A explicação talvez esteja em duas outras ausências: faltam dois Jonas. Um é o filósofo Hans Jonas, e o seu princípio da responsabilidade, ao qual o papa quase alude sem citar. Mas o outro é o profeta Jonas mesmo; aquele que vai a Nínive profetizar contra vontade, mas acaba salvando a cidade.

Ao citar Neemias, o papa acaba por se revelar como pessimista: se a derrocada das muralhas está aí, ele exorta à reconstrução. Mas a mensagem de que a humanidade precisa é outra: se tiver que ser, reconstruiremos; mas por agora vamos mobilizar-nos para não deixar destruir.

Pentecostes e os dois Jonas apontam nesse sentido: a capacidade de nos entendermos sem termos de falar uma língua única, de aceitarmos o princípio da responsabilidade, e sobretudo de entender que ainda é possível salvar a cidade, mesmo uma com tantos pecadores como Nínive.

As muralhas da humanidade ainda não caíram. Corações ao alto! É novamente altura de engrandecer a humanidade para lhe mostrar o melhor de que ela é capaz. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

O Espírito Santo está sobre nós?

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Publicado em 23 maio 2026
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  • Dom Itacir Brassiani

 

Dom Itacir Brassiani

Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)

 

No próximo domingo, as Igrejas Cristãs celebram o acontecimento permanente da vinda do Espírito Santo sobre o povo de Deus e toda a criação. Geralmente este evento é situado no passado e relacionado a eventos miraculosos ou impressionantes como terremoto, vento, línguas de fogo, iluminação da inteligência, línguas estranhas, entre outros.

À luz das Sagradas Escrituras e da autêntica Tradição cristã, a presença ativa do Espírito Santo no ser humano e nas demais criaturas tem outras ênfases. E o ponto de partida para uma correta compreensão do Espírito Santo e sua ação é Jesus Cristo, o Filho de Deus concebido pelo Espírito Santo, nascido de Maria, ungido pelo Espírito para a missão.

“O Espírito do Senhor está sobre mim, pois ele me ungiu para anunciar o Evangelho aos pobres; enviou-me para proclamar a liberdade aos presos e, aos cegos a visão; para pôr em liberdade os oprimidos e para proclamar um ano do agrado do Senhor… Hoje cumpriu-se esta palavra da Escritura que acabais de ouvir”, diz ele ao iniciar sua missão.

Doravante, tudo o que Jesus fará e ensinará vem do Espírito que o reveste e inspira: a defesa da dignidade das mulheres, dos doentes e dos pobres; o resgate da inocência dos pecadores; a reintrodução dos doentes e leprosos na plena cidadania; a incondicional acolhida dos pagãos e estrangeiros no povo de Deus; a compaixão para com tudo e todos.

Jesus mostra os frutos do Espírito falando a língua da proximidade e da compaixão e afirmando a primazia devida aos últimos da sociedade. O Espírito leva Jesus a afirmar a dignidade dos ‘sem dignidade’, a devolver a eles a palavra que lhes é negada ou silenciada; a reunir o povo disperso e desarticulado; a libertar os cativos pelo medo.

Na profissão de fé dos cristãos, afirmamos: “Creio no Espírito Santo, Senhor que dá vida, ele que falou pelos profetas”. Ou seja: onde a vida é resgatada, sustentada e renovada, e onde profetas e profetizas levantam sua voz e se engajam na denúncia das forças dominadoras e no anúncio de novos céus e nova terra, aí está ativo o Espírito Santo.

Na descrição do evento que lançou o Povo de Deus na missão de Jesus, Pedro explica: “Está acontecendo o que foi anunciado pelo profeta Joel” (At 2,16). Ou seja: o Espírito de Deus foi derramado sobre todos, homens e mulheres, jovens e idosos, cidadãos e escravos, e todos são profetas. O Espírito Santo gera a Igreja congregando todos os homens e mulheres de boa vontade e todas as Igrejas num povo profético e libertador. Fonte: https://www.cnbb.org.br

7ª Semana da Páscoa- Quinta-feira, 21 de maio-2026. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 21 maio 2026
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1) Oração

Nós vos pedimos, ó Deus, que o vosso Espírito nos transforme com a força dos seus dons, dando-nos um coração capaz de agradar-vos e de aceitar a vossa vontade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Jo 17,20-26)

20Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em mim. 21Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste. 22Dei-lhes a glória que me deste, para que sejam um, como nós somos um: 23eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, como amaste a mim. 24Pai, quero que, onde eu estou, estejam comigo aqueles que me deste, para que vejam a minha glória que me concedeste, porque me amaste antes da criação do mundo. 25Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci, e estes sabem que tu me enviaste. 26Manifestei-lhes o teu nome, e ainda hei de lho manifestar, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles.

 

3) Reflexão  - Jo 17,20-26

O Evangelho de hoje traz a terceira e última parte da Oração Sacerdotal, na qual Jesus olha para o futuro e manifesta o seu grande desejo pela unidade entre nós, seus discípulos, e pela permanência de todos no amor que unifica, pois sem amor e sem unidade não merecemos credibilidade.

 

João 17,20-23: Para que o mundo creia que tu me enviaste

  Jesus alarga o horizonte e reza ao Pai: Eu não te peço só por estes, mas também por aqueles que vão acreditar em mim por causa da palavra deles, para que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti. E para que também eles estejam em nós, a fim de que o mundo acredite que tu me enviaste. Aqui transparece a grande preocupação de Jesus pela união que deve existir nas comunidades. Unidade não significa uniformidade, mas sim permanecer no amor, apesar de todas as tensões e conflitos. Amor que unifica a ponto de criar entre todos uma profunda unidade, como aquela que existe entre Jesus e o Pai. A unidade no amor revelada na Trindade é o modelo para as comunidades. Por isso, é através do amor entre as pessoas que as comunidades revelam ao mundo a mensagem mais profunda de Jesus. Como o povo dizia dos primeiros cristãos: “Veja como eles se amam!” É trágica a atual divisão entre as três religiões nascidas a partir de Abraão: judeus, cristãos e muçulmanos. Mais trágica ainda é a divisão entre nós cristãos que dizemos crer em Jesus. Divididos não merecemos credibilidade. O ecumenismo está no centro da última prece de Jesus ao Pai. É o seu Testamento. Ser cristão e não ser ecumênico é um contra-senso. Contradiz a última vontade de Jesus.

 

João 17,24-26: Que o amor com que me amaste esteja neles

Jesus não quer ficar só. Ele diz: Pai, aqueles que tu me deste, eu quero que eles estejam comigo onde eu estiver, para que eles contemplem a minha glória que tu me deste, pois me amaste antes da criação do mundo. A felicidade de Jesus é que todos nós estejamos com ele. Ele quer que os discípulos e as discípulas tenham a mesma experiência que ele mesmo teve do Pai. Quer que conheçam o Pai como ele o conheceu. Na Bíblia, a palavra conhecer não se reduz a um conhecimento teórico racional, mas implica experimentar a presença de Deus na convivência amorosa com as pessoas na comunidade.

 

Que sejam um como nós! (Unidade e Trindade no evangelho de João)

O evangelho de João nos ajuda muito na compreensão do mistério da Trindade, a comunhão entre as três pessoas divinas: o Pai, o Filho e o Espírito. Dos quatro evangelhos, João é o que mais acentua a profunda unidade entre o Pai e o Filho. Vemos pelo texto do evangelho (Jo 17,6-8) que a missão do Filho é a suprema manifestação do amor do Pai. É esta unidade entre Pai e Filho que faz Jesus proclamar: Eu e o Pai somos um (Jo 10,30). Entre ele e o Pai existe uma unidade tão intensa que quem vê o rosto de um vê também o do outro. É cumprindo esta missão de unidade recebida do Pai, que Jesus revela o Espírito. O Espírito da Verdade vem de junto do Pai (Jo 15,26). A pedido do Filho (Jo 14,16), o Pai o envia a cada um de nós para que permaneça conosco, nos animando e nos fortalecendo. O Espírito também nos vem do Filho (Jo 16,7-8). Assim, o Espírito da Verdade, que caminha conosco, é a comunicação da profunda unidade que existe entre o Pai e o Filho (Jo 15,26-27). O Espírito não pode comunicar outra verdade que não seja a Verdade do Filho. Tudo o que se relaciona com o mistério do Filho, o Espírito nos faz conhecer (Jo 16,13-14). Esta experiência da unidade em Deus foi muito forte nas comunidades do Discípulo Amado. O amor que une as pessoas divinas Pai e Filho e Espírito nos permite experimentar Deus através da união com as pessoas numa comunidade de amor. Assim também era a proposta da comunidade, onde o amor deveria ser o sinal da presença de Deus no meio da comunidade (Jo 13,34-35). E este amor constrói a unidade dentro da comunidade (Jo 17,21). Eles olhavam para a unidade em Deus para poder entender a unidade entre eles.

4) Para confronto pessoal.

 1) Dizia o bispo Dom Pedro Casaldáliga: “A Trindade ainda é a melhor comunidade”. Na comunidade da qual você faz parte, você percebe algum reflexo humano da Trindade Divina?

2) Ecumenismo. Sou ecumênico?

 

5) Oração final

Vós me ensinareis o caminho da vida, há abundância de alegria junto de vós, e delícias eternas à vossa direita (Sl 15, 11). 

Quarta-feira, 20 de maio-2026. 7ª Semana da Páscoa. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 20 maio 2026
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1) Oração

Ó Deus misericordioso, concedei que a vossa Igreja, reunida no Espírito Santo, se consagre ao vosso serviço num só coração e numa só alma. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Jo 17, 11b-19)

11Pai santo, guarda-os em teu nome, que me encarregaste de fazer conhecer, a fim de que sejam um como nós. 12Enquanto eu estava com eles, eu os guardava em teu nome, que me incumbiste de fazer conhecido. Conservei os que me deste, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura. 13Mas, agora, vou para junto de ti. Dirijo-te esta oração enquanto estou no mundo para que eles tenham a plenitude da minha alegria. 14Dei-lhes a tua palavra, mas o mundo os odeia, porque eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo. 15Não peço que os tires do mundo, mas sim que os preserves do mal. 16Eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo. 17Santifica-os pela verdade. A tua palavra é a verdade. 18Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. 19Santifico-me por eles para que também eles sejam santificados pela verdade.

 

3) Reflexão  - Jo 17,11b-19

Estamos na novena de Pentecostes, aguardando a vinda do Espírito Santo. Jesus diz que o dom do Espírito Santo só é dado a quem o pede na oração (Lc 11,13). No cenáculo, durante nove dias, desde a ascensão até pentecostes, os apóstolos perseveraram na oração junto com Maria a mãe de Jesus (At 1,14). Por isso conseguiram em abundância o dom do Espírito Santo (At 2,4). O evangelho de hoje continua colocando diante de nós a Oração Sacerdotal de Jesus. É um texto bem bem apropriado para nos preparar nestes dias para a vinda do Espírito Santo em nossas vidas.

 

João 17, 11b-12: Guarda-os em teu nome!

 Jesus transforma a sua preocupação em prece: "Guarda-os em teu nome, o nome que tu me deste, para que sejam um como nós!"  Tudo que Jesus fez em toda a sua vida, ele o fez em Nome de Deus. Jesus é a manifestação do Nome de Deus. O Nome de Deus é Javé, JHWH. No tempo de Jesus, este Nome era pronunciado como Adonai, Kyrios, Senhor. No sermão de Pentecostes, Pedro disse que Jesus, pela sua ressurreição, foi constituído Senhor : “Portanto, que todo o povo de Israel fique bem ciente que a esse mesmo Jesus, que vocês crucificaram, Deus o fez Senhor e Messias”.(At 2,36). E Paulo diz que isto foi feito “para que todos proclamem, para glória de Deus Pai: Jesus Cristo é o Senhor!” (Fl 2,11). É o “Nome que está acima de todo nome” (Fl 2,9), JHWH ou Javé, o Nome de Deus, recebeu um rosto concreto em Jesus de Nazaré! É em torno a este Nome que deve ser construída a unidade: Guarda-os em teu nome, o nome que tu me deste, para que sejam um como nós. Jesus quer a unidade das comunidades, para que possam resistir frente ao mundo que as odeia e persegue. Povo unido ao redor do Nome de Jesus jamais será vencido!

 

João 17,13-16: Que tenham a plenitude da minha alegria

Jesus está se despedindo. Vai partir em breve. Os discípulos e as discípulas continuam no mundo, vão ser perseguidos, terão aflições. Por isso estão tristes. Jesus quer que tenham alegria plena. Eles vão ter que continuar no mundo sem fazer parte do mundo. Isto significa, bem concretamente, viver no sistema do império, seja ele romano ou neo-liberal, sem se deixar contaminar por ele. Como Jesus e com Jesus devem viver na contra-mão do mundo.

 

João 17,17-19: Como tu me enviaste, eu os envio ao mundo

Jesus pede que sejam consagrados na verdade. Isto é, que sejam capazes de dedicar toda a sua vida para testemunhar suas convicções a respeito de Jesus e de Deus como Pai. Jesus se santificou na medida em que, durante a sua vida, revelava o Pai. Ele pede que os discípulos e as discípulas entrem no mesmo processo de santificação. A missão deles é a mesma de Jesus. Eles se santificam na mesma medida em que, vivendo o amor, revelam Jesus e o Pai. Santificar-se significa tornar-se humano como Jesus foi humano. Dizia o Papa Leão Magno: “Jesus foi tão humano, mas tão humano, como só Deus pode ser humano”. Por isso devem viver na contra-mão do mundo, pois o sistema do mundo desumaniza a vida humana e a torna contrária às intenções do Criador.

 

4) Para confronto pessoal

 1) Jesus viveu no mundo, mas não era do mundo. Viveu na contra-mão do sistema e, por isso, foi perseguido e morto. E eu? Será que vivo na contra-mão do sistema de hoje, ou adapto minha fé ao sistema?

2) Preparação para Pentecostes. Invocar o dom do Espírito Santo, o Espírito que animou a Jesus. Nesta novena de preparação a Pentecostes convém tirar um tempo para pedir o dom do Espírito de Jesus.

 

5) Oração final

Bendigo o Senhor porque me deu conselho, porque mesmo de noite o coração me exorta. Ponho sempre o Senhor diante dos olhos, pois ele está à minha direita; não vacilarei (Sl 15,7-8).

'Achava que Deus iria mudá-lo': alerta viralizado de pastora evidencia papel das igrejas contra a violência doméstica

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Publicado em 18 maio 2026
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Estatísticas apontam que os espaços religiosos estão entre os mais buscados por mulheres alvo de agressão

Pastora fez alerta contra violência doméstica — Foto: Arte O Globo

 

Por Esther Gama, Fernanda Alves e João Marcelo Barreto*

"Pare de orar por ele”, vaticina a voz feminina firme, no tom tradicional das pregações religiosas, “e comece a orar por você”. O discurso da pastora Helena Raquel, da Assembleia de Deus Vida na Palavra (ADPIV), conquistou as redes sociais, atraindo atenção da esquerda à direita, com a defesa enfática de que mulheres evangélicas vítimas de violência doméstica procurem a polícia para denunciar o agressor. O alerta soma-se a outras iniciativas de conscientização dentro de igrejas, voltadas a enfrentar o tema em um meio no qual o divórcio ainda é visto como tabu e que tem a defesa incondicional da família como um dos pilares de sustentação.

Estatísticas apontam que os espaços religiosos estão entre os mais buscados por mulheres alvo de agressão. Dados da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher 2025, feita pelo DataSenado, mostram que 52% das vítimas recorrem exatamente às igrejas em busca de auxílio. Quando o recorte é apenas entre evangélicas, o indíce salta para 69%.

— Violência doméstica é pecado, é crime e é destruição da família. A igreja não é lugar de silêncio diante disso. A Bíblia protege a vida, a dignidade e a família, e a mulher vítima precisa ser acolhida, orientada e encaminhada aos meios legais de proteção — frisa o bispo Abner Ferreira, um dos principais nomes da Assembleia de Deus, maior pentecostal do país.

Já o relatório “Visível e invisível: a vitimização de mulheres no Brasil”, conduzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em parceria com o Datafolha, mostrou que a violência de gênero nos últimos 12 meses atingiu o maior patamar da série histórica, iniciada em 2016. Dentre as entrevistadas, 42,7% das mulheres que se identificaram como evangélicas sofreram alguma agressão ao longo da vida, ante 35% das católicas.

— Pare de orar por ele hoje, e comece a orar por você. Você precisa ter coragem para sair e fazer a denúncia em uma Delegacia da Mulher ou em qualquer outro lugar. Você precisa, com urgência, ligar para alguém de confiança e buscar um lugar seguro. E não acredite no pedido de desculpas, porque quem agride mata — discorre a pastora Helena Raquel na pregação viralizada.

A declaração postada no início de maio no perfil da líder religiosa no Instagram, onde ela soma hoje quase 2 milhões de seguidores, ganhou apoio de diferentes matizes. Os elogios vieram de antagonistas na esfera pública como a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

— Vi com satisfação, pela relevância de ambas. Violência contra a mulher e abuso infantil são temas humanitários e independem de posições partidárias — diz Raquel ao GLOBO, lamentando, porém, os contornos políticos da repercussão. — Mas não permitirei que o descontentamento me paralise. Seguirei cooperando como mulher, mãe e pastora para uma transformação tão necessária na sociedade.

Lideranças evangélicas de peso, como o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), também ecoaram o discurso. Malafaia, no entanto, questiona dados usados por Raquel, corroborados pelo relatório do FBSP, de que mais de 40% das evangélicas já teriam sofrido violência doméstica:

— Não é verdade. A marca da igreja evangélica é recuperar pessoas. Quantos bêbados, perversos e vagabundos que batiam na mulher não foram transformados pelo Evangelho? E não passamos pano. Se chegar dizendo que é espancada pelo marido, falamos para ir na delegacia, e ele é excluído da igreja. Mas o alerta dela é válido, tem meu aplauso.

 

‘Achava que deus ia mudá-lo’

Joana (nome fictício), de 49 anos, passou quase uma década sofrendo violências do então marido, pastor de uma pequena igreja em São Gonçalo (RJ). Por influência da comunidade religiosa, ela acabava optando por persistir na fé.

— Sempre sofri com os ataques verbais e as manipulações psicológicas, desde o comecinho. Com o passar dos anos, a situação piorou e vieram as violências físicas. Acreditava que, por meio da oração e campanhas na igreja, Deus iria mudá-lo, mas aprendi que Jesus só age em quem realmente deseja ser transformado — lembra ela, que também é filha de pastor.

Quando chegou ao limite, foi também na igreja que Joana encontrou ajuda. Conheceu uma rede de mulheres de outra congregação, diferente da que o marido atuava, e recebeu apoio para denunciar a violência, buscar uma medida protetiva contra o agressor e se divorciar.

— Elas (as mulheres do grupo) me salvaram. Não me julgaram e nem condenaram. Pelo contrário, me incentivaram a denunciar e ir ao psicólogo.

Episódios similares motivaram a criação do Programa Igreja Pela Vida das Mulheres, coordenado pela Promotoria de Justiça de Campinas, do Ministério Público de São Paulo, em parceria com a prefeitura e com congregações locais. O projeto distribui cartilhas sobre violência contra a mulher, propõe protocolos de acolhimento a vítimas para líderes religiosos e estimula rodas de conversa com homens, entre outras medidas.

— A correta difusão de informação qualificada sobre o ciclo da violência e sobre a estrutura da rede de apoio, e a consciência, dos líderes religiosos, de que podem responder por omissão, é capaz de salvar muitas vidas. Para muitas pessoas, a igreja é o único espaço de formação de laços que possuem — destaca a promotora Cristiane Corrêa de Souza Hillal, à frente do programa.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia criou, ainda em 2002, o projeto “Quebrando o silêncio”. Anualmente, são elaboradas cartilhas que tratam de temas como feminicídio, o ciclo da violência e a diferença entre ataques físicos e psicológicos, distribuídas em 30 mil unidades da congregação no Brasil e na América Latina.

— Nosso principal foco é a violência doméstica, mas também tratamos de vertentes como os ataques a idosos, crianças e digital. Acreditamos que a agressão se alimenta da desinformação, e tem gente que está sendo vítima sem saber identificar. Nossa ideia é mudar esse cenário através da prevenção e da conscientização — explica Jeanete Nunes Pinto, coordenadora do projeto.

 

‘Se liga, irmã’

Já o “Se liga, irmã”, elaborado pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) em 2023, já reuniu mais de 5 mil evangélicas em palestras e eventos de conscientização e formou mais de 300 multiplicadoras.

— A igreja é a porta de entrada para muitas mulheres que nunca procurariam ajuda em outro ambiente. Nosso papel é garantir que essa porta leve ao caminho certo, e não ao silêncio — opina a pastora Cynthia Ferreira, fundadora do instituto Flores de Aço, que toca o projeto hoje.

Apesar das iniciativas, relatos como o de Joana ainda são comuns. Não raro, o temor de que a separação desfaça o lar, que deve ser preservado pela ótica religiosa, leva mulheres a se manterem em relacionamentos abusivos.

— O divórcio ainda é um tema muito desafiador para a maioria das igrejas evangélicas, defendido biblicamente somente em caso de adultério. A violência, seja ela física ou de outros tipos, muitas vezes não é considerada fator forte o suficiente para legitimar a separação. Muitas mulheres aprendem que, se forem firmes na fé e se dedicarem às orações e jejuns, poderão ganhar seus maridos para Cristo, obtendo, assim, uma mudança de comportamento deles — avalia Marília de Camargo César, autora de “O grito de Eva”, que reúne histórias de cristãs vítimas de violência doméstica.

A percepção é corroborada pela pastora Helena Raquel, que cobra “avanço no diálogo” sobre o tema nas igrejas:

— Precisamos reparar um discurso antigo e perigoso que indicava a espiritualidade da mulher ou da família como sua única forma de defesa diante do abuso e violência, quando, na verdade, ela é a primária, mas não a única. Entendo que a maior parte dessas vítimas não ouviu um conselho direto para permanecer nos relacionamentos, mas deixou de ouvir um conselho direto para não permanecer. (*Estagiários sob supervisão de Luã Marinatto). Fonte: https://oglobo.globo.com

Padre investigado por abuso sexual comete suicídio na Guatemala

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Publicado em 16 maio 2026
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A Arquidiocese de San Salvador confirmou o suicídio do padre Edgar Lisandro Winter Coronado, que estava sendo investigado por suposto abuso sexual. O incidente ocorreu em sua cidade natal, Cobán, na Guatemala.

 

SAN SALVADOR — A Arquidiocese de San Salvador anunciou na quinta-feira que o padre Edgar Lisandro Winter Coronado, que estava sendo investigado por alegações de abuso sexual, tirou a própria vida em sua cidade natal , Cobán , na Guatemala.

Segundo um comunicado divulgado pela instituição religiosa, o padre havia viajado aos Estados Unidos no final de abril para realizar trabalho pastoral. No entanto, ele retornou a Cobán por vontade própria, onde cometeu suicídio em 12 de maio.

"Infelizmente, a causa de sua morte foi suicídio", dizia o comunicado.

A notícia da morte do líder religioso foi divulgada na quarta-feira, embora a causa da morte não tenha sido confirmada imediatamente.

Antes desse trágico acontecimento, na segunda-feira, a Arquidiocese de San Salvador havia informado que um processo legal havia sido instaurado contra ele, de acordo com o direito canônico, após uma denúncia de suposto abuso sexual. O padre era responsável pela Paróquia de Santa Maria da Encarnação, localizada no município de San Marcos, na zona sul da capital salvadorenha.

Em um caso separado, a Arquidiocese informou em janeiro que o padre Jesús Orlando Erazo Gálvez foi permanentemente afastado do sacerdócio após ser condenado a 14 anos de prisão pelo estupro de uma menor. Este processo foi conduzido sob a supervisão do Dicastério para a Doutrina da Fé , órgão do Vaticano, e foi realizado pelo Tribunal Eclesiástico da Região Central.

A condenação de Erazo Gálvez ocorreu após um julgamento em El Salvador relacionado a um caso ocorrido em dezembro de 2022 no município de San Cristóbal , no departamento de Cuscatlán , de acordo com informações fornecidas pelo Ministério Público. Fonte: https://www.cadena3.com

 

A Arquidiocese confirma que o padre que estava sendo investigado por abuso sexual 'cometeu suicídio'.

 

Por Steven Rosales

O Vicariato Episcopal de Comunicações da Arquidiocese de San Salvador informou esta manhã que a morte do padre Edgar Lisandro Winter Coronado foi resultado de um suicídio, ocorrido na cidade de Cobán, Alta Verapaz, na Guatemala, sua cidade natal.

A morte do padre católico ocorreu dois dias depois de uma investigação eclesiástica contra ele ter sido tornada pública na segunda-feira, 11 de maio, na sequência de alegações de abuso sexual infantil.

Segundo um comunicado divulgado pela Arquidiocese, o padre "no final de abril, viajou para os Estados Unidos para prestar serviço pastoral em uma paróquia daquele país; no entanto, constatamos que, mesmo sem cumprir a referida missão pastoral, por iniciativa própria, ele viajou para a Guatemala, para seu local de origem - Cobán".

Foi nessa cidade que ele faleceu na noite de terça-feira, 12 de maio. "Infelizmente, a causa de sua morte foi suicídio. Pedimos a todos que ofereçam orações a Deus por seu descanso eterno", informou a Igreja Católica de El Salvador.

No dia 11 de maio, o Vicariato Episcopal anunciou que a Congregação Episcopal recebeu uma denúncia de um suposto crime de abuso sexual de menores contra o sacerdote Winter Coronado, que estava lotado na Paróquia Santa María de la Encarnación, em San Marcos, San Salvador.

"Esta Cúria procedeu imediatamente à imposição de medidas cautelares e à instauração do devido processo legal, em conformidade com o Direito Canônico", informou a Arquidiocese de San Salvador por meio de comunicado oficial.

No dia 13 de maio, por meio de um comunicado publicado pela paróquia de Santa María de la Encarnación, foi anunciada a morte do líder religioso, que realizava trabalho pastoral naquele templo católico. Fonte: https://eluniversalsv.com

Hoje é dia de são Matias, Apóstolo

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Publicado em 14 maio 2026
  • O Santo do Dia,
  • Festa do Apóstolo São Matias
  • São Matias
  • são Matias Apóstolo
  • escolhido para ocupar o lugar que o traidor Judas Iscariotes
  • a Igreja primitiva
  • O Santo do Dia- São Matias,
  • Apóstolo São Matias,

 

Por Redação central

Hoje (14) a Igreja celebra são Matias, o escolhido para ocupar o lugar que o traidor Judas Iscariotes havia deixado entre os Apóstolos. Nos Atos dos Apóstolos há sinais do quanto a Igreja primitiva o apreciava, assim como a narração do episódio que explica a sua eleição.

Depois da Ascensão do Senhor, os Apóstolos, junto com Maria e vários discípulos, estavam em oração, esperando o Espírito Santo. Naqueles dias, Pedro convidou a comunidade a decidir quem deveria substituir Judas:

"Convém, pois, que destes homens que têm estado em nossa companhia todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós, a começar do batismo de João até o dia em que de nosso meio foi arrebatado, um deles se torne conosco testemunha da sua Ressurreição" (Atos 1, 21-22).

Está cada vez mais difícil ver notícias católicas nas redes sociais. Inscreva-se hoje mesmo em nossos canais gratuitos:

“Propuseram dois: José, chamado Bar­sabás, que tinha por sobrenome Justo, e Matias. E oraram nestes termos: ‘Ó Senhor, que conheces os corações de todos, mostra-nos qual destes dois escolheste para tomar neste ministério e apostolado o lugar de Judas que se transviou, para ir para o seu próprio lugar’. Deitaram sorte e caiu a sorte em Matias, que foi incorporado aos onze apóstolos” (Atos 1, 23-26).

Não se sabe muito mais sobre são Matias, mas é claro que ele permaneceu fiel ao Senhor até o fim de seus dias.

O papa emérito Bento XVI, em 2006, partilhou uma bela reflexão a partir da figura deste santo: "Tiramos disto mais uma lição: mesmo se na Igreja não faltam cristãos indignos e traidores, compete a cada um de nós equilibrar o mal que eles praticam com o nosso testemunho transparente a Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador". Fonte: https://www.acidigital.com

SÃO MATIAS- Quinta-feira, 14 de maio-2026. 6ª SEMANA DA PÁSCOA. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 14 maio 2026
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1) Oração

Ó Deus, que associastes são Matias ao colégio apostólico, concedei, por sua intercessão, que, fruindo da alegria do vosso amor, mereçamos ser cotados entre os eleitos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 15, 9-17)

Naquele tempo disse Jesus: 9Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor. 10Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor. 11Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa. 12Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo. 13Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos. 14Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando. 15Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai. 16Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda.17O que vos mando é que vos ameis uns aos outros.

 

3) Reflexão   Jo 15,9-17

Hoje é a festa do apóstolo Matias. O Evangelho João 15,9-17 já foi meditado no dia 24 de abril. Vamos retomar alguns pontos que já foram vistos naquele dia.

João 15,9-11: Permanecer no amor, fonte da perfeita alegria. 

Jesus permanece no amor do Pai observando os mandamentos que dele recebeu. Nós permanecemos no amor de Jesus observando os mandamentos que ele nos deixou. E devemos observá-los com a mesma medida com que ele observou os mandamentos do Pai: “Se vocês obedecem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como eu obedeci aos mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor”.  É nesta união de amor do Pai e de Jesus que está a fonte da verdadeira alegria: “Eu disse isso a vocês para que minha alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja completa”.

 

João 15,12-13: Amar os irmãos como ele nos amou.

O mandamento de Jesus é um só: "amar-nos uns aos outros como ele nos amou!" (Jo 15,12). Jesus ultrapassa o Antigo Testamento. O critério antigo era: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Lv 18,19). O novo critério é: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei". Aqui ele disse aquela frase que cantamos até hoje: "Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão!"

 

João 15,14-15 Amigos e não empregados

"Vocês serão meus amigos se praticarem o que eu mando", a saber, a prática do amor até à doação total de si!  Em seguida, Jesus coloca um ideal altíssimo para a vida dos discípulos e das discípulas. Eles diz: "Não chamo vocês de empregados mas de amigos. Pois o empregado não sabe o que faz o seu patrão. Chamo vocês de amigos, porque tudo que ouvi do meu Pai contei para vocês!"  Jesus já não tinha mais segredos para os seus discípulos e suas discípulas. Tudo que ouviu do Pai contou para nós! Este é o ideal bonito da vida em comunidade: chegarmos a uma total transparência, a ponto de não haver mais segredos entre nós e de podermos confiar totalmente um no outro, de podermos partilhar a experiência que temos de Deus e da vida e, assim, enriquecer-nos mutuamente. Os primeiros cristãos conseguiram realizar este ideal durante alguns anos. Eles "eram um só coração e uma só alma" (At 4,32; 1,14; 2,42.46).  

João 15,16-17: Foi Jesus que nos escolheu  

Não fomos nós que escolhemos Jesus. Foi ele que nos encontrou, nos chamou e nos deu a missão de ir e dar fruto, fruto que permaneça. Nós precisamos dele, mas ele também quer precisar de nós e do nosso trabalho para poder continuar fazendo hoje o que fez para o povo na Galiléia. A última recomendação: "Isto vos mando: amai-vos uns aos outros!"

 

4) Para um confronto pessoal

1) Amar o próximo como Jesus nos amou. Este é o ideal de cada cristão. Como isto está sendo vivido por mim?

2) Tudo que ouvi do meu Pai contei para vocês. Este é o ideal da comunidade: chegar a uma total transparência. Como isto está sendo vivido na minha comunidade?

 

5) Oração final

Louvai, ó servos do Senhor, louvai o nome do Senhor. Bendito seja o nome do Senhor, agora e para sempre.

Padre Júlio Lancellotti é acusado de usar dinheiro de igreja para quitar gasto com ação judicial

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Publicado em 09 maio 2026
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Vereador de São José dos Campos fez representação à Arquidiocese de SP e anexou comprovantes

Cúria Metropolitana de SP diz que recebeu representação contra o padre e irá analisar; religioso não se manifesta

 

Padre Júlio Lancellotti, na Paroquia São Miguel Arcanjo, na Mooca, com estatua da Irmã Dulce - Eduardo Knapp - 11.jan.24/Folhapress

 

Carlos Petrocilo

São Paulo

Um vereador de São José do Campos acusa o padre Júlio Lancellotti de pagar despesas de um processo judicial que ele move com dinheiro da sua paróquia, localizada no bairro da Mooca, em São Paulo.

Segundo a denúncia, Lancellotti usou a conta da igreja para saldar duas guias de Dare (Documento de Arrecadação de Receitas Estaduais) no ano passado: uma de R$ 450 em fevereiro e outra de R$ 1.200 em novembro.

Os comprovantes bancários das transferências da Paróquia de São Miguel Arcanjo, onde o padre atua, foram anexados pelo vereador Thomaz Henrique (PL) em uma denúncia contra o pároco feita à Arquidiocese de São Paulo.

"A Cúria Metropolitana de São Paulo recebeu, na sexta-feira, 8 de maio, uma representação canônica encaminhada pelo vereador Thomaz Henrique referente ao padre Júlio Lancellotti", disse a Arquidiocese em nota ao Painel.

"Seu conteúdo será analisado oportunamente pelas instâncias competentes da Arquidiocese de São Paulo", completou.

Procurado pela coluna na tarde desta sexta (8), Lancellotti escreveu que não tinha conhecimento dos fatos.

O pagamento se refere ao pagamento de custas de um processo que ele moveu contra a vereadora Janaina Ballaris (União Brasil), de Praia Grande, por calúnia e difamação, em 2024, solicitando uma indenização de R$ 30 mil por danos morais.

Em uma entrevista, ela associou o padre a um assistencialismo midiático. O Tribunal de Justiça de São Paulo negou o pedido de indenização, no entanto. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

Um ano de Leão: viagens, apelos pela paz e a missão de pastorear o mundo

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Publicado em 08 maio 2026
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O Papa Leão XIV celebra o primeiro aniversário de sua eleição à Sé de Pedro em 8 de maio de 2026. Doze meses marcados por audiências, encontros, mensagens, grandes viagens ao Oriente Médio e à África, pelo Consistório com o Colégio Cardinalício, ajustes e renovações na Cúria Romana e por um compromisso com a paz expresso em vigorosos apelos e pelo trabalho diplomático nos bastidores.

 

Salvatore Cernuzio – Vatican News

O primeiro Habemus Papam, em 8 de maio de 2025, foi anunciado pela multidão reunida na Praça São Pedro ao ver o primeiro fio de fumaça branca que saiu da chaminé da Capela Sistina. Em seguida, veio o anúncio do Cardeal Protodiácono, às 19h12 locais: "Robertum Franciscum..." Por fim, a aparição do balcão central da Basílica Vaticana às 19h23 locais: vestindo uma murça vermelha, mãos unidas, um leve sorriso, olhos marejados de emoção. Robert Francisco Prévost é o 267º Sucessor de Pedro: Leão XIV.

 

“Que a paz esteja com todos vocês.”

Ao cair da tarde deste mesmo dia, doze meses atrás, a história bimilenar da Igreja iniciou um novo capítulo com a eleição de um novo Pontífice, escolhido num conclave rápido por 133 cardeais. O primeiro Papa oriundo dos Estados Unidos, nascido 69 anos atrás em Chicago, de espírito peruano depois de mais de 22 anos vividos naquele país latino-americano. Um "filho de Santo Agostinho", proveniente da Ordem Agostiniana, da qual serviu dois mandatos como Prior Geral. Um Papa de origens mistas, especialista em matemática, línguas e Direito Canônico, pároco e bispo de Chulucanas, Trujillo e Chiclayo, e cardeal prefeito do Dicastério para os Bispos. Um Pontífice com uma formação multifacetada, que se dirigiu ao mundo em sua primeira aparição em italiano, espanhol e latim, lendo um texto de sua autoria, no qual a palavra "paz" apareceu dez vezes.

 

Esforços pela paz

Por esta paz — "desarmada e desarmante", como ele a definiu em 8 de maio, com uma expressão que se tornou uma marca registrada de seu pontificado — o Papa Leão XIV fez apelos vigorosos ao longo deste ano: de o "Nunca mais a guerra!", no primeiro Regina Caeli do balcão central da Basílica Vaticana, ao apontar o dedo para os senhores da guerra cujas mãos "pingam sangue", durante a missa do Domingo de Ramos (29 de março), e ao denunciar quem é "escravo" da morte "para fazer de si mesmo e do próprio poder o ídolo mudo, cego e surdo ao qual sacrifica todos os valores e diante do qual pretende que o mundo inteiro se ajoelhe", expresso na Vigília de Oração pela Paz na Basílica de São Pedro, em 11 de abril.

Pela paz, Leão encontrou-se com representantes do Hezbollah no Líbano, recebeu os presidentes da Palestina e de Israel, Abbas e Herzog, para reiterar a ambos a urgência do cessar-fogo em Gaza e da solução de dois Estados, e manteve conversas telefônicas com vários líderes de nações em guerra, incluindo o presidente russo Vladimir Putin, que durante o pontificado anterior do Papa Francisco não havia mostrado nenhum sinal de interlocução.

 

Apelos públicos e trabalho "nos bastidores"

Leão XIV promoveu o trabalho diplomático pela paz, talvez menos visível ao público em geral e aos holofotes da mídia, mas fundamental para a nobre causa do bem dos povos, objetivo primordial da Igreja. Esse trabalho acontece "nos bastidores", como ele próprio confidenciou a jornalistas no voo de retorno do Líbano, destino de sua primeira viagem apostólica junto com a Turquia: "Nosso trabalho não é, primordialmente, algo público que declaramos nas ruas; é algo que acontece 'nos bastidores'". É algo que já fizemos e continuaremos a fazer, para tentar, digamos, convencer as partes a abandonarem as armas, a violência e a se reunirem à mesa de diálogo".

 

O Papa em uma paróquia em Roma

Estas declarações do Papa são a chave para muitas iniciativas lançadas neste primeiro ano de pontificado, começando pela primeira disponibilidade, poucos dias após a sua eleição, de abrir as portas do Vaticano para acolher as negociações entre a Rússia e a Ucrânia. Esta proposta foi recebida com ceticismo por parte dos russos e entusiasmo por parte dos ucranianos, expresso pelo presidente Volodymyr Zelensky, com quem o Papa se encontrou três vezes. Duas dessas ocasiões foram em Castel Gandolfo, onde — após doze anos — Leão XIV retomou o retorno à residência de verão, deixando a Residência Papal como museu aberto ao público e passando a residir na Villa Barberini. Esta residência tornou-se familiar a muitos jornalistas que se encontram com o Papa todas as terças-feiras à noite, depois de ouvirem as suas declarações e observações sobre assuntos da atualidade. Ou apelos, mesmo que breves, mas sempre com o objetivo de instar os "grandes líderes mundiais" a "pôr fim à guerra" e trabalhar pela paz "não com armas", mas "com diálogo", ou a estimular a ação popular, como quando, após o ataque dos EUA ao Irã, ele exortou seus compatriotas estadunidenses a "encontrarem maneiras de se comunicar com os 'membros do Congresso', com as autoridades, para dizer que não queremos guerra, queremos paz!". Essa ação sem precedentes provocou uma reação da administração dos Estados Unidos, com o presidente Donald Trump criticando duramente o Pontífice no mesmo dia em que ele embarcava para a Argélia, destino, juntamente com Camarões, Angola e Guiné Equatorial, de sua até então viagem apostólica mais longa (13 a 23 de abril). Solicitado por jornalistas no avião, o Papa não respondeu a essas críticas, mas sim recordou seu papel e missão: o de "pastor" e não o de "político". Portanto, "nenhum debate" com Trump, nem "medo" de potenciais ataques daquela administração, mas apenas a missão de proclamar a "mensagem do Evangelho", que infelizmente alguns hoje abusam. Palavras reiteradas recentemente em Castel Gandolfo: "A Igreja proclama o Evangelho, prega a paz. Se alguém quiser me criticar, que o faça com a verdade."

 

A peregrinação africana

O anúncio do Evangelho, como missão primordial do Sucessor de Pedro, Leão XIV reverberou pelas elegantes praças do Principado de Mônaco durante sua viagem em 28 de março, e depois nas ruas, estádios e igrejas dos quatro países africanos que visitou, em meio a filas e plateias de milhares de fiéis em clima de festa, apesar do calor escaldante e das chuvas tropicais. Os apelos do Pontífice por uma paz que "não deve ser inventada, mas sim acolhida" em um território como Bamenda, no noroeste de Camarões, devastado por guerras separatistas. Exortações à fraternidade numa Argélia 90% muçulmana; apelos por justiça — a "verdadeira" justiça que corrige e cura — proferidos na prisão de Bata, na Guiné Equatorial, diante de 630 detentos sob a chuva. E, mais uma vez, orações e invocações pela distribuição justa de recursos e pelo desenvolvimento integral em Angola, um país rico em petróleo e diamantes, onde, no entanto, 50% da população vive em extrema pobreza. O Papa também exortou os jovens a assumirem um papel de liderança, a respeitarem os direitos humanos, a defenderem a dignidade dos pobres e das mulheres e a preservarem a fé, um verdadeiro recurso que ninguém pode saquear. Estas são ideias e motivações para que o continente caminhe de cabeça erguida rumo ao futuro pelo qual os seus povos anseiam.

 

A viagem à Turquia e ao Líbano

A viagem à África foi rica em imagens e palavras; uma viagem que Leão XIV desejava fazer, como revelou no voo para Argel, desde o início de seu pontificado, mas que adiou para priorizar a promessa e o desejo de seu antecessor, Francisco. Tratava-se de ir à Turquia para celebrar em Iznik, hoje Niceia, o aniversário de 1.700 anos do Concílio e depois ir ao Líbano para encontrar um povo exausto pela guerra, crises, pobreza, emigração e imigração. Esta também foi uma peregrinação — de 27 de novembro a 2 de dezembro — que revigorou o caminho ecumênico, com inúmeros encontros com o Patriarca Bartolomeu, oferecendo oportunidades de diálogo com líderes de outras religiões e proporcionando preciosos registros. Dentre eles, o Papa em oração silenciosa diante da devastação do porto de Beirute, palco da explosão de 2020, ou o Papa imerso no abraço coletivo de 15 mil jovens libaneses e de outras nacionalidades em Bkerké.

 

Entre os jovens

O Papa Leão viu muitos jovens nos últimos meses, graças às numerosas celebrações do Jubileu da Esperança, aberto por Francisco e concluído por ele em 6 de janeiro, Solenidade da Epifania, com o fechamento da Porta Santa da Basílica de São Pedro. O momento culminante do Ano Santo foi, sem dúvida, o Jubileu dedicado aos jovens, de 28 de julho a 3 de agosto. Mais de um milhão de jovens, rapazes e moças, de diversas idades e origens, lotaram as ruas de Roma durante dias, e depois acorreram à Tor Vergata para a vigília e a missa com o Sucessor de Pedro. Foi um espetáculo de rostos, luzes, cores, bandeiras e celulares prontos para registrar as palavras do Pontífice, que encorajou as novas gerações a não se contentarem com a superficialidade, mas a construírem laços autênticos, superando a hiperconexão e a falta de comunicação, e aspirando à santidade.

Também ficou gravada na memória daqueles dias a surpresa da aparição do Papa num jipe ​​na Via della Conciliazione, na Praça São Pedro, para saudar a multidão reunida para a abertura das comemorações do Jubileu. "Vocês são a luz do mundo!", exclamou o Bispo de Roma na praça. E por falar em surpresas, não podemos esquecer a chegada do Papa a Óstia, no dia 17 de outubro, a bordo do Med25 Bel Espoir, o navio que percorreu os portos do Mediterrâneo transportando 25 jovens de diferentes nacionalidades e religiões. Ele, Leão XIV, estava no leme com eles, os marinheiros da paz, "sinais de esperança" em meio ao ódio e à violência.

 

Rearmamento, violência e o domínio da força

Essa mesma violência que o Papa por vezes descreveu como "diabólica", como afirmou em seu discurso monumental na sessão plenária da Reunião das Obras de Ajuda às Igrejas Orientais (ROACO), condenando a "lógica da divisão e da retaliação", o comércio de armas que sufoca o desenvolvimento de escolas e hospitais e a "falsa propaganda do rearmamento". Esse apelo foi reiterado com força em sua mensagem para o 59º Dia Mundial da Paz, na qual o Pontífice denunciou "a irracionalidade de uma relação entre os povos" baseada "no medo e no domínio da força", mais do que na justiça, na confiança e no diálogo.

Diálogo é talvez a palavra que mais se repetiu nos discursos, homilias, saudações e reflexões de Leão XIV neste primeiro ano de seu pontificado. O diálogo é a chave para abrir todas as portas fechadas, uma ponte para superar todos os muros. O Papa tem apelado ao diálogo, inclusive dentro da Igreja, para superar essas "polarizações" que criam feridas no corpo eclesial. É o caso das fraturas no Vetus Ordo, pelas quais o Pontífice, como escreveu em mensagem aos bispos franceses, expressou preocupação, ao mesmo tempo que exortou a "soluções concretas que permitam a inclusão generosa de pessoas sinceramente" ligadass ao antigo rito, "de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo Concílio Vaticano II sobre a liturgia".

 

Divisões sobre a Liturgia

O tema da Liturgia também foi proposto entre os quatro temas que Leão XIV apresentou aos mais de 170 cardeais reunidos no Vaticano nos dias 7 e 8 de janeiro para o primeiro, mas não o último (o próximo será em junho), Consistório com os membros do Colégio Cardinalício. Com este evento, o Papa procurou iniciar um método de escuta, trabalho "em conjunto" e colegialidade. Assim, disse ele em seu discurso de abertura, "algo novo pode começar, algo que coloque o presente e o futuro em jogo". Dos quatro temas propostos, os cardeais reunidos durante dois dias no Vaticano votaram por uma clara maioria os temas sobre os quais refletir: Sínodo e Sinodalidade, Evangelização e missionariedade na Igreja, conforme interpretado pela Evangelii Gaudium.

 

Atenção aos migrantes

Dois temas representam fortes ligações com o pontificado do Papa Francisco, citado inúmeras vezes por Leão XIV em discursos públicos. Embora o atual Pontífice tenha revisto algumas das decisões de governança de seu antecessor (a reintegração do Setor Central da Diocese de Roma, a supressão da Comissão de Doações à Santa Sé e do Comitê para o Dia Mundial da Criança), ele também concentrou e revitalizou a questão da migração, denunciando o tratamento dispensado a milhares de migrantes: como se fossem "lixo", disse ele em seu discurso aos Movimentos Populares, ou "animais", declarou em sua viagem de retorno da Guiné Equatorial. O Papa irá ver de perto a tragédia migratória e suas consequências em sua visita a Lampedusa em 4 de julho, terra que ainda recorda a histórica visita do Papa Francisco em 2013, e sua parada nas Ilhas Canárias como parte de sua viagem apostólica à Espanha, de 6 a 12 de junho. Além de Madri e Barcelona, ​​o Papa também visitará Gran Canária e Tenerife, em meio ao fluxo de homens e mulheres que chegam a essas costas há anos.

 

Dilexi te e o foco nos últimos

A missão do Pontífice para os migrantes está livre de qualquer agenda política, sendo puramente pastoral, fruto de um foco nos últimos que estão no coração do Evangelho e da missão da Igreja. O Papa recordou isso na Dilexi te, a primeira exortação apostólica assinada em 4 de outubro. É um projeto iniciado por Francisco e relançado por Leão XIV sobre o tema do serviço aos pobres, em cujo rosto – lemos – encontramos “o sofrimento dos inocentes”. No texto magisterial, o Papa denuncia a economia que mata, a falta de igualdade, a violência contra as mulheres, a desnutrição, a crise educacional e “as estruturas de injustiça” que “devem ser destruídas com a força do bem”.

 

Ecumenismo e criação

Outros caminhos abertos por Bergoglio, e nos quais Prevost está trilhando, são os do diálogo, do ecumenismo e do respeito pela Criação. Esse compromisso foi reafirmado durante o momento histórico com os membros da realeza inglesa, Carlos III e Camilla, vivido na manhã de 23 de outubro, na Capela Sistina, onde ocorreu uma celebração em louvor a Deus Criador. Esse evento fortaleceu o caminho rumo à unidade, buscando superar divisões que hoje parecem ainda mais "escandalosas", como reiterou Leão XIV em sua audiência com a arcebispa de Cantuária, Sarah Mullally, a primeira mulher a ocupar o cargo de Primaz da Igreja Anglicana. Mullally foi recebida em 27 de abril, sessenta anos após o "encontro memorável" entre o arcebispo Michael Ramsey e São Paulo VI, que anunciou o primeiro diálogo teológico entre anglicanos e católicos.

 

Visitas na Itália

Neste primeiro ano na Sé de Pedro — marcado por aproximadamente 50 audiências gerais, cerca de 100 audiências públicas e privadas e mais de 60 missas — também merece destaque a primeira visita do Papa à Itália, a Assis, em 20 de novembro, para a conclusão da Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI) e a oração no túmulo de São Francisco, no oitavo centenário de sua morte. O Pontífice retornará à cidade da Úmbria em 4 de agosto, no âmbito de suas visitas pelas dioceses italianas em 2026, que começa na sexta-feira, 8 de maio, dia do primeiro aniversário de pontificado, com visitas a Pompeia e Nápoles. Ele visitará então Acerra, na Terra dos Fogos, a já mencionada Lampedusa e Assis, e participará do Encontro de Rimini (o primeiro Papa em quase 30 anos) e da missa com a Diocese de Rimini.

 

Reformas da Cúria

Em 2026, o Papa também fez suas primeiras nomeações internas importantes: dois chefes de dicastérios, o arcebispo Filippo Iannone, prefeito para os Bispos, e o arcebispo Anthony Randazzo, prefeito para os Textos Legislativos; o novo substituto da Secretaria de Estado, o arcebispo Paolo Rudelli, que substituiu o arcebispo Edgar Peña Parra, nomeado núncio na Itália; o prefeito da Casa Pontifícia, Petar Rajič; o padre Agostiniano Edward Daniang Daleng, vice-regente da Prefeitura da Casa Pontifícia; o monsegnhor Anthony Onyemuche Ekpo, assessor da Secretaria de Estado; e as nomeações dos arcebispos de Nova York, Ronald Hicks, e de Westminster, Charles Phillip Richard Moth. Por meio de motu proprio, rescritos e quirógrafos, Leão XIV já iniciou o processo de reforma financeira do Vaticano, retirando do IOR seus direitos exclusivos de investimento e introduzindo uma "responsabilidade compartilhada" com a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA). Publicou o novo Regulamento da Cúria Romana e promoveu a inclusão de pessoas com deficiência na comunidade de trabalho da Santa Sé.

 

Rumo ao novo ano

Doze meses, portanto, de sinais e orientações, com algumas diretrizes já evidentes, como a centralidade da missão, a atenção às periferias e a diplomacia ativa em conflitos. Os próximos meses deixarão clara a marca do pontificado, com a publicação da primeira encíclica e outras viagens internacionais, incluindo uma à América Latina, desejada pelo Papa Leão. Fonte: https://www.vaticannews.va

Quarta-feira, 6 de maio-2026. 5ª SEMANA DA PÁSCOA. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 06 maio 2026
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1) Oração

Ó Deus, que amais e restituís a inocência, orientai para vós os nossos corações, para que jamais se afastem da luz da verdade os que tirastes das trevas da descrença. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho segundo João (Jo 15,1-8)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 1“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. 2Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto ainda. 3Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei. 4Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim.

5Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. 7Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. 8Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.

 

3) Reflexão - Jo 15,1-8

Os Capítulos 15 até 17 do Evangelho de João trazem vários ensinamentos de Jesus que o evangelista juntou e colocou aqui no contexto amigo e fraterno do último encontro de Jesus com seus discípulos:

Jo 15,1-17:      Reflexões em torno da parábola da videira

Jo 15,18 a 16,4a:       Conselhos sobre a maneira de como comportar-se quando forem perseguidos

Jo 16,4b-15:    Promessa sobre a vinda do Espírito Santo

Jo 16,16-33:    Reflexões sobre a despedida e o retorno de Jesus

Jo 17,1-26:      O Testamento de Jesus em forma de oração

Os Evangelhos de hoje e de amanhã trazem uma parte da reflexão de Jesus em torno da parábola da videira. Para entender bem todo o alcance desta parábola, é importante estudar bem as palavras que Jesus usou. Igualmente importante é você observar de perto uma videira ou uma planta qualquer para ver como ela cresce e como acontece a ligação entre o tronco e os ramos, e como o fruto nasce do tronco e dos ramos.

 

João 15,1-2: Jesus apresenta a comparação da videira 

No Antigo Testamento, a imagem da videira indicava o povo de Israel (Is 5,1-2). O povo era como uma videira que Deus plantou com muito carinho nas encostas das montanhas da Palestina (Sl 80,9-12). Mas a videira não correspondeu ao que Deus esperava. Em vez de uvas boas deu um fruto azedo que não prestava para nada (Is 5,3-4). Jesus é a nova videira, a verdadeira. Numa única frase ele nos entrega toda a comparação. Ele diz: "Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo em mim que não produz fruto, ele o corta. E todo ramo que produz fruto, ele o poda!".  A poda é dolorosa, mas é necessária. Ela purifica a videira, para que cresça e produza mais frutos.

 

João 15,3-6: Jesus explica e aplica a parábola   

Os discípulos já são puros. Já foram podados pela palavra que ouviram de Jesus. Até hoje, Deus faz a poda em nós através da sua Palavra que nos chega pela Bíblia e por tantos outros meios. Jesus alarga a parábola e diz: "Eu sou a videira e vocês são os ramos!"  Não se trata de duas coisas distintas: de um lado a videira, do outro, os ramos. Não! Videira sem ramos não existe. Nós somos parte de Jesus. Jesus é o todo. Para que um ramo possa produzir fruto, deve estar unido à videira. Só assim consegue receber a seiva. "Sem mim vocês não podem fazer nada!" Ramo que não produz fruto é cortado. Ele seca e é recolhido para ser queimado. Não serve para mais nada, nem para lenha!

 

João 15,7-8: Permanecer no amor.   

Nosso modelo é aquilo que Jesus mesmo viveu no seu relacionamento com o Pai. Ele diz: "Assim como o Pai me amou, também eu amei vocês. Permaneçam no meu amor!" Ele insiste em dizer que devemos permanecer nele e que as palavras dele devem permanecer em nós. E chega a dizer: "Se vocês permanecerem em mim e minhas palavras permanecerem em vocês, aí podem pedir qualquer coisa e vocês o terão!"  Pois o que o Pai mais quer é que nos tornemos discípulos e discípulas de Jesus e, assim, produzamos muito fruto.

 

4) Para confronto pessoal

1-Quais as podas ou momentos difíceis, que já passei na minha vida e que me ajudaram a crescer? Quais as podas ou momentos difíceis, que passamos na nossa comunidade e nos ajudaram a crescer?

2) O que mantém a planta unida e viva, capaz de dar frutos, é a seiva que a percorre. Qual é a seiva que percorre nossa comunidade a mantém viva, capaz de produzir frutos?

 

5) Oração final

Cantai ao Senhor um canto novo, cantai ao Senhor em toda a terra. Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome. (Sl 95, 1)

Em 24 horas, duas famílias devastadas pela violência na cidade do Rio

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Publicado em 01 maio 2026
  • favela de Del Castilho
  • violência na cidade do Rio
  • Mortes no Rio de Janeiro

Marcos Vinícius morreu diante do filho e o casal Ariane e Ygor foi assassinado à luz do dia

 

Por Carmélio Dias

 — Rio de Janeiro

Em um intervalo de 24 horas, duas famílias foram atravessadas de forma dramática pela violência na cidade do Rio. Na tarde de terça-feira, em São Cristóvão, na Zona Norte, Marcos Vinícius Cerqueira Oliveira, de 28 anos, foi baleado por assaltantes dentro do seu carro. Ele estava com o filho de 7 anos. A criança não ficou fisicamente ferida, mas assistiu a tudo. Anteontem, no Terreirão, Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste, a biomédica Ariane Anselmo Cortes, de 31 anos, que havia anunciado sua gravidez aos seguidores em uma rede social há cerca de duas semanas, foi morta a tiros ao lado do companheiro Ygor Dante Santos Cordeiro, de 29 anos. O casal teria ficado em meio a um conflito envolvendo grupos criminosos locais e Ygor pode ter sido confundido com um miliciano. A Polícia Civil diz que investiga as circunstâncias das mortes.

— Parece que a vida ficou banal por aqui, a gente tem a sensação de que não tem mais valor nenhum, a nossa vida não vale nada. Um carro, um cordão... Por conta disso levaram a infância dos meus filhos, levaram a vida de um pai... podiam ter levado tudo, mas deixado meu marido — desabafou Camila Nascimento Ferreira, de 28 anos, após o enterro de Marcos Vinícius, na tarde de ontem, no Caju.

O desafio agora, conta Camila, é encontrar forças para retomar a vida sem o companheiro e cuidar dos filhos, especialmente do menino, que presenciou o assassinato do pai:

— Ele ficou completamente inconsolável, estamos tentando distrair, mas está sendo muito difícil. Os dois eram muito ligados, Marcos era um pai excepcional. É um trauma que vai acompanhar meu filho por toda a vida.

 

Chá de revelação

Ariane e Ygor foram executados na movimentada Avenida Canal das Taxas, no Terreirão. De acordo com familiares, os dois tinham ido ao local para buscar uma encomenda que seria usada no chá de revelação do bebê esperado pelo casal. Grávida de seis meses, Ariane, que já era mãe de um menino, vivia um momento especial em sua vida. Além da expectativa pela chegada do segundo filho, ela, que completaria 32 anos amanhã, tinha acabado de se formar em Biomedicina em dezembro do ano passado.

A conquista foi bastante celebrada. Em postagem do dia 13 de dezembro, Ariane e Ygor aparecem em vários registros, sorridentes, na festa que marcou a conclusão do curso: “Formatura dessa mulher incrível que me faz sentir a obrigação de melhorar a cada dia! Te amo Dra. Ariane”, escreveu Ygor, que no seu Instagram se apresentava como “supervisor em logística de distribuição” na área de comércio eletrônico. Ele era sócio em uma empresa de “serviços de malote não realizados pelo Correio Nacional” com endereço em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio.

Meses antes de se formar, em maio do ano passado, Ariane havia publicado uma foto usando o jaleco do curso de Biomedicina. A imagem foi fixada no topo das publicações. A legenda dá uma dimensão do quanto a conquista significava para ela e sua família: “É, dona Maria da Guia, a primeira Anselmo tá chegando lá”, diz mensagem direcionada à avó materna.

 

Treze segundos

O assalto que resultou na morte de Marcos Vinícius Cerqueira Oliveira aconteceu por volta das 16h na Rua Dulce Rosalina, nas proximidades do estádio de São Januário. Ele tinha ido buscar o filho na escolinha de futsal quando foi abordado por dois homens em uma motocicleta. Vídeos de câmeras de segurança mostram que a ação toda, até a fuga da dupla, dura meros 13 segundos.

Policiais do 4º BPM (São Cristóvão) foram chamados e encontraram Marcos ferido. Ele chegou a ser levado ao Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, mas não resistiu. Moradora de Del Castilho, a viúva de Marcos, que tocava uma peixaria em sociedade com o marido no Cachambi, conta que temia por assaltos no bairro onde vive.

— Acabou que aconteceu em outro lugar. Na minha cabeça fica a sensação de impotência, de medo, sempre morria de medo de ser assaltada aqui, mas a verdade é que não tem para onde correr. A gente não se sente seguro em lugar nenhum — desabafou Camila.

Por iniciativa de pais de outras crianças da escolinha de futsal frequentada pelo filho de Marcos e Camila, foi aberta uma vaquinha virtual para ajudar a família. Fonte: https://oglobo.globo.com

O que fazia José? O carpinteiro dos Evangelhos

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Publicado em 01 maio 2026
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Nos Evangelhos, uma única palavra grega define o ofício de José: "tektōn". A tradição a restringe, a arte a torna visível: assim, o trabalho de construir se concentra na madeira e se aproxima da cruz.

 

Maria Milvia Morciano – Cidade do Vaticano

As fontes dos Evangelhos descrevem a profissão de José com uma única palavra. No Evangelho de Marcos (6,3), Jesus é chamado de "o tektōn", enquanto no Evangelho segundo Mateus (13,55) ele é "o filho do tektōn". O termo grego τέκτων, traduzido na tradição latina como faber, refere-se a um contexto mais amplo do que a ideia atual de um carpinteiro: indica um artesão da construção, capaz de trabalhar com diversos materiais e intervir na construção de estruturas. A palavra mantém uma certa abertura, inserindo José num contexto de trabalho concreto, não rigidamente especializado. Já em 155 d.C., Justino, em seu Diálogo com Trifão, recorda que Jesus fazia arados e cangas, objetos ligados à terra e ao trabalho, sinal de um artesanato concreto que o termo conserva desde as primeiras fontes cristãs.

 

Uma palavra, um ofício

O contexto da Galileia do primeiro século torna ainda mais preciso  esse perfil. Em uma região onde a madeira para construção era limitada e a construção dependia em grande parte da pedra local, o tektōn estava associado ao canteiro de obras, à transformação do espaço habitacional e à manutenção das necessidades diárias. Isso representa uma figura imersa no trabalho, com habilidades práticas e adaptabilidade aos materiais disponíveis, longe de uma definição redutiva e excessivamente especializada. Um elemento sutil, mas significativo, também aparece nesse contexto: no Evangelho de Lucas (2,24), a oferta de duas pombas no Templo coloca a família numa condição modesta, como exigido pela lei bíblica, sem que isso esgote a complexidade de seu perfil, que permanece ligado ao trabalho qualificado e reconhecido.

 

Do construir à madeira

Partindo desse fato essencial, a tradição dá um passo decisivo. A palavra ampla das fontes se estreita progressivamente: o tektōn se torna carpinteiro, o construir se concentra na madeira, e precisamente essa concentração abre um espaço para a interpretação que transcende os dados originais sem contradizê-los. A madeira, material do trabalho cotidiano, torna-se o ponto de onde se vislumbra, em filigrana, a madeira da cruz, segundo uma continuidade que pertence não à narrativa evangélica, mas à sua interpretação.

É nessa perspectiva que uma reflexão como a de Agostinho de Hipona adquire significado, não como uma fonte direta de imagens, mas como uma concentração de sentido: no Sermão 265, a cruz é concebida como armadilha, uma isca que atrai e derrota o diabo, e essa densidade simbólica da madeira também ilumina retrospectivamente o ofício atribuído a José, demonstrando como a matéria mais comum pode se tornar o lugar onde todo o evento da salvação é reunido e antecipado.

A arte captura e torna visível essa transição. A cena da carpintaria como um espaço para a Sagrada Família afirma-se gradualmente a partir do século XVI, quando as gravuras de Albrecht Dürer oferecem um repertório figurativo inicial da vida cotidiana em Nazaré: Maria concentrada em costurar ou fiar, José em sua bancada, o Filho presente e trabalhador. Trata-se de uma iconografia que responde ao gosto pelo naturalismo que se difundia na arte sacra e que encontrou terreno fértil na Contrarreforma, quando a extensão da festa litúrgica de São José a toda a Igreja (1621) impulsionou decisivamente a produção artística. A carpintaria, as ferramentas, as tábuas trabalhadas tornam-se elementos constantes, através dos quais a madeira assume uma presença insistente, capaz de direcionar o olhar sem se tornar explícita.

Durante o século XVII, essa iconografia foi enriquecida com uma densidade simbólica cada vez mais elaborada. Entre os exemplos mais conhecidos estão os noturnos caravaggescos de Gerrit van Honthorst e a célebre pintura de Georges de La Tour no Louvre, onde a luz da vela segurada pelo Menino transforma a carpintaria em um espaço onde o cotidiano assume um valor sagrado.

Mas, ao lado dessas obras-primas célebres, a tradição produz trabalhos menos conhecidos e não menos significativos. Na Sagrada Família na Carpintaria atribuída ao círculo de Mattia Preti (1695, Rabat, Malta), a iconografia se articula em dois níveis de prefiguração: José aplaina uma tábua — um gesto que evoca a madeira da cruz — enquanto a Virgem, à parte, costura um pano branco, prefigurando o sudário. Alguns anos mais tarde, Giuseppe Maria Crespi, conhecido como Lo Spagnolo (1715, atualmente em Modena), leva o tema para uma dimensão doméstica e antirretórica: o Menino não ajuda o pai no trabalho, mas mostra à mãe uma pequena cruz de madeira, talvez um brinquedo feito para ele por José, e Maria inclina a cabeça nas sombras, triste e consciente.

A partir do século XVII, essa iconografia transcendeu os limites da alta arte e se difundiu amplamente na devoção popular, por meio de santinhos, gravuras e impressões produzidas e distribuídas por toda a Europa por gravadores e impressores de placas de cobre. A oficina de São José — com suas ferramentas, a madeira e o Filho presente — tornou-se um dos temas mais reproduzidos e reconhecíveis da piedade cristã, um sinal de como aquela cena conseguiu condensar, de forma visual e acessível, o profundo significado de um mistério que as fontes evangélicas haviam transmitido em uma única palavra.

Assim, forma-se uma linguagem que conecta a obra ao seu resultado final, construindo uma coerência que nasce da interpretação das fontes ao longo do tempo.

A sobriedade das fontes permanece em segundo plano. O termo tektōn continua a ter um significado mais amplo, ligado à construção e à prática do trabalho. A figura do carpinteiro, tão familiar, surge de uma leitura que encontrou na madeira um ponto de condensação eficaz e duradouro. Nessa distância entre a palavra original e a imagem, compreendemos a maneira como a tradição elabora, esclarece e torna visível o que os textos transmitem em sua forma essencial. Fonte: https://www.vaticannews.va

Falso padre volta a enganar fiéis após condenações por estelionato

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Publicado em 29 abril 2026
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Família tradicional paulista denunciou Marcos Fontana, que se apresentava como monsenhor católico

OUTRO LADO: acusado diz que só se pronunciará em juízo, mas admitiu para vítima receber doações para orfanato que nunca existiu

 

Fontana se apresentava como monsenhor para fiéis, como a artista plástica Elisa Stecca e seus familiares

 

Eliane Trindade

São Paulo

Ao longo de mais de uma década, monsenhor Marcos frequentou a casa, distribui bênçãos e participou de ritos importantes dos Stecca e de outras famílias católicas tradicionais de São Paulo.

"Ele tem uma oratória maravilhosa. Encomendou o corpo da minha mãe com palavras lindas", recorda-se a artista plástica Elisa Stecca, sobre a presença do religioso no velório da matriarca em 30 de julho de 2024.

O padre privava do apreço e da confiança de todos e contava com suporte financeiro para manter uma casa de acolhimento para crianças. No entanto, o homem que se apresentava paramentado como um sacerdote católico era um impostor, segundo a família.

A descoberta veio após a morte da mãe, quando Elisa fez uma doação "generosa" em dinheiro para o orfanato que o padre se dizia à frente, além de passar a contribuir com cestas de Natal e presentes para as crianças.

"Toda hora ele me pedia uma ajuda financeira para comprar remédio ou trocar ventiladores queimados da casa", diz Elisa, que guarda extratos bancários, como o de uma transferência no valor de R$ 5.200.

Ela começou a desconfiar de que havia algo errado quando pediu para fazer uma visita ao abrigo infantil. "Ele disse que as crianças eram protegidas pelo Estado e não poderiam ser visitadas."

A negativa acendeu o alerta e fez a artista plástica procurar a madrinha, Benedita de Almeida Bego que apresentara o monsenhor à família, onde sempre fora tratado com a deferência devida ao título de honra concedido pelo Papa por méritos especiais.

Diante da exigência do CNPJ e do endereço da instituição de acolhimento infantil, o suposto monsenhor informou que deixara a diretoria da casa por problemas de saúde para se tratar em Minas Gerais.

Elisa voltou a falar com a madrinha, desconfiada também do fato de o monsenhor ter escolhido um hotel para celebrar os 25 anos de sacerdócio.

"Não estou gostando nada disso. Foi só a gente apertar o cara que ele vai para Minas?", indagou-se a artista plástica. "Cheguei a temer que houvesse algum tipo de exploração infantil com as crianças que apareciam nas fotos que ele nos mandava."

Pesquisas na internet revelaram a ficha corrida de Marcos Rodrigues Fontana, 65. Em 8 de outubro de 2009, o jornal "Agora" estampava em suas páginas policiais a notícia: "Falso padre acusado de cobrar para rezar em cinco cemitérios".

Segundo a reportagem, o homem de 48 anos cobrava até R$ 500 para celebrar missas de sétimo dia e era alvo de três inquéritos.

Uma dona de casa relatou ter sido abordada por Marcos Fontana no velório do marido no Cemitério do Araçá, quando viu o padre arrecadar R$ 240 entre seus filhos e se ofereceu para celebrar a missa de sétimo dia por R$ 450. "Disse que R$ 200 seriam destinados às crianças [de uma creche] e outros R$ 250 eram pelo aluguel da capela."

 

A pior coisa é uma pessoa manipular o que a gente tem de mais sagrado que é essa nossa vontade de ser bom, além de usar o nome de Deus.

Elisa Stecca, artista plástica

 

Ao puxar o fio da meada, a também viúva Benedita confrontou o suposto religioso, em troca de mensagens e áudios por WhatsApp. Diante das evidências, ele acabou confessando que o orfanato nunca existira e disse pertencer à Igreja Vétero Católica.

Trata-se de movimento católico independente não reconhecido pelo Vaticano, surgido a partir de uma dissidência da Igreja Romana, a partir de 1870. Em contestação ao Concílio Vaticano I, os véteros rejeitam dogmas como a infalibilidade papal, buscando retornar aos fundamentos da "velha" igreja.

"Sofri uma perseguição de uns ministros da Igreja Romana e aí os jornais aumentaram e inventaram muitas coisas", escreveu Marcos à senhora que chegou a chamar de uma segunda mãe.

Ele aparece em um vídeo no YouTube de celebração de 20 anos de sacerdócio na Paróquia Santo Antônio, sede da Ordem de Santo André, na Vila Clara, em São Paulo. "Então falso padre não sou", afirmou ele para Benedita. Sua ordenação teria sido em 26 de fevereiro de 2000.

Por meio de nota, a Arquediocese de São Paulo informa que "o mencionado senhor não é padre da arquidiocese, nem foi ordenado sacerdote na Igreja Católica Apostólica Romana, não possuindo, portanto, qualquer vínculo ou autorização para atuar em nome da Igreja".

E orienta os fiéis a verificarem sempre a procedência de pessoas ou iniciativas que se apresentem como ligadas à igreja, especialmente em casos de solicitação de doações.

Dom Diego Pereira, arcebispo primaz da Igreja Vétero Católica no Brasil, também informa que "após checar o nome da pessoa em questão posso dizer que nunca ouvi falar dele". "A nossa Igreja tem apenas um sacerdote no Estado de São Paulo e também não tem este nome. Lamento profundamente a atitude do cidadão."

Padre Jonas, da Vétero Católica em São Paulo, também não conhece nenhum monsenhor Marcos. "O senhor mencionado não faz parte da nossa igreja."

Foi então que Benedita, católica fervorosa, chamou para si a responsabilidade de denunciá-lo formalmente à polícia, à Arquidiocese de São Paulo e ao Ministério Público.

"Monsenhor participou de várias missas no cemitério Gethsemani em memória de meu marido, reuniões familiares e atos religiosos dos quais duvido da legitimidade e licitude", relatou Benedita ao registrar o boletim de ocorrência em 24 de março.

O caso está sob investigação no 36º Distrito Policial, em fase de ouvir as testemunhas.

"Convivi com ele por 14 anos, tratando-o com o maior respeito por sua condição de sacerdote. Infelizmente descobri suas falsidades que revelaram suas mentiras a respeito do exercício de sua função sacerdotal e a manutenção do orfanato que dizia acolher crianças encaminhadas pelo judiciário", denunciou a viúva, ao pedir providências para que não haja novas vítimas.

O histórico de Marcos revela uma reincidência no uso de títulos religiosos. Em 2009, ele foi condenado em primeira instância por estelionato após realizar celebrações fúnebres ilegais no tradicional Cemitério do Araçá, usando as vestes sacerdotais sem pertencer a qualquer ordem oficial da Igreja Católica Romana.

Em 2013, saiu a decisão definitiva, em que a pena de três anos de prisão inicialmente prevista foi substituída por prestação de serviços à comunidade e multa.

Procurado pela Folha no endereço em que recebia os donativos para o abrigo infantil no centro de São Paulo, o suposto monsenhor recebeu a reportagem na entrada do prédio e disse que não daria entrevista. "Meu advogado me orientou a só falar em juízo."

Os vizinhos são testemunhas das muitas doações que costumava chegar ao prédio em datas festivas. Um comerciante das redondezas diz que o "tal padre" é um problema, ao relatar que há uns três anos ele foi esfaqueado no apartamento por um rapaz.

As novas vítimas do falso padre esperam que desta vez as denúncias sirvam para que outros fiéis não caiam em golpes semelhantes. "Mediante a desilusão ao descobrir que o nosso orfanato não existia, fiz o que achei que devia na minha consciência", diz Benedita.

A viúva colocou fotos, comprovantes bancários e outras evidências numa pasta. "Engavetei tudo. Assim como fiz no meu coração. Perdoar está sendo muito difícil pela confiança que depositei nesse senhor. Foi uma desilusão muito profunda", conclui. "Se os homens não fizerem Justiça, Deus fará."

Sua afilhada Elisa afirma que decidiu falar publicamente sobre o caso para evitar que esse tipo de manipulação por meio da fé volte a acontecer.

"Todas as vezes que fiz as doações em meu nome e da minha mãe, eu fiz com muita gratidão no meu coração pela oportunidade de poder ajudar", diz ela. "A pior coisa é uma pessoa manipular o que a gente tem de mais sagrado que é essa nossa vontade de ser bom, além de usar o nome de Deus.". Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

 

Padres e bispos não são anjos, são pessoas: mais humanidade e menos idealização

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Publicado em 28 abril 2026
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Padres e bispos não são anjos, são pessoas: mais humanidade e menos idealização

Pe. Wladimir - Diocese de São João da Boa Vista 

A saúde mental do clero depende do próprio ministro, bem como de uma comunidade que acolha fragilidades e reconheça que a santidade não nasce da negação da humanidade, mas da vivência autêntica dela.

O Padre Wladimir Porreca, da Diocese de São João da Boa Vista (SP), chama atenção para um ponto decisivo — e muitas vezes esquecido — na compreensão do sofrimento e do adoecimento mental no clero: a imagem idealizada de padre e bispo que ainda recai sobre os ministros ordenados.

Para Padre Wladimir, psicólogo e pesquisador da Universidade de Brasília, essa construção simbólica — que exige perfeição espiritual, emocional e moral — tornou‑se um dos fatores mais fortes e preocupantes de risco para o adoecimento mental na vida do clero de hoje.

 

A imagem que pesa: perfeição, disponibilidade total e equilíbrio constante

A idealização da figura do padre e do bispo — frequentemente vistos como líderes espirituais sempre disponíveis, emocionalmente estáveis e moralmente impecáveis — tem se mostrado um dos principais gatilhos de sofrimento e adoecimento mental entre ministros ordenados.

Pesquisas recentes indicam que essa expectativa, reforçada tanto pela comunidade quanto pela própria cultura eclesial, dificulta que padres e bispos expressem fragilidades e busquem ajuda quando precisam.

Estudos nacionais e internacionais publicados entre 2021 e 2026 apontam que a pressão para corresponder a um modelo de perfeição está diretamente associada ao aumento de casos de solidão, ansiedade, depressão e transtornos mentais no clero. Pesquisadores como Pereira (2024), Galletta & Lopes (2024) e Francis & Village (2025) confirmam que a idealização da figura sacerdotal é hoje um dos fatores de risco mais relevantes para o adoecimento emocional de padres e bispos.

 

Quando o papel sagrado se confunde com a identidade

Entre 2021 e 2023, o psiquiatra espanhol Carlos Chiclana estudou mais de 140 sacerdotes e identificou um fenômeno recorrente: muitos ministros acabam confundindo o papel sagrado que exercem com a própria identidade pessoal. Segundo ele, a internalização de um ideal de santidade inatingível — um verdadeiro pseudoendeusamento — leva alguns padres e bispos a acreditar que precisam ser, eles mesmos, “sagrados”, e não apenas servidores do sagrado.

Essa confusão entre quem o padre é e o papel que exerce favorece o isolamento emocional, a repressão dos afetos e a dificuldade de reconhecer limites. Com o tempo, esse padrão de autoexigência excessiva compromete a saúde mental e dificulta a busca por apoio psicológico ou espiritual.

 

A cultura do silêncio e o medo de decepcionar (exposição do real)

A pressão por manter uma imagem impecável, somada à falta de espaços seguros para partilhar vulnerabilidades, cria um ambiente propício ao sofrimento silencioso. Pesquisas citadas por Knox et al. (2021) e Francis et al. (2022) mostram que padres e bispos submetidos a expectativas irreais apresentam índices mais altos de ansiedade, culpa e autoexigência patológica. Outros estudam (internacionais) também apontam que a cultura clerical, quando marcada por idealização e silêncio, dificulta a procura por ajuda profissional, reforçando o ciclo de sofrimento (O’Connor, 2021; Hoge & Wenger, 2022).

 

A realidade brasileira: entre o ideal e o possível

No Brasil, o padre e pesquisador Lício de Araújo Vale analisou casos de autoextermínio entre padres e destacou, em artigo publicado no Vatican News (2023), que a cobrança excessiva e a idealização da figura clerical são fatores recorrentes no adoecimento mental. Ele aponta a tensão entre duas imagens que pesam sobre os ministros ordenados: a teológica, espiritualizada e quase angelical; e a sociológica, moldada pelas expectativas concretas da comunidade.

A essas duas, podemos acrescentar uma terceira: a imagem pessoal, que muitas vezes se perde entre o ideal teológico e as exigências sociais.

Quando o ministro ordenado tenta corresponder simultaneamente a esses três modelos — o que a teologia descreve, o que o povo espera e o que ele próprio acredita que deveria ser — surge um terreno fértil para conflitos internos, sentimentos de inadequação e profundo sofrimento emocional.

Essa dissonância gera sentimentos de inadequação, conflitos internos e um sofrimento emocional profundo, especialmente quando os ministros ordenados não encontram espaços reais de acolhimento e escuta. Aos poucos, o padre ou o bispo vai perdendo o chão: não sabe mais quem é, nem de onde vem, nem para onde está caminhando. A identidade se embaralha, a missão se confunde e a pessoa, por dentro, vai se apagando — mesmo que, por fora, continue funcionando como se tudo estivesse bem.

 

Quando a idealização vira risco real

O “endeusamento”, a idealização excessiva do padre pode transformar o ambiente eclesial em um fator de risco. A crença de que o ministro ordenado é alguém imune ao sofrimento — alguém que não se cansa, não adoece e não tem necessidades humanas — reforça o estigma que impede muitos de buscar ajuda.

Quando esse ideal é internalizado como verdade, ele gera culpa, repressão emocional e negação das próprias fragilidades, e assim o sofrimento vai crescendo em silêncio. Diante dessa pressão insustentável, muitos acabam buscando saídas compensatórias, “escapes”, para suportar a pressão, e, às vezes, simplesmente ignoram um “eu real” que está gritando por ajuda e socorro.

 

Caminhos possíveis: mais humanidade, mais cuidado

A literatura especializada é unânime: a idealização do ministério ordenado, quando não equilibrada por formação afetiva adequada, acompanhamento espiritual e apoio institucional, torna‑se um dos fatores mais significativos para o sofrimento mental no clero (Rossetti, 2022; Galletta & Lopes, 2024; Pereira, 2025).

 

Entre as soluções apontadas pelos pesquisadores estão:

1) Revisão da formação inicial e permanente, com foco em maturidade afetiva, autoconhecimento e gestão emocional. Atenção e cuidado as tendências de idealização sinalizadas.

2) Criação de espaços seguros de escuta, onde padres e bispos possam partilhar vulnerabilidades sem medo de julgamento. Grupos de partilha, com ou sem facilitadores, de idade de vida ou de ordenação

3) Acompanhamento psicológico e espiritual contínuo e “profissionais”, garantidos institucionalmente.

4) Desconstrução ou desincentivo de expectativas irreais, tanto no clero, na comunidade externa, quanto dentro da própria Igreja.

5) Pares fraternos — ou simplesmente amigos, colegas e conhecidos que conseguem vencer a inveja, o ciúme e a competição silenciosa que, não raramente, se infiltram na vida clerical. Quando dois ou mais padres ou bispos se reconhecem como irmãos, e não como rivais ou competidores desleais, nasce um espaço de ajuda mútua, sincera e verdadeiramente evangélica.

Nessa relação, um apoia o outro, escuta sem julgar, acolhe sem comparar, corrige com caridade e celebra as conquistas do irmão sem sentir-se diminuído. É uma fraternidade que não se constrói na aparência, mas na verdade; não nasce da disputa, mas da comunhão; não se alimenta de máscaras, mas de confiança. E quando essa fraternidade existe, ela se torna um dos maiores antídotos contra o isolamento, o desgaste emocional e o adoecimento silencioso que tantos ministros ordenados enfrentam.

É nesse tipo de relacionamento— simples, humano e espiritual — que muitos ministros ordenados encontram o suporte que a instituição nem sempre consegue oferecer. E, quando vivida com autenticidade, essa fraternidade se torna um dos remédios mais eficazes contra o isolamento, o desgaste emocional e o adoecimento silencioso.

 

A beleza de sermos humanos: quando a fragilidade revela o Divino

Urge a promoção evangélica de uma cultura de vulnerabilidade compartilhada, que reconheça a humanidade dos ministros ordenados. Que ao enfrentar o problema exige não apenas ações individuais, mas mudanças estruturais e espirituais na cultura pessoal e eclesial. A saúde mental do clero depende do próprio ministro, bem como de uma comunidade que acolha fragilidades e reconheça que a santidade não nasce da negação da humanidade, mas da vivência autêntica dela. Fonte: https://www.vaticannews.va

Terça-feira, 28 de abril-2026. 4ª SEMANA DA PÁSCOA. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 28 abril 2026
  • Reflexão do Evangelho do Dia,
  • EVANGELHO DO DIA,
  • Artigos do Frei Carlos Mesters,
  • Frei Carlos Mesters,
  • Biblista Frei Carlos Mesters,
  • LECTIO DIVINA DO EVANGELHO DO DIA,
  • Evangelho do Dia com Frei Carlos Mesters,
  • EVANGELHO DO DIA-LECTIO DIVINA,
  • REZANDO COM O EVANGELHO DO DIA,
  • 4ª Semana da Páscoa
  • Lectio Divina com Frei Carlos Mesters,
  • Evangelho do dia com Frei Petrônio

 

1) Oração

Concedei, ó Deus todo-poderoso, que, celebrando o mistério da ressurreição do Senhor, possamos acolher com alegria a nossa redenção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 10, 22-30)

Naquele tempo, 22Em Jerusalém celebrava-se a festa da Dedicação. Era inverno. 23Jesus andava pelo templo, no pórtico de Salomão. 24Os judeus, então, o rodearam e disseram-lhe: “Até quando nos deixarás em suspenso? Se tu és o Cristo, dize-nos abertamente!” 25Jesus respondeu: “Eu já vos disse, mas vós não acreditais. As obras que eu faço em nome do meu pai dão testemunho de mim. 26Vós, porém, não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas. 27As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. 28Eu lhes dou a vida eterna. Por isso, elas nunca se perderão e ninguém vai arrancá-las da minha mão. 29Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior do que todos, e ninguém pode arrancá-las da mão do Pai. 30Eu e o Pai somos um”.

 

3) Reflexão

Os capítulos 1 a 12 do evangelho de João são chamados “O Livro dos Sinais”. Neles acontece a revelação progressiva do Mistério de Deus em Jesus. Na mesma medida em que Jesus vai fazendo a revelação, crescem a adesão e a oposição a ele de acordo com a visão com que cada um espera a chegada do Messias. Esta maneira de descrever a atividade de Jesus não é só para informar como a adesão a Jesus acontecia naquele tempo, mas também e sobretudo como ela deve acontecer hoje em nós, seus leitores e suas leitoras. Naquele tempo, todos esperavam a chegada do Messias e tinham os seus critérios para poder reconhecê-lo. Queriam que ele fosse do jeito que eles o imaginavam. Mas Jesus não se submete a esta exigência. Ele revela o Pai do jeito que o Pai é e não do jeito que o auditório o gostaria. Ele pede conversão no modo de pensar e de agir.  Hoje também, cada um de nós tem os seus gostos e preferências. Às vezes, lemos o evangelho para ver se encontramos nele a confirmação dos nossos desejos. O evangelho de hoje traz uma luz a este respeito.

 

João 10,22-24: Os Judeus interpelam Jesus.  Era frio. Mês de outubro. Festa da dedicação que celebrava a purificação do templo feita por Judas Macabeu (2Mc 4,36.59). Era uma festa bem popular de muitas luzes. Jesus anda na esplanada do Templo, no Pórtico de Salomão. Os judeus o questionam: "Até quando nos irás deixar em dúvida? Se tu és o Messias, dize-nos abertamente". Eles querem que Jesus se defina e que eles possam verificar, a partir dos critérios deles, se Jesus é ou não é o Messias. Querem provas. É a atitude de quem se sente dono da situação. Os novatos devem apresentar suas credenciais. Do contrário não terão direito de falar e de atuar.

 

João 10,25-26: Resposta de Jesus: as obras que faço dão testemunho de mim.  A resposta de Jesus é sempre a mesma: "Eu já disse, mas vocês não acreditam em mim. As obras que eu faço em nome do meu Pai, dão testemunho de mim; vocês, porém, não querem acreditar, porque vocês não são minhas ovelhas”. Não se trata de dar provas. Nem adiantaria. Quando uma pessoa não quer aceitar o testemunho de alguém, não há prova que o leve a pensar diferente. O problema de fundo é a abertura desinteressada da pessoa para Deus e para a verdade. Onde houver esta abertura, Jesus é reconhecido pelas suas ovelhas. “Quem é pela verdade escuta minha voz” dirá Jesus mais adiante a Pilatos (Jo 18,37). Esta abertura estava faltando nos fariseus.

 

João 10,27-28: As minhas ovelhas conhecem minha voz.  Jesus retoma a parábola do Bom Pastor que conhece suas ovelhas e é conhecido por elas. Este mútuo entendimento  -  entre Jesus que vem em nome do Pai e as pessoas que se abrem para a verdade  -  é fonte de vida eterna. Esta união entre o criador e a criatura através de Jesus supera a ameaça da morte: “Elas jamais perecerão e ninguém as arrebatará de minha mão!” Estão seguras e salvas e, por isso mesmo, em paz e com plena liberdade.

 

João 10,29-30: Eu e o Pai somos um.  Estes dois versículos abordam o mistério da unidade entre Jesus e o Pai: “Meu Pai, que tudo entregou a mim, é maior do que todos. Ninguém pode arrancar coisa alguma da mão do Pai. O Pai e eu somos um”. Esta e várias outras frases nos deixam entrever algo deste mistério maior: “Quem vê a mim vê o Pai” (Jo 14,9). “Eu estou no Pai e o Pai está em mim” (Jo 10,38). Esta unidade entre Jesus e o Pai não é automática, mas é fruto da obediência: “Eu sempre  faço o que o Pai me mostra que é para fazer” (Jo 8,29; 6,38; 17,4). “Meu alimento é fazer a vontade do Pai (Jo 4,34; 5,30). A carta aos hebreus diz que Jesus teve que aprender, através do sofrimento, o que é ser obediente (Hb 5,8). “Ele foi obediente até à morte, e morte de Cruz” (Fl 2,8). A obediência de Jesus não é disciplinar, mas é profética. Ele obedece para ser total transparência e, assim, ser revelação do Pai. Por isso, ele podia dizer: “Eu e o pai somos um!” Foi um longo processo de obediência e de encarnação que durou 33 anos. Começou com o Sim de Maria (Lc 1,38) e terminou com “Tudo está consumado!” (Jo 19,30).

 

4) Para um confronto pessoal

 1) Minha obediência a Deus é disciplinar ou profética? Revelo algo de Deus ou só me preocupa com a minha própria salvação?

2) Jesus não se submeteu às exigências dos que queriam verificar se ele era mesmo o messias. Existe em mim algo desta atitude dominadora e inquisidora dos adversários de Jesus?

 

5) Oração final

Deus tenha pena de nós e nos abençoe, faça brilhar sobre nós a sua face. para que se conheça na terra o teu caminho, entre todos os povos a tua salvação. (66, 2-3)

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