Frei Felisberto Caldeira, O. Carm

Desde o Seminário Menor, em Itu, sempre ouvi falar da pessoa respeitosa de  Dom Gabriel Couto. De natureza introspectiva e de uma seriedade natural. Ele  se impunha pela maneira como levada a vida espiritual.  Ouvi que esteve no sanatório das Irmãs  em São José dos Campos. Lá permaneceu em tratamento de saúde e, para usar melhor seu tempo, aprendeu a pintar quadros, quase todos são sobre o rosto de Cristo ou do Crucificado em tonalidade secura ou penumbra.  Era  onde refletia na tela  seu estado de alma e sua identificação com Jesus.  Ele ensinava em sua palestras para os seminaristas e religisosos. Jesus é tudo para o padre.

Recuperado, tornou-se o primeiro bispo da recém criada diocese de Jundiaí. Seu estado físico era impressionante,  tanto pela magreza , como pela sua grandeza de espírito.

Sei que muito confrades iam até ele para direção espiritual ou aconselhamento e todos diziam : sempre me sinto bem conversar com este bom velhinho. Frei Nuno certa vez me disse: Ele transmite uma bondade para a gente, pois tudo que a gente fala com  ele, ele acredita e isto aumenta a auto-confiança  da gente. Ele não tem maldade. Vendo a bondade dele a gente se sente bom também.

 

O DOM GRABRIEL QUE VI

Foi em Brasília , no auge dos Cursílhos de Cristandade, que vi, pela segunda vez, Dom Gabriel Couto. Sua veste episcopal era marron  e bege como as cores do Carmelo. Sempre de pouca conversa , parece que vivia em oração. Na ultreya em que falou em Brasília, ele mostrou as dimensões filosóficas e espirituais do ser humano. Ouvindo-o me interessei em ler seu livro sobre sua visão do ser humano. O ser humano nasce para ser divino e não é só humano, pois sua realização está em descobrir e buscar seu Fim Último que  é ser Deus com Deus.

Um frade carmelita, antes de sua ordenação, foi fazer-lhe uma visita  e voltou dizendo , Ele falou muito bonito de Deus e me disse que eu nunca perdesse a intimidade com Deus, pois esta é a alma sacerdotal carmelitana. Fora destes encontros. Dom Gabriel sempre viveu oculto em sua diocese, como Jesus na sua vida escondida em Nazaré.

Como uma árvore  enfraquecida pela enfermidade, mas fortalecida pelo espírito de fortaleza, Dom Gabriel realizou em si uma profecia . Quando estudante em Roma , o padre carmelita muito santo de nome, Padre Gramático, ficou tuberculoso e foi Dom Gabriel quem cuidou dele. Isto agradou tanto ao Padre enfermo que lhe teria dito. Deus te recompensará tudo que fizeres para mim.  Mas saiba, tu nunca, Frei Gabriel, morrerás de tuberculose. De fato, apesar de na sua obra de caridade ficar tuberculoso,  foi mais forte que a doença que até o fez mais santo e produtivo. A grandeza de Deus se manifesta nos fracos e pobres em espírito.

Ao celebrar os 80 anos da consagração religiosa de Dom Gabriel Couto celebramos a grandeza  de Deus nos pequenos e simples. Fraco na saúde, pois morreu pesando 40 quilos, mas forte e corajoso no espírito, pois sua fama de santo lhe valeu o título de servo de Deus e de um dos Bem aventurados do Evangelho.

Dom Gabriel, bispo e mártir do dever cumprido com zelo e alegria, interceda por nós e pelas vocações carmelitas. Amém. Eu, Frei Felisberto e o Conselho provincial, nos unimos a todos que reconhecem em Dom Gabriel Couto  um exemplo de vida cristã e agradecemos a Deus por ter dado ao Carmelo Brasileiro tão belo exemplo de vida e santidade.