Terremoto devastador é teste sobre o real compromisso dos EUA com a Venezuela
Vítima de décadas de corrupção e do autoritarismo chavista, a Venezuela, governada por uma títere de Donald Trump, certamente não precisava de uma tragédia natural que, infelizmente, a afundará ainda mais em sua grave crise.
Como a natureza é impiedosa com todos, a Venezuela acaba de ser atingida não por um, mas por ao menos dois fortes terremotos, a pior devastação registrada no país vizinho desde 1900. O número de mortos passou de 1.700, entre os quais dois brasileiros. Contam-se mais de 5 mil feridos e incontáveis desaparecidos e desabrigados. A real extensão da catástrofe ainda está por ser dimensionada. Edifícios e bairros inteiros simplesmente colapsaram.
Além das irreparáveis perdas humanas, o prejuízo econômico também promete ser devastador. Estimativas preliminares do Serviço Geológico dos EUA avaliam as perdas econômicas em até US$ 100 bilhões. Tudo isso para uma nação que, conforme revelou o Financial Times pouco antes dos terremotos, já enfrentava dificuldades para renegociar uma dívida externa estimada em US$ 240 bilhões. Eis o legado de anos de incúria administrativa de Hugo Chávez e seu sucessor, Nicolás Maduro.
Maduro, como se sabe, foi capturado no início do ano numa controversa operação militar norte-americana em solo venezuelano. O ditador agora está confinado numa prisão de segurança máxima em Nova York.
Sua ex-aliada de primeira hora, Delcy Rodríguez, ocupa a presidência da Venezuela simplesmente porque assim decidiu Donald Trump. A Constituição do país determina que, em caso de ausência absoluta do presidente eleito, novas eleições sejam realizadas em 30 dias, prazo há muito vencido. “Primeiro precisamos consertar o país. Não dá para ter eleição. Não há a menor chance de as pessoas sequer votarem”, decretou Trump em entrevista à NBC News em janeiro.
“Consertar o país”, de acordo com os interesses da população venezuelana, e não sob a lógica de Trump, acaba de se tornar um imperativo ainda maior – político, econômico e, sobretudo, humanitário. A Venezuela precisará se reerguer dos escombros dos terremotos e do caos financeiro em que se encontra.
Por ora, o país vem felizmente contando com uma onda de solidariedade das mais diversas nações, entre as quais o Brasil, que compartilha uma extensa fronteira com a Venezuela. Mas, passado o trabalho inicial de localização de desaparecidos e restauro da infraestrutura básica, como a de serviços de energia, a Venezuela seguirá carecendo de bem mais do que ajuda humanitária pontual.
Como resolveu se imiscuir nas entranhas do poder venezuelano, os EUA serão especialmente testados em seu interesse por governar a Venezuela por meio da presidente que impuseram ao povo. A tragédia dos terremotos oferecerá ao governo Trump uma oportunidade de ajudar a Venezuela a finalmente respeitar os desejos de seus cidadãos.
Oxalá os tremores que afligiram os venezuelanos não se convertam em desculpa para uma tutela ainda maior de Trump sobre o governo, as instituições e, em última instância, os cidadãos venezuelanos. Fonte: https://www.estadao.com.br




