Frei Petrônio de Miranda, O. Carm. Mosteiro de Itaici, São Paulo. 14 de dezembro-2021, Festa de São João da Cruz. www.instagram.com/freipetronio

 

Naquela manhã de sol, a mãe natureza caprichou na beleza matinal. Tudo era bonito – um verdadeiro cenário cinematográfico- desde o canto dos pássaros, as folhas caindo das árvores, os raios luminosos do sol adentrando em cada árvore, o barulho das cachoeiras e rios, a formiga que, como mestres da construção, já estavam na batalha diária a procura de alimentos... Enfim, era algo extraordinário para jamais sair da memória daquele jovem frade que, encantado com tudo aquilo, vivia mais um retiro anual- desta vez, o primeiro pós-ordenação presbiteral- e, sem duvidas alguma, era o início de uma caminhada marcada pelo encanto e encontro como o Cristo através do silêncio, da contemplação, amorosidade e oração daquele memorável dia.

Como tudo passa- já dizia a mestra da oração, santa Teresa de Jesus- aquela experiência também passou na vida do jovem sacerdote. O corre-corre da vida paroquial deixou aquele jovem azedo, amargurado, mesquinho, depressivo e ranzinzo. Ele passou a dominar o sagrado e perdeu de vista o encanto sacerdotal e vocacional. Tudo era muito profissional e lucrativo em sua ação enquanto pastor e evangelizador. Mas onde estava a mística daquela manhã de sol? Onde estava aquele gosto e tesão vocacional vislumbrado nos momentos íntimos com Jesus Cristo? Bem, esta pergunta nem ele sabia responder. Só sei que o seu fim foi triste, sem vida, sem sal e sem açúcar, um verdadeiro estrupício.

Moral da história: As vezes precisamos retornar ao primeiro retiro da nossa vida, ao primeiro encontro, primeiro encanto e primeiras motivações vocacionais, caso o contrário, não passaremos de um funcionário do sagrado ou de um robô do altar e, o que é mais triste, seremos infelizes e machucaremos aqueles que atravessarem o nosso caminho. E tenho dito!