Olhar Jornalístico

Morre Frei Paulo Gollarte aos 93 anos

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Publicado em 01 maio 2026
  • Ordem do Carmo,
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  • Morre Frei Paulo Gollarte
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A Província Carmelitana Fluminense da Ordem do Carmo comunicou, com pesar, o falecimento de Frei Paulo Gollarte, O.Carm., ocorrido nesta quarta-feira, 29, aos 93 anos, em São Paulo. Ele exercia a função de Vigário Paroquial na Paróquia Santa Teresa de Jesus, no bairro do Itaim Bibi, por cerca de 30 anos.

Nascido no bairro da Mooca, em São Paulo, em 9 de agosto de 1932, filho de Manuel Gollarte e Maria Pellaro, Frei Paulo iniciou sua formação no Colégio Santo Alberto, dos Padres Carmelitas, na Bela Vista, onde despertou sua vocação religiosa. Desde a infância, nutria o desejo de celebrar no altar da Basílica Nossa Senhora do Carmo.

Ingressou no Seminário do Carmo, em Itu, e foi ordenado sacerdote em 7 de julho de 1957, na Capela do Colégio Internacional Santo Alberto, em Roma, onde concluiu os estudos de Teologia. Na Pontifícia Universidade Gregoriana, obteve o mestrado em Ciências Sociais, com a tese “A nacionalização na doutrina social da Igreja”, e o doutorado com o trabalho “Migração e Família”. Durante esse período, realizou pesquisa de campo em Portugal, analisando o impacto da migração — especialmente no fluxo Portugal-Brasil — sobre a unidade familiar.

Ao longo de sua trajetória, exerceu importantes funções na Ordem do Carmo. Foi eleito Superior Provincial por dois triênios (1988–1990 e 1997–2002), além de ter atuado junto ao Comissariado Geral de Portugal. Entre 1990 e 1996, foi pároco da Paróquia Santa Teresa de Jesus, onde posteriormente continuou seu ministério como vigário paroquial.

Frei Paulo também se destacou como autor de livros, artigos e editoriais. Foi membro da Academia Teresopolitana de Letras e publicou obras como Teresópolis: Dimensões de uma joia, Pensando em Voz Alta, Quando dizer não é preciso e Oremos com Maria, em coautoria com Frei Claudio van Balen, além de três volumes de homilias: Deus Compromete – Ciclo A, Deus tem a Palavra – Ciclo B e À escuta de Deus – Ciclo C.

Em nota, a Província Carmelitana Fluminense manifestou solidariedade aos familiares: “Neste momento de dor, unimo-nos em oração a todos os familiares, pedindo a Deus que conceda ao Frei Paulo o descanso eterno e que conforte os corações entristecidos pela sua partida”. Fonte: https://osaopaulo.org.br

O que fazia José? O carpinteiro dos Evangelhos

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Publicado em 01 maio 2026
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  • O carpinteiro

Nos Evangelhos, uma única palavra grega define o ofício de José: "tektōn". A tradição a restringe, a arte a torna visível: assim, o trabalho de construir se concentra na madeira e se aproxima da cruz.

 

Maria Milvia Morciano – Cidade do Vaticano

As fontes dos Evangelhos descrevem a profissão de José com uma única palavra. No Evangelho de Marcos (6,3), Jesus é chamado de "o tektōn", enquanto no Evangelho segundo Mateus (13,55) ele é "o filho do tektōn". O termo grego τέκτων, traduzido na tradição latina como faber, refere-se a um contexto mais amplo do que a ideia atual de um carpinteiro: indica um artesão da construção, capaz de trabalhar com diversos materiais e intervir na construção de estruturas. A palavra mantém uma certa abertura, inserindo José num contexto de trabalho concreto, não rigidamente especializado. Já em 155 d.C., Justino, em seu Diálogo com Trifão, recorda que Jesus fazia arados e cangas, objetos ligados à terra e ao trabalho, sinal de um artesanato concreto que o termo conserva desde as primeiras fontes cristãs.

 

Uma palavra, um ofício

O contexto da Galileia do primeiro século torna ainda mais preciso  esse perfil. Em uma região onde a madeira para construção era limitada e a construção dependia em grande parte da pedra local, o tektōn estava associado ao canteiro de obras, à transformação do espaço habitacional e à manutenção das necessidades diárias. Isso representa uma figura imersa no trabalho, com habilidades práticas e adaptabilidade aos materiais disponíveis, longe de uma definição redutiva e excessivamente especializada. Um elemento sutil, mas significativo, também aparece nesse contexto: no Evangelho de Lucas (2,24), a oferta de duas pombas no Templo coloca a família numa condição modesta, como exigido pela lei bíblica, sem que isso esgote a complexidade de seu perfil, que permanece ligado ao trabalho qualificado e reconhecido.

 

Do construir à madeira

Partindo desse fato essencial, a tradição dá um passo decisivo. A palavra ampla das fontes se estreita progressivamente: o tektōn se torna carpinteiro, o construir se concentra na madeira, e precisamente essa concentração abre um espaço para a interpretação que transcende os dados originais sem contradizê-los. A madeira, material do trabalho cotidiano, torna-se o ponto de onde se vislumbra, em filigrana, a madeira da cruz, segundo uma continuidade que pertence não à narrativa evangélica, mas à sua interpretação.

É nessa perspectiva que uma reflexão como a de Agostinho de Hipona adquire significado, não como uma fonte direta de imagens, mas como uma concentração de sentido: no Sermão 265, a cruz é concebida como armadilha, uma isca que atrai e derrota o diabo, e essa densidade simbólica da madeira também ilumina retrospectivamente o ofício atribuído a José, demonstrando como a matéria mais comum pode se tornar o lugar onde todo o evento da salvação é reunido e antecipado.

A arte captura e torna visível essa transição. A cena da carpintaria como um espaço para a Sagrada Família afirma-se gradualmente a partir do século XVI, quando as gravuras de Albrecht Dürer oferecem um repertório figurativo inicial da vida cotidiana em Nazaré: Maria concentrada em costurar ou fiar, José em sua bancada, o Filho presente e trabalhador. Trata-se de uma iconografia que responde ao gosto pelo naturalismo que se difundia na arte sacra e que encontrou terreno fértil na Contrarreforma, quando a extensão da festa litúrgica de São José a toda a Igreja (1621) impulsionou decisivamente a produção artística. A carpintaria, as ferramentas, as tábuas trabalhadas tornam-se elementos constantes, através dos quais a madeira assume uma presença insistente, capaz de direcionar o olhar sem se tornar explícita.

Durante o século XVII, essa iconografia foi enriquecida com uma densidade simbólica cada vez mais elaborada. Entre os exemplos mais conhecidos estão os noturnos caravaggescos de Gerrit van Honthorst e a célebre pintura de Georges de La Tour no Louvre, onde a luz da vela segurada pelo Menino transforma a carpintaria em um espaço onde o cotidiano assume um valor sagrado.

Mas, ao lado dessas obras-primas célebres, a tradição produz trabalhos menos conhecidos e não menos significativos. Na Sagrada Família na Carpintaria atribuída ao círculo de Mattia Preti (1695, Rabat, Malta), a iconografia se articula em dois níveis de prefiguração: José aplaina uma tábua — um gesto que evoca a madeira da cruz — enquanto a Virgem, à parte, costura um pano branco, prefigurando o sudário. Alguns anos mais tarde, Giuseppe Maria Crespi, conhecido como Lo Spagnolo (1715, atualmente em Modena), leva o tema para uma dimensão doméstica e antirretórica: o Menino não ajuda o pai no trabalho, mas mostra à mãe uma pequena cruz de madeira, talvez um brinquedo feito para ele por José, e Maria inclina a cabeça nas sombras, triste e consciente.

A partir do século XVII, essa iconografia transcendeu os limites da alta arte e se difundiu amplamente na devoção popular, por meio de santinhos, gravuras e impressões produzidas e distribuídas por toda a Europa por gravadores e impressores de placas de cobre. A oficina de São José — com suas ferramentas, a madeira e o Filho presente — tornou-se um dos temas mais reproduzidos e reconhecíveis da piedade cristã, um sinal de como aquela cena conseguiu condensar, de forma visual e acessível, o profundo significado de um mistério que as fontes evangélicas haviam transmitido em uma única palavra.

Assim, forma-se uma linguagem que conecta a obra ao seu resultado final, construindo uma coerência que nasce da interpretação das fontes ao longo do tempo.

A sobriedade das fontes permanece em segundo plano. O termo tektōn continua a ter um significado mais amplo, ligado à construção e à prática do trabalho. A figura do carpinteiro, tão familiar, surge de uma leitura que encontrou na madeira um ponto de condensação eficaz e duradouro. Nessa distância entre a palavra original e a imagem, compreendemos a maneira como a tradição elabora, esclarece e torna visível o que os textos transmitem em sua forma essencial. Fonte: https://www.vaticannews.va

Nota de Falecimento: Morre Frei Paulo Gollarte, O. Carm.

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Publicado em 30 abril 2026
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  • Província Carmelitana Fluminense,
  • Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo,
  • Paróquia Santa Teresa de Jesus,
  • Frei Paulo Goulart

Venho comunicá-los, com pesar, o falecimento de nosso irmão, Frei Paulo Gollarte,  O. Carm.

Damos graças a Deus por sua vida e vocação, vividas com fidelidade em nossa Província e na Ordem. Confiamos que o Senhor o acolha em sua paz eterna. Unidos na esperança da Ressurreição, recomendamos sua alma à intercessão de Nossa Senhora do Carmo e pedimos orações por seu descanso eterno.

“Dai-lhe, Senhor, o descanso eterno, e brilhe para ele a vossa luz.”

 

Velório na Paróquia Santa Teresa de Jesus, Itaim Bibi, São Paulo


8h Início do Velório com Missa de Corpo Presente.

12:15 Missa de Corpo Presente.

15h Missa de Corpo Presente e Exéquias.

16h Sepultamento VOTC - Consolação.

 

BIOGRAFIA

Nascido no bairro da Moóca em São Paulo no ano de 1932, filho de Manuel Gollarte e de Maria Pellaro, Frei Paulo estudou no Colégio Santo Alberto dos Padres Carmelitas, na Bela Vista, quando foi se afeiçoando cada vez mais à Igreja.

Desde criança, sonhava em celebrar no altar da Basílica Nossa Senhora do Carmo. Assim, ingressou no Seminário do Carmo em Itu e, em 7/07/1957, foi ordenado sacerdote na Capela do Colégio Internacional Santo Alberto em Roma, onde esteve para terminar os estudos de Teologia. 

Na Faculdade de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, fez o mestrado com a tese “A nacionalização na doutrina social da Igreja”. Também em Roma defendeu a tese de doutorado com o título “Migração e Família”. Estagiou em Portugal no exercício da pesquisa de campo entre as famílias ali residentes para estudar o impacto da emigração sobre a unidade familiar, em especial no fluxo migratório Portugal-Brasil. 

Por dois triênios 1988-1990, 1997-2002, consecutivos foi eleito Superior Provincial da mesma Província e do Comissariado geral de Portugal. No sexênio de 1990 a 1996, foi nomeado pároco da Paróquia de Santa Teresa de Jesus e Coordenador das paróquias do Setor Jardins, na Arquidiocese de São Paulo. Frei Paulo é atualmente Prior da Paróquia Santa Teresa de Jesus, no Itaim Bibi. 

Em 2014 foi eleito já com 83 anos de idade, terceiro conselheiro do governo da Província Carmelitana de Santo Elias. Em 2015 foi perito do provincial para a congregação das províncias em Fátima, em Portugal.

É autor de livros, artigos para revistas e editorais. Membro da Academia Teresopolitana de Letras, tem publicado os livros: “Teresópolis: Dimensões de uma joia”; “Pensando em Voz Alta”; “Quando dizer não é preciso”; “Oremos com Maria” em co-autoria com Frei Claudio van Balen e 3 volumes de suas homilias – “Deus Compromete – Ciclo A”; “Deus tem a Palavra – Ciclo B”; “À escuta de Deus – Ciclo C”.

“Não posso dizer que passou qual um vente, porque tudo é vivido dia a dia. Muitas foram as transformações da vida religiosa e da vida carmelitana. Posso garantir que a aragem ou o tufão do Concílio Vaticano II trouxe grandes transformações: um vento de primavera. Levou-me a reconhecer mais a fundo a vida religiosa que professei. A Ordem do Carmo foi muito receptiva à atualização aos novos tempos. Foram várias ondas que movimentaram este processo e, reconheço sinceramente, que a a atual corresponde bem ao que o livro do Apocalipse chama a volta ao primeiro amor” partilhou Frei Paulo Gollarte, O.Carm, na ocasião dos seus 70 anos de Ordem. 

Falso padre volta a enganar fiéis após condenações por estelionato

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Publicado em 29 abril 2026
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Família tradicional paulista denunciou Marcos Fontana, que se apresentava como monsenhor católico

OUTRO LADO: acusado diz que só se pronunciará em juízo, mas admitiu para vítima receber doações para orfanato que nunca existiu

 

Fontana se apresentava como monsenhor para fiéis, como a artista plástica Elisa Stecca e seus familiares

 

Eliane Trindade

São Paulo

Ao longo de mais de uma década, monsenhor Marcos frequentou a casa, distribui bênçãos e participou de ritos importantes dos Stecca e de outras famílias católicas tradicionais de São Paulo.

"Ele tem uma oratória maravilhosa. Encomendou o corpo da minha mãe com palavras lindas", recorda-se a artista plástica Elisa Stecca, sobre a presença do religioso no velório da matriarca em 30 de julho de 2024.

O padre privava do apreço e da confiança de todos e contava com suporte financeiro para manter uma casa de acolhimento para crianças. No entanto, o homem que se apresentava paramentado como um sacerdote católico era um impostor, segundo a família.

A descoberta veio após a morte da mãe, quando Elisa fez uma doação "generosa" em dinheiro para o orfanato que o padre se dizia à frente, além de passar a contribuir com cestas de Natal e presentes para as crianças.

"Toda hora ele me pedia uma ajuda financeira para comprar remédio ou trocar ventiladores queimados da casa", diz Elisa, que guarda extratos bancários, como o de uma transferência no valor de R$ 5.200.

Ela começou a desconfiar de que havia algo errado quando pediu para fazer uma visita ao abrigo infantil. "Ele disse que as crianças eram protegidas pelo Estado e não poderiam ser visitadas."

A negativa acendeu o alerta e fez a artista plástica procurar a madrinha, Benedita de Almeida Bego que apresentara o monsenhor à família, onde sempre fora tratado com a deferência devida ao título de honra concedido pelo Papa por méritos especiais.

Diante da exigência do CNPJ e do endereço da instituição de acolhimento infantil, o suposto monsenhor informou que deixara a diretoria da casa por problemas de saúde para se tratar em Minas Gerais.

Elisa voltou a falar com a madrinha, desconfiada também do fato de o monsenhor ter escolhido um hotel para celebrar os 25 anos de sacerdócio.

"Não estou gostando nada disso. Foi só a gente apertar o cara que ele vai para Minas?", indagou-se a artista plástica. "Cheguei a temer que houvesse algum tipo de exploração infantil com as crianças que apareciam nas fotos que ele nos mandava."

Pesquisas na internet revelaram a ficha corrida de Marcos Rodrigues Fontana, 65. Em 8 de outubro de 2009, o jornal "Agora" estampava em suas páginas policiais a notícia: "Falso padre acusado de cobrar para rezar em cinco cemitérios".

Segundo a reportagem, o homem de 48 anos cobrava até R$ 500 para celebrar missas de sétimo dia e era alvo de três inquéritos.

Uma dona de casa relatou ter sido abordada por Marcos Fontana no velório do marido no Cemitério do Araçá, quando viu o padre arrecadar R$ 240 entre seus filhos e se ofereceu para celebrar a missa de sétimo dia por R$ 450. "Disse que R$ 200 seriam destinados às crianças [de uma creche] e outros R$ 250 eram pelo aluguel da capela."

 

A pior coisa é uma pessoa manipular o que a gente tem de mais sagrado que é essa nossa vontade de ser bom, além de usar o nome de Deus.

Elisa Stecca, artista plástica

 

Ao puxar o fio da meada, a também viúva Benedita confrontou o suposto religioso, em troca de mensagens e áudios por WhatsApp. Diante das evidências, ele acabou confessando que o orfanato nunca existira e disse pertencer à Igreja Vétero Católica.

Trata-se de movimento católico independente não reconhecido pelo Vaticano, surgido a partir de uma dissidência da Igreja Romana, a partir de 1870. Em contestação ao Concílio Vaticano I, os véteros rejeitam dogmas como a infalibilidade papal, buscando retornar aos fundamentos da "velha" igreja.

"Sofri uma perseguição de uns ministros da Igreja Romana e aí os jornais aumentaram e inventaram muitas coisas", escreveu Marcos à senhora que chegou a chamar de uma segunda mãe.

Ele aparece em um vídeo no YouTube de celebração de 20 anos de sacerdócio na Paróquia Santo Antônio, sede da Ordem de Santo André, na Vila Clara, em São Paulo. "Então falso padre não sou", afirmou ele para Benedita. Sua ordenação teria sido em 26 de fevereiro de 2000.

Por meio de nota, a Arquediocese de São Paulo informa que "o mencionado senhor não é padre da arquidiocese, nem foi ordenado sacerdote na Igreja Católica Apostólica Romana, não possuindo, portanto, qualquer vínculo ou autorização para atuar em nome da Igreja".

E orienta os fiéis a verificarem sempre a procedência de pessoas ou iniciativas que se apresentem como ligadas à igreja, especialmente em casos de solicitação de doações.

Dom Diego Pereira, arcebispo primaz da Igreja Vétero Católica no Brasil, também informa que "após checar o nome da pessoa em questão posso dizer que nunca ouvi falar dele". "A nossa Igreja tem apenas um sacerdote no Estado de São Paulo e também não tem este nome. Lamento profundamente a atitude do cidadão."

Padre Jonas, da Vétero Católica em São Paulo, também não conhece nenhum monsenhor Marcos. "O senhor mencionado não faz parte da nossa igreja."

Foi então que Benedita, católica fervorosa, chamou para si a responsabilidade de denunciá-lo formalmente à polícia, à Arquidiocese de São Paulo e ao Ministério Público.

"Monsenhor participou de várias missas no cemitério Gethsemani em memória de meu marido, reuniões familiares e atos religiosos dos quais duvido da legitimidade e licitude", relatou Benedita ao registrar o boletim de ocorrência em 24 de março.

O caso está sob investigação no 36º Distrito Policial, em fase de ouvir as testemunhas.

"Convivi com ele por 14 anos, tratando-o com o maior respeito por sua condição de sacerdote. Infelizmente descobri suas falsidades que revelaram suas mentiras a respeito do exercício de sua função sacerdotal e a manutenção do orfanato que dizia acolher crianças encaminhadas pelo judiciário", denunciou a viúva, ao pedir providências para que não haja novas vítimas.

O histórico de Marcos revela uma reincidência no uso de títulos religiosos. Em 2009, ele foi condenado em primeira instância por estelionato após realizar celebrações fúnebres ilegais no tradicional Cemitério do Araçá, usando as vestes sacerdotais sem pertencer a qualquer ordem oficial da Igreja Católica Romana.

Em 2013, saiu a decisão definitiva, em que a pena de três anos de prisão inicialmente prevista foi substituída por prestação de serviços à comunidade e multa.

Procurado pela Folha no endereço em que recebia os donativos para o abrigo infantil no centro de São Paulo, o suposto monsenhor recebeu a reportagem na entrada do prédio e disse que não daria entrevista. "Meu advogado me orientou a só falar em juízo."

Os vizinhos são testemunhas das muitas doações que costumava chegar ao prédio em datas festivas. Um comerciante das redondezas diz que o "tal padre" é um problema, ao relatar que há uns três anos ele foi esfaqueado no apartamento por um rapaz.

As novas vítimas do falso padre esperam que desta vez as denúncias sirvam para que outros fiéis não caiam em golpes semelhantes. "Mediante a desilusão ao descobrir que o nosso orfanato não existia, fiz o que achei que devia na minha consciência", diz Benedita.

A viúva colocou fotos, comprovantes bancários e outras evidências numa pasta. "Engavetei tudo. Assim como fiz no meu coração. Perdoar está sendo muito difícil pela confiança que depositei nesse senhor. Foi uma desilusão muito profunda", conclui. "Se os homens não fizerem Justiça, Deus fará."

Sua afilhada Elisa afirma que decidiu falar publicamente sobre o caso para evitar que esse tipo de manipulação por meio da fé volte a acontecer.

"Todas as vezes que fiz as doações em meu nome e da minha mãe, eu fiz com muita gratidão no meu coração pela oportunidade de poder ajudar", diz ela. "A pior coisa é uma pessoa manipular o que a gente tem de mais sagrado que é essa nossa vontade de ser bom, além de usar o nome de Deus.". Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

 

Padres e bispos não são anjos, são pessoas: mais humanidade e menos idealização

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Publicado em 28 abril 2026
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  • A saúde mental do clero
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Padres e bispos não são anjos, são pessoas: mais humanidade e menos idealização

Pe. Wladimir - Diocese de São João da Boa Vista 

A saúde mental do clero depende do próprio ministro, bem como de uma comunidade que acolha fragilidades e reconheça que a santidade não nasce da negação da humanidade, mas da vivência autêntica dela.

O Padre Wladimir Porreca, da Diocese de São João da Boa Vista (SP), chama atenção para um ponto decisivo — e muitas vezes esquecido — na compreensão do sofrimento e do adoecimento mental no clero: a imagem idealizada de padre e bispo que ainda recai sobre os ministros ordenados.

Para Padre Wladimir, psicólogo e pesquisador da Universidade de Brasília, essa construção simbólica — que exige perfeição espiritual, emocional e moral — tornou‑se um dos fatores mais fortes e preocupantes de risco para o adoecimento mental na vida do clero de hoje.

 

A imagem que pesa: perfeição, disponibilidade total e equilíbrio constante

A idealização da figura do padre e do bispo — frequentemente vistos como líderes espirituais sempre disponíveis, emocionalmente estáveis e moralmente impecáveis — tem se mostrado um dos principais gatilhos de sofrimento e adoecimento mental entre ministros ordenados.

Pesquisas recentes indicam que essa expectativa, reforçada tanto pela comunidade quanto pela própria cultura eclesial, dificulta que padres e bispos expressem fragilidades e busquem ajuda quando precisam.

Estudos nacionais e internacionais publicados entre 2021 e 2026 apontam que a pressão para corresponder a um modelo de perfeição está diretamente associada ao aumento de casos de solidão, ansiedade, depressão e transtornos mentais no clero. Pesquisadores como Pereira (2024), Galletta & Lopes (2024) e Francis & Village (2025) confirmam que a idealização da figura sacerdotal é hoje um dos fatores de risco mais relevantes para o adoecimento emocional de padres e bispos.

 

Quando o papel sagrado se confunde com a identidade

Entre 2021 e 2023, o psiquiatra espanhol Carlos Chiclana estudou mais de 140 sacerdotes e identificou um fenômeno recorrente: muitos ministros acabam confundindo o papel sagrado que exercem com a própria identidade pessoal. Segundo ele, a internalização de um ideal de santidade inatingível — um verdadeiro pseudoendeusamento — leva alguns padres e bispos a acreditar que precisam ser, eles mesmos, “sagrados”, e não apenas servidores do sagrado.

Essa confusão entre quem o padre é e o papel que exerce favorece o isolamento emocional, a repressão dos afetos e a dificuldade de reconhecer limites. Com o tempo, esse padrão de autoexigência excessiva compromete a saúde mental e dificulta a busca por apoio psicológico ou espiritual.

 

A cultura do silêncio e o medo de decepcionar (exposição do real)

A pressão por manter uma imagem impecável, somada à falta de espaços seguros para partilhar vulnerabilidades, cria um ambiente propício ao sofrimento silencioso. Pesquisas citadas por Knox et al. (2021) e Francis et al. (2022) mostram que padres e bispos submetidos a expectativas irreais apresentam índices mais altos de ansiedade, culpa e autoexigência patológica. Outros estudam (internacionais) também apontam que a cultura clerical, quando marcada por idealização e silêncio, dificulta a procura por ajuda profissional, reforçando o ciclo de sofrimento (O’Connor, 2021; Hoge & Wenger, 2022).

 

A realidade brasileira: entre o ideal e o possível

No Brasil, o padre e pesquisador Lício de Araújo Vale analisou casos de autoextermínio entre padres e destacou, em artigo publicado no Vatican News (2023), que a cobrança excessiva e a idealização da figura clerical são fatores recorrentes no adoecimento mental. Ele aponta a tensão entre duas imagens que pesam sobre os ministros ordenados: a teológica, espiritualizada e quase angelical; e a sociológica, moldada pelas expectativas concretas da comunidade.

A essas duas, podemos acrescentar uma terceira: a imagem pessoal, que muitas vezes se perde entre o ideal teológico e as exigências sociais.

Quando o ministro ordenado tenta corresponder simultaneamente a esses três modelos — o que a teologia descreve, o que o povo espera e o que ele próprio acredita que deveria ser — surge um terreno fértil para conflitos internos, sentimentos de inadequação e profundo sofrimento emocional.

Essa dissonância gera sentimentos de inadequação, conflitos internos e um sofrimento emocional profundo, especialmente quando os ministros ordenados não encontram espaços reais de acolhimento e escuta. Aos poucos, o padre ou o bispo vai perdendo o chão: não sabe mais quem é, nem de onde vem, nem para onde está caminhando. A identidade se embaralha, a missão se confunde e a pessoa, por dentro, vai se apagando — mesmo que, por fora, continue funcionando como se tudo estivesse bem.

 

Quando a idealização vira risco real

O “endeusamento”, a idealização excessiva do padre pode transformar o ambiente eclesial em um fator de risco. A crença de que o ministro ordenado é alguém imune ao sofrimento — alguém que não se cansa, não adoece e não tem necessidades humanas — reforça o estigma que impede muitos de buscar ajuda.

Quando esse ideal é internalizado como verdade, ele gera culpa, repressão emocional e negação das próprias fragilidades, e assim o sofrimento vai crescendo em silêncio. Diante dessa pressão insustentável, muitos acabam buscando saídas compensatórias, “escapes”, para suportar a pressão, e, às vezes, simplesmente ignoram um “eu real” que está gritando por ajuda e socorro.

 

Caminhos possíveis: mais humanidade, mais cuidado

A literatura especializada é unânime: a idealização do ministério ordenado, quando não equilibrada por formação afetiva adequada, acompanhamento espiritual e apoio institucional, torna‑se um dos fatores mais significativos para o sofrimento mental no clero (Rossetti, 2022; Galletta & Lopes, 2024; Pereira, 2025).

 

Entre as soluções apontadas pelos pesquisadores estão:

1) Revisão da formação inicial e permanente, com foco em maturidade afetiva, autoconhecimento e gestão emocional. Atenção e cuidado as tendências de idealização sinalizadas.

2) Criação de espaços seguros de escuta, onde padres e bispos possam partilhar vulnerabilidades sem medo de julgamento. Grupos de partilha, com ou sem facilitadores, de idade de vida ou de ordenação

3) Acompanhamento psicológico e espiritual contínuo e “profissionais”, garantidos institucionalmente.

4) Desconstrução ou desincentivo de expectativas irreais, tanto no clero, na comunidade externa, quanto dentro da própria Igreja.

5) Pares fraternos — ou simplesmente amigos, colegas e conhecidos que conseguem vencer a inveja, o ciúme e a competição silenciosa que, não raramente, se infiltram na vida clerical. Quando dois ou mais padres ou bispos se reconhecem como irmãos, e não como rivais ou competidores desleais, nasce um espaço de ajuda mútua, sincera e verdadeiramente evangélica.

Nessa relação, um apoia o outro, escuta sem julgar, acolhe sem comparar, corrige com caridade e celebra as conquistas do irmão sem sentir-se diminuído. É uma fraternidade que não se constrói na aparência, mas na verdade; não nasce da disputa, mas da comunhão; não se alimenta de máscaras, mas de confiança. E quando essa fraternidade existe, ela se torna um dos maiores antídotos contra o isolamento, o desgaste emocional e o adoecimento silencioso que tantos ministros ordenados enfrentam.

É nesse tipo de relacionamento— simples, humano e espiritual — que muitos ministros ordenados encontram o suporte que a instituição nem sempre consegue oferecer. E, quando vivida com autenticidade, essa fraternidade se torna um dos remédios mais eficazes contra o isolamento, o desgaste emocional e o adoecimento silencioso.

 

A beleza de sermos humanos: quando a fragilidade revela o Divino

Urge a promoção evangélica de uma cultura de vulnerabilidade compartilhada, que reconheça a humanidade dos ministros ordenados. Que ao enfrentar o problema exige não apenas ações individuais, mas mudanças estruturais e espirituais na cultura pessoal e eclesial. A saúde mental do clero depende do próprio ministro, bem como de uma comunidade que acolha fragilidades e reconheça que a santidade não nasce da negação da humanidade, mas da vivência autêntica dela. Fonte: https://www.vaticannews.va

SILÊNCIO

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Publicado em 18 abril 2026
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  • Frei Cláudio van Balen,
  • Reflexões de Frei Cláudio Van Balen,
  • transcendente
  • A ESPIRITUALIDADE CARMELITANA

 "Pai, possam eles contemplar a glória que me concedestes, porque me amais". (Jo 17,24) 

 

Frei Cláudio van Balen, O Carm                                                

A espiritualidade carmelitana  faz dedicar-nos a cultivar crescente sensibilidade para captar a atuação da graça ou a presença do transcendente contida em toda a realidade. Assim ajudamos outros a se deixarem tocar, envolver pelo mistério. Receber e transmitir o toque divino é  ponto central do jeito carmelitano de ser.

Partimos do princípio de que todo encontro mais profundo consigo e com a realidade é encontro com Deus que liberta e melhora a qualidade de vida. Tal postura enobrece a pessoa e permite que, nela, Deus aconteça. O encontro com ele, aliás, é o objetivo de toda vivência cristã, de toda atividade e expressão da fé.

Nessa perspectiva, o cultivo do silêncio visa colocar as funções dos sentidos a serviço da fé. Ou seja, em vez de prender o coração a seus objetos sensoriais, esses poderão aguçar nossa receptividade interior, registrando a dimensão oculta na realidade visível: Deus com sua presença amiga e atuação salvadora.

Pratica o silêncio quem, bem integrado e interiormente iluminado, mergulha de tal maneira dentro de seu contexto existencial que, ao lidar com coisas e pessoas, fatos, problemas e emoções, aprofunda sua união com a interioridade que dá a tudo coesão e o relaciona com uma harmonia real ou projetada.

Graças ao silêncio, a vida, o mundo e a história são percebidos como o espaço do Transcendente. Tudo que ali ocupa um lugar ou desempenha uma função, também presta o serviço de imagem, sinal e mediação evocando seu potencial oculto, o poder e o amor de Deus e seu Projeto de Libertação integradora.

O silêncio não produz fugitivos, mas comprometidos; não faz a pessoa insensível, porém mais solidária; não cria alienados, mas conscientiza.. Mais do que estranhos no ninho, gera pessoas de vanguarda na renovação da vida, na melhoria das relações, no desenvolvimento da história e na construção da Igreja.

Como atitude, cultivar o silêncio é uma sensibilização por essa onipresença do “algo mais”  que mantém tudo interligado. De fato, alguém só pode tornar-se contemplativo em atitude, se primeiro se dedica com afinco ao silêncio, a essa abertura ao transcendente na realidade, em busca de uma crescente sintonia.

No Carmelo, as pessoas são motivadas e ajudadas para que se coloquem e conservem sempre na presença de Deus. Sinalizado por tudo e todos, graças à clarividência da fé, ele é o mistério onienvolvente que integra  o existir, interligando todas as suas facetas em uma densidade significativa que leva ao encontro.

Deus presente é dádiva que surpreende e abre novos horizontes; é luz que possibilita o nosso ir e vir, mesmo em meio à escuridão; é força que dá coragem nos embates da vida e é o alvo que sempre de novo encanta e atrai. Graças ao silêncio, o próprio ir e vir nos transporta para dimensões sempre além do “dado”.

Pela contemplação, tudo se encaminha para um sentido integrador, em que o drama não paralisa nem a euforia ilude. Tudo é incorporado ao conjunto e cada um com sua função, bem dentro da tessitura da própria existência,  em benefício do todo. Não desperdicemos nada, tudo é prenhe de um significado.

Em seu esforço de espiritualização, o praticante do silêncio procura ver, através de tudo e por trás do imediatamente dado, uma realidade maior ou diferente, com ofertas e apelos; e de bom grado deixe instrumentalizar-se tanto pelo humilde como pelo grandioso. Assim permite que o universo conspire a seu favor.

Mediante o exercício persistente de, em tudo, captar o “lado de dentro”, o “mistério”, adquire um grau superior de sensibilidade, de modo que, qual cera maleável, tudo e todos possam contribuir para sua transformação. Passo a passo, vivendo fé, esperança e amor, apodera-se de uma leitura correta da vida.

O silêncio é uma ferramenta indispensável para a vida poder irromper em nós e a graça revelar-se em toda a sua pujança. Graças ao silêncio, Deus pode sussurrar a nosso coração o que tem para nos oferecer e como podemos andar por seus caminhos, superando fragmentação através de relações saudáveis.

A CONTEMPLAÇÃO QUE NASCE DA CRUZ

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Publicado em 07 fevereiro 2026
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A CONTEMPLAÇÃO QUE NASCE DA CRUZ: “EU VI E OUVI A AFLIÇÃO DO MEU POVO” (Ex 3,7) – Testemunho a partir de Vicente de Carvalho, Rio de Janeiro, RJ

Frei Petrônio de Miranda, O. Carm., Prior da Comunidade

(Com colaboração de Frei Gilvander Luiz Moreira, O. Carm)

    

“Violência! Opressão!”, bradava com veemência o profeta Jeremias, ao ser reprimido no seu sagrado direito de profetizar. Após ser torturado e preso, o profeta Jeremias, ao ser solto, não abaixou a cabeça e denunciou o sacerdote Fassur, administrador-chefe do templo, dizendo na cara dele: “Seu nome não será mais Fassur, mas Terror-ao-redor”. Este contexto de brutal violência física, psicológica, social, econômica, política e religiosa existia na época do profeta Jeremias (Jer 20,8-9,5) e atualmente é o que presenciamos em várias partes do Brasil e do mundo, especialmente no estado do Rio de Janeiro. E neste contexto desempenhar a missão de evangelização e denunciar a corrupção, a idolatria e opressão dos pobres se tornou um desafio imenso. 

Eis alguns dados que não podem ser vistos friamente, pois por trás de números dramáticos estão milhares de pessoas e famílias destroçadas e violentadas. No estado do Rio de Janeiro, 124 jovens de bairros periféricos (favelas) foram mortos pela Polícia militar e civil no ano de 2025; 167 mortos e 188 feridos nos últimos três anos por balas perdidas. Dia 28 de outubro de 2025 aconteceu o maior massacre da história do Rio de Janeiro em uma megaoperação das polícias militar e civil: 121 mortos – algumas fontes dizem que foram 126 mortos - nos complexos do Alemão e da Penha, zona norte do Rio de Janeiro, RJ. O Instituto Médico Legal demonstrou que quase todos os mortos tinham sinais de execução. A população encontrou na mata ao lado da favela 70 corpos que foram colocados expostos em praça pública da comunidade. Cenas de guerra, barbárie, terror.

Vários Deputados, vereadores, prefeitos, governadores e juízes presos com envolvimento no mundo do tráfico nos últimos anos três anos. Comunidades entregue ao terror, ao medo e a morte. Vários padres foram obrigados a fecharem as igrejas por ordens de traficantes. Trabalhadores, mães e a população em geral com medo. “Aqui todo mundo tem olhos, mas não veem; tem ouvidos, mas não ouvem, pois se verem e denunciarem, se ouvirem e denunciar, morrem”. Eis uma regra para sobreviver no meio de fogo cruzado entre traficantes, milícias e o aparato repressor do Estado.

Estes dados retratam uma cidade completamente dominada por uma elite dominante, encastelada no Estado e nas grandes empresas que lucram e acumulam capital semeando violência no meio das comunidades periféricas. É Noite Escura. “O Rio de Janeiro!” Muitas vezes fica difícil encontrar a pequena luz no fim do túnel ou dentro do túnel e falar de Esperança em tal realidade que clama aos céus e mais parece uma sexta-feira da Paixão que um Domingo da Ressurreição.

O povo encurralado por um Estado cúmplice da violência, que mais faz campanha eleitoral com sangue humano. Ou seja, autoridades políticas ordenam repressão e a realização de massacres para angariar votos, pois sabem que os controladores maiores do tráfico não moram nas favelas, mas em bairros nobres e usam terno e gravata, via de regra. Entretanto, diante da insegurança social, situação em que as pessoas podem ser assaltadas ou receber uma bala perdida a qualquer momento, muitos são induzidos a acreditar que com repressão se conquistará segurança pública. Ledo engano! Políticos de direita e de extrema-direita se elegem e se reelegem e durante seus mandatos impedem justas e necessárias políticas públicas que de fato podem asfixiar o tráfico e as milícias, e construir um projeto popular de sociedade com justiça, respeito, paz e solidariedade.

Nós, Frades Carmelitas da Paróquia Nossa Senhora do Carmo da Vila Kosmos, no Rio de Janeiro, RJ, nos últimos dois anos, após os conflitos entre traficantes, milicianos e polícia, recolhemos 69 balas caídas em nossa Comunidade Conventual. Não são flores de Santa Teresinha que recolhemos em nosso claustro, mas balas (cápsulas) letais de metralhadoras e fuzis, que só chegam aos morros com a cumplicidade de autoridades do Estado.  No meio deste fogo cruzado, a nossa Paróquia sofre as consequências de uma guerra civil não declarada na chamada “cidade maravilhosa”.

Neste contexto de sofrimento humano retratado no Poema A Noite Escura, de São João da Cruz, todos os dias enquanto carmelitas passamos pela purificação dos sentidos, da vocação carmelitana e da nossa próxima existência se protegendo contra as balas, os arrastões e a violência que apavora e aterroriza a todos nós, frades Irmãos(as) da Ordem Terceira do Carmo e paroquianos, procurando ser uma fonte de paz e serenidade para o povo Deus que vem até nós desesperado buscando um conforto espiritual e uma paz que dê sentido ao chamado carmelitano em uma realidade de terror.

As nossas atividades Missionárias e Pastorais foram ajustadas no que se refere os horários, seja as Festividades da Novena e Festa de Nossa do Carmo e até mesmo os horários normais das Missas e outras atividades para proteger as famílias que nos procura. Se antes tínhamos procissão e Missão, hoje se tornou impossível. As ruas estão fechadas com proteção dos próprios moradores para tentar barrar a entrada de traficantes e milicianos. Por sua vez a Polícia, também envolvida no mundo do crime, não garante proteção ou segurança. “Aqui os traficantes nos protegem, graças a Deus! Ninguém vem mexer com a gente”, nos relatam moradores que confiam mais nos jovens do tráfico do que na Polícia.

Em 2023 pelo menos 35 ônibus foram incendiados contra uma ação policial que resultou na morte do sobrinho de um miliciano. Cada bairro, morro ou região tem os seus “donos” e quando são ameaçados pelo Estado transformam o Rio de Janeiro em uma verdadeira Guerra. Desde o ano de 2023, 25 crianças e adolescentes inocentes foram mortas por balas perdidas.

“Sofrer não faz mal, desde que nos sintamos amados”. Este pensamento de São Tito Brandsma, Mártir Carmelita da 2ª Grande Guerra, podemos confirmar com certeza diariamente aqui no Rio de Janeiro através do carinho do povo de Deus para com o Carmelo. Às vezes, acordamos às 5 horas da manhã com o barulho de tiros e de helicópteros sobrevoando a nossa Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Ficamos apreensivos, nervosos e tristes, mas somos amados pelo povo e isso nos fortifica para continuarmos em Missão a partir da Regra do Carmo e do nosso compromisso assumindo e falando pelo grande Profeta Elias, “Zelo zelatus sum pro Domino Deo exercituum“.

Enquanto carmelitas, somos presença não apenas de reza ou sacramentos, mas também de apoio psicológico, afetivo e humano por meio dos voluntários da Associação Beneficente São Martinho ao longo dos últimos 30 anos. Destacamos ainda as diversas campanhas sociais em favor das famílias vitimadas pela pobreza e pela violência nos morros.

Diante de tais dados e testemunho o que podemos dizer do nosso Profetismo e da nossa Espiritualidade Mariana? Impossível colocar em prática o tripé do Carisma/Espiritualidade dos Carmelitas – Contemplação, Fraternidade e Profetismo – se nos omitirmos e permanecermos em ambientes seguros, tranquilos de classe média, que são oásis na sociedade brasileira com brutal desigualdade. Temos que levar a sério as origens do Carmelo – mendicância – em tempos de teocracia que usava e abusava do nome de Deus e de textos bíblicos para fortalecer uma Igreja Instituição rica e que sustentava senhores feudais. O contexto de violência nos interpela para levarmos a sério o testemunho dos profetas Elia que, no meio das viúvas de Sarepta – marginalizadas – se tornou presença solidária e denunciava com atitudes de vida a idolatria que justificava a exploração dos pobres. A dupla porção do testamento espiritual herdada pelo profeta Eliseu de Elias indica que o discípulo deve superar o mestre e ser coerente empunhando a bandeira da profecia em estreita sintonia com a contemplação e na fraternidade ad intra e ad extra. Sentimos também um apelo para levarmos a sério o testemunho de Maria, mãe de Jesus e nossa mãe, tão bem retratado pelo Evangelho de Lucas no Cântico de Maria, que resgata a fina flor da experiência dos profetas e profetisas desde as parteiras do Egito, Moisés, Ana e todas as mulheres profetisas da Bíblia, que testemunharam a utopia do Deus da vida: “dispersar os soberbos de Coração, derrubar do trono os poderosos e elevar os humildes; saciar os famintos e despedir os ricos de mãos vazias” (Lc 1,51-53)

Como ser uma fonte de Esperança e conforto para quem chora a morte neste cenário de Guerra? Frei Sérgio Gorgen, franciscano, agente de pastoral da Comissão Pastoral da Terra (CPT), cofundador do Movimento dos Trabalhadores Rurais (MST) e do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), alguns dias antes da sua travessia para a vida em plenitude, escreveu: “Vivi em situações de muita dor (até hoje ecoam nos meus ouvidos o choro de crianças com fome nos barracos de acampamento e até me dói no mais fundo de mim a dor de enterrar crianças que morriam de fome) e muita tensão em tantos e tantos conflitos vividos, mas os tempos de alegria e confraternização foram infinitamente maiores. Não tive o direito de ter crise, nem vocacional, nem espiritual, nem de confiança no futuro, embora em meu interior, tenha passado por várias e tantas, porque sentia a responsabilidade e o peso do hábito de São Francisco sobre os ombros na vocação que abracei. E desde aquele dia em que, num conflito de terra na ocupação da Fazenda Anonni, em que a Brigada Militar avançava em direção ao povo e uma mulher puxou minha camisa e me disse “Frei, o senhor não vai fazer nada?” e eu, cheio de vergonha, avancei do meio do povo e fui para frente dos policiais, incapaz de dizer uma única palavra, abri os braços e parei bem próximo a eles – e as crianças com flores na mão, me seguiram e os policiais pararam - desde aquele dia, perdi também o direito à omissão.”

Resposta ou receita para resolver tal realidade não temos, o que podemos afirmar é que choramos com o povo, sonhamos com o povo, rimos com o povo e buscamos cicatrizar as nossas e as suas feridas por meio da Eucaristia, da convivência fraterna e do olhar para cruz, certos de que a cruz não é só sofrimento, mas de luz, de resistência miúda que insiste a cada dia em viver.

Noite Santa- Nova música do Frei Petrônio

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Publicado em 23 dezembro 2025
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Noite Santa

Letra e Música: Frei Petrônio de Miranda, O. Carm

Rodovia Presidente Dutra- A Caminho de São Paulo- 1º de Março/ 2024. Complemento, 4 de dezembro-2025.

 

 

1-Quem foi que falou? Eu ouvi falar. A Estrela brilhou, vamos caminhar, seguindo Melchior, Baltasar e Gaspar, o Filho de Deus, vamos adorar.

 

2-Chegando em Belém, vamos cantar, com os santos pastores, adorar. Gloria a Deus nas alturas, vamos gritar! Entre os animais, Ele vai estar.

 

3-Olhando a família, sempre a pensar, Maria feliz com Jesus a brincar. O Filho de Deus entre nós está, louvores cantemos, a Paz vai reinar.

 

4- Esperança ó Esperança, vem renascer, esta pequena chama  reacender. Nesta noite santa nada a temer, Ele está entre nós para defender.

 

5-Que cessem as trevas e a falta da fé, nossos olhos brilham ó São José. Com Francisco de Assis vamos adorar, nesta manjedoura, vamos nos curvar.

 

6-Crianças nas Guerras com fome a morrer, ó Menino Deus, vem proteger. Famílias chorando a peregrinar, dormindo nas ruas sem pão e sem lar.

 

7-Mulheres Marias, sempre a gritar, o feminicídio entre nós está. Derruba os muros da separação, liberta os jovens de toda prisão.

 

Três pessoas morrem em colisão entre dois carros em rodovia do PI; outras três ficaram feridas

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Publicado em 22 dezembro 2025
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Três pessoas morrem em colisão entre dois carros em rodovia do PI; outras três ficaram feridas

Acidente aconteceu na noite de domingo (21), em Miguel Leão, a 88 km de Teresina. As vítimas estavam no mesmo veículo.

 

Três pessoas morrem em colisão entre dois carros em rodovia do PI

 

Por Gabriely Corrêa*, g1 PI

Um homem de 51 anos e duas passageiras morreram em um acidente entre dois carros de passeio na BR-316, na noite de domingo (21).

Outras três vítimas ficaram gravemente feridas. Elas foram encaminhadas ao Hospital de Urgência de Teresina.

Segundo a PRF, a principal suspeita é de que um dos carros trafegava na contramão.

Três pessoas morreram e outras três ficaram gravemente feridas em uma colisão entre dois carros na noite de domingo (21), na BR-316, em Miguel Leão, a 88 km de Teresina. As vítimas fatais estavam no mesmo veículo.

O acidente aconteceu por volta das 20h15, no km 80,4 da rodovia. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a suspeita é que um dos carros trafegava na contramão.

Entre os mortos estão um homem de 51 anos, uma mulher de 24 anos e outra pessoa do sexo feminino ainda não identificada.

Já entre os feridos estão um homem de 39 anos, uma mulher de 32 anos e outra pessoa do sexo feminino não identificada. Todos ficaram gravemente feridos.

O Corpo de Bombeiros ajudou no resgate das vítimas. Em seguida, elas foram socorridas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levadas ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT).

Após a perícia, o Instituto Médico Legal (IML) removeu os corpos do local. Fonte: https://g1.globo.com

O Presépio como escola de fé

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Publicado em 15 dezembro 2025
  • o significado do presépio
  • CARTA APOSTÓLICA SIGNUN ADMIRÁVEL DO SANTO PADRE FRANCESCO SOBRE O SIGNIFICADO E O VALOR DO PRESÉPIO
  • O VALOR DO PRESÉPIO
  • CARTA DO PAPA SOBRE O O VALOR DO PRESÉPIO
  • fazer o presépio é convidar Jesus a entrar na nossa vida
  • Arcebispo de Santa Maria
  • AS MENSAGENS DO PRESÉPIO
  • O Presépio

 

Dom Leomar Antônio Brustolin
Arcebispo de Santa Maria (RS)

 

Quando chegam os primeiros dias do Advento, minha memória sempre retorna àquela cena doméstica que marcou a minha infância: meu pai começando a preparar o material para o presépio. Era quase um ritual. Enquanto minha mãe cuidava da árvore, que nós chamávamos de “pinheirinho” meu pai assumia a missão de transformar um canto da sala da casa numa pequena Belém. E ele fazia isso de modo pedagógico, envolvendo os filhos na construção da gruta, como quem ensina um ofício sagrado. 

Lembro-me do cuidado dele ao tingir a serragem que seria a grama do presépio, espalhando os tons de verde para dar mais vida ao cenário. Depois, vinham os papéis pintados à mão, pacientemente amassados e moldados, para parecerem pedras reais. A gruta se erguia devagar, entre risos, poeira colorida, pincéis, cola e aquela expectativa que só as crianças conhecem. Meu pai também cuidava das luzes, porque – como ele dizia – a manjedoura precisava brilhar, mas brilhar com humildade. 

Meu pai partiu cedo. Mas, até hoje, nos dias que antecedem o Natal, é como se suas mãos continuassem ali, ensinando, orientando, construindo. Essa memória não é apenas lembrança; é formação. Foi ali, naquele presépio simples, que aprendi que a fé se transmite pelos olhos, pelas mãos, pelo convívio, pelo amor concreto de uma família que prepara o coração para o Natal. Montar o presépio era mais que montar um cenário: era aprender a viver o Nascimento de Jesus Cristo. 

 

O presépio como escola de fé 

É nesse espírito que o Papa Francisco escreveu a carta apostólica Admirabile Signum, recordando ao mundo a importância de manter viva essa tradição. Segundo ele, o presépio é um “sinal admirável”, capaz de reacender a memória da fé e tocar o coração. O presépio nos educa porque fala através dos símbolos e desperta aquela ternura que nos aproxima de Deus. 

De fato, montar o presépio hoje é um gesto contracultural. Em meio à pressa, ao consumo exacerbado e à superficialidade das imagens, o presépio nos obriga a parar e contemplar. Ele devolve profundidade ao Natal, lembrando que o centro da festa não é a árvore iluminada nem os presentes, mas o Deus que se faz pequeno numa manjedoura. O presépio é uma miniatura da humildade divina — um Evangelho moldado em figuras simples. 

Cada peça carrega significados que atravessam gerações. Os pastores representam os pobres e esquecidos que Deus coloca em primeiro lugar. Os Magos lembram a universalidade da fé, que abraça todos os povos. A luz discreta nos conta que a esperança não entra no mundo com estrondo, mas com suavidade. A gruta evoca nossas próprias sombras, que Cristo vem iluminar. E no centro, sempre, o Menino – tão frágil que cabe no colo, tão grande que sustenta o mundo. 

 

Tradição que se torna missão 

Por isso, montar o presépio é também criar memória espiritual. É oferecer às crianças — como fez meu pai — a herança de uma fé concreta, vivida, encarnada. O presépio instalado na casa se torna catequese visual: fala de proximidade, simplicidade, humildade e amor. 

O Papa Francisco destaca que o presépio toca o coração mesmo de quem não participa da vida da Igreja. Ele revela a ternura de Deus e recorda que a fé cristã nasce da contemplação de um mistério que se entrega. Por isso, o presépio não é apenas tradição; é anúncio. Ele evangeliza porque emociona. Ele ensina porque comove. Ele reúne porque desperta comunhão. E quando as mãos das crianças ajustam a gruta, quando colocam a serragem, quando alinham as figuras, um aprendizado precioso se transmite: o Natal começa no coração. Fonte:  https://www.cnbb.org.br

O que Leão XIV diz em sua biografia sobre mulheres, fiéis LGBTQIA+ e escândalos de abuso na Igreja

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Publicado em 26 novembro 2025
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Papa afirma que casamento é entre homem e mulher, mas também condena uso político dessa discussão

Papa Leão XIV assina biografia escrita por Elise Ann Allen Foto: Reprodução/Twitter Elise Ann Allen

 

A nova biografia “Leão XIV: Cidadão do Mundo, Missionário do Século XXI” oferece o retrato mais completo até agora do primeiro papa americano, um líder que, aos 70 anos, assumiu o trono de São Pedro com a ambição de reduzir polarizações e devolver serenidade a uma Igreja de 1,4 bilhão de fiéis.

Escrita pela jornalista Elise Ann Allen, do portal católico Crux, a obra se baseia em três horas de entrevistas realizadas em julho e na convivência que ela desenvolveu com o então Robert Prevost desde 2018, quando ele ainda era bispo no Peru.

A biografia acompanha a trajetória de Leão XIV desde a infância em Chicago até sua eleição no Vaticano, e revela um pontífice cauteloso, avesso aos holofotes, mas disposto a definir pessoalmente a narrativa de sua própria história. As conversas ocorreram na Villa Barberini, residência papal de verão, e depois na moradia provisória do papa na Santa Sé, enquanto os aposentos oficiais passavam por reforma.

Apesar do estilo reservado, Leão XIV expõe no livro algumas das posições mais importantes de seu pontificado. Ele afirma não ter intenção de ordenar mulheres, embora garanta que continuará nomeando lideranças femininas para cargos-chave da igreja, e diz estar aberto a ouvir opiniões divergentes. Também reforça que acolherá “todos, todos, todos”, inclusive fiéis LGBTQIA+, mas sem alterar a doutrina católica sobre sexualidade ou casamento.

“O casamento é para um homem e uma mulher”, diz Leão, que define “família” como “pai, mãe e filhos”. Ao mesmo tempo, ele condena o uso político dessa discussão e lamenta que, em alguns círculos europeus, bênçãos pastorais estejam sendo transformadas em rituais que extrapolam o que a Igreja ensina.

Leão XIV descreve a crise de abusos sexuais como um dos temas mais dolorosos da Igreja que exige proximidade com as vítimas, mas alerta que o drama dos abusos não pode se tornar o único foco dos católicos: “A grande maioria dos padres e religiosos nunca abusou de ninguém”.

O papa também aborda a geopolítica mundial. Sobre a Faixa de Gaza, classifica as cenas de sofrimento como “terríveis” e afirma temer que o mundo se torne insensível ao drama humano. Diz que a Santa Sé, por ora, não considera possível declarar tecnicamente se há um genocídio em curso.

Primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, Leão XIV afirma não querer interferir na política de seu país natal, nem mesmo em relação ao presidente Donald Trump, embora não fuja de conversas quando se trata de temas urgentes. / COM INFORMAÇÕES DO THE WASHINGTON. Fonte: https://www.estadao.com.br

Cardeal Tempesta: somos chamados a superar o ódio, a vingança e a indiferença

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Publicado em 29 outubro 2025
  • Violência no Rio,
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  • Violência na Penha,

O arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Orani João Tempesta emitiu uma nota sobre os últimos acontecimentos na capital fluminense. “Diante dessa dolorosa realidade, como Pastor desta Igreja, não posso deixar de expressar minha dor por tanto sofrimento e de reafirmar que a vida e a dignidade humana são valores absolutos”.

Silvonei José – Vatican News

Um fato sem precedentes sacudiu nesta terça-feira a cidade do Rio de Janeiro. Uma grande operação envolvendo todas as forças de segurança do Rio de Janeiro prendeu mais de 80 suspeitos de integrar o CV (Comando Vermelho) e resultou na morte de ao menos 64 pessoas.

As pessoas foram mortas durante ação realizada nos complexos do Alemão e da Penha, sendo quatro policiais (dois militares e dois civis), segundo a Polícia Civil. De acordo com informações da imprensa local, outras nove pessoas foram baleadas, sendo três moradores e seis agentes, quatro civis e dois militares. Entre os mortos, estão lideranças da facção em outros estados que estavam refugiados na região.

Ação mobilizou 2.500 policiais militares e civis para cumprir mandados de busca e apreensão nos dois Complexos na capital fluminense. A ação - segunda a imprensa - é resultado de um ano de investigação envolvendo, também, o Ministério Público do Rio de Janeiro na tentativa de atingir lideranças do CV.

O arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Orani João Tempesta emitiu uma nota sobre o que ocorreu. Eis a íntegra da mesma:

“Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9)

 

Amados irmãos e irmãs em Cristo,

Hoje vivemos um dia muito difícil no Rio de Janeiro. Com profundo pesar, acompanhamos os trágicos acontecimentos deste dia, em que tantas vidas foram ceifadas. A violência e o medo têm ferido o coração da nossa cidade e tirado a paz de muitos lares. Diante dessa dolorosa realidade, como Pastor desta Igreja, não posso deixar de expressar minha dor por tanto sofrimento e de reafirmar que a vida e a dignidade humana são valores absolutos. A vida humana é dom sagrado de Deus e deve ser sempre defendida e preservada.

Quero elevar minhas preces e minha profunda solidariedade às famílias que choram a perda de seus entes queridos. Que Cristo, o Príncipe da Paz, envolva cada coração ferido com Sua ternura, restaure a esperança e faça brotar, mesmo entre as lágrimas, a certeza de que o amor é mais forte do que a morte. Que Ele transforme a dor em fé e a saudade em semente de vida nova.

Somos chamados, como discípulos de Cristo, a ser construtores da paz, a superar o ódio, a vingança e a indiferença que corroem o tecido social. É urgente que unamos nossas forças pela reconciliação, pelo respeito mútuo e, sobretudo, pela proteção da vida, pela promoção da justiça e pela construção de uma sociedade pacífica, que promova a dignidade de cada pessoa, especialmente dos mais pobres e vulneráveis.

Mesmo diante do caos, creio firmemente que o amor e o bem são mais fortes que qualquer violência. Peço a cada um que seja instrumento dessa paz. Não podemos alimentar o ódio, nem responder com indiferença. O Rio de Janeiro nasceu com vocação para a alegria e a acolhida. Que, com fé e perseverança, possamos devolver à nossa cidade o brilho da paz e a força da fraternidade. E, como diz o hino da nossa cidade: “Que Deus te cubra de felicidade — Ninho de sonho e de luz.”

Convido a todos a permanecerem firmes na oração e na construção da paz. Que nossas palavras e atitudes sejam sementes de reconciliação, e que cada gesto de amor seja um passo rumo a uma cidade mais fraterna e justa. Que o Senhor da vida converta nossos corações, cure as feridas da violência e nos faça instrumentos de Sua PAZ. Que Maria, Rainha da Paz, interceda por nossa cidade, por nossas autoridades e por todas as famílias atingidas pela tragédia de hoje.

Invoco, sobre todos, a bênção de Deus, sinal de esperança e consolo neste momento de dor.

Orani João Cardeal Tempesta, O. Cist. Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro

Fonte: https://www.vaticannews.va

Congresso Carmelita- Apontamentos da Conferência da Teresa Matos de Sousa

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Publicado em 06 agosto 2025
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  • 1º- CONGRESSO DA FAMÍLIA CARMELITANA DO BRASIL
  • Congresso da Família Carmelitana do Brasil
  • Rumo ao Monte Carmelo

1º - Congresso da Família Carmelitana do Brasil. 2-3 de agosto 2025, Aparecida, São Paulo.

 

Apontamentos da Conferência da Teresa Matos de Sousa, irmã do Sodalício da Vila Kosmos- Vicente de Carvalho/RJ. Tema: Rumo ao Monte Carmelo em Comunidade: Um olhar para a vida fraterna na Espiritualidade da Ordem Terceira do Carmo.

 

 

 “O Carmelita que não ora é falso Carmelita”.

 “A contemplação tem que me levar ao encontro do próximo”.

 “Na contemplação eu encontro o meu próximo”.

 “Se a contemplação não me leva ao encontro do irmão, isso não é contemplação”

 “O Carmelita tem que juntar, não separar”

 “O amor ao próximo é um caminho que nos ajuda a encontrar Deus”.

 “Se você deixar o Espírito Santo agir na vida, você faz coisa que até você dúvida e se pergunta: Será que fui eu mesmo que fiz isso”?

 “Se a Palavra de Deus não me faz uma pessoa melhor, essa Palavra é nula”.

 “A Eucaristia tem que ser constante, se ela for diária, Graças a Deus”.

 “A oração sai e vai ao encontro do nosso próximo, ela não é estática”.

 “Não é possível sermos orantes e contemplativos sem ficarmos sensíveis as pessoas”.

 “Na vida muitas vezes temos que engolir as desavenças da vida e depois de engolir aproveita e faz uma oração”.

 “Se os nossos filhos se tornassem carmelitas não ficaríamos preocupados com o futuro do nosso Sodalício”. 

“Não somos carmelitas apenas na Igreja, nas reuniões ou nos congressos. Em casa temos que provar a nossa carmelitíssima”.

Por que o Brasil está perdendo padres?

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Publicado em 12 maio 2025
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  • Seminaristas,
  • Formação de novos Padres,
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  • Os Padres,
  • abusos sexuais no clero,
  • União dos Movimentos de Moradia de São Paulo,

Secularização, celibato e descrédito institucional explicam desinteresse pelas vocações religiosas no País, segundo especialistas

 

Por Edison Veiga e José Maria Tomazela

Há uma queda no número de padres no Brasil, tendência que ecoa o que ocorre em boa parte do mundo, incluindo a América Latina, onde o papa Leão XIV passou três décadas anos da sua vida religiosa (no Peru). Segundo especialistas, a perda do interesse pelas vocações sacerdotais será um dos desafios do novo pontífice.

Maior país católico do mundo em termos absolutos, o Brasil tem um número de padres proporcionalmente baixo se comparado à Itália, coração tradicional do catolicismo. Conforme os dados da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), são 22,1 mil religiosos ordenados no País — um para cada 9,5 mil brasileiros. Na Itália, a cada mil habitantes, há um padre.

O cenário é de queda. Em 1970, eram 13 mil sacerdotes, mas uma população de pouco mais de 93 milhões. Cada padre, portanto, tinha potencialmente 7,1 mil fiéis para atender. Em 2010, eram 22 mil padres — pela população à época, cada um dava conta de 8,7 mil brasileiros.

“Isso se deve principalmente à crescente secularização (desinteresse geral pelas religiões) e à ideia, hoje amplamente aceita, de que é possível viver uma vida santa como leigo”, disse ao Estadão o padre jesuíta americano James Martin, consultor do Vaticano.

O historiador e teólogo Gerson Leite de Moraes vê a tendência como um problema a ser enfrentado pelas religiões no mundo contemporâneo, processo que avança gradualmente desde o Iluminismo.

Ou seja: a Igreja enfrenta um cenário que combina desinteresse com descrédito.

“Existem lugares onde a Igreja perdeu espaço ou o cristianismo católico é pouco efetivo. Há menos padres do que a Igreja gostaria para o trabalho de evangelização”, analisa Moraes, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Também afastam os jovens os escândalos de abusos sexuais no clero, seguidos de denúncias de omissão nos níveis mais altos da hierarquia. Segundo o padre Eliomar Ribeiro, diretor nacional da Rede Mundial de Oração do Papa e do Movimento Eucarístico Jovem, essa é uma “preocupação da Igreja”.

Ribeiro diz ainda que Francisco cobrava “que fossem levados a Roma os casos, sobretudo os ligados à pedofilia, e que os bispos não negligenciassem a questão em suas dioceses.”

Leão XIV já disse que o “silêncio não é a resposta” para esses casos e defendeu transparência e sinceridade para lidar com esse problema. Ele, porém, já foi acusado de omissão sobre denúncias do tipo na Diocese de Chiclayo, onde atuou, pela Rede de Sobreviventes de Abusos por Padres (Snap). Tanto a conferência dos bispos peruana quanto a diocese negam que houve negligência e dizem ter investigado os casos.

Por fim, há a questão do celibato obrigatório, “definitivamente um obstáculo para muitos homens que desejariam entrar no sacerdócio”, afirma padre Martin.

O papa Francisco permitiu, em 2014, que as igrejas de rito oriental tivessem padres casados no Ocidente. Trata-se de uma tradição que sempre existiu nos territórios de origem dessas igrejas. Ainda não se sabe se o papa Leão XIV fará mais mudanças em relação ao celibato de sacerdotes.

O padre Ribeiro, também diretor geral da Edições Loyola, ainda atribui a crise à diminuição do número e de filhos nas “famílias católicas”. Para ele, o ideal seria um sacerdote para cada 5 mil pessoas.

 

Escassez de seminaristas

Conforme o Anuário Pontifício, publicado em março pela Igreja, o número global de seminaristas caiu de aproximadamente 108 mil para pouco mais de 106 mil de 2022 para 2023, último ano registrado pelas estatísticas oficiais.

Em todo o planeta, há 407 mil padres, distribuídos em 3.041 circunscrições. A queda global é de 0,2% ao ano. A Igreja cresce na África e na Ásia e diminui no resto do planeta, com destaque para a Europa — recuo anual de 1,6%.

Padre Martin acredita que essas diferenças regionais possam ser explicadas porque algumas áreas experimentam “maior secularização” e “em comparação a outras. E há “lugares onde os abusos sexuais foram mais generalizados”, deixando a instituição em maior descrédito social.

Os europeus ainda são maioria dos sacerdotes do mundo. As maiores demandas estão nas seguintes regiões:

 

Europa: 38,1% do total, onde há 20,4% dos católicos

América do Sul: 12,4%, onde há 27,4% de católicos

África: 13,5%, onde há 20% dos católicos

América Central: 5,4%, onde há 11,6% dos católicos

 

Desejo de formar família dificulta formação

A vida solitária e o desejo de constituir família dificultam a formação de novos padres, segundo o ex-seminarista Mário Hugo Furlan, de 43 anos. Ele cita ainda a necessidade de renunciar às facilidades da vida comum, como o celular.

Após sete anos de estudo em um seminário de frades franciscanos da Ordem dos Capuchinhos Menores, Furlan abriu mão da vocação sacerdotal. Morador de Santa Bárbara d’Oeste (SP), ele hoje é casado e pai de um menino de 10 anos.

Optou pelo seminário motivado pela vida religiosa que levava com a família, especialmente os avós, indo a missas e participando de ações pastorais. Mas foi uma mudança drástica para o então jovem de 19 anos.

“No seminário, você vai contra as facilidades que o mundo oferece. É como estar no mundo, mas fora dele. Vive a realidade que todos vivem e tem de ser um sinal de luz, dedicação diária ao estudo, reflexão, muita oração e jejum.”

Os religiosos franciscanos e os agostinianos, como o papa Leão XIV, fazem votos de pobreza, castidade e obediência. Isso faz com que o acesso a tecnologias seja restrito. “A exigência de renunciar a celular e computador, entrando agora na inteligência artificial, é outro agravante que impede muitos seminaristas de chegarem ao final e serem ordenados”, diz.

A renúncia ao chamado para ser padre foi refletida por um ano. “Observava que a vida religiosa, solitária, embora comunitária, não fazia mais sentido para mim do ponto de vista existencial. Analisei que, constituindo família, seria mais realizado. Tive a ajuda dos freis para resolver esses questionamentos e deixei o seminário.”

Pesou também o fato de seu pai ter morrido na época. “Mexeu muito comigo e reforçou o desejo de constituir família. Hoje considero que foi a melhor decisão.”

Furlan conta que o aprendizado com os frades, de cuidados com o próximo e a natureza, será levado para a vida toda. “Ter sido religioso franciscano capuchinho por sete anos foi gratificante. Minha formação humana e científica me deu bagagem enorme.”

Mário cursou Engenharia de Produção e trabalha como líder de produção em uma indústria metalúrgica. Também é professor tutor em uma faculdade no interior.

 

Na periferia, padre mais distante impulsiona evangélicos

Católica e coordenadora do União dos Movimentos de Moradia de São Paulo, Sheila Cristiane Nobre atua em mais de dez comunidades no extremo sul da capital e na maioria delas não existe Igreja Católica. “Para ir à missa, confessar, comungar, os fiéis precisam pegar condução e muitas vezes não têm dinheiro”, reclama.

“Antigamente o padre era pessoa do povo. Hoje não é fácil o acesso, a gente sente falta. Nos locais em que piso, a maioria não tem Igreja Católica e a gente vai perdendo vez para as evangélicas, que vão ocupando espaço dentro da favela”, diz ela, de 49 anos, que faz trabalhas em regiões como Parelheiros e Grajaú.

O Brasil tinha, em 2019, cerca de 109,5 mil igrejas evangélicas de diversas denominações, ante cerca de 20 mil em 2015. O predomínio é das pentecostais (48.781 templos).

É superimportante que a Santa Igreja Católica adote medidas para voltar a ocupar espaço nas periferias. Senão daqui a pouco vai virar religião de nicho, perdendo cada vez mais espaço para esse pessoa. Fonte: https://www.estadao.com.br

Vai com Deus Chico.

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Publicado em 22 abril 2025
  • Artigos do Frei Petrônio,
  • Poema do Frei Petrônio,
  • Morre o Papa
  • Laudate Deum
  • Laudate Deum: vozes e testemunhos sobre a crise climática
  • Exortação Apostólica Laudate Deum
  • Morre o Papa Francisco
  • Vai com Deus Chico
  • Peregrinos de Esperança

 

Vai com Deus Chico!

Frei Petrônio de Miranda, O. Carm. Padre Carmelita e Jornalista da Ordem do Carmo.

Comunidade Carmelitana da Vila Kosmos- Vicente de Carvalho- Rio de Janeiro.

Segunda-feira, 21 de abril- 2025. www.instagram.com/freipetronio

www.olharjornalistico.com.br

 

Vai com Deus Chico! Ele esteve do teu lado nas noites escuras e dor, em favor dos Migrantes e das vítimas das Guerras e Ditaduras. 

Vai com Deus Chico! Ele estive do teu lado na luta incansável pelo planeta através dos Documentos Laudato Si e Laudate Deum- A nossa casa em Comum.

Vai com Deus Chico! Ele te inspirou na defesa de uma Igreja “hospital de campanha, não um posto alfandegário", onde os pobres- indígenas, quilombolas e famílias em situação de vulnerabilidade- fossem amados e os idosos fossem amparados.

Vai com Deus Chico! Tu nos ensinaste a sermos sacerdotes com os pés no chão e sem “renda da vovó”, mas apaixonados pelo Evangelho em uma Igreja Sinodal e Peregrinos de Esperança.

Vai com Deus Chico! No Documento Gaudete et exsultate, indicastes o caminho da santidade para o povo de Deus, e não apenas para um grupo seleto atrás dos muros Monásticos, Conventuais e Seminarísticos.

Vai com Deus Chico! Apontaste para os jovens os novos areópagos da Evangelização das Mídias Sociais e da Inteligência Artificial.

Vai com Deus Chico! Tu olhaste para o ser humano e não para opções sexuais, porque a Igreja é de todos, DE TODOS! DE TODOS! Papa Francisco, vai com Deus Chico!

Bispa de Washington que peitou Trump fala em honrar quem pensa diferente

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Publicado em 31 março 2025
  • DONALD TRUMP,
  • presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
  • comunidade LGBTQIA+
  • bispa de Washington
  • reverenda Mariann Edgar Budde
  • a morte de George Floyd,
  • cristianismo dos EUA
  • religião e poder político
  • cristianismo americano
  • Homossexuais e transgêneros

Reverenda Mariann Budde diz à Folha que nacionalismo cristão distorce ensinamentos de Jesus e lança livro no Brasil

 

A reverenda Mariann Edgar Budde e o presidente Donald Trump, em janeiro - Kevin Lamarque/REUTERS

 

Anna Virginia Balloussier

São Paulo

A reverenda Mariann Edgar Budde começou a escrever "Como Aprendemos a Ser Corajosos", livro que lança nesta segunda-feira (31) no Brasil, quando foi sua vez de absorver essa lição.

Em 2020, ela teve o que define como seu primeiro grande ato de coragem. Donald Trump, no fim do seu primeiro mandato, posou com uma Bíblia em frente à sua igreja. Budde criticou o "uso de símbolos sagrados" com propósitos políticos. Na mesma praça em Washington, a polícia havia desmantelado um protesto contra a morte de George Floyd, homem negro morto por um agente branco semanas antes.

Em 2025, num culto com presença de Trump, recém-empossado para sua segunda rodada como presidente dos Estados Unidos, a reverenda pediu ao convidado "misericórdia das pessoas em nosso país que estão assustadas agora". Fez menções a imigrantes e à comunidade LGBTQIA+.

Trump disse depois que aquele "não foi um bom culto".

Em entrevista à Folha, a bispa episcopal de Washington reconhece o avanço do nacionalismo cristão, "uma distorção da mensagem cristã", e enxerga falhas no campo democrata, visto com suspeita por muitos americanos que se sentiram escanteados pela elite intelectual.

 

É preciso estender a mão a quem pensa diferente, insiste Budde. "Eu preciso honrar [essas pessoas] e tratá-las com dignidade, mesmo que não concorde com elas. E tentar ver se podemos criar uma sociedade em que possamos ter conversas sem transformar as pessoas que discordam de nós em monstros."

 

Como a sra. relaciona sua fé com a decisão de confrontar Trump?

Não sei se eu diria que o confrontei. Falei com ele no contexto do sermão, que foi sobre unidade. Não estou certa de que ele absorveu a mensagem. Mas quis trazê-la como uma lembrança de que a misericórdia é algo do qual todos precisamos.

 

Alguns evangélicos diriam que a compaixão não tem sido muito mainstream em boa parte do cristianismo dos EUA e também do Brasil. Concorda?

Há uma interpretação da cristandade que não tem tanto a ver com os ensinamentos de Jesus. Dizer que é cristão expulsar pessoas que são diferentes ou tratar os que são estrangeiros tão mal é o contrário do que Jesus ensinou.

Não sou uma seguidora perfeita dos ensinamentos de Jesus, mas acho importante ser clara sobre como ele nos encorajou a nos tratarmos de forma digna, com paciência e amizade. Isso não significa que não temos leis e que as pessoas não precisam segui-las. Mas que podemos partir de uma posição um pouco mais gentil do que o que estamos experimentando agora com líderes cristãos mais influentes no governo.

 

Por que o nacionalismo cristão cresce tanto nos EUA?

O alinhamento de religião e poder político é tão antigo quanto a humanidade. Mas nós estamos testemunhando o crescimento disso por muitas razões. Muitas pessoas têm medo das mudanças que veem na sociedade.

Também acho que é um movimento financiado por mídias sociais que beneficiam certos grupos sociais. É uma distorção da mensagem cristã com um grande apelo para muitos que se consideram cristãos.

 

O que move esse lobby cristão a que a sra. se refere?

Dinheiro, poder, influência. A capacidade de elaborar leis percebidas como parte de uma agenda social cristã, para proteger certos grupos de pessoas.

Há uma crença forte, que volta à nossa fundação, de que há um plano particular de Deus para os EUA, mas essa sociedade é tipicamente definida como branca, com compreensões muito restritivas sobre o papel das mulheres e a natureza da família. [Essa visão] não fala para o bem de todos e para o tipo de sociedade multicultural que somos. E certamente não mantém os valores do evangelho cristão. Isso não é o que Cristo ensinou.

 

Como falar com esse EUA que a sra. apresenta?

Quero entender e conversar com as pessoas que têm essa visão. Preciso honrá-las e tratá-las com dignidade, mesmo que não concorde com elas. E tentar ver se podemos criar uma sociedade em que possamos ter conversas sobre essas coisas sem transformar as pessoas que discordam de nós em monstros e, portanto, deslegitimá-las como parte do diálogo.

 

O que aprendeu até agora com essas conversas?

As pessoas estão apoiando o presidente e sua agenda por muitas razões diferentes. Muitas estão preocupadas com o futuro financeiro, o aumento da imigração e a nossa capacidade de absorver tantos que querem vir para esse país. Há muito medo, e esses movimentos [nacionalistas cristãos] são construídos em cima do medo.

 

Vê uma forma de recolocar a misericórdia no centro no cristianismo americano?

Claro que sim. Não sei como... Mas, mesmo se eu não fosse bem-sucedida, eu ainda assim tentaria. E não estou dizendo que não há misericórdia entre os nacionalistas cristãos, mas ela é reservada para um grupo específico de pessoas.

 

No Brasil, fala-se sobre como a esquerda deixou de representar alguns grupos sociais. Isso acontece nos EUA?

Com certeza. Política e socialmente. Há suspeitas profundas em relação às classes educadas, com diplomas universitários e que vivem principalmente na costa leste ou oeste [como Nova York e Califórnia]. Há uma sensação de que muitos americanos se sentiam como se fossem menos valorizados, que seus empregos não eram importantes, que suas visões sobre como educar seus filhos estavam sendo desreguladas.

Esse descontentamento foi construído e encorajado. Temos um pouco de trabalho a fazer para reconstruir o tecido da nossa sociedade.

 

O que a Bíblia diz sobre imigrantes?

Você pode encontrar quase tudo que quiser na Bíblia. É complicado. Há partes dela muito tribais, nas quais as tribos não interagem com outras, e Deus parece feliz quando as pessoas fazem isso. Essa é uma compreensão mais antiga sobre como Ele se sente sobre as diferenças entre seres humanos.

E há passagens muito claras, como quando Deus diz ao povo de Israel, e Jesus aos seus seguidores, para antes de tudo se lembrarem de que fomos todos estrangeiros uma vez. Então devemos tratar o imigrante com amizade e respeito.

 

Sobre a comunidade LGBTQIA+, é comum ouvir nas igrejas o discurso sobre "amar o pecador, não o pecado".


A tradição a qual eu pertenço chegou a uma aceitação total de um espectro da sexualidade humana. Homossexuais e transgêneros são expressões saudáveis da vida cristã.

Como a sra., como líder evangélica, navega em tempos tão polarizados?
Com cuidado e com humildade. É importante [...] tratar aqueles que experimentam a fé de uma forma diferente com respeito. É direito deles como filhos de Deus.

Raio-x | Mariann Edgar Budde, 64

Bispa da Diocese Episcopal de Washington desde 2011, é uma das líderes religiosas mais influentes dos EUA. Conhecida por sua defesa da justiça social e dos direitos humanos, criticou publicamente Donald Trump em 2020 por usar a Bíblia como símbolo político. Formada em história pela Universidade de Rochester, obteve mestrado em divindade pela Escola de Teologia da Virgínia. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

Obrigado a Venerável Ordem Terceira do Carmo- Sodalício de Diamantina/MG.

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Publicado em 22 março 2025
  • Ordem Terceira do Carmo,
  • Delegado Provincial da Ordem Terceira do Carmo,
  • Ordem Terceira do Carmo Secular,
  • VENERÁVEL ORDEM TERCEIRA DO CARMO,
  • Ordem Terceira do Carmo de Diamantina
  • Venerável Ordem Terceira do Carmo do Serro

 

Queremos de público agradecer aos irmãos e irmãs da OTC do Carmo de Diamantina, na pessoa do seu prior Davi e do articulador da região Marcione, que se colocaram à disposição para colaborar na caminhada da OTC do Serro.

Em reunião ontem, dia 20 de março de 2025 com o Prior, Paulo Júnior e os irmãos e irmãs daquele Sodalício, foi acolhida com alegria a proposta de “1 Ano de Missão” ou, acompanhamento, formação, animação e Espiritualidade Carmelitana naquela cidade. Tal proposta é uma tentativa de reanimar e suscitar novas vocações, uma vez que aquele sodalício passa por sérias dificuldades.

Um ponto positivo do nosso encontro foi – finalmente- a aprovação do Estatuto enquanto marco de organização jurídica, uma vez que o grupo necessita zelar e cuidar do templo, e para tal é necessário uma maior organização e aquisição de recursos.

 

Proposta concreta:

1-Todos os meses promover uma tarde- ou manhã- de Espiritualidade Carmelitana aberta aos paroquianos e simpatizantes do Carmelo. (Agendar, divulgar e convidar em todas as Missas da Paróquia)

(Formação, Animação, Adoração ao Santíssimo, Oração, Lectio Divina... ). Na medida do possível, convidar os frades de Belo Horizonte para se fazerem presentes.

2- Visitar os irmãos que estão afastados do Sodalício

 

3- Motivar para o Encontro da Família Carmelitana em Aparecida em agosto próximo.

Que a nossa Mãe, a Virgem do Carmo e nosso Pai e Guia, Santo Elias, nos ajude e não nos deixe esmorecer em nossa caminhada afinal, todos nós estamos CAMINHANDO RUMO AO MONTE CARMELO ENQUANTO PEREGRINOS DE ESPERANÇA. Boa Missão e conte sempre com as nossas orações

 

Frei Petrônio de Miranda, O. Carm., Delegado Provincial para Ordem Terceira do Carmo e Paulo Daher, Coordenador da Comissão Provincial.

Comunidade Carmelitana de Vicente de Carvalho, Rio de Janeiro. 21 de março-2025.

A renovação católica se desprende do PT, partido que a Igreja ajudou a fundar

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Publicado em 15 março 2025
  • Comunidades Eclesiais de Base,
  • Religião e Política,
  • A Teologia da Prosperidade
  • abandonar o catolicismo,
  • religiões de matrizes africanas
  • conservadorismo da Igreja Católica,
  • fundação do PT,
  • governos lulistas,

Há um movimento de ressurgimento na religião, mas ao invés de buscar proximidade, o dogma petista está tão desvirtuado de sua origem, que parece cada vez mais impossível esse reencontro

 

Igreja Católica: em 1989, católicos representavam 83%, hoje, mesmo sem os dados oficiais do Censo, atrasado pelo IBGE, as pesquisas de opinião apontam para uma média de 50%  Foto: Werther Santana/Estadão

 

Por Bruno Soller

Cada vez mais distante do título que ostentou por décadas, o Brasil deixou há muito de ser a grande potência católica do mundo. O País caminha a passos largos para se tornar mais evangélico do que católico e as projeções menos otimistas, mostram que em uma década essa já deve ser a realidade. Essa mudança religiosa é a grande transformação sociológica brasileira no que concerne a sua essência de pensamento. Trazendo a análise para números, os evangélicos eram 9% nas eleições de 1989, enquanto os católicos representavam 83%, hoje, mesmo sem os dados oficiais do Censo, atrasado pelo IBGE, as pesquisas de opinião apontam para uma média de 35% de evangélicos e 50% de católicos.

Essa queda vertiginosa da população católica encontra guarida em diversos argumentos. O principal deles, medido qualitativamente, é a necessidade por respostas mais rápidas e o engessamento da estrutura ritualística da Igreja. As diferentes ramificações do protestantismo, sejam elas as reformistas clássicas ou as pentecostais e neopentecostais, têm cultos mais dinâmicos, cheios de musicalidade e uma interação entre pastor e rebanho mais próxima e menos protocolar. A alta presença dessas igrejas nas mídias são um outro ponto de contato que atrai a conversão de fiéis. Cultos na madrugada acabam por fisgar pessoas que se sentem desoladas por seus problemas cotidianos e enxergam um caminho para sua consolação.

A Teologia da Prosperidade é uma outra e importante razão pela qual muitos acabam por abandonar o catolicismo, que dogmaticamente defende o voto de pobreza, por uma linha de que é possível alcançar o crescimento material e que isso tem fundamento Bíblico para justificar a vontade de Deus para a vida de quem adere. Esse motivo traz uma reflexão para um embate que é o que muda por completo a percepção social dos fiéis. A Santa Sé propõe que a vida aqui é passageira, que o benefício final está após a morte, enquanto as igrejas protestantes, que ramificaram do Calvinismo, mostram que a recompensa já pode ser recebida em vida, em um mundo em que a materialidade tem grande importância e representa a vitória, dentro do sistema capitalista.

O crescimento em outra ponta do progressismo e a afirmação de direitos minoritários têm feito com que as religiões de matrizes africanas tenham dado um salto de presença na sociedade. Encobridas pelo catolicismo, principalmente pelo histórico de sincretismo religioso, muitos fiéis da umbanda, do candomblé, da quimbanda e das demais denominações têm se assumido publicamente como pertencentes a essas vertentes. Por muitos anos, questionados sobre qual a sua religião, praticantes desses dogmas, respondiam que eram católicos, com receio de julgamentos e preconceito. Vale lembrar que durante a Era Vargas, 40 anos após o fim da escravidão, a prática de religiões africanas sofreu uma grande repressão, sendo extraoficialmente proibida no País.

Com o conservadorismo da Igreja Católica, regida por homens brancos e de origem europeia, as ações afirmativas de comunidades negras e LGBTQIA+ têm encontrado cada vez mais guarida nas religiões de matriz africana, que têm entre suas adorações os orixás, com características humanas, tendo mais identidade com os percalços dos fiéis, do que a figura das santidades imaculadas do catolicismo. A culpa que é um dos pilares do catolicismo é uma outra vertente que tem afastado fiéis. Ao iniciar uma missa, o padre exige dos fiéis que peçam perdão pelos seus pecados e confessem suas culpas. Há um protocolo para aceitação, que com as políticas afirmativas do progressismo moderno parecem não mais ornar.

Com essa perda de fiéis, a Igreja Católica tem tido ramificações internas que buscam se renovar. Em um mundo que vive o maior dilema da sua história entre a clássica guerra do antropocentrismo e do teocentrismo, as religiões têm precisado serem mais imperativas e defender pautas do que apenas se apoiar em seu histórico para sobreviverem. Essa talvez seja a explicação para que no mundo do mais radicalizado conhecimento com tantas inovações tecnológicas e científicas, vemos um crescimento vertiginoso do islamismo e dentro do cristianismo uma substituição paulatina do catolicismo pelo protestantismo.

Mesmo com o sucesso midiático de alguns padres como Marcelo Rossi ou Fábio de Melo, a Igreja Católica tem visto uma diminuição considerável de novos batismos e o envelhecimento do seu rebanho. Como experiência social, vale observar a média de idade do público que vai regularmente às missas dominicais, por exemplo. Para conter isso, alguns padres têm buscado as redes sociais para alcançar novos fiéis ou pelo menos preservá-los. Frei Gilson, que tem sido acusado por petistas de ser simpatizante de Jair Bolsonaro, por algumas declarações dadas, é um fenômeno de popularidade em tem conseguido atrair milhões de seguidores na madrugada, às 4 horas da manhã, rezando o Santo Rosário, no que tem sido chamada de Quaresma Digital, em função do período entre carnaval e Páscoa, que é de suma importância para o catolicismo.

Com um discurso mais afirmativo e realçando um certo conservadorismo, que é dogmático da Igreja Católica, mas com a característica da solidariedade, algo que é muito caro aos fiéis dessa religião, Frei Gilson tem sido um instrumento de renovação dessa fé. O período quaresmal e a própria situação crítica de saúde do sumo pontífice, o Papa Francisco, parecem criar uma liga ainda mais propícia para esse movimento de resgate do catolicismo. O Partido dos Trabalhadores, no entanto, que foi formado com apoio de setores relevantes da Igreja, principalmente aqueles que defendiam a Teologia da Libertação, além das Comunidades Eclesiais de Base, com teólogos como Leonardo Boff, D. Pedro Casaldaliga e Frei Beto, por exemplo, não tem conseguido dialogar mais com esse público.

Preso ao assistencialismo e aí se encontrando com o catolicismo envelhecido, muito presente nos bolsões de pobreza do País, principalmente no sertão nordestino, onde há a maior concentração de classe D, do Brasil, onde 48,3% dos habitantes vivem nessa faixa social, o PT tem se afastado do público religioso. Com muita dificuldade de diálogo com os evangélicos, presentes em sua imensa maioria na periferia dos grandes centros urbanos e de ramificação social mais ativa na classe C2, que corresponde a 26,3% de todo o País, o novo embate parece se dar em um terreno em que o PT já teve dominância. A perda dos novos católicos pode ser o solapamento final do partido, que sobrevive muito ainda da figura de seu líder máximo, o presidente Lula.

Enquanto instituição, o PT mesmo com Lula na Presidência da República, foi apenas o nono partido em números de prefeituras nas últimas eleições. Fazendo um comparativo com 2012, ainda sob o efeito dos primeiros governos lulistas, o PT desabou de 625 prefeituras para 252, em 2024. Além disso, o partido não tem qualquer nome, hoje, que tivesse condições ou tamanho para sequer se aproximar da representatividade de Lula. Com o fracasso de Dilma, com Fernando Haddad, que desde que foi derrotado ainda em primeiro turno para prefeito de São Paulo, em sua reeleição, já foi testado em todas as posições e nunca mais emplacou nenhuma vitória, e com governadores de perfil mais técnico, que ainda não têm dimensão nacional, o partido está envelhecendo junto do catolicismo que o ajudou lá atrás. Há um movimento de ressurgimento na religião, mas ao invés de buscar proximidade, o dogma petista está tão desvirtuado de sua origem, que parece cada vez mais impossível esse reencontro. Fonte: https://www.estadao.com.br

Exercícios Espirituais no Vaticano, 10ª Meditação: "Deixar-se transformar"

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Publicado em 14 março 2025
  • A esperança da vida eterna
  • Exercícios Espirituais no Vaticano,
  • padre Roberto Pasolini,
  • Pe. Roberto Pasolini,
  • pregador da Casa Pontifícia,
  • Deixar-se transformar
  • Frei Roberto Pasolini,
  • mistério da cruz e da ressurreição de Cristo,

O pregador da Casa Pontifícia, Pe. Roberto Pasolini, fez na manhã desta sexta-feira, 14 de março, a décima meditação no âmbito dos Exercícios Espirituais da Quaresma à Cúria Romana sobre o tema "A esperança da vida eterna: Deixar-se transformar". Publicamos a síntese da reflexão.

 

Vatican News

A vida, com sua beleza e suas dificuldades, nos coloca diante de uma pergunta crucial: qual é o sentido de nossa peregrinação neste mundo quando tudo está destinado a acabar? Sem a esperança na eternidade, o peso da realidade pode nos esmagar ou nos tornar cínicos, levando-nos à resignação. São Paulo propõe que fixemos nosso olhar nas coisas invisíveis, que são eternas. 

A humanidade é marcada pelo declínio físico, mas há uma renovação interior que ocorre dia após dia. Tudo o que parece desaparecer tem, na verdade, um destino maior: Deus nos criou para a ressurreição, e isso não é um sonho utópico, mas a lógica natural de uma existência chamada à plenitude.

No mistério da cruz e da ressurreição de Cristo, Deus completou seu desígnio de amor. A aparente derrota do Crucificado é, na verdade, a revelação de um Pai que não desiste de seus filhos. Isso significa que nossa vida não é deixada ao acaso, mas faz parte de um projeto de adoção e redenção que nos torna filhos amados e destinados à eternidade. Tudo o que experimentamos - alegrias, tristezas, conquistas e fracassos - faz parte de uma transformação contínua, semelhante à de uma semente que, ao morrer, gera uma nova vida. Assim, também nós, mesmo atravessando o limite da morte, estamos destinados a uma vida nova e gloriosa.

Essa transformação não é apenas futura, mas já começa agora. Na Eucaristia, de fato, ocorre uma troca misteriosa: oferecemos a Deus nossa vida e recebemos em troca o próprio Cristo, que nos transforma em seu amor. Em cada missa que celebramos, tudo o que somos é assumido na vida de Cristo, que o leva consigo perante o Pai. Não se trata de um rito simbólico, mas de um processo real de transformação de nossa pessoa, que nos torna partícipes da vida eterna já no presente.

Não sabemos exatamente o que vai acontecer no final, mas sabemos que o que seremos já está germinando dentro de nós. Não somos destinados ao nada, mas a um futuro cheio de esperança. Esta certeza muda tudo: nossa vida não é um filme sem sentido, mas uma obra escrita e dirigida por um Diretor extraordinário, que nos convida a fixar o olhar na eternidade e a caminhar em direção a Ele com confiança. É um fato real: Deus gerou filhos, e entre esses filhos estamos também nós. O futuro permanece diante de nós como um desenho de amor apenas parcialmente revelado. Entretanto, o que vemos hoje já é maravilhoso: somos filhos amados, cidadãos do céu, vivendo para Deus e para sempre. Fonte: https://www.vaticannews.va

Apresentação da Campanha da Fraternidade 2025

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Publicado em 05 março 2025
  • Encíclica Laudato Si’,
  • Campanha da Fraternidade,
  • Campanha da Fraternidade 2025
  • Evangelho da Criação
  • complexa crise socioambiental
  • Deus viu que tudo era muito bom (Gn 1,31)
  • crise socioambiental,
  • Fraternidade e Ecologia Integral

Em 2025, o tema escolhido para a Campanha da Fraternidade 2025 é: “Fraternidade e Ecologia Integral” e o lema: “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31).

A Campanha busca promover, em espírito quaresmal e em tempos de urgente crise socioambiental, um processo de conversão integral, ouvindo o grito dos pobres e da Terra.

 

Objetivos Específicos:

1) Reconhecer o caminho percorrido e as ações já iniciadas com a Encíclica Laudato Si’ (LS) e o Sínodo da Amazônia, em vista do seu fortalecimento e continuidade;

 

2) Denunciar os males que o modo de vida atual impõe ao planeta e que tem gerado uma “complexa crise socioambiental” (LS 135), dado que em nossa Casa Comum “tudo está interligado” (LS 16);

 

3) Apontar as causas da grave crise climática global, a urgência de alteração profunda nos nossos modos de vida e as “falsas soluções” (LS 54) fomentadas em nome da transição energética;

 

4) Aprofundar o conhecimento do “Evangelho da Criação” (LS, Cap. II), valorizando a dimensão trinitária da fé cristã e recuperando o horizonte bíblico da aliança universal que envolve todas as criaturas (Gn 8-9);

 

5) Explicitar a Doutrina Social da Igreja e assumir o compromisso com a conversão integral, para a superação do pecado, em todas as suas manifestações;

 

6) Vivenciar as propostas do Ano Jubilar em vista de novas relações do ser humano com Deus e suas criaturas, consigo mesmo e com o próximo;

 

7) Propor a Ecologia Integral como perspectiva de conversão e elemento transversal às dimensões litúrgica, catequética e sociotransformadora do compromisso cristão;

 

8) Incentivar as pastorais e os movimentos socioambientais, em articulação com outras Igrejas e Religiões, sociedade civil, povos originários e comunidades tradicionais, em vista da justiça socioambiental e da atuação socioeducativa;

 

9) Promover e apoiar ações efetivas que visem à mudança do modelo econômico que ameaça a vida em nossa Casa Comum;

 

10) Apoiar os atingidos por catástrofes naturais e as vítimas dos crimes ambientais em sua busca por reparação e justiça;

 

11) Celebrar os 10 anos da Encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, acolhendo a Laudate Deum e avançando com as temáticas socioambientais que já foram abordadas nas Campanhas da Fraternidade. Fonte: https://www.cnbb.org.br 

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