Dom Frei Vital Wilderink O. Carm (*30/11/1931 + 11/06/2014).

 

Esta ternura que decore da descoberta do Absoluto, em nós, deve transformar-se  poço inesgotável de consciência e de liberdade. Isto tem consequências e aplicação para nossa vocação religiosa e carmelita. A nossa vocação carmelitana nunca pode ser um anexo à nossa vida humana e cristã. A vocação surgida num  momento histórico  vai ser integrada à minha própria vida humana e cristã. Uma separação entre as duas desfaz a mensagem da nossa vida para os outros.

A nossa vida fraterna está intimamente ligada à vivência do Absoluto. O absoluto deve ser algo presente na minha vida, porque sem esta presença não há possibilidade de ternura e a perspectiva do futuro seria fruto de uma imaginação. Tudo se torna abstrato. Quando a nossa Regra diz que devemos viver em obséquio de Jesus Cristo, supõe uma presença que aconteceu na história.

E há tantas afirmações na Bíblia que confirmam esta presença: “(Jo 15, 5 ). “Tudo  foi feito por meio dele, e nada do que foi feito, foi feito sem ele. “(Jo 1,3 ) Não tenhamos pudor para aplicar isso também à própria vida, às capacidades que a gente em e inclusive à nossa realidade humana com todas as potencialidades e riquezas que nela existe. “ Tudo foi feito por meio de...” Apliquemos isso às nossas realizações, ao bem que eventualmente fazemos e espalhamos ao nosso redor. “ Tudo foi feito por ele” “ E a Palavra, o Verbo se fez carne” (Jo 1, 14 ). É um fato do passado, do tempo em que aconteceu, mas é um fato que permanece presente e é um presente que eu posso abraçar.

O Absoluto está  presente como um destino que é iniciativa , que é graça. O destino presente é Jesus Cristo. E se o homem conhece Jesus Cristo, acontece nele a ternura, a segurança, a alegria.

Às vezes encontramos pessoas tão simples, mas que têm essa ternura que brota do conhecimento do Absoluto em Jesus Cristo. Fora da consciência da presença de Jesus Cristo pode  haver  riso, pode haver risada, mas não pode haver alegria. É o que dizia São Paulo: “ Alegrai-vos no Senhor, eu insisto, alegrai-vos. O senhor está perto” (Fl 4, 4 ). E não é simplesmente a alegria de um dia bonito que a gente tem, quando levanta de manhã e o sol brilha. Sem excluir isto, não é isto. É algo permanente.

“ A vida eterna é esta: que eles conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro e  àquele que enviaste, Jesus Cristo”... (Jo. 17, 3 ) Jesus, pouco antes de começar a sua agonia no Horto das Oliveiras, dizia: “ Continuo a dizer estas coisas para que eles possuam toda a minha alegria” (Jo 17, 13 ). E mesmo sendo pecadores – e com a gente descobre que é pecador! – a alegria continua nossa herança. É a alegria do perdão. A dor pelo pecado já é o início  da alegria.