Frei Petrônio de Miranda, O. Carm, Padre Carmelita e Jornalista.

Comunidade Carmelita da Vila Kosmos- Vicente de Carvalho- Arquidiocese do Rio de Janeiro.

 

Segundo o nosso confrade, Frei Carlos Mesters, O. Carm; “Devemos ter um pé na Bíblia e outro no chão”. Tal afirmação se baseia no método de leitura popular da Palavra de Deus que nasce em Angra dos Reis, Rio de Janeiro, lá pelos 60. Acho que esta afirmação do confrade nunca esteve tão atual como em nossos dias baseado em uma religião fanática e mercadológica onde predomina a teologia da prosperidade do “toma lá, dá cá”.

Quando Jesus fala que é videira e nós somos os ramos no Evangelho deste 5º Domingo da Páscoa (Jo 15,1-8) Ele está afirmando que é impossível está conectado a esta videira- Ele próprio- e ser homofóbico, genocida, corrupto, violento e fanático.

A religião bastante vivenciada antes do Concílio Vaticano II era voltada para as práticas devocionais que, na maioria das vezes, não tinha este “Pé na Bíblia e outro no chão”. Ou seja, rezar é rezar, vida é outra coisa. Pós - Concílio, vida e reza, reza e vida estão interligadas. Impossível dizer que está com Jesus- a Videira- é agir como se nunca estivesse entrado em uma Igreja ou Participado do Banquete Eucarístico. Afinal, comungar é se comprometer com um mundo mais justo, humano e solidário.

Neste Brasil da fome- São mais de 33 milhões que passam necessidades- e no mundo baseado na mundanidade e na Guerra, somos impulsionados a produzir os frutos que Jesus em vida produzia. Ou seja, entrarmos em contato com este Deus  misericordioso, amigo e de paz. Por outro lado, constatamos uma dimensão sagrada muito individual onde o EU sobressai ao NÓS.

Que neste domingo do Senhor, possamos abrir o nosso coração e olharmos se realmente estamos ligados a videira ou não passamos de mais um lobo disfarçado de cordeiro com segundas intenções neste Ano Eleitoral onde a Bíblia, Deus, Jesus e os santos, não passam nada mais nada menos que uma massa de manobra dos nossos interesses políticos, econômicos e religiosos.

Não posso deixar de terminar este olhar sobre o 5º Domingo da Páscoa, sem relatar a atrocidade que aconteceu na última semana em Taubaté, (a 133 km de São Paulo). Na tarde da quinta-feira, 25 de abril-2024, foi encontrado no quintal o corpo de uma mulher de 31 anos, Natalia Aline da Silva. O seu namorado, Manoel Aurino Chaves dos Santos, 52 – confesso do crime- a assassinou e enterrou no quintal da casa, em seguida concretou o cadáver. Lendo e relendo deste caso- que mais parece o enredo dos filmes do mestre do terror, Alfred Hitchcock- eu me pergunto: Será que este senhor já ouviu falar de Jesus? Era católico-cristão? Ele já entrou em uma Igreja? Segundo as últimas pesquisas, de janeiro a março deste ano, 73 casos de feminicídio já foram registrados apenas no Estado de São Paulo. Se falássemos do Nordeste, Norte, Sul, Centro-Oeste... Enfim, se abríssemos a janela para as várias regiões do Brasil, constataríamos as atrocidades contra a vida. Até que ponto somos o maior país católico do mundo? Onde estão os nossos frutos a partir da Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo?...  E tenho dito!