Magistrada na Espanha relata que Jonathan Andic visitou trilha três vezes uma semana antes da morte
Raquel Nieto Galván diz que relação entre Isak Andic e primogênito piorou após mudança no testamento
Jonathan Andic deixa cadeia após pagar fiança - Divulgação/Reuters
Madri | Financial Times
A juíza responsável pela investigação da morte do fundador da varejista espanhola Mango afirmou haver indícios de que Jonathan Andic atuou de forma "ativa e premeditada" na queda fatal de seu pai, o empresário Isak Andic, morto em 2024 durante uma trilha na Espanha.
Jonathan Andic, filho mais velho do empresário, foi preso na terça-feira (19) por suspeita de homicídio e deixou a prisão no dia seguinte após pagar fiança de 1 milhão de euros (R$ 5,8 milhões).
Na decisão judicial divulgada após a soltura, a juíza Raquel Nieto Galván afirmou haver "indícios suficientes" de que a morte de Isak Andic "pode não ter sido acidental" e apontou "envolvimento ativo e premeditado" do filho.
Bilionário com fortuna estimada em 4,5 bilhões de euros (R$ 26,1 bilhões), Isak Andic morreu aos 71 anos após cair de uma montanha durante uma trilha feita ao lado do filho. Jonathan era ex-executivo sênior da Mango, empresa fundada em 1984 e hoje presente em mais de cem países.
A marca expandiu-se com roupas de baixo custo e tornou-se um dos principais grupos de moda do mundo, com mais de 2.900 pontos de venda.
Segundo a juíza, há contradições nos depoimentos do herdeiro sobre o trajeto percorrido, a frequência com que esteve no local antes da morte do pai e o que viu no momento da queda.
Jonathan Andic nega participação no crime. Em nota divulgada na terça, a família afirmou que "não há, e não haverá, provas incriminatórias legítimas" contra ele e disse confiar que a investigação demonstrará sua inocência.
A magistrada também citou mensagens de WhatsApp que indicariam uma relação conflituosa entre pai e filho, em contraste com o relato dado por Jonathan à polícia de que os dois mantinham uma convivência "livre de desentendimentos".
Segundo a decisão, um dos principais motivos das tensões familiares seria a "obsessão" do filho por dinheiro. A juíza afirma que o fundador da Mango havia sido incentivado por um psicólogo a antecipar parte da herança para o filho.
Outro ponto de atrito teria surgido em 2024, quando Jonathan soube que o pai estudava alterar o testamento para destinar parte da fortuna a uma fundação filantrópica. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br




